Raul Brandão nasceu em 1867 na Foz do Douro e seguiu uma carreira militar da qual se retirou em 1912, passando a dedicar-se à escrita.
Nessa sua nova actividade, entre Junho e Agosto de 1924, Raul Brandão viajou pelos Açores e pela Madeira, tendo recolhido notas e impressões de viagem que publicou em 1926, num livro que é considerado, frequentemente, como o melhor livro sobre os Açores:
As Ilhas Desconhecidas.
As descrições de Raul Brandão são muito pormenorizadas, sendo particularmente interessantes em termos paisagísticos, económicos, etnográficos e antropológicos, sobretudo as suas impressões sobre o Corvo, as Flores, o Faial e o Pico. Quase um século depois, o progresso alterou a vida das ilhas açorianas e o seu retrato é hoje bem diferente, embora se conservem os traços paisagísticos, tal como o verde e o azul, que tanto impressionaram Raul Brandão.
“Já percebi que o que as ilhas têm de mais belo e as completa é a ilha que está em frente – o Corvo, as Flores, Faial, o Pico, o Pico, S. Jorge, S. Jorge, a Terceira e a Graciosa…”.
A crítica sempre considerou As Ilhas Desconhecidas como um dos mais belos livros de viagem da literatura portuguesa e a mais completa homenagem aos arquipélagos atlânticos. Eu li e reli o livro algumas vezes.
Numa época em que o turismo pode alavancar a economia portuguesa, uma visita às ilhas atlânticas é também uma boa opção viagem, mas nesse caso o livro de Raul Brandão também é uma excelente opção de leitura.
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segunda-feira, 16 de maio de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Ilha do Pico
No grupo central do arquipélago dos Açores, situam-se as ilhas do Pico, Faial e S. Jorge, cujo conjunto é conhecido por “ilhas do Triângulo”.
Neste conjunto destaca-se a ilha do Pico que é a segunda maior ilha dos Açores e que exibe a mais alta montanha de Portugal. Raul Brandão, que visitou os Açores em 1924, não lhe resistiu esteticamente e na sua famosa obra “As Ilhas Desconhecidas”, escreveu:
“O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo”.
Raul Brandão entusiasmou-se, porque o Pico tem ciclos muito distintos.
No Inverno a ilha é rodeada por mares encapelados e tempestuosos, sendo marcada por dias sombrios e neblinas espessas, chuvas intensas e ventanias atlânticas.
Depois, quando chega a Primavera, inicia-se um novo ciclo de vida, com a paisagem natural a transformar-se com a exuberância verde das pastagens e dos arvoredos, com a neve da alta montanha a desaparecer e com as actividades a surgir com uma renovada energia.
Mais tarde, chegará o Verão e com ele uma paisagem particularmente atraente, com um mar azul apelativo, as bermas das estradas floridas de hortênsias, uma luminosidade intensa, muitas festas e romarias, muitos visitantes e muita vida.
O Pico tem todos estes ciclos bem marcados e sempre sugestivos. Eu gosto de todos eles e, por isso, por lá passei com satisfação no início desta Primavera.
Neste conjunto destaca-se a ilha do Pico que é a segunda maior ilha dos Açores e que exibe a mais alta montanha de Portugal. Raul Brandão, que visitou os Açores em 1924, não lhe resistiu esteticamente e na sua famosa obra “As Ilhas Desconhecidas”, escreveu:
“O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo”.
Raul Brandão entusiasmou-se, porque o Pico tem ciclos muito distintos.
No Inverno a ilha é rodeada por mares encapelados e tempestuosos, sendo marcada por dias sombrios e neblinas espessas, chuvas intensas e ventanias atlânticas.
Depois, quando chega a Primavera, inicia-se um novo ciclo de vida, com a paisagem natural a transformar-se com a exuberância verde das pastagens e dos arvoredos, com a neve da alta montanha a desaparecer e com as actividades a surgir com uma renovada energia.
Mais tarde, chegará o Verão e com ele uma paisagem particularmente atraente, com um mar azul apelativo, as bermas das estradas floridas de hortênsias, uma luminosidade intensa, muitas festas e romarias, muitos visitantes e muita vida.
O Pico tem todos estes ciclos bem marcados e sempre sugestivos. Eu gosto de todos eles e, por isso, por lá passei com satisfação no início desta Primavera.
sábado, 26 de março de 2011
Small is beautiful
A cidade da Horta é, do ponto de vista paisagístico, uma das mais atraentes cidades portuguesas. Localizada na costa sul da ilha do Faial, estende-se em anfiteatro sobre uma baía enquadrada pelo morro da Espalamaca e pelo Monte da Guia, tendo o mar azul do canal do Faial e a montanha da ilha do Pico a servirem-lhe de pano de fundo.
É uma cidade pequena mas cheia de histórias, de memórias e de vida, que vão desde os tempos de Cumberland e Drake e dos seus ataques à navegação das Índias, até aos tempos mais recentes da actividade baleeira, dos cabos submarinos e dos hidroaviões que cruzavam o Atlântico, sem esquecer as crises sísmicas e vulcânicas. Dela se pode dizer, apropriadamente, que small is beautiful.
Apesar de possuir algumas modernas infra-estruturas, como por exemplo o edifício que alberga a Assembleia Regional, a cidade conserva a sua estrutura urbana tradicional, com belos edifícios com varandas, muitas calçadas e passeios com bonitos empedrados, alguns jardins bem tratados e várias peças de arquitectura religiosa e militar.
A cidade e a sua marina são uma escala e, também, um ex-libris para a navegação de recreio que atravessa o Atlântico, proporcionando sempre imagens de grande beleza. Por vezes parece que o tempo parou na cidade, sobretudo no Inverno, mas é um equívoco que o Verão esclarece.
A Horta é uma cidade cosmopolita e com carisma. É sempre com entusiasmo e interesse que, desde há mais de quarenta anos, a visito e a percorro.
É uma cidade pequena mas cheia de histórias, de memórias e de vida, que vão desde os tempos de Cumberland e Drake e dos seus ataques à navegação das Índias, até aos tempos mais recentes da actividade baleeira, dos cabos submarinos e dos hidroaviões que cruzavam o Atlântico, sem esquecer as crises sísmicas e vulcânicas. Dela se pode dizer, apropriadamente, que small is beautiful.
Apesar de possuir algumas modernas infra-estruturas, como por exemplo o edifício que alberga a Assembleia Regional, a cidade conserva a sua estrutura urbana tradicional, com belos edifícios com varandas, muitas calçadas e passeios com bonitos empedrados, alguns jardins bem tratados e várias peças de arquitectura religiosa e militar.
A cidade e a sua marina são uma escala e, também, um ex-libris para a navegação de recreio que atravessa o Atlântico, proporcionando sempre imagens de grande beleza. Por vezes parece que o tempo parou na cidade, sobretudo no Inverno, mas é um equívoco que o Verão esclarece.
A Horta é uma cidade cosmopolita e com carisma. É sempre com entusiasmo e interesse que, desde há mais de quarenta anos, a visito e a percorro.
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