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terça-feira, 13 de agosto de 2019

A dinâmica da cultura portuguesa em Goa

Quando se aproximam sessenta anos do traumático fim do Estado Português da Índia e quando a chamada geração da saudade vai desaparecendo pela natural sequência da lei da vida, os sinais de resistência da cultura portuguesa à crescente indianização do Estado de Goa continuam a ser muito fortes. Apesar de existir um Consulado-Geral em Goa e algumas instituições culturais públicas e privadas portuguesas que, certamente desenvolvem algumas actividades culturais, o facto é que são as iniciativas da sociedade civil e em especial das novas gerações de goeses, que estão a revelar-se com muito interesse e com um enorme dinamismo em prol da cultura portuguesa.
A música, de que os goeses são singularmente entusiastas, tem sido o principal veículo de promoção da cultura portuguesa em Goa, especialmente através do fado. Foi assim antigamente, mas depois de 1961 esse interesse estagnou ou passou a ser politicamente desadequado à nova realidade goesa. Porém, nos últimos anos tem havido vários jovens que se têm dedicado ao fado e alguns músicos que se tornaram exímios executantes da guitarra portuguesa.
O recém-criado Centre for Indo-Portuguese Arts (CIPA) vai inaugurar em Pangim, no próximo dia 15 de Agosto, a sua Madragoa – casa do fado e mandó. É, seguramente, um momento alto da vida cultural goesa, no qual se juntam dois dos mais talentosos músicos goeses – Orlando de Noronha e Carlos Meneses – a acompanhar a voz da fadista Sonia Shirsat.
Já que não posso estar lá como gostaria, daqui envio o meu forte aplauso à iniciativa daqueles bons amigos que espero seja gratificante, contagiante e duradoura.

domingo, 7 de julho de 2019

Até Cavaco beneficiou do saco azul do BES

No já longínquo dia 22 de Janeiro de 2006 realizaram-se eleições presidenciais em Portugal e o vencedor com 50,54% dos votos foi o candidato Aníbal Cavaco Silva, natural de Boliqueime, professor universitário e ex-primeiro-ministro. Mais tarde a imprensa noticiou e o google conserva essa informação, que a “Família Espírito Santo foi a principal financiadora da campanha de Cavaco em 2006” e que “Ricardo Salgado deu a quantia máxima”.
Em 2011 o presidente Cavaco Silva recandidatou-se e foi eleito com 52,95% dos votos, quando o mundo estava assolado por uma grave crise financeira surgida da chamada crise do subprime (2007) e da falência do centenário banco novaiorquino Lehman Brothers (2008). O turbilhão da crise chegara a Portugal e o BPN foi nacionalizado (2008) para evitar a sua falência e outros males maiores no sistema financeiro português. A crise financeira persistiu e o BES entrou em dificuldade que se revelou inultrapassável. O presidente Cavaco Silva esteve atento, até pela sua condição de economista e antigo director do Banco de Portugal. Então, durante uma viagem oficial à Coreia do Sul, afirmou que “os portugueses podem confiar no BES”, ao mesmo tempo que elogiava a actuação do Banco de Portugal. Cavaco quis ajudar os seus amigos do BES, mas o desastre aconteceu. Os milhares de clientes do BES que confiaram na sabedoria do Professor e na palavra do seu Presidente da República, ficaram arruinados.
Agora, a reportagem da última edição da revista Sábado revela que na campanha presidencial de 2011 houve um esquema de financiamento ilegal em que altos dirigentes do BES, supostamente a título pessoal, doaram cerca de 253 mil euros à candidatura de Cavaco Silva, para iludir a lei de financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais que, expressamente, proíbe os donativos de empresas e outras entidades colectivas. Só que esses dirigentes vieram a ser integralmente ressarcidos do seu “donativo” pelo fundo que agora é conhecido como o “saco azul” do BES, o que significa que terão incorrido no crime de financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Esta situação mostra como o BES sempre ajudou Cavaco Silva nas suas campanhas eleitorais, designadamente através do seu famoso “saco azul”, pelo que o Ministério Público, através do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), parece querer esclarecer este caso. Mas porquê só agora? Contudo, vale mais tarde do que nunca.

sábado, 7 de outubro de 2017

Mocímboa da Praia e as minhas memórias

Mocímboa da Praia é uma localidade por onde passam muitas das minhas memórias pessoais, consolidadas há muitos anos quando visitava a sua pequena baía e vestia a camisa do botão de âncora.
Localizada na costa moçambicana da província de Cabo Delgado e a menos de 100 quilómetros da fronteira com a Tanzânia, a vila apareceu ontem referida com grande destaque no diário moçambicano O País, com o título "Tensão em Mocímboa da Praia". As notícias referem que a povoação foi atacada por cerca de três dezenas de elementos fundamentalistas islâmicos que integram uma célula do grupo terrorista Al-Shabab, que também actua na Somália e no Quénia. O grupo terá atacado três ou quatro postos policiais e, segundo as informações disponíveis, nos confrontos havidos terão sido abatidos dez terroristas e detidos quinze, enquanto terão sido mortos quatro agentes policiais. Uma parte do grupo atacante parece ainda estar a ocupar parte da vila, pelo que a tensão é muito grande, com as ruas desertas e quase todo o comércio e serviços fechados, incluindo as instituições estatais.
A presença em território moçambicano deste grupo fundamentalista islâmico, que é formado maioritariamente por jovens, já dura há alguns anos, mas tem vindo a intensificar-se nos últimos tempos. Segundo informa o jornal, vários contingentes da Unidade de Intervenção Rápida da Polícia moçambicana estão na região a fim de restabelecer a ordem.
Moçambique já tem alguns problemas sérios, mas não pode deixar de dar muita atenção a esta ameaça, até porque o islamismo tem uma forte implantação naquela região que, há pouco mais de cem anos, era dominada pelo sultanato de Zanzibar. Portanto, as autoridades moçambicanas têm que estar atentas e actuar enquanto é tempo.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prémio prestigiante para J. E. Agualusa

O escritor luso-angolano José Eduardo Agualusa foi distinguido ontem com o International Dublin Literary Award, um prestigiado prémio literário internacional pela tradução inglesa do romance Teoria Geral do Esquecimento. De acordo com as regras, os 100 mil euros do prémio são entregues na totalidade ao autor se o livro tiver sido escrito em inglês ou, no caso de se tratar de uma tradução, o valor do prémio é repartido em 75 mil euros para o escritor e 25 mil para o tradutor.
Portanto, Agualusa recebe 75 mil euros e é o primeiro autor de língua portuguesa a vencer o prémio criado em 1996, que é atribuido anualmente e que é gerido pelo Município e pelas Bibliotecas Públicas de Dublin. Os autores e as obras apreciadas resultam de um processo de nomeações que é feito a partir de sugestões ou propostas de mais de quatro centenas de bibliotecas de todo o mundo, o que torna o prémio muito importante.
A Teoria Geral do Esquecimento, o romance premiado, foi indicado pela Biblioteca Pública Municipal do Porto, pela Biblioteca Municipal de Oeiras, pela Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles, de Brasília, e pela Gradska Knjiznica, de Rijeka, na Croácia, que destacaram a forma como o romance equilibra "elementos-chave da história angolana recente com as vidas de gente comum".
Nascido no Huambo em 1960, José Eduardo Agualusa foi hoje homenageado pelo Jornal de Letras e está de parabéns pelo prémio, pelo seu talento, pela sua capacidade criativa e, também, pela sua personalidade e inteligência. Acompanho-o literariamente desde que li Nação Crioula. É um bom amigo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um grande livro que nos fala de Goa

Era uma vez em Goa, o romance publicado em Fevereiro de 2015 por Paulo Varela Gomes e editado pelas Edições Tinta da China, ganhou o Grande Prémio de Romance e Novela de 2015 atribuido pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), em parceria com a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. O prémio foi criado em 1982 e, nesta sua 34ª edição a que concorreram 104 obras, o júri de cinco membros deliberou a atribuição do prémio por unanimidade.
Paulo Varela Gomes faleceu no dia 30 de Abril de 2016 e não teve a satisfação de ver a sua obra premiada com tão importante galardão, antes atribuído a figuras de grande relevo na literatura portuguesa como José Cardoso Pires, Agustina Bessa-Luís, Mário Cláudio, António Lobo Antunes, David Mourão-Ferreira, João de Melo, José Saramago, Lídia Jorge e Vasco Graça Moura, entre outros escritores.
Na memória dos seus amigos, nos quais me encontro, não fica apenas a recordação de um historiador e de um crítico de arte, nem a lembrança da sua inteligência, do seu inconformismo e da sua qualidade intelectual e académica, mas também a fulgurante prosa de um grande escritor.
Era uma vez em Goa é um livro irresistível devido ao engenho e ao talento do autor, cuja liberdade narrativa é muito viva no tratamento da herança cultural portuguesa em Goa, com a sua perspicácia e a sua observação bem humorada a atrair o leitor que se sente a percorrer aquele território, devido às abundantes referências às suas paisagens, às suas artes e ao seu património cultural.
O Grande Prémio de Romance e Novela de 2015 foi entregue ontem na Fundação Calouste Gulbenkian à sua mulher Patrícia pelo Ministro da Cultura, por acaso amigo de longa data de Paulo Varela Gomes. Aos leitores deste meu texto deixo apenas uma recomendação: leiam Era uma vez em Goa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Revivendo histórias e memórias em Goa

Depois de uma viagem aérea de muitas horas, um amigo muito estimável chegou ontem a Goa para passar algumas semanas de férias. Sei que o esperam muitas amizades, muitos antigos alunos, muitas boas memórias e uma meteorologia excepcional que lhe vai permitir ir às boas praias goesas e usar roupas leves. Sei que vai rever muitos dos traços arquitectónicos da herança cultural portuguesa, sobretudo em Velha Goa, mas que também vai reapreciar a paisagem luxuriante dos coqueirais de onde parecem emergir as torres brancas das igrejas e as várzeas verdejantes de arrozais a perder de vista. O meu amigo não deixará de visitar as peculiares feiras de Mapuçá e de Anjuna, apesar de estarem cada vez mais descaracterizadas, nem deixará de ir ao Mum’s Kitchen, ao Sher-e-Punjab, ao Coqueiro ou ao La-Goa Azul, entre tantos outros restaurantes de que gosta e onde a comida goesa tem um gosto singular. Também não perderá a oportunidade de ir até à Kala Academy, uma obra do arquitecto Charles Corrêa (que também foi o autor do edifício da Fundação Champalimaud), para ver o mandó e o tiatr, que são duas das mais interessantes expressões da cultura goesa. Naturalmente, o meu amigo não faltará às festas que vão ser muitas, nas quais se apresentará com o rigor e a solenidade das circunstâncias. Muitas vezes vai falar em português, até porque ele próprio tem dado uma boa ajuda para a sobrevivência da nossa língua em Goa.
Neste quadro de interesses e de expectativas, procurei na imprensa de Goa pela notícia da chegada do meu estimável amigo. Porém, nem o The Navhind Times, nem o Herald falaram do assunto. Estranhei e fui procurar no The Goan. Nada. O meu amigo chegou incógnito. Na realidade, o JRL que é um especialista em coisas goesas, sabe quanto vale estar incógnito em Goa, porque dessa forma pode resistir melhor às inúmeras homenagens que os amigos lhe gostam de prestar e às respectivas jantaradas que as acompanham. Pois que, incógnito ou não, passe um bom tempo em Goa!

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

R.I.P. Alfredo Bruto da Costa

Faleceu hoje com 78 anos de idade o Professor Doutor Alfredo Bruto da Costa, um homem excepcional pela inteligência, pela cultura, pela bondade e pela generosidade. Era natural de Goa mas fixara-se em Portugal quando jovem estudante para frequentar o Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia Civil, embora já nessa época tivesse forte envolvimento nas causas e movimentos sociais que tanto marcaram a sua exemplar vida cívica e o seu continuado serviço à comunidade e à causa pública. Veio, por isso, a ser designado para o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e, mais tarde, para exercer o cargo de Ministro dos Assuntos Sociais no V Governo Constitucional, presidido por Maria de Lurdes Pintasilgo.
Era doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Bath, no Reino Unido, com uma tese intitulada “O paradoxo da Pobreza – Portugal, 1980-1989”, sendo reconhecido como um especialista nessa área. Foi Presidente do Conselho Económico e Social eleito pela Assembleia da República e foi Conselheiro de Estado, mas ainda teve tempo para presidir à Comissão Justiça e Paz, à Direcção da Casa de Goa e para colaborar com o Conselho da Europa e com a UNESCO.
Alfredo Bruto da Costa era um homem de superior qualidade e um grande amigo, daqueles com quem se aprendia todos os dias, sobretudo pela sua coerência na defesa dos direitos humanos e, sobretudo, dos direitos dos mais pobres. Era um homem de fé, fiel a princípios e de uma enorme tolerância democrática. Homens como ele marcam uma época e são cada vez mais raros numa sociedade dominada pelo egoísmo e pelos valores materiais. Tive o enorme privilégio de com ele trabalhar e conviver e, nesta hora dolorosa, aqui lhe presto a minha mais sentida homenagem, ao mesmo tempo que apresento as minhas condolências à Vera, à Margarida e à Madalena, mas também a toda a sua Família que, tantas vezes, me acolheu como se eu dela fizesse parte. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Revisitando o nosso Portugal

Um amigo muito próximo partiu há muitos anos para o Brasil, levando uma âncora na bagagem e no espírito. Por lá constituiu família e criou filhos e netos, que são ao mesmo tempo portugueses e brasileiros, lutou pela vida e ocupou com sucesso diversos cargos de relevo social, entre os quais se incluiram funções consulares numa cidade do Paraná.
Porém, a sua permanência em terras brasileiras e o seu enraizamento cimentado ao longo de algumas dezenas de anos, não o fez esquecer os seus sentimentos de saudade da terra e dos amigos e, por isso, de vez em quando mete-se num avião e vem revisitar o nosso Portugal.
Voltou a fazer isso agora e teve a iniciativa de convocar uma dezena dos seus velhos amigos para um encontro almoçarista num hotel sobranceiro ao mar, numa praia do nosso litoral Oeste. Nenhum desses amigos esteve indisponível e todos foram abraçar o LBJ. Foi um encontro cheio de alegria e com algumas emoções à flor da pele, com muitos abraços e mil histórias, que até teve alguns discursos e algumas lágrimas. Que a saúde e a saudade não te faltem para que possas voltar sempre.

domingo, 1 de maio de 2016

R.I.P. Paulo Varela Gomes

Depois de cerca de quatro anos de uma corajosa luta contra a doença, o Paulo Varela Gomes partiu ontem de manhã da sua casa de Podentes, próximo de Penela, deixando um enorme vazio na cultura portuguesa e, de maneira muito especial, no domínio da relação cultural e da amizade entre Goa e Portugal, matéria em que era um dos maiores e mais respeitados especialistas portugueses, sobretudo depois de, entre 1996 e 1998 e entre 2007 e 2009, ter vivido em Goa como representante da Fundação Oriente na Índia.
A Universidade de Coimbra e a comunidade académica também perderam um dos seus maiores expoentes como historiador de arte e, sobretudo, como historiador de arquitectura, conforme atesta a originalidade da sua extensa obra académica, dispersa por monografias, intervenções mediáticas, conferências e intervenções de carácter científico, quer no país quer no estrangeiro. A sua versatilidade intelectual e a sua polivalência no domínio de temas complexos revelou-se igualmente na ficção, na crítica literária e nas obras que publicou nos últimos anos, que a crítica reconheceu e o público apreciou.
Os seus amigos também perderam um companheiro de superior inteligência e de grande erudição, amante da liberdade e da democracia, de discurso assertivo e frontal, cuja intervenção no espaço público se pautou sempre por uma atitude de grande coragem intelectual, vastos conhecimentos e uma enorme coerência cívica. Era um comunicador excepcional e ninguém esquecerá a sua notável participação na série televisiva “O mundo de cá”, o que levou a que a RTP lhe prestasse ontem à noite uma uma justa homenagem, ao transmitir um dos episódios dessa série gravada na Índia e no Sri Lanka em 1995.
Tive o privilégio de o ter conhecido e de com ele ter convivido durante cerca de duas dezenas de anos, dele recebendo sempre muitos ensinamentos, muita camaradagem e muita amizade. A nossa viagem a Diu em Setembro de 1998 e a demorada visita que fizemos à ilha conduzindo rudimentares motocicletas, continuam gravadas na minha memória.
O Paulo foi um grande Homem e teve a dedicada companhia da Patrícia, uma verdadeira mulher-coragem que aqui também justamente evoco.
O Paulo, a sua inteligência e a sua bondade vão fazer-nos muita falta.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A bela Goa para quem tem frio em Lisboa

Um bom amigo decidiu deixar esta cidade de Lisboa por uns tempos e voar até Dabolim, que é o aeroporto que serve Goa, para fugir ao frio atlântico-europeu e para aproveitar o calor e a amizade dos muitos amigos que tem naquela bela terra virada para o mar Arábico. O meu amigo tem uma enorme notoriedade e prestígio cultural naquela terra e, provavelmente, é o português mais ilustre que nos próximos tempos andará a circular por Caranzalém, Dona Palma, Fontainhas, Altinho, Miramar e outros bairros da cidade de Pangim. Por isso, fui consultar os jornais de Goa para verificar se tinham dado notícia da sua chegada, porque esta sua visita é um facto que merece notícia. Porém, desapontado, verifiquei que ele tem mantido a discrição de que tanto gosta.
No entanto, aproveitei e fiz uma breve leitura do The Navhind Times, um dos mais populares jornais goeses. Na sua edição de hoje, o jornal reflecte na sua primeira página os tempos que se vivem em Goa e a sua rapidíssima entrada na era do consumo de massa, com anúncios de vários modelos de automóveis Chevrolet e de Instant Winter Holidays por 29.000 rupias (400 euros), publicitação do Shopping Festival em Chicalim e da Trade Fair cum Food Festival e de uma Singing Competition em Mapuça. Há dinheiro e vontade de o gastar. Como o mês de Dezembro é o mês em que milhares de goeses da diáspora visitam as suas famílias, sucedem-se todo o tipo de festas, sobretudo as festas religiosas dos católicos e os casamentos, sempre com muitas centenas de convidados. Para esses, também o jornal anuncia as ofertas do Señor, the suit people: um complete wedding package por 4999 rupias (70 euros) e a feitura de fatos simples por 2499 rupias (35 euros), com delivery in 3 to 4 hours.
Seguramente, o meu amigo JML vai estar em vários casamentos e não deixará de ir de fato novo. É só ir ao Señor, ali na Rua Heliodoro Salgado. E aprecie bem essa terra e essa gente!

domingo, 2 de agosto de 2015

Aí estão as Ruas Floridas do Redondo’15


Redondo, 1 de Agosto de 2015
As mais esperadas festas do Redondo – as Ruas Floridas – foram inauguradas ontem às 16:00 horas, decerto sob um sol abrasador e com cerca de 40 graus de temperatura, pelo que as visitei logo de manhã, quando ainda se davam os últimos retoques na preparação daquelas ornamentações de papel colorido que a imaginação humana consegue idealizar e concretizar. As temperaturas eram ainda relativamente amenas e os milhares de visitantes que haveriam de chegar em autocarros e automóveis só começaram a aparecer mais tarde, ou seja, é muito avisado que se vá cedo para estas coisas e, com certeza, acompanhado por bons amigos. Como sempre, a vila do Redondo estava preparada e mobilizada para a festa, com parques de estacionamento devidamente sinalizados, com as ruas limpas, as casas pintadas e com abundante distribuição de folhetos informativos, tornando muito agradável a circulação pedestre dos visitantes. O elemento central das festas são as suas ruas floridas que nos deslumbram e encantam com uma  ornamentação feita de papéis de muitas cores, laboriosamente transformados em flores pela imaginação dos redondenses. Embora não haja competição entre ruas, o facto é que o visitante acaba por hierarquizá-las em função dos temas, das cores e da criatividade. Como habitualmente, cerca de duas dezenas de pequenos restaurantes anunciam as suas especialidades e, para o verdadeiro gourmet é a oportunidade para juntar ao deslumbramento que são as ruas floridas, o outro deslumbramento que é o festival de sabores da cozinha local com o gaspacho alentejano, a sopa de cação, o cozido de grão, as migas à alentejana, os pézinhos de coentrada, o ensopado de borrego e tantas outras iguarias. Nessas circunstâncias, os amigos são ainda mais desejados.
As Ruas Floridas são, realmente, uma grande festa e um grande evento da cultura popular e vão decorrer até ao dia 9 de Agosto. Como dizem na televisão, é um programa a não perder.

sábado, 20 de dezembro de 2014

R.I.P. Vítor Crespo

Com 82 anos de idade faleceu Vítor Crespo, almirante da Marinha Portuguesa e um dos símbolos do 25 de Abril.
Conheci-o há 50 anos, quando numa sala de aulas e em frente de um quadro preto, nos iniciava na química das pólvoras e dos explosivos e nos deduzia os complexos modelos matemáticos da Balística. Era um professor competente e eu apreciava-lhe a solidez dos seus conhecimentos e o profissionalismo e o rigor com que preparava as suas aulas.
Depois, andamos por caminhos diferentes. Até que surgiu o “dia inicial inteiro e limpo”, o dia em que “emergimos da noite e do silêncio”, como se referiu Sophia à madrugada libertadora do 25 de Abril. Foram muitos os que então arriscaram as suas carreiras e, porventura, as suas vidas, para que recuperássemos a Liberdade e conquistássemos a Democracia. Alguns arriscaram mais do que outros. Assim aconteceu com o pequeno grupo de militares que, com determinação e coragem, esteve no Posto de Comando da Pontinha a comandar as operações que conduziram à queda do regime. Só depois soube que Vítor Crespo foi um desses homens. Esse facto ligou-o intimamente ao processo de democratização e, durante os anos em que durou a intervenção do MFA na vida política, muitas vezes em circunstâncias muito difíceis, Vítor Crespo foi um dos mais eloquentes exemplos do “espírito do 25 de Abril”, um homem de grande coerência cívica, sensibilidade política, invulgar carácter e enorme tenacidade, tendo prestado relevantes serviços ao nosso país.
Quando em 1982 foi extinto o Conselho da Revolução e os militares sairam da cena política, Vítor Crespo regressou à Marinha durante alguns anos, sem beneficiar de quaisquer direitos ou mordomias pelos serviços que prestara. Atingida a reforma e com mais tempo disponível, continuou a ter uma intervenção cívica exemplar e de grande coerência, designadamente no quadro da Associação 25 de Abril, mas também no convívio com os seus amigos que lhe reconheciam uma superior inteligência e uma sólida cultura. Ontem deixou-nos.
Homens destes marcam uma época e fazem-nos falta nos tempos que vão correndo!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Um grande embaixador que veio de Goa

Fátima, 13 de Outubro de 2014
A convite do Bispo de Leiria-Fátima, a última grande peregrinação internacional ao Santuário de Fátima do corrente ano foi presidida pelo Arcebispo de Goa e Damão, que é também o Patriarca das Índias Orientais e Primaz da Índia.
O respectivo titular é o Padre Filipe Neri António Sebastião do Rosário Ferrão, nascido em 1953 em Aldona, no norte de Goa, que foi ordenado em 1979 e nomeado bispo-auxiliar de Goa e Damão em 1993. Em 2004 foi escolhido por João Paulo II para dirigir a diocese que tem jurisdição eclesiástica sobre os territórios do antigo Estado Português da Índia. Fluente em várias línguas incluindo o português, o Arcebispo de Goa e Damão é um homem dotado de grande inteligência, erudição e sensibilidade social, pelo que goza de grande prestígio na sua diocese. 
A sua visita a Portugal e a sua presença nas cerimónias de Fátima que a televisão transmitiu em directo, excederam largamente o seu significado religioso, pois foi uma oportunidade para um encontro cultural entre Goa e Portugal e para um afectuoso convívio com a simpatia e o carisma pessoal do Arcebispo de Goa e Damão, que juntou muitos portugueses de origem goesa e muitos dos seus amigos e admiradores.
Numa conferência de imprensa realizada em Fátima, afirmou Dom Filipe Neri Ferrão que cresce o interesse pela cultura e língua portuguesas na sua diocese, depois de um período em que se verificou alguma hostilidade. Segundo disse, há cursos de português não só na Universidade de Goa, mas também em vários institutos de línguas, pois tem aumentado o número de pessoas que quer aprender português.
Nas suas intervenções públicas televisionadas e nas suas intervenções em ambientes mais restritos, o Arcebispo de Goa e Damão protagonizou um ponto alto da amizade entre Goa e Portugal e, de facto, foi um verdadeiro embaixador da excelência cultural e intelectual goesa.

sábado, 31 de maio de 2014

Barcelona

A Sagrada Família
Ao longo da minha vida tive a oportunidade de conhecer muitas cidades, quer em Portugal quer no estrangeiro, quase sempre por razões profissionais. Andei por cidades próximas e distantes, por grandes metrópoles e por pequenas cidades históricas. Visitei Faro e Viana do Castelo, Funchal e Angra do Heroísmo, Halifax e Filadélfia, Caracas e Rio de Janeiro. Estive em Roma e Budapeste, Heidelberg e Basileia, Bruges e Gotemburgo, Grenoble e Bratislava. Andei por Bissau e Argel, Pemba e Bangalore, Colombo e Cochim, Hong Kong e Singapura, Sydney e Baucau. Conheci Las Palmas e Palma de Maiorca, Toledo e Santiago, Zamora e Valência, Trujillo e Segóvia. Porém, eu nunca tinha estado em Barcelona e, só agora, isso aconteceu.
Barcelona é a capital da Catalunha, a pátria de Pablo Picasso, Joan Miró, Salvador Dali e Antoni Gaudi, mas também de Josep Carreras, Montserrat Caballé, Montserrat Figueras e Jordi Savall. É uma cidade monumental com grandes avenidas, muitas arquitecturas, muitos museus e muita oferta cultural. É uma cidade cosmopolita que atrai o turismo internacional e que entusiasma o visitante que percorre as Ramblas e as ruas estreitas do Barri Gòtic, a colina de Montjuïc e a frente marítima que acolheu os Jogos Olímpicos de 1992.
Um dos mais impressionantes ícones da cidade é o Templo Expiatório da Sagrada Família, conhecido simplesmente como Sagrada Família, concebido e desenhado por Antoni Gaudi, que muitas vezes é considerado como a sua obra-prima e que, ainda por acabar, já foi incluido na lista do património mundial da UNESCO. O monumental templo começou a ser construído em 1883 e Gaudi dedicou-lhe 40 anos da sua vida. Actualmente a construção do templo prossegue, com o respectivo financiamento a ser assegurado por receitas de bilheteira e contributos privados. Só em meados do século XXI se espera concluir a obra e, das suas previstas 18 torres, apenas 4 já estão concluídas.
Um dia espero poder voltar a Barcelona com os mesmos amigos que desta vez me acompanharam!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Voltar a Goa em peregrinação cultural

Os portugueses sempre tiveram uma acentuada vocação para sair do país em busca de locais mais ou menos exóticos para viver ou para trabalhar e, por isso, a diáspora lusitana encontra-se espalhada um pouco por todo o planeta. É uma característica marcante da identidade portuguesa e que terá começado no século XVI com a partida de marinheiros, soldados, mercadores e missionários que atravessaram os mares desconhecidos em direcção ao Oriente e ao Brasil, em busca de fortuna e de aventura. Essa marca cultural manteve-se ao longo do tempo, chegou aos nossos dias e, como ainda recentemente foi revelado numa série de programas da RTP, hoje há portugueses por todo o mundo, desde a Argentina ao Japão ou de Moçambique à Islândia. Partem por razões muito diversas e geralmente desenvolvem actividades muito diversificadas. São gestores, quadros superiores, técnicos especialistas, professores, trabalhadores indiferenciados ou, simplesmente, aventureiros. Integram-se muito bem nas sociedades locais e conquistam reputação social. Muitos fixam-se definitivamente nas terras de acolhimento, mas outros regressam, muitas vezes mais carregados de saudade do que de fortuna.
Porém, muitos dos que regressam continuam ligados às terras por onde passaram e viveram e, sempre que podem, regressam em “romagem de saudade” para rever amigos, revisitar locais, reviver paisagens e recuperar memórias. Neste sentido, para quem teve o privilégio de trabalhar em Goa, um regresso é uma prova emocional e uma peregrinação cultural muito estimulante. É isso que o JML vai agora fazer durante várias semanas. Que tudo lhe corra bem e que desfrute das estimulantes singularidades culturais de Goa, das peculiaridades da sua vida social e das suas vistas sobre o mar Arábico.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ele vive abaixo das suas possibilidades

Chama-se São Pedro do Rio Seco o local onde veio ao mundo quando a segunda guerra mundial já tinha terminado há alguns meses e eram altas as expectativas quanto aos tempos de paz que se aproximavam. O rapaz cresceu e estudou. Foi um aluno de excepção na Faculdade de Ciências e cumpriu o serviço militar na Marinha. Homem discreto, atento e inteligente, decidiu-se por uma carreira empresarial que teve muito sucesso, mas porque é solidário e generoso, não esqueceu as suas origens e tem dado o seu contributo para a valorização do seu torrão natal.
Atento observador do mundo e verdadeiro filósofo da sociedade contemporânea, juntou as suas regulares crónicas da blogosfera e publicou-as como “O Mundo em transição – Reflexões sobre crescimento, população, poluição e recursos naturais”. É um livro notável, escrito por um homem que sabe e que pensa, o que começa a ser raro no panorama editorial português.
A propósito dessa iniciativa, ontem juntou muitos amigos, figuras da cultura e da comunicação social, conterrâneos e colegas, jornalistas e companheiros de armas. Foi um notável acontecimento social e cultural, proporcionado por um homem notável que tem sabido viver “abaixo das suas possibilidades”. Foi na rua Ivens, ali ao Chiado, nas instalações do Grémio Literário, o clube criado em 1846 e que teve Alexandre Herculano como seu sócio nº 1. Tive o grato prazer de estar com o L.Q., que conheço e admiro desde há 45 anos.
 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Apesar do mau tempo no canal…


Sob o ponto de vista astronómico a Primavera chegou aos Açores há mais de três semanas, mas numa óptica puramente meteorológica parece que o Inverno se continua a estender pelo mês de Abril, pois há uma chuva intensa e persistente, quase quotidiana, assim como uma forte ventania com rajadas frequentes, pelo menos nas ilhas do Grupo Central. Nos canais do Faial e de S. Jorge, o mar corre dos quadrantes de oeste, mostra-se revolto e por vezes alteroso, com muita espuma e alguma rebentação na crista das ondas. O anticiclone continua emigrado para latitudes mais altas e, evidentemente, está a fazer muita falta, pois não se vêem embarcações na faina da pesca.
Porém, as lanchas do Pico desafiam todas as condições meteorológicas porque são tripuladas por marinheiros experientes e, apesar do “mau tempo no canal”, cumprem religiosamente os seus horários e fazem a travessia do canal com segurança. Assim, é sempre possível ir do Pico ao Faial ou da Madalena à Horta, regressando algumas horas depois, porque embora a navegação tenha algum desconforto, esse esforço é compensado pela alegria do reencontro com amigos de há muitos anos, daqueles com quem nos identificamos social e culturalmente e que, entre outras coisas, nos oferecem a partir da sua varanda, o mais deslumbrante panorama paisagístico que é possível apreciar nestas ilhas.
Muito obrigado! Que em breve tenham grandes alegrias, como merecem.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Divino Espírito Santo 2012

As famosas Festas do Espírito Santo que se realizam nos Açores a partir de Abril até Junho, apresentam características diferenciadas de ilha para ilha e de povoação para povoação, mas são bem características da vida religiosa e cultural dos açorianos. Diz-se que fazem parte da alma açoriana, pois ajudaram a desenvolver um sentido de comunidade que se manifesta intensamente nas ilhas e no exterior, levando muitos emigrantes a regressar às origens apenas para participar nas cerimónias e nos festejos do Espírito Santo.
As Festas do Espírito Santo foram trazidas do Continente com os primeiros povoadores e, na actualidade, conservam as suas características principais, incluindo uma grande devoção religiosa, um intenso colorido das cerimónias e uma acentuada feição popular. A festa é organizada pela Irmandade de mordomos e pelas suas famílias. As ruas são ornamentadas com luzes e bandeirinhas, as pessoas vestem os seus melhores fatos e as crianças divertem-se. Respira-se um ambiente de festa que envolve as pessoas da terra e das povoações vizinhas. O cortejo ou procissão deixa a casa do mordomo e dirige-se para a igreja, incorporando o mordomo, as rainhas, a banda de música, os foliões e o povo. A cerimónia religiosa é muito participada e inclui a coroação do imperador e das rainhas, repetindo-se depois o cortejo. De seguida, as oito centenas de participantes e convidados dirigem-se para o almoço - as sopas do Espírito Santo - para o qual foram abatidas quatro vacas!
Foi nas Terras, ali junto às Lajes do Pico e eu fui convidado pelo A.P. Agradeço-lhe esta oportunidade. Foram várias horas de grande espectáculo, em que se destacam as vertentes religiosa, musical, etnográfica e gastronómica!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma quase carreira da Índia

Encontramo-nos pela primeira vez em Bombaim em Setembro de 1998 quando, por razões profissionais, seguíamos para Diu com outros companheiros. Desde então tornámo-nos amigos, por necessidades profissionais e por afinidades culturais, a que se juntavam a cumplicidade e a solidariedade que habitualmente unem aqueles que vivem ou trabalham em distantes longitudes. Representávamos instituições distintas e, entre outros, tínhamos como desafio profissional comum a defesa e a promoção da língua e da cultura portuguesas. Em Goa. Ali convivemos com a diferença religiosa e com o multiculturalismo locais. Com as cores, os odores e os sabores. Com o calor extremo e com a diluviana chuva da monção. Observamos a realidade e compreendemos o meio social. Andamos pelas Fontainhas, pelo Altinho, por Miramar e por Dona Paula. Vimos como persistem muitas saudades e nostalgias de um tempo que passou.
Depois, terminada a missão, a vida continuou no rectângulo. Em Lisboa. Aqui nos encontramos com frequência. As nossas conversas centram-se invariavelmente em Goa, nos nossos amigos comuns, nas notícias da terra, nos progressos e nos retrocessos que acontecem, no que fizemos e no que poderíamos ter feito e na amargura que sentimos pela acelerada perda de influência da matriz cultural portuguesa em Goa, Damão e Diu, sem que as nossas autoridades percebam que é preciso inverter essa tendência.
Sempre que as finanças pessoais o permitem, cada um de nós regressa entusiasmado àquelas terras. A rever os amigos. A recuperar memórias. A matar saudades. É uma quase carreira da Índia dos tempos modernos. Eu estive lá em Outubro e o JML chegou lá há cinco dias. Estou a desejar-lhe que passe bem, como bem merece, na terra que bem conhece.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A famosa bebinca de Goa

O meu amigo CFC veio de muito longe em visita a Portugal e decidiu trazer-me uma bebinca numa pequena embalagem, tal como é actualmente comercializada em Goa.
A bebinca é uma das mais apreciadas iguarias da doçaria do antigo Estado Português da Índia e é um ícone da gastronomia indo-portuguesa, nascida da recíproca influência das tradições culinárias indiana e portuguesa ao longo de vários séculos de convívio e que continua viva. Na comunidade católica e especialmente nos estratos mais elevados da sociedade goesa, essa herança gastronómica continua a estar presente à mesa, embora nos restaurantes goeses raramente se encontrem os pratos e as sobremesas de influência portuguesa, como por exemplo o sarapatel, o chacuti, a cabidel e a feijoada, mas também alguns doces como o bolo sem rival ou a bebinca.
A bebinca é confeccionada com numerosas gemas de ovo, açúcar, cardamomo, leite de coco, farinha e manteiga, entre outros ingredientes possíveis, mas a sua origem não é conhecida com exactidão, embora tivesse sido adoptada e divulgada pelos portugueses e também faça parte das gastronomias de Macau e de Malaca.
Desde há alguns anos que a bebinca passou a ser vendida em embalagens que se encontram em alguns estabelecimentos de Goa. Porém, curiosamente, ainda é mais fácil encontrar a bebinca nos restaurantes goeses de Lisboa do que nos restaurantes de Pangim ou de Margão.