quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

O ano de 2020 termina. Mejor año nuevo!

Hoje é o último dia do ano de 2020 e, por todo o mundo, muitos jornais despedem-se de um ano que querem esquecer e transmitem mensagens de esperança no ano de 2021, que se inicia dentro de poucas horas. De entre essas mensagens de esperança para o novo ano, destacamos a mensagem bem simples que aparece hoje na capa dos principais jornais de Madrid e de Barcelona. Diz apenas Mejor año nuevo e vem assinada com um pequeno M, quase escondido, mas que a generalidade dos leitores identifica espontaneamente com a Movistar, a marca comercial de grande notoriedade da operadora de telefonia móvel do grupo Telefónica, que opera em Espanha e em vários países latino-americanos como a Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Peru, Uruguai, Venezuela e Brasil, neste caso através da operadora Vivo. É uma presença publicitária de grande criatividade que reforça a imagem de marca da Movistar e que aumenta os níveis de confiança da sua clientela. 
Em situações de crise económica e social como aquela que o mundo atravessa, este tipo de mensagens publicitárias não se destina a aumentar as vendas ou a angariar clientes, mas apenas a reforçar o prestígio das marcas e a gerar uma confiança acrescentada no público. Com esta mensagem a desejar mejor año nuevo, a Movistar reforça a sua presença junto do público e deixa no subconsciente dos seus clientes actuais ou potenciais, a ideia de que é melhor e mais confiável do que as outras operadoras de telefonia móvel que operam em Espanha - a Orange, a Vodafone e a Yoigo.
E nós, tal como a Movistar, também desejamos mejor año nuevo aos nossos leitores.

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Cristiano Ronaldo e Globe Soccer Awards

No passado dia 27 de Dezembro realizou-se no emirado do Dubai a gala dos Globe Soccer Awards 2020, uns prémios que têm uma relevância mínima no mundo do futebol, mas que permitem que os árabes endinheirados que gostam de futebol possam conviver com algumas estrelas do futebol mundial. 
O Dubai é conhecido por ser um luxuoso shopping center, pela sua arquitectura moderna, pela sua animada vida nocturna e pelo dinheiro que movimenta. Por isso, um evento como os Globe Soccer Awards assenta muito bem naquele cenário de modernidade. 
Este ano realizou-se a 12ª edição daquele evento e havia três portugueses candidatos a disputar os títulos de melhor jogador do século, melhor treinador do século e melhor empresário do século, tendo a gala sido realizada no majestoso arranha-céus Burj Khalifa, uma torre com 830 metros de altura, que se destaca num mar de arranha-céus. Jorge Mendes e Cristiano Ronaldo têm assinatura nestes prémios e foram escolhidos como empresário do século e jogador do século, enquanto José Mourinho ficou sem prémio desta vez. Quando ainda faltam oitenta anos para acabar o século é demasiado ridículo que já estejam a ser escolhidos o empresário e o jogador do século e, por isso, a imprensa desportiva tratou este assunto de forma muito discreta, porque o evento não merecia mais. Curiosamente, a maior referência que encontramos a este evento encontra-se no diário La Opinión, um jornal americano de língua espanhola que se publica em Los Angeles desde 1926, que ilustra a primeira página da sua edição de ontem com uma foto de Cristiano Ronaldo a três colunas e com a legenda Monstruo! Não se imaginaria tanta popularidade do Cristiano Ronaldo na Califórnia e não há dúvida que ele é, provavelmente, o maior embaixador que alguma vez tivemos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Um conselho ao Donald: stop the insanity

Tínhamos imaginado que a vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais americanas que sucessivos tribunais confirmaram, tinha acabado de vez com a nefasta presidência de Donald Trump que tanto prejudicou o prestígio internacional dos Estados Unidos. Além disso, a declaração dos especialistas de que se tratou da ”mais segura eleição da história dos Estados Unidos”, parecia acabar de vez com as teorias conspirativas do Donald. O assunto parecia ter ficado arrumado, mas as coisas não parecem ser exactamente assim. 
Numa altura em que a crise pandémica está muito intensa nos Estados Unidos, com mais de 200 mil contágios e três mil óbitos diários, com os hospitais à beira do colapso mas com as esperanças concentradas na nova vacina, o Donald continua amuado com o país, nada diz sobre a crise pandémica e repete a sua costumada gritaria em que insiste que que ganhou as eleições. Deste seu comportamento irresponsável tem resultado a perda de aliados e um isolamento cada vez maior, até porque não pára de fazer asneiras, não só através do boicote ao Congresso que lhe tirou o tapete mas, sobretudo, pela forma leviana e desonesta como vem distribuindo indultos a algumas dezenas de amigos e apoiantes, alguns deles já condenados. 
Na sua edição de hoje o jornal New York Post não o poupa e diz-lhe mesmo para parar com a sua insanidade. Stop the insanity é um invulgar apelo feito ao Donald para acabar com a louca cruzada em que se tem envolvido, mas a América e o mundo ainda terão de esperar 23 dias para o ver fora da Casa Branca.

domingo, 27 de dezembro de 2020

Bispo de Pemba e guerra em Cabo Delgado

A província moçambicana de Cabo Delgado tem vivido em estado de guerra desde 2017 e como resultado da acção armada de grupos insurgentes estão contabilizados dois mil mortos e 600 mil deslocados. As raízes do conflito são complexas mas parecem assentar em sérias divergências com um governo que se encontra a 2.500 quilómetros de distância e que tem revelado incapacidade para discutir a situação e para ajudar os que precisam, optando por uma abordagem essencialmente militar e parecendo esquecer a componente religiosa do conflito. No litoral de Cabo Delgado o islamismo está implantado há muitos séculos e do actual descontentamento tem resultado a progressiva radicalização no terreno, com ideologias e práticas jihadistas inspiradas pelas suas ligações à umma regional e global. Por outro lado, a riqueza local em gás natural e outros recursos é também uma variável importante neste conflito e o Estado Islâmico, que inicialmente não se terá envolvido na insurgência, parece que desde há alguns meses passou a dominar a actuação dos grupos armados insurgentes. 
As Nações Unidas e o Papa têm referido as suas preocupações, sobretudo em relação aos deslocados, calculando-se que na cidade de Pemba se encontrem cerca de 150 mil pessoas deslocadas e em deficientes condições humanitárias. É nesse contexto que D. Luiz Fernando Lisboa, o missionário brasileiro que é Bispo de Pemba, se tem erguido com uma das vozes mais críticas do governo moçambicano pela sua inoperância na abordagem deste conflito, na denúncia do radicalismo e das violações de direitos humanos que ocorrem no terreno e pelo seu trabalho na ajuda e protecção dos deslocados que fugiram do mato. 
Há uma semana o Bispo de Pemba foi recebido em prolongada audiência pelo Papa Francisco e agora o semanário independente Savana, que se publica em Maputo, escolheu-o como “a nossa figura do ano”, por ser “a voz da tragédia de Cabo Delgado”. Daqui de muito longe, recordamos a antiga cidade de Porto Amélia, achamos que o semanário escolheu bem e daí o nosso aplauso. 

Uma vacina que é o sorriso do mundo

Tudo começou em Dezembro de 2019 quando foram detectados alguns casos de uma misteriosa pneumonia na cidade chinesa de Wuhan, que depressa se espalhou por toda a China e por outros países asiáticos. Essa estranha pneumonia chegou aos Estados Unidos no dia 20 de Janeiro de 2020 e, logo a seguir, entrou na Europa no dia 24 de Janeiro através da França. No dia 11 de Fevereiro a OMS identificou o vírus – SARS-CoV-2 – como causador dessa pneumonia e anunciou o nome oficial da doença que passou a chamar-se covid-19. Um mês depois, a OMS declarou o surto de covid-19 como uma epidemia que, até agora já infectou mais de oitenta milhões de pessoas e já provocou 1.757.665 mortes. 
A Ciência começou a trabalhar imediatamente na pesquisa de uma vacina e, no meio de muitas especulações ditadas pela política e pela competição comercial, os resultados acabaram por aparecer como se fosse um milagre que trouxe esperança ao mundo. A União Europeia deu um forte contributo para financiar alguns projectos de investigação e, desde o princípio, atribuiu subsídios às principais empresas farmacêuticas – AstraZeneca, Sanofi-GSK, Janssen Pharmaceutica NV, BioNTech-Pfizer, CureVac e Moderna – para assegurar que os estados-membros pudessem comprar as vacinas logo que fossem aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento e iniciassem o processo de vacinação ao mesmo tempo em todos eles. 
A vacina já chegou a Portugal como anuncia o jornal Público e a vacinação vai começar hoje em Lisboa, Coimbra e Porto, de acordo com as prioridades previamente estabelecidas pelas autoridades de saúde. É um sinal de esperança para ultrapassar a crise sanitária, económica e social que se abateu sobre o mundo, mas é também uma grande vitória da Ciência de que nos devemos orgulhar.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Vem aí a nova Europa a 27. Quem ganhou?

Na próxima sexta-feira o Reino Unido deixa de pertencer à União Europeia e esse facto não pode deixar de entristecer os europeus, que perdem um dos seus mais importantes membros. A Europa a 28 passa a uma Europa a 27 e a hipótese de saída de um qualquer outro membro torna-se, a partir de agora, uma ameaça ou uma probabilidade cada vez maior. Apesar de ter sido um divórcio amigável e de uns falarem nos “nossos amigos europeus” e dos outros se referirem aos “nossos amigos britânicos”, o facto é que o dia 31 de Dezembro de 2020 vai realmente ser um dia triste para os europeistas, porque representa um divórcio e, quando isso acontece, nada voltará a ser como dantes. O acordo a que as duas partes chegaram parece assegurar a estabilidade económica e comercial, a protecção do mercado do trabalho e dos imigrantes, a continuação da luta comum contra o terrorismo, entre outros temas importantes para o futuro, mas a perda de um membro é uma marca muito negativa no futuro da União Europeia.
Porém, também há quem veja um alívio nesta saída do Reino Unido, pois a sua frequente reacção ao eixo franco-alemão levava-o muitas vezes a posições de conflitualidade e, por isso, o jornal Courrier Picard que se publica em Amiens, no norte de França, dedica a sua edição de hoje àquele divórcio com um significativo au revoir.
Só o tempo dirá quem vai beneficiar mais com o Brexit, isto é, se será o Reino Unido a recuperar a sua arrogância vitoriana e a livrar-se da ingerência de Bruxelas, ou se vai ser a União Europeia a libertar-se de um parceiro incómodo e exigente. Se calhar nenhum deles vai ganhar...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

O acordo do Brexit e a luta da Escócia

A União Europeia e o Reino Unido, ou Bruxelas e Londres, chegaram a um acordo que, depois de avanços e recuos, consuma finalmente o Brexit e a decisão de 51,89% do eleitorado britânico, que escolheu a saída do projecto europeu no referendo de 23 de Junho de 2016. Toda a gente festejou este acordo porque, sem ele, o futuro estava muito cinzento e o caos económico era mesmo uma ameaça. O acordo está inscrito em cerca de duas mil páginas que confirmam o fim do período de transição e o início de uma nova relação económica e social entre o Reino Unido e a União Europeia. Toda a gente veio dizer que o acordo é justo e equilibrado e, provavelmente, é. Porém, quando Ursula von der Leyen se referiu a este acordo com alívio, também afirmou a “doce tristeza da despedida”, porque é a primeira vez que há uma deserção da União Europeia como hoje salienta o jornal espanhol La Vanguardia. Nestas coisas há sempre o risco de contágio e se esta deserção tiver outros seguidores, pode abrir-se a porta à desintegração do projecto europeu. 
A concretização do Brexit ainda vai continuar a perturbar a política e a economia britânicas e, neste momento, já reabriu a questão escocesa. A Escócia votou por larga maioria pela permanência do Reino Unido na União Europeia (62%) e a primeira-ministra Nicole Sturgeon veio de imediato lembrar que o Brexit aconteceu contra a vontade do povo escocês e afirmar que chegou o tempo da nação escocesa se tornar “uma nação europeia independente”. A Escócia precisa da autorização de Londres para realizar um referendo sobre a independência e essa luta vai certamente acentuar-se nos próximos meses.
Ainda terão que passar alguns anos para que o Reino Unido possa fazer um balanço dos custos e benefícios desta saída da União Europeia, mas é muito possível que nessa altura o Reino Unido já não seja espacialmente o que era.

O Natal é tempo solidário e de harmonia

Hoje é Dia de Natal e, apesar de todas as contingências sanitárias por que estamos a passar, as famílias encontram-se e confraternizam em circunstâncias diversas, consoante as suas tradições religiosas ou pagãs, ou conforme as práticas mais tradicionais das suas comunidades. No pequeno Portugal de dez milhões de habitantes há uma enorme diversidade de práticas natalícias que vão desde as ceias com bacalhau ou com polvo, até aos almoços com assados de perú ou borrego, ambos acompanhados por uma doçaria abundante e variada, mas esses rituais incorporam cada vez mais as árvores de Natal e as referências a um Pai Natal barbudo que vem da gelada Lapónia num trenó puxado por renas. Os católicos concentram-se nas celebrações da Missa do Galo e entoam canções de Natal, enquanto a troca simbólica de presentes continua a ser uma marca da época natalícia, embora cada vez mais viciada pela lógica e pelos apelos consumistas. Porém, em boa verdade, o Natal já não é o que era, pois vai perdendo o seu significado simbólico de uma religião universal, estando cada vez mais a tornar-se numa festividade dedicada ao consumo. Daí que tenha sido adoptado até nas sociedades não cristãs, em que adquiriu um estatuto de grande festa com as suas iluminações características e os seus excessos comerciais, mas sem quaisquer referências ao nascimento de Jesus Cristo. 
Para além destes aspectos mais visíveis em que a sociedade de consumo está a transformar o Natal, este tempo é sempre de reflexão, de solidariedade, de reencontro, de harmonia e de paz, sobretudo nas regiões geográficas onde predominam as diferentes formas do Cristianismo. Neste tempo, reencontramos os nossos familiares e os nossos amigos, quer presencialmente, quer através dessa maravilha civilizacional que é o WhatsApp. Trocamos mensagens e afectos, reconciliamo-nos com o outro e, por vezes, aprendemos que o espírito de Natal deveria estar presente nas nossas vidas durante o ano inteiro. 
Por tudo isto, aproveito a capa do jornal La Dépêche du Midi para desejar um Bom Natal quand même aos leitores deste texto e para os incentivar a manter o espírito natalício nas suas vidas.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

A confusão britânica em tempo natalício

No passado fim-de-semana, num discurso dirigido à nação, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson anunciou o aparecimento de uma variante do novo coronavírus no Reino Unido e o mundo, que celebrava o aparecimento da vacina, voltou a tremer. 
O Reino Unido entrou em quarentena para se proteger da nova ameaça, enquanto várias dezenas de países, entre os quais a França, cancelaram as suas ligações aéreas, marítimas e rodoviárias com o Reino Unido para evitar contágios. As rotas comerciais entre a França e o Reino Unido são as mais importantes da Europa e foram naturalmente afectadas por estas repentinas restrições. Muitas centenas de camiões ficaram bloqueados em Dover sem poder sair para França e outros tantos estão em Calais sem poder entrar na Grã-Bretanha, numa altura de grande movimento não só por ser a quadra natalícia, mas também porque os comerciantes ingleses quiseram refazer os seus stocks por desconhecerem o que o futuro lhes reserva, isto é, a pandemia veio mostrar aos britânicos que o Brexit parece ter sido um erro grave. 
O Brexit concretizou-se no dia 31 de Janeiro de 2020 e o Reino Unido deixou de pertencer à União Europeia, tendo sido feito um acordo de saída transitório que termina no dia 31 de Dezembro de 2020. Falta uma semana, mas os negociadores não se entendem quanto ao futuro das relações, nomeadamente no aspecto comercial e na mobilidade dos cidadãos, pelo que ninguém sabe o que vai acontecer a partir de 1 de Janeiro de 2021. Nesta situação, os britânicos temem vir a sofrer escassez de alimentos, sobretudo de frutas e de vegetais, ao mesmo tempo que começam a ver as prateleiras dos supermercados vazias. As fotografias que ilustram as capas dos jornais, bem como as imagens televisivas, com muitas centenas de camiões retidos nas fronteiras, mostram bem a crise por que está a passar o Reino Unido.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Nova variante do vírus, nova preocupação

Quando a nova vacina contra o covid-19 começava a ser aplicada e o mundo já suspirava de alívio e se acentuavam os sinais de esperança, surgiu a notícia de que no Reino Unido fora descoberta uma nova variante do coronavírus que se está a disseminar muito rapidamente.
A nova variante que já é designada por VUI-202012/01, surgiu após mutações, já se tornou a forma mais comum do vírus em algumas regiões britânicas e, embora as suas características ainda estejam por conhecer, já é considerado que se transmite mais rapidamente que a anterior variante, o que está a gerar muita preocupação as autoridades de saúde britânicas. Uma das dúvidas que as autoridades sanitárias e a comunidade científica procuram saber é se as vacinas já aprovadas serão ou não eficazes contra a nova variante, pois não existem quaisquer evidências científicas que seja mais letal ou tenha efeitos mais graves do que a variante anterior. 
O centro da nova epidemia parece ser a região de Londres, mas já surgiram casos na Dinamarca, na Holanda e até na Austrália, que se pensa terem sido importados do Reino Unido. Perante esse quadro de incerteza, a generalidade dos países europeus e alguns países extra-europeus, decidiram “decretar a quarentena” ao Reino Unido, isto é, suspender os voos oriundos do Reino Unido, bem como as ligações marítimas e ferrroviárias provenientes das Ilhas Britânicas, o que hoje constitui o tema de primeira página do The Times. É mais um “soco no estômago” na indústria do turismo, mas a imprensa portuguesa não dá qualquer destaque a este assunto e disfarça a sua mediocridade com o seu habitual envolvimento no futebol e nos casos menores da vida política portuguesa. Quem quiser saber mais sobre este assunto não pode contar com a imprensa diária portuguesa.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Shanghai Grand Opera House

O jornal Shanghai Daily revela hoje que, depois de um concurso internacional, o projecto de completo de arquitectura e de arranjos exteriores da Shanghai Grand Opera House, foi adjudicado à Snøhetta, um famoso escritório internacional de arquitectura e de design de exteriores e de interiores, com sede em Oslo e com delegações em Nova Iorque, S. Francisco, Paris, Innsbruck, Hong Kong, Adelaide e Estocolmo. 
Trata-se de uma iniciativa para dotar a cidade de um espaço cultural moderno que estimule as práticas culturais da população local e seja, também, um polo de atracção de visitantes. O novo espaço cultural da cidade de Shanghai ocupa uma área de 124 mil metros quadrados, localiza-se na margem do rio Huangpu e pretende tornar-se num espaço de atracção de artistas e de públicos, destinando-se à apresentação de ópera clássica e de ópera chinesa, concertos de música clássica e outras apresentações experimentais que possam atrair públicos mais jovens. Espera-se que venha a tornar-se o ex-libris da cidade e o ponto de encontro adequado para eventos de grande escala, prevendo-se que venha a estar aberto 24 horas por dia durante 365 dias. 
A maqueta do edifício mostra a grandeza do projecto que deverá estar concluído em 2024 e cuja descrição revela que incluirá três grandes auditórios para 2000, 1200 e 1000 lugares e muito vidro para valorizar a luz natural, num enquadramento espacial dominado por arvoredo e com vistas sobre a cidade e sobre o rio.

Goa Liberation Day 2020

O Goa Liberation Day celebra-se hoje e é evocado na edição diária do Herald, assinalando a data em que o General Vassalo e Silva apresentou a rendição das suas tropas ao General K. P. Candeth, que comandou a invasão de Goa e terminou com uma presença portuguesa naquele território que durara 451 anos. A acção desencadeada pelas Forças Armadas da Índia teve o nome de código de Operation Vijay, durou cerca de 36 horas e, segundo alguns registos que circulam, causou a morte a vinte e dois indianos e a trinta portugueses. Na Índia, a acção sobre Goa é um destacado capítulo da sua história porque ajudou a forjar o sentimento de unidade nacional num território de tanta diversidade, enquanto em Portugal é sempre assinalada a desproporção das forças envolvidas e o comportamento exemplar de alguns militares, nomeadamente da Marinha. Porém, raras vezes se destaca a intransigência do regime político português e o seu erro de avaliação estratégica, ao rejeitar os “ventos de mudança” que sopravam no mundo, nem seguir os exemplos do Reino Unido e da França, nem escutar os anseios autonomistas das elites goesas, nem atender às propostas de Jawaharlal Nehru. António Salazar e o seu regime foram incapazes de avaliar a situação e, mais tarde, de reconhecer o seu erro, tratando de responsabilizar os militares portugueses pela traumática queda da Índia Portuguesa. 
Em Goa celebra-se o Goa Liberation Day, mas os acontecimentos de Dezembro de 1961 ainda por lá suscitam alguma controvérsia. Apesar do Supremo Tribunal da Índia ter declarado que a anexação de Goa foi uma “conquest by invasion” das Forças Armadas Indianas, ainda se discute localmente se se tratou de uma invasão ou de uma libertação, numa evidente postura de natureza política e cultural. Os mais velhos ainda se interrogam como foi possível a cegueira salazarista de rejeitar negociações com Nehru e de ter sido aberta a porta da intervenção armada indiana e de tudo o que se seguiu depois, que tem sido uma tentativa oficial de desportugalização da vida social e cultural goesa. 
Goa é o mais desenvolvido estado indiano e tem o maior grau de ocidentalização do país, mas a herança cultural portuguesa não é alheia a esses indicadores. O facto que aqui se salienta é que Portugal faz parte da história de Goa, tal como Goa faz parte da história de Portugal e é essa forte interacção cultural que, para além das análises políticas, hoje aqui relembramos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Good bye Donald. Welcome Joe Biden!!

O Colégio Eleitoral que reuniu no dia 14 de Dezembro confirmou Joe Biden como o 46º Presidente dos Estados Unidos, depois de cada um dos cinquenta estados norte-americanos ter anunciado o seu voto, que resultou directamente das eleições presidenciais de 3 de Novembro. Como se esperava, foram contabilizados 306 votos a favor de Joe Biden e 232 a favor de Donald Trump e, com estes resultados, que ainda terão que ser validados no dia 6 de Janeiro pelo Congresso, a posse do novo Presidente dos Estados Unidos acontecerá no dia 20 de Janeiro de 2021. 
O candidato derrotado que na própria noite eleitoral veio abusivamente declarar vitória, algumas horas depois começou a contestar os resultados eleitorais e, desde então, avançou com um sem número de processos por alegada fraude eleitoral e nunca mais se calou, chegando a insinuar que o FBI e o Departamento de Justiça estariam envolvidos num esquema de fraude eleitoral. Porém, porque não apresentou sequer uma prova de fraude eleitoral, já perdeu cerca de quarenta processos em tribunal, tendo havido casos em que a recontagem acrescentou votos ao seu adversário democrata. Na última sexta-feira o Supremo Tribunal dos Estados Unidos rejeitou um processo interposto por Donald Trump para anular a vitória de Joe Biden, o que parece ter acabado com este escandaloso processo, em que o presidente em exercício tem mostrado uma completa ausência de sentido de estado e abusado da mentira, da grosseria, da boçalidade e da desfaçatez. 
A América começa a respirar. Joe Biden já veio afirmar que é a hora de virar a página, de unir, de sarar as feridas. Vai dirigindo palavras de esperança aos americanos porque, segundo disse, nem o covid-19, nem o “abuso de poder” conseguiram derrubar a democracia americana. Como escrevia o nova-iorquino Daily News esta história it's over ou, como se diz por cá, acabou-se, embora não se saiba até onde quer ir o Donald, mas uma onda de esperança atravessa o mundo e, naturalmente, os Estados Unidos.

sábado, 12 de dezembro de 2020

Benjamin e Mohamed ou que bons amigos

O presidente cessante dos Estados Unidos, que está a pouco mais de um mês de abandonar a Casa Branca, voltou a cometer mais um atropelo ao direito internacional ao reconhecer a soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental, em troca do início do pleno estabelecimento de relações diplomáticas com Israel. Desta forma, depois dos Emirados Árabes Unidos, do Bahrein e do Sudão, o reino de Marrocos torna-se o quarto país árabe a normalizar as suas relações com Israel, não porque esses países o desejem, mas apenas porque o Donald os chantageou, imaginando que isso lhe traria dividendos eleitorais. 
Porém, o Saara Ocidental está na lista das Nações Unidas de territórios não autónomos desde o início dos anos 1960, quando era uma colónia espanhola, pelo que a decisão de Donald Trump faz dos Estados Unidos o único país ocidental que reconhece a soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental, em violação das orientações das Nações Unidas. De forma irresponsável, ele fez o que não tinha feito nenhum dos três presidentes democratas e quatro republicanos que os Estados Unidos tiveram desde 1976, violando as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Com esta decisão, o previsto referendo sobre a autodeterminação do povo saharaui que faz parte do acordo de cessar-fogo assinado em 1991 entre Marrocos e a Frente Polisário, sob a mediação das Nações Unidas, bem como a MINURSO (Mission des Nations Unies pour l’Organization d’un Référendum au Sahara Occidental) têm os seus objectivos fortemente comprometidos. 
O controlo do território saharaui é disputado por Marrocos e pela Frente Polisário, que é o movimento independentista fortemente apoiado pela Argélia. Por isso, na sua edição de hoje o jornal Le Quotidien d’Oran utiliza as palavras choque e indignação perante este casamento de conveniência entre Benjamin Netanyahu e Mohamed VI, apadrinhado por Donald Trump.

Memória de Iwo Jima e a desejada vacina

Na fase final da guerra do Pacífico os americanos decidiram ocupar Iwo Jima, uma pequena ilha de 21 km2 de superfície, estrategicamente localizada entre as ilhas Marianas e as ilhas japonesas. A batalha pela posse da ilha iniciou-se no dia 19 de Fevereiro de 1945 e durou trinta e cinco dias, tendo sido uma das mais duras batalhas da guerra, com pesadas baixas de ambos os lados. Dos 21 mil soldados japoneses que guarneciam a ilha terão morrido 18 mil e apenas 216 foram feitos prisioneiros, enquanto cerca de três mil se esconderam nos dezoito quilómetros de túneis subterrâneos, a partir dos quais atacaram as forças americanas com acções de guerrilha durante algumas semanas. 
A ilha só ficou definitivamente dominada pelos americanos no fim da guerra, mas alguns japoneses foram adiando a sua rendição, a última das quais se verificou em 1949! Na fase final da batalha os americanos ocuparam simbolicamente o monte Suribachi, o ponto mais elevado da ilha com 166 metros de altitude e que se situa na sua extremidade sul, onde seis fuzileiros içaram a bandeira americana. O fotógrafo Joe Rosenthal da Associated Press captou esse momento, essa imagem correu mundo e tornou-se uma das fotos mais conhecidas da 2ª Guerra Mundial. 
A revista brasileia Veja, a propósito da vitória histórica que foi a descoberta de uma vacina contra o covid-19 em apenas onze meses, que considerou “a mais fascinante aventura científica do nosso tempo”, criou uma sugestiva ilustração para a capa da sua mais recente edição inspirada exactamente na foto de Joe Rosenthal.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Como vai ser o mundo depois da pandemia

Na sua última edição a revista francesa Le Point pergunta quem dominará o mundo depois da pandemia que nos continua a afectar, utilizando uma fotomontagem em que alguns líderes mundiais correm numa prova para alcançar o primeiro lugar nessa corrida atlética. A pergunta da revista é pertinente, até porque a História nos mostra que depois das grandes crises nada fica como antes. Assim, depois do centro do mundo ter estado na Europa e depois ter passado para os Estados Unidos, quase sempre em situações de acentuada bipolaridade, pergunta-se o que vai acontecer na competição entre os grandes espaços – América, Ásia e Europa – para a relocalização do centro do mundo, embora cada vez mais se pareça caminhar para um mundo multipolar que, certamente, será mais instável e mais perigoso. 
A fotomontagem é muito sugestiva e mostra cinco atletas em prova atlética: Emmanuel Macron (França), Angela Merkel (Alemanha), Joe Biden (Estados Unidos), Tsai Ing-wen (Taiwan) e Xi Jinping (China). Porém, se coubessem nessa fotomontagem, talvez lá pudessem ser incluidos outros atletas, como Vladimir Putin (Rússia), Boris Johnson (Reino Unido), Narendra Modi (Índia), Yoshihide Suga (Japão) ou Recep Erdoğan (Turquia). 
No actual contexto pandémico que sugere naturais mudanças na ordem mundial, a análise da geopolítica e da geoestratégia mostram como se confrontam as ambições das grandes e das médias potências, como se constroem alianças e como a paz e o progresso são demasiado vulneráveis à actuação dos líderes que vão controlando o mundo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

A vacinação já começou. Viva a Pfizer!

Margaret Keenan, uma mulher inglesa de 90 anos de idade, foi a primeira pessoa do mundo a receber a vacina contra a covid-19, que foi desenvolvida pelo grupo farmacêutico americano Pfizer e pela empresa alemã BioNTech, tendo sido inoculada no University Hospital, Coventry. 
Foi, de facto, um acontecimento extraordinário, que assinala uma grande vitória da Ciência, enquanto a fotografia de Margaret Keenan a ser saudada pelo pessoal do hospital foi publicada em diversos jornais ingleses e internacionais, como por exemplo The Times. Já foi chamado o dia V, pois abre o caminho à vacinação da população britânica que, até agora, foi uma das mais afectadas com a pandemia, pois já contabiliza mais de 61 mil mortos e mais de 1,7 milhões de pessoas infectadas. O Reino Unido torna-se, assim, no primeiro país do mundo a utilizar esta vacina e o seu plano de vacinação dirige-se aos mais vulneráveis e às pessoas com mais de oitenta anos, bem como aos funcionários dos lares e do NHS, o serviço de saúde nacional britânico. O país encomendou 40 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech, o que permite proteger 20 milhões de pessoas, uma vez que esta vacina se administra com duas doses.
As especificidades desta vacina, que necessita de uma conservação a 70 graus negativos, representam um desafio logístico, salientaram as autoridades sanitárias britânicas, que indicaram que as doses têm de ser transportadas por uma empresa especializada e que o respetivo descongelamento demora várias horas. 
Aqui podemos aprender com a experiência britânica. Espera-se que a chegada das vacinas e o início do programa de vacinação em Portugal aconteçam nos primeiros dias de Janeiro e, aparentemente, tudo está a ser devidamente preparado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

O sim de Marcelo: habemus candidato!

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou ontem que era candidato a um novo mandato na Presidência da República e com essa declaração acabou com um tabu que se arrastava há vários meses. O país ficou aliviado! 
No entanto, não houve surpresa nenhuma com este anúncio, excepto no que respeita ao local que escolheu para o fazer. Não foi uma universidade ou uma biblioteca, nem um jardim ou um local histórico, ou mesmo uma praia de que tanto gosta, tendo optado pela pastelaria A Chique de Belém, que agora se travestiu e se chama Versailles
Provavelmente Marcelo Rebelo de Sousa quis mostrar que tal como a pastelaria é contígua ao palácio que ocupa, também o seu anúncio naquele lugar está ligado ao palácio que vai continuar a ocupar. Porém, em vez de atravessar a Calçada da Ajuda e gastar um minuto a fazer uns 20 metros, tratou de atravessar a Praça Afonso de Albuquerque e mostrar-se às câmaras durante alguns minutos. A simplicidade da encenação foi estudada, como são quase todos os passos presidenciais, mas ao preferir A Chique de Belém em vez da Leitaria da Junqueira que fica bem próximo, quis mostrar a sua faceta populista e cosmopolita. 
Todas as sondagens mostram que o Presidente da República vai ser reeleito à primeira volta por uma confortável maioria, pois tem feito uma boa presidência, embora com demasiados exageros populistas, sobretudo na sua relação com as câmaras que mobiliza para os seus tiques narcisistas. Ninguém esquece, porque tudo foi filmado pelas televisões, a cena em que foi vacinado contra a gripe, nem o salvamento de duas jovens na praia do Alvor, ou a publicidade que deu à sua visita privada a Porto Santo. Talvez que Marcelo Rebelo de Sousa no seu próximo mandato possa acabar com este tipo de cenas ridículas, com o exagero de selfies e com o gosto de falar sobre tudo o que deve e não deve. 
Naturalmente, a pastelaria A Chique de Belém, aliás Versailles, vai continuar a ter um cliente certo. 

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Maduro e a farsa eleitoral venezuelana

A Venezuela é um país onde vivem cerca de meio milhão de portugueses e luso-descendentes e, por isso, o que se passa no país governado por Nicolás Maduro é um tema importante para Portugal. 
Ontem decorreram as eleições para a Assembleia Nacional da Venezuela que elegeram os 277 deputados, cujo mandato decorrerá de 5 de Janeiro de 2021 a 5 de Janeiro de 2026, mas as eleições foram muito contestadas, tanto interna como internacionalmente. 
A generalidade da oposição decidiu-se por um boicote que deu origem a uma grande abstenção e, dessa forma, o chavismo de Nicolás Maduro ganhou nas urnas, mas de uma forma duvidosa e nada convincente. De um total de cerca de 20,7 milhões de eleitores inscritos terão votado apenas 5.264.104. Segundo os dados fornecidos pelo Consejo Nacional Electoral a participação eleitoral foi da ordem dos 30%, tendo o Gran Polo Patriótico Simón Bolivar (GPP), uma coligação chavista que inclui o Partido Socialista Unido de Venezuela (Psuv), obtido 3.558.320 votos e conseguido eleger 177 deputados. 
A recusa da oposição e dos seus principais líderes em participar nas eleições, bem como as suspeitas de fraude eleitoral desacreditam os resultados anunciados, mas também nada abonam a favor dos que desistiram das eleições sem lutar, inclusive para denunciar o regime chavista que, dessa forma e no meio de uma gigantesca crise económica e social, passa a dominar a Assembleia Nacional. 
A partir de Janeiro, Nicolás Maduro tem todos os poderes políticos na Venezuela, numa altura em que os Estados Unidos passarão a ter Joe Biden na Casa Branca. Abre-se, então, uma oportunidade para o Diálogo, para a Democracia e para o Progresso, mas para tal é necessário que os líderes da oposição venezuelana, como os Capriles, os Guaidós e outros, se mostrem capazes do desafio de enfrentar o ditador, sem alinhar, como têm feito até agora, na acção radical de Donald Trump e do seu radicalismo contra mexicanos, venezuelanos e outros sul-americanos. Por alguma razão, nem o aparelho judicial nem os militares acreditam nesta oposição venezuelana que se encostou a Trump, mas agora surge uma nova oportunidade.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

A nova vacina é uma luz ao fundo do túnel

Foi há cerca de um ano que apareceu o novo coronavírus que depressa se estendeu pelo planeta e a que a OMS deu a designação de covid-19. Esse vírus revelou-se muito letal e era desconhecido da Ciência, mas de imediato mobilizou o conhecimento e a inteligência em diversos locais do mundo, numa corrida que tornou possível esse acontecimento de extraordinária importância científica que foi a descoberta de uma vacina em tão pouco tempo. 
Esse deve ser um motivo de grande satisfação para o mundo e, depois de tempos de ansiedade e de incerteza, surgem no horizonte tempos de esperança. 
A pandemia já causou quase cinco mil óbitos em Portugal e gerou uma grande incerteza quanto ao futuro, mas as notícias dos últimos dias desanuviaram o ambiente e deram um novo olhar sobre o futuro, permitindo ver a luz ao fundo do túnel. Já foi apresentado o Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19 que vinha a ser preparado por quem sabe e que visa reduzir a mortalidade causada pela pandemia e aliviar o Serviço Nacional de Saúde. É uma janela de esperança que veio mostrar que, ao contrário do que dizem os arautos da desgraça que são os inúmeros júdices que por aí andam, as nossas autoridades sanitárias estão atentas e a merecer a nossa total confiança. 
No âmbito da aquisição conjunta de vacinas pela União Europeia, há seis contratos assinados com os fabricantes e o nosso país vai receber 22 milhões de doses de vacinas, sendo 6,9 milhões de doses da AstraZeneca/Universidade de Oxford, mais 4,5 milhões de doses da BioNTecn/Pfizer e a mesma quantidade da Johnson&Johnson, mais 1,9 milhões da Moderna e quatro milhões de doses da CureVac. 
As vacinas serão universais, gratuitas e facultativas, sendo distribuídas nos 1200 pontos de vacinação ou centros de saúde, enquanto o plano de vacinação terá três fases para atender a população, de acordo com os grupos definidos no próprio plano. Vai ser demorado e vai exigir muita disciplina, muita determinação e muita competência, mas tudo parece estar pensado e estruturado. O que é curioso é que já tenham aparecido os críticos do costume, que julgam saber de tudo e desconhecem que vivemos num país de recursos limitados.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Em Goa ouve-se o fado e dança-se o mandó

A crise pandémica está a afectar seriamente a Índia, que é o segundo país com mais casos de covid-19 no mundo depois dos Estados Unidos, sendo o terceiro país com mais óbitos depois dos Estados Unidos e do Brasil. Apesar disso, a classe média indiana parece que está a fugir das grandes cidades e da pandemia, dirigindo-se para o estado de Goa que ainda não tem o bulício de outras regiões indianas e é a principal região turística do país. Sempre foi assim e este ano parece não ter havido alterações. Goa está a entrar na sua época alta de turismo e, segundo algumas informações de que dispomos, a hotelaria e a restauração estão a ter índices de ocupação semelhantes aos anos anteriores, embora seja sobretudo devido ao turismo interno. 
Nesse quadro, no próximo sábado em Panjim, a cidade capital do estado de Goa, a Madragoa – casa de fado e mandó, retoma a sua actividade com duas sessões de fado e de mandó na voz de Sonia Sirsat e com o acompanhamento musical de Orlando de Noronha e Carlos Menezes, estando referido no respectivo programa que “as máscaras e a distância social são obrigatórias”. 
Independentemente dos aspectos comerciais da actividade da Madragoa, realça-se aqui o esforço que tem sido feito pelos dinâmicos promotores do fado, para preservar a cultura portuguesa em Goa, neste caso através de uma casa onde se ouve o fado, se fala português e até se podem provar algumas especialidades portuguesas. O nosso mais vivo aplauso!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

R. I. P. Eduardo Lourenço

Eduardo Lourenço deixou-nos ontem aos 97 anos de idade, mas a sua notável obra vai permanecer entre nós, tal como o seu exemplo de pensador, de democrata e de amante da liberdade. Ao contrário de tantas pessoas que aparecem na televisão e que afirmam tê-lo conhecido e com ele ter convivido, eu nunca me cruzei com ele, nem o conheci pessoalmente, mas devorei em devido tempo algumas das suas obras, de que destaco O Fascismo nunca Existiu (Publicações Europa-América, 1976) e O Labirinto da Saudade (Publicações Europa-América, 1978), de que resultou ter ficado admirador do seu pensamento e das suas análises sobre o momento político que se vivia em Portugal. 
Eduardo Lourenço viveu mais de metade da sua vida em França onde foi professor e se tornou um convicto europeu, sem nunca ter esquecido as suas raízes rurais de São Pedro de Rio Seco, no concelho raiano de Almeida. No seu percurso de vida como pensador, professor, filósofo e ensaísta, foi amplamente reconhecido, tendo sido distinguido com condecorações portuguesas e francesas e com quatro doutoramentos honoris causa, além de muitos prémios, de que se destacam o Prémio Camões em 1996 e o Prémio Pessoa em 2011 que são, certamente, os mais prestigiados prémios da cultura portuguesa. 
Era administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian desde 1999, foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade em 2014 e, desde 2016, era Conselheiro de Estado, designado pelo actual Presidente da República. 
Não há muitos portugueses cujo currículo académico e exemplo de cidadania se equipare ao de Eduardo Lourenço.

domingo, 29 de novembro de 2020

A língua portuguesa é uma enorme janela

Vivemos num tempo em que estamos sob uma intensa pressão da esfera mediática, embora o paradigma – a rádio anuncia, a televisão mostra e os jornais explicam – continue a prevalecer, apesar da ameaça que vem constituindo o aparecimento da internet e das redes sociais. 
Porém, a confiança nos meios de comunicação ditos tradicionais está a ficar abalada. Como explicam as teorias do agenda-setting e da tematização, a lógica (económica e política) na escolha dos temas e na construção das notícias, tendem a impor-nos os temas em que devemos pensar. Procuram gerar os chamados efeitos cognitivos da comunicação de massa, que pretendem moldar a opinião pública e que nos enrolam naquilo a que se vem chamando a “espuma dos dias”, isto é, somos informados com ou sem verdade sobre aquilo que os mass media querem e não sobre aquilo que nos interessa. Vem isto a propósito do 18º Concurso de Eloquência em Língua Portuguesa que foi organizado pelo Departamento de Português da Universidade de Macau e que decorreu nas instalações da mesma universidade de Macau, que teve justificado destaque no jtmJornal Tribuna de Macau. O vencedor foi um jovem oriundo da Mongólia Interior que, ao ser entrevistado, declarou que a língua portuguesa é uma enorme janela para o mundo, o que não deixa de ser um grande elogio para a nossa língua. 
Macau é realmente um exemplo no que respeita à língua portuguesa que parece ter agora mais apoio do que no tempo da administração portuguesa. O que aqui se salienta é que estes temas que estão vivos lá longe, estão ausentes da nossa comunicação social. As questões da língua e da cultura estão cada vez mais afastadas da tematização da nossa comunicação social, que anda demasiado ocupada com as coisas do futebol e com outros assuntos menores.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

R.I.P. Diego Armando Maradona

O famoso futebolista argentino Diego Armando Maradona morreu ontem em Buenos Aires aos 60 anos de idade, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória e quando estava a recuperar de uma operação a que foi sujeito a um coágulo no cérebro. Hoje, a morte de Maradona é notícia em toda a imprensa mundial, com a sua fotografia publicada num incontável número de periódicos mundiais. 
A Argentina está de luto nacional durante três dias pelo futebolista que era considerado um génio ou mesmo um Deus, enquanto todo o mundo presta homenagem ao talento futebolístico daquele que, por vezes, tem sido considerado o melhor jogador da história do futebol. Jogou no Boca Juniors, no Barcelona e no Nápoles, mas o seu momento de maior glória terá sido no Mundial de 1986 no México, no jogo dos quartos-de-final contra a Inglaterra, em que marcou dois golos que eliminaram os ingleses e ficaram famosos. O primeiro foi marcado com a mão, ou “a meias com o divino”, ou ainda, com “a mão de Deus”, tendo suscitado uma polémica que nunca foi esquecida; o segundo resultou de uma arrancada fulgurante em que Maradona ultrapassou vários adversários até ao vitorioso remate final, o qual veio a ser considerado o “golo do século” numa votação realizada pela FIFA em 2002. Porém, a par do seu talento futebolístico, Diego Maradona teve também uma vida de excessos, em que o álcool e a droga estiveram presentes e lhe fragilizaram a saúde. 
Numa sua autobiografia intitulada Eu sou El Diego, cuja tradução foi publicada em Lisboa em 2001, ele próprio trata desse assunto: 

- A mim, a droga tornou-me pior jogador, não melhor. Têm noção do jogador que teria sido se não tivesse seguido os caminhos da droga? Teria sido durante muitos, muitos anos, aquele que fui no México. Foi o meu momento de maior felicidade em cima de um relvado”. 

Como antes se referiu, a morte de Maradona é notícia em toda a imprensa mundial e a sua fotografia aparece num incontável número de periódicos, mas na ilustração deste texto nós optamos pela capa da revista hondurenha diez que nos parece uma das mais sugestivas de todas. 
R.I.P.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

O Donald perde e a transição vai começar

Alguns jornais de referência americanos destacam hoje que começou a transição da administração de Donald Trump para a administração de Joe Biden e essa é a notícia de primeira página do The New York Times. Para além das notícias relativas à euforia em torno das vacinas que nos vão proteger da epidemia do covid-19 e das notícias nacionais sobre a outra epidemia que nos assalta que é o futebol que se está a tornar na coisa mais importante da sociedade portuguesa, a grande notícia do dia é mesmo o início da transição das administrações nos Estados Unidos. 
A Administração dos Serviços Gerais dos Estados Unidos apurou que Joe Biden foi o vencedor das eleições de 3 de Novembro. As acusações televisivas com que o Donald procurou criar uma onda generalizada de apoio às suas mentiras não resultaram, assim como as impugnações de resultados que tinha tentado por via judicial vieram a ser derrotadas na Pensilvânia e na Geórgia e, agora, no Michigan. Depois de derrotado nas urnas, o Donald está a ser derrotado em todas as instâncias judiciais e, perante essas evidências, deu finalmente instruções para que a sua equipa iniciasse o processo de transição, embora continue a considerar fraudulentos os resultados que o derrotaram. Com esta decisão foi aberta a porta para que Joe Biden possa aceder às agências e fundos federais necessários para constituir a administração que, a partir de 20 de Janeiro e durante quatro anos, vai governar os Estados Unidos. 
Já muito foi dito sobre a personalidade assimétrica daquele que durante quatro anos dirigiu os Estados Unidos e a forma desprestigiante como conduziu a política externa americana. Os americanos rejeitaram o Donald, mas o mundo também estava farto dele. Faltam menos de dois meses para que o mundo possa voltar a olhar os Estados Unidos com mais confiança, com mais vontade de cooperação e com mais respeito.

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

A “cunha” é uma instituição nacional

A revista Sábado inclui na sua última edição uma interessante e bem documentada reportagem assinada por Marco Alves sobre a rede de cunhas e favores de Salazar que, como é sabido, foi o “dono disto tudo” durante a vigência do regime do Estado Novo (1926-1974). Os mais desatentos poderão pensar que a cunha foi um pecado criado pelo salazarismo, mas há que lembrar que a cunha é uma instituição nacional que, embora tenha florescido com Salazar e o seu regime, sempre foi uma marca poderosa da nossa sociedade e da nossa história. Porém, a reportagem da revista é sobre as cunhas no tempo de Salazar e o seu autor escreveu: 

Os pobres pediam-lhe dinheiro, mas as elites (médicos, engenheiros, deputados, juízes, militares, empresários, padres e condes) queriam colocações em bancos, aumentos, cargos e comendas. 

Durante 36 anos o ditador acedeu a centenas de cunhas. Os mais velhos recordam-se bem dessa realidade e das voltas que era preciso dar para ser servidor do Estado pois, como refere o historiador Fernando Rosas, o Estado Novo vivia assente numa pirâmide de cunhas de que Salazar era o topo. 
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” escreveu Camões no século XVI, mas depois de Salazar mudaram-se os tempos, mudaram-se muitas vontades, mas a cunha continuou, embora “tomando sempre novas qualidades”. Hoje já não se mandam cartões ou se escrevem cartas a Salazar, nem aos dignitários do Estado Novo. Hoje usa-se o cartão partidário e outras redes de relações muito diversas, com as quais se alimentam teias de interesses, se arranjam empregos, se obtém diplomas, se assinam contratos, se forjam carreiras e se progride na vida. O mérito parece ser, cada vez mais, um aspecto secundário. Como se costuma dizer, o que é preciso é ter um bom padrinho.
Portanto, o meu desejo é que o autor Marco Alves possa agora estudar a rede de cunhas e favores dos tempos pós-Salazar, para que os seus leitores possam ver quão importante têm sido para construir carreiras de esferovite e ajudar carreiristas, preguiçosos, atrevidos e outros oportunistas. Será um grande serviço à comunidade e ao esclarecimento público, mas também a possibilidade de vermos como funciona uma boa parte da nossa sociedade.

domingo, 22 de novembro de 2020

A teimosia mentirosa de um incendiário

A edição de hoje do jornal novaiorquino Daily News dedica a sua capa a Donald Trump e, quase três semanas depois das eleições, retrata-o como um incendiário que continua a ignorar a calamidade que é a pandemia do covid-19, que afasta aqueles que dele discordam e que mostra “espasmos de raiva” por ter perdido as eleições. Acontece que Trump sempre disse que Joe Biden e os Democratas só venceriam as eleições pela fraude e na noite eleitoral, muito antes de serem conhecidos os resultados, já o Donald punha em prática o seu maquiavélico plano ao declarar vitória e, pouco depois, ao denunciar fraudes sem quaisquer evidências ou provas. As contestações começaram na esfera mediática com teorias da conspiração, boatos sobre fraudes e pressões sobre juízes e políticos, passando depois para a esfera judicial, onde as teses enunciadas pelo Donald e pelo seu advogado Rudy Giuliani têm sido rejeitadas, ao mesmo tempo que as recontagens de votos têm sido favoráveis a Joe Biden. 
O comportamento irresponsável e mentiroso do Donald tem divertido o mundo, que não compreende a sua teimosia em não reconhecer a derrota e a vitória de Joe Biden, o que vai contra a tradição americana. Donald e a sua equipa sabem que perderam nas urnas, mas construíram uma farsa desonesta e mentirosa que está a fragilizar os Estados Unidos, apenas porque não aceitam o princípio democrático da alternância do poder e da soberania do voto popular. Alguns especialistas pensam que a recusa do Donald em reconhecer a vitória da dupla Joe Biden-Kamala Harris é uma táctica para manter a sua base eleitoral activa e mobilizada, possivelmente para criar no seu partido a ideia de voltar a ser escolhido para concorrer às eleições presidenciais de 2024. Porém, com este espectáculo que já é demasiado ridículo, o Donald vai certamente perder adeptos todos os dias e, provavelmente, vai ser esquecido ou passará a figura secundária da política americana. 
O facto é que ninguém imaginava que as eleições americanas fizessem correr tanta tinta.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A cultura voltou às manchetes dos media

Quando meio mundo anda atordoado com a crise pandémica e com a eficácia das vacinas, há outro meio mundo que olha incrédulo para o que se passa nos Estados Unidos com o comportamento impróprio e indecente de Donald Trump. 
No meio dessa avalanche de preocupações, a cidade de Bilbau e o seu Museo Guggenheim decidiram promover uma grande exposição sobre a obra de Vasily Kandinsky (1866-1944), um artista russo que foi um dos pioneiros da abstracção na pintura. 
A exposição foi inaugurada hoje e vai manter-se até ao dia 23 de Maio, mostrando 62 das 152 obras que constituem a colecção de Kadinsky que a Fundação Solomon R. Guggenheim possui em Nova Iorque. O percurso do artista passou por Moscovo, Munique e Paris, tendo sido decisivo na sua carreira o apoio que teve do industrial Solomon R. Guggenheim que desde 1929 começou a coleccionar a sua obra, que depois doou à Fundação que constituiu em Nova Iorque em 1937. 
A notícia da inauguração desta exposição foi destacada pela imprensa basca como um importante evento cultural, nomeadamente no jornal El Correo de Bilbau, para o qual o director do museu declarou em entrevista que, apesar das visitas serem limitadas devido ao contexto pandémico que atravessamos, espera com confiança que esta situação seja ultrapassada. 
O que aqui se destaca é que, depois de tanto tempo com notícias decepcionantes, a cultura voltou às manchetes dos mass media, onde uma iniciativa cultural aparece destacada na primeira página dos jornais generalistas, coisa que não se via há muito tempo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

A pandemia, as vacinas e as incertezas

A pandemia do covid-19 está muito activa em todo o mundo e esta segunda onda que estamos a atravessar, está a bater todos os máximos no que respeita ao número de novos infectados e de óbitos. 
A situação é preocupante e as medidas tomadas ameaçam a vida, penalizam a economia e afectam a saúde mental das pessoas. No caso português, o ambiente está turvo e tenso. Não só pela realidade objectiva, mas também pela ignorância de dezenas de opinion makers que nos massacram todos os dias com comentários e interpretações sobre o que nos espera, uns mais optimistas e outros bem pessimistas, mas quase todos sem fundamentação credível e com evidentes objectivos políticos. 
De repente uma empresa germano-americana anunciou que vinha aí uma vacina cuja eficácia era de 90%, mas logo uma outra empresa russa informou que também tinha uma vacina com 92% de eficácia, a que se seguiu outra empresa americana ainda com mais eficácia: 94.5%. Vai daí, a primeira empresa corrigiu e veio afirmar que a eficácia da sua vacina afinal é de 95% e não de 90% como anunciara alguns dias antes. Os chineses não quiseram perder tempo e já vieram dizer ao mundo que a eficácia da sua vacina é de 97%! Até onde chegaremos nesta corrida pela eficácia da vacina? Das várias dezenas de vacinas que se encontram actualmente em ensaios clínicos, haverá mais de uma dezena que já estão na sua fase final, não havendo dúvidas que todos esses laboratórios estão envolvidos em campanhas de marketing à escala planetária e, por isso, temos algumas razões para estar algo confiantes, mas também temos razões para desconfiar destas eficácias todas. 
Assim, quando olhamos para o mapa de Portugal que o jornal Público ontem publicou, não podemos deixar de ficar assustados com a dimensão da pandemia que nos afecta e, se cruzarmos essa informação geográfica e sanitária com as incertezas que ainda pairam sobre a chegada e a eficácia das vacinas, o nosso optimismo terá que ser muito moderado. 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Lewis Hamilton no topo da Fórmula 1

O piloto britânico Lewis Hamilton triunfou ontem no Grande Prémio da Turquia e, aos 35 anos de idade, sagrou-se campeão mundial de Fórmula 1 pela sétima vez, o que iguala as setes vitórias conseguidas pelo piloto alemão Michael Schumacher. 
Hamilton iniciou a sua carreira na Fórmula 1 em 2007 e tornou-se campeão mundial no ano seguinte. Disputou até agora 263 provas correndo pela McLaren e depois pela Mercedes, tendo ganho o título mundial mais seis vezes e tornando-se o recordista de quase tudo na Fórmula 1, incluindo o maior número de vitórias em Grandes Prémios (94), o maior número de pole positions (97) e o maior número de pódios (162).
Hoje é homenageado pelo jornal francês L’Équipe e é considerado um dos maiores pilotos de todos os tempos, figurando no topo de uma galeria onde, além de Michael Schumacher, se encontram Juan Manuel Fangio, Alain Prost, Sebastian Vettel, Jackie Stewart, Niki Lauda, Nelson Piquet, Ayrton Senna e outros grandes nomes da Formula 1. 
O campeonato do mundo de Formula 1 disputa-se desde 1950 e apenas quatro pilotos portugueses tiveram acesso àquela prova, respectivamente Mário Araújo Cabral, Pedro Matos Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro, tendo este subido ao pódio uma única vez em 2005 quando obteve o 3º lugar no Grande Prémio dos Estados Unidos, embora num contexto de elevado número de desistências. No entanto, o que aqui se regista é apenas a consagração de Lewis Hamilton que passou a figurar na galeria dos grandes nomes do desporto mundial.

domingo, 15 de novembro de 2020

O regresso da guerra ao Saara Ocidental

O jornal El Día que se publica na cidade de Tenerife, anuncia hoje que o estado de guerra voltou ao Saara Ocidental, isto é, voltou a um território que dista cerca de cem quilómetros das ilhas Canárias e, portanto, fica situado às portas da União Europeia. O Saara Ocidental é uma antiga colónia espanhola situada na costa africana a sul de Marrocos, ocupa uma área territorial de cerca de 266 mil km2 de superfície, ou seja, é cerca de três vezes maior do que Portugal e estima-se que tenha menos de 500 mil habitantes, na sua maioria nómadas, islamizados e não alfabetizados. O seu território é árido e quase desértico, mas tem cerca de mil quilómetros de costa, além de um mar territorial e uma zona económica exclusiva que são muito apetitosos economicamente. 
No ano de 1975, quando se estava no auge das descolonizações tardias, a Espanha abandonou aquele território que, por acordo, veio a ser ocupado por Marrocos (dois terços) e pela Mauritânia (um terço). Porém, invocando a representatividade da população, em 1976 a Frente Polisário declarou a independência do território com o nome de República Árabe Saaraui Democrática (RASD), que foi reconhecida por mais de cinquenta países. A partir de então, a Frente Polisário ou o governo da RASD instalado no seu exílio argelino, iniciaram uma guerra contra os dois países ocupantes. A Mauritânia foi derrotada e desistiu das suas pretensões, mas a guerra com Marrocos continuou com dureza até que, por intervenção da ONU, em 1991 se chegou a um cessar-fogo e a um acordo para a realização de um referendo que nunca se realizou. 
Este prolongado cessar-fogo que dura há 29 anos não tem agradado à Frente Polisário que por várias vezes ameaçou retomar a guerra contra Marrocos. O pretexto surgiu no dia 21 de Outubro junto do posto de Guerguerat, na fronteira do Saara Ocidental com a Mauritânia, quando activistas saarauis bloquearam uma estrada e foram atacados pelo exército marroquino, o que levou a Frente Polisário a anunciar que a trégua que vigorava desde 1991 chegara ao fim. Durante o tempo de guerra de 1976 a 1991 terão morrido 7000 soldados marroquinos e 2000 soldados mauritanos, enquanto da parte saaraui se estima que tenham morrido entre um e quatro milhares de combatentes.