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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A tragédia de Génova e o nosso jornalismo

Na passada terça-feira ocorreu o trágico colapso da ponte Morandi, na auto-estrada A10, na cidade italiana de Génova, quando a sua estrutura desabou sobre uma área industrial de uma altura de 45 metros numa extensão de cerca de 200 metros, arrastando um número ainda indeterminado de viaturas.
A ponte tinha sido construida entre 1963 e 1967 e, supostamente, era objecto de regular manutenção, mas um ministro veio acusar os concessionários das auto-estradas italianas de que cobram as portagens mais caras da Europa, que recebem milhões, que pagam poucos impostos e que nem sequer fazem a manutenção necessária das pontes das auto-estradas.
O mundo impressionou-se com o desastre que provocou quatro dezenas de vítimas e com as imagens que viu na televisão e nos jornais, sobretudo aquelas que mostram uma carmioneta de cor azul e carroceria verde dos supermercati Basko, cujo condutor conseguiu parar a escassos metros do abismo e salvar-se.
O jornal italiano La Reppublica, assim como os grandes jornais internacionais, dedicaram as primeiras páginas das suas edições de ontem à tragédia de Génova com expressivas fotografias, enquanto os jornais portugueses preferiram destacar a exibição de um futebolista de 19 anos chamado Edson Fernandes e, em alguns casos, até ignoraram a notícia do desastre de Génova.
Como aqui temos salientado várias vezes, os jornais e o jornalismo portugueses estão demasiado entregues a comissários e a estagiários. Vão de mal a pior e, depois, queixam-se que não têm leitores...

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

A manhosa caixa que mudou o mundo

A  caixa que mudou o mundo, fórmula que os profissionais da televisão gostam de usar para valorizar o seu trabalho, é o mais poderoso meio de comunicação de massa do mundo moderno, abrindo janelas, quebrando fronteiras e divulgando informação cultural, económica e política. Nessas circunstâncias, a televisão tornou-se uma presença permanente nas sociedades contemporâneas e o seu poder de formar e de informar, mas também de educar e de divertir, são enormes nas modernas sociedades, em que há dezenas de canais televisivos ao dispor do público, uns generalistas e outros temáticos. Em Portugal também é assim, embora o espectro televisivo seja dominado por três grandes canais: a RTP, a SIC e a TVI.
Porém, nos últimos tempos, todos estes canais enveredaram por uma programação medíocre, muitas vezes a roçar a foleirice, enchendo manhãs e tardes com programações em que são cultivados os valores mais rascas da nossa realidade cultural. Há, evidentemente, algumas excepções honrosas a essa mediocridade, mas são cada vez mais raras.
No plano informativo, a programação destes canais parece estar entregue a estagiários a quem foi imposta a missão de criar factos controversos ou sensacionalistas, em vez de relatar a verdade com isenção e rigor. Chega a parecer que ninguém tem mão na situação e que não há responsáveis pela verdadeira desgraça que é a informação televisiva, muitas vezes manhosa e desonesta. Nos seus alinhamentos noticiosos, os nossos canais televisivos repetem muitas vezes, dezenas de vezes, a mesma notícia, mesmo quando a realidade já ultrapassou a situação noticiada. Assim, tornou-se normal que um espectador veja uma mesma notícia vezes sem conta e durante vários dias, seja a declaração de um político ou um golo no futebol, uma anomalia na CP ou um abraço presidencial.
Como diria um amigo meu, as nossas televisões são uma boa porcaria e oferecem-nos diariamente um espectáculo demasiado ridículo e manhoso.

domingo, 15 de julho de 2018

O obcecado Donald a dividir para reinar

A fotografia do boneco insuflável com que os manifestantes de Londres protestaram contra a presença de Donald Trump no Reino Unido, ilustrou as primeiras páginas de muitos jornais europeus, mas também chegou aos Estados Unidos. O nova-iorquino Daily News, que é um dos jornais americanos de maior circulação, não perdeu a oportunidade para fazer chacota com os comportamentos erráticos e preocupantes do presidente dos Estados Unidos e tratou de escolher a fotografia do insuflável do Donald para ilustrar a capa da sua última edição. Como, por vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras, aqui está a demonstração da impopularidade do Donald no seu próprio país, que uma cidadã americana afirmava ontem ser uma vergonha.
Donald quer negócios e os seus valores são os negócios. Criticou Angela Merkel e Theresa May como se andasse em peregrinação pelo seu império e pediu mais dinheiro para a NATO, uma aliança defensiva que há poucos meses tanto criticava. Diz tudo e o seu contrário e, demasiadas vezes, dá o dito por não dito. A sua visita à Europa foi provocatória, arrogante e serviu para acentuar divisões entre os seus aliados europeus, numa lógica de dividir para reinar.
A América merecia melhor e, de facto, a história dos Estados Unidos regista-o como o mais impopular dos seus presidentes dos últimos anos. Agora vai visitar o seu amigo Vladimir Putin e, provavelmente, vão trocar muitos abraços e quem sabe se não vão tratar de cooperação militar.

sábado, 14 de julho de 2018

O Donald não foi bem-vindo em Londres

Depois de ter participado na Cimeira da NATO em Bruxelas e antes de se encontrar com Vladimir Putin, o presidente americano fez a sua primeira visita oficial ao Reino Unido. Tal como acontecera com o que dissera em Bruxelas, o Donald também em Londres se mostrou desbocado, arrogante e mal-educado, fazendo declarações intoleráveis a respeito de assuntos que só dizem respeito aos britânicos.
Não poupou Theresa May, nem a forma como decorrem as negociações do Brexit, mostrando uma vez mais um egoismo demasiado perigoso para o mundo com alguns aspectos fascizantes.
Milhares de manifestantes protestaram nas ruas de Londres contra a visita do Donald. Teriam sido entre 100 e 250 mil a gritar palavras de ordem contra a sua presença e a dizer que ele não era bem-vindo, mas o ponto alto do protesto terá sido um balão insuflável de seis metros de altura em forma de “bebé Donald”, que sobrevoou Londres. Muitos jornais publicaram a fotografia desse balão, como aconteceu com o jornal Público em Portugal.
Os organizadores parecem ter atingido o seu objectivo pois o Donald expressou o seu descontentamento por essa iniciativa que o ridicularizou. Entretanto, o Donald seguiu hoje para a Escócia em visita privada para conhecer os seus investimentos pessoais em campos de golfe, mas parece que os escoceses preparam protestos semelhantes aos que foram feitos em Londres.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O salvamento dos jovens tailandeses

O mundo tem acompanhado com emoção e ansiedade o caso dos jovens que ficaram presos no complexo de cavernas de Tham Luang, que se estende por cerca de 10 km sob uma montanha no norte da Tailândia, a uma profundidade variável entre 800 e 1000 metros. Os 12 jovens praticantes de futebol, acompanhados pelo seu treinador, entraram no complexo de cavernas no fim da tarde do dia 23 de Junho, durante um passeio e foram surpreendidos por uma forte chuvada que inundou o complexo. Nessa contrariedade, o grupo decidiu fugir pelos túneis até se instalar num local seco a 4 km da entrada. Preocupada com o atraso do filho, uma mãe deu o alarme. As autoridades pediram ajuda internacional e foram iniciadas as buscas, tendo sido encontradas as bicicletas dos jovens na entrada do complexo de cavernas, além de mochilas e sapatos.
Porém, os jovens só foram encontrados no dia 2 de Julho, isto é, nove dias depois do seu desaparecimento, por dois mergulhadores britânicos que conseguiram chegar à gruta onde estavam os jovens, situada a cerca de 4 km da entrada. Para chegar até ao grupo, os dois mergulhadores nadaram durante seis horas, num percurso sinuoso e estreito que exige grande domínio das técnicas de natação e de mergulho. A partir de então foi instalado um centro de operações numa câmara do complexo de cavernas situado a 1700 metros de distância da entrada. Ontem foram resgatados quatro jovens e hoje foi anunciado o resgate de mais quatro. A operação de grande dificuldade e risco tem vindo a correr bem. O mundo quase respira de alívio perante esta vitória da tenacidade e da persistência, mas também da coragem dos socorristas. O impossível ou o milagre estão a acontecer.
Porém, para além da competência-coragem dos mergulhadores, o que mais impressiona nesta operação é a quantidade de especialistas de que Portugal dispõe neste domínio, que alimentam horas e horas nos canais televisivos. Até admira que não tenhamos enviado alguns destes luso-especialistas para a Tailândia.

sábado, 30 de junho de 2018

Vitorino: mais um português em destaque

Os 169 Estados-membros da Organização Internacional das Migrações (OIM), criada em 1951 para encontrar soluções para o problema das migrações, elegeram ontem António Vitorino para o cargo de director-geral daquele organismo que integra a estrutura multilateral da ONU. A candidatura foi formalizada pelo governo português em Dezembro do ano passado e António Vitorino foi eleito depois de eliminar na quarta ronda de votação a candidata costa-riquenha Laura Thompson, a actual vice-directora geral da OIM. Vitorino veio a ser eleito na quinta ronda de votação, à qual compareceu sozinho, tendo sido em todas as rondas o candidato mais votado, enquando o polémico candidato americano Ken Isaacs que fora escolhido por Trump, ficou sempre em último lugar.
A eleição foi muito festejada em Portugal porque se trata de mais um português a ocupar um alto importante da cena internacional para o qual foi eleito por aclamação, tal como acontecera com António Guterres e com Mário Centeno. Estas eleições para altos cargos internacionais evocam-nos outros portugueses que, podendo ter sido candidatos a altos cargos internacionais, escolheram a porta pequena e trabalham como lobistas, por exemplo na Goldman Sachs, ou como funcionários de uma qualquer organização ou, ainda, como facilitadores de negócios.
Não conheço, nem tenho qualquer simpatia pessoal por António Vitorino, mas reconheço que a sua eleição resulta do reconhecimento dos seus méritos e da campanha institucional que foi conduzida a seu favor pelo governo. Porém, a imprensa portuguesa vai de mal a pior e apenas dois jornais referiram numa pequeníssima notícia de primeira página a eleição de Vitorino. Então a sua eleição não é uma grande notícia? Não merecia ao menos uma fotografia na primeira página? Que pobreza de imprensa!

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Uma nova ordem social na Arábia Saudita

A partir do próximo domingo, dia 24 de Junho, as mulheres sauditas já poderão conduzir os seus automóveis nas estradas da Arábia Saudita e esse será o aspecto mais visível de uma nova política social iniciada por Muhammad bin Salman, o poderoso príncipe herdeiro saudita de 32 anos de idade. N asua mais recente edição, a revista The Economist dedica uma extensa reportagem a esta “revolução social saudita”.
Os cinemas de Riyadh abriram as suas portas e os homens já podem sentar-se ao lado das mulheres, pode ouvir-se música nas ruas e as mulheres já frequentam os parques de diversão onde conduzem carros eléctricos. O Comité para a Prevenção do Vício e a Promoção da Virtude, perdeu o poder de impor a moralidade pública, embora muitos religiosos islâmicos prevejam o aumento da imoralidade e condenem esta medida liberalizadora com argumentos retrógrados como por exemplo o de que “as mulheres só têm meio cérebro” ou que “a condução afecta os seus ovários”.
Há uma nova geração rica e cosmopolita em torno do jovem príncipe herdeiro saudita que quer a liberalização social e a transformação da sociedade, acabando com os códigos islâmicos ultra-rigorosos, ao mesmo tempo que ambiciona a diversificação da sua economia que é demasiado dependente do petróleo.  
Os hábitos islâmicos moderados dos seus vizinhos do Abu Dhabi, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar são uma fonte inspiradora para os sauditas, porque não faz sentido poder ir livremente ao cinema no Dubai e não poder ver cinema na Arábia Saudita, por aí ser contra a vontade de um Deus que é exactamente o mesmo.
Nesta liberalização saudita há um pormenor muito curioso, porque a promoção do islamismo moderado está a aproximar a Arábia Saudita de Israel, o que está a fazê-los passar de inimigos a aliados, o que até parece um paradoxo mas que resulta do medo comum que naquela região todos têm do Irão.

domingo, 17 de junho de 2018

Chegou o tempo dos incêndios florestais

Decorreu um ano sobre o dramático incêndio de Pedrógão Grande e alguns jornais evocaram esse fatídico dia em que algumas dezenas de pessoas perderam a vida e muitos hectares de floresta foram devorados pelo fogo. Foram dias trágicos que vieram a repetir-se em Outubro e, embora o que se passou tenha causas tão diversas como a falta de planos de protecção contra incêndios florestais, ou um ordenamento florestal inadequado, ou as alterações climáticas ou, ainda, o desleixo das populações, todas as críticas se dirigiram contra o governo e, de forma especial, contra a então Ministra da Administração Interna. Foi lamentável o aproveitamento político que alguns então quiseram fazer da tragédia.
Entretanto, os fogos florestais não são apenas um problema português e grandes áreas florestais em Espanha também têm sido consumidas pelo fogo. Por isso, a secção espanhola do Greenpeace publicou esta semana um documento intitulado “Protege el bosque, protege tu casa” em que analisa as causas da nova era de incêndios de alta intensidade dos últimos anos e denuncia a falta de planos de prevenção, emergência e auto-protecção contra incêndios florestais em Espanha, um problema que já está classificado como emergência social. O estudo cita os incêndios do camping e do parque de Doñana de Mazagón e do trágico incêndio de Pedrógão Grande.
O documento foi publicado pelo jornal el Correo de Andalucia e constitui uma chamada de atenção para todos os agentes públicos e privados envolvidos neste problema, desde a população que constrói casas no meio da floresta e não cuida da limpeza dos seus espaços florestais, até ao abandono rural e às alterações climáticas. O documento refere que “não é uma situação única de Espanha” e que “países como Portugal, Chile, Austrália, África do Sul e Estados Unidos têm sofrido grandes incêndios de altíssima gravidade”. Trata-se, portanto, de um problema ambiental que afecta a segurança nacional e que em Portugal se espera possa ser enfrentado este ano com mais eficiência do que aconteceu em 2017.

domingo, 27 de maio de 2018

Macau vai ter a maior ponte do mundo

É a maior ponte do mundo! Começou a ser construída em 2009, já está concluída e vai assegurar a ligação entre as três principais regiões administrativas do sul da China ou as três grandes cidades no delta do Rio das Pérolas, isto é, Hong Kong, Zhuhai e Macau. Tem cerca de 50 quilómetros de extensão e consiste numa série de três pontes suspensas e um túnel submarino de 6,7 quilómetros, além de três ilhas artificiais. Nestas ilhas haverá uma zona de controlo de fronteiras, parque de automóveis e áreas de lazer.
Chama-se Ponte Hong Kong - Zhuhai - Macau ou, mais simplesmente, Ponte HZM e espera-se que seja aberta ao tráfego rodoviário dentro de um mês, embora o jornal hoje macau anuncie que a inauguração está sem prazo à vista.
É um mega-projecto de engenharia e os chineses querem mostrar ao mundo que também são capazes nestas áreas tecnológicas. Por agora, o problema parece ser o movimento de viaturas e a gestão do tráfego, estando estabelecidas quotas para limitar o número de veículos que circularão na ponte. No caso de Macau, estão autorizadas 600 quotas para veículos macaenses autorizados a circular de Macau para Hong Kong ou Zhuhai, isto é, procura-se evitar que por um qualquer imprevisto a ponte fique congestionada por tráfego intenso e inesperado, o que significa que não vai ser possível a um qualquer cidadão macaense dizer para a família ou para os amigos: "Metam-se no carro. Vamos almoçar a Hong Kong".

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Viva o 25 de Abril e a nossa liberdade

A poesia está na rua por Maria Helena Vieira da Silva
Perfazem-se hoje 44 anos sobre “a madrugada que eu esperava” e o “dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio”, como escreveu Sophia de Mello Breyner, um dia que foi recebido com muito entusiasmo e alegria por milhões de portugueses e foi aplaudido pela comunidade internacional.
Depois de um longo consulado de isolamento internacional, de um regime autoritário que perseguia os cidadãos e de uma guerra que trouxe dor e sofrimento a muita gente e deixou marcas profundas na sociedade, o país acordou de um sono profundo e de um enorme pesadelo. Desde então Portugal tem caminhado em frente, por vezes com alguma turbulência, mas sempre amarrado aos ideais da liberdade e da democracia que conquistara em 1974.
Passados 44 anos há que reconhecer que "as portas que Abril abriu", segundo a inspirada expressão de José Carlos Ary dos Santos, tudo mudaram e quase tudo mudaram para melhor. Tem sido um tempo de constante mudança e de muito progresso. Os portugueses têm sabido acompanhar os ventos da História e absorveram muitas das conquistas civilizacionais da Humanidade, sobretudo na saúde, na educação, na cultura e, de uma forma geral, na qualidade de vida.
Naturalmente, há muito para fazer e a lista das coisas por fazer é tão grande que nem me atrevo a enunciá-la aqui, embora saliente que me merecem mais atenção a segurança e a protecção das pessoas, o envelhecimento do país, a desertificação do interior, a defesa da natureza e do ambiente, a melhoria na saúde e na educação e a urgente necessidade de corrigir a justiça-espectáculo em que poucos acreditam.
Numa Europa de nações e de hegemonias regionais que se atropelam, apesar de todas as contrariedades que nos afectam enquanto país pequeno e periférico, os portugueses têm sabido conquistar um espaço de reconhecimento que só foi possível com a Liberdade e a Democracia que o 25 de Abril nos trouxe.
Por isso, comemoremos o 25 de Abril como um marco indelével da nossa História.

sábado, 14 de abril de 2018

Os mísseis do Donald já atacaram a Síria

Os Estados Unidos, o Reino Unido e a França lançaram esta madrugada uma operação militar contra a Síria, em resposta ao alegado ataque químico levado a cabo na cidade de Douma pelo regime de Bashar al-Assad. Embora não fosse inesperada, esta acção surpreendeu por ter acontecido à revelia dos apelos do Secretário-geral das Nações Unidas e numa altura em que os peritos da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) tinham começado a investigar no terreno o que realmente se passou.
Donald Trump tem andado à procura de um pretexto para mostrar ao mundo o seu poder militar e encontrou-o agora na Síria, até porque esta iniciativa lhe permite desviar as atenções da opinião pública americana das acusações que lhe são feitas por comportamentos pessoais inapropriados ou graves.
Porém, os americanos e os seus mísseis não foram sozinhos, pois tiveram o apoio dos aviões ou dos mísseis de Theresa May e de Emmanuel Macron, o que mostra quanto a Europa está dividida e como cada um procura tratar dos seus interesses nacionais sem cuidar de consultar os outros estados-membros. É caso para duvidar da coesão e do espírito europeu que existe numa União Europeia sem unidade, sem projecto e, talvez sem futuro, em que cada um actua militarmente como entende.
Os ataques desta madrugada terão sido concentrados em alvos seleccionados para evitar que as forças russas presentes no terreno fossem atingidas e terão sido eficazes, embora haja informação de que alguns dos mísseis tenham sido destruídos pela defesa anti-aérea síria, isto é, a guerra da propaganda vai funcionar como tem funcionado sempre.
Hoje, por todo o mundo, irão suceder-se as declarações a apoiar e a condenar esta iniciativa. Esta manhã, alguns jornais americanos e sul-americanos já divulgaram a notícia, caso de O Globo, mas não são ainda conhecidos os verdadeiros resultados desta acção, nem as reacções a este desafio que Donald Trump fez a Vladimir Putin, mas o que se deseja é que as coisas tenham ficado por aqui.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A inoportuna e perigosa escalada na Síria

Os preparos para executar um ataque em grande escala continuam a avançar e os aliados Trump, May e Macron parecem estar de acordo quanto à necessidade de castigar o regime sírio por um alegado ataque com armas químicas contra Douma, em Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco.
Porém, os russos insistem que tudo não passou de uma encenação e é por isso que os peritos da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), uma organização que tem sede em Haia e que em 2013 recebeu o Prémio Nobel da Paz, vão começar amanhã uma investigação in loco, tendo sido anunciado que as autoridades sírias estão prontas para garantir a segurança da equipa de peritos e levá-los onde eles quiserem.  
Entretanto, a resposta dos três aliados continua a ser preparada sobretudo ao nível das respectivas opiniões públicas nacionais, porque em cada um desses países se levantam vozes contra uma intervenção na Síria porque a consideram ilegal, inapropriada e de alto risco. Hoje o diário The Times publica uma fotografia do porta-aviões nuclear USS Harry S Truman e destaca que está em preparação a maior força de ataque desde a intervenção no Iraque.
No entanto, se esta força avançar vai enfrentar os russos que estão instalados no terreno e que, provavelmente, dispõem de tecnologia e capacidade militar para enfrentar este desafio. Trump e os seus amigos têm dado sinais contraditórios quanto às suas intenções pois conhecem os riscos que correm, mas também parece já estão numa fase de não retorno.
Temos que pensar que, se alguma coisa acontecer,que não sejam encontros entre russos e americanos, porque aí o caldo pode entornar-se... e ninguém quer o caldo entornado.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A manipulação da verdade e os mísseis

A receita é bem conhecida: cria-se uma situação anómala que é divulgada pelas agências noticiosas internacionais amigas, fornecem-se imagens para os jornais e televisões e fica criado um estado emocional na opinião pública necessário para justificar uma intervenção militar, sem que se investigue se a mensagem divulgada é falsa ou verdadeira. O caso mais evidente passou-se em 2003 com as “armas de destruição maciça”, uma mentira que serviu para o ataque americano ao Iraque e para iniciar a destabilização que desde então tem atravessado o Médio Oriente e o Norte de África.
Porém, esse modelo que acusa e que incita à punição sem que sejam feitas as necessárias investigações independentes para apuramento da verdade, continua a ser usado pelos falcões de ambos os lados do Atlântico. Já em 1994 e 1995 tinha acontecido algo de semelhante com o massacre do mercado ao ar livre de Sarajevo, em que não houve o apuramento da verdade para se saber se foi da responsabilidade de sérvios ou de bósnios, mas que serviu para justificar a intervenção da NATO.
Vem isto a propósito das tentativas de assassinato do espião russo que aconteceu em Londres e que, sem o necessário apuramento da verdade, serviu para Theresa May e os seus aliados expulsarem diplomatas russos. Agora, são as imagens que mostram as vítimas do ataque químico acontecido na cidade síria de Douma que, sem que tivesse havido uma investigação independente e séria para apuramento da verdade, tem sido atribuído ao regime de Bashar al-Assad e tem servido para a ameaça dos falcões do costume para gastarem mais uns mísseis e, dessa forma, alimentarem as suas indústrias de armamento. O Donald prometeu retaliar e avisou a Rússia: missiles are coming. Naturalmente, o mundo está muito apreensivo.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O incêndio da Trump Tower foi só fumaça

A fotografia ontem publicada na capa do jornal New York Post mostra os espessos rolos de fumo negro que no passado sábado foram vistos a sair do 50º andar do arranha-céus construido por Donald Trump em Nova Iorque e, sobretudo, recorda-nos a tragédia ocorrida no dia 11 de Setembro de 2001, quando dois aviões foram lançados por terroristas árabes sobre as Torres Gémeas, também em Nova Iorque, tendo causado a morte a mais de três mil pessoas.
O luxuoso edifício é conhecido como a Trump Tower e foi inaugurado em 1983, ficando situado na 5th Avenue, entre as ruas 56th e 57th, em Midtown Manhattan. Tem 202 metros de altura e possui 58 andares ocupados por escritórios, alguns espaços comerciais e apartamentos, um dos quais pertence desde 2015 a Cristiano Ronaldo que o adquiriu por 18,5 milhões de dólares e que fica alguns andares abaixo da residência privada do Donald.
O incêndio deflagrou no 50º andar do edifício e assustou muita gente, embora tivesse sido dominado pelos bombeiros ao fim de uma hora. A intervenção correu bem. Os incêndios em arranha-céus têm provocado algumas grandes catástrofes, mas desta vez foi só fumaça, o que mostra que a segurança funcionou.
O Donald agradeceu o bom trabalho feito pelos bombeiros e a ocorrência teve efeitos muito limitados, embora se tivesse registado a morte de uma pessoa.

quinta-feira, 29 de março de 2018

O sacrifício da vida pela comunidade

A França comoveu-se quando o Presidente Emmanuel Macron prestou homenagem ao tenente-coronel Arnaud Beltrame, que foi morto por um extremista islâmico depois de se ter voluntariado para substituir uma refém que aquele retinha sob ameaça num supermercado de Trèbes, no sul de França.
Vários factores convergiram para que a França se comovesse, mas um deles terá sido a surpresa com que assistiu a um acto de coragem protagonizado por alguém que, certamente, havia jurado defender a comunidade “mesmo com o sacrifício da própria vida”. Essa ideia de defender a pátria ou de defender a comunidade parece cada vez mais uma coisa do passado porque, tanto os soldados como os polícias, se tornaram funcionários, provavelmente com mais deveres e menos direitos do que os outros funcionários. A generalidade dos políticos também se tornaram funcionários e não lutam por causas nem por valores, mas apenas por interesses, mas o mesmo acontece com muitas outras profissões que deveriam servir o interesse público.
Os tempos e as escalas de valores estão a mudar muito rapidamente por toda a parte e o egoismo está a dominar as sociedades, prevalecendo o interesse pessoal ou de grupo sobre o interesse colectivo, como bem se vê nas desigualdades que existem entre os homens e entre as nações. Em muitos aspectos, parece que o mundo já está dominado mais pelo capital tecnológico e pela robótica, do que pela sensibilidade e pela inteligência humanas. É por isso que a corajosa acção do tenente-coronel Arnaud Beltrame surpreendeu e comoveu a França.
A comoção dos franceses extravou as suas fronteiras e sensibilizou alguma imprensa mundial que também ficou surpreendida com este gesto cada vez mais singular de alguém que leva até ao fim o seu juramento de defender a comunidade “mesmo com o sacrifício da própria vida”. The Wall Street Journal foi apenas um dos jornais internacionais que publicou a fotografia do presidente francês junto da urna do malogrado oficial.

Symphony of the seas: a cidade flutuante

Chama-se Symphony of the seas, foi construido nos estaleiros franceses de St. Nazaire e é o maior navio de cruzeiros do mundo. É o 26º navio da Royal Caribbean International, tem 362 metros de comprimento, desloca 228 mil toneladas e pode transportar 6360 passageiros.
É uma cidade flutuante onde existe tudo o que é possível imaginar-se. Para além das suas colossais dimensões, o navio destaca-se pela diversidade de experiências que oferece aos seus passageiros, que incluem 19 piscinas com diferentes actividades lúdicas, pista de patinagem no gelo, simuladores de surf, teatro para 1380 pessoas, 20 restaurantes e lojas das mais prestigiadas marcas internacionais.
A sua viagem inaugural está marcada para o próximo dia 7 de Abril com saída de Barcelona, escalas em Palma de Maiorca, Provence, Florença/Pisa, Roma e Nápoles e regresso a Barcelona. Depois repetirá este circuito mediterrânico durante várias semanas e, no segundo semestre do ano, atravessará o Atlântico para fazer cruzeiros pelas Caraíbas a partir de Miami.
Na passada terça-feira o navio foi apresentado em Málaga e, aparentemente, a Royal Caribbean International convidou meio mundo para essa apresentação mundial, sobretudo agências de viagens e jornais, porque o evento está relatado em inúmeros jornais que divulgam  as características excepcionais do navio, embora nenhum lhe dê o destaque que foi dado pelo Málaga hoy, que dedicou a sua primeira página ao “mayor coloso del mar”.
Com tanta oferta de divertimento e com tanta gente a bordo, uma viagem no Symphony of the seas até talvez se torne numa cansativa viagem...

segunda-feira, 26 de março de 2018

Os voluntários dão lição aos políticos


Foto SIC Notícias

No dia 15 de Outubro de 2017 aconteceu o grande incêndio que consumiu cerca de 80% dos 11.080 hectares do Pinhal de Leiria. Desde então, essa catástrofe bem como os outros trágicos incêndios que devastaram o país no Verão do ano passado, têm servido para revelar inúmeros “especialistas” em gestão e em incêndios florestais e, também, para procurar os principais “culpados” pelo que aconteceu, numa lógica de combate político.
Porém, enquanto os políticos e os jornalistas têm passado o tempo a discutir quem tem mais culpas ou mais responsabilidades, iludindo que o problema é muito mais complexo do que parece e esquecendo a sua função pedagógica, a sociedade civil tomou iniciativas e tem promovido acções de voluntariado que têm mobilizado alguns milhares de cidadãos que, de todo o país, se têm organizadamente empenhado em acções de reflorestação do Pinhal de Leiria.
Algumas associações ambientalistas, assim como grupos constituídos em empresas e autarquias, têm-se destacado nessas acções, mas no passado domingo houve cerca de cinco mil voluntários que plantaram 67 mil e quinhentos pinheiros bravos. É pouco, mas foi um sinal de interesse pelo bem comum e, por isso, merece muitos elogios. Nesta acção participaram muitas crianças e houve a ajuda de militares e bombeiros, o que constitui uma grande lição para todos os que falam, falam... mas não fazem nada.
É certo que são necessárias pelo menos 3 milhões de árvores para plantar, mas a iniciativa do passado domingo, bem como o envolvimento do Presidente da República e do Primeiro-Ministro em iniciativas semelhantes, é um sinal positivo para a sociedade porque contribui para a sensibilização da comunidade e para os comportamentos amigos da floresta, que muita gente parece não conhecer.
Lamentavelmente, os jornais de referência não destacaram este assunto e, por isso, é um caso de mau jornalismo, a suscitar uma simples pergunta aos seus editores: qual é a agenda por que se regem?

sábado, 24 de março de 2018

Facebook – a comunicação que ameaça

A notícia já corre há alguns dias e revela que o Facebook, ou feicebuque como o meu amigo JNB gosta de escrever, tratou de fazer batota e começou a explorar o exibicionismo dos seus utilizadores e a segmentá-los ou arrumá-los por perfis etários, psicológicos, económicos, culturais e outros. Assim, construiu uma monumental base de dados com milhões de registos de grande valor o que levou o deslumbrado Mark Zuckerberg, o criador do Facebook, a vender essas informações privadas a uma tal Cambridge Analytica.
Os efeitos sociais dos mass media já eram bem conhecidos desde finais da primeira metade do século XX, através dos trabalhos de Paul Lazarsfeld e do casal Lang, que estudaram os efeitos das notícias sobre os consumidores e sobre os eleitores, isto é, sobre o consumo e sobre o voto. Hitler e a sua equipa também conheceram essas teorias de manipulação das decisões das pessoas e o canadiano Marshall McLuhan veio dizer que, sob a pressão dos mass media, o mundo se tinha transformado numa aldeia, daí nascendo o conceito de aldeia global.
Com a televisão, com a internet e com as redes sociais, o problema aprofundou-se. É agora possível definir os públicos-alvo com grande precisão e ser mais directo e mais eficaz na transmissão de mensagens comerciais ou políticas, canalizando a mensagem para os alvos preferenciais, se necessário através das fake news ou as notícias produzidas expressamente para produzir certos efeitos, que são tão comuns em Portugal, sobretudo nas fugas ao segredo de justiça que condenam qualquer cidadão perante a opinião pública, antes do julgamento em tribunal.
Assim, a Facebok e a sua associada Cambridge Analytica trataram de manipular os perfis dos seus utilizadores para uso publicitário e eleitoral e, segundo parece, foi daí que resultaram as surpresas eleitorais que deram a vitória ao Brexit e a Donald Trump. O assunto é muito sério porque é um enorme perigo para a paz e para a convivência democrática, tendo sido retratado na capa da edição de hoje do Der Spiegel.
Bem pode Mark Zuckerberg pedir desculpas, mas o facto é que o nosso modo de vida está ameaçado.

quarta-feira, 14 de março de 2018

As coisas caricatas do nosso quotidiano

O nosso pequeno Portugal tem sido palco nos últimos tempos de incontáveis situações demasiado caricatas, que passam pela política, pelo futebol, pela justiça, mas também por outros sectores, que mostram como o ridículo parece não ter limites.
Comecemos pela política. Com eleições legislativas no horizonte e com o Presidente Marcelo a revelar-se menos beijoqueiro do que o habitual, com António Costa a navegar à bolina, com Rui Rio a procurar tomar o leme ao seu partido e com os partidos da esquerda a agitar os seus eleitorados com vista às futuras eleições, apareceu uma tal de Cristas numa caricata e insensata ambição populista, a falar com uma arrogância e uma ambição desmedidas e a posicionar-se para liderar "todas as direitas" e ser a alternativa a António Costa. Foi a mais caricata e atrevida postura política que se viu ultimamente em Portugal. O que ela disse para mobilizar as suas bases é um atentado à inteligência dos portugueses, pois ninguém percebe como é possível passar de 7% das intenções de voto (sondagens de Janeiro de 2018 da Eurosondagem e da Aximage) para, como ela disse, chefiar o governo.
Também o futebol continua com aspectos caricatos, pois deixou de ser um belo espectáculo para se tornar numa indústria em que prolifera muita gente pouco recomendável, incluindo dirigentes e comentadores que, aos gritos e ameaças, ocupam o espaço televisivo e invadem os nossos domicílios.
Depois temos outro aspecto caricato da nossa vida quotidiana porque, numa lógica absurda e sem qualquer respeito pelo direito ao bom nome das pessoas, assistimos ao anúncio de inquéritos que deveriam ser confidenciais e que arrasam os cidadãos na praça pública, numa promíscua relação entre os agentes do sistema de justiça e os mais reles membros da nobre corporação dos jornalistas.
No plano dos costumes sociais também temos sido assaltados pelo ressurgimento da linha Relvas de falsos doutores, isto é, do reaparecimento de casos de abusivo e desonesto uso de qualificações académicas, como sucede com o título de catedrático que foi aceite por Passos Coelho ou com a utilização da categoria de visiting scholar por Barreiras Duarte.
São apenas algumas das situações caricatas que estão a atravessar a nossa sociedade e que mostram o poder dos media, mas também a altíssima perversidade de alguns deles.

domingo, 11 de março de 2018

A caravela-portuguesa veio dos trópicos

O título da edição de hoje do diário Faro de Ceuta até pode assustar os ceitis porque lhes pode lembrar o dia 21 de Agosto de 1415, quando chegaram à baía de Ceuta cerca de 212 embarcações, incluindo naus, caravelas, galés e outras embarcações menores, onde iam embarcados 20 mil homens comandados pelo rei D. João I para conquistar a cidade. De facto, a notícia de que a caravela portuguesa [está] em Ceuta, bem poderia referir-se ao episódio da chegada das caravelas e de outros navios portugueses à baía de Ceuta, acontecido há 602 anos.
Porém, a caravela-portuguesa referida na notícia é a physalia physalis que, segundo o meu amigo Google, é um organismo pluricelular ou uma colónia de organismos geneticamente idênticos e altamente especializados que aparentam ser uma única criatura e cuja principal toxina é a physaliatoxina. Têm cores diversas, tentáculos com células urticantes que podem atingir 30 metros de comprimento e vivem na superfície do mar das regiões tropicais, flutuando graças a um flutuador cilíndrico cheio de gás.
Provavelmente, devido a condições oceanográficas desconhecidas, a Portuguese man o’war que é parecida com uma alforreca, foi deslocada pelo vento desde as regiões tropicais até ao sul da península Ibérica. Apareceu nas praias de Ceuta onde causou alarme e foi notícia de primeira página no Faro de Ceuta, mas também nas praias da Manta Rota e Monte Gordo, no sotavento algarvio, o que levou a autoridade marítima a difundir conselhos às populações marítimas devido ao seu elevado poder urticante e elevada perigosidade. Para quem ande no mar ou vá à praia, há que ter muito cuidado, mas não deixa de ser curioso o nome deste organismo inspirado na aventura marítima portuguesa dos séculos XV e XVI.