domingo, 1 de maio de 2016

R.I.P. Paulo Varela Gomes

Depois de cerca de quatro anos de uma corajosa luta contra a doença, o Paulo Varela Gomes partiu ontem de manhã da sua casa de Podentes, próximo de Penela, deixando um enorme vazio na cultura portuguesa e, de maneira muito especial, no domínio da relação cultural e da amizade entre Goa e Portugal, matéria em que era um dos maiores e mais respeitados especialistas portugueses, sobretudo depois de, entre 1996 e 1998 e entre 2007 e 2009, ter vivido em Goa como representante da Fundação Oriente na Índia.
A Universidade de Coimbra e a comunidade académica também perderam um dos seus maiores expoentes como historiador de arte e, sobretudo, como historiador de arquitectura, conforme atesta a originalidade da sua extensa obra académica, dispersa por monografias, intervenções mediáticas, conferências e intervenções de carácter científico, quer no país quer no estrangeiro. A sua versatilidade intelectual e a sua polivalência no domínio de temas complexos revelou-se igualmente na ficção, na crítica literária e nas obras que publicou nos últimos anos, que a crítica reconheceu e o público apreciou.
Os seus amigos também perderam um companheiro de superior inteligência e de grande erudição, amante da liberdade e da democracia, de discurso assertivo e frontal, cuja intervenção no espaço público se pautou sempre por uma atitude de grande coragem intelectual, vastos conhecimentos e uma enorme coerência cívica. Era um comunicador excepcional e ninguém esquecerá a sua notável participação na série televisiva “O mundo de cá”, o que levou a que a RTP lhe prestasse ontem à noite uma uma justa homenagem, ao transmitir um dos episódios dessa série gravada na Índia e no Sri Lanka em 1995.
Tive o privilégio de o ter conhecido e de com ele ter convivido durante cerca de duas dezenas de anos, dele recebendo sempre muitos ensinamentos, muita camaradagem e muita amizade. A nossa viagem a Diu em Setembro de 1998 e a demorada visita que fizemos à ilha conduzindo rudimentares motocicletas, continuam gravadas na minha memória.
O Paulo foi um grande Homem e teve a dedicada companhia da Patrícia, uma verdadeira mulher-coragem que aqui também justamente evoco.
O Paulo, a sua inteligência e a sua bondade vão fazer-nos muita falta.

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