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terça-feira, 24 de março de 2020

A RTP e o mau serviço público de alguns

O programa prós e contras da RTP1 é um programa de debate que vai para o ar desde 2002, sempre com a mesma apresentadora. 
São demasiados anos e a apresentadora não só perdeu qualidades ao longo de todo este tempo, como adquiriu muitos defeitos que vão desde um serôdio autoritarismo a uma arrogante falta de educação, que se revela na forma abusiva como corta a palavra aos seus convidados. Talvez precise de reforma e que os netos precisem dela. Se alguma vez prestou, agora já não presta. Qualquer cidadão perde a paciência com as suas atitudes grosseiras e arrogantes, pelo que desde há muito tempo que eu fujo da RTP para não assistir às medíocres exibições desta figura.
Ontem, porém, o programa intitulava-se Para onde  vamos? e juntou o ministro dos Negócios Estrangeiros, o Comandante Geral da GNR, o Director Nacional da PSP e um médico especializado em Pneumologia, pelo que me interessou ouvir as suas opiniões sobre a situação que atravessamos. Imaginava que o programa procuraria esclarecer os telespectadores e dar uma palavra de confiança e de esperança aos portugueses, que nos ajudaria a perceber o que podemos esperar ou sobre o que está a ser feito para nos ajudar. Fiquei estarrecido porque, durante cerca de duas horas, a apresentadora interrompeu todos e a todos inquiriu na busca de qualquer coisa que não estivesse a correr bem, procurando apenas o sensacionalismo e o protagonismo pessoal. Um jornalismo de vão de escada. Uma ridícula noção de serviço público. Uma enorme irresponsabilidade. Uma completa ignorância sobre a grave situação em que nos encontramos. Por fim, um dos participantes disse-lhe exactamente isso, mas a obcecada apresentadora nem sequer percebeu. Estamos em emergência e era bom que a RTP pusesse esta figura em casa e de quarentena para não nos incomodar com o seu lamentável comportamento disfarçado de reportagem jornalística..

segunda-feira, 23 de março de 2020

Um equipa fiável e de gente de coragem

O diário desportivo espanhol Marca destaca na sua edição de hoje el equipo de todos, em que não aparecem quaisquer jogadores de futebol, mas em que estão presentes alguns dos profissionais que todos os dias estão na linha da frente para combater a pandemia do covid-19, para manter os serviços essenciais e para nos ajudar a ultrapassar a difícil situação em que nos encontramos, sobretudo na parte ocidental da Europa.
Lá estão os médicos e os enfermeiros, os bombeiros e os polícias, o pessoal de segurança e de limpeza, além de profissionais da recolha do lixo, dos supermercados, das gasolineiras, dos transportes públicos, das bancas de jornais, da agricultura e do abastecimento público. É muita gente e na sua actividade não há apenas profissionalismo, mas também muita solidariedade.  
Na situação de emergência em que nos encontramos, todos dependemos do trabalho e da dedicação desta equipa multidisciplinar e, sobretudo, da sua coragem e do seu profissionalismo, porque eles são realmente os pilares em que assenta o nosso quotidiano e a nossa vida, como agora vemos a cada momento.
A vida não pára e enquanto esperamos por melhores dias, todos temos um enorme dever de gratidão para com aqueles que, em circunstâncias muito difíceis e de grande risco, procuram dar algum sentido de normalidade ao quotidiano e atenuar as nossas ansiedades. 
O meu obrigado vale pouco, mas aqui fica registado.

sexta-feira, 20 de março de 2020

O mundo fechou, o mundo não produz.


A pandemia do covid-19 continua activa e, em maior ou menor escala, todo o mundo está infectado e muito apreensivo em relação a uma situação de que se não vislumbra o fim.  O mundo fechou, o mundo não produz, o mundo não sabe quanto tempo isto vai durar. A imagem que a edição do The Economist escolheu para a sua edição desta semana é bem sugestiva, pois mostra que, em paralelo com a calamidade sanitária, também se desenha uma calamidade económica. Angela Merkel disse que a Alemanha enfrenta o seu maior desafio desde a 2ª Guerra Mundial e António Guterres pede solidariedade, cooperação internacional e esperança. A arrogância ignorante de Trump e Bolsonaro já deu lugar à preocupação. O problema é realmente sério. A quarentena ou o estado de emergência que têm sido decretados na generalidade dos países têm o objectivo de travar os contágios e esse é o aspecto mais importante, mas essas medidas drásticas estão a atrofiar as economias. 
Em Portugal as primeiras consequências económicas já estão à vista com a quebra na produção e no turismo, o encerramento de empresas, a suspensão dos transportes aéreos, as falhas no abastecimento público e o desemprego. A situação é grave mas, apesar disso, ainda há alguns indivíduos que, tanto na política como na vida empresarial, parecem não perceber isso e estão a procurar esta oportunidade para servirem os seus interesses particulares, como se vai vendo diariamente nas reportagens apresentadas pelas televisões. É lamentável que, nesta altura, ainda haja tantos portugueses a olhar para o seu umbigo. 
Porém, há que ter esperança e confiança em que os dias melhores virão mais depressa do que se pensa.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Uma guerra mundial com inimigo invisível

A generalidade da população portuguesa parece já ter compreendido que a situação que se aproxima é muito séria e está a aceitar com alguma serenidade as recomendações que estão a ser difundidas pelas autoridades sanitárias. A natureza do covid-19 continua a ser desconhecida, sobretudo no que respeita à sua incubação e propagação, pelo que ainda não há vacinas nem terapêuticas para combater esse vírus. 
Porém, os casos confirmados de infecção têm aumentado e chegaram à Europa, pelo que a melhor terapêutica é mesmo permanecer em casa, de forma a reduzir o risco de exposição e minimizar as probabilidades de contaminação em cadeia.
Aqui em Portugal estamos em estado de alerta, mas aproxima-se o estado de emergência. As restrições e as limitações à vida quotidiana dos cidadãos já são enormes e, nesta altura, a duração desta crise e a sua incidência são imprevisíveis, mas a população parece aceitar todas as contrariedades para defender a saúde pública., embora ainda haja quem, irresponsavelmente, acentue mais as consequências económicas desta crise do que a salvaguarda da vida humana.
No que respeita ao que se perspectiva para as próximas semanas o panorama é preocupante, pois a curva epidemiológica que corresponde matematicamente à evolução da epidemia, está a ser ajustada com os escassos elementos até agora disponíveis, embora aponte para “dois meses de guerra”, como hoje revela o jornal i. Significa que a actual fase de propagação está a crescer exponencialmente, mas que não se sabe quando atingirá (matematicamente) o ponto de inflexão e inverterá a sua progressão. A confirmar-se a tendência actual, haverá um agravamento progressivo da situação e o alívio da epidemia só acontecerá entre fins de Abril e princípios de Maio. Todos teremos que aguentar com muita paciência, esperar com serenidade e confiar em quem sabe. Há dois meses o coronavírus era desconhecido e, desde a última semana, tornou-se um grande problema para Portugal, para a Europa e para o mundo, como se fosse uma terceira guerra mundial contra um inimigo invisível.

sábado, 14 de março de 2020

Portugal está em alerta com o que aí vem

Nos últimos dois dias e, em especial nas últimas horas, dispararam todos os alarmes relativos ao surto do covid-19, quando o governo e as autoridades sanitárias impuseram severas medidas no sentido de travar a propagação do vírus e minimizar os seus efeitos, até porque a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que a Europa se tornou o epicentro da pandemia de coronavírus, com um crescente número de infectados e de casos fatais. 
Em Portugal, tal como em outros países europeus e até em alguns do continente americano, foram tomadas medidas drásticas, que afectam o modo de vida dos portugueses. Estas medidas foram apoiadas por todos os partidos políticos, o que constitui um acontecimento inédito ou muito raro no panorama político português, mas parece que também foram compreendidas pela generalidade da população, embora com as excepções do costume por parte de espertalhões, valentões, açambarcadores e golpistas. Nesta altura não se sabe o que nos espera, pois a ameaça com que nos defrontamos tem contornos desconhecidos quanto à intensidade e quanto à duração. Os nossos modos de vida e os nossos comportamentos vão ter que modificar-se e não se sabe por quanto tempo. O desafio das autoridades é muito difícil e todos contamos com a militância e a competência dos profissionais da saúde pública, para evitar o pânico e atenuar os riscos a que todos estamos expostos.
Como referiu o primeiro-ministro António Costa, “esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência”. Aprendemos isso nos últimos dois dias e, em especial nas últimas horas. Por isso, todos teremos que estar alerta e ter confiança em quem sabe, com serenidade e confiança.

terça-feira, 10 de março de 2020

Há uma ameaça de profunda crise global


Nas últimas horas acelerou-se o pânico no mundo, não tanto por causa da epidemia do Covid-19 e da sua perigosidade sanitária, mas sobretudo pelas suas consequências sobre as economias. Os jornais publicam gráficos que mostram que o Dow Jones, o Nasdaq e as principais bolsas mundiais caíram muitos pontos e continuam em queda, enquanto a Arábia Saudita decidiu cortar cerca de 30% nos preços do petróleo, o que comprova que para além do medo pelo Covid-19, há uma enorme incerteza e falta de confiança no que está para vir.
Não é preciso ser especialista para perceber a situação, pois basta olhar à nossa volta. A economia tem muitas facetas, mas assenta sobretudo em dois eixos – a oferta e a procura, ou a produção e o consumo. Quando a Itália está fechada em casa a cumprir uma forçada quarentena, significa que nada produz e que consome muito menos do que o normal, o que é catastrófico para a sua economia. Em vários países europeus, nomeadamente em Portugal, as coisas estão a seguir o mesmo caminho, pois as pessoas estão a ser convidadas a ficar em casa, foram fechadas muitas escolas e proibiram-se acontecimentos sociais, incluindo jogos de futebol, concertos e outros eventos que atraem muito público. A actividade económica já está a ser seriamente afectada, sobretudo no sector do turismo, com as reservas nos hotéis e nos navios de cruzeiro a serem canceladas, muitas feiras e congressos a serem suspensos e com as companhias aéreas a cortar milhares de voos por falta de procura. Apesar das medidas administrativas e sanitárias que estão a ser tomadas e dos discursos destinados a afastar o pânico, a situação pode tornar-se muito preocupante e levar a uma crise que, tal como vimos com a crise financeira de 2008, nada de bom nos trará.

sábado, 7 de março de 2020

O surto do Covid-19 já se tornou global


Na passada semana a revista The Economist destacava na sua capa que o surto do novo coronavírus estava a tornar-se global, mas uma semana depois começa a poder afirmar-se que a epidemia já é global porque, segundo as últimas notícias, estão infectadas mais de cem mil pessoas, das quais 3.459 já morreram em 92 países, sobretudo na China, Coreia do Sul, Japão, Irão e Itália. O nervosismo instalou-se no mundo e em alguns casos já derivou para o pânico, porque embora as autoridades procurem serenar as populações, a indústria da informação e os seus agentes não resistem a esta oportunidade de sensacionalismo e, objectivamente, tudo fazem para as alarmar.
As medidas anunciadas pelos governos começam a ser drásticas e estão a afectar a tranquilidade e o modo de vida das pessoas, enquanto os efeitos desta situação sobre a economia já são muito perturbadores, com a brutal quebra do turismo, a redução da oferta no transporte aéreo, a queda da bolsa e da cotação do petróleo, o cancelamento de eventos desportivos e culturais. Os efeitos psicológicos do Covid-19 estão a ser devastadores e, como é evidente, mesmo que a sua agressividade se atenue rapidamente, o que até agora já aconteceu vai ter repercussões na economia mundial e a recuperação da confiança e da actividade económica vão demorar.  
Em Portugal o surto parece limitado por agora e as medidas adoptadas têm sido as que a OMS recomenda e que não têm diferido das que têm sido tomadas pelos seus parceiros europeus, embora haja um grande sensacionalismo da comunicação social, com alguns exageros e até alguma ansiedade por parte dos jornalistas estagiários do costume que, com toda a diligência, procuravam noticiar em primeira mão a detecção do primeiro caso positivo de infecção com o Covid-19.
Esta gente bem precisava de aprender a dar as notícias ou informar com exactidão e verdade, sem o sensacionalismo emocional com que nos assaltam e incomodam, até porque o assunto é demasiado importante para ser tratado por amadores.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Da China para o mundo: crise do Covid-19


Em finais de 2019 apareceu na cidade chinesa de Wuhan um surto epidémico de coronavírus que afecta o sistema respiratório e pode evoluir para situações de maior gravidade como a pneumonia. Porque o surto alastrou para fora da China, a Organização Mundial de Saúde atribuiu-lhe um nome oficial para facilitar o seu reconhecimento universal, pelo que passou a ser conhecido como Covid-19.
Nesta altura ainda não se sabe a origem desta epidemia, ou do Covid-19, que infectou até agora cerca de 80.000 chineses e que já provocou 2715 mortes na China, ao mesmo tempo que está a perturbar a economia chinesa. O vírus propagou-se pelos países asiáticos e, entretanto, já chegou a uma dezena de países europeus, sobretudo à Itália onde já provocou 12 mortes, tendo nas últimas horas chegado a Espanha. As preocupações das autoridades sanitárias têm-se acentuado, embora haja demasiadas dúvidas e poucas certezas sobre a natureza deste surto epidémico que se manifesta simplesmente por febre, tosse, cansaço e dificuldades respiratórias, havendo também quem mostre desconfianças quanto ao que realmente se passa e aos eventuais interesses que giram à volta desta situação. A Organização Mundial de Saúde continua sem identificar a natureza deste vírus nem a forma de o travar, mas anunciou que o surto atingiu o seu pico na China entre os dias 23 de Janeiro e 2 de Fevereiro, estando em declínio desde então. No entanto, a generalidade dos países europeus parecem estar de prevenção ou mesmo um pouco alarmados, ao mesmo tempo que se anunciam efeitos sobre a economia com recessões, crises bolsistas e contracção no turismo.
Em síntese há que aguardar pela evolução da situação que, aparentemente, ainda não preocupa os portugueses. No entanto, se a situação se complicar, mais dia menos dia, talvez possamos ver o nosso Guia a copiar o exemplo pedagógico do colega Xi Jinping e a fazer-se fotografar com uma máscara igual à dele.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Um navio-fantasma que chegou à Irlanda


Um “navio-fantasma” de 77 metros de comprimento apareceu encalhado em Ballycotton, na costa sul da Irlanda, na sequência da tempestade Dennis que assolou a Europa na passada semana. O navio terá andado à deriva durante mais de um ano sem tripulação e percorrido milhares de quilómetros no oceano Atlântico. Segundo revela o jornal The Guardian o navio chama-se M/V Alta, foi construído em 1976 e, ao longo da sua vida, teve vários nomes e diferentes proprietários.
Em Setembro de 2018 o navio navegava da Grécia para o Haiti quando teve uma grave avaria pelo que ficou sem energia a bordo e, durante vinte dias, andou à deriva numa posição a cerca de duas mil milhas para sueste da Bermuda. Tendo sido detectado naquelas condições, a autoridade marítima americana tratou de lhe lançar comida por via aérea, mas como se aproximava um furacão, decidiu resgatar os seus dez tripulantes e levá-los para Porto Rico. Desde então, o M/V Alta ficou à deriva e sem tripulação.
Ao aparecer encalhado na rochosa costa sul da Irlanda, significa que o navio andou à deriva durante cerca de dezoito meses, tendo sido avistado apenas uma vez pelo HMS Protector da Royal Navy, o que mostra como é grande a vastidão do oceano ou como no mar cada um trata de si. Porém, o jornal deixa muitas interrogações para serem resolvidas, sobretudo saber quem é o proprietário do navio, qual a sua carga na altura em que foi abandonado e como foi possível que quem resgatou a sua tripulação deixasse o navio à deriva e a constituir um “perigo para a navegação”.
É mesmo um caso de navio-fantasma.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Kobe Bryant e o mundo do desporto


A notícia apareceu ontem com grande destaque no Los Angeles Times e em muitos outros jornais americanos, canadianos, ingleses, espanhóis, italianos, belgas, brasileiros, australianos e de muitos mais países, anunciando que Kobe Bryant tinha morrido num acidente de helicóptero. 
Eu não sabia quem era Kobe Bryant porque não acompanho a NBA, nem o basquetebol americano, mas com a extensão desta homenagem fiquei realmente convencido da minha ignorância, pelo menos no que respeita ao basquetebol internacional. Os títulos dos jornais chamam-lhe lenda, eterno e imortal, enquanto a fotografia de Kobe ocupa a primeira página de inúmeros jornais de referência e vem mostrar que o desporto e os seus protagonistas têm mais peso nas opiniões públicas do que os políticos, os cientistas ou os grandes empresários. Hoje, se Winston Churchill, Wernher von Braun ou Henri Ford fossem vivos, teriam menos notoriedade que os Federer, os Ronaldos e os Kobe. 
Há que reconhecer que, depois de se ter transformado numa poderosa indústria e num campo em que os homens e os grupos mostram as suas rivalidades, o desporto está catapultado agora para um nível demasiado alto da vida das comunidades. Este caso do respeitável basquetebolista Kobe Bryant é tão significativo como as longas horas que as televisões dedicam ao futebol, isto é, a comunicação social esqueceu o lema básico do desporto - mens sana in corpore sano – para tratar da indústria e do espectáculo, bem como dos seus agentes e das suas gentes.
Como escreveu Camões, "todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades".

sábado, 25 de janeiro de 2020

O coronavírus e a resposta chinesa

Na cidade de Wuhan, que é a sétima maior cidade da China, foi detectado um vírus denominado coronavírus que afecta o sistema respiratório e que, nesta altura, já causou 41 mortes e infectou 616 pessoas na cidade. Ao mesmo tempo que a cidade foi “encerrada” para evitar contágio e impedir a propagação da doença, foram detectados outros casos de coronavírus em diversos países asiáticos, mas também nos Estados Unidos e, nas últimas horas, em França e na Espanha. Apesar das declarações das autoridades sanitárias a alertar que o mundo está melhor preparado do que antes para enfrentar a situação, a preocupação está a tomar conta de muitas populações.
Vários jornais internacionais publicam hoje uma fotografia em que se vêem dezenas de escavadoras a preparar um terreno em Wuhan, no qual vai ser construído um enorme hospital para mil doentes afectados pelo coronavírus. O jornal Hoy, que se publica em Badajoz, na sua edição de hoje publicou essa fotografia em primeira página e dedicou-lhe seis colunas. O hospital deverá ser inaugurado no dia 3 de Fevereiro, o que significa que será construído em dez dias! É notável ou mesmo impensável imaginar esta capacidade que os chineses têm para preparar e executar um projecto desta dimensão e que, por mais simplificado que seja, será sempre muito complexo em estruturas, acessos, esgotos, água, electricidade, iluminação, comunicações, equipamentos e um nunca mais acabar de coisas a que é preciso dar resposta. Em dez dias!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Os incêndios catastróficos na Austrália

As notícias e as imagens que nos vão chegando da Austrália são muito alarmantes, pois há enormes áreas do continente australiano que estão a arder. É uma grande catástrofe sob todos os pontos de vista. As previsões para os próximos dias são preocupantes pois esperam-se ventos fortes, altas temperaturas e baixa humidade, o que já levou a primeira-ministra da Nova Gales do Sul a declarar que tudo será feito para prevenir o que pode ser "um sábado horrível"
Os incêndios florestais que desde Novembro têm fustigado o país, sobretudo no referido estado de Nova Gales do Sul, onde já foi declarado o estado de emergência, atingiram proporções nunca antes observadas e são, sem dúvida, mais uma expressão das alterações climáticas e do aquecimento global com que se confronta o nosso planeta. É uma catástrofe com uma dimensão por agora inimaginável porque alguns milhões de hectares já arderam, o que representa uma área maior do que a área de países como a Dinamarca ou a Holanda. Segundo revelam as notícias, cerca de 1300 casas já foram reduzidas a cinzas, havendo milhares de pessoas desalojadas e cerca de 50 mil casas estão sem electricidade, além de já terem acontecido quase duas dezenas de mortes. As consequências ambientais também estão a ser uma calamidade em relação ao mundo animal, enquanto os fumos e as cinzas tornaram irrespirável o ambiente das cidades australianas e já chegaram à Nova Zelândia.
Hoje, vários jornais ingleses, nomeadamente The Times, The Guardian, The Daily Telegraph e o Financial Times, publicaram a mesma fotografia da catástrofe australiana, em que se pode ver um canguru a fugir de um cenário de fogo absolutamente apocalíptico.
Essa expressiva fotografia “vale mais do que mil palavras”!

domingo, 1 de dezembro de 2019

A globalização do protesto e da incerteza


O diário catalão ara é publicado em Barcelona, tem apenas nove anos de idade, utiliza a língua catalã e tem tendências pró-independentistas. A sua edição de hoje é dedicada aos revoltats que, em diferentes locais do mundo e por razões sem qualquer relação directa entre si, se estão a manifestar de forma violenta. 
A insatisfação e a revolta explodem de repente, muitas vezes por razões insignificantes, com enorme violência nas ruas a que responde a repressão policial. Embora com origens e motivações diferentes, estes protestos têm características comuns e uma delas é não haver uma liderança clara da mobilização popular. Este "modelo" está a espalhar-se e a revolta local está a ter contornos de revolta global. Em França são os coletes amarelos e a sua reacção ao aumento do preço dos combustíveis; no Chile, que se tornou o laboratório da economia neo-liberal, o pretexto foi o aumento do preço dos transportes públicos; em Hong Kong tudo resultou de um decreto que permite a extradição de detidos para a  República da China.
Segundo o jornal, esta geografia da insatisfação inclui a França, a Catalunha e a Hungria (Europa), o Chile, a Bolívia, o Equador, a Bolívia e o Haiti (América Latina), a Argélia, o Sudão e a Guiné (África), o Líbano, o Iraque e o Irão (Médio Oriente) e a Caxemira, Hong Kong e a Rússia, mas nessa lista poderiam ser incluídas algumas outras áreas de grande insatisfação, de tensão ou de guerra.
O facto é que há um cenário de desconforto que alastra pelo mundo resultante da aceleração do processo de globalização, fazendo aumentar a indignação e o sentimento de desigualdade entre as pessoas, o que também contribui para a perda das suas referências culturais, morais e económicas. As instituições democráticas dão sinais de fadiga e de impotência, muitas vezes servidas por gente medíocre e atarefada pela pressão do quotidiano. Há uma crescente desconfiança nos dirigentes políticos e há uma angústia por um futuro cada dia mais incerto. Anunciam-se tempos de mudança, mas embora a história nos ensine que depois da revolta vem uma nova ordem, muitas vezes os resultados obtidos são bem diferentes daquilo que antes se imaginava.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Como o narcotráfico atravessa o Atlântico

Foi apresado ontem na costa galega, a poucas milhas da fronteira portuguesa, um submarino mais ou menos artesanal que transportava mais de três toneladas de cocaína, avaliadas em cerca de cem milhões de euros. Ainda há poucas notícias consistentes sobre o assunto, mas segundo revela La Voz de Galicia parece que o submarino encalhou numa praia do município de Cangas do Morrazo, na província de Pontevedra, devido ao mau tempo, à falta de combustível ou por outras razões ainda por esclarecer. Embora a actividade deste tipo de submarinos fosse conhecida, sobretudo pelo narcotráfico que fazem entre a Colômbia e o México, foi a primeira vez que um narcosubmarino foi apresado na Europa, como resultado da troca de informações e de uma operação em que intervieram diversas agências internacionais. A investigação está em curso mas a imprensa espanhola já revelou que o submarino tem 22 metros de comprimento, teria sido construído na Guyana, seria proveniente da Colômbia e na sua travessia atlântica teria feito escala em Cabo Verde. Depois aproximou-se da costa portuguesa, seguindo depois para a costa galega, tendo supostamente percorrido 7.690 quilómetros. Os  seus três tripulantes abandonaram  o submarino, mas dois deles de origem equatoriana foram capturados, enquanto o terceiro, provavelmente galego, logrou escapar à polícia. Esta captura constitui um acontecimento importante na luta contra o narcotráfico, mas só as investigações irão esclarecer o que de facto aconteceu com o narcosubmarino, porque é mínima a probabilidade dessa travessia atlântica ter sido feita sem o apoio de um ou mais navios. Porém, se se vier a apurar que aquela maquineta navegou como navio solto e sem apoio, eventualmente submersa, estaríamos perante um acontecimento náutico comparável às viagens de Cristóvão Colombo do século XV.

sábado, 23 de novembro de 2019

Nem o príncipe escapa aos mass media


O Príncipe André é um dos quatro filhos da Rainha Isabel II e do Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, sendo mais novo do que os seus irmãos Carlos e Ana e mais velho do que o seu irmão Eduardo. Quando nasceu em 1960 era o segundo elemento na linha de sucessão ao trono britânico e, só por isso, era um personalidade importante da Família Real Britânica.
Em 1978 ingressou na Royal Navy tornando-se piloto de helicópteros e em 1982 serviu a bordo do HMS Invencible durante a guerra das Falkland. Foi considerado um herói de guerra por ter tido activa participação nos combates. Continuou depois a servir a Royal Navy como piloto e como instrutor de voo, tendo atingido o posto de Capitão de Fragata, após o que separou do serviço. Em 2015 foi “promovido” a Vice-Almirante honorário. Consta que era o filho favorito da Rainha.
Enquanto membro da Família Real e supostamente o filho favorito da Rainha, o Príncipe André esteve envolvido em inúmeras actividades comerciais, culturais e filantrópicas, muitas vezes como representante especial do Reino Unido, mas parece que também teve ligações com Jeffrey Epstein, um reconhecido criminoso americano condenado por crimes sexuais e que, entretanto, faleceu. Recentemente, o Príncipe André foi entrevistado e o conteúdo da sua entrevista foi severamente criticado pelos mass media ingleses e americanos, que trataram imediatamente de o condenar pelo seu envolvimento no “escândalo Epstein”. O Príncipe não resistiu e tratou de pedir à Rainha, sua mãe, para se retirar da vida pública.
O assunto não é suficientemente interessante nem importante, mas o jornal New York Post dedicou-lhe a sua primeira página de forma bem sugestiva. Só por isso, aqui lhe fazemos referência como uma curiosidade da vida dos príncipes.

domingo, 6 de outubro de 2019

Um grande homem que é um novo cardeal

Realizou-se ontem na Basílica de São Pedro, em Roma, um Consistório presidido pelo Papa Francisco, que investiu 13 novos cardeais da Igreja Católica, entre os quais D. José Tolentino Mendonça, que tem 53 anos de idade e é natural da vila do Machico, na ilha da Madeira.
Antigo professor e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, o novo cardeal exerce actualmente as funções de arquivista e bibliotecário do Vaticano, tendo-se tornado no 46º cardeal português e o segundo madeirense a atingir o cardinalato. É um acontecimento importante para a Igreja Católica portuguesa mas, por razões culturais, também é relevante para a sociedade portuguesa, inclusive aquela que não professa a religião católica.
Toda a imprensa portuguesa destacou esta escolha do Papa e enalteceu as qualidades intelectuais do novo cardeal, como pensador, como escritor, como ensaísta e como poeta. Autor de uma vasta obra literária e com uma presença regular na imprensa, é uma figura de grande destaque na cultura portuguesa. Ao ser questionado pelos jornalistas quanto às dificuldades que iria enfrentar no quadro da Cúria Romana, o corpo administrativo que auxilia o Papa no seu governo da Igreja, disse o novo cardeal que “a vida é difícil para todos, também será para um cardeal, mas também é bela, também é entusiasmante e é nisso que eu penso”, acrescentando que “a vida de um cardeal é pesada, mas a vida de um pai de família também é, a vida de um operário, a vida de um desempregado, a vida de um homem sobre a terra, a vida de um refugiado, a vida de alguém que constrói a sociedade”.
Naturalmente, o Diário de Notícias do Funchal, bem como toda a imprensa da Madeira, deram um grande destaque a este acontecimento que enche de orgulho os madeirenses, mas que também é muito gratificante para a generalidade dos portugueses que gostam de ver reconhecidos os seus concidadãos.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Moçambique em festa com a visita papal

O Papa Francisco está em Moçambique e esta visita papal, que acontece pouco tempo depois da assinatura do acordo de paz e reconciliação entre a Frelimo e a Renamo, coloca o país na primeira página da imprensa mundial. Muita gente vê nesta visita o apoio do Papa a uma paz estável e duradoura, que permita o progresso económico e social dos moçambicanos.
Moçambique é um grande país da costa oriental africana e recebeu o Papa Francisco em festa, tendo exibido a sua diversidade religiosa nas cerimónias de recepção no aeroporto, o que mostra o carácter pacificador desta visita. Acontece que o país já está em campanha eleitoral para as eleições de 15 de Outubro e muitos temem que o partido do governo aproveite esta visita para se promover, mas muitos outros acreditam que a mensagem de reconciliação papal supera tudo o resto. Outros, também lamentam que a visita papal tenha sido limitada à cidade de Maputo e deixasse de lado as províncias de Sofala e da Zambézia que recentemente foram devastadas por ciclones, bem como a província de Cabo Delgado onde se tem verificado uma onda de violência fundamentalista islâmica. Mas, evidentemente, o Papa não pode ir a todo o lado e terá que ser a comunicação social a dar notícia desta visita e da sua importância para a paz, como bem tem feito o diário O País, que se publica em Maputo.
Amanhã, antes de partir para Madagáscar e para a Maurícia, o Papa Francisco celebrará missa no Estádio Nacional do Zimpeto, sendo esse o momento mais grandioso desta sua visita que enche de orgulho os moçambicanos e reforça a ideia de paz e de reconciliação nacional.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A violência destruidora dos furacões

As tempestades tropicais ou ciclones tropicais são um fenómeno meteorológico de características depressionárias que se forma sobre o mar das regiões tropicais em diferentes regiões do mundo. No oceano Pacífico ocidental designam-se por tufões (typhoon), mas na região ocidental do oceano Atlântico são chamados furacões (hurricane). O efeito dos ciclones tropicais é devastador, quer no mar, quer em terra, porque o vento pode soprar com grande intensidade. O mais recente de que há notícia é o furacão Dorian que atingiu ontem o arquipélago das Bahamas, com ventos com velocidades superiores a 300 quilómetros por hora, que já provocaram cinco mortos e destruíram pelo menos 13 mil casas em várias ilhas, deixando um forte rasto de destruição e fazendo com que a população ficasse sem abrigo ou alojada precariamente. As autoridades das Bahamas declararam nunca ter visto tanta destruição porque a violência do Dorian “não tem precedentes”. Entretanto, quando o furacão se aproximava da Florida e da Geórgia, uma situação que a fotografia da capa da edição do Miami Herald bem esclarece, parece ter perdido força e estar a ser travado na sua progressão para noroeste por um sistema de altas pressões situado na área das Bermudas. No entanto, as autoridades americanas mantêm todos os alertas e continuam a avisar que a situação é “extremamente perigosa”. Os americanos do sul e sueste do país sabem por experiência o mal que o Dorian lhes pode levar.

sábado, 24 de agosto de 2019

O ataque aos fogos na selva boliviana

Os trágicos incêndios que estão a devastar a Amazónia e a angustiar o mundo, não estão a acontecer apenas no Brasil, pois também estão a afectar a Bolívia, sobretudo na Chiquitania, que é a região mais oriental do país e que faz fronteira com o Brasil e com o Paraguai.
Porém, enquanto Jair Bolsonaro tem alimentado a polémica, ao negar as evidências e ao retardar as medidas necessárias, o seu colega boliviano Evo Morales tomou medidas imediatas e, uma delas, foi a decisão de contratar o  Boeing 747 da empresa americana Global Super Tanker Services, que tem a sua base em Colorado Springs e que é considerado o maior avião de combate a incêndios do mundo, pois pode transportar 74 toneladas de água e de retardante. Só existe uma destas unidades, conhecida por 747 Supertanker, que foi adaptada em 2015 para a luta contra os incêndios e que, actualmente, já interveio com sucesso na Califórnia, no Chile e em Israel. Agora, na Bolívia, as primeiras notícias revelam que a acção do Supertanker “comienza a sofocar el incendio”, como revela a edição de hoje do jornal boliviano Cambio.
A Chiquitania ou Chiquitos é uma região boliviana que inclui um conjunto de seis cidades fundadas pelos missionários jesuítas na primeira metade do século XVIII, cujas igrejas sobreviveram à sua expulsão pelas autoridades espanholas e que em 1990 foram declaradas Património Mundial pela Unesco.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Os incêndios florestais estão de volta

Na sua edição de Badajoz, o jornal Hoy publica hoje na sua primeira página uma fotografia a seis colunas dos incêndios florestais que estão a afectar a região centro de Portugal, com a legenda “los incendios de Portugal llenan de humo Extremadura”. Acontece que o fumo derivado desses grandes incêndios que estão a acontecer nas florestas portuguesas em conjugação com as condições atmosféricas locais, deram origem a um “nuvem” que cobriu uma boa parte da Extremadura espanhola e afectou algumas localidades, como as cidades de Badajoz, Cáceres e Mérida.
Depois dos catastróficos incêndios de 2017 e das inúmeras medidas tomadas, a dimensão dos actuais incêndios é surpreendente. No entanto, o excesso de informações e de directos televisivos, bem como as repetidas declarações dos deslumbrados comandos da Protecção Civil, dos autarcas, dos bombeiros e da população, não nos ajudam a compreender o que realmente se passa, porque ora nos dizem que está quase tudo controlado, ora nos informam que há reacendimentos. Dizem-nos que há centenas de operacionais e de meios aéreos envolvidos, mas também nos dizem que os meios são insuficientes. O cidadão comum tem dificuldade em saber o que de facto se passa.
Desta vez, a luta e o aproveitamento político parecem estar ausentes dos teatros de operações e a Cristas ainda não apareceu a dar palpites. Ainda bem. Deixem trabalhar os Bombeiros. O que há a fazer agora é combater as chamas e só depois se deverão fazer balanços e comparações. Já o pequeno Marques Mendes, esse “comerciante político” como lhe chamou Carlos César, não se conteve e tratou de dizer que “há muito boa gente que está indignada com o que se está a passar, com a forma com que tudo isto uma vez mais está a acontecer. Parece que tem semelhanças com há dois anos. Parece que afinal nada mudou“. Porque é que essa criatura não espera para saber o que se passou e fala depois? Porquê essa mania deste pequenote se pôr em bicos dos pés e falar de tudo, mesmo daquilo que não sabe?