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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Mbanza Kongo inscrita pela UNESCO

A 41ª reunião do World Heritage Committee da UNESCO, realizada na cidade polaca de Cracóvia, decidiu no passado dia 9 de Julho inscrever o centro histórico de Mbanza Kongo, no norte de Angola, na sua Lista do Património Mundial. Foi a primeira vez que um sítio angolano foi classificado pela UNESCO e o jornal Cultura – Jornal Angolano de Artes e Letras deu o devido destaque a este acontecimento de grande importância cultural para a preservação do património angolano.
Mbanza Kongo foi a capital do antigo reino do Congo, tendo sido fundada antes da chegada dos portugueses àquela região que aconteceu em finais do século XV e que a baptizaram como São Salvador do Congo. Pouco tempo depois, no ano de 1549, por influência dos missionários católicos portugueses, foi construída uma igreja que em 1596 foi elevada ao estatuto de catedral e que é considerada a mais antiga da África Sub-Saariana. O historial da cidade refere a realização de conversões em massa naquela região, mas algumas guerras civis ocorridas no século XVII levaram ao seu abandono, até que no início do século XVIII a cidade foi definitivamente reocupada.
Depois da independência de Angola a cidade voltou a chamar-se Mbanza Kongo e hoje é sede de um município da província do Zaire.
Segundo informa a UNESCO, a área agora classificada mostra, como em nenhum outro local sub-saariano, a influência causada pela chegada dos portugueses e a introdução do Cristianismo e situa-se junto da residência do rei do Congo, da árvore sagrada, dos lugares funerários e dos vestígios das casas de pedra construídas pelos portugueses segundo as técnicas europeias.

terça-feira, 18 de julho de 2017

A imprensa ignora os nossos campeões

Fernando Pimenta: vice-campeão olímpico,
campeão do Mundo e campeão da Europa
O canoista Fernando Pimenta é um dos poucos atletas portugueses que já ganharam medalhas olímpicas, pois em 2012 conquistou uma medalha de prata na prova de K2 1000 metros nos Jogos Olímpicos de Londres. Depois, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, as coisas correram mal, foi derrotado e ele protagonizou a desilusão portuguesa. Porém, ao longo da sua carreira desportiva, Fernando Pimenta já ganhara 5 medalhas de ouro, 4 medalhas de prata e 4 medalhas de bronze em Campeonatos do Mundo, Campeonatos da Europa e Universíadas. O seu palmarés é realmente muito raro em Portugal.
Na semana que passou, em Plovdiv, na Bulgária, durante os Europeus de canoagem de velocidade, Fernando Pimenta voltou a brilhar e revalidou o seu título europeu em K1 1000 metros e, dois dias depois, conquistou a medalha de prata na prova de K1 5000 metros, falhando a revalidação do seu título por 1 segundo apenas. Portugal regressou de Plovdic com três medalhas, duas das quais ao pescoço de Fernando Pimenta.
A imprensa escrita e as televisões portuguesas têm andado ocupadas com outros assuntos demasiado irrelevantes, numa lógica de vender papel ou de ter audiências a qualquer preço. O nível de manipulação está a atingir níveis insuportáveis. Passam horas e gastam páginas a tratar do mundo do futebol e de outros sensacionalismos. Por isso, lamentavelmente, quase ignoraram o feito desportivo de Fernando Pimenta, tal como tinham ignorado a vitória de João Pereira e o 3º lugar de João Silva nos Europeus de triatlo disputados em Kitzbühel, na Áustria. Nada disto se passa na Espanha ou na França, onde os seus campeões são destacados nas primeiras páginas da imprensa. Os nossos orgãos da comunicação social informam de menos e manipulam de mais. A “informação” que produzem é, cada vez mais, provinciana e panfletária. Uma tristeza!

domingo, 9 de julho de 2017

A modernidade da língua portuguesa

A edição de hoje do oHeraldo, o centenário jornal que se publica em Goa e que até 1983 utilizou a língua portuguesa, destaca na sua primeira página uma entrevista com Edgar Valles, um advogado português de origem goesa que preside à direcção da Casa de Goa em Lisboa.
O conteúdo desta entrevista e a sua colocação na primeira página do jornal devem ser destacadas, porque os jornais goeses não se costumam interessar por notícias de Portugal, embora o oHeraldo seja uma excepção, pois de vez em quando faz uma ou outra referência ao futebolista Cristiano Ronaldo, às cerimónias de Fátima ou aos resultados da Liga Portuguesa de Futebol. Na sua entrevista, Edgar Valles salientou que “os goeses devem compreender que os laços indo-portugueses não são semelhantes aos laços indo-britânicos”, um facto evidente que muito poucas vezes é salientado. Além disso, Edgar Valles destacou a modernidade da língua portuguesa e defendeu que “o português deve ser ensinado a todos os goeses como a língua dos nossos antepassados, mas também aos indianos que se instalam em Goa. A ligação dos goeses a Portugal não pode ser apenas para obter um passaporte português para ir trabalhar para o Reino Unido. O português é a quarta língua mais falada no mundo e os goeses devem aprender português e procurar trabalho em Portugal e nos outros países do mundo onde se fala português”.
Estas declarações não são novas, mas têm um renovado peso cultural, por terem sido feitas por uma personalidade goesa que representa uma prestigiada associação de goeses em Portugal. Naturalmente, a entrevista de Edgar Valles também é um estímulo para os que se dedicam ao ensino do português em Goa, tanto na Fundação Oriente como no Instituto Camões.

domingo, 25 de junho de 2017

O futebol a simbolizar a festa lusitana

Ontem a selecção nacional de futebol defrontou a selecção neo-zelandesa e, ganhando por 4-0, assegurou a presença nas meias-finais da Taça das Confederações 2017 na qual participam, em teoria, as oito melhores equipas do mundo.
A selecção portuguesa está, portanto, colocada entre as quatro melhores equipas de futebol do mundo e isso é muito gratificante para quem gosta de futebol, porque nos tempos que correm, a imagem, o prestígio e o reconhecimento internacional de um país passa cada vez mais pelo futebol.
Goste-se muito ou goste-se pouco, é assim em todo o mundo.
Acontece que esta prova, que é organizada pela FIFA, decorre num período de tristeza e de reflexão nacional devido aos trágicos acontecimentos ocorridos recentemente, para além de não despertar o mesmo entusiasmo do Campeonato do Mundo ou do Campeonato da Europa. Por isso, ao contrário do que aconteceu há um ano quando a selecção portuguesa se sagrou campeã europeia, não tem havido os excessos desproporcionados e doentios da parte da comunicação social em relação à prestação dos nossos futebolistas. Isso é muito positivo, porque é preciso que o futebol seja posto no lugar que merece e não acima nem abaixo, pois é um fenómeno cultural importante na nossa sociedade.
Porém, o inesperado chegou hoje da Venezuela onde o diário desportivo Meridiano, que se publica em Caracas, tratou de destacar a festa lusitana, pela vitória sobre a equipa da Nova Zelândia. É um exagero que só se compreende com o objectivo de vender mais jornais à comunidade portuguesa, ou para atenuar a ansiedade e a incerteza por que ela tem passado nos últimos tempos.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prémio prestigiante para J. E. Agualusa

O escritor luso-angolano José Eduardo Agualusa foi distinguido ontem com o International Dublin Literary Award, um prestigiado prémio literário internacional pela tradução inglesa do romance Teoria Geral do Esquecimento. De acordo com as regras, os 100 mil euros do prémio são entregues na totalidade ao autor se o livro tiver sido escrito em inglês ou, no caso de se tratar de uma tradução, o valor do prémio é repartido em 75 mil euros para o escritor e 25 mil para o tradutor.
Portanto, Agualusa recebe 75 mil euros e é o primeiro autor de língua portuguesa a vencer o prémio criado em 1996, que é atribuido anualmente e que é gerido pelo Município e pelas Bibliotecas Públicas de Dublin. Os autores e as obras apreciadas resultam de um processo de nomeações que é feito a partir de sugestões ou propostas de mais de quatro centenas de bibliotecas de todo o mundo, o que torna o prémio muito importante.
A Teoria Geral do Esquecimento, o romance premiado, foi indicado pela Biblioteca Pública Municipal do Porto, pela Biblioteca Municipal de Oeiras, pela Biblioteca Demonstrativa Maria da Conceição Moreira Salles, de Brasília, e pela Gradska Knjiznica, de Rijeka, na Croácia, que destacaram a forma como o romance equilibra "elementos-chave da história angolana recente com as vidas de gente comum".
Nascido no Huambo em 1960, José Eduardo Agualusa foi hoje homenageado pelo Jornal de Letras e está de parabéns pelo prémio, pelo seu talento, pela sua capacidade criativa e, também, pela sua personalidade e inteligência. Acompanho-o literariamente desde que li Nação Crioula. É um bom amigo.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Manuel Alegre vence Prémio Camões 2017

Manuel Alegre venceu o Prémio Camões 2017, o maior prémio da literatura portuguesa. É um justo prémio para um homem que além do talento literário, cultiva a arte poética de uma forma apaixonante e cuja experiência de vida de militância em grandes causas tem sido exemplar.
Como poeta, Manuel Alegre destacou-se com A Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), que foram apreendidos pelas autoridades do Estado Novo, mas que tiveram grande circulação nos meios intelectuais e estudantis, tendo marcado o seu percurso político de combate contra a ditadura e a guerra colonial. Estas obras ainda constituem referenciais para uma geração e muitos dos seus poemas popularizaram-se nas vozes de Adriano Correia de Oliveira, José Afonso e Amália Rodrigues.
Manuel Alegre foi uma voz de esperança que denunciou a opressão salazarista, a violência da emigração e da guerra, o que lhe custou a prisão e o exílio. O prémio que justamente lhe foi atribuido destaca o conjunto da sua obra literária mas, muitos como eu, acharão que só aquelas duas obras justificariam o Prémio Camões.
O prémio Camões foi instituido em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil para galardoar os autores que tenham contribuido para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa e, de entre os 29 escritores já premiados, encontram-se 12 escritores portugueses. Manuel Alegre junta-se a Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Sophia de Melo Breyner, José Saramago e Eugénio de Andrade, entre outros. Desta vez o jornal Público escolheu bem a sua capa e ao fazer de Manuel Alegre a notícia do dia.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vikings, os Guerreiros do Mar

A exposição “Vikings, os Guerreiros do Mar” está patente no Museu de Marinha em Lisboa e é uma das mais interessantes exposições que actualmente se podem ver na capital.
Os vikings ou guerreiros do Norte habitaram há mais de mil anos nas regiões onde hoje estão a Suécia, a Dinamarca e a Noruega, navegaram pelas costas europeias até ao mar Negro e pela costa oriental americana. Deslocavam-se em embarcações rápidas e versáteis e atacavam as populações ribeirinhas com grande volência. Chegaram também ao território que hoje é Portugal e há registos da sua passagem por vários locais do Condado Portucalense e, mais a sul, pelos territórios islâmicos do Al-Andaluz, como Lisboa ou Alcácer do Sal.
A exposição inclui mais de seis centenas de peças originais e resulta de um conhecimento proporcionado pela investigação arqueológica, abordando muitos aspectos relacionados com a história e com a cultura viking.
Organizada pelo Museu Nacional da Dinamarca, a exposição apresenta um atraente lay out que a torna muito agradável e muito útil sob o ponto de vista didáctico, pelo que merece uma visita. A exposição está em itinerância e, antes de visitar Lisboa devido à intervenção do Museu de Marinha junto das autoridades culturais dinamarquesas, já tinha estado patente no Museu Arqueológico de Alicante.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Arte e erudição na música portuguesa

Um grande concerto ontem realizado no Teatro Municipal de São Luiz em Lisboa, assinalou os 50 anos de carreira de Pedro Caldeira Cabral, um músico e compositor reconhecido no plano internacional e que, desde há muitos anos, é um símbolo da erudição na música portuguesa.
Ouço a música de Pedro Caldeira Cabral desde há muitos anos e não faltei.
O espectáculo intitulou-se Guitarra de ontem e de hoje e teve como tema a guitarra portuguesa e a sua valorização e promoção, como um importante legado patrimonial da cultura portuguesa. O músico partilhou o palco com Ricardo Rocha e Luís Marques, como convidados especiais, enquanto o excelente programa que foi apresentado incluiu a música antiga, a nova música e a música tradicional.
Pedro Caldeira Cabral nasceu em Lisboa em 1950 e tem uma longa vida de estudo de alaúde, viola de gamba e outros instrumentos musicais, sendo um conhecido intérprete de música antiga em instrumentos históricos.
Em reconhecimento pelo seu importante papel na cultura portuguesa e como expressão da gratidão da nossa comunidade pelo seu labor e talento, o Presidente da República decidiu agraciar Pedro Caldeira Cabral com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D.  Henrique.  E fez muito bem. O meu aplauso.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O bom ano com Marcelo Rebelo de Sousa

Marcelo Rebelo de Sousa completou hoje o primeiro ano do seu mandato presidencial e os jornais e as televisões destacaram o acontecimento. Enquanto Presidente da República, Marcelo é um caso notável de popularidade e a sua permanente intervenção em convergência com o governo, tem contribuído para a mobilização dos agentes económicos e sociais, para a criação de um clima de confiança e, também, para acabar com a crispação cavaquista made in Boliqueime e com a severa austeridade passista made in Massamá.
É bem possível que os bons resultados económicos e sociais do ano de 2016 resultem exactamente de um ambiente de confiança e de alegria que se instalou em Portugal, que muitas vezes é associado à vitória no Europeu de futebol e à eleição de António Guterres para Secretário-Geral das Nações Unidas.
Quase tudo parece estar a correr bem em Portugal e Marcelo parece ser o rosto desta onda que em 2016 recuperou a alegria dos portugueses. De facto, Marcelo tem estado em toda a parte como sugere o jornal i na sua edição de hoje e tem sido um exemplo para uma classe política que estava sem referenciais de serviço público. No seu quotidiano ele está realmente em todo o lado. Visita os mais carentes e necessitados, estimula os empreendedores e os jovens. Aplaude desportistas e agentes culturais. Exibe um optimismo contagiante e a sua agenda é marcada pela boa disposição, pelo sorriso, pela inteligência e pela vontade de servir o nosso país e os portugueses. Com alegria, com entusiasmo e com afectos.
Recordemos que Marcelo Rebelo de Sousa fez uma campanha presidencial com total independência e sem apoios partidários e que, no dia 24 de Janeiro de 2016, teve 2.411.925 votos, correspondentes a 52% da totalidade dos votos expressos. O meu voto não foi para ele, mas fixo-me em Bento de Jesus Caraça e, como ele, digo que não receio o erro, porque estou sempre pronto a emendá-lo. Portanto, e face ao que tenho visto, já emendei o meu erro.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Afinal ainda há bons gestores portugueses

Foi anunciado que o grupo francês PSA cujas marcas são a Peugeot e a Citroën e que é liderado pelo gestor português Carlos Tavares, comprou à General Motors as suas marcas Opel e Vauxhall, tornando-se a seguir à Volkswagen, o segundo maior grupo automóvel europeu com uma quota de mercado de 17% e com cerca de 17.700 milhões de euros de vendas para as suas marcas.
Desde há muito tempo que nos habituamos a ver chineses e indianos na primeira linha destes negócios e por isso a notícia surpreendeu. A segunda surpresa desta notícia é o facto de ser um português a liderar esta operação que custou 2.200 milhões de euros e que, além da compra da actividade produtiva da Opel e da Vauxhall, inclui também as operações da sucursal financeira da General Motors na Europa.
As expectativas são altas porque Carlos Tavares é apontado como sendo o maior responsável pela recuperação do grupo PSA que, há bem pouco tempo, acumulava prejuízos e tinha o seu futuro muito incerto. Por isso, todos acreditam em Carlos Tavares e nas suas opções de gestão para recuperar a marca Opel que acumulou 15 anos consecutivos de prejuizos: redução de postos de trabalho, congelamento de salários, economias de escala, eliminação de modelos não rentáveis e entendimento com os sindicatos.
Não deixa de ser curioso que a poderosa General Motors, um dos símbolos do poder económico americano, "atire a toalha ao chão" depois de tantos anos de perdas.
O jornal La Tribune, assim como imprensa económica francesa e espanhola, aplaudiu esta operação de Carlos Tavares que, se correr bem, combinará crescimento e rentabilidade. Afinal, ainda há bons gestores portugueses. É pena que andem lá por fora, porque fazem muita falta por cá.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Os nossos campeões do triplo salto

O atleta português Nelson Évora garantiu ontem a medalha de ouro no triplo salto dos Europeus de pista coberta em Belgrado e tornou-se campeão da Europa, alguns anos depois de ter sido campeão do mundo em 2007 e campeão olímpico em 2008. Na véspera também a atleta portuguesa Patrícia Mamona obtivera o 2º lugar na mesma prova do triplo salto feminino.
Parece, portanto, que em triplo salto ninguém nos bate.
O jornal Público não teve complexos e trouxe para a sua primeira página uma fotografia de Nelson Évora a saltar em Belgrado, ao contrário dos jornais futeboleiros portugueses que colocaram todo o seu ênfase no empate do Sporting e se limitaram a dar uma pequena notícia dos nossos triplo-saltadores nas suas primeiras páginas.
Nos tempos que atravessamos, em que diariamente assistimos à revelação de gravíssimas situações fraudulentas ou de grande irresponsabilidade que ferem os princípios da nossa sociedade, nas quais sabemos estarem envolvidos por acção ou omissão muitos dos nossos dirigentes políticos, que deviam estar calados e envergonhados, estas notícias desportivas dão-nos algum alento.  
De facto, num país tão sacrificado pela ambição e pela ganância de uns tantos novos-ricos que não olharam a meios para enriquecer, vão-nos valendo todos os Ronaldos, mais os Mourinhos, os Rui Costa e os Nelson Évora para nos alimentarem a auto-estima... e também o António Guterres e não só.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Evocando a memória de José Afonso

Foi há 30 anos, no dia 23 de Fevereiro de 1987, que aos 57 anos de idade faleceu José Afonso. Hoje os jornais portugueses esqueceram essa data e não evocaram esse homem que é uma referência da cultura portuguesa do século XX e um dos maiores símbolos da luta pela Democracia em Portugal. O jornal i foi a excepção e, por isso, aqui deixo o meu aplauso a esse jornal e à sua equipa editorial.
Quando há poucos meses a Academia sueca distinguiu Bob Dylan com o Prémio Nobel da Literatura e a crítica internacional lembrou nomes de alguns poetas-cantores como Jacques Brel, Leonard Cohen, Chico Buarque ou Patti Smith que suscitaram muitas emoções com as suas palavras cantadas, eu lembrei-me naturalmente de José Afonso. A sua voz, a estética das suas canções e os seus inspirados textos continuam a ser tão emocionantes como nos tempos da Resistência, mas também continuam a ser símbolos de modernidade musical e referências culturais para muitos portugueses. 
Num país que, por vezes, parece não ter memória e que idolatra futebolistas, banqueiros e políticos de segunda categoria, a evocação do talentoso José Afonso é um dever de cidadania.

domingo, 1 de janeiro de 2017

O meu voto de boa sorte para Guterres

António Guterres iniciou hoje o seu mandato de cinco anos como secretário-geral das Nações Unidas e esse facto é um acontecimento marcante da nossa história contemporânea, que deixa os portugueses muito orgulhosos.
A partir de agora, todos estaremos mais atentos ao que se passar nas Nações Unidas e no mundo, até porque a inteligência, a experiência e a sensibilidade de António Guterres colocam as nossas expectativas demasiado altas. Nenhum português teve alguma vez um desafio desta dimensão, em que se interceptam as complexas crises que vai enfrentar, que vão desde a Síria aos refugiados, mas que também passam pelo terrorismo, pelas alterações climáticas, pelos direitos humanos e pela fome no mundo.
António Guterres vai encontrar um mar de problemas e uma nau em risco de naufrágio. As Nações Unidas são cada vez mais uma organização paralisada por uma excessiva burocracia e que está a passar por um período de descrédito internacional porque se tem mostrado inoperante perante o conflito da Síria e que, além disso, está muito manchada por alguns episódios de má conduta dos seus funcionários. De facto a ONU está sem rumo, um pouco como acontece com o mundo. A escolha de um português para ocupar o cargo de secretário-geral da ONU é realmente um acontecimento único e nenhum dos seus concidadãos ficou indiferente a esta designação.
O processo de candidatura foi exemplar e meio mundo ficou espantado. Agora todos esperamos que ele consiga, a partir de hoje, colocar as suas capacidades ao serviço da paz mundial e tenha resultados positivos. Como dizia hoje o suplemento Magazine do Diário de Notícias, numa edição especial que lhe foi dedicada, temos ”o mundo no olhar de Guterres” e todos esperamos que ele tenha boa sorte. O mundo precisa mesmo deste António Guterres. Que a sorte o acompanhe.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

E se mais prémio houvera mais ganhara

O ano de 2016 vai ficar na história recente de Portugal, por muito boas razões.
No campo da nossa política interna tivemos uma eleição presidencial que colocou em Belém um homem que respira alegria e que despachou para o esquecimento de Boliqueime aquele que durante dez anos ensombrou a nossa vida política mas, como se isso fosse pouco, ainda tivemos um governo que acabou com aquela pantomina que era o arco da governação e que, segundo revelam as sondagens, está a merecer cada vez mais o agrado dos portugueses.
No campo da política internacional também assistimos a uma Comissão Europeia que, depois de tanto nos ter humilhado, se desfaz agora em elogios aos resultados da governação portuguesa, enquanto um processo de grande profissionalismo diplomático levou o enorme prestígio de António Guterres ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas.
No campo desportivo também o sucesso nos bateu à porta com as vitórias europeias no hóquei em patins e, sobretudo no Euro 2016, em que aquele golo do improvável Éder deixou o país cheio de orgulho e de lágrimas de alegria.
Porém, num tempo em que prevalecem as culturas mediáticas e pesem embora todas as coisas boas que aconteceram em Portugal, não será exagero afirmar-se que o ano de 2016 foi o ano de Cristiano Ronaldo, que no espectro mediático dá pelo nome de CR7. O homem fartou-se de ganhar títulos colectivos e prémios individuais. Então não é que agora foi eleito o melhor desportista europeu de 2016, quando havia desportistas alemães e ingleses, mas também franceses, italianos, espanhóis e de muitos outros países, que rematam, nadam, pedalam, velejam ou remam? Aqui nenhum jornal lhe dedicou uma página inteira, como hoje fez o diário espanhol as.
De facto, é caso para dizer que se mais prémio houvera, mais ganhara.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A auto-estima portuguesa em alta – II

Ainda a emoção estava presente por vermos e ouvirmos António Guterres nas Nações Unidas quando, sem surpresa, foi anunciado que Cristiano Ronaldo tinha sido galardoado com a Bola de Ouro 2016, isto é, que tinha sido eleito como o melhor futebolista do mundo em 2016, segundo os critérios da revista francesa France football.
Depois das Bolas de Ouro conquistadas em 2008, 2013 e 2014, o jogador Cristiano Ronaldo apresentou-se à votação dos jornalistas de todo o mundo com credenciais de peso, isto é, com uma vitória na Liga dos Campeões pelo Real Madrid, com o título de Campeão da Europa que conquistou com a selecção portuguesa e, ainda, com 51 golos em 55 jogos disputados. A votação que obteve foi esmagadora e os votos dos jornalistas mundiais traduziram-se em 745 pontos que superaram largamente os 316 e os 198 pontos conquistados pelos seus concorrentes directos, respectivamente o argentino Leonel Messi (Barcelona) e o francês Antoine Griezmann (Atlético de Madrid). A revista francesa que patrocina o troféu, até escolheu na sua última edição uma foto e um título sugestivos: "Sacré Cristiano Ronaldo".
Em termos futebolísticos é curioso anotar que outros dois jogadores portugueses se destacaram este ano na lista dos melhores do mundo do France football, com Pepe (Real Madrid) a ter 8 pontos e a classificar-se no 9º lugar e Rui Patrício (Sporting) a obter 6 pontos e a posicionar-se no 12º lugar. O mundo do futebol português, que continua a beneficiar de um tratamento televisivo desproporcionado e cansativo, deve estar eufórico. A auto-estima lusitana está em alta.  
Porém, não é só em Portugal que o futebol domina e perturba as mentes, pois enquanto Cristiano Ronaldo foi notícia em quase todo o mundo, António Guterres foi ignorado em quase toda a parte. É este o mundo de valores em que vivemos...

A auto-estima portuguesa em alta - I

António Guterres, cidadão português nascido em Lisboa em 1967 e antigo Primeiro-Ministro de Portugal, fez ontem em Nova Iorque o juramento sobre a Carta das Nações Unidas e perante a respectiva Assembleia Geral, tornando-se, oficialmente, o 9º secretário-geral das Nações Unidas, que vai iniciar o seu mandato de cinco anos no dia 1 de Janeiro de 2017.
Com a solenidade própria do momento, disse:
“Eu, António Guterres, declaro solenemente e prometo exercer em total lealdade, discrição e consciência as funções que me são confiadas enquanto servidor público das Nações Unidas, exercer estas funções e pautar a minha conduta apenas tendo em mente os interesses das Nações Unidas, e não procurar ou aceitar, no que respeita às minhas responsabilidades, instruções de qualquer Governo ou outra organização”.
Depois, António Guterres falou e o seu primeiro discurso foi notável, ao defender como uma das prioridades do seu mandato a necessidade de mudar e reformar internamente a organização que vai dirigir. “É chegada a altura de as Nações Unidas reconhecerem as suas insuficiências e alterar o que precisa de ser alterado. Chegou a hora da ONU mudar”. Alertou também para a necessidade de se desanuviar o ambiente internacional e disse que “é altura de trabalhar com os líderes e é tempo de reconstruir a relação entre os cidadãos e os líderes mundiais”.
Contrariamente ao que seria de esperar, poucos jornais destacaram o juramento de António Guterres, a mostrar o descrédito por que passa a ONU e a irrelevância de dez anos de gestão de Ban Ki-moon. O Diário de Notícias foi uma das raras excepções a homenagear o homem de quem o seu amigo Vitor Melícias disse ser "uma espécie de papa Francisco civil". O mundo espera que se cumpram as palavras e se concretizem as intenções com que Guterres concluiu o seu discurso:
"Farei o meu melhor para servir a nossa humanidade". Que a sorte o acompanhe.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Património Imaterial da Humanidade

No ano de 2003 a UNESCO adoptou uma Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, que complementa a Convenção do Património Mundial adoptada em 1972. Enquanto esta cuida dos bens tangíveis e até ao momento classificou 1052 sítios, a Convenção de 2003 regula o tema do património oral e imaterial da Humanidade, tendo aprovado até agora apenas algumas dezenas de inscrições.
Nos termos da Convenção, o Património Cultural Imaterial ou Intangível compreende as expressões de vida e as tradições que as comunidades, os grupos ou os indivíduos recebem dos seus antepassados, bem como a forma como as preservam e as transmitem aos seus descendentes, estando agrupadas em cinco categorias: espaços culturais, saberes tradicionais, tradição oral, artes cénicas e rituais e festas.
No âmbito da Convenção de 2003, o nosso país viu serem inscritos nas Listas do Património Imaterial da Humanidade, primeiro o Fado (2011) e, depois, o Cante Alentejano (2014) e a Arte Chocalheira (2015). Este ano, durante a 11ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO que decorreu em Adis Abeba, foram aprovadas duas candidaturas portuguesas. Assim, no dia 29 de Novembro foi aprovada a inscrição da Olaria de barro negro de Bisalhães, cuja candidatura foi apresentada pela Câmara Municipal de Vila Real e, no dia 1 de Dezembro, foi aprovada a inscrição da Arte da Falcoaria, cuja candidatura foi apresentada pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.
Estas duas inscrições nas Listas do Património Imaterial da Humanidade, que se juntam às três inscrições anteriores, têm um grande significado cultural pelo reconhecimento destas actividades de cariz popular, mas também significam que o poder local não está apenas envolvido nas expressões da cultura mediática “que dão votos” e que animam o Verão, mas que está atento à preservação das formas da autêntica  cultura popular nas suas áreas de jurisdição.
A Voz de Trás-os-Montes que se publica em Vila Real não deixou de assinalar o novo estatuto do barro de Bisalhães que, aliás, se vende à beira de algumas estradas próximas da cidade.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pódio em português no Macau Grand Prix

O Grande Prémio de Macau, ou Macau Grand Prix como é conhecido nos meios automobilisticos internacionais, é uma competição motorizada que se realiza em Macau desde 1954 e que teve este ano a sua 63ª edição. Todos os anos, no mês de Novembro, muitos milhares de entusiastas pelas corridas de automóveis e motociclos, incluindo a Fórmula 3, dirigem-se para o território de Macau para assistir às provas do circuito da Guia que duram quatro dias. O circuito percorre as ruas da pequena cidade, intercalando algumas rectas mas, sobretudo, muitas e apertadas curvas, constituindo uma das maiores atracções turísticas de Macau.
Habitualmente mais de três centenas de pilotos participam nas diferentes provas do Grande Prémio de Macau que, na sua galeria de vencedores, inclui os nomes dos lendários Ayrton Senna e Michael Schumacker, entre outros ases do automobilismo mundial.
Ao longo do seu já longo historial apenas um português triunfara numa prova macaense, mas este ano aconteceu o inesperado, pois as duas principais provas do Grande Prémio de Macau foram ganhas por pilotos portugueses.
António Félix da Costa de 25 anos de idade, ao volante de um Dallara Volkswagen, repetiu o seu triunfo de 2012 na prova de Fórmula 3 e Tiago Monteiro de 40 anos de idade, ao volante de um Honda, triunfou na Corrida da Guia para Carros de Turismo. A comunidade portuguesa de Macau deve ter sentido uma enorme alegria com a vitória dos nossos compatriotas e, naturalmente, os jornais portugueses que se publicam em Macau também rejubilaram com este surpreendente resultado, tendo o jornal Tribuna de Macau dedicado a sua primeira página aos dois pilotos portugueses. Embora não seja fã destas provas, associo-me à satisfação dos portugueses de Macau por este resultado desportivo.

domingo, 6 de novembro de 2016

A difusão da língua portuguesa no mundo

O título da última edição do jornal Tribuna de Macau é muito interessante e sugestivo ao salientar que a “língua portuguesa atrai centenas para 20 vagas”. De facto, o Programa de Aprendizagem de Tradução e Interpretação de Chinês e Português promovido pelos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) de Macau atraiu 287 candidatos para 22 vagas e, segundo foi afirmado por alguns responsáveis macaenses, esse interesse resultou de uma campanha pública e de muita discussão sobre a importância do ensino do português. Ao mesmo tempo, outros salientam a provável influência das declarações do Primeiro-Ministro chinês Li Kequiang, que recentemente visitou o território de Macau e que vincou a importância da língua portuguesa no quadro das relações entre a China e os países lusófonos.
O programa tem a duração de dois anos e integra-se no quadro de cooperação em Formação de Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e Portuguesa entre a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China e a União Europeia, cuja primeira edição decorreu em 2011.
A iniciativa merece aplauso. No entanto, era desejável que a problemática do ensino do português e de outras áreas afins como a tradução, a interpretação ou a tradução simultânea, constituissem uma prioridade do governo português. Essa é a missão do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I. P., e é a tarefa desempenhada por cerca de duas dezenas de Centros Culturais e por cerca de quatro dezenas de Centros de Língua Portuguesa que existem no estrangeiro, mas são necessários mais Centros e, sobretudo, mais professores qualificados. Tem prevalecido o princípio económico que nos diz que as necessidades são ilimitadas mas que os recursos são escassos e, por isso, a difusão e o ensino da língua portuguesa não têm merecido o devido apoio em recursos orçamentais. Num tempo em que se espera que o português venha brevemente a ser uma língua oficial nas Nações Unidas conforme vai ser proposto pela CPLP, pode ser que essa circunstância venha a gerar um maior interesse no apoio orçamental à difusão da nossa língua.

sábado, 15 de outubro de 2016

António Guterres, maior do que Portugal

Na passada quinta-feira assistimos pela televisão, em directo de Nova Iorque, à designação de António Guterres como o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, por unanimidade dos seus 193 membros e por aclamação. Para os portugueses foi uma transmissão histórica. É uma distinção rara ou mesmo única para um cidadão português que o próprio fez por merecer, mas que também resultou de um esforço colectivo nacional que envolveu o Presidente da República, o governo e a oposição, a diplomacia e, certamente, muitos outros intervenientes. Não é comum haver tanta unanimidade nacional em torno de uma causa e desde 1999, quando os portugueses aderiram à causa da independência de Timor-Leste (curiosamente quando António Guterres era primeiro-ministro de Portugal), que nada disto acontecia. Isso enche-nos de orgulho e resgata-nos de muitas humilhações que nos têm feito a Comissão Europeia de Barroso e de Juncker, bem como as senhoras Merkel e Lagarde, mais o Dijsselbloem e o Schauble, entre outros.
O processo de selecção foi longo, duro e transparente. António Guterres foi o melhor ao vencer todas as seis votações, revelando uma superior preparação para o cargo e tendo, entre outras credenciais a seu favor, o seu desempenho como alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Num período de grande tensão internacional, António Guterres teve o apoio unânime do Conselho de Segurança e conseguiu colocar do mesmo lado os Estados Unidos e a Rússia, mas também a China, o Reino Unido e a França.
O cargo que vai ocupar a partir de Janeiro é mais exigente do que qualquer outro que antes tenha desempenhado, com muitas guerras para resolver e com milhões de refugiados para apoiar, num contexto em que a própria ONU acumulou erros e omissões, mas também muitas críticas. Porém, as suas declarações no sentido da gratidão, da humildade e do sentido da responsabilidade são muito animadoras para o mundo.
A revista do semanário Expresso dedica hoje a sua capa ao novo Secretário-Geral da ONU e escolheu o título “maior do que Portugal”, dizendo que “é muito mais do que o rosto das duas grandes vitórias da diplomacia portuguesa nas últimas décadas”. Sem dúvida que os olhos do mundo estarão focados na acção deste nosso compatriota, a quem desejamos felicidades e bons resultados.