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domingo, 31 de março de 2019

A guerra de Espanha terminou há 80 anos

A guerra civil de Espanha foi um conflito de grande violência que aconteceu em Espanha entre 1936 e 1939, de que terão resultado 500 mil mortos. A sociedade portuguesa desse tempo acompanhou esse drama, que gerou muitos refugiados e em que muitos portugueses atravessaram a fronteira para combater dos dois lados. 
A guerra civil espanhola tem sido considerada como um ensaio preparatório da 2ª Guerra Mundial e terminou há 80 anos, sendo hoje evocada pelo jornal catalão ara, que se publica em Barcelona com uma linha editorial pró-independentista e que, sugestivamente, faz a pergunta (a Franco) : ainda cá estás?
A guerra civil de Espanha começou no dia 17 de Julho de 1936, quando ocorreu um pronunciamento militar na praça de Melilla, no norte de África, tendo terminado no dia 1 de Abril de 1939, quando o general Franco anunciou o fim da guerra, depois das suas tropas terem entrado em Madrid. De um lado esteve a Frente Popular, que agregava os movimentos da esquerda e os nacionalistas galegos, bascos e catalães que apoiavam o governo legítimo da Espanha, o regime republicano instalado em 1931 e os estatutos de autonomia; do outro lado estiveram os Nacionalistas conservadores, em que se integravam os monárquicos, os falangistas, os carlistas e outros movimentos da direita espanhola. Porém, a guerra internacionalizou-se e, enquanto a Frente Popular teve o apoio da União Soviética e das Brigadas Internacionais compostas por militantes socialistas e comunistas de todo o mundo e de numerosas voluntários, os Nacionalistas tiveram o apoio do Corpo Truppe Volontarie enviado por Mussolini, da Legião Condor enviada por Hitler e dos Viriatos organizados pelo regime de Salazar.
A guerra civil espanhola polarizou toda a Espanha e deu origem a execuções, massacres e campanhas de terror praticadas pelos dois lados e, por isso, é um assunto muito sensível na nossa vizinha Espanha, porque muitas das suas feridas ainda estão por sarar. A ditadura instaurada pelo general Franco, que foi o vencedor da guerra, durou até à sua morte em 1975, mas a lição desse tempo e dessas circunstâncias não pode estar ausente do pensamento nem da acção dos responsáveis políticos do país vizinho e das suas regiões autónomas, para que a História não se repita.

domingo, 24 de março de 2019

Marinha de Espanha e unidade nacional

O jornal espanhol ABC destaca na primeira página da sua edição de hoje uma fotografia das longas filas de visitantes que no porto basco de Getxo quiseram ver o porta-aviões Juan Carlos I, “el buque insignia de la Armada”. Da mesma forma, também o Diario de Cádiz também destaca hoje a visita que a fragata Blas de Lezo fez ao porto de Cádiz, na Andaluzia, onde foi visitado por muita gente. Na passada semana, a fragata Cristóbal Colón estivera no porto asturiano de Avilés, onde esteve aberto a visitas do público, o que foi relatado pelo jornal La Voz de Avilés.
Significa que, em três diferentes regiões espanholas, estiveram três navios da Marinha de Espanha em visitas de cortesia e abertos ao público para visitas, factos de que a imprensa fez eco, o que não deixa de ter uma leitura política.
Com estas visitas a diferentes portos do seu território, os navios da Marinha espanhola dão um forte contributo para o reforço dos sentimentos de unidade nacional do país vizinho, onde existem 17 comunidades autónomas, algumas das quais com tendências separatistas. Por outro lado, os milhares de visitantes que estiveram no Juan Carlos I, mas também nas duas outras fragatas, puderam apreciar a capacidade tecnológica da Marinha de Espanha e dos seus profissionais, o que é um estimulante tributo de reconhecimento por parte da sociedade civil espanhola. Finalmente, a cobertura que a imprensa deu a estes acontecimentos mostra como os espanhóis se interessam pela sua Marinha. Assim fosse em Portugal.

sábado, 23 de março de 2019

O porta-aviões simboliza prestígio e poder

O porta-aviões espanhol Juan Carlos I visitou pela primeira vez o Euskadi ou Comunidade Autónoma do País Basco, estando atracado no porto de Getxo, situado na margem nascente da ria de Bilbau.
Hoje, o diário El Correo publica na sua primeira página uma fotografia a seis colunas daquele “castillo de acero” que desloca 27 mil toneladas, que tem 231 metros de comprimento e que é operacionalizado por 400 tripulantes. A visita do navio ao Euskadi e o destaque que lhe é dada pela imprensa basca, são reveladores da sua importância simbólica para a afirmação externa e interna da Espanha.
O Juan Carlos I também tem sido classificado como navio de protecção estratégica ou como navio de assalto anfíbio, embora apareça mais vezes classificado como porta-aviões. É um navio muito caro, mas é um símbolo de poder e de prestígio, que serve para múltiplas funções e tarefas e, em especial, para afirmar um país no contexto internacional. Segundo consta dos seus registos, o Juan Carlos I tem ou pode ter 25 caças-bombardeiros AV-8 Harrier II como principal equipamento, mas pode receber helicópteros, 1200 fuzileiros, 46 tanques Leopard 2E, quatro barcaças de desembarque e quatro lanchas pneumáticas de desembarque. 
Portugal não tem porta-aviões, mas bem precisava de um navio polivalente que pudesse projectar poder, influência e solidariedade, sobretudo em tempos de crise ou de calamidade, não só nas suas regiões insulares, como também nas áreas atlânticas a que historicamente está ligado. Porém, as opções políticas têm sido outras...

domingo, 17 de março de 2019

O independentismo catalão voltou à rua

Depois da aparente letargia que se seguiu aos acontecimentos de Outubro de 2017, o independentismo catalão está a reaparecer com grande dinamismo e com novas polémicas, sobretudo depois do início do julgamento dos 12 políticos catalães envolvidos no chamado procés.
A primeira dessas polémicas é a intenção do partido independentista Junts per Catalunya (JxCat) de apresentar como seu cabeça de lista às eleições europeias de 26 de Maio, o antigo presidente da Generalitat Carles Puigdemont que está exilado na Bélgica desde Outubro de 2017. Outra polémica resulta da exigência da Junta Eleitoral Central para que sejam retirados dos edifícios públicos regionais as bandeiras independentistas e os laços amarelos, símbolo de apoio aos políticos separatistas presos pelo seu envolvimento no referendo de autodeterminação, o que o governo da Catalunha se tem recusado a fazer.
Estes casos revelaram-se mobilizadores e ontem, em Madrid, realizou-se uma grande manifestação convocada por cerca de seis dezenas de associações de toda a Espanha, em que participaram dezenas de milhares de pessoas e que foi encabeçada por Quim Torra e por outros membros do governo catalão, a reclamar contra o julgamento dos independentistas que estão presos e a exigir a sua libertação, sob o lema “A autodeterminação não é delito. Democracia é decidir”. Vieram da Catalunha cerca de 500 autocarros e 15 comboios de alta velocidade e, segundo o cálculo efectuado pelo jornal La Vanguardia, estiveram em Madrid 55.800 manifestantes.
Entretanto, os partidos políticos espanhóis estão em pré-campanha para as eleições legislativas que se vão realizar no dia 28 de Abril, menos de um mês antes das eleições europeias, regionais e municipais de 26 de Maio, o que significa que a questão catalã vai estar em destaque.

domingo, 10 de março de 2019

As polémicas com a viagem de Magalhães

Na sua edição de hoje o diário conservador espanhol ABC dedica uma grande reportagem à polémica criada em torno da autoria ou co-autoria da primeira viagem de circumnavegação iniciada por Fernão de Magalhães em 1519 e concluída por Sebastião de Elcano em 1522. Foi uma grande viagem e quando se aproximam os 500 anos da sua realização, há quem considere que essa histórica viagem ibérica foi exclusivamente espanhola e há quem defenda que também foi portuguesa. O jornal ABC, depois de ter consultado a Real Academia de la Historia, recebeu um parecer que foi hoje divulgado, em que aquela instituição conclui que essa viagem foi “plena y exclusivamente española” e fundamenta-a em 13 pontos. Todos esses pontos estão apoiados em documentos, mas a interpretação desses documentos dá argumentos para todas as versões, até porque Magalhães era português e levava consigo “trinta e tantos portugueses”.
Os portugueses tomaram a iniciativa de comemorar a efeméride e associaram-se aos espanhóis, tendo apresentado conjuntamente na UNESCO uma proposta para que a Rota de Magalhães seja inscrita como Património da Humanidade. Os espanhóis distraíram-se com outras coisas e, agora que o assunto está na ordem do dia, não estão a gostar nada do que está a acontecer. O jornal ABC acusa os políticos socialistas espanhóis e refere “as mentiras de Portugal para se apropriar da gesta de Magalhães e Elcano”, ridiculariza “um historiador português que acusa Elcano por ter dado a volta ao mundo ilegalmente” e acusa “a diplomacia portuguesa de ter perdido o respeito pela Espanha”.
Ninguém tem dúvidas de que a principal quota-parte dessa viagem é espanhola, mas não é verdade que seja “incontestable la plena y exclusiva españolidad dela empresa”. A Real Academia de la Historia deve estar cheia de fantasmas franquistas. Quando se pensava que a integração europeia acabava com todas as rivalidades ibéricas do passado, temos um jornal da direita franquista e tramontana espanhola a desenterrar o machado de guerra.

segunda-feira, 4 de março de 2019

O espectacular Carnaval de Badajoz

O Carnaval é uma festa para quem gosta e há muita gente que gosta, um pouco por todo o mundo, sobretudo no Brasil e nas ilhas Canárias, mas também em Portugal, onde há famosos carnavais em Torres Vedras e Loulé, na Mealhada e em Sesimbra, em Loures e em Ovar, em Setúbal e na Figueira da Foz e em muitas mais cidades e vilas lusitanas. Não falta a fantasia, nem a alegria, nem a folia. Nem faltam os foliões, que as televisões mostram aos milhares. São três dias de desfiles e de fantasias, de música e de trajes fantásticos ou, como se diz no Brasil, é ”a ilusão do Carnaval, para tudo se acabar na quarta-feira”.
Até na vizinha Espanha existem focos de grande entusiasmo carnavalesco em algumas das suas regiões e as edições dos jornais da Extremadura, tanto de Badajoz como de Cáceres, destacam hoje na capa das suas edições os grandes desfiles carnavalescos que ocorreram no passado fim de semana em Badajoz.
As reportagens fotográficas não enganam. O desfile carnavalesco foi mesmo uma grande festa, com trajes exóticos de mil cores, muita música e muito entusiasmo. Em Badajoz desfilaram 101 grupos das províncias de Badajoz e Cáceres, que mobilizaram 7.300 participantes devidamente ensaiados, o que torna o Carnaval de Badajoz num dos maiores de Espanha, o que também certamente atraiu muitos portugueses de Elvas e arredores, até porque o espectáculo é invulgarmente rico de animação.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O julgamento para a História de Espanha

Começa hoje em Madrid o julgamento de 12 dirigentes independentistas catalães acusados de estarem envolvidos na tentativa de secessão da Catalunha, quando organizaram um referendo sobre a independência daquela região autónoma espanhola e, pela voz de Carles Puigdemont, proclamaram a independência no dia 27 de Outubro de 2017, embora a tenham suspendido de imediato.
O julgamento que o Supremo Tribunal vai hoje iniciar era desejado por Mariano Rajoy, o anterior chefe do governo espanhol, que imaginava que ele serviria para acabar com o independentismo, mas não é certamente desejado por Pedro Sánchez, o actual chefe do governo, que tem adoptado uma estratégia diferente de Rajoy para enfrentar o problema catalão e que, ao contrário do seu antecessor, tem sido dialogante. Porém, nos últimos dias realizaram-se grandes manifestações pela unidade nacional em todo o país e contra as alegadas cedências que Pedro Sánchez tem feito aos independentistas, a mostrar que as tensões e os problemas entre Madrid e Barcelona continuam vivos.
Entretanto, o Ministério Público pediu penas que vão até aos 25 anos de prisão contra os acusados, por alegados delitos de rebelião, sedição, desvio de fundos e desobediência. A figura principal do procés, nome que designa o processo independentista e a tentativa de proclamação de uma república catalã que ninguém no exterior apoia, é o ex-presidente do governo catalão Carles Puigdemont, que fugiu para a Bélgica e já foi julgado na Alemanha e que, naturalmente, será o grande ausente.
Hoje toda a imprensa espanhola, a começar pelo El País, destaca o julgamento que se espera demore três meses e que vai certamente constituir um acontecimento histórico para o futuro da Espanha, enquanto elo de união entre 17 comunidades autónomas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Brasão de Ceuta recorda sempre Portugal

A edição de hoje do jornal El Pueblo de Ceuta publica uma entrevista com Juan Jesús Vivas Lara, o actual presidente do governo e alcaide-presidente da Ciudad Autónoma de Ceuta, que tem 65 anos de idade, é economista formado na Universidade de Málaga, representa o Partido Popular e ocupa o seu cargo desde o dia 7 de Fevereiro de 2001.
O presidente-alcaide é escolhido pela Assembleia de Ceuta e confirmado pelo rei de Espanha, mas o facto de levar 18 anos de presidência por escolha democrática dos deputados ceitis é um facto a salientar.
Porém, não é a entrevista que nos desperta a atenção, mas o facto de Juan Vivas ter sido fotografado no seu gabinete em frente do brasão de armas da cidade de Ceuta, que é o escudo português que a cidade conserva desde que foi conquistada por D. João I em Agosto de 1415.
Em 1580, quando Filipe II de Espanha reivindicou os seus direitos ao trono de Portugal, enquanto neto de D. Manuel I e genro de D. João III, foi instituída a União Ibérica mas o governo da cidade de Ceuta continuou a ser da responsabilidade portuguesa. No entanto, quando em 1640 foi restaurada a independência portuguesa, a cidade de Ceuta decidiu não reconhecer D. João IV e permanecer sob o domínio espanhol, o que veio a ser oficializado através do Tratado de Lisboa assinado pelos dois países ibéricos em 1668.
A bandeira de Lisboa gironada com oito peças de negro e prata, assim como o brasão de armas de Portugal, nunca deixaram de ser os símbolos da cidade de Ceuta, que também foi o ponto de partida para a expansão marítima portuguesa.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Uma nova estratégia para a Catalunha

A imprensa espanhola é hoje dominada pelo orçamento apresentado pelo governo de Pedro Sanchéz e a nota dominante é o aumento do investimento público na Catalunha, que é interpretado como uma tentativa de adormecer o movimento separatista catalão. O jornal ABC escolheu para título da sua edição que “o golpismo tem prémio” e ilustra a sua primeira página com a Catalunha a festejar com fogo de artifício. Essa também parece ser a opinião das regiões mais desfavorecidas que contestam o favorecimento das regiões do nordeste da Espanha, que são as que menos precisam, mas que mais barulho fazem.
A estratégia de Pedro Sanchez e do governo do PSOE é bem diferente daquela que foi prosseguida por Mariano Rajoy e pelo governo do PP, porque enquanto Rajoy enfrentava duramente os independentistas, Sanchéz tem adoptado a táctica do diálogo e da cedência de alguma coisa, como se vê agora no orçamento que aumenta 52% na Catalunha e 32% em Aragão. Outro jornal madrileno, na linha do que escreveu o ABC, diz que “Sanchéz rega o separatismo com milhões e ainda oferece mais”.
Embora o orçamento também tivesse sido aumentado noutras regiões, como na carenciada Extremadura onde cresceu 27,3%, a opção orçamental gerou muito desagrado nas outras regiões autónomas espanholas, designadamente na Galiza, nas Canárias e no País Basco. A Galiza afirma-se marginalizada e um dos seus mais influentes jornais escreve hoje que o orçamento representa “67 euros menos para cada galego e 93 euros mais para cada catalão”.
Só o futuro nos pode revelar como vai evoluir o problema catalão, embora não pareça que a boa solução se encontre na via orçamental.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Tradições espanholas da época natalícia

Hoje celebra-se o Dia dos Reis Magos que assinala a visita dos três reis magos (Melchior, Gaspar e Baltazar) ao menino Jesus, que é uma das festas mais populares da tradição cristã e que assinala o fim da quadra natalícia.
Em Portugal as celebrações natalícias centram-se no dia 25 de Dezembro e, nos tempos mais recentes, adoptaram símbolos desligados da tradição, como o Pai Natal a viajar de trenó ou a árvore de Natal iluminada ,enquanto as crianças já não colocam o sapatinho na chaminé e escrevem cartas ao Pai Natal a pedir presentes. Na nossa vizinha Espanha a tradição é diferente da prática natalícia portuguesa e as crianças espanholas, em vez de escreverem cartas ao Pai Natal, enviam cartas aos reis magos com os seus pedidos de presentes para receberem no dia 6 de Janeiro. As cartas são normalmente redigidas na véspera da celebração e são amarradas em balões de cores que são largados no céu, levando os desejos das crianças.
Na tarde do dia 5 de Janeiro, por toda a Espanha mas, em menor grau, também em alguns outros países, acontece a visita dos reis magos para distribuir os presentes às crianças. É a Cabalgata de Reyes Magos, um desfile de carros alegóricos em que os reis magos entram na cidade acompanhados por pajens que vão distribuindo presentes às crianças que assistem deslumbradas à passagem da comitiva.
A imprensa espanhola, sobretudo a imprensa regional, destaca as inúmeras cabalgatas realizadas pelo país. A Cabalgata de Reyes Magos de Granada é considerada a mais antiga da Espanha e do mundo e, por isso, o jornal Ideal lhe dedicou um grande espaço na primeira página da sua edição de hoje, com uma fotografia em que uma grande multidão assiste à passagem da cabalgata de Granada. 

domingo, 23 de dezembro de 2018

"El Gordo" fez feliz toda a Espanha

Costuma dizer-se em Espanha que sem El Gordo não há Natal e, de facto, há um enorme entusiasmo sobre tudo o que se relaciona com a maior lotaria do mundo que se realiza no país vizinho desde 1812 e cujo primeiro prémio é conhecido por El Gordo, embora esse termo também designe a própria lotaria do Natal.
Neste ano os espanhóis terão gasto cerca de 3400 milhões na compra da lotaria do Natal, o que significa que cada um gastou em média 67,56 euros na lotaria.
Ontem, a Lotería y Apuestas del Estado fez o sorteio em directo pela televisão e distribuiu 70% do dinheiro arrecadado com a venda dos bilhetes, o que corresponde a 2380 milhões de euros, que vão ser entregues a 14.008 premiados. É mesmo uma grande festa para muita gente.
O primeiro prémio de 680 milhões de euros coube ao número 03347, que vai ser dividido por 170 vencedores dispersos por todo o país, que irão receber quatro milhões de euros cada um. Como titula o jornal ABC, foi “un Gordo que hace feliz a toda España”. Não há memória de El Gordo ter tido uma tão grande dispersão geográfica pois beneficiou quase todas as províncias espanholas e só deixou de fora Ceuta, Melilla, Álava, Palencia, Guadalajara e Castellón.
A imprensa deu eco do entusiasmo em volta do El Gordo e os jornais regionais anunciaram os prémios que contemplaram as suas regiões, enquanto o ABC destacou fotograficamente os festejos que aconteceram em várias cidades espanholas.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Madrid e Barcelona voltam ao diálogo

A questão catalã teve alguns desenvolvimentos nos últimos dias, com destaque para o encontro entre Pedro Sánchez e Quim Torra, isto é, o presidente do governo de Madrid e o presidente da Generalitat de Barcelona, como resultado de um convite feito por Pedro Sánchez, aproveitando a realização de um Conselho de Ministros em Barcelona. Neste encontro, que Madrid classificou como encontro informal e Barcelona considerou uma reunião bilateral, os dois políticos e as suas equipas conversaram sobre um plano para melhorar os canais de diálogo entre as duas partes no sentido de minimizar o radicalismo independentista e levá-lo para um patamar de discussão democrática.
Como se esperava, pouca coisa saíu deste encontro para além do reconhecimento de que existe realmente um conflito com diferentes perspectivas sobre a sua origem e sobre as vias de solução. Porém, a vontade de continuar a conversar ficou bem expressa e isso abriu um novo capítulo deste processo, que tinha sido encerrado com Rajoy e Puigdemont. Isso é muito positivo.
O encontro teve reacções bem diversas e extremadas: para uns foi início de um processo de diálogo democrático sobre o futuro da Catalunha e a unidade da Espanha, mas para outros foi uma cedência e uma humilhação perante “um fascista e um golpista como é Torra”. Daí que, Albert Rivera e Pablo Casado, os líderes dos Ciudadanos e do Partido Popular se tivessem unido contra “este acto de traição à Espanha”.
A fotografia de Sánchez e Torra ilustrou a imprensa espanhola, nomeadamente o conservador ABC, e ficará a marcar o futuro do processo catalão. No entanto, Pedro Sánchez "invadiu" o território da Catalunha e até lá realizou uma reunião do Conselho de Ministros, coisa que Mariano Rajoy nunca ousara fazer.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Construção naval para animar a economia

A imprensa galega dá grande destaque à reunião do governo espanhol que hoje vai aprovar a construção de cinco fragatas F-110, que irão substituir as cinco fragatas da classe Santa Maria, que estão baseadas em Rota e que se aproximam dos 35 anos de vida.
Os estaleiros da Navantia e a cidade de Ferrol estão em festa, bem como a Marinha espanhola. Depois de alguns anos de séria crise económica e social no sector da construção naval galego, esta notícia, segundo um governante galego, "es el mejor regalo de Reyes que podríamos recibir, un regalo de Reyes por adelantado que hará felices a muchas familias gallegas" e o jornal El Correo Gallego diz que se trata de um balão de oxigénio para a comarca de Ferrol.
A indústria da construção naval na Galiza passou por um período muito negro entre 2011 e 2014, com uma grande baixa de salários e muito desemprego, o que levou muitos trabalhadores a mudaram de sector ou a emigrar. O impacto na demografia e no tecido social da região foi enorme, com a perda de cerca de mil habitantes por ano. O anúncio da construção das fragatas F-110 para a Marinha espanhola representa uma mudança de rumo para os estaleiros e para a região, pois serão criados 7000 empregos durante dez anos, dos quais 1300 directos pela Navantia e 2200 directos por empresas associadas, acrescidos de cerca de 3500 empregos indirectos. Segundo foi divulgado, o projecto representa um investimento de 4.325 milhões de euros, mas tão decisivo quanto a modernização da Marinha espanhola é a animação da economia galega e a recuperação dos estaleiros da Navantia.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Todo o mundo é composto de mudança

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança. Todo o mundo é composto de mudança...
Isto escreveu Luís de Camões, em meados do século XVI, mas foi exactamente isso que aconteceu ontem na Andaluzia, uma comunidade autónoma espanhola com 87 mil km2 e com mais de 8 milhões de habitantes, isto é, uma comunidade aqui ao lado e com quase o mesmo tamanho geográfico e demográfico de Portugal.
O PSOE governava a Andaluzia há 36 anos e ontem, apesar de ter sido o partido mais votado nas eleições regionais, apenas conseguiu eleger 33 dos 109 deputados do parlamento andaluz. Estes deputados, somados com os 17 da coligação de esquerda Adelante Andalucia, somam 50 deputados, o que fica abaixo da maioria absoluta de 55 deputados que é necessária para formar governo. Por outro lado, os partidos e coligações de direita conseguiram uma maioria de 59 deputados (PP com 26 deputados, Ciudadanos com 21 deputados e o novo Vox com 12 deputados). Parece não haver dúvidas sobre o que vai acontecer ao governo da Andaluzia, depois da derrota do PSOE e do PP, isto é, os partidos tradicionais da Espanha e com o aparecimento do Vox, que se declara de extrema-direita.
É, como se costuma dizer nestas circunstâncias, um terramoto político. O problema está em avaliar até que ponto este terramoto terá réplicas, não só no resto da Espanha, mas até mesmo em Portugal, uma vez que sociologicamente há poucas diferenças entre a Andaluzia e Portugal. O facto é que na Andaluzia, tal como em Portugal, o partido mais votado não irá governar.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

A persistência da agitação na Catalunha

Depois da agitação independentista que ele próprio alimentou, o governo da Catalunha e o seu presidente Quim Torra enfrentam agora um Otoño caliente, como diz hoje o jornal elPeriódico de Barcelona. O protesto parece ser generalizado e tem dado origem a grandes manifestações de massas em que as bandeiras da Catalunha foram substituídas pelas bandeiras de diversas cores dos sindicatos e em que se têm registado confrontos e algumas destruições na via pública. Há inúmeros conflitos laborais e greves que duram há vários dias, nomeadamente dos médicos, professores, estudantes e funcionários públicos. Os sindicatos reclamam pela reversão dos cortes remuneratórios aplicados em 2011, pelo pagamento do trabalho extraordinário e de uma forma geral pela reposição do poder de compra dos seus trabalhadores.
Nesta altura do ano, é normal intensificar-se a reivindicação sindical, mas no caso da Catalunha é bem curioso como as manifestações que até há bem pouco tempo eram a favor do independentista Quim Torra, sejam agora contra a sua governação e com algum grau de radicalismo. No seu caso bem se pode dizer que “semeou ventos” e que está a “colher tempestades”, mas também se pode dizer que em tão pouco tempo passou de bestial a besta em, como se fosse um treinador de futebol.
Provavelmente não foi feito o retrato sociológico dos manifestantes catalães, mas talvez sejam os mesmos, aqueles que idolatraram Torra e aqueles que agora o insultam, o que significa simplesmente que as massas são manipuláveis, o que é um facto bem conhecido das teorias da comunicação.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Observar flamingos em Dehesa de Abajo

A Reserva Natural Concertada Dehesa de Abajo, situada em La Puebla del Rio, junto ao parque Natural de Doñana e nas proximidades de Sevilha, tornou-se uma atracção ímpar para os ambientalistas e, em especial, para os ornitólogos. Trata-se de um espaço natural privilegiado para a observação de flamingos e de outras aves, que recebe anualmente milhares de visitantes e que, com frequência, é considerado o paraíso das aves.
“Contemplar os flamingos no Outono ao entardecer é um privilégio para os sentidos”, escreve o Diário de Sevilla que ilustra a primeira página da sua edição de hoje com uma expressiva fotografia de milhares de flamingos em Dehesa de Abajo.
Segundo é descrito no jornal, na invernada milhares de flamingos e outras aves aquáticas levantam voo ao amanhecer e sobrevoam os pântanos e lagoas de Dehesa de Abajo, constituindo um espectáculo esmagador, em que o piar das aves e o seu bater de asas se distinguem a grande distância.
Naturalmente, as autoridades turísticas andaluzas tomaram todas as providências para atrair os visitantes e construiram caminhos e postos de observação para admirar as múltiplas espécies de aves que por lá habitam, umas residentes e outras em preparação para voar para sul, em que se destacam os flamingos, as cegonhas e os patos, mas também diversas espécies de águias e de milhafres. Porém, em Dehesa de Abajo existe uma fauna muito diversificada, verificando-se que a população do lince ibérico tem aumentado significativamente.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Portugal e a Galiza são uma Irmandade

Marcelo Rebelo de Sousa foi distinguido com o Prémio Fernández Latorre, que é considerado como um Prémio Nobel galego, tendo sido o primeiro chefe de Estado estrangeiro a ser distinguido com aquele prémio, que foi instituído há 60 anos pelo fundador do jornal La Voz de Galicia.
É sabido como o Presidente da República Portuguesa, na linha do que fizeram os seus antecessores, tem dedicado uma especial atenção à Espanha, o país a que nos unem fronteiras, interesses económicos e laços históricos e culturais que se têm intensificado, depois da Democracia ter sido adoptada nos dois países, com enormes vantagens para ambos. Por isso, a distinção premeia o homem e o trabalho que tem desenvolvido pela amizade com a Espanha e pela unidade ibérica. 
O Prémio Fernández Latorre foi este ano decidido por unanimidade dos membros do seu Conselho de Curadores e foi entregue a Marcelo Rebelo de Sousa pelo rei Felipe VI de Espanha, tendo sido atribuído “em reconhecimento da sua acção para a promoção das relações bilaterais entre a Espanha e Portugal”, mas também pelo seu contributo para que as relações transfronteiriças entre ambos sejam agora “um modelo de coesão” para a União Europeia.
Na cerimónia de entrega do prémio, houve discursos em português, em galego e em castelhano, mas os discursos do Rei de Espanha e do Presidente de Portugal, foram coincidentes nos elogios e nos afectos. Marcelo disse que “juntos somos mais fortes” e, de facto, assim é no estado actual da Europa.
Naturalmente, o jornal La Voz de Galicia dedicou uma edição especial a este evento a que deu o título “Irmandade”, em referência às afinidades luso-galegas e que, além disso, muito reforçou o prestígio internacional de Marcelo Rebelo de Sousa.
O prémio tem um valor de 10 mil euros que o premiado doou à Comunidade Vida e Paz, uma associação que luta pela integração de pessoas sem-abrigo. De aplaudir, também.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Montserrat Caballé e a união pela cultura

O último adeus a Montserrat Caballé deu origem a uma homenagem nacional e tornou-se num acontecimento político relevante, a mostrar que a democracia funciona até na Catalunha, apesar da existência de alguns dirigentes radicais catalães.
A morte da soprano espanhola de 85 anos de idade acontecida no passado sábado num hospital de Barcelona, a sua terra natal, consternou toda a Espanha porque ela era um dos símbolos da cultura espanhola contemporânea, com um currículo artístico singular em que fez mais de quatro mil apresentações em todo o mundo, entre óperas e recitais.
Num tempo em que as tensões têm subido de tom na Catalunha e pouco tempo depois do presidente da Generalitat ter incitado o povo a assaltar o Parlamento e de ter feito um ultimato ao governo espanhol, as cerimónias fúnebres juntaram alguns dos principais protagonistas do processo, a começar pela Casa Real representada pela Rainha Emérita Sofia de Espanha, mas também o primeiro ministro espanhol Pedro Sanchez, o presidente da Generalitat da Catalunha Quim Torra, o ministro da Cultura espanhol, o líder do Partido Popular e a presidente do Município de Barcelona. Gobierno e Govern unidos por Montserrat Caballé. A união pela cultura.
Todos os jornais publicaram a fotografia da cerimónia fúnebre. Embora todos tivessem reparado que Sanchez e Torra se limitaram a um mero cumprimento protocolar e que não trocaram palavra, a sua simples presença nesta cerimónia ao lado de apoiantes e de adversários da causa catalã, mostra que o diálogo é possível e que só esse caminho pode resolver o problema. Certamente que Quim Torra, tal como Carles Puigdemont, aprenderão que as suas legítimas aspirações independentistas não podem ser satisfeitas através de outra via que não seja a do diálogo.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

O conflito catalão renasceu e está vivo

Os partidos e as organizações independentistas catalãs organizaram ontem em Barcelona uma manifestação para comemorar o primeiro aniversário do referendo de 1 de Outubro de 2017 (1-O). Esse referendo de 2017 tinha sido convocado pelo Governo Regional da Catalunha (Generalitat de Catalunya), mas tinha sido proibido pelo Tribunal Constitucional e pelo Governo de Espanha então chefiado por Mariano Rajoy, mas os independentistas compareceram nas urnas. Dos mais de 5 milhões de eleitores recenceados votaram 43% e, destes, houve 92% que responderam “sim” à pergunta "Quer que a Catalunha seja um estado independente em forma de república?”. Significa que, de acordo com os dados anunciados mas não verificados, houve 38% do eleitorado catalão que votou pela independência, mas nunca ninguém certificou estes resultados em que cada um votou as vezes que quis e nos locais que quis. Foi uma farsa em que ninguém acreditou. Porém, no dia 10 de Outubro, o então presidente da Generalitat Carles Puigdemont, declarou a independência catalã de forma unilateral, mas pediu que o efeito dessa declaração fosse suspenso durante algumas semanas para que se abrisse um diálogo. Entretanto, Puigdemont retitou-se para Bruxelas, a Catalunha serenou e recuperou a sua autonomia que lhe havia sido retirada por acção do artigo 155 da Constituição Espanhola.
Ontem os CDR (Comités de Defesa da Revolução), que foram criados em 2017 para defender os resultados de um referendo sem qualquer valor jurídico e sem reconhecimento internacional, com o apoio expresso de Quim Torra, o actual presidente da Generalitat, tentaram assaltar o Parlamento Catalão, como se estivessem em 1917 em frente do Palácio de Inverno em Moscovo, ou em 1989 em frente do Palácio de Ceausescu em Bucareste. A polícia catalã, os Mossos de Esquadra, impediram essa tentativa de invasão, mas os acontecimentos de ontem em Barcelona, que a imprensa relata e a televisão mostra, revelam que o conflito catalão vai continuar e que Quim Torra pode juntar-se brevemente a Carles Puigdemont ou a Oriol Junqueras, pelo seu expresso incitamento à desordem pública e à violência.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Valls e uma nova ideia para Barcelona

As eleições autárquicas em Espanha vão ser realizadas no dia 26 de Maio de 2019, isto é, daqui a oito meses, por acaso coincidindo com as eleições para o Parlamento Europeu. Ainda falta muito tempo, mas no caso de Barcelona, já apareceu um candidato de peso, bem à medida da importância da autarquia e, quem sabe, se não será a chave para a resolução do problema catalão. Trata-se de Manuel Valls, o ex-primeiro ministro francês que anunciou a sua candidatura como candidato independente e afirmou que “quiero ser alcalde de una nueva Barcelona. Queiro ser alcalde de todos, como resultado de un esfuerzo colectivo para mejorar la ciudad”.
Se vier a ser eleito, este cidadão natural de Barcelona substituirá Ada Colau, a actual alcaldessa de Barcelona, tornando-se um caso único de um indivíduo que tendo sido primeiro-ministro de um país, ascende ao governo de uma grande cidade de outro país, ou seja, Manuel Valls tende a ser um pioneiro de uma nacionalidade europeia que, de facto, ainda não existe. Mais do que ser francês, espanhol ou catalão, a matriz identitária de Manuel Valls é europeia, até porque a dupla e a tripla nacionalidade são cada vez mais comuns numa Europa unida e sem nacionalismos serôdios.
Porém, o que parece mais significativo é o facto de, com a sua experiência e o seu prestígio, Manuel Valls poder vir a ser um árbitro no conflito catalão, ser capaz de juntar as partes divididas e tornar-se o agente mobilizador que faltava para encontrar uma solução agregadora e de progresso para a Catalunha. A imprensa espanhola parece ter gostado deste anúncio e o El País trouxe-o para a sua primeira página.