domingo, 28 de maio de 2017

Uma imagem vale mais que mil palavras

Na sua mais recente edição a revista The Economist lança um oportuno aviso sobre os oceanos e a sua sustentabilidade, recorrendo a uma expressiva ilustração na sua capa que nos evoca os inúmeros impactos ambientais nocivos para a fauna marítima, que têm conduzido muitos ecosistemas marinhos e costeiros em direcção ao colapso.
O conteúdo da revista é de grande interesse pedagógico pois alerta para os riscos que estão a ameaçar os oceanos e, em certa medida, o futuro da Humanidade, escrevendo que os oceanos sustentam o nosso planeta e a Humanidade, mas que a Humanidade despreza os oceanos. De facto, convergem nos oceanos demasiados comportamentos condenáveis como o despejo de resíduos sólidos poluentes e contaminantes produzidos por algumas indústrias, a pesca excessiva ou predatória, a destruição de áreas costeiras devido à especulação imobiliária e, ainda, os grandes acidentes marítimos resultantes da indústria petrolífera.
O desenvolvimento económico que à escala global se verificou no século XX, não tratou de proteger os oceanos e, em meados desse século, já havia quem afirmasse que os oceanos poderiam conter mais plástico do que peixe. Essa quase profecia não tem qualquer fundamento científico, mas não há dúvida que os oceanos estão ameaçados e que as alterações climáticas que se estão a verificar no planeta estão relacionadas com as alterações que estão a ocorrer nos oceanos.
Os oceanos cobrem quase três quartos do planeta e, para além do seu contributo para a regulação climática, também asseguram a proteína alimentar de que necessitam muitos milhões de pessoas.
As medidas para a preservação dos oceanos são muito urgentes e têm que ser o resultado de melhores comportamentos individuais e colectivos e, sobretudo, da acção dos governos. Um importante passo dado nesse sentido foi o Acordo de Paris, assinado em Abril de 2016 por 175 países, que determina o combate aos efeitos das mudanças climáticas no meio ambiente para tornar o nosso planeta mais sustentável. Foi um grande passo, embora tenhamos agora o Donald a bloquear o que antes foi acordado pelo Barack.
A edição do The Economist presta um serviço a uma grande causa, o que já é pouco habitual nos tempos que correm.

sábado, 27 de maio de 2017

Lisboa: o sol, os turistas e os jacarandás

Lisboa: Avenida D. Carlos I
Há uma onda de optimismo que está a atravessar a sociedade portuguesa e é em Lisboa que mais se sente essa festiva e atraente aragem. Há um mar de turistas que procuram o nosso sol e a nossa tranquilidade, que desfrutam o azul do Tejo e o vai-vém dos cacilheiros, que se estendem pelas escadarias da Ribeira das Naus ou se refrescam no Cais das Colunas. Há uma gastronomia de muitos sabores a desafiar os visitantes e há inúmeras esplanadas que se enchem de jovens e de menos jovens falando línguas muito diversas. A oferta cultural da cidade de expressão popular ou erudita, é muito diversificada e muito convidativa, não deixando ninguém indiferente. A cordialidade dos lisboetas parece insuperável. Os bairros históricos e os museus enchem-se e, mesmo antes das festas da cidade, Lisboa já tem um ar de festa e uma invulgar aparência cosmopolita.
Nesta altura do ano, a cidade parece enfeitar-se e deslumbra com os jacarandás floridos, até porque parecem aumentar todos os anos as ruas, os jardins e as praças que os adoptaram. Lisboa parece ser, realmente, a cidade dos jacarandás. Iluminados pela luz única que a cidade tem, os jacarandás floridos inspiram os fotógrafos e são um elemento adicional para enriquecer a cidade, embora esse deslumbrante festival de cor só dure até meados de Junho. Já lá vai o tempo em que podíamos identificar as mais belas manchas de jacarandás floridos, mas hoje estão por toda a cidade.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Arte e erudição na música portuguesa

Um grande concerto ontem realizado no Teatro Municipal de São Luiz em Lisboa, assinalou os 50 anos de carreira de Pedro Caldeira Cabral, um músico e compositor reconhecido no plano internacional e que, desde há muitos anos, é um símbolo da erudição na música portuguesa.
Ouço a música de Pedro Caldeira Cabral desde há muitos anos e não faltei.
O espectáculo intitulou-se Guitarra de ontem e de hoje e teve como tema a guitarra portuguesa e a sua valorização e promoção, como um importante legado patrimonial da cultura portuguesa. O músico partilhou o palco com Ricardo Rocha e Luís Marques, como convidados especiais, enquanto o excelente programa que foi apresentado incluiu a música antiga, a nova música e a música tradicional.
Pedro Caldeira Cabral nasceu em Lisboa em 1950 e tem uma longa vida de estudo de alaúde, viola de gamba e outros instrumentos musicais, sendo um conhecido intérprete de música antiga em instrumentos históricos.
Em reconhecimento pelo seu importante papel na cultura portuguesa e como expressão da gratidão da nossa comunidade pelo seu labor e talento, o Presidente da República decidiu agraciar Pedro Caldeira Cabral com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D.  Henrique.  E fez muito bem. O meu aplauso.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Economia: a Centeno, o que é de Centeno

A notícia foi divulgada ontem e surpreendeu toda a gente. O poderoso Wolfgang Schäuble, que desde 2005 é o Ministro das Finanças da Alemanha, disse esta terça-feira que Mário Centeno é o “Ronaldo do Ecofin”, o grupo de ministros das Finanças da União Europeia. O jornal i fez uma fotomontagem e, na capa da sua edição de hoje, apresenta Centeno travestido de Ronaldo. 
Durante alguns anos o ministro alemão destacou-se pela arrogância com que se referiu a Portugal, abusando da passividade e do estilo bajulador de Vítor Gaspar e de Maria Luís Albuquerque. Schäuble humilhou Portugal muitas vezes com as suas frequentes ameaças de sanções económicas e, mais recentemente, com a sua hostilidade para com o actual governo português. A desconfiança tem sido permanente e Schäuble até chegou a dizer que as coisas só correram bem em Portugal até ao dia em que o actual governo de António Costa chegou ao poder. Porém, Schäuble teve que meter a viola no saco e, antes tarde que nunca, rendeu-se às evidências e ao seu preconceito ideológico.
Com os bons resultados económicos a aparecer em Portugal, como consequência de muitas circunstâncias mas, sobretudo, devido ao clima de optimismo e confiança que se instalou na sociedade portuguesa pelo estilo do par Marcelo & Costa, o ministro Schäuble parece ter aprendido e ter-se rendido ao mais qualificado dos 23 Ministros das Finanças que Portugal já teve desde 1974, pois dos sete que se doutoraram, só Mário Centeno o fez em Harvard, provavelmente a melhor universidade de economia e gestão do mundo. Por isso, Schäuble cedeu. Portanto, a Centeno, o que é de Centeno.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A dura guerra no mercado do armamento

O presidente Donald Trump está de visita a alguns países do Médio Oriente e da Europa. Começou pela Arábia Saudita, onde assinou 34 acordos comerciais em domínios diversos como a defesa, o petróleo e o transporte aéreo, no montante de 380 mil milhões de dólares, um valor que é aproximadamente o dobro do produto interno bruto anual português. É uma coisa impressionante.
Segundo o jornal económico francês La Tribune foi um "méga-cadeau de bienvenu à Donald Trump" que, com entusiasmo, afirmou: "C'était une journée formidable ! Des centaines de milliards de dollars d'investissements aux Etats-Unis et des emplois, des emplois, des emplois".
Deste montante, cerca de 110 mil milhões de dólares destinam-se à compra de armamento, onde se inclui material de defesa antimíssil, navios militares, aviões tácticos e helicópteros. Naturalmente, os Estados Unidos afirmaram desejar que a Arábia Saudita tenha um papel mais importante na segurança da região do Golfo, que dizem estar ameaçada pelo Irão, mas que também tenha um contributo mais significativo nas operações contra o terrorismo, sobretudo na luta contra o Estado Islâmico e a Al-Qaida.
A Arábia Saudita é um dos maiores importadores mundiais de armamento e, com os contratos agora anunciados com os americanos e o reforço da aliança entre Washington e Ryad, a França vai perder uma enorme fatia do seu mercado do armamento. A luta por esse mercado é dura, como mostram os acordos agora assinados e que vão penalizar muito a economia francesa.
Porém, estas notícias mostram que há uma lógica perversa na política mundial, isto é, para criar empregos e fomentar as suas exportações, alguns países alimentam guerras e o consumo de material de guerra, como se tem visto no Médio Oriente. Esta economia mata, como escreveu o Papa Francisco na sua exortação evangélica Evangelii Gaudium.

sábado, 20 de maio de 2017

O tempestuoso vento que sopra do Brasil

As notícias que nos chegam do Brasil são demasiado preocupantes. As revelações sobre a corrupção que penetrou em todos os escalões da política brasileira e que levaram ao afastamento de Dilma Rousseff da presidência do Brasil e à permanente suspeita sobre Luiz Inácio Lula da Silva, já tinham mostrado uma invulgar dimensão do problema. Era previsível, portanto, que a história continuasse. E continuou. Sucederam-se novas informações obtidas quase sempre através da figura da "delação premiada", que trouxeram ao conhecimento público muitos mais casos que revelam subornos e propinas a milhares de políticos de partidos de todo o espectro parlamentar brasileiro. Ao contrário do que acontece um pouco por todo o mundo em que a corrupção é a excepção, no Brasil a corrupção é a regra.
Um dia destes foi revelada uma conversa entre o actual presidente Michel Temer e um empresário de apelido Batista, no qual aquele parece autorizar o pagamento de subornos. O Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação contra Temer sustentada em suspeitas de que cometera crimes de obstrução judicial, organização criminosa e corrupção passiva, mas o presidente do Brasil apressou-se a fazer uma declaração ao país a anunciar que não vai renunciar ao seu cargo. Era de esperar.
Na sua última edição a revista Veja invoca a grandeza do Brasil e a necessidade de grandeza dos homens públicos que ocupam o aparelho de Estado, porque é urgente a rápida regeneração da vida pública brasileira. Porém, a ideia de grandeza pode ter subjacente a ideia de homens providenciais e é preciso muito cuidado com isso.  A revista também lança um veemente apelo para que se acabe com esta lamentável situação, porque os milhões de brasileiros honestos não merecem ser punidos pela desfaçatez e pela ganância dos poderosos. É verdade. No entanto, a revista não aponta uma saída para esta situação que, naturalmente, só pode ser encontrada através da vontade popular expressa através do voto democrático. Só pode ser esse o caminho a seguir pelos nossos irmãos brasileiros.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

R.I.P. Mário Carrascalão

Timor Leste está de luto porque  morreu Mário Carrascalão quando ontem conduzia a sua viatura próximo do bairro do Farol na cidade de Díli e foi acometido de doença súbita. Tinha 80 anos de idade e morreu um dia depois de ter sido galardoado com a mais alta condecoração timorense, que lhe foi entregue por Taur Matan Ruak, um dos antigos líderes da guerrilha e actual chefe de Estado da República de Timor Leste.
Mário Carrascalão nasceu em 1937 em Venilale e era filho de um anarquista português que foi deportado para Timor, tendo vindo para Portugal para completar o ensino secundário e para frequentar o Instituto Superior de Agronomia, onde se licenciou. De regresso a Timor, assumiu o cargo de chefe dos Serviços de Agricultura, função que ocupava quando em 1975 rebentou a guerra civil. Durante a ocupação indonésia foi nomeado governador de Timor Leste, cargo que exerceu entre 1982 e 1992, o que levou a que muitos timorenses o acusassem de traição e de colaboracionismo com o ditador Suharto. Porém, muitos timorenses que passaram pelas prisões indonésias, sempre reconheceram o apoio que Mário Carrascalão deu às suas famílias e até às redes clandestinas, o que permitiu salvar centenas de vidas e manter viva a ideia da independência. Além disso, contribuiu para que centenas de timorenses estudassem em universidades indonésias e, sobretudo, foi o grande impulsionador do diálogo com a Resistência, tendo ele próprio tido encontros com o guerrilheiro Xanana Gusmão em 1983 e 1990, que abriram as portas ao processo que desaguou na independência de Timor-Leste.
Conheci o Engenheiro Mário Carrascalão e com ele convivi em diferentes locais e circunstâncias, designadamente na Fazenda Algarve, próximo de Liquiça, que é propriedade da sua família e onde, provavelmente, será sepultado no cemitério da família.
Biológica e culturalmente, Mário Carrascalão tinha tanto de timorense, como de português. Honrou esses dois legados. Com a sua morte, Timor Leste perdeu um dos seus filhos mais notáveis, mas Portugal também perdeu um dos seus grandes amigos timorenses.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Até o Medina aderiu ao populismo barato

A equipa de futebol do Benfica conquistou a Primeira Liga ou Liga NOS, no âmbito das competições organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional e esse facto gerou uma onda de grande alegria entre os benfiquistas. Foi a 36ª vez que o clube triunfou na prova máxima do futebol português, o que supera as 27 vitórias do FC Porto e os 18 triunfos do Sporting, mas também foi a primeira vez que a equipa conseguiu uma quarta vitória consecutiva ou tetracampeonato, um feito que os seus principais rivais já tinham conseguido. O Benfica é uma grande instituição desportiva com muitos milhares de adeptos em todo o mundo que festejaram o êxito da sua equipa de futebol com grande entusiasmo e a festa organizada na Praça Marquês de Pombal em Lisboa, que todas as televisões portuguesas transmitiram em directo, foi simplesmente grandiosa. Os festejos podiam ter acabado ali e acabavam muito bem.
Porém, o autarca Fernando Medina decidiu homenagear a equipa campeã nacional de futebol e exibi-la exactamente na mesma varanda onde José Relvas proclamou a República no dia 5 de Outubro de 1910. Portanto, no plano simbólico, tivemos o jogador Luisão equiparado a José Relvas e esta vitória do Benfica comparada à implantação da República. É demais, num tempo em que futebol já não é um desporto, mas sobretudo um negócio de jogadores e de acumulação de dívidas e de dúvidas. Medina sabe isso, mas cedeu.
Se fosse uma vitória de prestígio internacional talvez se justificasse esta homenagem, mas não foi o caso. A iniciativa de Medina divide os lisboetas e humilha os adeptos dos outros clubes da cidade. Medina abastardou aquela varanda e quer repetir a festa brevemente, segundo disse. Medina é um político inteligente e sensato, mas não resistiu à sua própria clubite, ao populismo e à demagogia eleitoral. A operação que montou serviu a sua ambição política, mas foi um tiro nos pés. Ao olhar para a Praça do Município cheia de gente a vibrar, Medina deve ter pensado nos muitos votos que ali estavam. Que pena. Eu pensava que o Medina era o meu autarca e que não alinhava no populismo barato.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Papa Francisco em visita a Portugal- III

A rápida viagem que o Papa Francisco fez a Portugal para visitar Fátima na condição de peregrino correu sem quaisquer problemas e, para os católicos, foi um acontecimento inesquecível.
As televisões acompanharam todos os passos do chefe supremo da Igreja Católica e todos os portugueses tiveram a oportunidade ver o entusiasmo com que o povo o acolheu e o saudou. A imprensa de vários países, sobretudo do sul da Europa e da América Latina, destacou esta peregrinação e nas suas edições publicou com grande destaque as imagens do Papa Francisco em oração no santuário de Fátima.
Porém, num caso ou noutro, como sucedeu com o diário galego El Progreso, que se publica em Lugo, a notícia foi ilustrada com uma fotografia que não é de cariz religioso, na qual o Papa Francisco e o Presidente da República Portuguesa conversam muito sorridentes. Esta fotografia demonstra que, para além dos seus aspectos religiosos, a visita do Papa Francisco também teve aspectos políticos.
No caso de Marcelo Rebelo de Sousa a aproximação faz todo o sentido porque ele é um católico praticante e porque, após a sua tomada de posse como Presidente da República em Março de 2016, realizara a sua primeira viagem oficial exactamente ao Vaticano, para além de repetidamente ter elogiado a figura excepcional do Papa Francisco. Portanto, muito bem.
No entanto, as televisões também mostraram algumas figuras políticas alinhadas na primeira fila das homenagens ao Papa e nem todas por dever protocolar. Algumas dessas figuras, independentemente de serem ou não católicas, poderiam ter estado no meio do povo, mas quiseram ser vistas na referida primeira fila apenas por interesse eleitoral, porque entenderam que aparecer ao lado do Papa deve dar votos. no futuro. Chama-se a isto demagogia sem escrúpulos.

domingo, 14 de maio de 2017

Portugal em festa para delírio do povo

Ontem foi um invulgar dia de festa para os portugueses e os jornais devem ter tido alguma dificuldade na escolha dos temas a destacar nas suas primeiras páginas. Durante a manhã e o princípio da tarde, o Papa Francisco esteve em Fátima onde recebeu o aplauso e o afecto de muitos milhares de pessoas emocionadas que o ovacionaram. Ao fim da tarde, o Benfica assegurou a vitória na Liga Portuguesa de Futebol e muitos outros milhares de portugueses encheram a Praça Marquês de Pombal para festejar um triunfo que aconteceu pela 4ª vez consecutiva. Finalmente, à noite, o cantor português Salvador Sobral ganhou o Festival da Eurovisão, o que nunca acontecera antes. Significa que acontecimentos de importância e de natureza bem diferentes convergiram para alegrar os portugueses e para gerar manifestações de enorme euforia.
Já não bastava a apreciada cohabitação do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, nem o êxito no controlo das contas públicas ou a redução do défice orçamental, a descida do desemprego, o boom turístico e tantas outras coisas boas que nos estão a acontecer. Realmente, tudo parece correr bem em Portugal e, mais do que aquilo que nos dizem as estatísticas, fala a alegria da generalidade dos portugueses. A auto-estima e o orgulho lusitanos, que no ano passado atingiram um ponto alto quando a selecção nacional de futebol bateu a equipa francesa no seu próprio reduto de Paris, parece quererem manter-se num plano elevado. Ainda bem.
Perante um tão diversificado quadro de acontecimentos que merecem destaque, o jornal Público escolheu exactamente o entusiasmo e a alegria do povo para ilustrar a primeira página da sua edição de hoje, publicando expressivas fotografias desses acontecimentos. E saiu-se bem nessa escolha, o que poucas vezes acontece.

sábado, 13 de maio de 2017

A política económica de Trump e o futuro

A governação de Donald Trump está  a ser dominada pelo seu estilo autoritário, pela sua ignorância e pela acumulação de casos, uns na esfera internacional, mas outros na ordem interna. Os Republicanos, que se esperava fossem o seu principal suporte político, já começam a desesperar. A recente demissão de James Comey, o director do FBI, a poderosa agência que investiga as eventuais ligações da campanha eleitoral de Trump à Rússia de Putin, foi um dos casos que afectou a confiança da maioria dos americanos no homem que dirige o país desde 20 de Janeiro de 2017, muitos deles já desesperados por tardar o emprego que lhes foi prometido. 
De resto, a impopularidade de Trump e a desconfiança nas suas promessas económicas têm aumentado. A mais recente edição da prestigiada revista The Economist escolheu como tema principal a análise das políticas económicas prometidas por Donald Trump durante a campanha eleitoral que o conduziu à presidência dos Estados Unidos e que vêm sendo designadas pela expressão Trumponomics.
O título escolhido para esta edição – Trumponomics: what it is, and why it is dangerous – mostra como estão a aumentar as dúvidas quanto ao mérito das propostas económicas de Donald Trump e que poucos acreditam que elas possam fazer a América grande outra vez, como ele repetiu tantas vezes durante a sua caminhada para a Casa Branca.
A impulsividade e a superficialidade do estilo do Presidente dos Estados Unidos ameaçam a economia mas também o Estado de Direito, enquanto a revista acrescenta que Donald Trump está “a governar Washington como se fosse um rei e a Casa Branca a sua corte”. O seu egocentrismo e a sua necessidade de ser o centro das atenções estão a levá-lo a rodear-se de amigos e de fiéis que não o contrariam e a atacar todos os que se atravessam no seu caminho. Assim, as coisas não podem dar certas e ele próprio já veio reconhecer que “a Presidência é mais difícil do que pensava e que tem saudades da vida que levava antes”. Por tudo isto, há cada vez mais americanos a pensar que Donald Trump poderá não levar o seu mandato até ao fim. A Trumponomics parece estar condenada.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O Papa Francisco em visita a Portugal - II

O Papa Francisco chega hoje a Portugal para uma visita de cerca de 24 horas, em que estará em Fátima como peregrino.
Portanto, esta visita do “Papa argentino” tem um significado religioso, mas para além desse aspecto, tem também um importante significado político que interessa realçar.
O Papa Francisco é hoje o mais respeitado líder mundial que, através das suas exortações apostólicas e das suas encíclicas, sobretudo a Evangelli Gaudium (2013) e a Laudato Si (2015), tem expressado linhas de pensamento que pretendem dar uma renovada orientação à Igreja Católica, de forma a envolvê-la nos grandes desafios do mundo actual, o que parece não ser do interesse de muitos dos seus sectores, porventura mais conservadores ou mais distraídos com a evolução social do mundo. Essa também parece ser a postura mais comum da hierarquia da Igreja em Portugal, o que levou a revista Visão a dizer na sua última edição, que este Papa está muito à frente da Igreja portuguesa.
De facto, o Papa Francisco não se tem “escondido” dos problemas da Igreja e do mundo, nem tem ficado à espera das posições de Washington ou de Moscovo para tomar posições sobre os problemas da Humanidade. Assim, expõe o seu pensamento sobre a guerra e a paz, a pobreza e a desigualdade, o drama dos refugiados, a economia da exclusão e a idolatria do dinheiro, num continuado esforço pelo bem comum e pela paz social. Revela a sua preocupação sobre os cuidados a ter com a “casa comum”, fazendo duras críticas à devastação ambiental, ao modelo de desenvolvimento vigente e à falta de responsabilidade para com os mais pobres. Numa Igreja que muitas vezes tem esquecido os mais pobres e os mais desfavorecidos, o Papa Francisco parece erguer-se como um produto da Teologia da Libertação sul-americana, embora sem o seu conteúdo marxista.
Além de tudo isto, o Papa Francisco tem um estilo pessoal simples e austero, herdado da sua ordem religiosa, o que é do agrado dos portugueses. Num estudo recentemente divulgado, 91% dos portugueses consideram a acção do Papa Francisco como excelente ou boa e consideram-na inovadora ou revolucionária. Portanto, bem-vindo Papa Francisco!

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Da agro-Cristas à Cristas-vinte-estações

O Metropolitano de Lisboa apresentou um plano de acção operacional para a sua rede, anunciando que esta vai ter mais duas estações – Estrela e Santos – a inaugurar até 2022. A nova linha ligará o Rato ao Cais do Sodré e o custo desta obra é de 216 milhões de euros, com recurso a fundos comunitários e a um empréstimo a contrair junto do Banco Europeu de Investimento. O plano prevê, também, a aquisição de 33 novas carruagens, num investimento estimado de 50 milhões de euros, bem como a remodelação das estações de Arroios, Areeiro, Colégio Militar, Olivais e Baixa-Chiado com um investimento estimado em 16,2 milhões de euros e o prolongamento da Linha Vermelha com duas novas estações nas Amoreiras e em Campo de Ourique, que custará 186 milhões de euros e que terá que esperar por nova oportunidade. Este plano representa um esforço de investimento e uma valorização para a cidade de Lisboa mas, como qualquer plano, pode e deve ser criticado para que sejam escolhidas as melhores alternativas.
Porém, o anúncio de duas novas estações do Metropolitano serviu de pretexto para um dos mais ridículos exercícios de demagogia, quase ao nível do insulto à inteligência dos portugueses. A ambiciosa jovem que dirige o Centro Democrático e Social, que em tempos e sem qualquer formação específica aceitou dirigir o Ministério da Agricultura  onde ficou conhecida como agro-Cristas, quis dar nas vistas e, num acto de ignorância ou de inteligência muito limitada, decidiu divertir a Assembleia da República e criticar um plano que prevê duas novas estações do Metropolitano, propondo não duas, mas 20 novas estações. Vinte! Nem mais nem menos. Os deputados-cassete do seu partido aplaudiram. Poucas vezes assisti a tanta falta de senso na vida política portuguesa. A agro-Cristas vai ficar na nossa memória como a Cristas-vinte-estações. Bem merece essa designação.

terça-feira, 9 de maio de 2017

O Papa Francisco em visita a Portugal - I

O Papa Francisco vem a Portugal no próximo fim de semana e essa visita já é o acontecimento do ano. A excitação nacional já é evidente nas agendas mediáticas, nas actividades editoriais e no merchandising alusivo à visita, como se verifica nas estações dos CTT ou nos balcões da Vista Alegre. O caso não é para menos. O Papa Francisco é hoje uma voz autorizada e um referencial de equilíbrio no mundo. Embora não se trate de uma visita oficial uma vez que o Papa estará no Santuário de Fátima como peregrino, as autoridades portuguesas estão a preparar a visita com muita atenção, até porque se espera que muitos milhares de católicos nacionais e estrangeiros assistirão às cerimónias de Fátima.
Uma das medidas extraordinárias de segurança adoptadas e que já entrou em vigor foi o encerramento das fronteiras terrestres por razões de segurança. No caso das fronteiras a norte do país, onde existem 16 postos fronteiriços, já estão encerrados 13 postos desde a meia noite de hoje e assim ficarão durante quatro dias. A saída do país será sempre livre, mas a entrada apenas poderá ser feita pela ponte internacional Tui-Valença do Minho ou pela estrada Verin-Chaves, podendo também ser utilizada a antiga ponte Tui-Valença que estará aberta apenas para peões e ciclistas. A imprensa galega, nomeadamente o diário Faro de Vigo, dá um grande destaque a estas restrições, dizendo que a medida afectará diariamente mais de 40.000 veículos que terão que ser controlados pela polícia portuguesa e que esse controlo irá obrigar a longas perdas de tempo. Porém, a reacção da imprensa galega a esta medida é de compreensão e mostra como já é muito grande a interacção económica e a integração cultural entre a Galiza e o norte de Portugal.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

As devastadoras inundações no Canadá

As grandes inundações que acontecem de vez em quando no mundo, sobretudo nas bacias fluviais da Índia e da China, são sempre devastadoras ou mesmo catastróficas. Porém, essas inundações também acontecem noutrás regiões, que são supostas estar melhor preparadas para enfrentar essas situações.
Assim acontece actualmente no Canadá, onde estão a ocorrer inundações devastadoras, como não se registavam há mais de cinquenta anos. Essas inundações estão a afectar a província do Quebec, tendo já sido registados alguns milhares de sinistros, incluindo alguns acidentes mortais, assim como o encerramento de escolas e de repartições públicas.
O governo do Quebec declarou hoje o estado de emergência em Montreal, depois do colapso de três diques de protecção situados no norte da cidade, mas também em Laval e noutras cidades canadianas, segundo informa o Journal de Montréal. Segundo foi anunciado oficialmente, haverá mais de quatro centenas de estradas intransitáveis, cerca de 2500 moradias que foram inundadas em 146 localidades e mais de 1500 pessoas que foram evacuadas.
Desde o passado sábado que as Forças Armadas passaram a cooperar com a Protecção Civil, sobretudo nos trabalhos de reforço preventivo de diques e na reparação dos que colapsaram, não só na região de Montreal mas também em toda as áreas que marginam o rio Otawa, entre as cidades de Otawa e Montreal. As autoridades têm justificado a anormalidade desta situação com as chuvas excepcionais que se têm verificado nas últimas semanas e com o inverno rigoroso que gerou muita neve que está agora a derreter. Tem sido tanta água a inundar a província do Québec, que os jornais canadianos trouxeram o assunto para as suas primeiras paginas.

A Europa respirou de alívio

As eleições presidenciais francesas escolheram ontem um novo Presidente da República. Emmanuel Macron e a sua plataforma En marche! venceram as eleições. A França nunca teve um Presidente tão jovem e nunca tinha eleito alguém sem o apoio expresso dos partidos políticos. É uma novidade absoluta e, depois de figuras emblemáticas como De Gaulle ou François Miterrand, o que se pode dizer é que a política francesa já não é o que era. Meio mundo respirou de alívio porque Emmanuel Macron venceu o radicalismo de Marine Le Pen, o que pode significar um novo impulso no projecto europeu, mas também uma nova maneira de fazer política, com mais moralização e mais ética, mais responsabilidade e com mais esperança num mundo mais seguro, com mais liberdade, mais justiça e melhor defesa do ambiente.
Macron foi festejar a sua vitória no átrio do Museu do Louvre onde chegou ao som do Hino da Alegria de Beethoven, que foi adoptado como hino da União Europeia. Esse foi um forte sinal sobre a sua identificação com os ideais da Europa e com um novo estilo de fazer política, tendo então afirmado que não iria ceder ao medo nem ao divisionismo e que nenhum obstáculo o iria deter.
O seu discurso de vitória foi muito prudente, até porque Emmanuel Macron não tem maioria para governar. Ele sabe que muitos franceses o escolheram como um mal menor e que a derrota dos republicanos e dos socialistas pode ser apenas um caso conjuntural. Por isso, pediu votos nas eleições legislativas de Junho para os candidatos da sua plataforma política para construir uma verdadeira maioria parlamentar que permita concretizar a mudança que ele prometeu e a que o país aspira.
Faltam seis semanas para as eleições parlamentares e Macron não vai poder descansar. O desafio que tem pela frente é enorme e muito complexo, até porque a sua adversária agora derrotada não lhe vai dar tréguas, tal como os partidos tradicionais que vão querer recuperar da humilhação por que passaram. Sim, a Europa respirou de alívio mas, como se diz no futebol, ainda falta muito tempo de jogo.

domingo, 7 de maio de 2017

Crocodilos-marinhos atacam em Darwin

Nas regiões do norte da Austrália e em especial no Northern Territory, que é uma das oito unidades territoriais australianas e cuja capital é a cidade de Darwin, são abundantes as populações de crocodilos-marinhos ou crocodilos-de-água-salgada. Este animal é o maior réptil existente no planeta, pode atingir 7 metros de comprimento, é exclusivamente carnívoro e é muito agressivo. O seu habitat localiza-se desde a costa oriental da Índia até à Austrália, mas enquanto está em extinção na maioria das regiões da Ásia do Sul, a sobrevivência da espécie não é preocupante na Austrália, até porque há programas integrados para a sua conservação.
Porém, de vez em quando, sobretudo em épocas de cheias, os crocodilos-marinhos invadem as zonas urbanas e atacam as pessoas, havendo notícias de ataques e mortes na região de Darwin. As autoridades procuram manter a população informada por diferentes vias e anunciam:
          Croc danger is real. Do not become complacent or risk your life.
O serviço nacional de parques também está atento e procede à captura dos enormes répteis quando são detectados. Nos últimos anos as capturas anuais têm ultrapassado as duas centenas, mas só nos primeiros quatro meses deste ano já foram capturados 153 crocodilos, o que parece mostrar que a ameaça está a aumentar. O NT News, o principal diário de Darwin, publicou ontem uma desenvolvida reportagem sobre este assunto e alertava a população da cidade, sobretudo dos subúrbios e em particular os moradores das residências mais isoladas, para este grande perigo. Da leitura da reportagem conclui-se que há alguns sinais de pânico na cidade de Darwin, pois um passeio por um qualquer dos seus parques pode ser perigoso. Curiosamente, também já está a acontecer o mesmo perigo nos parques das cidades portuguesas, onde a presença dos Pitbull, dos Rottweiler e de outras espécies caninas, por vezes sem trela e sem açaime, são uma grande ameaça para as pessoas, sem que as autoridades actuem para proteger os cidadãos.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A Europa espera pelas eleições em França

A campanha eleitoral para a 2ª volta das eleições presidenciais francesas termina hoje. A Europa e o mundo estão em suspenso pelo resultado desta eleição, como hoje titula a edição do Hojemacau, um dos jornais em português que se publica no território de Macau.
Estão em confronto duas visões diametralmente opostas da França, da Europa e do lugar da França no mundo. Marine Le Pen de 48 anos de idade é apoiada pela Frente Nacional e assume uma posição de extrema-direita, pretendendo fechar as fronteiras nacionais e acabar com a moeda única europeia, enquanto Emmanuel Macron de 39 anos de idade é apoiado pela estrutura En Marche! que ele próprio criou e se apresenta como um centrista liberal, defendendo uma economia mais aberta e uma maior cooperação com a União Europeia.
Nos últimos dias o candidato independente Macron tem consolidado o seu favoritismo e, segundo as sondagens, terá cerca de 60% dos votos dos eleitores franceses, tendo recebido uma expressiva mensagem de apoio do ex-Presidente Barack Obama, para além do suporte que já recebera de François Hollande. Porém, muitos franceses não se revêem em nenhum dos candidatos e há um forte apelo para o voto em branco, sobretudo dos sectores políticos situados à esquerda. No entanto, o resultado das eleições de domingo vai manter a Europa em suspenso, porque a campanha que hoje termina revelou a falência dos partidos políticos tradicionais, nomeadamente os republicanos e os socialistas, enquanto mostrou a Frente Nacional como o maior partido francês. Por isso, mesmo que Macron vença, nem a França, nem a Europa sossegarão até às eleições legislativas de 11 e 18 de Junho, que irão ser um segundo teste ao futuro da Europa.

terça-feira, 2 de maio de 2017

A forte turbulência eleitoral em França

A generalidade dos grandes jornais internacionais publicou hoje nas suas primeiras páginas uma fotografia dos confrontos havidos em Paris, como consequência das manifestações do dia 1 de Maio e da tensão política associada à 2ª volta das eleições presidenciais do próximo domingo.
É um bom exemplo de fotojornalismo, daqueles casos em que uma imagem vale mais do que mil palavras. Nessa fotografia, que nenhum jornal português publicou por ser cara ou por terem achado que não tinha interesse noticioso, um grupo de polícias luta contra as chamas resultantes de um ataque com um cocktail Molotov, a arma química incendiária que muitas vezes é utilizada em protestos urbanos. Sabe-se que vários polícias ficaram feridos, mas não há notícia de que tenha havido mortes.
Entretanto, a poucos dias da votação, as sondagens têm mostrado que as intenções de voto dos eleitores franceses dão a vitória a Emmanuel Macron com 59% dos votos, enquanto Marine Le Pen se ficará pelos 41%. Porém, as sondagens falham muitas vezes e a diferença entre os dois candidatos está a estreitar-se, com Marine Le Pen a subir e Emmanuel Macron a descer. Por isso, apesar do elevado favoritismo de Macron, há muita incerteza e os comentadores reconhecem que a França está dividida entre dois projectos muito diferentes para a França e para a Europa e que a luta pelo voto continuará até ao último minuto.
Os confrontos do 1º de Maio de que o jornal espanhol ABC reproduziu a expressiva fotografia na sua primeira página, são também uma consequência da tensão político-eleitoral em França e da ansiedade que percorre a França.

Os novíssimos vampiros da nossa terra

Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada, assim diz o refrão de Os Vampiros, uma canção escrita e cantada por José Afonso em 1963, que é considerada como o tema fundador do canto político em Portugal e que tem servido para ilustrar inúmeras situações injustas, desde o combate à ditadura do Estado Novo até às recentes imposições externas da troika que nos últimos anos nos humilhou.
Porém, por analogia, o tema também serve para ilustrar outras situações de injustiça, embora de âmbito mais restrito. O Jornal de Notícias divulgou ontem que “o contacto com eleitores dá mais mil euros por mês” aos deputados, isto é, os deputados receberam 198 mil euros nesta legislatura para reunir com cidadãos nos seus círculos eleitorais, mas não são pedidas provas desses encontros por parte da Assembleia da República. Acontece que os deputados são eleitos democraticamente pelo povo, embora num quadro legal que não permite que cada cidadão conheça o seu deputado. Daí que ninguém conheça o seu deputado para o responsabilizar por promessas não cumpridas ou para o interpelar sobre assuntos de interesse local.
O sistema eleitoral permite que haja muitos deputados que nunca trabalharam e até alguns que nem sequer estudaram, mas todos recebem uma remuneração que é mais de 5 vezes superior ao ordenado mínimo nacional, isto é, os deputados recebem no mínimo cerca de três mil e trezentos euros, mas podem receber bastante mais. São, portanto, muito bem pagos e está certo que assim seja. Porém, muitos deputados são remunerados adicionalmente por terem sido escolhidos para integrarem entidades fiscalizadoras e comissões diversas, para além daqueles que desenvolvem actividades no sector privado de forma declarada ou não. Depois há o contacto com os eleitores, os subsídios de residência, as deslocações e as muitas coisas mais que, se não são escondidas, também não são divulgadas. Assim, um deputado português arrisca-se mesmo a enriquecer ao serviço do povo. Devia ser um serviço à comunidade, mas de facto é um bom emprego. Sim, eles ou muitos deles, comem tudo e assemelham-se aos vampiros denunciados por José Afonso.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O 1º de Maio como afirmação do trabalho

Hoje é o Dia do Trabalhador que é celebrado em Portugal e em muitos outros países do mundo, sendo um dia feriado em muitos deles.
A sua história começa no dia 1 de Maio de 1886 em Chicago, quando se realizou uma manifestação muito participada a reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias, ao mesmo tempo que se realizava uma greve geral nos Estados Unidos. Houve confrontos violentos com a polícia e alguns mortos, mas na sequência destes acontecimentos houve cinco sindicalistas que foram condenados à morte e três que foram condenados a prisão perpétua. O dia 1 de Maio passou a ser uma data evocativa da luta dos trabalhadores de Chicago e, também, dos trabalhadores de todo o mundo.
Na sua edição de hoje, o jornal i dedica a sua primeira página ao 1º de Maio que é o Dia do Trabalhador em Portugal. Porém, este dia só passou a ser comemorado livremente em Portugal depois da revolução do 25 de Abril de 1974, porque durante a Ditadura a sua comemoração era organizada clandestinamente e era fortemente reprimida.
Hoje, o Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado em todo o país, com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo promovidas pelas centrais sindicais, tendo uma acentuada adesão da população trabalhadora. No entanto, para além dos seus aspectos reivindicativos, a que se colam muitas vezes e de forma abusiva os interesses partidários, o 1º de Maio também é uma festa popular que contribui para a dignificação do trabalho e para afirmar a sua importância para o progresso económico do país e para a estabilidade social. Numa época em que o capital financeiro e as doutrinas neoliberais tendem a ser dominantes, o 1º de Maio serve para mostrar o valor do trabalho e para evidenciar que o progresso económico e social só é possível através da articulação entre os factores de produção Capital e Trabalho. Trabalho digno e salário digno, em nome da dignidade da pessoa humana. Como disse, também , o Papa Francisco.
Viva, pois, o 1º de Maio!