Mostrar mensagens com a etiqueta ARTE E CULTURA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ARTE E CULTURA. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Manuel Alegre vence Prémio Camões 2017

Manuel Alegre venceu o Prémio Camões 2017, o maior prémio da literatura portuguesa. É um justo prémio para um homem que além do talento literário, cultiva a arte poética de uma forma apaixonante e cuja experiência de vida de militância em grandes causas tem sido exemplar.
Como poeta, Manuel Alegre destacou-se com A Praça da Canção (1965) e O Canto e as Armas (1967), que foram apreendidos pelas autoridades do Estado Novo, mas que tiveram grande circulação nos meios intelectuais e estudantis, tendo marcado o seu percurso político de combate contra a ditadura e a guerra colonial. Estas obras ainda constituem referenciais para uma geração e muitos dos seus poemas popularizaram-se nas vozes de Adriano Correia de Oliveira, José Afonso e Amália Rodrigues.
Manuel Alegre foi uma voz de esperança que denunciou a opressão salazarista, a violência da emigração e da guerra, o que lhe custou a prisão e o exílio. O prémio que justamente lhe foi atribuido destaca o conjunto da sua obra literária mas, muitos como eu, acharão que só aquelas duas obras justificariam o Prémio Camões.
O prémio Camões foi instituido em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil para galardoar os autores que tenham contribuido para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa e, de entre os 29 escritores já premiados, encontram-se 12 escritores portugueses. Manuel Alegre junta-se a Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Sophia de Melo Breyner, José Saramago e Eugénio de Andrade, entre outros. Desta vez o jornal Público escolheu bem a sua capa e ao fazer de Manuel Alegre a notícia do dia.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Vikings, os Guerreiros do Mar

A exposição “Vikings, os Guerreiros do Mar” está patente no Museu de Marinha em Lisboa e é uma das mais interessantes exposições que actualmente se podem ver na capital.
Os vikings ou guerreiros do Norte habitaram há mais de mil anos nas regiões onde hoje estão a Suécia, a Dinamarca e a Noruega, navegaram pelas costas europeias até ao mar Negro e pela costa oriental americana. Deslocavam-se em embarcações rápidas e versáteis e atacavam as populações ribeirinhas com grande volência. Chegaram também ao território que hoje é Portugal e há registos da sua passagem por vários locais do Condado Portucalense e, mais a sul, pelos territórios islâmicos do Al-Andaluz, como Lisboa ou Alcácer do Sal.
A exposição inclui mais de seis centenas de peças originais e resulta de um conhecimento proporcionado pela investigação arqueológica, abordando muitos aspectos relacionados com a história e com a cultura viking.
Organizada pelo Museu Nacional da Dinamarca, a exposição apresenta um atraente lay out que a torna muito agradável e muito útil sob o ponto de vista didáctico, pelo que merece uma visita. A exposição está em itinerância e, antes de visitar Lisboa devido à intervenção do Museu de Marinha junto das autoridades culturais dinamarquesas, já tinha estado patente no Museu Arqueológico de Alicante.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Arte e erudição na música portuguesa

Um grande concerto ontem realizado no Teatro Municipal de São Luiz em Lisboa, assinalou os 50 anos de carreira de Pedro Caldeira Cabral, um músico e compositor reconhecido no plano internacional e que, desde há muitos anos, é um símbolo da erudição na música portuguesa.
Ouço a música de Pedro Caldeira Cabral desde há muitos anos e não faltei.
O espectáculo intitulou-se Guitarra de ontem e de hoje e teve como tema a guitarra portuguesa e a sua valorização e promoção, como um importante legado patrimonial da cultura portuguesa. O músico partilhou o palco com Ricardo Rocha e Luís Marques, como convidados especiais, enquanto o excelente programa que foi apresentado incluiu a música antiga, a nova música e a música tradicional.
Pedro Caldeira Cabral nasceu em Lisboa em 1950 e tem uma longa vida de estudo de alaúde, viola de gamba e outros instrumentos musicais, sendo um conhecido intérprete de música antiga em instrumentos históricos.
Em reconhecimento pelo seu importante papel na cultura portuguesa e como expressão da gratidão da nossa comunidade pelo seu labor e talento, o Presidente da República decidiu agraciar Pedro Caldeira Cabral com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D.  Henrique.  E fez muito bem. O meu aplauso.

domingo, 23 de abril de 2017

Um grande jornal em Belo Horizonte

O Estado de Minas é um diário que se publica em Belo Horizonte, a capital do Estado de Minas Gerais, sendo considerado o grande jornal dos mineiros e um dos jornais de referência brasileiros. Na sua edição de hoje, o jornal destaca três temas de grande interesse cultural e político. Como tema principal, o jornal reproduz a imagem do Guernica de Pablo Picasso quando se estão a celebrar 80 anos sobre esse famoso quadro, que deixou de representar o ataque da aviação alemã sobre a cidade basca de Guernica no dia 26 de Abril de 1937, para se tornar o símbolo dos horrores de todas as guerras.
Depois, o jornal faz um balanço do valor que o Brasil perdeu com a “montanha de propinas” que a Odebrecht destinou a políticos de 26 partidos e calcula que esse valor atingiu dez mil milhões de reais que, ao câmbio actual, representa cerca de três mil milhões de euros. É muito dinheiro e, segundo afirma o próprio título do jornal, o Brasil não só perdeu esse dinheiro, como também perdeu a vergonha na cara. De facto, esse dinheiro resolveria muitos problemas na saúde, na educação e nas infraestuturas, para além de atenuar muitos problemas sociais. Sabe-se que a corrupção existe em maior ou menor escala em todo o mundo, mas parecia impensável que tivesse uma dimensão destas num país democrático e civilizado.
O jornal ainda chama à sua primeira página um assunto muito interessante que mostra a força da sociedade civil organizada. Acontece que o Edifício Niemeyer, projectado por Oscar Niemeyer e localizado na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, está classificado como património municipal, estadual e federal, mas encontrava-se muito deteriorado pelo tempo. A aguardada reparação que deveria ser feita pelos poderes públicos em nome da preservação do património, demorava. Então, os moradores do edifício uniram-se e decidiram custear a sua reabilitação, sem esperarem pela intervenção pública. É uma lição para aqueles que, em toda a parte, se julgam com direito a que o Estado lhes faça tudo.

domingo, 2 de abril de 2017

Que viva o Guernica e que viva Picasso

Uma grande exposição organizada em Madrid pelo Museu Reina Sofia vai celebrar o pintor Pablo Picasso, desde o próximo dia 4 de Abril até ao dia 4 de Setembro, a propósito do 80.º aniversário da criação de Guernica, o símbolo universal da crueldade da guerra e o mais famoso quadro do pintor. Hoje, o diário ABC dedica uma extensa e muito interessante reportagem ao famoso quadro.
Em 1937, em plena Guerra Civil, o governo republicano espanhol encomendou um mural a Picasso para figurar no pavilhão espanhol da Exposição Internacional de Paris de 1937. O tempo correu sem que Picasso executasse a encomenda, até que no dia 26 de Abril de 1937 os aviões da Legião Condor hitleriana bombardearam com grande violência a cidade basca de Guernica. Esse trágico acontecimento inspirou Picasso que em 33 dias realizou o trabalho com 3,51 por 7,82 metros e que foi montado no pavilhão espanhol no dia 4 de Junho. O êxito foi enorme e todos queriam ver a obra de Picasso. Quando a exposição de Paris terminou, o mural começou a circular: Noruega, Suécia, Dinamarca e Londres. Depois Estados Unidos e uma longa itinerância por Nova Iorque, Los Angeles, S. Francisco e Chicago. O Guernica regressou à Europa e foi exposto em Milão, depois foi até São Paulo e voltou de novo à Europa para ser visto na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca. Em finais dos anos 50 regressou aos Estados Unidos e Picasso declara então que o mural deveria ser devolvido ao povo espanhol quando as liberdades públicas fossem restauradas em Espanha.
Depois de muitas negociações o Guernica viajou para Espanha pela primeira vez em 1981 e em 1992 foi depositado no Museu Reina Sofia, onde agora se celebra também o 25º aniversário da sua chegada.
O símbolo universal dos horrores da guerra viajou muito, atravessou várias vezes o Atlântico e percorreu muitos milhares de quilómetros. De grandes dimensões e enrolado, sofreu muito com transportes e foi afectado por temperaturas e luminosidades. Guernica precisa de restauro e, apesar da complexidade dessa operação, parece que isso vai ser feito agora com o apoio técnico dos maiores especialistas mundiais..

quarta-feira, 22 de março de 2017

Lisboa, a cidade global que se apresenta

O Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) está a exibir A Cidade Global, uma exposição sobre a  cidade de Lisboa no século XVI, quando a Rua Nova dos Mercadores era a maior praça financeira e o maior mercado de produtos exóticos da Europa. A exposição apresenta-se em torno de dois quadros descobertos em 2009 que representam essa famosa rua lisboeta. Nesses quadros, cuja autenticidade tem estado envolta em alguma polémica, está representada uma parte da vida da cidade, através de mercadores, saltimbancos, cavaleiros, jóias, sedas, especiarias, animais exóticos e outros objectos importados de África, do Brasil e da Ásia. É uma figuração quase única e que, como poucas, simboliza a vida da cidade na época dos descobrimentos.
O objetivo da exposição é exactamente a reconstituição do coração da cidade mais global da Europa do Renascimento e conta com 249 peças pertencentes a 77 emprestadores, muitas delas pouco conhecidas. A Cidade Global apresenta-se dividida por seis salas temáticas, nela se destacando aquela em que são apresentadas as novidades e o conhecimento científico do tempo, através da exposição de manuscritos, livros, mapas e outros objectos que simbolizam a grande aventura dos descobrimentos ou da expansão marítima portuguesa. Porém, as interacções culturais e a arte resultante do contacto com novas terras e novas gentes também estão devidamente representadas na exposição que é servida por um excelente catálogo.
Deve ser salientado que a cidade de Lisboa apresentou nas últimas semanas ou ainda apresenta duas outras grandes exposições sobre Amadeu de Sousa-Cardoso (MNAC) e sobre Almada Negreiros (FCG), o que parece significar um invulgar cosmopolitismo cultural contemporâneo, digno da herança da cidade global do século XVI.  
A exposição termina no dia 9 de Abril e, por isso, nenhum lisboeta deve deixar de agendar uma visita, pois é uma boa oportunidade para ver uma grande e invulgar exposição sobre um período tão rico da história portuguesa.

terça-feira, 7 de março de 2017

Almada ou uma maneira de ser moderno

Almada Negreiros, Retrato de Fernando Pessoa, 1964, FCG.
A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta-nos desde há uma semana uma exposição de Almada Negreiros que tem por título José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno”, que é uma homenagem a um autor de talento que marcou o século XX em Portugal.
 obra de Almada Negreiros desdobrou-se por diferentes artes e formas, sempre com um sentido de inovação e de modernidade expressos na pintura, no desenho, na literatura ou no teatro. A exposição reflecte a sua diversidade artística e apresenta um vasto conjunto de obras que evidenciam a sua abordagem complexa, experimental e contraditória da modernidade, com evidentes sinais da sua ligação com os trabalhos que fez em parceria com arquitectos, escritores, editores, músicos, cenógrafos ou encenadores.
A exposição é completa, bem dimensionada e tem o apoio de um excelente catálogo, sendo apresentada num espaço amplo e apropriado, como a obra do artista merece e o público aprecia. Da sua obra móvel está lá tudo, desde os óleos pintados para a Alfaiataria Cunha, passando pelos seus auto-retratos e pelos seus numerosos estudos inspirados na geometria, até aos dois famosos retratos de Fernando Pessoa pintados em 1954 para o Restaurante Irmãos Unidos e em 1964 por encomenda da Fundação Gulbenkian.
Um mapa indica-nos a outra face da obra de Almada, dispersa por Lisboa e que, por exemplo, podemos ver nos frescos murais das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha de Conde de Óbidos, nos vitrais da igreja de Nossa Senhora de Fátima, nas fachadas dos edifícios da Cidade Universitária ou, até ali ao lado, no mural em pedra gravada que decora o hall principal da sede da Fundação Gulbenkian.
A obra de Almada Negreiros merece ser conhecida e esta exposição é imperdível, podendo ser visitada até ao dia 5 de Junho.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Amadeo, pintor vanguardista português

O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado tem estado a apresentar uma exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso, que evoca a apresentação que o pintor fez das suas obras no Porto e em Lisboa em 1916.
Amadeo vivia em Paris e já era um pintor reconhecido com exposições colectivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres, mas no início da 1ª Guerra Mundial regressou a Portugal e, no ano de 1916, realizou exposições em Novembro no Porto e em Dezembro em Lisboa.
A exposição agora organizada intitula-se "Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916” e foi apresentada no passado mês de Dezembro no Museu Soares dos Reis no Porto e, desde o dia 12 de Janeiro, no Museu do Chiado em Lisboa.
Dizem as críticas que as exposições de 1916 provocaram escândalo e debate. Em Lisboa,  a exposição proporcionou o encontro entre Amadeo e Almada Negreiros, que era um entusiástico admirador de Amadeo e que se referiu à exposição como “mais importante do que a descoberta do caminho marítimo para a Índia”. A exposição tem atraido muitos visitantes que esperam em demoradas filas e distribui-se por 7 salas, onde se apresentam 81 obras, das quais 52 pertencem a instituições públicas e 29 a colecções privadas.
Amadeo e a sua obra bem mereciam um espaço mais amplo, para que as pessoas não esperassem tanto tempo e não se acotovelassem nas pequenas salas onde as obras estão expostas.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Evocando a memória de José Afonso

Foi há 30 anos, no dia 23 de Fevereiro de 1987, que aos 57 anos de idade faleceu José Afonso. Hoje os jornais portugueses esqueceram essa data e não evocaram esse homem que é uma referência da cultura portuguesa do século XX e um dos maiores símbolos da luta pela Democracia em Portugal. O jornal i foi a excepção e, por isso, aqui deixo o meu aplauso a esse jornal e à sua equipa editorial.
Quando há poucos meses a Academia sueca distinguiu Bob Dylan com o Prémio Nobel da Literatura e a crítica internacional lembrou nomes de alguns poetas-cantores como Jacques Brel, Leonard Cohen, Chico Buarque ou Patti Smith que suscitaram muitas emoções com as suas palavras cantadas, eu lembrei-me naturalmente de José Afonso. A sua voz, a estética das suas canções e os seus inspirados textos continuam a ser tão emocionantes como nos tempos da Resistência, mas também continuam a ser símbolos de modernidade musical e referências culturais para muitos portugueses. 
Num país que, por vezes, parece não ter memória e que idolatra futebolistas, banqueiros e políticos de segunda categoria, a evocação do talentoso José Afonso é um dever de cidadania.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Capital Ibero-Americana da Cultura 2017

Até ao dia 22 de Dezembro, a cidade de Lisboa será a Capital Ibero-Americana da Cultura, com uma programação que inclui mais de 150 actividades, nas quais participarão centenas de artistas e produtores nacionais e ibero-americanos. É a segunda vez que Lisboa foi escolhida pela União das Capitais Ibero-Americanas (UCCI) como Capital Ibero- Americana da Cultura, pois em 1994 já acumulara essa distinção com a sua escolha como Capital Europeia da Cultura.
Passado e Presente — Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura é uma iniciativa da UCCI e da Câmara Municipal de Lisboa, que conta com a participação, colaboração e apoio de dezenas de outras instituições, associações e equipamentos privados. A programação é extensa e diversificada, nela se incluindo exposições e concertos, peças de teatro, visitas guiadas, residências artísticas, exibição de filmes, colóquios, workshops, um festival de arte urbana, espetáculos de dança, entre outras actividades. Peruanos e argentinos, colombianos e chilenos, brasileiros e mexicanos, para além de portugueses e espanhóis, terão em Lisboa um espaço de afirmação cultural.
É, também, uma excelente oportunidade para que os países ibero-americanos, compreensivelmente mais virados para Madrid e Barcelona, possam colocar Lisboa nos seus roteiros europeus. Da mesma forma, é ainda uma oportunidade para mostrar que num mundo em recomposição de interesses e de áreas de influência, pode haver espaço para a crescente afirmação do potencial estratégico do ibero-americanismo, até porque as línguas ibéricas juntas são,  depois do chinês, as mais faladas do mundo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Guernica: símbolo da crueldade da guerra

Nestes primeiros dias do ano e em jeito de balanço, a imprensa espanhola tem destacado três grandes temas que são as festas religiosas do Natal, a significativa quebra no desemprego e o enorme aumento do turismo, o que de resto parece ser uma característica ibérica.
Porém, no meio de alguma unanimidade noticiosa, o diário Málaga hoy anuncia a realização do Año Guernica que este ano se comemora e em que será homenageado Pablo Picasso, o mais famoso de todos os malaguenhos.
Pablo Picasso nasceu em Málaga em 1881 e de entre as suas obras mais famosas salienta-se Guernica, um painel pintado a óleo em 1937 por ocasião da Exposição Internacional de Paris e que foi exposto no pavilhão da República Espanhola. Esse enorme painel que mede 3,49 x 7,77 metros encontra-se em Madrid no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia e representa o bombardeamento efectuado no dia 26 de Abril de 1937 sobre a cidade basca de Guernica, situada a poucos quilômetros de Bilbau, por aviões alemães e italianos que apoiavam as forças nacionalistas do ditador Francisco Franco.
Guernica tornou-se um símbolo universal da crueldade da guerra e estão anunciadas grandes exposições no Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia e no Museu Thyssen-Bornemisza em Madrid e no Museu de Barcelona.
No caso do Museu Rainha Sofia já está anunciada a exposição intitulada “Piedadd y terror em Picasso: el camino a Guernica” que celebrará os 80 anos de Guernica e que estará patente de 4 de Abril a 4 de Setembro, na qual poderão ser vistas cerca de 150 obras primas do pintor, provenientes de colecções de mais de três dezenas de instituições de todo o mundo. Uma grande oportunidade.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um grande livro que nos fala de Goa

Era uma vez em Goa, o romance publicado em Fevereiro de 2015 por Paulo Varela Gomes e editado pelas Edições Tinta da China, ganhou o Grande Prémio de Romance e Novela de 2015 atribuido pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), em parceria com a Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas. O prémio foi criado em 1982 e, nesta sua 34ª edição a que concorreram 104 obras, o júri de cinco membros deliberou a atribuição do prémio por unanimidade.
Paulo Varela Gomes faleceu no dia 30 de Abril de 2016 e não teve a satisfação de ver a sua obra premiada com tão importante galardão, antes atribuído a figuras de grande relevo na literatura portuguesa como José Cardoso Pires, Agustina Bessa-Luís, Mário Cláudio, António Lobo Antunes, David Mourão-Ferreira, João de Melo, José Saramago, Lídia Jorge e Vasco Graça Moura, entre outros escritores.
Na memória dos seus amigos, nos quais me encontro, não fica apenas a recordação de um historiador e de um crítico de arte, nem a lembrança da sua inteligência, do seu inconformismo e da sua qualidade intelectual e académica, mas também a fulgurante prosa de um grande escritor.
Era uma vez em Goa é um livro irresistível devido ao engenho e ao talento do autor, cuja liberdade narrativa é muito viva no tratamento da herança cultural portuguesa em Goa, com a sua perspicácia e a sua observação bem humorada a atrair o leitor que se sente a percorrer aquele território, devido às abundantes referências às suas paisagens, às suas artes e ao seu património cultural.
O Grande Prémio de Romance e Novela de 2015 foi entregue ontem na Fundação Calouste Gulbenkian à sua mulher Patrícia pelo Ministro da Cultura, por acaso amigo de longa data de Paulo Varela Gomes. Aos leitores deste meu texto deixo apenas uma recomendação: leiam Era uma vez em Goa.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Património Imaterial da Humanidade

No ano de 2003 a UNESCO adoptou uma Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, que complementa a Convenção do Património Mundial adoptada em 1972. Enquanto esta cuida dos bens tangíveis e até ao momento classificou 1052 sítios, a Convenção de 2003 regula o tema do património oral e imaterial da Humanidade, tendo aprovado até agora apenas algumas dezenas de inscrições.
Nos termos da Convenção, o Património Cultural Imaterial ou Intangível compreende as expressões de vida e as tradições que as comunidades, os grupos ou os indivíduos recebem dos seus antepassados, bem como a forma como as preservam e as transmitem aos seus descendentes, estando agrupadas em cinco categorias: espaços culturais, saberes tradicionais, tradição oral, artes cénicas e rituais e festas.
No âmbito da Convenção de 2003, o nosso país viu serem inscritos nas Listas do Património Imaterial da Humanidade, primeiro o Fado (2011) e, depois, o Cante Alentejano (2014) e a Arte Chocalheira (2015). Este ano, durante a 11ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da UNESCO que decorreu em Adis Abeba, foram aprovadas duas candidaturas portuguesas. Assim, no dia 29 de Novembro foi aprovada a inscrição da Olaria de barro negro de Bisalhães, cuja candidatura foi apresentada pela Câmara Municipal de Vila Real e, no dia 1 de Dezembro, foi aprovada a inscrição da Arte da Falcoaria, cuja candidatura foi apresentada pela Câmara Municipal de Salvaterra de Magos.
Estas duas inscrições nas Listas do Património Imaterial da Humanidade, que se juntam às três inscrições anteriores, têm um grande significado cultural pelo reconhecimento destas actividades de cariz popular, mas também significam que o poder local não está apenas envolvido nas expressões da cultura mediática “que dão votos” e que animam o Verão, mas que está atento à preservação das formas da autêntica  cultura popular nas suas áreas de jurisdição.
A Voz de Trás-os-Montes que se publica em Vila Real não deixou de assinalar o novo estatuto do barro de Bisalhães que, aliás, se vende à beira de algumas estradas próximas da cidade.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Bob Dylan e os novos tempos da cultura

A Academia Sueca anunciou ontem a atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 2016 e, para surpresa de toda a gente, mesmo para os mais entendidos em questões literárias, decidiu distinguir Bob Dylan, um “não-escritor” que é o ícone da música popular americana, por ter sabido criar “novas formas de expressão poética”. Sou daqueles que, depois de José Saramago (1998) e de Mário Vargas Llosa (2010), nunca ouvira falar nem lera nenhum dos mais recentes escritores distinguidos com o Prémio Nobel da Literatura. Porém, Bob Dylan era meu conhecido há muitos anos.
Bob Dylan tem 75 anos de idade, nasceu no Minnesota e dedicou-se à música desde a adolescência como compositor e cantor, adquirindo notoriedade mundial, sobretudo através da sua militância pela paz, contra o racismo e contra a guerra do Vietname. Depois encontrou outras temas e foi reinventando a sua música, embora sempre dentro daquilo a que se tem chamado a folk music. Uma famosa revista americana elegeu-o como o sétimo maior cantor de todos os tempos e o segundo melhor artista de música de sempre, logo a seguir aos lendários The Beatles, a banda inglesa sua contemporânea que nasceu em Liverpool. Uma das canções de Bob Dylan intitulada Like a Rolling Stone que foi apresentada em 1965, foi mesmo escolhida por aquela revista como uma das melhores de todos os tempos.
Bob Dylan apresentou seis concertos em Portugal: em 1993 no Coliseu do Porto e no Pavilhão de Cascais, em 1999 no Pavilhão Atlântico e de novo no Coliseu do Porto, em 2004 em Vilar de Mouros e em 2008 no festival Nos Alive, em Algés. Há uma quase unanimidade em torno do mérito da obra poética de Bob Dylan e, por isso, a imprensa mundial destacou a atribuição do prémio como um sinal de mudança e de aceitação de novos tempos, inclusive na cultura. O jornal francês Libération foi apenas um dos muitos jornais de todo o mundo que hoje se renderam a Bob Dylan e à decisão da Academia Sueca.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Maat: o novo museu que nos enche a vista

Foi inaugurado ontem em Lisboa o novo Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia que resultou de uma iniciativa da Fundação EDP e que a publicidade e a imprensa já consagraram pela sigla maat.
Localizado na margem do rio Tejo na zona de Belém, o maat foi desenhado pela arquitecta britânica Amanda Levete e traz novas formas arquitectónicas à cidade de Lisboa, alinhando-se na mesma zona da cidade com outras expressões da arquitectura contemporânea, como são as instalações da Fundação Champalimaud concebidas pelo arquitecto goês Charles Correa e o Museu Nacional dos Coches desenhado pelo arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha. Esta zona histórica da cidade onde se encontram alguns dos mais simbólicos monumentos portugueses que evocam o nosso passado histórico, fica agora enriquecida com mais uma construção moderna, futurista e de grande qualidade arquitectónica, que valoriza a cidade de Lisboa e que tem características para se tornar uma referência no circuito internacional da arte contemporânea, para além de ser um novo e sofisticado miradouro sobre o Tejo.  
A EDP e a sua Fundação estão de parabéns por esta iniciativa cultural e aqui fica registado o meu aplauso, com base naquilo que a televisão nos mostrou e os jornais escreveram, porque só mais tarde visitarei este novo equipamento cultural.
Porém, os jornais dizem que o maat custou 20 milhões de euros. Assim sendo, esta obra custou apenas 2% do lucro anual da EDP que, habitualmente, atinge mais de mil milhões de euros. Nessas circunstâncias, os merecidos louvores à EDP têm que ser controlados, até porque todos esses lucros resultam da prática continuada e abusiva de preços exagerados que a EDP pratica nos seus fornecimentos de energia aos consumidores. Por isso, a EDP não exagerou na sua generosidade cultural, pois limitou-se a devolver à fruição dos cidadãos uma parte daquilo que mensalmente lhes tinha retirado.

domingo, 25 de setembro de 2016

Bosch e a “exposição europeia do ano”

Tem estado exposta em Madrid uma mostra com o título El Bosco. A Exposição do V Centenário, que foi organizada pelo Museu do Prado e foi dedicada à obra do pintor holandês Hieronymus Bosch (1450-1516). A exposição foi inaugurada no dia 31 de Maio com pompa e circunstância e estava previsto que terminasse no dia 11 de Setembro, mas a enorme afluência de público obrigou ao seu prolongamento por mais duas semanas.
A mostra tornou-se numa verdadeira “exposição europeia do ano”, tendo registado mais de 600 mil visitantes. Nunca uma exposição temporária tivera tantos visitantes no Museu do Prado. Segundo os relatos da imprensa, designadamente na edição de hoje do Diário de Notícias, os horários da visita foram substancialmente dilatados e houve filas diárias contínuas que obrigaram a horas de espera.
Um pouco de todo o mundo vieram excursões propositadamente para ver as 21 obras de Bosch que o Museu do Prado reuniu. Entre os 21 quadros apresentados na mostra, provenientes de nove países europeus e de cinco cidades americanas, encontrava-se o tríptico Tentações de Santo Antão, que foi um dos quadros mais apreciados pelo público e que pertence ao acervo do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Esta obra regressará em breve ao seu lugar na exposição permanente nas Janelas Verdes, onde pode ser apreciado com o tempo e a contemplação que merece e que uma exposição temporária como a de Madrid não permite.
Portanto, atrevo-me a recomendar: se não viu, vá ver; se já viu, vá rever!

terça-feira, 31 de maio de 2016

Madrid com grande exposição de Bosch

O Museu do Prado apresenta a partir de hoje e até ao dia 11 de Setembro de 2016 a exposição comemorativa do V Centenário da morte de Jheronymus Bosch, que a organização considera a mais completa alguma vez feita e que é uma ocasião irrepetível para apreciar a obra do famoso pintor renascentista holandês.
Acontece que graças ao interesse que o rei Filipe II de Espanha teve pela obra de Bosch, é no país vizinho que se conserva o maior conjunto de originais daquele pintor e todos eles figuram na exposição que se intitula El Bosco. La exposición del V centenario.
A exposição apresenta 21 dos 29 tripticos de Bosch que existem no mundo e, para além dos seis que pertencem às colecções espanholas, são apresentadas obras provenientes de Lisboa, Londres, Berlim, Viena, Veneza, Roterdão, Paris, Nova Iorque, Filadélfia e Washington, entre outras cidades, o que faz desta exposição um acontecimento único e, seguramente, um dos mais importantes eventos culturais europeus do corrente ano. Para esta exposição o Museu Nacional de Arte Antiga cedeu as Tentações de Santo Antão, um triptico assinado por Jheronymus Bosch que pertence às suas colecções e que pela primeira vez sai do país.
A importância cultural da exposição não dispensou a presença dos Reis de Espanha e da Princesa Beatriz dos Países Baixos na sua inauguração, nem uma desenvolvida reportagem com destaque na primeira página do jornal madrileno ABC. 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Amadeo volta a Paris cem anos depois

Foi ontem inaugurada no Grand Palais de Paris, com a presença do primeiro-ministro português e da presidente da Câmara Municipal de Paris, uma exposição dedicada à obra de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), que se realiza no âmbito das comemorações dos 50 anos da delegação francesa da Fundação Calouste Gulbenkian.
Natural de Manhufe, próximo de Amarante, Amadeo viveu em Paris entre 1906 e 1914 e esteve no centro das vanguardas internacionais da arte do seu tempo e, curiosamente, expôs no Grand Palais durante o Salón de Automne de 1912. No ano seguinte participou na exposição internacional de Arte Moderna, em Nova Iorque, Chicago e Boston, tendo vendido sete das oito obras que expusera.
Agora, a exposição do Grand Palais que o JL nos apresentou na sua última edição, revela cerca de 250 obras de Amadeo correspondentes a uma densa produção artística, com registos muito diversos que vão do cubismo ao surrealismo, com largas referências ao seu mundo rural de Manhufe e ao mundo moderno e cosmopolita de Paris.
O grande objectivo desta exposição é internacionalizar Amadeo como grande figura da arte portuguesa. Antes de Amadeo, esteve Picasso e, antes dele, Velázquez. Por estes dias, na loja do Grand Palais haverá catálogos de Amadeo, discos de fado, azulejos e livros de Sophia de Mello Breyner. É uma grande iniciativa cultural portuguesa que vai estar em Paris até 18 de Julho e bom seria que, com o seu indiscutível peso, a Fundação Calouste Gulbenkian também trouxesse esta mostra até nós. Depois de feiras de vinhos e de presuntos que marcaram a nossa presença internacional nos últimos anos, aqui temos uma iniciativa que nos orgulha!

sábado, 16 de abril de 2016

A tourada supera o futebol em entusiasmo

A edição sevilhana do diário ABC relata hoje com grande destaque a 13ª corrida de toiros da Feria de Sevilla que se realizou ontem na Real Maestranza de Sevilla, com a praça cheia para assistir à actuação dos diestros Morante de la Puebla, El Juli e Andrés Roca Rey.
Segundo informa o jornal, enquanto El Juli sofreu uma cornada de 15 centímetros que o mandou para o hospital, o matador Morante de la Puebla teve uma faena de ensueño. O jornal não se poupa em elogios e, na sua primeira página, titula que Sevilla enlouquece con Morante e, mais adiante, num pormenorizado relato da corrida, diz que Morante de la Puebla, por fin, toca el cielo. Não admira, pois Morante é filho da terra.
Morante de la Puebla é o nome artístico de José António Morante Camacho, um toureiro espanhol de 36 anos de idade que nasceu em La Puebla del Rio, nos arredores de Sevilha. A fazer fé no que diz o jornal, a feliz actuação de Morante de la Puebla entusiasmou as 12.700 pessoas que encheram a praça mais famosa e com mais tradição taurina de Espanha e que é classificada como BIC, isto é, “bem de interesse cultural”.
Embora eu não seja aficionado e só consiga ver corridas de toiros à portuguesa, reconheço que a festa brava é um acontecimento cultural muito apreciado e com grande tradição em algumas regiões portuguesas e em muitas regiões espanholas. Na Andaluzia parece mesmo superar o entusiasmo pelo futebol, como atesta a fotografia de primeira página e a desenvolvida reportagem publicada na edição de hoje do diário ABC, num tempo em que parecia que o futebol e a política estariam a concentrar as atenções da cidade. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Palmira foi libertada. Será restaurada?

As forças governamentais sírias com o apoio das milícias libanesas do Hezbollah e da aviação russa recuperaram a cidade e o sítio arqueológico de Palmira, que esteve ocupada pelas forças do Estado Islâmico desde Maio de 2015. A recuperação da cidade apresentava-se como um grande objectivo para o governo de Bashar al-Assad e para os seus aliados, pois parece corresponder a uma inversão da sorte da guerra que lhes está  a ser favorável, sobretudo depois da intervenção da aviação russa.
Palmira foi um dos primeiros locais a ser declarado Património da Humanidade pela UNESCO e, desde então, tornou-se um grande centro turístico, até que chegou a guerra. Com a ocupação pelas forças extremistas, alguns dos mais simbólicos monumentos do sítio arqueológico foram destruídos, assim acontecendo com o Arco do Triunfo e com alguns templos, colunas e estátuas, enquanto o seu museu arqueológico foi pilhado.
A recuperação de Palmira permitiu verificar o seu grau de destruição, sucedendo-se declarações mais ou menos animadoras quanto à extensão do que foi destruído e sobre a vontade de restaurar o espaço arqueológico e os seus monumentos. Alguns jornais internacionais, como o americano The Wall Street Journal, dedicam alargados espaços à reconquista de Palmira e, através de entrevistas a especialistas, estimam que o restauro de Palmira pode durar entre cinco anos a “muito, muito tempo”. Será preciso muito dinheiro e muita cooperação internacional para concretizar este projecto mas, primeiro, tem que acabar a guerra.