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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A Super Lua fotografada em Burgos

Esta semana a Lua esteve na sua fase de lua cheia, ao mesmo tempo que ocorria um eclipse total e que a sua órbita estava no perigeu, isto é, no seu ponto mais próximo da Terra. Estas três circunstâncias raramente ocorrem em simultâneo.
A lua cheia e o perigeu dão origem à chamada Super Lua, que pode aparecer 14% maior e 30% mais brilhante do que é habitual. Por outro lado, o mês de Janeiro teve duas luas cheias, o que não é habitual acontecer, sendo costume chamar-se Lua Azul à segunda lua cheia do mês.
Significa que, na passada quarta-feira tivemos Super Lua, Lua Azul e, devido ao eclipse, até tivemos uma lua de cor avermelhada, embora o eclipse não tenha sido visível em Portugal.
Aqui em Lisboa, nem a Imprensa, nem o Observatório Astronómico de Lisboa, alertaram para o acontecimento e pouca gente terá olhado para a Lua, até porque o eclipse não foi visível.
A imprensa internacional deu notícia deste fenómeno, sobretudo nos Estados Unidos, onde os fotógrafos aproveitaram a oportunidade para fazer prova de vida.
Aqui ao lado, na Comunidade Autónoma de Castela e Leão, o Diário de Burgos chamou a este fenómeno um espectáculo celestial e aproveitou para publicar uma sugestiva fotografia da famosa catedral da cidade a enquadrar a Super Lua.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Luanda perfaz hoje 442 anos de idade

A cidade de Luanda celebra hoje 442 anos de idade pois foi fundada no dia 25 de Janeiro de 1576 por Paulo Dias de Novais, um fidalgo e explorador português que lhe então deu o nome de São Paulo da Assunção de Loanda. O Jornal de Angola evoca essa data na sua edição de hoje.
Paulo Dias de Novais estivera naquela costa em 1560 a pedido do rei de Ndongo, vassalo do reino do Kongo, que pedira aos portugueses o envio de missionários para a região, mas acabou por ser hostilizado e regressou a Portugal. Mais tarde, voltou a partir de Lisboa para a costa de Angola acompanhado por dois jesuítas, tendo chegado à ilha de Luanda em Fevereiro de 1575, com dois galeões, duas caravelas, dois patachos e uma galeota, aí estabelecendo o primeiro núcleo de colonos portugueses na costa de Angola. Eram cerca de 700 pessoas, onde se incluiam religiosos, mercadores, funcionários e 350 homens de armas.
Porém, verificando que a ilha de Luanda não era o local mais adequado para criar uma povoação, decidiu fixar-se na terra firme e aí lançar a primeira pedra para a construção de uma igreja dedicada a S. Sebastião, exactamente no dia 25 de Janeiro de 1576. Foi há 442 anos.
A história de Luanda é muito rica como revela o seu património arquitectónico religioso e militar herdado da colonização portuguesa, mas assinalam-se outros factos históricos relevantes como a sua posse pelos holandeses que entre 1641 e 1648 dominaram a cidade, até que uma coligação de portugueses, brasileiros e angolanos saiu do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá e Benevides e reconquistou a cidade.
Hoje Luanda é a capital da República de Angola e é uma cidade com mais de 8 milhões de habitantes, que é também a maior capital de língua portuguesa e a terceira maior cidade de língua portuguesa depois de São Paulo e do Rio de Janeiro.

sábado, 6 de janeiro de 2018

A tradição da Cabalgata de Reyes Magos

Na tarde de ontem, dia 5 de Janeiro, a maioria das cidades espanholas assistiu a um grandioso desfile com alguns vistosos carros alegóricos, que é conhecido como a Cabalgata de Reyes Magos.
Trata-se de uma tradição espanhola que parece ter nascido em finais do século XIX e que não é exclusiva das cidades do país vizinho, pois também acontece em algumas cidades polacas, checas, mexicanas e, segundo consta, até na vila de Monção no norte de Portugal.
O desfile evoca a tradição cristã, segundo a qual os três Reis Magos – Belchior, Gaspar e Baltazar – vieram do Oriente para visitar o “rei dos Judeus” que acabara de nascer em Belém, na província romana da Judeia, para o adorar e para lhe entregar presentes. Nesta moderna versão da Natividade, os três Reis Magos “entram” na cidade em carros ricamente decorados, rodeados pelos seus pajens que distribuem pequenos presentes às crianças, sobretudo muitos quilos de caramelos, mas também alegria, cor, ilusão e magia. Porém, para além do seu significado simbólico, a cabalgata também é um grande espectáculo visual, que não difere muito dos desfiles carnavalescos.
Este dia 5 de Janeiro e este ritual na véspera do Dia de Reis são muito apreciados em Espanha e a população vem para a rua para acompanhar o festivo cortejo. Hoje, os jornais espanhóis escolheram imagens da Cabalgata de Reys Magos para ilustrar as capas das suas edições, assim acontecendo com o diário El Pueblo de Ceuta, em que se vê uma multidão na rua e se destaca que "a magia dos Reis Magos se impôs à ameaça da chuva”.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Boston até parece uma cidade polar

Aqui, neste canto ocidental da Europa, temos um certo privilégio meteorológico, pois não temos invernos muito rigorosos. Nas mesmas latitudes, mas do outro lado do Atlântico, a corrente fria do Lavrador produz efeitos bem mais severos e, quando ocorrem certos fenómenos meteorológicos, a situação agrava-se. Foi o que aconteceu nos últimos dias quando uma tempestade a que foi dado o nome de Grayson se aproximou da costa oriental dos Estados Unidos levando consigo ventos ciclónicos, frio, neve, gelo e inundações, que já afectaram todo o litoral americano desde o Massachusetts à Florida. Em Boston as águas da bacia portuária congelaram como mostra a imagem de capa do Boston Herald e já foram utilizados navios quebra-gelos para permitir o movimento portuário. Tem sido um caso sério e o próprio título de primeira página do jornal é esclarecedor: ICE AGE.
O estado e a cidade de Nova Iorque estão cobertos de neve e gelo e as temperaturas oscilam entre os 10 e os 20 graus Celsius negativos. Até na Florida se têm sentido os efeitos deste fenómeno, tendo nevado na cidade de Tallahassee, a sua capital, o que já não acontecia desde 1989.
Os efeitos da tempestade Grayson, que os meteorologistas classificaram como bomb cyclone, têm sido devastadores, pois já causaram mortes, cortaram o abastecimento de energia em muitas áreas residenciais, levaram ao encerramento de escolas e de serviços públicos, provocaram o caos nas estradas, cancelaram alguns milhares de voos e afectaram muitas actividades económicas em todos os estados da costa leste americana. Porém, a imprensa tem destacado esta tempestade e publicado inúmeras fotografias da neve e do gelo nas grandes cidades do noroeste dos Estados Unidos, sobretudo Boston e Nova Iorque, onde as ruas estão cobertas por espessos mantos de neve e o gelo se acumula na via pública.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Sydney previne-se da ameaça terrorista

A edição do diário australiano The Daily Telegraph que se publica em Sydney destaca hoje na sua primeira página uma imagem do chamado Sydney central business district, ou Sydney CBD, ou The Town, que é o maior centro económico e financeiro australiano e a principal área comercial de Sydney, a capital do estado de New South Wales e a a mais populosa cidade da Austrália.
A imagem mostra uma rua ocupada por vários veículos pesados e semi-reboques que formam um “anel de aço” para proteger as pessoas no local e no dia de maior movimento comercial do ano que é o Boxing Day. O título principal da notícia é esclarecedor: “Fortress Sydney”.
Trata-se, portanto, de uma decisão preventiva das autoridades para evitar quaisquer acções terroristas semelhantes às que se verificaram em algumas cidades europeias onde o terrorismo atacou os grandes ajuntamentos de pessoas, mas também é um dispositivo de segurança que descaracteriza e desumaniza a parte mais atraente da cidade. Contudo, é o preço que tem que ser pago para garantir a segurança das pessoas.
As ameaças terroristas têm alterado as nossas vidas nos últimos tempos e essa mudança era mais evidente com as medidas de segurança que são adoptadas nos aeroportos, nas estações dos metropolitanos e no acesso a alguns espectáculos. Porém, a notícia e a fotografia do CBD de Sydney mostra um novo aspecto da prevenção das acções terroristas que altera substancialmente a paisagem urbana em nome da segurança das pessoas.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

New Bedford, os Açores e os baleeiros

Em 18548 o cidadão Benjamin Russell exibiu na cidade de New Bedford uma grande pintura feita para um inovador espectáculo que circulava de cidade em cidade e que contava a história da baleação e dos baleeiros. Era um tela com 2,5 metros de altura por 388 metros de comprimento, que era estendida nas paredes interiores de um edifício circular para ser vista pelo público sentado na sala, enquanto girava muito devagar. A apresentação durava duas horas, era companhada musicalmente e tinha uma narração. Estas apresentações eram conhecidas por panoramas e foram verdadeiros precursores do cinema e das experiências tridimensionais.
A tela de Benjamin Russell chamava-se o Grande Panorama de uma Viagem de Baleeiro à Volta do Mundo e mostra um veleiro a sair de New Bedford, a atravessar o Atlântico e a visitar quatro ilhas do grupo central dos Açores (Faial, Pico, S. Jorge e Graciosa), onde os americanos recrutavam pessoal para integrar as suas tripulações e de que resultou a transformação de New Bedford num dos principais polos de atracção da emigração açoriana para os Estados Unidos. A história contada naquele panorama prossegue depois por Cabo Verde, pelo Brasil e pelas estações baleeiras do Índico e do Pacífico Sul, contando muitas histórias que mostravam o desconhecido e o exótico. Foi um grande sucesso e foi exibido durante muitos anos, a última das quais em 1969.
Desde 1918 que este panorama está no New Bedford Whaling Museum, onde é um dos destaques da sua exposição permanente, até porque é provavelmente a maior pintura original do mundo. Porém, a enorme tela sofreu ao longo do tempo o natural desgaste das viagens, quase sempre de comboio, bem como os efeitos de cerca de 120 anos a ser enrolada e desenrolada. Assim, foi agora restaurada e digitalizada, o que vai permitir a sua apreciação e o seu “regresso à estrada”, como aconteceu desde meados do século XIX, se assim for entendido.
A edição de hoje do Diário de Notícias conta toda a história deste panorama e reproduz o trecho da tela que retrata as ilhas do Faial e do Pico. São ilustrações tão simbólicas que não tardará que o Governo Regional dos Açores venha a adquirir uma cópia desse trecho para enriquecer o Museu do Pico e, em especial, a sua extensão nas Lajes do Pico que é o Museu dos Baleeiros.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Valência, a cidade das ciências e das artes

Tal como acontece com muitas cidades espanholas, Valência é um museu a céu aberto e essa realidade é perceptível sobretudo na área da moderna Cidade das Artes e das Ciências, onde se destaca a inconfundível obra do arquitecto valenciano Santiago Calatrava e, em especial, o Museu das Ciências Principe Felipe.
Foi exactamente nos espaços adjacentes ao lago artificial do museu que no passado Verão esteve patente ao público uma exposição de seis monumentais cabeças de grandes dimensões do escultor Manolo Valdés, um artista também valenciano de grande cotação internacional, que vive em Nova Iorque. Nessa altura, a presidente da Fundação Hortensia Herrero decidiu doar à cidade uma das seis obras expostas a escolher por votação popular dos valencianos. Os votantes escolheram La Pamela, uma escultura de grandes dimensões que representa uma cabeça de mulher com um chapéu, pela qual a instituição-mecenas pagará 1,7 milhões de euros. Ontem a obra foi desmontada e cuidadosamente embalada, a fim de ser transportada e instalada na Marina de Valência, onde ficará frente ao mar.
O diário Levante deu hoje grande destaque à operação de desmontagem de La Pamela e ao início da operação que vai enriquecer o património arquitectónico e artístico da cidade de Valência. Esta iniciativa mecenática valenciana é exemplar e bom seria que pudesse contagiar alguns agentes económicos portugueses para iniciativas semelhantes, mas sujeitos a critérios de qualidade, até para contrabalançar a obscura política autárquica de encomenda de mamarachos que têm decorado as rotundas das nossas cidades.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

European Medicines Agency: Amesterdão

A corrida que estava em curso para conquistar a futura localização da Agência Europeia do Medicamento (EMA na sigla inglesa) terminou ontem e os 27 Estados-membros reunidos num Conselho Europeu de Assuntos Gerais escolheram a cidade de Amsterdão.
A EMA é um organismo descentralizado da União Europeia que foi criado em 1995 e que tem total responsabilidade pela monitorização científica, avaliação, supervisão e segurança de todas as substâncias e medicamentos desenvolvidos por laboratórios farmacêuticos para uso no espaço europeu. A sua sede é em Londres, mas por causa do Brexit vai ter que ser relocalizada.
Apareceram 19 cidades candidatas a albergar esta importante agência e uma delas foi a cidade do Porto. Um estudo realizado por uma consultora tinha concluido que a vinda da EMA para Portugal teria um impacto de 1.130 milhões de euros na economia nacional e iria permitir a criação de 5.300 novos empregos. A corrida por esta agência era, por isso, muito disputada.
Na primeira volta da votação nenhuma das 19 candidatas conseguiu reunir as preferências de pelo menos 14 dos Estados-membros para vencer. A cidade do Porto recolheu 10 votos, tendo sido a sétima cidade mais votada, enquanto as cidades de Milão, Amesterdão e Copenhaga passaram à segunda volta. Venceu Amsterdão.
Como curiosidade regista-se que a cidade eslovaca de Bratislava era uma das favoritas, foi a quarta cidade mais votada e foi eliminada. Porém, o ministro eslovaco amuou e recusou-se a continuar a participar na votação o que, obviamente, é um sinal de pouca compostura democrática.
Outra curiosidade foi o destaque dado pela imprensa espanhola a este acontecimento e o seu aproveitamento político. A candidatura de Barcelona não vingou e esse resultado negativo foi atribuído à instabilidade em que vive a cidade por causa do independentismo. “Europa castiga a Barcelona por alentar la independencia”, escreveu o El Mundo; “El soberanismo arrebata a Barcelona a EMA”, titulou La Razón. O diário ABC publicou na capa uma fotografia da cidade onde se destaca a Torre Agbar, a obra-prima de Jean Nouvel, escolhendo como título “Barcelona paga el precio del separatismo”. 
O Porto perdeu, mas não veio daí mal ao mundo. Parece que a candidatura se portou com dignidade. Ficamos sem saber o que fazem os portuenses Paulo Rangel e Nuno Melo em Bruxelas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Web Summit 2017 e a Lisboa cosmopolita

A partir de hoje Lisboa vai ser a capital mundial da tecnologia durante quatro dias ao receber no Altice Arena e nas instalações da FIL a conferência global Web Summit 2017, na qual participarão 60 mil pessoas, 20 mil empresas, dois mil jornalistas e mil oradores, entre os quais se destacam o secretário-geral da ONU António Guterres, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o antigo presidente francês François Holland, o ex-primeiro ministro grego George Papandreou e diversos primeiros-ministros em actividade.
Esta cimeira tecnológica que junta startups e grandes companhias em torno das tecnologias e do mundo digital, nasceu em 2010 na Irlanda, mas em 2016 mudou-se para Portugal por três anos, tendo registado nesse ano a participação de visitantes de 166 países e gerado uma injecção estimada de 200 milhões de euros na economia portuguesa, um quarto dos quais foi absorvido pela indústria hoteleira.
É comummente aceite que a Web Summit veio dar projecção e melhorar a imagem internacional de Portugal como um país moderno e aberto à inovação tecnológica, o que constitui um factor de atracção de investimento. Os elogios à capacidade organizativa portuguesa chegam de todo o lado e esta manhã já se viam muitos participantes na conferência na linha do metropolitano que serve o Parque das Nações, cujas estações estão adequadamente sinalizadas para ajudar os visitantes.
A cidade de Lisboa está, portanto, na agenda mediática internacional por boas razões: ontem assistiu à largada da 3ª etapa da Volvo Ocean Race e hoje vai assistir à abertura da Lisbon Web Summit 2017. Lisboa é mesmo uma cidade cosmopolita.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Macau - Creative City of Gastronomy

A imprensa de Macau destacou hoje a recente atribuição do título de Creative City of Gastronomy que foi conferido à cidade pela Unesco Creative Cities Network (UCCN), durante o XI UCCN Annual Meeting que terminou no passado dia 31 de Outubro na cidade francesa de Enghien-les-Bains. O jornal Macau Post destaca aquela notícia na sua edição de hoje e apresenta uma entrevista com Maria Helena de Senna Fernandes, a directora do Gabinete de Turismo do Governo de Macau, em que salienta a importância que terá para o turismo macaense o facto da cidade passar a ser membro da UCCN.
A UCCN foi lançada em 2004 pela Unesco como um projecto destinado a promover a cooperação entre as cidades que apostam na criatividade, na inovação e nas indústrias culturais como factores estratégicos para a promoção do seu desenvolvimento sustentável e, actualmente, já agrega 180 cidades de 72 países, que se distribuem pelas sete categorias ou campos em que as cidades mais se distinguem na área da criatividade: Artesanato e folclore, Media arts, Cinema, Design, Gastronomia, Literatura e Música.
Embora se trate de atributos ou rótulos ainda sem significativo impacto, verificamos que há algumas cidades portuguesas que já são membros da UCCN, assim sucedendo com Óbidos (Literatura) e Idanha-a-Nova (Música) desde 2015, mas também com as cidades de Amarante (Música), Barcelos (Artesanato) e Braga (Media arts), que foram aceites na recente reunião de Enghien-les-Bains.
Com a adesão a esta interessante iniciativa da Unesco, as cidades lutam pela vida, pela sua notoriedade e pelo seu reconhecimento.

domingo, 29 de outubro de 2017

Volvo Ocean Race de novo em Lisboa

A primeira etapa da edição de 2017-2018 da Volvo Ocean Race saiu de Alicante, navegou até à ilha da Madeira e, depois de percorrer cerca de 1450 milhas, já chegou a Lisboa. É a terceira vez consecutiva que a maior prova de vela oceânica que se disputa à volta do mundo escala o porto de Lisboa, o que é muito prestigiante para a imagem de modernidade e cosmopolitismo da capital portuguesa.
A famosa prova surgiu em 1973 e denominava-se Whitbread Round the Word Race, mas a partir de 2001 passou a ser patrocinada pelo mais conhecido fabricante de automóveis sueco e passou a designar-se como Volvo Ocean Race, disputando-se de três em três anos. Como norma, a regata sai da Europa para a África do Sul, segue depois para a Austrália, visita portos chineses para satisfazer patrocinadores, desce em latitude para escalar a Nova Zelândia, navega pelos mares do sul para contornar o cabo Horn, percorre o Atlântico ocidental até Newport e regressa à Europa. São cerca de 40 mil milhas e estima-se que, a actual corrida, termine na Holanda na última semana de Junho de 2018.
Nesta 13ª edição da prova participam sete embarcações, que são conhecidas como a Formula 1 da vela e cujas tripulações se caracterizam pela sua heterogeneidade, pois são provenientes de muito diferentes países, um pouco como acontece com as grandes equipas do futebol internacional.
Ontem, dia 28 de Outubro, todas as sete equipas participantes chegaram à doca de Pedrouços, com diferenças mínimas entre si, mas o primeiro foi o Vestas 11th Hour Racing, que iça bandeira americana e cujos nove tripulantes têm nacionalidade americana (3), australiana (2), inglesa (2), irlandesa (1) e neozelandesa (1). Foi, naturalmente, um grande espectáculo e uma bonita festa, a que não faltaram muitas centenas ou milhares de curiosos.
Assinala-se que entre as seis dezenas de tripulantes das sete embarcações concorrentes há dois portugueses: António Fontes é tripulante do AkzoNobel que hasteia bandeira holandesa e Bernardo Freitas é tripulante do Turn the Tide on Plastic que enverga o pavilhão das Nações Unidas.
Até ao dia 5 de Novembro o centro mundial da vela oceânica estará na doca de Pedrouços e, como aconteceu antes, para lá convergirão muitos milhares de curiosos.

domingo, 15 de outubro de 2017

Brasília sofre com o calor e com a seca

A cidade de Brasília parece estar a ser vítima das alterações climáticas, pois os termómetros marcaram 35ºC no dia mais quente do ano e a humidade relativa chegou a 12%. O jornal Correio Braziliense pergunta que clima é este, que em pleno mês de Outubro, o mês em que as chuvas começam a chegar, está a sofrer os efeitos de um clima típico do deserto, com excesso de calor e baixa humidade, mas também alguns incêndios florestais e o racionamento de água. O calor e a seca estão a afectar os brasilienses e não se espera que chova nos próximos dias, enquanto as previsões apontam para que esta situação se mantenha por mais uma semana pelo menos. O recorde histórico de 36,4ºC registado em Brasília em Outubro de 2015, pode ser ultrapassado nos próximos dias.
Os brasilienses estão desesperados e a subsecretaria da Defesa Civil declarou o estado de emergência no Distrito Federal, recomendando que seja interrompido o trabalho ao ar livre entre as 10 e as 17 horas.
A juntar ao calor e à seca extremos, também ocorreram alguns incêndios florestais, sobretudo o que afectou o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, enquanto os reservatórios de água estão nos seus limites mínimos e é cada vez mais provável que venha a ser racionado o abastecimento regular de água potável.
Significa que as alterações climáticas são mesmo uma realidade à escala global e que é necessário cumprir com o Acordo de Paris assinado em 2015 por 195 países, para gerir a redução das emissões de dióxido de carbono  e reduzir o aquecimento global.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Os 20 anos do Museu Guggenheim Bilbao

A Espanha tem estado concentrada na situação política que se vive na Catalunha e que todos os dias regista novos episódios em que se torna evidente a perda de força das teses soberanistas. Os independentistas terão a História pelo seu lado mas não conseguem nenhum apoio internacional, estão ameaçados pelo caos económico e o seu projecto político afasta-se claramente da Europa da solidariedade. A razão começa a sobrepor-se à emoção e muitos começam a desmobilizar. Carles Puigdemont e as suas coligações começam a fracturar-se, embora ainda não se vislumbre a luz ao fundo do túnel quanto à solução da instabilidade na Catalunha.
Entretanto, o jornal El Correo que se publica na cidade de Bilbau, a capital da província da Vizcaya, uma das três províncias da Comunidade Autónoma do País Basco, não deixou de publicar hoje uma fotografia do seu mais conhecido ícone – o Museu Guggenheim Bilbao, um museu de arte contemporânea que foi desenhado pela equipa do arquitecto Frank Gehry e que foi inaugurado em 1997. A propósito do 20º aniversário da sua inauguração, o Ayuntamiento de Bilbao, a Diputación de Bizkaia e a Iberdrola encomendaram a uma empresa britânica um espectáculo de luz, cor e som com cerca de 20 minutos de duração que está a ser apresentado até ao próximo sábado, desde as 20.30 às 23.00 horas. O espectáculo intitula-se “Reflexões”, é exibido sete vezes por dia e nele trabalhou uma equipa de cinquenta pessoas durante um ano, que é a mesma que foi responsável pelo vídeo inaugural dos Jogos Olímpicos de Londres. Segundo dizem as crónicas, o efeito é deslumbrante, embora torne intransitáveis as ruas mais próximas.
Curiosamente, nas proximidades encontra-se o Paraninfo da Universidade do País Basco, uma obra do arquitecto português Álvaro Siza Vieira que foi inaugurada em 2010.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa

No quadro da globalização e, em especial, da abertura económica que hoje caracteriza a União Europeia, as cidades competem para valorizar a sua base económica e para atrair actividades e recursos. O caso da Agência Europeia do Medicamento que vai sair de Londres e para a qual se candidataram 19 cidades para a acomodar no futuro, mostra como é dura a luta das cidades para atrair organizações, actividades, eventos, congressos, investimentos e tudo o que possa gerar rendimentos, criar empregos, aumentar a notoriedade, valorizar a sua imagem e atrair visitantes.
Portugal e em particular a sua capital não têm descurado esta nova filosofia. Apesar de ser um país e periférico e de muitas vezes não poder competir com os seus parceiros economicamente mais fortes, Portugal tem desenvolvido um significativo esforço no sentido de se modernizar e de atrair grandes eventos internacionais. Assim aconteceu com a Expo 98, com o Euro 2004 e com a Web Summit 2016, mas também com o Rock in Rio que é um dos maiores festivais de música do mundo e que desde 2004 se tem realizado em Lisboa ou com a Volvo Ocean Race, a volta ao mundo à vela que desde 2012 escala o porto de Lisboa. A cidade de Lisboa tem sido a cidade portuguesa mais beneficiada com estes eventos, tendo aproveitado a sua relação íntima com o rio Tejo para se afirmar, daí resultando que tenha sido contemplada com a construção de novas infraestruturas que vêm harmonizando essa relação, muito importante para o turismo e para a economia do mar.
Depois da construção do Centro de Investigação para o Desconhecido da Fundação Champalimaud, um projeto de autoria do arquitecto goês Charles Correa que foi inaugurado em 2010 e do MAAT – Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia que foi concebido pela arquitecta britânica Amanda Levete, inaugurado em 2016, está em vias de ser inaugurado o novo Terminal de Cruzeiros de Santa Apolónia, uma obra da autoria do arquitecto Carrilho da Graça.
Hoje o jornal Público publicou uma entrevista com o autor da obra e, por acaso, havia hoje 4 grandes navios de cruzeiro atracados nos cais adjacentes ao novo Terminal, a mostrar que o turismo de massa está em Lisboa.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Paris recebe Olimpíadas e prepara festa

O Comité Internacional Olímpico que se reuniu ontem na cidade peruana de Lima decidiu atribuir a realização dos Jogos Olímpicos de 2024 à cidade de Paris e os Jogos de 2028 à cidade americana de Los Angeles. Apesar de não se tratar de uma surpresa, toda a imprensa francesa destacou essa notícia e Le Parisien, por exemplo, dedicou-lhe toda a sua primeira página.
A cidade de Paris já organizou os Jogos Olímpicos de 1900 e de 1924, pelo que em 2024 se perfazem 100 anos sobre a realização dos Jogos de 1924 e, essa circunstância vai impulsionar a França e os franceses para uma grande realização que projecte a modernidade da tecnologia e da cultura francesas no mundo. A acrescentar a essa efeméride, certamente será associada a passagem do 1º centenário dos Jogos Olímpicos de Inverno, realizados em 1924 em Chamonix.
O mundo segue atentamente os Jogos através da televisão, sobretudo o ritual das cerimónias de abertura e de encerramento, da entrega das medalhas e do hastear das bandeiras dos vencedores. Porém, os Jogos Olímpicos já não são apenas a maior competição desportiva do planeta, mas são também um acontecimento que alavanca o progresso das cidades onde se realizam, que dinamiza o empreendedorismo e a actividade económica, que estimula a criatividade na arquitectura e nas artes em geral.
Porém, a sua realização exige um elevadíssimo montante de recursos e os casos de Atenas (2004), Londres (2012) ou Rio de Janeiro (2016) são apenas alguns exemplos de verdadeiras catástrofes financeiras, que uns podem e outros não podem suportar. Parece que a França e a cidade de Paris estão atentas a esse problema e que alguns estudos apontam para um impacto positivo de 8,1 mil milhões de euros na economia francesa.
Nestas coisas de grande dimensão, há sempre números para todos os gostos, mas como os Jogos Olimpícos são uma festa, é preciso é andar para a frente, porque o dinheiro acaba por aparecer ou não, até porque as facturas a pagar só chegam depois…

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Os portugueses nos 500 anos do Havre

A cidade portuária francesa de Le Havre tem festejado este ano os seus 500 anos e, por isso, preparou um extenso programa comemorativo.
Acontece que durante a 2ª Guerra Mundial a cidade foi ocupada pelos alemães e que na sequência do desembarque da Normandia de Junho de 1944 sofreu danos catastróficos e ficou praticamente destruída. Ainda antes do fim da guerra o arquitecto Auguste Perret foi designado para planear a reconstrução do centro da cidade. Cerca de 60 anos depois, no ano de 2005, Le Havre, a cidade reconstruída por Auguste Perret, foi inscrita na lista do património mundial da UNESCO.
No âmbito das comemorações dos 500 anos da cidade, a Rendez-Vous 2017 Tall Ships Regatta (RDV2017) organizada pela Sail Training International decidiu escalar o porto do Havre. Cerca de três dezenas de grandes veleiros, entre os quais se destacaram o Kruzenshtern, Mir, Sagres, Cisne Branco, Shabab Oman II, Alexander Von Humboldt, Shtandart, Jolie Brise e Santa Maria Manuela, entre outros, visitaram o porto e a cidade durante quatro dias para participar nas festividades comemorativas.
Como curiosidade regista-se a participação portuguesa através da barca Sagres e do lugre Santa Maria Manuela, assim como do Rancho Folclórico Orgulho Português do Havre, cuja participação também visou homenagear os 80 anos do navio-escola português. O diário Le Havre libre publicou uma desenvolvida reportagem sobre a RDV2017 e dedicou-lhe a sua capa com uma expressiva fotografia.

sábado, 17 de junho de 2017

Huelva, é mesmo um paraíso da natureza

A cidade de Huelva, que é a capital da província de Huelva e sede do município de Huelva, fica ali bem próximo da fronteira portuguesa e tem uma grande tradição histórico-marítima.
Nas suas proximidades situa-se Palos de la Frontera onde se localiza o Monasterio de La Rabida, no qual se acolheu Cristóvão Colombo antes de partir para a sua viagem à Índia em 1492 ao serviço dos Reis Católicos, durante a qual encalhou na América. Hoje, as réplicas da Niña, da Pinta e da Santa Maria lá estão em Palos acolhendo turistas aos milhares.
Em 1873 iniciou-se a exploração de minas nas margens do rio Tinto, por uma empresa inglesa que hoje é uma grande multinacional anglo-australiana e uma das maiores empresas mineiras do mundo, que ainda se chama RioTinto, o que provocou um forte desenvolvimento da cidade com a construção de linhas ferroviárias e a chegada de muitos operários ingleses com as suas famílias. Nesse tempo nasceu o Rio Tinto Foot-ball Club que deu origem ao actual Real Club Recreativo de Huelva, que é o mais antigo clube de futebol espanhol.
Porém, é a sua marca colombina e a sua relação com o descubrimiento de America - o acontecimento que começou com a chegada de Cristóvão Colombo à ilha Guanahani que ele julgou ser a Índia - que constituem a marca histórica da cidade. No entanto, a região de Huelva também é um paraíso da natureza, até porque fica bem próximo do Parque Nacional de Doñana, como hoje refere o jornal Huelva Information, que ilustra a sua edição com uma fotografia de flamingos a voar sobre a cidade. O que é realmente uma notícia, embora não seja rara, isto é, as cegonhas e os flamingos gostam mesmo de Huelva.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Algumas lições do incêndio de Londres



Ainda não são conhecidas as causas do impressionante incêndio que ocorreu em Londres há poucas horas, que as televisões mostraram e cujas fotografias foram divulgadas pela imprensa mundial, mas muitos jornais perguntam como foi possível aquilo acontecer.
As imagens televisivas mostram que o fogo se propagou com muita rapidez, sugerindo que existia muito material combustível nos revestimentos e no recheio dos apartamentos e que, em vez da madeira, se passaram a utilizar os mil derivados do plástico que têm soluções para todas as necessidades decorativas e que tendem a transformar os edifícios em potenciais tochas incendiárias.
Neste caso, embora ainda nos domínios da especulação, também surgiram algumas críticas à segurança destes edifícios de apartamentos, onde vivem pessoas de culturas diferenciadas, sem elos de solidariedade entre si e onde “cada um trata da sua vidinha”, comportando-se à margem das questões de interesse comum. Assim, a manutenção e conservação, a prevenção de incêndios, a qualidade das redes eléctricas e de gás, a limpeza e a segurança, entre outros assuntos de interesse comum, são desvalorizadas pelas pessoas, que são cada vez mais individualistas.
Nessas circunstâncias, a probabilidade de acontecerem estas coisas aumenta. Haverá inquéritos que irão concluir sobre as causas do incêndio e sobre o que correu mal, mas desde já há uma lição a tirar desta catástrofe: é um direito e um dever de cidadania que as pessoas se interessem pelo seu país, pela sua cidade, pelo seu bairro e pelo prédio onde vivem. Se não, é como pôr trancas na porta depois da casa roubada...
Porém há as vítimas e essa é a parte mais dolorosa desta cruel tragédia. E terão sido muitas, que foram apanhadas pela violência das chamas e por aquela horrenda catástrofe.
 

sábado, 27 de maio de 2017

Lisboa: o sol, os turistas e os jacarandás

Lisboa: Avenida D. Carlos I
Há uma onda de optimismo que está a atravessar a sociedade portuguesa e é em Lisboa que mais se sente essa festiva e atraente aragem. Há um mar de turistas que procuram o nosso sol e a nossa tranquilidade, que desfrutam o azul do Tejo e o vai-vém dos cacilheiros, que se estendem pelas escadarias da Ribeira das Naus ou se refrescam no Cais das Colunas. Há uma gastronomia de muitos sabores a desafiar os visitantes e há inúmeras esplanadas que se enchem de jovens e de menos jovens falando línguas muito diversas. A oferta cultural da cidade de expressão popular ou erudita, é muito diversificada e muito convidativa, não deixando ninguém indiferente. A cordialidade dos lisboetas parece insuperável. Os bairros históricos e os museus enchem-se e, mesmo antes das festas da cidade, Lisboa já tem um ar de festa e uma invulgar aparência cosmopolita.
Nesta altura do ano, a cidade parece enfeitar-se e deslumbra com os jacarandás floridos, até porque parecem aumentar todos os anos as ruas, os jardins e as praças que os adoptaram. Lisboa parece ser, realmente, a cidade dos jacarandás. Iluminados pela luz única que a cidade tem, os jacarandás floridos inspiram os fotógrafos e são um elemento adicional para enriquecer a cidade, embora esse deslumbrante festival de cor só dure até meados de Junho. Já lá vai o tempo em que podíamos identificar as mais belas manchas de jacarandás floridos, mas hoje estão por toda a cidade.

domingo, 7 de maio de 2017

Crocodilos-marinhos atacam em Darwin

Nas regiões do norte da Austrália e em especial no Northern Territory, que é uma das oito unidades territoriais australianas e cuja capital é a cidade de Darwin, são abundantes as populações de crocodilos-marinhos ou crocodilos-de-água-salgada. Este animal é o maior réptil existente no planeta, pode atingir 7 metros de comprimento, é exclusivamente carnívoro e é muito agressivo. O seu habitat localiza-se desde a costa oriental da Índia até à Austrália, mas enquanto está em extinção na maioria das regiões da Ásia do Sul, a sobrevivência da espécie não é preocupante na Austrália, até porque há programas integrados para a sua conservação.
Porém, de vez em quando, sobretudo em épocas de cheias, os crocodilos-marinhos invadem as zonas urbanas e atacam as pessoas, havendo notícias de ataques e mortes na região de Darwin. As autoridades procuram manter a população informada por diferentes vias e anunciam:
          Croc danger is real. Do not become complacent or risk your life.
O serviço nacional de parques também está atento e procede à captura dos enormes répteis quando são detectados. Nos últimos anos as capturas anuais têm ultrapassado as duas centenas, mas só nos primeiros quatro meses deste ano já foram capturados 153 crocodilos, o que parece mostrar que a ameaça está a aumentar. O NT News, o principal diário de Darwin, publicou ontem uma desenvolvida reportagem sobre este assunto e alertava a população da cidade, sobretudo dos subúrbios e em particular os moradores das residências mais isoladas, para este grande perigo. Da leitura da reportagem conclui-se que há alguns sinais de pânico na cidade de Darwin, pois um passeio por um qualquer dos seus parques pode ser perigoso. Curiosamente, também já está a acontecer o mesmo perigo nos parques das cidades portuguesas, onde a presença dos Pitbull, dos Rottweiler e de outras espécies caninas, por vezes sem trela e sem açaime, são uma grande ameaça para as pessoas, sem que as autoridades actuem para proteger os cidadãos.