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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Lula da Silva já anunciou candidatura

Desde o dia 7 de Abril que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se encontra numa prisão de Curitiba, por ter sido condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.
O assunto diz respeito aos brasileiros e ao seu sistema de Justiça, não sendo um tema para ser tratado por estrangeiros que não conhecem a realidade brasileira. Porém, é interessante saber que numa sondagem feita entre os dias 9 e 12 de Maio, se verificou que 51% dos entrevistados considera justa a prisão de Lula, mas que 38,8% consideram a detenção do ex-presidente como injusta. Outra curiosidade da sondagem é o grau de confiança dos brasileiros na sua Justiça, pois 52,8% consideram-na pouco confiável, há 36,5% que a consideram nada confiável e apenas 6,4% a considera muito confiável. Outra curiosidade, ainda, é o facto de 49,9% dos entrevistados entender que Lula da Silva não conseguirá disputa as eleições presidenciais deste ano, enquanto 40,8% entende que ele irá mesmo disputar as eleições. Temos, portanto, um Brasil muito dividido.
Neste contexto, aconteceu ontem um facto relevante, quando o jornal Le Monde, cuja seriedade, reputação e prestígio internacionais são inequívocos, abriu as suas portas a um texto do antigo presidente brasileiro e publica a sua fotografia em primeira página. Nesse texto, Lula da Silva reitera a sua intenção de se candidatar às próximas eleições presidenciais, onde continua a liderar as preferências dos brasileiros, afirmando que a sua prisão, tal como o impeachment de Dilma Rousseff, fazem parte de um plano para afastar do poder o seu partido.
Disse: “Sou candidato a presidente do Brasil, nas eleições de Outubro, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo” e acrescentou que “diante do desastre que se abate sobre o povo brasileiro, a minha candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com o caminho de inclusão social, do diálogo democrático, da soberania nacional e do crescimento económico, para a construção de um país mais justo e solidário, que volte a ser uma referência no diálogo mundial em favor da paz e da cooperação entre os povos".
A história do triplex do Guarujá está mal contada, a candidatura de Lula está anunciada e apoio do Le Monde é de peso. Veremos se avança ou se tropeça nas artimanhas e nas entre-curvas da Justiça brasileira.

domingo, 22 de abril de 2018

A enorme insegurança pública no Brasil

Sob o título E agora, Brasil?, o diário Folha de S. Paulo iniciou ontem uma série de grandes reportagens sobre temas importantes para a sociedade brasileira, em que apresenta estatísticas, diagnósticos e propostas para reflexão dos seus leitores e da sociedade brasileira.
A primeira dessas reportagens é excelente, versou o tema da segurança pública e essa prioridade justifica-se: o Brasil é hoje o país com o maior número de homicídios do mundo e em 2016 foram contabilizadas 61.283 mortes, que é um número próximo da média anual de mortos na guerra civil da Síria. A violência e o desemprego constituem actualmente duas das maiores preocupações dos brasileiros, mas também das autoridades que, para atenuar o problema, se decidiram desde 16 de Fevereiro por uma intervenção federal na área da segurança pública e do combate à violência e à criminalidade no Estado do Rio de Janeiro.
O Brasil é reconhecido como um recordista mundial de mortes violentas e sete pessoas são assassinadas em cada hora. A taxa média brasileira de homicídios por grupo de 100 mil habitantes chegou a 29,7 em 2016, que é praticamente o triplo do padrão considerado aceitável no mundo, mas esse índice não é uniformemente distribuído. As enormes assimetrias regionais brasileiras também se verificam nos índices de criminalidade, porque enquanto no Estado de S. Paulo se verificam cerca de 10 homicídios por 100 mil habitantes, no Estado de Sergipe, no outro extremo do Brasil, ocorreram 64 mortes por 100 mil pessoas em 2016.
O Brasil também está entre os países com menor taxa de esclarecimento dos homicídios o que significa impunidade, por falta ou por ineficiência das investigações policiais. Em média, apenas são esclarecidos cerca de 15% dos assassinatos que acontecem no país, enquanto esses índices atingem números bem diferentes no Reino Unido (90%), na França (80%), nos Estados Unidos (65%) e na Argentina ( 45%).
Perante este quadro, entre outras interrogações, o jornal pergunta: investir nas polícias ou na redução das desigualdades socio-económicas brasileiras?
Daqui do outro lado do Atlântico observamos o Brasil a que nos ligam tantos afectos e não deixamos de ficar preocupados nem de torcer para que a situação social melhore.

domingo, 8 de abril de 2018

Ex-presidente Lula divide o Brasil


O diário Folha de S. Paulo que se publica desde 1921 é um dos principais jornais brasileiros, tem uma orientação política conservadora e, no seu “cadastro”, tem inscrito o apoio que deu ao golpe militar de 1964 que estabeleceu a ditadura militar. Não admira, portanto, que esse jornal tenha estado sempre na primeira linha do combate contra o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O título que escolheu para a sua edição de hoje, por acaso igual ao que foi escolhido pelos diários conservadores O Estado de S. Paulo e O Globo, entre outros, é verdadeiro, mas aquelas duas palavras com caracteres desproporcionados só podem ser interpretadas como a satisfação de um desejo, ou como um grito de vitória.
Lula está preso desde ontem em Curitiba e o Brasil está dividido entre os que concordam com a sua prisão e aqueles que exigem a sua imediata libertação. Ninguém parece preocupar-se com a corrupção política brasileira que é uma coisa que vem de longe e que é transversal a todas as forças políticas. Só o caso de Lula parece interessar a justiça brasileira, certamente para o anular como símbolo político e para decapitar as forças políticas que ele lidera. 
Deste lado oriental do Atlântico recebemos o relato escrito e televisionado sobre as ligações perigosas que no Brasil existem entre a Política e Justiça e, também, a forma como tem sido conduzido o processo Lava Jato e, em especial, o processo contra o ex-Presidente Lula. Porém, a generalidade dessa informação não é independente e, por uma questão de bom senso, tem que ser vista com muitas reservas. O facto é que o Brasil está dividido, inquieto e muito nervoso por causa da prisão do ex-Presidente Lula, ao mesmo tempo que este caso passa para o exterior uma imagem negativa da judicialização da política ou até mesmo de um golpe no Brasil.
Que os brasileiros possam sair rapidamente deste imbróglio.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Os tempos difíceis por que passa o Brasil

O plenário do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF) decidiu ontem rejeitar por 6 votos contra 5, o pedido de habeas corpus preventivo que havia sido apresentado pela defesa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha sido condenado a 12 anos e um mês de prisão na segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Segundo se depreende da leitura da imprensa brasileira, o processo de Lula tem tanto de jurídico como de político, estando a suscitar muitas emoções e a dividir o Brasil. Para uma parte da sociedade brasileira a Justiça deve ser igual para todos e Lula terá de cumprir na prisão a pena a que foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro mas, para a outra parte da sociedade, o ex-presidente Lula é um ídolo que tirou milhões de brasileiros da pobreza, que prestigiou internacionalmente o Brasil e que está à frente das sondagens para as eleições presidenciais de Outubro.
O mais provável é que num país onde a corrupção dos políticos é muito elevada e a ordem pública está ameaçada, aconteça o paradoxo político de um ex-Presidente da República ir para a prisão por um delito menor no contexto da Operação Lava Jato, enquanto a grande criminalidade e os mais notados casos de corrupção parecem ficar impunes. O Brasil está a viver um processo de judicialização da política que é demasiado perigoso para os valores democráticos.
O jornal argentino Página/12 anteviu essa decisão do STF e, na primeira página da sua edição de anteontem, escreveu “golpe dentro do golpe”, significando que depois da destituição de Dilma Rousseff, o establishment brasileiro pressiona na Justiça e nos media para completar a operação de afastamento de Lula da Silva e dos seus aliados, com o chefe do Exército a pronunciar-se contra a impunidade e um outro general reformado a ameaçar com um golpe se Lula não for preso.
Os tempos vão difíceis para o Brasil e é necessária muita prudência para que as paixões pro-Lula e anti-Lula não se confrontem e o país possa viver em ordem e progresso, como está escrito na sua bandeira nacional.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A brutal violência do Rio de Janeiro

O jornal brasileiro O Globo anunciou que no passado mês de Janeiro se verificaram 640 tiroteios na área metropolitana do Rio de Janeiro, o que significa que os moradores da cidade se confrontaram com quase um tiroteio por hora, na maioria das vezes entre a Polícia e os traficantes de droga.
De acordo com outra fonte, no mesmo mês de Janeiro ocorreram 688 tiroteios e verificaram-se 146 mortes por arma de fogo e 158 feridos, o que mostra a dimensão da violência na cidade do Rio de Janeiro.
O problema é trágico porque, por exemplo no 1º semestre de 2017, ocorreram mais de 2600 tiroteios no Rio de Janeiro, de que resultaram quase 800 mortes. Estes números impressionam e assustam. Não se imagina a Cidade Maravilhosa assim! 
No Brasil pergunta-se muitas vezes se há solução para o problema da violência, até porque a política de repressão que tem sido adoptada não tem produzido resultados e apenas tem provocado o seu aumento, bem como o número de mortes e a insegurança social. O facto é que a violência no Rio de Janeiro, mas também em outras regiões do Brasil, é o reflexo do progressivo aprofundamento das desigualdades sociais que se verificam no Brasil, mas também é o resultado da aplicação de políticas erradas.
A política de segurança pública que tem sido seguida pelo Estado do Rio de Janeiro tem custado muitos milhões ao erário público, sendo superior aos orçamentos estaduais da educação e da saúde, mas as pessoas questionam-se cada vez mais sobre se não teria sido preferível aplicar esses recursos em políticas de inclusão social.
Porém, com tudo o que se passa nas estruturas do poder no Brasil, sobram dúvidas sobre se há capacidade ou vontade para reduzir a violência no país e, em especial, na sua antiga capital.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O culto açoriano do Divino está no Brasil

A edição do Diário Insular que se publica em Angra do Heroísmo destacou ontem na sua primeira página, em texto e em imagem, que o culto do Espírito Santo dos Açores é património no Brasil. De facto, foi recentemente aprovado na reunião do Conselho Estadual de Cultura do governo do Estado de Santa Catarina o registo da Festa do Divino Espírito Santo do Centro de Florianópolis como Património Cultural Imaterial de Santa Catarina.
Essa festa religiosa e popular é organizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo e realiza-se desde 1775 de forma ininterrupta, tendo completado 242 anos de idade em 2017. Curiosamente, na mesma cidade, também a Procissão do Senhor Jesus dos Passos que é organizada pela Irmandade do Senhor Jesus dos Passos de Florianópolis desde há 251 anos, está registada no lista do Património Cultural Imaterial de Santa Catarina.
Na área de Florianópolis estes festejos chegaram com os colonizadores portugueses, oriundos sobretudo dos Açores e da Madeira, entre os anos de 1748 e 1756, quando os portugueses e os espanhóis disputavam a posse daquela região. Por isso, a herança cultural açoriana no Estado de Santa Catarina é justamente protegida no âmbito da preservação do património imaterial da região.
A celebração da Festa do Divino é considerada um dos eventos religiosos mais importantes da comunidade católica de Santa Catarina, pois gera grande participação popular e atrai fiéis de muitas outras regiões brasileiras, sendo festejada em muitas outras cidades. É certamente, uma das grandes festividades que “os brasileiros herdaram dos seus avós portugueses”.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

As festas da chegada do novo ano de 2018

Os festejos alusivos à chegada de um novo ano realizam-se por todo o mundo e uma das suas expressões mais apreciadas é o fogo-de-artifício, que se tornou um espectáculo urbano que atrai multidões de residentes e é um cartaz turístico ao gosto dos visitantes, isto é, o fim do ano diverte e anima muita gente e dinamiza a economia das cidades.
A passagem do ano tornou-se uma grande indústria e as televisões não deixam de o mostrar quase sempre da mesma maneira e, este ano, não foi diferente. Começaram por mostrar os fogos-de-artifício exibidos em Auckland e, depois, o habitual espectáculo de Sydney à vista da Sydney Opera House e da Sydney Harbour Bridge. Algumas horas depois os canais televisivos destacaram as imagens da passagem do ano no Dubai, em Moscovo, Atenas, Berlim, Barcelona, Paris e em Londres, até que chegou a hora de nos oferecerem as imagens do fogo-de-artifício na baía do Funchal, no Porto e em Lisboa.
Esta manhã a imprensa internacional destacou nas suas primeiras páginas algumas imagens dos festejos, sobretudo em Sydney e no Dubai. Porém, a imprensa brasileira escolheu expressivas imagens da passagem do ano no Rio de Janeiro, em que se destaca o Cristo Redentor iluminado no Morro do Corcovado. Segundo o jornal O Globo, a praia da Copacabana teve a maior enchente da história da cidade com quase 3 milhões de cariocas e turistas a assistir à queima dos fogos, que durou 17 minutos e que foi a maior alguma vez acontecida na cidade. Apesar dos poucos casos de violência que se verificaram, a multidão pediu mais segurança, mais emprego e o fim da corrupção, que foram reivindicações que o jornal O Globo tratou com o título "reconstrução".

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A guerra do Brasil é contra a violência

Na sua edição de hoje, o jornal O Globo que se publica no Rio de Janeiro, inicia uma reportagem sobre “a guerra do Brasil”, que ilustra na sua edição online com um expressivo documentário de cerca de 14 minutos sobre a violência no país.
A partir da triste realidade de terem sido assassinadas 786 mil pessoas no Brasil entre 2001 e 2015, significando que nesse período se registou um homicídio em cada 10 minutos, a reportagem aborda este drama brasileiro ou esta guerra em que o Brasil está envolvido.
Assim, a reportagem considera que o número total de mortos na guerra da Síria (331 mil) e na guerra do Iraque (268 mil), é inferior ao número de mortes por homicídio ocorridos no Brasil nos últimos 15 anos, o que mostra que a violência mata mais do que a guerra.
A violência no Brasil tem crescido nos últimos anos a um ritmo mais intenso do que o próprio crescimento da população e, em cada ano, já se contabilizam mais de 60 mil homicídios, sendo no Estado do Rio de Janeiro que a situação é mais grave. Mesmo nos países mais populosos do mundo, como a China ou a Índia, este drama não tem a gravidade que está a ter no Brasil.
Embora esta situação resulte de factores sociais muito diversos, incluindo a pobreza e a desigual distribuição do rendimento nacional, a reportagem sugere que o fenómeno está relacionado com a ausência de políticas públicas que tratem o problema da segurança em articulação com as questões sociais da pobreza e da exclusão.
Porém, a instabilidade política no Brasil tem sido tão grande que é difícil imaginar o desenvolvimento de uma estratégia nacional contra a violência, tal como contra a pobreza, a fome ou a corrupção, porque todas essas estratégias obrigam a atacar as raízes dos problemas e, naturalmente, a atacar muitos interesses instalados.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A violência que tanto amedronta o Brasil

O Brasil ou República Federativa do Brasil é um grande país e, segundo revelam os rankings, é o 5º maior país do mundo e, com mais de 200 milhões de habitantes, é o 6º país mais populoso do planeta. É, provavelmente, o mais multicultural e multiétnico país do mundo, devido à imigração que recebeu de todas as partes do mundo.
As suas potencialidades económicas são enormes, bem como o dinamismo da sua população, mas esses factos não excluem o país das crises cíclicas que, um pouco por todo o mundo, afectam o progresso das populações e geram demasiada instabilidade social. Há razões exógenas e endógenas para o aparecimento dessas crises e dessa instabilidade, que têm contornos muito diversos, em que se cruzam a ineficácia dos poderes públicos, o desemprego, a pobreza e de uma forma geral uma cultura de violência. 
A edição de hoje da Folha de S. Paulo salienta que, com base nos números ontem divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública relativos ao ano de 2016, o número de mortes violentas intencionais registadas no Brasil atingiu 61.619 pessoas, o que representa um acréscimo de 4,7% em relação ao ano anterior e se traduz num impressionante indicador: uma média de sete mortes violentas por hora. Esse indicador revela níveis de insegurança e de violência extremas, com uma taxa média nacional de mortes violentas de 29,9 assassinatos por 100 mil habitantes, com maior incidência nos Estados nordestinos de Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas.
Outras informações divulgadas pelo mesmo jornal mostram que em 2016 foram mortos 437 polícias brasileiros em acções violentas e que se verificaram 557 mil roubos de veículos, o que representa o furto de um veículo por minuto.
Hoje a violência e a insegurança estão espalhadas por todo o país e já não são exclusivas dos grandes Estados. É um problema nacional que amedronta a população brasileira.

domingo, 15 de outubro de 2017

Brasília sofre com o calor e com a seca

A cidade de Brasília parece estar a ser vítima das alterações climáticas, pois os termómetros marcaram 35ºC no dia mais quente do ano e a humidade relativa chegou a 12%. O jornal Correio Braziliense pergunta que clima é este, que em pleno mês de Outubro, o mês em que as chuvas começam a chegar, está a sofrer os efeitos de um clima típico do deserto, com excesso de calor e baixa humidade, mas também alguns incêndios florestais e o racionamento de água. O calor e a seca estão a afectar os brasilienses e não se espera que chova nos próximos dias, enquanto as previsões apontam para que esta situação se mantenha por mais uma semana pelo menos. O recorde histórico de 36,4ºC registado em Brasília em Outubro de 2015, pode ser ultrapassado nos próximos dias.
Os brasilienses estão desesperados e a subsecretaria da Defesa Civil declarou o estado de emergência no Distrito Federal, recomendando que seja interrompido o trabalho ao ar livre entre as 10 e as 17 horas.
A juntar ao calor e à seca extremos, também ocorreram alguns incêndios florestais, sobretudo o que afectou o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, enquanto os reservatórios de água estão nos seus limites mínimos e é cada vez mais provável que venha a ser racionado o abastecimento regular de água potável.
Significa que as alterações climáticas são mesmo uma realidade à escala global e que é necessário cumprir com o Acordo de Paris assinado em 2015 por 195 países, para gerir a redução das emissões de dióxido de carbono  e reduzir o aquecimento global.

domingo, 16 de julho de 2017

Os juízes brasileiros tomaram o poder

Toda a imprensa espanhola destaca hoje com grande entusiasmo a vitória de Garbiñe Muguruza no torneio de Wimbledon, conseguida frente à americana Vénus Williams, não só porque se trata do mais antigo e mais famoso torneio de ténis do mundo, mas também porque foi obtida perante uma das lendárias irmãs Williams, que já venceram 12 vezes em Wimbledon.
Porém, no diário El País há uma notícia inquietante relativa ao Brasil, onde segundo escreve o jornal “los jueces tomaron el poder”. O panorama político brasileiro tem sido dominado pelas investigações do caso Petrobras, dirigidas por inúmeros juízes, procuradores, agentes tributários e diversos tribunais, que procuram esclarecer a rede de corrupção que alastrou pela classe política brasileira. Porém, nas últimas semanas o poder judicial pareceu querer atacar o núcleo duro do poder político e, pela primeira vez, um presidente (Michel Temer) foi denunciado por corrupção e, também pela primeira vez, um ex-presidente (Lula da Silva), foi condenado em primeira instância a uma pena de prisão de nove anos e meio por corrupção e lavagem de dinheiro.
Ambos reagiram em tom semelhante, questionando a autoridade dos juízes e argumentando que o poder pertence ao povo e não aos juízes que, cada vez mais, interferem ilegitimamente na actividade política.
Por cá vai acontecendo a mesma coisa e, alguns políticos, são vítimas da mediatização orquestrada por alguns agentes da Justiça e condenados sem acusação nem julgamento, o que revela a intenção dos juízes de interferir na política. São muitos os casos, mas a recente história dos Secretários de Estado que foram a  França ver e aplaudir a selecção nacional de futebol é mesmo uma vergonha para quem os constituiu arguidos, a mostrar uma faceta mesquinha e trauliteira da classe dos juízes. Será que foi assim tão grave aceitar um convite para ver o futebol e fazer uma acusação que interferiu gravemente na governação? Ou será que, para além dos políticos e dos jornalistas que encheram esses aviões e que aceitam viagens, não haverá juízes que também beneficiam dessas práticas?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

R.I.P. Alípio de Freitas

Estava anunciada para o dia 17 de Junho uma Homenagem Nacional a Alípio de Freitas, mas o destino antecipou-se e, quatro dias antes desse evento, o homenageado morreu em Lisboa aos 88 anos de idade.
Alípio de Freitas teve uma vida de revolucionário em defesa dos mais pobres que só veio a ser conhecida pela voz de José Afonso, que lhe dedicou uma canção e o classificou como "homem de grande firmeza".
Nascido em Vinhais em 1929, foi ordenado padre em 1952 e, de imediato, foi viver junto dos pobres em Guadramil e Rio de Onor na serra de Montesinho. Cinco anos depois aceitou um convite de um arcebispo brasileiro e instalou-se nos subúrbios pobres de São Luís do Maranhão. Nos anos 60 rompeu com a hierarquia da Igreja, deu apoio aos movimentos de camponeses e tornou-se um resistente contra a ditadura militar brasileira. Para poder desenvolver essa luta naturalizou-se brasileiro e foi viver nas favelas do Rio de Janeiro, mas em 1970 foi preso e torturado quando era dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores. Foi então que José Afonso o deu a conhecer aos portugueses quando, no seu álbum Com as Minhas Tamanquinhas que editou em 1976, lhe dedicou uma canção-homenagem.
Em 1981 Alípio de Freitas deixou o Brasil e seguiu para Moçambique onde permaneceu alguns anos envolvido em projectos de apoio aos camponeses, regressando depois a Portugal. Teve uma vida cheia e foi padre, professor, jornalista, promotor e dirigente de diversos movimentos sociais e associações cívicas de defesa dos desprotegidos. Homens destes são raros.
Aqui lhe fica a minha homenagem pela voz de José Afonso.
https://www.youtube.com/watch?v=IXNLoTKo4Hw

sábado, 20 de maio de 2017

O tempestuoso vento que sopra do Brasil

As notícias que nos chegam do Brasil são demasiado preocupantes. As revelações sobre a corrupção que penetrou em todos os escalões da política brasileira e que levaram ao afastamento de Dilma Rousseff da presidência do Brasil e à permanente suspeita sobre Luiz Inácio Lula da Silva, já tinham mostrado uma invulgar dimensão do problema. Era previsível, portanto, que a história continuasse. E continuou. Sucederam-se novas informações obtidas quase sempre através da figura da "delação premiada", que trouxeram ao conhecimento público muitos mais casos que revelam subornos e propinas a milhares de políticos de partidos de todo o espectro parlamentar brasileiro. Ao contrário do que acontece um pouco por todo o mundo em que a corrupção é a excepção, no Brasil a corrupção é a regra.
Um dia destes foi revelada uma conversa entre o actual presidente Michel Temer e um empresário de apelido Batista, no qual aquele parece autorizar o pagamento de subornos. O Supremo Tribunal Federal abriu uma investigação contra Temer sustentada em suspeitas de que cometera crimes de obstrução judicial, organização criminosa e corrupção passiva, mas o presidente do Brasil apressou-se a fazer uma declaração ao país a anunciar que não vai renunciar ao seu cargo. Era de esperar.
Na sua última edição a revista Veja invoca a grandeza do Brasil e a necessidade de grandeza dos homens públicos que ocupam o aparelho de Estado, porque é urgente a rápida regeneração da vida pública brasileira. Porém, a ideia de grandeza pode ter subjacente a ideia de homens providenciais e é preciso muito cuidado com isso.  A revista também lança um veemente apelo para que se acabe com esta lamentável situação, porque os milhões de brasileiros honestos não merecem ser punidos pela desfaçatez e pela ganância dos poderosos. É verdade. No entanto, a revista não aponta uma saída para esta situação que, naturalmente, só pode ser encontrada através da vontade popular expressa através do voto democrático. Só pode ser esse o caminho a seguir pelos nossos irmãos brasileiros.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

As velas brasileiras de visita à Europa

Nos últimos tempos não têm sido animadoras as notícias que nos chegam do Brasil, sobretudo depois daquela aparente precipitação que foi a destituição da Presidente Dilma Rousseff. Foi a partir daí que se acentuaram as notícias sobre a operação Lava-jato, sobre a crise económica e social, sobre a insegurança em algumas cidades e até sobre a persistente permanência do futebol brasileiro num inesperado patamar de quase vulgaridade. A leitura da imprensa brasileira raramente tem notícias animadoras, embora isso aconteça em toda a parte quando ciclicamente se atravessam as situações de depressão ou de crise.
Porém, apesar desta tendência depressiva, também há boas notícias. Hoje, por exemplo, o diário O Liberal da cidade de Belém destaca a visita da galera Cisne Branco, um veleiro da Marinha do Brasil, com uma fotografia de primeira página. A notícia refere que o navio iniciou no passado dia 2 de Abril no Rio de Janeiro uma viagem com a duração de cerca de seis meses baptizada como “Europa 2017”. Quando, no dia 14 de Outubro, regressar ao Brasil, o navio terá visitado 18 portos de 12 países, incluindo Lisboa e Ponta Delgada. O veleiro de 76 metros de comprimento foi construído em Amsterdão e foi incorporado na Marinha brasileira em Fevereiro de 2000 e é, naturalmente, um símbolo do Brasil e da sua Marinha, sendo-lhe atribuídas missões de representação nacional em eventos náuticos internacionais, de apoio à diplomacia brasileira, de preservação da memória histórica do país e, ocasionalmente, de instrução de jovens cadetes da Marinha brasileira.
A imagem de um veleiro como o Cisne Branco tem sempre uma faceta estimulante e de desafio. Se antes era o desafio e a aventura pelos mares desconhecidos e pelas grandes viagens, hoje é o desafio do progresso e da preservação do património comum que são os oceanos, isto é, duas causas bem estimulantes de que os brasileiros certamente comungam.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Brasil treme com a operação Lava Jato

Embora deste lado do Atlântico saibamos pouco sobre o que se passa no Brasil em relação à Operação Lava Jato ou à propina paga pela Petrobras ou aos acordos de  delacção premiada que foram feitos entre a autoridade judicial e os executivos da Odebrecht e de outras grandes empresas, o facto é que de vez em quando somos surpreendidos com as notícias que nos chegam do Brasil. O ministro   Edson Fachin, que é o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, provocou um verdadeiro terramoto político ao dar luz verde para a abertura de processos a dezenas de altas figuras do Estado. 
Hoje, o diário O Globo tal como a generalidade da imprensa brasileira, destacou que a República é que está a ser investigada e que há suspeitas sérias em relação a 8 ministros, 12 governadores, 24 senadores, 37 deputados e 5 antigos Presidentes da República. Estas informações impressionam toda a gente e os brasileiros têm todas as razões para estar preocupados, porque estes números envergonham o Brasil. Parece, então, que as investigações em curso que a Polícia Federal brasileira tem conduzido para apurar os esquemas de generalizada corrupção activa e passiva, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de recebimento de vantagens indevidas e, de uma forma geral, de enriquecimento ilegal e criminoso, têm uma dimensão transversal por todo o país e neles estão envolvidas as elites brasileiras.
Por aqui, vamos continuar a acompanhar as notícias da Operação Lava Jato para saber se vai ser possível fazer a limpeza a que aspira a sociedade brasileira. Por cá não temos nenhuma Operação Lava Jato, nem nada que se pareça. Aqui não se procura acabar com os males da nossa floresta de vícios e proceder à sua limpeza, porque os nossos sapadores florestais apenas se interessam por uma ou outra árvore de que não gostam e não procuram limpar a floresta.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um prémio como pretexto de luta política

O Prémio Camões é considerado a mais importante distinção que premeia um autor de língua portuguesa. Foi criado em 1988 por acordo entre os governos de Portugal e do Brasil, sendo anualmente atribuído a autores que, pelo conjunto da sua obra, tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Entre os escritores galardoados figuram os nomes de Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, José Craveirinha, Vergílio Ferreira, Rachel Queiroz, Jorge Amado, José Saramago, Sophia de Melo Breyner, Pepetela e Mia Couto.
Em 2016 o júri do prémio escolheu o escritor brasileiro de origem libanesa Raduan Nassar. Ontem no Museu Lasar Segall em S. Paulo, realizou-se a cerimónia da entrega do Prémio Camões, na presença do Ministro da Cultura brasileiro Roberto Freire e do Embaixador de Portugal, um acontecimento cultural que a edição de hoje da Folha de S. Paulo destaca na sua primeira página com uma fotografia a quatro colunas.
Aconteceu que durante a cerimónia Raduan Nassar não fez o habitual discurso de agradecimento próprio destas circunstâncias, mas aproveitou para fazer um contundente ataque ao governo de Michel Temer que acusou de golpista e repressor, ao mesmo tempo que fez o elogio de Dilma Rousseff pela sua integridade.
O Ministro Roberto Freire reagiu com dureza e disse que Raduan deveria renunciar ao prémio de 100 mil euros, mas durante a sua intervenção foi intensamente vaiado pela assistência, o que revela alguma insatisfação pelos rumos da política brasileira. Porém, o que aqui nos interessa sublinhar é que um evento que deveria ser de natureza cultural se transformou num acontecimento de luta política.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

As dúvidas e as incertezas do Brasil

A recente rebelião do presídio de Manaus em que se confrontaram grupos rivais e que se saldou em 60 mortos e 184 fugitivos, não é só um acontecimento trágico, mas também é um sinal muito preocupante da situação social que se vive em algumas regiões brasileiras, com evidentes sinais de instabilidade e até mesmo de desagregação. A consulta da imprensa brasileira revela sinais de uma crise profunda, em que sobressai a fraqueza do Estado e das instituições, mas também uma situação económica fragilizada pela recessão e pelo desemprego e um quotidiano de insegurança e de incerteza.
A propósito da rebelião do presídio de Manaus o jornal Estado de Minas classifica o ambiente do sistema prisional brasileiro como bomba-relógio, mas esse alerta é porventura mais profundo e pode aplicar-se a outros sectores da sociedade brasileira, que não apenas o sistema prisional.
A imagem externa do Brasil deteriorou-se enormemente quando há poucos meses foi destituída a Presidente Dilma Rousseff, como consequência de um confronto de facções político-partidárias. A democracia brasileira abriu uma profunda brecha e saiu muito enfraquecida do processo de “impeachment”, ao contrário do que foi dito. A confusão no topo do Estado contagiou outros escalões. O sistema político brasileiro abriu uma caixa de Pandora e viu-se o novo governo de Michel Temer a perder ministro sobre ministro, sob acusações de corrupção. Muitas instituições federais ou estaduais têm revelado alguma incapacidade para assegurar a harmonia social, para promover a recuperação económica e para dar confiança aos brasileiros. 
É preciso que a rebelião de Manaus tenha sido apenas um caso isolado e que não haja qualquer bomba-relógio no horizonte brasileiro.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Novo ano e esperança num mundo melhor

Ontem despedimo-nos de 2016 com uma imagem do Brasil e da sufocante praia de Pitangueiras a abarrotar de guarda-sóis e de gente. Hoje voltamos ao Brasil para saudarmos a chegada do novo ano de 2017, através de uma imagem do espectacular fogo de artifício sobre a praia de Copacabana no Rio de Janeiro, que o jornal O Globo escolheu para ilustrar a sua primeira edição do novo ano.
Hoje, como repetidamente acontece todos os anos, muitos jornais ilustraram as suas edições com imagens do fogo de artifício em Sydney e Hong Kong, enquanto a generalidade das televisões rivalizaram na apresentação de imagens da passagem do ano.
Porém, para além das festivas e coloridas imagens que proporciona, esta mudança de calendário torna-se um tempo de reflexão, em que por toda a parte se exprime a aspiração por um mundo melhor, com paz, harmonia e prosperidade. Esta aspiração também significa que se deseja o fim de todas as guerras, o fim do terrorismo, o fim da exploração e o fim da fome e da pobreza.  Estes e outros males do mundo podem não acabar de repente, mas há que fazer um esforço no sentido de os atenuar, para que a felicidade, a segurança, a prosperidade e o bem estar sejam cada vez mais uma pertença de toda a Humanidade.
Que em 2017 seja esse o rumo do mundo.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Que sufocantes são as praias brasileiras

O diário brasileiro Estado de S. Paulo ilustra a sua última edição de 2016 com uma elucidativa fotografia da praia de Pitangueiras que se situa no centro do Município da Estância Balneária do Guarujá, no Estado de S. Paulo.
É a mais acessível e a mais popular de todas as 27 praias do município e, por isso, atrai multidões, sobretudo nestes dias de festas do fim do ano, quando o calor tropical aumenta e a brisa marítima se torna uma benção que toda a gente procura. Nestes dias, porque o lugar está geograficamente em 23º de latitude Sul e a declinação do Sol também está próxima desse valor, ao meio-dia o Sol está no zénite ou por cima da cabeça das pessoas e “não há sombra”. É mesmo tempo de calor.
A fotografia que o jornal publica mostra o areal da praia de Pitangueiras coberto por muitas centenas de coloridos guarda-sóis, absolutamente ocupado e sem espaço para mais nada. Este sufoco está a banalizar-se em muitas praias, não apenas no Brasil, mas sobretudo nas praias situadas nas proximidades das grandes cidades que se estão a tornar num sítio pouco recomendável para descanso ou para lazer. Todos podemos imaginar o ambiente criado por guarda-sóis encostados uns aos outros e acrescentar que, segundo refere a notícia, “as caixas de som debaixo do guarda-sol viraram moda”.
A fotografia publicada fala por si e vale mais do que mil palavras. É caso para perguntar se alguém quer trocar este frio português pelo calor de uma praia brasileira como esta.

domingo, 18 de dezembro de 2016

O Brasil enguiçou, mas o Brasil vencerá!

O Brasil está a passar por um período difícil, não apenas por razões políticas e sociais, mas também por razões económicas, mas essa dificuldade não é apenas brasileira. Hoje é difícil encontrar um canto do mundo onde a harmonização entre a democracia, o crescimento económico e o emprego tenha inequívoco sucesso ou, dito de outra maneira, onde se caminhe firmemente para o progresso e o bem estar social das populações.
A globalização não está a ser uma luz que ilumina o mundo, a instabilidade é grande e vive-se num quadro de incerteza e de menor confiança no futuro. O nosso tempo, que se pensava poder ser de prosperidade devido aos progressos da ciência e da tecnologia, está a gerar muita conflitualidade, a paz global está ameaçada e surgem desafios a que se estava menos atento, como o combate à pobreza e à desigualdade, à poluição e à degradação do ambiente.
Tal como tem acontecido na generalidade das regiões do nosso planeta, também o Brasil atravessa um período de recessão económica e de instabilidade política, do qual precisa de sair  depressa para criar empregos, gerar rendimentos, reduzir a pobreza e assegurar os serviços fundamentais à população, como a educação, a saúde, a justiça e a segurança. Para conseguir tudo isso, o Brasil precisa de crescimento económico ou precisa de quebrar o enguiço.
A revista brasileira Época que se publica no Rio de Janeiro abordou esse problema na sua última edição - com uma capa cheia de criatividade - e trata do assunto numa perspectiva económica, recorrendo a uma máquina que harmoniza duas grandes engrenagens, isto é, a força de trabalho (capital humano) e os meios de produção (capital físico). Está certo e é isso que se aprende nas escolas de economia. Porém, esse crescimento económico não resulta apenas dessas duas engrenagens pois depende de uma complexa equação a muitas incógnitas e há três delas que são essenciais: a estabilidade política, o regular funcionamento das instituições e a confiança. As elites brasileiras deslumbraram-se com um ciclo económico favorável e abriram caminhos que agora não controlam. A máquina do crescimento quebrou. É preciso mais investimento. Mais produtividade. Menos burocracia. Mais inovação. Mais estabilidade política. Mais confiança. Mas o Brasil vencerá!