Mostrar mensagens com a etiqueta APLAUSO. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta APLAUSO. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

O automóvel e o sucesso de Carlos Tavares

Carlos Tavares é, provavelmente, o mais conhecido gestor português com currículo internacional e, na galeria de portugueses ilustres que atingiram um plano de destaque fora do país, ele está ao lado de muito poucos políticos, cientistas, artistas, escritores e futebolistas.
Ele é o presidente executivo do grupo automóvel PSA, que possui as marcas Peugeot, Citroën, DS, Opel e Vauxhall, tendo feito o anúncio dos resultados do exercício de 2019: uma facturação recorde de 74.700 milhões de euros, mais 1% do que no exercício anterior, uma margem operacional histórica de 8,5% e um lucro de 3.200 milhões de euros, correspondente a um aumento de 13,2% em relação ao exercício anterior.
Como consequência destes resultados, a PSA decidiu dar um bónus de 4.100 euros aos trabalhadores com salários anuais inferiores a 51.000 euros, enquanto os accionistas vão receber 1,23 euros por acção quando em 2018 tinham recebido 78 cêntimos, o que significa um aumento de 58%. Portanto, tanto o capital como o trabalho ficaram satisfeitos na PSA e Carlos Tavares tem sido elogiado pelos parceiros sociais.
Porém, se o grupo PSA vendeu menos 10% de veículos em 2019, isto é, vendeu menos 3,5 milhões de unidades, como foi possível atingir estes resultados? Ou, como é possível aumentar a rentabililidade quando as vendas baixam?
Segundo o jornal Les Echos, a estratégia de Carlos Tavares assentou na redução dos custos, tanto fixos como variáveis, mas também na melhoria dos preços de venda, sobretudo através do chamado princing power que é um ajustamento do preço em função das quantidades procuradas, o que permite aumentar a procura.
Em teoria a equação é simples e tem apenas três variáveis - custos fixos, custos variáveis e receitas das vendas – mas quando um grupo tem a dimensão da PSA e as suas muito diversas culturas, bem como a concorrência de outros poderosos fabricantes europeus de automóveis, então o desafio é certamente complexo. Porém, Carlos Tavares tem estado a vencê-lo.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

As danças e bailinhos da ilha Terceira


O Carnaval de 2020 já lá vai e através da televisão pudemos ver, no país e no estrangeiro, alguns desfiles de elevada estética decorativa em termos de indumentárias, de carros alegóricos e de participação artística, sempre com muito entusiasmo popular, embora quase sempre constituam  representações que apenas pretendem atrair o turismo.
O Carnaval também é assim em Portugal e, cada vez mais, é uma indústria que alguns pretendem seja uma indústria cultural. Porém, muitas das representações que nos são servidas de Loulé, de Ovar ou de Torres Vedras, para apenas citar alguns carnavais de maior notoriedade nacional, misturam situações de reconhecida criatividade, humor e alegria, com exibicionismos de muito mau gosto, como se o Carnaval fosse um passaporte para a vulgaridade e para a foleirice. 
Há, contudo, um Carnaval que tem o meu vivo aplauso. Festeja-se na ilha Terceira e dele deu ontem notícia o Diário Insular que se publica em Angra do Heroísmo, embora o jornal pudesse ter escolhido uma fotografia mais feliz para a capa.
As danças e bailinhos da ilha Terceira são o ponto central do Carnaval terceirense e mobilizam milhares de pessoas por toda a ilha, numa demonstração de genuíno entusiasmo popular. Formam-se dezenas de grupos de músicos e actores amadores que, desde sábado a terça-feira de Carnaval, percorrem a ilha apresentando-se continuamente num espectáculo que dura cerca de uma hora em cerca de quatro dezenas de salas, onde a entrada é gratuita e onde a população se diverte pela cenografia e pelos conteúdos de crítica social que são apresentados.
O gosto pelas danças e bailinhos da ilha Terceira tem aumentado significativamente nos últimos anos e são frequentes as presenças de grupos que se deslocam dos Estados Unidos e do Canadá para apresentarem os seus bailinhos. É realmente uma festa única que os terceirenses reivindicam como património da criatividade do povo. O reconhecimento vem a caminho, pois está em curso uma consulta pública para o registo das Danças, Bailinhos e Comédias do Carnaval da Ilha Terceira no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial… que vai ser bem sucedida, naturalmente.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ricardinho, a grande estrela do futsal

Por razões históricas de ordem diversa, Portugal só se começou a modernizar há pouco tempo e como consequência disso, em diversos sectores de actividade, começou a surgir gente de muito talento, havendo mesmo quem se tenha destacado a nível mundial. Na Política é costume citarem-se os nomes do secretário-geral das Nações Unidas, do presidente da Comissão Europeia ou do presidente do Eurogrupo, enquanto na Cultura são referidos habitualmente os nomes de José Saramago, de Paula Rego ou de Siza Vieira. Porém, no desporto e em especial no futebol, a lista começa a ser extensa com o famoso Cristiano Ronaldo à cabeça. Porém, nem todas estas personalidades têm direito a aparecer nas primeiras páginas dos jornais, como aconteceu ontem com Ricardo Filipe da Silva Braga, mais conhecido no mundo do futsal por Ricardinho, a quem o jornal francês L’Équipe dedicou a sua primeira página, o que significa que mais de 300.000 fotografias dele foram distribuídas por todo o país, o que naturalmente enche de orgulho os portugueses que vivem em França.
Ricardinho é uma superestrela e foi eleito o melhor jogador de futsal do Mundo em 2010, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, tendo jogado em clubes portugueses (Miramar e Benfica), japoneses (Nagoia Oceans), russos (CSKA Moscovo) e espanhóis (Inter Movistar). Agora vai jogar num clube francês (Asnières) e, certamente, vai mostrar a sua arte nos recintos franceses e entusiasmar os seus compatriotas. Portanto, que viva o Ricardinho!

sábado, 11 de janeiro de 2020

Um brilharete do andebol português

O Campeonato da Europa de Andebol ou 2020 European Men's Handball Championship que se disputa em três países (Suécia, Áustria e Noruega) e em seis cidades (Estocolmo, Malmö, Gotemburgo, Viena, Graz e Trondheim), iniciou-se no dia 9 de Janeiro e terá a sua final no dia 26 de Janeiro em Estocolmo. É a 14ª edição desta prova.
A selecção nacional portuguesa participou em cinco das treze edições já realizadas, a última das quais em 2006 e, cerca de catorze anos depois, volta a estar presente numa fase final, o que só por si é um acontecimento relevante no nosso panorama desportivo. Os 24 participantes nesta fase final estão divididos em seis grupos e Portugal ficou colocado no Grupo D, juntamente com a Noruega que joga “em casa” e se classificou em segundo lugar nos dois últimos Mundiais, com a França que venceu esta prova por três vezes, já foi campeã do mundo por seis vezes e ficou em terceiro lugar no último Mundial e, ainda, com a Bosnia Herzegovina. Em termos de lógica desportiva e de peso curricular, os dois apurados deste grupo para passarem à fase seguinte serão a França e a Noruega, dois verdadeiros tubarões do andebol mundial. 
Porém, ontem em Trondheim a equipa portuguesa bateu a selecção francesa por 28-25 e esse resultado vai ficar na história do andebol português, mesmo que os próximos resultados sejam desfavoráveis. O jogo foi transmitido em directo pela televisão e foi realmente um grande espectáculo desportivo, pelo que aqui exprimo o meu aplauso ao andebol português, de que fui um modesto praticante.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A morna : de Cabo Verde para o mundo

Depois de em 2009 ter visto o centro histórico da cidade da Ribeira Grande, conhecido como Cidade Velha, ser classificado pela Unesco como património da Humanidade, a República de Cabo Verde viu agora aprovada a candidatura da morna a património cultural imaterial da Humanidade.
A morna é um género musical típico e é considerada a música-rainha de Cabo Verde, sendo uma mistura de estilos musicais com fortes raízes africanas e com influências da modinha luso-brasileira. É geralmente acompanhada por viola, cavaquinho, violino e piano, mas o instrumento clássico da morna é o violão, introduzido em Cabo Verde no século XIX.
Segundo um texto divulgado pela comissão de candidatura, a morna é uma canção melancólica “interpretada em crioulo cabo-verdiano por uma voz solista, homem ou mulher, apesar de existirem mornas apenas instrumentais, versando temas lírico-passionais e sendo muito vinculada ao sentimento do amor, ao sofrimento, à saudade, à ternura, à tristeza, à ironia e à boa ou má sorte do destino individual”.
Durante muitos anos a morna esteve confinada ao arquipélago de Cabo Verde e era pouco conhecida no exterior, até que surgiu Cesárea Évora que internacionalizou a morna cabo-verdiana. Por isso, o semanário Expresso das Ilhas ilustrou a primeira página da sua última edição com a fotografia de Cesárea, a rainha da morna que faleceu em 2011. Para quem ouviu a morna ser cantada no Mindelo há mais de cinquenta anos e depois viu Cesárea Évora actuar em Lisboa algumas vezes, a sua classificação pela Unesco é um motivo de grande satisfação e de aplauso.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

No futebol a alegria do povo é a vitória


É verdade que o futebol é cada vez mais um produto muito pouco recomendável, porque a beleza do espectáculo vem sendo substituída por uma doentia alienação das pessoas alimentada pelos mass media; é verdade que os espaços que as estações televisivas dedicam às discussões sobre o futebol são longos, desinteressantes, pouco educativos e quase obscenos, constituindo um ataque à inteligência das pessoas; é verdade que à volta do futebol vive uma panóplia de interesses com transferências, patrocínios, comissões, transmissões televisivas, direitos de imagem e outras actividades assessórias que fazem daquele espectáculo um negócio.
É verdade tudo isso mas, apesar dessas realidades, eu gosto de ver aqueles “artistas” durante os 90 minutos em que “trabalham”, com os golos e os remates fora da área, os dribles e os livres directos, as defesas espectaculares, a ansiedade no momento do penalti e a alegria vibrante dos adeptos.
Ontem a selecção portuguesa de futebol - ou como certa imprensa costuma dizer Ronaldo & Companhia – ganhou ao Luxemburgo. O jogo não entusiasmou e até foi enervante, mas a vitória bastou para que todos ficassem contentes. O povo gosta mais de vitórias do que de bons espectáculos de futebol. A derrota, mesmo que num bom espectáculo não interessa, pois não alimenta as emoções. Ganhar é que é importante e Portugal apurou-se para o Euro 2020. Foi a 11ª vez consecutiva que isso aconteceu em Mundiais e Europeus, isto é, desde o ano de 2000 que a equipa portuguesa não falha uma grande competição internacional. Ora isso é uma grande alegria para o povo e eu partilho dessa alegria. Portugal sorri e eu aplaudo!

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Um cartoon inteligente ajuda a esclarecer

Democratic Funeral (In www.cartoonmovement.com)
A situação por que passa o Reino Unido em relação ao Brexit é realmente lastimável e perigosa. Já está quase tudo dito sobre o assunto e já ninguém consegue prever o que vai acontecer, nem como ou quando vai acontecer.
Hoje é sabido que o referendo promovido por David Cameron foi precipitado e que poucos sabiam no que estavam a votar, pelo que em função do inesperado resultado que deu a vitória ao leave, se demitiu.
Depois sucedeu-lhe Theresa May que tratou de conduzir negociações em Londres e em Bruxelas, para conseguir um acordo de saída da União Europeia, mas que não levaram a lado nenhum, pelo que também se demitiu.
Apareceu depois Boris Johnson, com o seu ar de adolescente extravagante e estarola, que incitado pelo radical Donald e apesar de não ter mais apoios do que tivera May, decidiu avançar e perdeu... mas sem se demitir. No sentido de ganhar tempo e com todo o aspecto de golpe, Boris Johnson decidiu neutralizar durante algumas semanas o Parlamento que o contrariou, pelo que precisou e teve o apoio institucional da Rainha. Porém, o Supremo Tribunal da Escócia veio acusar o Boris de “ter enganado a Rainha” e já considerou a decisão contrária à lei, pelo que deve ficar sem efeito. Estamos, portanto, em mais um dos muitos imbróglios em que o Brexit tem sido fértil.
Tudo isto tem um teor de gravidade tão grande que preocupa meio mundo, embora o outro meio mundo aproveite para caricaturar e ridicularizar esta situação. Foi o que fez  o cartoonista português Vasco Gargalo no seu trabalho “Democratic funeral”, com muita inteligência e perspicácia. Aqui lhe deixo as minhas felicitações. 

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Subir ao topo dá mesmo muito trabalho

Na Sala Cid dos Santos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa assisti hoje às provas públicas de doutoramento de um amigo de há muitos anos e tive a grande alegria de presenciar a forma como foi justamente reconhecido e elogiado pelos seuspares. Foi, por isso, um dia memorável para o meu amigo, para a sua família e para aqueles que, como eu, prezam aquele jovem médico tão devotado à carreira que escolheu.
Não costuma ser aconselhável que se fale dos amigos, porque há sempre uma natural tendência para o exagero no elogio e no uso do adjectivo, mas este caso é realmente incontornável porque, se não é único, é mesmo um caso muito raro e, por isso, aqui lhe deixo uma breve mensagem.
O meu amigo, que entrou naquela sala como candidato, apresentou-se perante o meretíssimo júri depois de mais de vinte anos de estudo e de trabalho hospitalar e após ter adquirido experiências e saberes em alguns centros de referência mundial, desde os Estados Unidos ao Japão, para além de um longo período de investigação clínica no mais conhecido hospital de Barcelona.
Porém, para atingir o patamar de excelência a que chegou, não confiou apenas na sua privilegiada inteligência, nem nas suas superiores qualidades de trabalho e de metódica organização. Venceu todas as barreiras com a humildade, a solidariedade e a esmerada educação que o caracterizam. Definiu um objectivo e uma estratégia, não dando tréguas à sua avidez pelo conhecimento científico, nem pela sua valorização profissional. Durante mais de vinte anos estudou com determinação e persistência, adiou outros projectos e privou-se de muitas coisas, mas tornou-se um bom médico, daqueles que acompanham e se interessam pelos seus pacientes.
A sua tese intitilou-seNon-tumoral portal vein thrombosis in patients with and without cirrhosis – Clinical significance, natural history of varices and efficacy of anticoagulation”. No fim, os elogios foram unânimes e o júri aprovou-o com distinção e louvor, por unanimidade. É a mais alta classificação que pode ser atribuida a um doutoramento. Fiquei orgulhoso. Parabéns ao CNF.

sábado, 31 de agosto de 2019

O topo do mundo para o Jorge Fonseca

Eu nunca tinha ouvido falar no Jorge Fonseca e ontem fui surpreendido com a notícia de que se tinha sagrado campeão do mundo de judo na classe -100 kg, ao vencer o russo Niyaz Ilyasov. As televisões repetiram muitas vezes aquela notícia e anunciaram que, pela primeira vez, um judoca português tinha sido campeão mundial.
Para quem, como eu, pensava que o judo português era a Telma Monteiro e a sua sempre adiada ascensão ao topo do mundo, foi muita surpresa mas também foi uma grande satisfação. O hino nacional foi ouvido em Tóquio e foi muito emocionadamente cantado pelo Jorge Fonseca, que nasceu em São Tomé e Príncipe, mas que veio para Lisboa há cerca de 15 anos. Disse ele que ouvir o hino foi uma situação incrível e que esperava voltar a ouvi-lo muitas vezes, o que é muito animador quando estamos a um ano dos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Poucos imaginam os sacrifícios, as privações, o trabalho e a persistência que são exigidos na preparação dos atletas de alta competição, mas o título de Jorge Fonseca certamente que o compensa de tudo isso.
Os jornais generalistas portugueses deram a notícia em primeira página, mas com muita discrição, enquanto dois jornais desportivos esqueceram o futebol por um dia e perceberam a importância do feito atlético do Jorge Fonseca, dedicando-lhe toda s sua primeira página. Aqui fica, também, o meu aplauso porque, exceptuando os hoquistas, são muito raros os campeões do mundo portugueses.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Plácido Domingo: a ovação em Salzburgo

O tenor espanhol Plácido Domingo, que actualmente conta 78 anos de idade, foi recentemente acusado nos Estados Unidos por supostamente ter assediado sexualmente nove mulheres, das quais sete nem sequer se identificaram.
Este tipo de acusações contra figuras proeminentes e ricas é comum no país mais poderoso do mundo, mas o senso comum percebe sem dificuldade que, muito provavelmente, se tratam de tentativas de extorsão que é uma prática comum numa sociedade em que o dinheiro é o valor mais importante de tudo.
Nestes casos de assédio sexual, real ou fictício, a moralidade americana é ridícula e extravagante, regendo-se por padrões muito diferentes dos padrões europeus e da cultura latina, chegando a haver acusações que resultam apenas de olhares ou de piropos, nem sempre mal intencionados.  Por isso, de vez em quando lá aparece na América mais um caso em que um indivíduo rico e famoso é vítima de uma acusação dessas. Foi assim, por exemplo, com Dominique Strauss-Kann, o antigo director do FMI e potencial candidato à Presidência da República Francesa, foi assim com Cristiano Ronaldo que foi e é o melhor futebolista do mundo e é, agora, com Plácido Domingo, considerado a maior estrela da ópera internacional. Todos eles são estrangeiros, estiveram na América e são ricos, pelo que são alvos interessantes para quem vive de extorsões e de indemnizações por tudo e por nada. Não sei se são culpados ou não das acusações que lhes têm feito, mas o facto é que lhes têm saído caras sob todos os pontos de vista.
Ontem Plácido Domingo apareceu pela primeira vez num espectáculo desde que surgiu a acusação e o público do Festival de Salzburgo ovacionou-o de pé antes e depois da sua actuação. Alguns jornais espanhóis, como por exemplo La Razón, juntaram-se ao público de Salzburgo e também aplaudiram o tenor. 

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A dinâmica da cultura portuguesa em Goa

Quando se aproximam sessenta anos do traumático fim do Estado Português da Índia e quando a chamada geração da saudade vai desaparecendo pela natural sequência da lei da vida, os sinais de resistência da cultura portuguesa à crescente indianização do Estado de Goa continuam a ser muito fortes. Apesar de existir um Consulado-Geral em Goa e algumas instituições culturais públicas e privadas portuguesas que, certamente desenvolvem algumas actividades culturais, o facto é que são as iniciativas da sociedade civil e em especial das novas gerações de goeses, que estão a revelar-se com muito interesse e com um enorme dinamismo em prol da cultura portuguesa.
A música, de que os goeses são singularmente entusiastas, tem sido o principal veículo de promoção da cultura portuguesa em Goa, especialmente através do fado. Foi assim antigamente, mas depois de 1961 esse interesse estagnou ou passou a ser politicamente desadequado à nova realidade goesa. Porém, nos últimos anos tem havido vários jovens que se têm dedicado ao fado e alguns músicos que se tornaram exímios executantes da guitarra portuguesa.
O recém-criado Centre for Indo-Portuguese Arts (CIPA) vai inaugurar em Pangim, no próximo dia 15 de Agosto, a sua Madragoa – casa do fado e mandó. É, seguramente, um momento alto da vida cultural goesa, no qual se juntam dois dos mais talentosos músicos goeses – Orlando de Noronha e Carlos Meneses – a acompanhar a voz da fadista Sonia Shirsat.
Já que não posso estar lá como gostaria, daqui envio o meu forte aplauso à iniciativa daqueles bons amigos que espero seja gratificante, contagiante e duradoura.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Os portugueses são campeões do mundo

O desporto é um dos fenómenos sociais mais relevantes do nosso tempo, embora esteja cada vez mais dominado por interesses diversos, alguns deles bem perversos. Porém, o que é inquestionável é a riqueza estética do espectáculo desportivo e as emoções que suscita, muitas delas traduzidas em rivalidades e em hostilidades condenáveis, mas outras bem positivas. Foi o que sucedeu ontem em Barcelona com a vitória portuguesa no Campeonato do Mundo de hóquei em patins, depois de 16 anos de interregno e de seis vitórias espanholas nos últimos sete campeonatos, que gerou uma enorme alegria nas bancadas onde se encontravam muitos portugueses e que as televisões não se cansaram de enaltecer em todos os noticiários. Depois de ter defrontado as equipas da Colômbia, do Chile e da Argentina na primeira fase, a equipa portuguesa encontrou as poderosas equipas da Itália e da Espanha nas fases seguintes e chegou à final, onde reencontrou a Argentina. Tal como acontecera na primeira fase, o resultado foi um empate, mas no desempate por grandes penalidades conseguiu o triunfo que constitui o seu 16º título mundial. Segundo refere toda a imprensa o artífice principal deste triunfo foi o guarda-redes Ângelo Girão que parece ter uma especial habilidade para defender grandes penalidades.
Portugal tem agora 16 vitórias nos 44 campeonatos mundiais já disputados, enquanto a Espanha tem 17, a Argentina 5, a Itália 4 e a Inglaterra 2, mas a selecção portuguesa é a que mais vezes subiu ao pódio: 44 vezes.
O prestígio de Portugal no mundo mede-se pela qualidade da sua democracia, pela sua estabilidade social, pelo seu desenvolvimento económico, pela sua riqueza cultural, pela aposta na ciência, pelos seus combates contra a desigualdade e a pobreza, pela protecção do ambiente e da paisagem, pelo valor do seu património arquitectónico e por muitos outros indicadores, mas também pelos êxitos desportivos das suas equipas e dos seus atletas. Ontem, em Barcelona foi apenas mais um, embora o título do jornal A Bola seja um notório exagero, quase a roçar o ridículo.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Unesco classificou dois bens portugueses

O Palácio Nacional de Mafra e o Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga foram declarados como bens culturais importantes durante a 43ª sessão do Comité do Património da Unesco realizada em Baku, no Azerbaijão, passando a integrar a respectiva lista do Património Mundial. Desta forma, são agora 17 os monumentos ou locais portugueses classificados pela Unesco, o que é um motivo de grande regozijo nacional, embora também seja uma responsabilidade acrescida para os portugueses e para as suas instituições com intervenção na área do património cultural, na medida em que implica mais atenção quanto à sua preservação e manutenção.
No caso de Mafra foi classificado o conjunto composto pelo Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco e Tapada de Mafra, o que abre perspectivas de valorização futura desta região e deste importante conjunto patrimonial. Mafra partilhou a satisfação e os festejos com Braga, pois o Santuário do Bom Jesus do Monte também foi classificado. pela Unesco.
Havia 35 propostas para serem apreciadas em Baku e, segundo relatou a imprensa, especialmente o Público que chamou o tema à sua primeira página, as duas candidaturas portuguesas suscitaram dúvidas que foram esclarecidas e permitiram a sua aprovação. Uma outra candidatura que também foi aprovada era brasileira e propunha a classificação do Centro Histórico de Paraty e a Ilha Grande, o que faz com que a lista dos chamados “patrimónios mundiais de origem portuguesa no mundo” também tenha sido aumentada.
Significa que das 35 candidaturas apreciadas em Baku, três “falavam” português, o que é muito significativo.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

António Guterres é referência mundial

António Guterres, o cidadão português que ocupa o cargo de secretário-geral das Nações Unidas foi escolhido pela revista Time para ilustrar a capa da sua última edição, a propósito da sua luta pela defesa do ambiente e do seu combate contra as alterações climáticas. Na fotografia utilizadada, António Guterres aparece de fato e gravata, com ar de poucos amigos e com água pelos joelhos, sendo essa imagem completada com as frases “oceanos a subir, residentes em fuga, aldeias a desaparecer. O nosso planeta está a afundar-se”.
A mensagem é objectiva e reflecte uma situação que começa a ser dramática, pela sucessão de acontecimentos meteorológicos anormais – ciclones devastadores, cheias torrenciais, incêndios florestais, secas severas, entre outras calamidades.
O Acordo de Paris celebrado em 2015 foi patrocinado pelas Nações Unidas e visou a redução de emissão de gases estufa a partir de 2020, a fim de conter o aquecimento global, mas o anúncio da saída dos Estados Unidos e as reticências do Brasil, são apenas algumas das dificuldades que estão a colocar em causa os objectivos do acordo.
A iniciativa da Time relança o problema das alterações climáticas que Guterres considera “a batalha das nossas vidas”. O tempo está a esgotar-se, o “planeta está a afundar” e essa realidade torrnou-se uma bandeira para o antigo primeiro-ministro português, pelo que foi escolhido para ilustrar a capa de uma das mais importantes revistas internacionais. Naturalmente, a escolha da Time agrada-nos e reforça o estatuto de figura mundial de António Guterres. Até agora apenas dois portugueses tinham aparecido na capa daquela prestigiosa revista: António Salazar em 22 de Julho de 1946 e António de Spínola em 6 de Maio de 1974. Agora foi o terceiro um terceiro António fez capa da Time.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A alegria do povo está mesmo no futebol

A selecção portuguesa de futebol venceu ontem a primeira edição da Liga das Nações, ao bater a equipa da Holanda por 1-0 na final realizada na cidade do Porto. Num jogo emocionante e muito equilibrado, a vitória resultou de uma superior exibição dos jogadores portugueses, que jogaram bem e dominaram o seu adversário. Depois de ter vencido o Euro 2016, o triunfo na Liga das Nações 2019 inscreve a selecção portuguesa na galeria das melhores selecções mundiais de futebol e, neste tempo em que o futebol parece tudo dominar desde a política à economia, o acontecimento torna-se relevante, tanto interna, como  internacionalmente.
Sem dúvida que, por circunstâncias diversas, Portugal atravessa um período de grande entusiasmo em que a auto-estima dos portugueses é muito alta, pelo que esta vitória foi mais um contributo para a euforia nacional e deu origem a grandes manifestações populares de alegria. Naturalmente, a fotografia dos vencedores da Liga das Nações ilustrou a capa de toda a imprensa portuguesa.
O povo que trabalha, que paga impostos e que, impotente, assiste aos desmandos do novo-riquismo e da trafulhice bancária que por aí se passeia, bem mereceu mais esta alegria resultante dos pontapés do Ronaldo e do Guedes, mas também das defesas do Patrício. A alegria do povo está mesmo no futebol e hoje, que é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a vitória no futebol até parece ter sido encomendada e vai certamente estar presente, pelo menos no subconsciente nacional, nas cerimónias que se realizarão em Portalegre e em Cabo Verde.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Leonardo da Vinci, o génio renascentista

Se houvesse que escolher a personalidade mais influente ou mais importante da história da Europa, dificilmente se encontraria um nome consensual.
Se houvesse que escolher não uma mas um grupo de dez personalidades, a tarefa ainda tinha grandes dificuldades, pois surgira um nunca mais acabar de nomes de importantes filhos deste Velho Continente e, nessa lista apareceriam Beethoven, Picasso, Mozart, Shakespeare, Werner von Braun, Newton, Gutemberg, Rembrandt, Galileu, Max Weber, Churchill, Vasco da Gama, Pasteur, Karl Marx, Adam Smith, Kant, Gorbachev, Fernão de Magalhães, Marconi, Descartes, Einstein, Miguel Angelo, Bismarck, Arquimedes, João Paulo II, Leão XIII e muitos, muitos outros, homens de talento.
Porém, o nome de Leonardo da Vinci iria provavelmente entrar na short list das mais importantes personalidades da história da Europa, porque foi um dos seus mais talentosos filhos, destacando-se como pintor, matemático, cientista, inventor, engenheiro, escultor, arquitecto, anatomista, botânico, poeta e músico. É o maior símbolo do Renascimento, esse movimento cultural que libertou a Europa das trevas do feudalismo. Pois Leonardo da Vinci, o homem que pintou a Mona Lisa, a Última Ceia e que muitos consideram o maior génio que a Humanidade alguma vez produziu, faleceu no dia 2 de Maio de 1517 na cidade francesa de Amboise.
Perfazem-se hoje 500 anos sobre essa data e não deixa de ser curioso que essa efeméride tivesse sido ignorada pela generalidade da imprensa europeia. Por isso, a evocação que o semanário Expresso fez na sua última edição, reproduzindo o seu famoso auto-retrato na capa da sua Revista,  merece o nosso aplauso.

MRS e a grande viagem que fez à China

O nosso Presidente da República esteve na China em visita oficial e, segundo os relatos que nos vão chegando, correu tudo muito bem e MRS deu mais um bom contributo para que o prestígio de Portugal fosse acrescentado. Se os chineses têm a rota da seda, nós temos a rota de Marcelo
Apresentando-se em boa forma física, MRS não parou e esteve em Pequim e em Xangai, visitou a Grande Muralha e a Cidade Proibida e, por fim, passou por Macau. Como de costume levou acompanhantes institucionais e vários jornalistas, provavelmente mais do que seria necessário, ficando a ideia de que as viagens presidenciais já não são as excursões turísticas do antigamente, mas que ainda integram demasiados adesivos. As televisões corresponderam aos convites presidenciais e foram muito generosas nos tempos de antena que deram a MRS que, assim, consolida a sua corrida para novo mandato.
MRS parece ter apreciado especialmente Macau, o que é natural. Encontrou muitas marcas da identidade portuguesa, dissertou sobre a natureza do pastel de nata e cruzou-se com multidões curiosas que, naturalmente, exigiram as inevitáveis selfies. O jornal Ponto Final, um dos quatro jornais macaenses que se publicam em português, diz na sua edição de hoje que em Macau disparou a devoção ao Presidente dos afectos. De facto, o que agora aconteceu em Macau e que recentemente tinha acontecido em Angola e antes em Moçambique, não é apenas uma reacção à singular personalidade pessoal e cultural de MRS, mas também é uma prova das especiais relações afectivas dos portugueses com os povos com quem conviveram durante séculos, que se afigura ser bem mais forte do que as circunstâncias negativas do domínio colonial.
As visitas de MRS aos espaços do nosso antigo império têm contribuído em acentuado grau para criar e reforçar pontes de amizade e de cooperação, mas também para valorizar a herança cultural e afectiva de Portugal no mundo. Viva!

quarta-feira, 13 de março de 2019

O dia da ressureição de Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo nasceu no Funchal há 34 anos e muita gente pensa que essa idade já não é recomendável para jogar futebol, sobretudo na alta-roda das competições internacionais e, ainda por cima, como atacante.
Quando em Julho de 2018 o famoso futebolista deixou Madrid a caminho de Turim, eu pensei, e muitos pensaram como eu, que a Juventus não tinha comprado um futebolista por 100 milhões de euros, mas que adquirira, sobretudo, um ícone publicitário ou uma imagem de marca, para melhorar o marketing do clube e para o ajudar a voltar ao topo do futebol europeu.
O tempo parecia dar razão a essas pessoas, pois Cristiano Ronaldo deixou de aparecer na selecção portuguesa, teve problemas com o fisco espanhol e com a justiça americana e pareceu ter perdido o seu habitual alto rendimento futebolístico. Até a Bola de Ouro lhe escapou para Luka Modric, o croata que fora seu companheiro no Real Madrid.
Porém, Cristiano Ronaldo ressuscitou ontem em Turim e tratou de pôr em delírio um estádio cheio e os adeptos da Juventus. Defrontando o Atletico de Madrid e, depois de ter perdido por 2-0 no primeiro jogo disputado na capital espanhola, desforrou-se com 3-0 e passou aos quartos de final da Liga dos Campeões. Cristiano Ronaldo marcou os três golos e a imprensa italiana, mas também a espanhola, a portuguesa e a latino-americana esgotaram os adjectivos elogiosos.
Até La Gazzetta dello Sport, a "bíblia" do futebol italiano, se rendeu a Cristiano Ronaldo. É mesmo um caso raro de talento futebolístico que bate todos, ou quase todos, os recordes do mundo do futebol.

terça-feira, 5 de março de 2019

Uma celebração ibérica para Magalhães

A edição de ontem do jornal Público dedicou quatro páginas a Fernão de Magalhães, o navegador português que há 500 anos largou de Sanlúcar de Barrameda com 5 navios e 234 homens para navegar por ocidente até às Molucas. Numa altura em que a hegemonia náutica mundial pertencia aos portugueses, o navegador Fernão de Magalhães foi oferecer os seus serviços ao rei de Espanha para demonstrar que, nos termos do Tratado de Tordesilhas, as Molucas pertenciam a Espanha. Foi, objectivamente, um traidor ou um mercenário. Depois de ter descoberto a passagem do Atlântico para o Pacífico e ter atravessado esse oceano, veio a ser morto numa escaramuça numa ilha das Filipinas. Naquela situação desesperada, foi o basco Juan Sebastián Elcano que assumiu o comando da expedição e que decidiu regressar a Espanha pela rota dos portugueses, isto é, pelo cabo da Boa Esperança. Assim, sem que essa fosse a intenção inicial da sua missão, a nau Victoria acabou por fazer a circumnavegação da Terra, tendo regressado a Espanha em 1522.
O jornal Público decidiu tratar o assunto. Embora o jornal continue a não satisfazer totalmente as minhas necessidades informativas, reconheço que é o quotidiano português que mais procura divulgar temas de menor interesse geral, como sejam a Ciência, a Tecnologia e a Cultura e, neste caso, a História. Naturalmente que aplaudo esta linha editorial que foge ao sensacionalismo que não distingue notícia de opinião, que condena sem julgamento e que abre as suas páginas a comentadores de vão-de-escada. Por isso, aqui aplaudo o jornal por contribuir para a divulgação desta efeméride que é ibérica e que, como tal, deverá ser estudada e evocada neste seu 500º aniversário.

domingo, 3 de março de 2019

Roger Federer chegou às 100 vitórias!

Roger Federer, o tenista suiço de 37 anos de idade, ganhou ontem o Open do Dubai e atingiu o seu 100º título ATP (Association of Tennis Professionals).  O jornal L’Équipe destaca esse grande feito desportivo e, imagine-se, por uma vez não coloca o futebol e os seus negócios de compra e venda de jogadores na sua primeira página.
Roger Federer é realmente um caso notável e, nos registos dos rankings ATP, aparece sempre nos primeiros lugares, incluindo na lista de títulos do Grand Slam em que também é recordista com 20 títulos. Além disso, ele tem um recorde de ter estado, entre os anos de 2004 e 2018, durante 310 semanas como número 1 do ténis mundial.
O Open do Dubai é um torneio ATP 500 e, por isso, não teve a presença dos principais tenistas da actualidade que, naturalmente, fazem a gestão que lhes interessa das suas participações nos torneios que se realizam por todo o mundo. Assim, Roger Federer encaixou um prize money de 511.750 dólares e atingiu a sua 100ª vitória de uma carreira vitoriosa que começou em 2001 em Milão.
Os especialistas dizem que é o maior tenista de todos os tempos e o facto é que aos 37 anos de idade, continua a ganhar. É caso para aplaudir, porque o sucesso na alta competição não depende só do talento, mas também de muito trabalho metódico e persistente.