sábado, 18 de fevereiro de 2017

Espanha: uma inédita condenação real

 
Depois de vários meses de julgamento, o Tribunal Provincial de Palma de Maiorca anunciou ontem a sentença do caso Nóos, no qual estavam acusados a Infanta Cristina, irmã mais nova do Rei Filipe VI de Espanha, e o seu marido Inaki Urdangarín, por alegado desvio de fundos públicos, fraude e tráfico de influências.
O Tribunal concluiu que Inaki Urdangarín tinha uma posição institucional privilegiada que o levou a conseguir contratos de forma irregular nas Baleares e condenou-o a uma pena de prisão de seis anos e três meses pelos crimes de prevaricação, peculato, fraude, tráfico de influência e dois crimes contra as Finanças Públicas, enquanto a sua mulher foi absolvida dos crimes de natureza fiscal de que estava também acusada.
Numa primeira reacção à notícia, a Casa Real salientou apenas o seu profundo respeito pelo princípio da independência do poder judicial.
Absuelta y condenado é o título mais comum da imprensa espanhola e todos os jornais destacam hoje a notícia, enquanto nos seus editoriais o tema serve para tudo. Enquanto os jornais mais afectos à Monarquia salientam que a Infanta Cristina foi absolvida e que a honra dos Bourbons ficou salvaguardada, os jornais menos afectos à Monarquia destacam que a condenação de um cunhado do Rei, é um facto que nunca acontecera nas monarquias europeias e é um sinal da decadência do sistema monárquico.
O que não há dúvida é que, lá como cá, mas também um pouco por toda a parte, a ganância tomou conta de muitos espíritos que não olham a meios para enriquecer e que, para isso, utilizam todas as armas de influência e todas as práticas ilícitas para atingir os seus fins. Lá como cá, parece valer tudo. Porém, parece que agora a justiça começa  a ser igual para todos.

1 comentário:

  1. Pelo menos em Espanha. Esperemos que nisto e desta vez o ditado seja contrariado e os ventos sejam bons, que Portugal bem precisa.

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