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sábado, 22 de fevereiro de 2020

A integração portuguesa no Luxemburgo


Na sua edição de hoje o jornal luxemburguês Le Quotidien dedica um caderno especial aos portugueses que vivem no Luxemburgo que, segundo as estatísticas, são cerca de 80 mil e constituem cerca de 16% do total da população a viver no grão-ducado.
O jornal não permite o acesso aos seus textos sem que o interessado pague, o que é uma limitação para quem não esteja disposto ou não possa ir por esse caminho. Porém, deixa algumas frases como por exemplo “l’image de l’ouvrier reste trop ancrée” ou “des barrières restent à lever”, o que significa que a integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa ainda padece dos mesmos estereótipos que, durante muitos anos, afectaram os emigrantes portugueses em França e que só agora começam a atenuar-se através de uma segunda geração que absorveu o modo de vida francês, se integrou na sociedade e hoje está presente na política, na economia e na cultura francesa.
O facto é que todos os emigrantes quando deixam o seu país levam consigo os hábitos, a cultura e o modo de vida que tinham no seu país de origem e, no país de acolhimento, tendem a aceitar os trabalhos mais modestos, o que lhes traça uma imagem percebida pela população local, sobretudo como operários da construção ou como pessoal dos serviços domésticos. Paralelamente, os emigrantes criam o seu próprio mundo, com os seus cafés, restaurantes, padarias, minimercados e empresas, mas também com as suas associações, clubes sociais, equipas de futebol e grupos folclóricos. Só muitos anos depois, com o aparecimento de uma segunda geração que já domina a língua e tem outro envolvimento com a comunidade local, é que a situação se altera.
A emigração portuguesa para o Luxemburgo foi mais tardia do que a que se dirigiu para França e, por isso, também essa integração tarda. No entanto, a associação L’Amitié Portugal-Luxembourg (Amitié.lu) já leva 50 anos de actividades no sentido da plena integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa e, segundo refere o jornal, tem tido uma actividade muito meritória.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O projecto de reunificação das Irlandas


A saída do Reino Unido da União Europeia que se concretizou há duas semanas continua a causar apreensões, sobretudo em relação à unidade do Reino Unido. Em primeiro lugar está a Escócia, onde a primeira-ministra Nicola Sturgeon reclama a realização de um referendo para a independência, porque Boris Johnson não estava mandatado pelos escoceses para tirar o seu país da União Europeia. Em segundo lugar está a Irlanda do Norte onde o Sinn Féin, o centenário partido nacionalista irlandês liderado por Mary Lou McDonald, venceu pela primeira vez as eleições legislativas realizadas no passado sábado, com um programa que defende a unificação da Irlanda e a realização de um referendo para a unificação das Irlandas num prazo de cinco anos.
Nestas questões, a História está sempre presente. A República da Irlanda conquistou a independência em 1922 e fixou a sua capital em Dublin, mas dos 32 condados que existiam na ilha, houve seis que preferiram ficar ligados à Grã-Bretanha e formaram a Irlanda do Norte, com a sua capital em Belfast.
A Irlanda do Norte viveu sempre sob grande tensão entre os unionistas (ligados à Grã-Bretanha) e os nacionalistas (ligados à Irlanda). Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 o território viveu numa clima de guerrilha urbana e de quase guerra civil entre as duas facções dominantes, por vezes chamadas de católicos e protestantes.  
O facto é que 62% dos escoceses votaram contra o Brexit, enquanto na Irlanda do Norte também 55,8% não queriam sair da União Europeia. Hoje, a edição do The Economist analisa a questão de um eventual referendo na Irlanda do Norte visando a unificação do país, tal como era em 1922.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Um futuro de incerteza na ‘small island’


Dentro de poucas horas vai concretizar-se a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o tal Brexit de que se falou durante tanto tempo e que metade dos britânicos queria, mas que a outra metade não queria. 
Alguma imprensa internacional destaca hoje esse assunto e aborda-o de muito diferentes maneiras, desde uma quase indiferença traduzida por um bye, bye ou um l’adieu, até a um bem afirmativo acordo com um triunfante yes, we did it, passando por situações intermédias que parecem prever ou desejar um regresso em tempo não muito longo, com frases como see you later ou, ainda, farewell, not goodbye.
Esta decisão, como foi repetidamente afirmado, é má para a Grã-Bretanha e é má para a Europa, podendo criar situações muito difíceis para as duas partes, apesar de ambos jurarem que vão ficar amigos para lá deste divórcio. Porém, parece evidente que os britânicos vão ser mais penalizados, não só porque se transformaram na small island a que se refere a edição de hoje do The Guardian, mas também porque correm o risco de se desintegrarem e acabarem com o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, que existe desde 1801. Os mentores deste divórcio sempre contaram com o amigo americano, mas esquecem-se que as solidariedades anglo-americanas de há setenta anos têm sido cada vez mais substituídas por interesses.
Os tempos que aí vêm são de muita incerteza. Os britânicos que apoiaram este divórcio, depois de 47 anos de união com a Europa, não estão alinhados com os sinais dos tempos e parece quererem reactivar o seu orgulhoso passado vitoriano e imperial, mas serão  esses mesmos sinais dos tempos que lhes vão mostrar que sem a Europa não passarão de uma small island.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Para que a Líbia não seja uma nova Síria

Realizou-se ontem em Berlim uma grande cimeira com a presença de vários dirigentes mundiais com o propósito de parar os combates entre grupos rivais e procurar uma solução para a Líbia, que ameaça tornar-se numa nova Síria. Depois da queda de Kadafi instalou-se um vazio de poder que, tal como no Iraque, na Síria e no Iémen, transformou o país em mais um campo de batalha na guerra silenciosa entre as grandes potências. Alguma imprensa publica hoje um mapa editado pela Agência Reuters, a maior agência de notícias do mundo com sede em Londres, que mostra as posições no terreno das forças que disputam o controlo do território da Líbia, parecendo um caleidoscópio em que estão misturadas as cores que identificam as forças do governo chefiado por Fayez al-Sarraj que é reconhecido pela ONU, as forças do general Khalifa Haftar ou Exército Nacional Líbio, as forças tribais tuaregues, os combatentes tubus e até o Daesh, cada um deles com os seus aliados. Uma perfeita confusão. Os combates já duram há nove meses e o conflito já se internacionalizou. O general Haftar tem o apoio da Rússia, do Egipto e dos Emirados Árabes Unidos e a simpatia da França, enquanto o governo de Fayez al-Sarraj é reconhecido pela ONU, tem o apoio da Turquia, que já tem tropas no terreno, bem como a simpatia da vizinha Itália. Há muitos mercenários no terreno e o armamento não deixa de chegar aos dois lados.
Ontem as potências com interesses na guerra líbia conseguiram um acordo de cessar-fogo, apesar de continuar paralisada a produção petrolífera no Leste do país por acção de Haftar, o que afecta as receitas governamentais. Apesar da pressão internacional e dos chefes das facções em luta na Síria terem estado em Berlim, não se encontraram pessoalmente. Pelo contrário, Putin e Erdogan que são os principais intervenientes na Líbia, encontraram-se mais uma vez e é natural que não estejam interessados em levar para a Líbia os problemas que ambos têm enfrentado na Síria. A Líbia foi uma colónia italiana até 1951 e, por isso, a trégua agora acordada tem particular interesse para a Itália e para a sua opinião pública.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Necessidades ilimitadas, recursos escassos


Quando da sua campanha eleitoral em 2017 o candidato Emmanuel Macron defendeu a transformação de mais de quatro dezenas de regimes de pensões existentes em França num único sistema “universal” por pontos, em que um euro descontado ao trabalhador passe a conferir exactamente os mesmos direitos a todos. Tendo ganho as eleições, o presidente Macron deu andamento à “réforme des retraites”, mesmo sem tocar nos pontos mais sensíveis que são a idade da reforma e o nível das pensões. Naturalmente, o projecto era explosivo por envolver sindicatos, organizações patronais, seguradoras e outras entidades, até porque pretendia resolver uma questão que já tinha sido tentada várias vezes e sempre tinha dado origem a grande contestação social.
Porém, esta tentativa de reforma patrocinada por Macron avançou num período de grande instabilidade e agitação sociais provocados pelo movimento inorgânico dos coletes amarelos, a que se seguiu o movimento orgânico dos sindicatos e das suas confederações. Nos primeiros dias de Dezembro iniciou-se um alargado movimento grevista apoiado pelas cinco confederações sindicais reconhecidas pelo Estado, com destaque para a CGT-Confédération Générale du Travail contra a “réforme des retraites” e contra o próprio presidente Emmanuel Macron. Actualmente, já estão acumuladas seis semanas consecutivas de protesto, com efeitos catastróficos em sectores como os transportes, o comércio, a hotelaria, a restauração e as actividades culturais. Serão necessárias várias semanas para contabilizar o prejuízo total gerado por uma das greves mais longas da história da França, mas o balanço já começou a ser feito: a companhia ferroviária SNCF já perdeu 850 milhões de euros, a Ópera de Paris perdeu 12 milhões de euros e o circo Bouglione um milhão. Provavelmente, muitos empregos serão perdidos nas pequenas e médias empresas que não resistirão a esta crise.
O problema é muito complexo. A revista Le Point trata deste assunto que, segundo diz, está a arruinar uma França que rejeita reformas e que esquece a velha máxima de que “as necessidades são ilimitadas, mas os recursos são escassos".

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Airbus e Boeing: Europa vence a América

Num período em que a França tem estado sob grande tensão social, quer pela acção dos coletes amarelos, quer pelas greves patrocinadas pelos sindicatos que contestam o plano para unificar o sistema de pensões, os franceses tiveram agora uma notícia que lhe alimenta a auto-estima e o orgulho nacional: a Airbus entregou 863 aviões em 2019 e tornou-se o principal fabricante de aeronaves do mundo, muito à frente da sua rival Boeing, que está a sofrer os efeitos da crise desencadeada pelo Boeing 737MAX, que está proibido de voar e tem a sua produção interrompida. A dimensão do resultado obtido pela Airbus assume maior expressão quando comparada com a Boeing que, de Janeiro a Novembro de 2019, entregou “apenas” 345 aviões.
A produtividade da Airbus aumentou 7,9% em relação a 2018 mas, apesar do esforço feito, a construtora europeia não conseguiu atingir o seu ambicioso objectivo de fazer entre 880 e 890 entregas em 2019. Entretanto, na sua carteira de encomendas estão registados cerca de seis mil pedidos de unidades para satisfazer, o que é um recorde sem precedentes na história da indústria aeronáutica.
Porém, este sucesso da Airbus não resulta apenas da crise por que passa o seu rival mas é, também, uma consequência da sua acertada gestão que descentralizou a produção de Toulouse para Mobile nos Estados Unidos, passando por Tianjin na China e por Hamburgo na Alemanha.
O jornal La Dépêche que se publica em Toulouse, a cidade onde estão os cérebros europeus que enfrentaram (e parece terem vencido) a indústria aeronáutica americana, dedica hoje a sua primeira página a este nº1 mundial. No domínio da tecnologia aeronáutica, a Europa vence a América e, para o Donald, esta notícia deve ser aterradora, até porque é mais uma realidade que mostra que o seu slogan make America great again não está a resultar.

sábado, 14 de dezembro de 2019

A vitória de Boris, o Brexit e o futuro


Boris Johnson ganhou as eleições britânicas com uma larga maioria e, ao contrário do que sucedeu com David Cameron ou Theresa May, seus antecessores como primeiros-ministros do Reino Unido, ele não vai precisar de alianças para governar, até porque não se espera que os deputados agora eleitos pelo seu Partido Conservador venham a desafinar depois desta vitória. 
Por consequência, todas as portas que conduzem à concretização do Brexit estão abertas de uma forma inequívoca e agora só há que esperar para ver até onde vão o voluntarismo e as promessas de Boris Johnson que só teve 43,6% dos votos, mas beneficiou do sistema eleitoral britânico, das hesitações do seu adversário principal que se ficou pelos 32,2%, do cansaço dos eleitores e do seu marketing que até o levou a votar acompanhado pelo cão que, num gesto ensaiado, beijou para que as câmaras fotográficas registassem o momento e que essa fotografia fosse depois publicada por alguns jornais como fez o The Times
Boris Johnson revelou-se, portanto, um verdadeiro artista a ganhar eleições, embora haja dúvidas quanto à sua aptidão para desempenhar o cargo de primeiro-ministro, embora provavelmente venha a ficar na história do Reino Unido ao lado de Winston Churchill e de Margaret Thatcher. O Brexit tem agora uma legitimidade que antes não tinha para ser concretizado, mas o seu processo vai ser muito turbulento, não só pela divisão entre os que querem a saída com ou sem acordo mas, sobretudo, pela séria ameaça de fragmentação que paira sobre o Reino Unido. A clara vitória de Boris Johnson teve, paralelamente, uma clara vitória de Nicola Sturgeon que, de imediato, declarou que a Escócia não quer o Boris, nem o Brexit. Portanto, apesar do sinal político que os britânicos deram quanto ao seu futuro, é bem possível que a novela do Brexit ainda esteja longe do fim.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Angela Merkel repudia a barbárie nazi


Ao fim de 14 anos à frente do governo alemão, a chanceler Angela Merkel visitou ontem pela primeira vez o campo de Auschwitz-Birkenau, onde foram assassinadas mais de um milhão de pessoas e que foi o maior campo de extermínio do regime nazi, de entre os mais de mil campos de concentração nazis espalhados pela Europa.
O campo de morte de Auschwitz fica situado em território polaco a cerca de 70 quilómetros da cidade de Cracóvia e foi construído depois da invasão da Polónia pelas tropas de Hitler em 1939, primeiro como campo de concentração (Auschwitz I) e depois, num outro local das proximidades, como um campo de extermínio (Auschwitz II-Birkenau). Nesses campos foram internados e assassinados muitos milhares de prisioneiros políticos do exército polaco, membros da resistência, intelectuais, homossexuais, ciganos e, sobretudo, judeus. No início de 1945, com a aproximação das tropas russas, os campos de Auschwitz foram abandonados, mas quando no dia 27 de Janeiro de 1945 os soldados russos entraram em Auschwitz ainda puderam libertar alguns prisioneiros
Angela Merkel vestiu de preto e disse sentir “uma profunda vergonha pelos crimes bárbaros cometidos pelos alemães”, durante uma visita em que foi acompanhada pelo primeiro-ministro polaco Mateusz Morawiecki. Fez-se acompanhar também pela televisão para que a Alemanha e o mundo ouvissem as suas palavras de repúdio pelas atrocidades e barbaridades cometidas pelo regime nazi e, para “manter a memória viva” dos bárbaros crimes então cometidos, fez uma doação de 60 milhões de euros para ajudar a conservar o local onde os nazis construíram o seu maior campo de morte. Porém, como foi possível governar 14 anos sem ter conhecido Auschwitz e as suas lições? No entanto, mais vale tarde do que nunca.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Uma cimeira da NATO cheia de polémica


Está a decorrer em Londres uma cimeira para assinalar o 70º aniversário da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), de que Portugal é um dos doze países fundadores. Com 70 anos de idade e com um mundo tão diferente do que era em 1949, a organização precisa de ser repensada, porque tendo vivido cerca de cinquenta anos com um adversário de referência que era a União Soviética e de ter alimentado a sua coesão em torno da chamada Guerra Fria, parece ter chegado agora a um túnel sem saída.
O alargamento da NATO aconteceu em circunstâncias conjunturais e com objectivos pouco claros. A NATO transformou-se numa arca de Noé e chegou aos 29 membros, o último dos quais é a República do Montenegro, o que mostra que a ideia inicial da Aliança Atlântica foi ultrapassada e que até o seu nome precisa de ser reformulado.
O envolvimento na guerra do Afeganistão é um bom exemplo do desnorte da NATO e da forma como a organização segue os interesses americanos que, aparentemente, querem ser os polícias do mundo mas que não dispensam o apoio político e até o envolvimento directo dos seus aliados no terreno, mas muitos dos seus estados-membros não gostam deste procedimento hegemónico.
Nos últimos tempos as coisas azedaram-se porque acabou a Guerra Fria que tanto estimulava a coesão da NATO e porque o Donald entrou em cena ao criticar os seus aliados por terem gastos militares que se situam abaixo de 2% do respectivo produto nacional, pensando dessa forma “despachar a bom preço” muito material para os seus aliados. Depois decidiu retirar-se do norte da Síria e permitir que a Turquia atacasse os curdos que combateram ao lado das tropas ocidentais contra o Daesh. Por outro lado, a Turquia decidiu adquirir a nova geração de mísseis antiaéreos russos S-400 e essa decisão veio acentuar as tensões entre vários membros da NATO.
Numa recente entrevista Emmanuel Macron disse que a NATO está em morte cerebral e o Donald considerou insultuosa essa declaração. Estão amuados entre si e ambos bastante zangados com Recep Tayyip Erdogan. Eles são as estrelas desta cimeira como destaca hoje o The Wall Street Journal e mostram que o futuro desta NATO é incerto e está mesmo em perigo.

sábado, 30 de novembro de 2019

O início da celebrações de Beethoven


O compositor alemão Ludwig van Beethoven nasceu na cidade de Bonn provavelmente no dia 17 de Dezembro de 1770 e, portanto, o 250º aniversário do seu nascimento será celebrado no próximo ano. Falta pouco mais de um ano, mas as iniciativas comemorativas já se iniciaram, não só para enaltecer internamente a sua obra musical, mas também para mostrar ao mundo que aquele génio era alemão.
Uma das iniciativas já concretizadas foi a edição de Beethoven – The New Complete Edition, um projecto que resultou de uma parceria entre a editora Deutsche Grammophon e a associação cultural Beethoven-Haus Bonn, que oferece “mais de 175 horas de música” em 118 CD, três discos blu-ray, dois DVD e 16 álbuns digitais, incluindo novas gravações em estreia mundial. O projecto junta gravações de mais de 250 intérpretes e distribui-se por nove volumes, cada um com um livro com notas sobre o repertório, alinhamentos, textos cantados e detalhes das gravações.
É um tipo de obra sem precedentes no campo da música e o preço anunciado ultrapassa largamente os trezentos euros, embora as grandes cadeias de lojas de retalho e de comércio online já venham anunciando preços da ordem dos 250 euros. O problema para os interessados será arranjar lugar para guardar os referidos nove volumes e ter tempo para ouvir tanta coisa.
Na sua edição de hoje, a revista Der Spiegel não só promoveu a iniciativa da Deutsche Grammophon como deu o pontapé de saída às celebrações que a Alemanha vai fazer em torno da figura e da obra de Ludwig van Beethoven. Certamente que muitos outros países europeus se unirão à Alemanha nesta celebração que, talvez, também possa servir para fortalecer um sentido de unidade mínima cultural e identitária de que a Europa e as suas nações tanto precisam.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Von der Leyen e a nova ambição europeia

O Parlamento Europeu aprovou ontem em Estrasburgo por 461 votos a favor, 157 contra e 89 abstenções, num total de 707 votos expressos, o colégio da nova Comissão Europeia liderado por Ursula von der Leyen. Neste executivo comunitário que vai iniciar funções no próximo dia 1 de Dezembro, Portugal está representado por Elisa Ferreira, ex-ministra e ex-deputada europeia, que será responsável pela pasta da Coesão e Reformas.
Para além da nova Comissão Europeia, no mesmo dia também iniciarão funções o novo presidente do Conselho Europeu, o belga Charles Michel, e o novo Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, o espanhol Josep Borrell, que sucedem respetivamente ao polaco Donald Tusk e à italiana Federica Mogherini.
A União Europeia de Jacques Delors, Helmut Kohl e François Metterand parece que se esgotou, pois está a passar por uma fase muito difícil, sem uma liderança reconhecida e com problemas que ameaçam a sua coesão, como o Brexit e a hostilidade de Trump, o radicalismo de Nigel Farage e de Boris Johnson ou os discursos populistas de Matteo Salvini e de Viktor Orbán.
É um momento em que temos que depositar esperanças para a contrução de uma Europa mais unida e mais solidária, até porque pela primeira vez na sua história de mais de sessenta anos, a Comissão Europeia vai ser presidida por uma mulher. Ursula von der Leyen é alemã e vai substituir Jean-Claude Juncker, que substituira o oportunista e irrelevante cherne lusitano, que dá pelo nome de Durão Barroso.
Hoje, muito poucos jornais europeus destacaram a notícia da aprovação da nova Comissão Europeia nas suas primeiras páginas, a mostrar que a problemática europeia não lhes interessa. Em Portugal, nem um só jornal trouxe em primeira página a notícia da aprovação da Comissão von der Leyen, mas eu penso que, tal como o jornal económico francês Les Echos, a nova Comissão traz uma nova ambição para a Europa.

sábado, 9 de novembro de 2019

Celebrando a queda do muro de Berlim

Está hoje a comemorar-se, na Alemanha e em outros países, o 30º aniversário da queda do muro de Berlim, um acontecimento que, de forma simbólica, acelerou a reunificação alemã, bem como o fim do sovietismo e da guerra fria.
Depois da 2ª Guerra Mundial a Alemanha e a cidade de Berlim ficaram divididas em quatro sectores de ocupação - soviético, americano, francês e britânico – mas as relações entre as autoridades ocupantes, sobretudo soviéticas e ocidentais, foram geralmente tensas e daí resultaram duas moedas em circulação, dois ideais políticos e, por fim, duas Alemanhas. Em 1949, os três sectores ocidentais (americano, francês e britânico) passaram a constituir a República Federal Alemã (RFA) e o sector oriental (soviético) tornou-se na República Democrática Alemã (RDA). O ambiente político e o desenvolvimento económico das duas Alemanhas eram bem diferentes e, até 1961, calcula-se que quase 3 milhões de pessoas tivessem deixado a RDA em direcção à florescente RFA. Para contrariar esta realidade, em Agosto de 1961 as autoridades de Berlim Oriental decidiram iniciar a construção de um muro de cerca de 4 metros de altura que separava as duas partes da cidade de Berlim e, ao longo dele, uma avenida também conhecida por “faixa da morte”, dotada de sistemas de alarme e pela qual circulavam constantemente veículos policiais. O muro de Berlim tornou-se o ícone da das tensões Leste-Oeste e o símbolo da chamada Guerra Fria.
No dia 9 de Novembro de 1989, sob forte pressão popular, o governo da RDA afirmou que era permitida a passagem para o lado oeste da cidade e milhares de pessoas atravessaram para Berlim Ocidental. A destruição do muro começou então por iniciativa popular. Tinha durado 28 anos e, entre 1961 e 1989, mais de cinco mil pessoas tentaram atravessá-lo. Cerca de uma centena delas morreu quando procurava a liberdade.

domingo, 3 de novembro de 2019

Novo fôlego da independência da Escócia

A Escócia é um reino situado na parte norte das ilhas Britânicas que foi independente desde 843 até 1707, ano em que se uniu com a Inglaterra para formar o Reino Unido da Grã-Bretanha. Durante três séculos os escoceses e os ingleses viveram muito felizes, embora tivessem mantido inúmeras instituições e actividades que nunca foram integradas na sua união, que em 1801 foi estendida à Irlanda, dando origem ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.
Em 1973 o Reino Unido aderiu à Comunidade Europeia e, para além das suas capitais em Edimburgo e Londres, os escoceses passaram também a ter uma outra capital em Bruxelas. E gostaram disso, porque da nova capital lhes chegaram muitas coisas boas. Porém, nos últimos tempos as coisas começaram a mudar, com tensões políticas entre escoceses e ingleses. Daí resultou um referendo sobre a independência da Escócia realizado no dia 18 de Setembro de 2014, em que 44,70% dos escoceses votaram sim, enquanto 55,30% votaram não.
As tensões independentistas serenaram, até que no dia 23 de Junho de 2016 se realizou um referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, em que 51,89% dos eleitores votaram sim ao Brexit, embora 67,2% dos escoceses tivessem votado contra. No dia seguinte, a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon, afirmou que um segundo referendo pela independência da Escócia em relação ao Reino Unido estava em cima da mesa.
Entretanto, passaram mais de três anos e a David Cameron sucedeu Theresa May e, depois, o estarola do Boris Johnson. Tem sido uma confusão e um descrédito completos. Agora estão marcadas eleições para o próximo dia 12 de Dezembro, mas Nicola Sturgeon não perdeu tempo e, como se esperava, exige agora um novo referendo sobre a independência da Escócia.

sábado, 19 de outubro de 2019

O Luxemburgo e a sua marinha mercante

O pequeno grão-ducado do Luxemburgo que tem uma superfície que não chega a ser metade do Algarve e que não tem qualquer ligação ao mar, tem hoje uma importante marinha mercante e cerca de 20.000 inscritos marítimos, segundo informa o jornal luxemburguês Le Quotidien.
Há 217 navios inscritos no registo luxemburguês, representando cerca de 1,41 milhões de toneladas mas, no mínimo, esta realidade parece ser um paradoxo.
Tudo começou em 1990 quando o Luxemburgo decidiu que a sua economia, até então especializada nos sectores financeiro e dos serviços, se lançasse no sector marítimo, como forma de dar oportunidades à sua banca de investimento e de assegurar uma receita fiscal aos cofres luxemburgueses.
Curiosamente, o primeiro navio registado na praça luxemburguesa foi o Prince Henri, um navio-transporte de produtos químicos que antes estava registado na Bélgica, mas a partir de então a procura pela praça luxemburguesa aumentou, apesar de ser uma opção mais cara do que o registo nas praças de Malta ou do Chipre.
Porém, para entrar neste mercado do registo marítimo o Luxemburgo apostou na diferenciação e decidiu não aceitar o registo dos grandes petroleiros com o argumento de que não querem ser coniventes com a poluição causada pelos acidentes marítimos. Além disso, só aceita que o pavilhão luxemburguês seja içado em navios novos, modernos e não poluentes, devendo o proprietário ou armador ter uma base empresarial ou uma sucursal em território luxemburguês. Significa, portanto, que o Luxemburgo se inspirou nas técnicas de marketing e apostou num posicionamento e numa diferenciação do seu “produto”, o que se traduziu já no registo de 217 navios.
Com este negócio inovador mas paradoxal, que é um país sem mar ter uma marinha, o Luxemburgo considera ter aberto mais uma porta para as suas actividades económicas e para o seu melhor posicionamento no mundo.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Boris Johnson é um grande mentiroso

O Supremo Tribunal britânico decidiu por unanimidade dos seus 11 juízes que o conselho dado por Boris Johnson à Rainha Isabel II para suspender os trabalhos do Parlamento por cinco semanas foi “ilegal, vazio e sem efeito”, pelo que o Parlamento vai abrir hoje as suas portas.
Foi uma pesada derrota para o primeiro-ministro que foi acusado de “frustar e impedir” que os deputados cumprissem os seus deveres constitucionais, isto é, quase foi acusado de ter tentado fazer um golpe de estado. Hoje todos os jornais britânicos destacam esta notícia e desancam no tresloucado primeiro-ministro, dizendo que Boris Johnson é um mentiroso e deve pagar por isso. “Ele enganou a Rainha, o povo e o Parlamento”, é o título do The Guardian. Um outro jornal destaca que Boris “voa para o caos” e que, apesar de humilhado, recusa a demissão, embora outro jornal já antecipe a sua saída e escreva “Bye, bye Boris”.
Temos, assim, que o processo do Brexit continua a produzir sucessivos acontecimentos sensacionalistas, que se assemelham a uma palhaçada própria de uma república das bananas e que ninguém imaginaria poderem acontecer na ilha onde reinou a Rainha Victoria e governou Winston Churchill. Naturalmente, a imprensa alimenta-se destas situações e, aparentemente, não tem procurado qualquer via de sensatez e de equilíbrio que ajudasse a resolver a situação. Apesar da aproximação da data de saída da União Europeia que está prevista para o dia 31 de Outubro, mantém-se o mesmo grau de incerteza e de confusão quanto ao futuro, que havia há um mês, ou há cinco meses, ou há um ano. Em boa verdade, parece que no Reino Unido ninguém sabe como sair deste imbróglio.

domingo, 8 de setembro de 2019

Gales também já está contra o Brexit?

A barafunda política em que está envolvido o Reino Unido continua a agravar-se e a tornar-se ridícula, não só pela obcessão que alguns manifestam pelo Brexit, com ou sem acordo, mas também porque as alternativas são cada vez mais improváveis e, sobretudo, não são nada claras. Os problemas económicos e sociais que se avizinham estão estudados e são muito preocupantes, não só para o governo de Londres, mas também para a União Europeia.
Porém, o problema da fragmentação territorial do Reino Unido parece estar cada vez mais próximo e esse problema é muito sério, até do ponto de vista militar devido à dispersão das bases britânicas pelas diferentes regiões das Ilhas Britânicas.
É sabido que a Escócia e a Irlanda do Norte votaram contra o Brexit (62% e 56% respectivamente) e, por isso, não admira que a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon já tenha declarado que, a concretizar-se o Brexit, vai realizar um novo referendo sobre a independência da Escócia, enquanto os irlandeses de Belfast já ameaçaram que a unificação das Irlandas é o seu futuro mais provável.
Entretanto o País de Gales, que tinha sido a região em que apenas 47,5% dos eleitores tinha votado contra a saída da União Europeia, começou a dar mostras de ter invertido o seu ponto de vista e que, afinal, já não quer que o Reino Unido abandone a União Europeia, juntando-se, assim, aos escoceses e aos irlandeses do norte. O jornal escocês The National, que se afirma apoiante da independência da Escócia, decidiu dar publicidade às aspirações galesas e veio agora afirmar-se como “the newspaper that supports an independent Wales”. Portanto, as coisas agravam-se cada vez mais "em terras de Sua Majestade", até porque no nº 10 de Downing Street está um perigoso fanático, aliás como insinuou o seu irmão Jo Johnson, que acaba de se demitir do governo e do Parlamento.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Brexit: a demagogia continua em Londres

Ontem, em Londres, a Câmara dos Comuns retomou os seus trabalhos parlamentares depois das férias de Verão e tratou de diversas questões menores que estavam agendadas, tendo havido uma intervenção do primeiro-ministro Boris Johnson sobre a recente cimeira do G7.
Depois, seguiu-se a história do costume a respeito do Brexit, com os deputados divididos entre a saída sem acordo ou a saída com acordo. Boris Johnson, que conseguiu que o Parlamento fosse suspenso a partir da próxima semana, continuou a insistir na sua proposta radical de saída sem acordo, parecendo indiferente aos avisos que lhe chegam quanto às graves consequências que isso vai ter no abastecimento público, nos portos e no turismo. É o caos dizem uns, é a incerteza total dizem outros. Apesar disso, foi votada e aprovada uma proposta que visa a criação de legislação que impeça uma saída sem acordo no dia 31 de Outubro, isto é, a iniciativa do processo do Brexit volta ao Parlamento e não fica nas mãos do revolucionário Boris. Foi uma humilhante derrota como hoje diz o The Guardian, pois tiraram-lhe o tapete e foi-se a sua maioria parlamentar, enquanto viu alguns dos deputados do seu partido virarem-lhe as costas.
Hoje a luta continua, mas já é assumido que o governo vai apresentar uma proposta para a realização de eleições legislativas antecipadas dentro de seis semanas, isto é, a 14 de Outubro. Talvez seja a melhor solução para este enorme imbróglio, em que a União Europeia perdeu a paciência e se prepara para classificar esta novela como “um desastre natural”.
O que será necessário é que no processo eleitoral os britânicos sejam esclarecidos sobre o que está em jogo, porque há muita ignorância a minar este processo, que só um eleitorado esclarecido pode ultrapassar. Depois, saiam ou fiquem, com ou sem acordo, mas sem dar ao mundo este espectáculo político degradante.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

O Brexit no-deal está cada vez mais perto

A pedido do primeiro-ministro Boris Johnson, a rainha Isabel II aceitou ontem que o Parlamento britânico seja suspenso desde o dia 10 de Setembro até ao dia 14 de Outubro, isto é, até quando faltarem apenas  duas semanas da data prevista para o Brexit.
Com esta medida o radical governo britânico pretende assegurar que o Reino Unido abandone a União Europeia no dia 31 de Outubro, certamente sem acordo ou no-deal, ao mesmo tempo que pretende inviabilizar quaisquer tentativas de aliança entre a oposição trabalhista, os rebeldes conservadores e os deputados escoceses, para impedir essa saída sem acordo ou mesmo para conseguirem o afastamento de Boris.
As reacções a esta decisão foram imediatas pois o encerramento temporário do Parlamento é um sério ataque ao processo democrático e aos direitos dos deputados enquanto representantes eleitos pelo povo, havendo mesmo quem fale em golpe de estado. Muita gente não aceita a legitimidade política de Boris Johnson, pois foi escolhido por noventa mil cidadãos do seu partido, chefia um governo minoritário, não tem uma maioria no Parlamento e, desde que assumiu o cargo, não foi ao Parlamento uma única vez, o que é uma afronta à tradição democrática britânica.
O extravagante Boris Johnson, que toda a gente considera a versão britânica de Donald Trump, tem vivido obcecado com o Brexit e parece não entender as graves consequências que virão para a economia, para a sociedade e mesmo para a cultura do Reino Unido com este divórcio mal esclarecido. Por isso, a edição do The Times destaca hoje que "Johnson goes for broke", isto é, que Johnson nos leva à falência.
Ninguém se entende naquelas ilhas. Porém, como teremos oportunidade de ver, esta história ainda vai ter muitos mais episódios.

domingo, 18 de agosto de 2019

Boris Johnson: le bad boy de l’Europe

O Reino Unido tem passado por uma grande turbulência política desde que, no dia 23 de Junho de 2016, se realizou o referendo para decidir da sua permanência ou saída da União Europeia. Os partidários do Brexit ganharam com 52% dos votos, mas essa margem foi tão escassa que o país ficou dividido e não se tem entendido quanto ao futuro. Os primeiros-ministros David Cameron e Theresa May não conseguiram resolver a situação e, no dia 24 de Julho, foi a vez de Boris Johnson tomar posse como primeiro-ministro.
Naturalmente, Boris Johnson anunciou que iria trabalhar para unir o país e que uma das suas prioridades era garantir a saída do Reino Unido da União Europeia, que está marcada para o dia 31 de Outubro, apesar da oposição do Partido Trabalhista e de um sector do seu próprio Partido Conservador. Embora esteja há menos de um mês a ocupar o nº 10 de Downing Street, o facto é que não há notícias que mostrem que Boris Johnson esteja a unir o que quer que seja e, perante a ameaça de sair sem um acordo com Bruxelas, amontoam-se os estudos a apontar para as trágicas consequências económicas e sociais para os britânicos, a juntar às ameaças de secessão por parte de escoceses e irlandeses do norte.
Boris Johnson é uma figura muito controversa, tem muito apoio de Donald Trump e, tanto a sua vida política como pessoal, têm estado sujeitas a muitas polémicas. Esta semana a edição do L’Express escolheu uma fotomontagem para ilustrar a sua capa, na qual Boris Johnson exibe um fósforo na mão, numa insinuação de que é um incendiário político. Chama-lhe o bad boy de l’Europe e procura mostrar o que nos espera com o Brexit, que tem data marcada para daqui a cerca de 70 dias.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Uma imagem vale mais que mil palavras!

Depois de dois longos processos, um de saída ou não saída da União Europeia e, outro, de saída com ou sem acordo, a política britânica ficou desacreditada e o orgulhoso Reino Unido tornou-se numa coisa que envergonharia a Rainha Victoria. No seu episódio mais recente, o deputado Boris Johnson sucedeu a Theresa May na liderança do Partido Conservador e na chefia do governo do Reino Unido.
Theresa May foi um erro de casting ou um paradoxo político porque durante a campanha do referendo tinha defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia e, depois, quando ocupou o nº 10 de Downing Street aceitou o resultado do referendo, isto é, antes esteve contra o Brexit, mas depois apoiou e negociou com Bruxelas esse mesmo Brexit.
Em Março de 2017 coube-lhe a missão de accionar o artigo 50 do tratado da União Europeia e de conduzir as negociações para o Brexit. O acordo alcançado com Bruxelas foi derrotado no Parlamento Britânico em Janeiro de 2019 e um acordo revisto foi também derrotado mais tarde, pelo que Theresa May se demitiu em Maio de 2019.
A saída de Theresa May e a entrada de Boris Johnson aumenta a incerteza quanto ao futuro e, aparentemente, as coisas que estavam a correr mal vão correr pior, não só pelo radical-populismo de Johnson e o seu persistente apoio ao Brexit, mas também por ser uma figura polémica e extravagante. De resto, tratou imediatamente de afastar do governo metade dos ministros de Theresa May e rodeou-se de convictos apoiantes do Brexit. Porém, de Bruxelas veio o aviso de Jean-Claude Juncker de que o acordo de saída não é renegociável, enquanto de Edimburgo falou Nicola Sturgeon a reclamar com vigor por um novo referendo sobre a independência da Escócia e a declarar Johnson como “o último primeiro-ministro do Reino Unido”.
Na sua última edição a revista The Economist colocou Boris Johnson a entrar numa montanha-russa, uma atracção popular dos parques de diversão urbanos em que há saltos, quedas e loopings imprevistos, com tudo muito confuso, muito incerto e sem que se saiba como tudo chega ao fim.
Poucas vezes uma imagem foi tão expressiva daquilo que espera os britânicos nos próximos tempos: here we go!