Mostrar mensagens com a etiqueta FUTEBOL. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FUTEBOL. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

O triste naufrágio do futebol português

Nos últimos anos o futebol invadiu de forma desproporcionada o espaço mediático e, portanto, também o nosso espaço público e a nossa vida. O futebol parece ter sido colocado no centro da vida dos portugueses e há muita gente, aparentemente respeitável, que embarca nesta loucura da futebolite. O futebol transformou-se numa arena onde se digladiam todas as perversidades e frustrações da nossa sociedade, como podemos ver todos os dias nas televisões, enxameadas por dezenas de comentadores, quase sempre numa postura de radicalismo clubista, que até podem criar a ideia de que o futebol é a coisa mais importante da vida. Já não há paciência para ouvir as constantes conferências de imprensa dos treinadores, as judiciosas opiniões dos árbitros sobre os casos do jogo ou a grosseira incontinência verbal de certos dirigentes.  A continuar assim, um dia o futebol acaba e ninguém tem conseguido travar este degradante movimento que constitui um verdadeiro retrocesso civilizacional.
Porém, ainda há quem pense que essa é a face mais obscura do fenómeno futebolístico, porque do outro lado há a festa, a alegria, o espectáculo desportivo, a incerteza quanto ao resultado, os grandes golos e as grandes defesas.
Porém, também essa face nos desilude cada vez mais. Nas 16 equipas em prova na Liga dos Campeões não há qualquer equipa portuguesa, mas na chamada segunda linha das competições europeias, que é a Liga Europa, havia quatro equipas portuguesas. Até ontem, porque as equipas do Braga, Sporting, Porto e Benfica foram eliminadas. Foi um naufrágio completo. O jornal A Bola diz hoje que o nosso futebol é um Portugal dos pequenitos. De facto, com tanto tempo e tanta gritaria dedicados ao futebol, não era previsível que acontecesse este naufrágio ou, então, essa gente do futebol anda-nos a vender gato por lebre e não nos diz a verdade, ou seja, que o nosso futebol que era a alegria do povo, está agora irremediavelmente de rastos.

domingo, 29 de dezembro de 2019

O futebol e os treinadores portugueses

O diário francês L’Équipe anuncia hoje o despedimento do treinador da equipa de futebol da Association Sportive de Monaco Football Club, conhecida simplesmente como Mónaco. Esse treinador era o português Leonardo Jardim. 
Jardim tem um palmarés futebolístico notável pois já foi campeão na Grécia e em França, mas a escassez de vitórias no clube monegasco ditaram o seu despedimento. No turbulento mundo do futebol os diversos interesses em presença, incluindo os adeptos, os patrocinadores, os investidores e muitos outros agentes que se movem nesse circo, exigem vitórias às suas equipas e quando elas não acontecem os treinadores são despedidos, embora quase sempre com chorudas indemnizações. Curiosamente, embora de sinal contrário, também um jornal brasileiro anuncia hoje a contratação do treinador português Jesualdo Ferreira, o que mostra que a vida dos treinadores de futebol é um corrupio de instabilidade entre contratações e despedimentos, ou entre entradas e saídas.
Porém, estes dois casos recordam-nos que os treinadores de futebol portugueses estão na moda e são contratados um pouco por todo o mundo. Tanto quanto julgo saber há treinadores portugueses em França, na Inglaterra, na Itália, na Grécia, na Eslováquia, na Lituânia e na Ucrânia, mas também no Brasil, no México e  na Colômbia. Depois, também encontramos treinadores de futebol portugueses na China e na Coreia do Sul, na Arábia Saudita e no Qatar e, ainda, em Moçambique, Cabo Verde, Camarões e Argélia. Portanto, há pelo menos 18 países onde trabalham treinadores de futebol portugueses de primeiro plano. 
É claro que Portugal goza hoje de uma mais notoriedade e melhor imagem nos países onde estes treinadores trabalham e, naturalmente, também se espera que a economia portuguesa tire algum proveito da eventual importação de capitais, como contrapartida desta exportação de talentos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Mais um grande prémio para Lionel Messi


O desporto é uma actividade nascida (ou ressuscitada) em finais do século XIX, mas só no último meio século, depois do aparecimento da televisão, é que se transformou num fenómeno social à escala global, apoiado num poderoso motor de inúmeras indústrias e interesses que em torno dele se movem.
Poucos são indiferentes ao fenómeno desportivo, quase sempre alimentado por rivalidades que chegam a parecer-se com os confrontos das guerras medievais e que, muitas vezes, ultrapassam as fronteiras da racionalidade. Assim acontece, por exemplo, com as rivalidades entre o Benfica e o Sporting ou entre o Barcelona e o Real Madrid, mas também entre o Nicolau e o Trindade, o Schumacher e o Senna, o Federer e o Nadal e, naturalmente, entre o Cristiano Ronaldo e o Lionel Messi que, há mais de dez anos, rivalizam na conquista do troféu de melhor futebolista do mundo.
Ontem o argentino Lionel Messi foi distinguido pela sexta vez com o Ballon d’Or, repetindo o prémio conquistado em 2009, 2010, 2011, 2012 e 2015, enquanto Cristiano Ronaldo, o vencedor desse prémio em 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017, ficou apenas em terceiro lugar. Provavelmente, o artista Messi ainda é melhor do que o artista Cristiano...
Alguns portugueses ficaram decepcionados, pois ninguém tem dúvidas de que Cristiano Ronaldo é um futebolista de eleição e que é o mais famoso português de todos os tempos, com uma notoriedade mundial que “envergonha” tanto Vasco da Gama e Camões, como Saramago e Marcelo Rebelo de Sousa. Por isso, há em Portugal quem fique triste por ver Messi superar Cristiano, mas não é caso para isso. Nos dez melhores futebolistas do mundo há dois portugueses, coisa que nenhum outro país do mundo tem. Além disso, nos trinta melhores futebolistas do mundo há três portugueses e nesse grupo não há espanhóis, nem italianos, nem suiços, nem gregos, nem russos, nem americanos. Para a tribo do futebol lusitano isto deve ser suficiente para que todos fiquem orgulhosos e satisfeitos.

domingo, 24 de novembro de 2019

O mérito lusitano na vitória do Flamengo


Não tenho qualquer simpatia pelo treinador de futebol Jorge Jesus, nem pelo seu perfil cultural, nem pela vaidade que exibe em tudo o que faz e, por isso, quando raramente a ele me refiro faço-o sempre numa postura de superioridade intelectual e com apreciações de escárnio e maldizer. Porém, ontem ele deu-me uma valente bofetada de luva branca ao promover por todo o Brasil o nome de Portugal e o bom nome dos portugueses, como poucos o terão feito ao longo da história. Com a vitória do Flamengo sobre o River Plate na Taça Libertadores da América, o treinador Jorge Jesus tornou-se o mais famoso português que o Brasil conheceu, ultrapassando a notoriedade de Pedro Álvares Cabral, do Imperador D. Pedro I que em 1822 deu o grito do Ipiranga ou da dupla Cabral-Coutinho que em 1922 fez a primeira ligação aérea entre Portugal e o Brasil.
Jorge Jesus brilhou na final disputada em Lima, que foi emocionante e foi vista em todo o mundo. Aos 88 minutos o River Plate vencia por 1-0 e parecia que a sorte do jogo estava traçada, com os argentinos a conquistarem a sua quinta Taça Libertadores. Porém, deu-se o inesperado e, em três minutos, o Flamengo deu a volta ao resultado. Venceu por 2-1. O último golo foi marcado aos 90+2 minutos e deixou em delírio os adeptos do Flamengo, mas também todos os brasileiros e muitos portugueses que assistiram ao jogo pela televisão. O treinador fez os números do costume e até se embrulhou numa bandeira portuguesa, dedicando a vitória ao povo português e afirmando que “tenho muito orgulho em ser português”, uma frase que os brasileiros bem precisavam de ouvir porque, por vezes, usam de uma indesculpável arrogância para com os portugueses. 
Foi um acontecimento mediático inesquecível e o Rio de Janeiro vai ter um Carnaval antecipado. Quem imaginaria que um homem como o treinador Jorge Jesus iria colocar Portugal na agenda dos brasileiros e que o seu rosto iria “substituir” o de Jesus Cristo na estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro?

sábado, 23 de novembro de 2019

Um Brasil que hoje torce pelo Flamengo


O Estádio Monumental de Lima recebe hoje a final da Taça Libertadores da América em que se defrontam os brasileiros do Flamengo e os argentinos do River Plate, pelo que a imprensa brasileira não fala noutra coisa. O entusiasmo parece ser indescritível e a edição do jornal O Dia diz que hoje estão 40 milhões em campo, uma vez que o Flamengo é considerado como o único clube do mundo que tem 40 milhões de torcedores.
A Taça Libertadores da América disputa-se desde 1960 e é a principal competição entre clubes profissionais de futebol da América do Sul, correspondendo à Liga dos Campeões organizada pela UEFA na Europa. No seu já longo historial destacam-se as equipas dos países da costa atlântica – Argentina, Brasil e Uruguai – registando-se as vitórias do Independiente (7 vezes), do Boca Juniors (6 vezes), do Peñarol (5 vezes) e do River Plate (4 vezes), enquanto o Flamengo apenas conseguiu uma vitória em 1981.
Hoje encontram-se as equipas do River Plate e do Flamengo, mas enquanto o River Plate ocupa o 1º lugar no ranking de pontos da Taça Libertadores, o Flamengo ocupa a modesta 27ª posição, o que historicamente dá favoritismo aos argentinos. O Flamengo participou 13 vezes na prova que só venceu uma vez e, portanto, está há 38 anos sem conquistar aquele ambicionado troféu.
Hoje, sob a direcção do treinador português Jorge Jesus, o Flamengo aspira à vitória. A cidade do Rio de Janeiro e os 40 milhões de torcedores do Flamengo vivem este momento com grande entusiasmo e até o famoso monumento do Cristo Redentor foi vestido com as cores do Flamengo. Hoje, todo o Brasil torce pelo Flamengo e, deste lado do Atlântico, também nos juntamos à torcida.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

No futebol a alegria do povo é a vitória


É verdade que o futebol é cada vez mais um produto muito pouco recomendável, porque a beleza do espectáculo vem sendo substituída por uma doentia alienação das pessoas alimentada pelos mass media; é verdade que os espaços que as estações televisivas dedicam às discussões sobre o futebol são longos, desinteressantes, pouco educativos e quase obscenos, constituindo um ataque à inteligência das pessoas; é verdade que à volta do futebol vive uma panóplia de interesses com transferências, patrocínios, comissões, transmissões televisivas, direitos de imagem e outras actividades assessórias que fazem daquele espectáculo um negócio.
É verdade tudo isso mas, apesar dessas realidades, eu gosto de ver aqueles “artistas” durante os 90 minutos em que “trabalham”, com os golos e os remates fora da área, os dribles e os livres directos, as defesas espectaculares, a ansiedade no momento do penalti e a alegria vibrante dos adeptos.
Ontem a selecção portuguesa de futebol - ou como certa imprensa costuma dizer Ronaldo & Companhia – ganhou ao Luxemburgo. O jogo não entusiasmou e até foi enervante, mas a vitória bastou para que todos ficassem contentes. O povo gosta mais de vitórias do que de bons espectáculos de futebol. A derrota, mesmo que num bom espectáculo não interessa, pois não alimenta as emoções. Ganhar é que é importante e Portugal apurou-se para o Euro 2020. Foi a 11ª vez consecutiva que isso aconteceu em Mundiais e Europeus, isto é, desde o ano de 2000 que a equipa portuguesa não falha uma grande competição internacional. Ora isso é uma grande alegria para o povo e eu partilho dessa alegria. Portugal sorri e eu aplaudo!

segunda-feira, 10 de junho de 2019

A alegria do povo está mesmo no futebol

A selecção portuguesa de futebol venceu ontem a primeira edição da Liga das Nações, ao bater a equipa da Holanda por 1-0 na final realizada na cidade do Porto. Num jogo emocionante e muito equilibrado, a vitória resultou de uma superior exibição dos jogadores portugueses, que jogaram bem e dominaram o seu adversário. Depois de ter vencido o Euro 2016, o triunfo na Liga das Nações 2019 inscreve a selecção portuguesa na galeria das melhores selecções mundiais de futebol e, neste tempo em que o futebol parece tudo dominar desde a política à economia, o acontecimento torna-se relevante, tanto interna, como  internacionalmente.
Sem dúvida que, por circunstâncias diversas, Portugal atravessa um período de grande entusiasmo em que a auto-estima dos portugueses é muito alta, pelo que esta vitória foi mais um contributo para a euforia nacional e deu origem a grandes manifestações populares de alegria. Naturalmente, a fotografia dos vencedores da Liga das Nações ilustrou a capa de toda a imprensa portuguesa.
O povo que trabalha, que paga impostos e que, impotente, assiste aos desmandos do novo-riquismo e da trafulhice bancária que por aí se passeia, bem mereceu mais esta alegria resultante dos pontapés do Ronaldo e do Guedes, mas também das defesas do Patrício. A alegria do povo está mesmo no futebol e hoje, que é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a vitória no futebol até parece ter sido encomendada e vai certamente estar presente, pelo menos no subconsciente nacional, nas cerimónias que se realizarão em Portalegre e em Cabo Verde.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

O futebol é mesmo a grande festa inglesa

Disputaram-se nos últimos dias os dois jogos das meias-finais da Liga dos Campeões e, aconteceu o mais improvável, a mostrar que na alta competição futebolística não há vencedores antecipados. O Liverpool e o Tottenham vão ser os finalistas da prova, pois derrotaram o Barcelona e o Ajax que, que nos jogos da primeira mão tinham ganho vantagem. Num caso, a reviravolta ocorreu a cerca de dez minutos do fim e, no outro, aconteceu no último segundo. Em Liverpool a equipa local recuperou da derrota por 3-0 que averbara em Barcelona e eliminou a equipa de Messi, enquanto em Amesterdão e depois de estar com uma desvantagem de três golos, o Tottenham conseguiu eliminar o Ajax no 96º minuto. Algumas crónicas referem que os dois jogos foram memoráveis pela incerteza no resultado final e o jornal espanhol as escreve: Qué grande es la Champions! 
Nas 18 edições já realizadas neste século os espanhóis dominaram a Liga dos Campeões com 9 vitórias do Real Madrid e do Barcelona, enquanto os ingleses apenas ganharam a prova em três épocas: Liverpool (2004-2005), Manchester United (2007-2008) e Chelsea (2011-2012).
Portanto, vai acontecer uma vitória inglesa na edição de 2018-2019 da Liga dos Campeões e essa vitória faz todo o sentido, porque os ingleses têm o campeonato mais competitivo e um numeroso conjunto de boas equipas, como não há em nenhum outro campeonato. Eles jogam e lutam. Não simulam lesões nem procuram enganar os árbitros, como se faz por aqui .
Por isso, até nem surpreende que hoje também tenham sido apuradas as equipas do Arsenal e do Chelsea para a final da Liga Europa, isto é, os finalistas das duas maiores provas futebolísticas de clubes europeus são quatro equipas inglesas. Nunca tinha acontecido isto
É realmente notável a performance do futebol competitivo que tanto entusiasma os ingleses, no ano em que têm tido tantas amarguras com o Brexit!

quarta-feira, 13 de março de 2019

O dia da ressureição de Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo nasceu no Funchal há 34 anos e muita gente pensa que essa idade já não é recomendável para jogar futebol, sobretudo na alta-roda das competições internacionais e, ainda por cima, como atacante.
Quando em Julho de 2018 o famoso futebolista deixou Madrid a caminho de Turim, eu pensei, e muitos pensaram como eu, que a Juventus não tinha comprado um futebolista por 100 milhões de euros, mas que adquirira, sobretudo, um ícone publicitário ou uma imagem de marca, para melhorar o marketing do clube e para o ajudar a voltar ao topo do futebol europeu.
O tempo parecia dar razão a essas pessoas, pois Cristiano Ronaldo deixou de aparecer na selecção portuguesa, teve problemas com o fisco espanhol e com a justiça americana e pareceu ter perdido o seu habitual alto rendimento futebolístico. Até a Bola de Ouro lhe escapou para Luka Modric, o croata que fora seu companheiro no Real Madrid.
Porém, Cristiano Ronaldo ressuscitou ontem em Turim e tratou de pôr em delírio um estádio cheio e os adeptos da Juventus. Defrontando o Atletico de Madrid e, depois de ter perdido por 2-0 no primeiro jogo disputado na capital espanhola, desforrou-se com 3-0 e passou aos quartos de final da Liga dos Campeões. Cristiano Ronaldo marcou os três golos e a imprensa italiana, mas também a espanhola, a portuguesa e a latino-americana esgotaram os adjectivos elogiosos.
Até La Gazzetta dello Sport, a "bíblia" do futebol italiano, se rendeu a Cristiano Ronaldo. É mesmo um caso raro de talento futebolístico que bate todos, ou quase todos, os recordes do mundo do futebol.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A fama de Ronaldo parece estar de volta

Apesar de ser campeão europeu e de ter marcado um golo sensacional no dia 3 de Abril de 2018, no Allianz Stadium de Turim, quando com a camisola do Real Madrid defrontou a Juventus, o futebolista Cristiano Ronaldo não foi eleito pela UEFA nem pela FIFA como o melhor futebolista do mundo em 2018. As imagens desse golo correram mundo e esse momento foi adjectivado como fantástico, incrível e antológico, tendo sido aplaudido pelos próprios adeptos italianos mas, apesar disso, nenhuma dessas organizações escolheu Ronaldo como o melhor do ano. Os fãs de Ronaldo ficaram tristes, até porque essas “derrotas” coincidiram com uma grave acusação que contra ele foi feita nos Estados Unidos.  
Porém, Cristiano Ronaldo foi agraciado esta quinta-feira no Dubai com o prémio de melhor jogador do ano nos Globe Soccers Awards e, para além desta distinção, ainda recebeu o troféu relativo ao melhor golo do ano, exactamente aquele que marcou ao serviço do Real Madrid contra a sua actual equipa.
Muitos tinham pensado que Ronaldo estava definitivamente afastado do top do futebol mundial por não ter sido escolhido pela UEFA e pela FIFA, apesar do seu histórico golo em Turim. Agora com um título de melhor jogador do mundo, embora um prémio menos valioso que os prémios da FIFA ou da UEFA, Cristiano Ronaldo pode ter “ressuscitado” e os seus fãs recuperaram uma boa razão para idolatrarem o seu ídolo. O jornal italiano TuttoSport, que tanto tem apoiado a carreira italiana de Ronaldo, não deixou passar em claro este acontecimento.

O futebol está a colonizar a informação

Na passada quarta-feira a equipa de futebol do Benfica foi jogar a Portimão e perdeu por 2-0, porque aconteceu o facto pouco comum de dois jogadores benfiquistas terem metido golos na sua própria baliza. No dia seguinte, a derrota do Benfica foi exaustivamente comentada nas televisões como se fosse uma catástrofe, a revelar a mediocridade ridícula daquilo a que chamam jornalismo desportivo e a mostrar como o futebol colonizou os mass media portugueses. Esta situação nem mereceria comentário, mas ontem foi anunciado que o treinador do Benfica tinha sido despedido... como se fosse ele que tivesse marcado os golos na própria baliza em Portimão.
A notícia do despedimento do Mr. Vitória deu origem a uma completa histeria televisiva, com todas as televisões cheias de comentadores, com directos do estádio da Luz, com palpites e preocupações sobre o futuro do treinador, bem como sobre quem o poderá substituir. A programação anunciada nos diferentes canais foi suspensa para abrir espaço ao tratamento a esta notícia e foram horas seguidas de emissão, sem conteúdo e sem nexo nenhum. Uma vergonha para os canais televisivos e para quem os dirige, gente vulgar que não passa de mercenários sem escrúpulos e que se comporta como servos das audiências.
Eu gosto de futebol, mas o futebol não merece tanto espaço televisivo, em que jornalistas, estagiários e comentadores se repetem durante horas a fio, sem qualquer interesse noticioso. Até o jornal Público, que devia ser uma referência, escolheu o Mr. Vitória para a sua capa, esquecendo a notícia da chegada chinesa à face escura da Lua e muitas outras notícias de destaque nacionais e internacionais. Uma tristeza!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

A dura vida de um treinador de futebol...

José Mourinho tornou-se aos 55 anos de idade, por mérito próprio e por circunstâncias dos tempos mediáticos em que vive o nosso planeta, numa das grandes figuras do futebol mundial. Porém, hoje está desempregado.
A sua carreira no mundo do futebol foi meteórica. Depois de ter tido um papel secundário como preparador físico, adjunto do treinador principal e tradutor, tornou-se treinador da equipa do Benfica no ano 2000. Desde então, trabalhou como treinador principal e foi campeão em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha, tendo conquistado 25 títulos, entre os quais duas Ligas dos Campeões e duas Ligas da Europa. Actualmente treinava a equipa do Manchester United, uma das mais importantes equipas de futebol do mundo, mas as coisas não estavam a correr bem. Muitas derrotas, muitos empates e poucas vitórias. Foi despedido ontem. A notícia correu mundo e o L’Équipe dedicou-lhe a sua primeira página. Os jornais portugueses não ficaram indiferentes ao despedimento de Mourinho e um jornal anunciou que o seu despedimento lhe dá direito a uma indemnização de 27 milhões de euros, enquanto outro jornal destaca que, enquanto treinador, Mourinho já arrecadou 55 milhões de euros em indemnizações.
Ao mesmo tempo que divulgam estes números, alguns jornais revelam preocupações com a situação de desemprego de Mourinho e parecem querer sossegar os portugueses ao anunciar que o Real Madrid e o Benfica o querem de volta. Não sei se é verdade, nem sei se Mourinho percebe muito ou pouco de futebol, mas é óbvio que é um homem muito inteligente e que a sorte o tem acompanhado. Agora, no desemprego, vai ter a dura vida de gerir mais 27 milhões de euros.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

E “il gol più bello” foi de Ronaldo

O golo marcado por Cristiano Ronaldo no passado dia 3 de Abril em Turim, quando ao serviço do Real Madrid defrontava a sua actual equipa da Juventus no jogo da segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões da UEFA, foi escolhido como o golo da época pelos visitantes do site da UEFA.
Nessa votação participaram 346.915 votantes e o golo de Ronaldo foi o escolhido com 197.496 votos, isto é, com 57% dos votos expressos. Significa que esse golo, que nessa noite foi aplaudido pelos adeptos de ambos os clubes e que deu a volta ao mundo através da televisão, vai ficar na história do futebol e vai continuar a ser mostrado como uma bela imagem de um desporto que, lamentavelmente, se tem transformado num espectáculo-negócio e que em Portugal tem mostrado a mediocridade de quem vive à custa do futebol, sobretudo dirigentes, jornalistas e comentadores.
Alguns jornais desportivos, sobretudo italianos, porque a ronaldomania se transferiu recentemente da Espanha para a Itália, voltaram a publicar esse fotografia que já consta de todos os albuns do futebol. O diário Tuttosport foi um desses jornais e, para além de uma expressiva fotografia desse inspirado momento atlético do Cristiano Ronaldo, escolheu como título il gol più bello.
Os anos começam a não ajudar, mas há que confiar no Cristiano Ronaldo e na sua boa estrela para ainda nos dar algumas alegrias futebolísticas, embora elas valham o que valem...

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Mais um título europeu para Portugal

Ontem veio para Portugal mais um título europeu de futebol, pois a selecção nacional de sub-19 triunfou sobre a Itália por 4-3, no jogo da final do Campeonato da Europa de Sub-19 da UEFA disputada em Seinajoki, na Finlândia, que teve prolongamento e um desfecho muito incerto até ao fim.
O título europeu neste escalão etário aconteceu pela quarta vez, depois dos triunfos obtidos em 1961, 1994 e 1999, o que mostra que os portugueses são mesmo muito bons em futebol juvenil. "São de ouro", titulou hoje o jornal A Bola, referindo-se aos novos campeões europeus.
É certo que o este futebol já não é o que era e que, cada vez mais, tende a ficar subvertido pela negociata, pela batota desportiva e pela corrupção. Chamaram-lhe o desporto-rei, mas na actualidade já nem sequer é um desporto. Do futebol do antigamente em que pontificava a sã rivalidade e o amor à camisola, apenas parece ter sobrevivido o espectáculo de excelência que entusiasma as multidões. Essas multidões, excitadas pelas televisões e por alguns educadores do povo, são empurradas para a clubite e para a futebolite que alimentam a máquina do futebol e os seus negócios de compra e venda de jogadores, de contratos publicitários e de manipulação de claques e de outras coisas suportadas e alimentadas pela chamada imprensa desportiva e pelos seus agentes.
Apesar disso, há que prestar tributo aos novos campeões europeus de sub-19, pela enorme alegria que deram aos portugueses. Aqui lhes deixo o meu aplauso. 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A vitória do Mundial foi para a França

A selecção francesa venceu ontem a selecção da Croácia na final do Mundial de 2018 e tornou-se campeã do mundo de futebol. Muitos milhões de espectadores devem ter visto aquele jogo, em que os vencedores tiveram que jogar bem e beneficiar de muita sorte, pois partiram de uma vantagem resultante de um auto-golo croata e arracaram depois para a vitória com um penalti a seu favor que souberam aproveitar.
A França e os franceses lembravam-se do balde de água fria que foi a derrota frente a Portugal na final do Europeu de 2016 e, agora, estavam muito receosos da equipa da Croácia. Porém, a vitória que conseguiram foi justa, pois a equipa foi muito eficiente e foi feliz, porque nestas coisas do futebol também é preciso ter sorte. O Presidente Emmanuel Macron, que assistiu ao jogo, foi exuberante a festejar os golos franceses e a vitória, a revelar a importancia política que o futebol tem hoje no mundo. O triunfo encheu de orgulho os franceses que muito festejaram este éxito e todos os jornais nacionais e regionais noticiaram a vitória com grandes destaques fotográficos e com palavras de muita gratidão.
A França precisava desta vitória e deste título, pois ele vai contribuir para a unidade e para a auto-estima nacionais, mas também para a afirmação da França como uma potência mundial.
E será que Portugal podia ter sido campeão do mundo? Obviamente que sim, embora fossem tantas as equipas candidatas ao título que muitas teriam que cair pelo caminho. Foi o que aconteceu com Portugal. Assim só há que aceitar a vitória da equipa mais feliz neste Mundial e essa equipa foi a França.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Ronaldo continua a construir uma lenda

Estava prevista para a próxima segunda-feira, quando estivessem a esgotar-se os últimos episódios do Mundial de Futebol com festa em Paris ou em Zabreg, a apresentação em Turim de um novo jogador da Juventus Football Club: Cristiano Ronaldo. Foi isso que anunciou hoje La Gazzetta dello Sport, ao referir uma verdadeira presentazione show con CR7.
Porém, a mega-apresentação que estava a ser preparada com contornos hollywoodescos foi suspensa, segundo uns devido a dificuldades logísticas e de segurança na preparação de uma festa grandiosa e, segundo outros, apenas para não agravar os problemas causados pela greve de protesto que foi desencadeada pelos sindicatos da FIAT.
A transferência de Cristiano Ronaldo do futebol espanhol para o futebol italiano é um acontecimento inesperado que encheu as primeiras páginas de muitos jornais, sobretudo em Espanha e na Itália. Depois de nove anos no Real Madrid onde se tornou um ídolo e uma referência, é caso para perguntar porquê esta transferência de um jogador com 33 anos de idade pelo qual foram pagos ao Real Madrid mais de uma centena de milhões de euros e vão ser pagos ao jogador todos os anos, contratualmente, 30 milhões de euros. A resposta é simples: é uma grande operação de marketing que visa mobilizar a Juventus e os seus adeptos, potenciar novos negócios de publicidade e merchandising e, em última análise, transferir de Espanha para a Itália alguns dos centros de interesse do futebol mundial. Com Ronaldo em Turim, a Itália vai esquecer-se que nem sequer esteve no Mundial da Rússia e o mundo vai deixar de pensar que futebol é apenas Real Madrid e Barcelona ou o United e o City de Manchester. Ronaldo vai esquecer o fisco espanhol e, mais do que os golos que vai marcar, a Juventus comprou a marca Ronaldo porque precisa dela para se reerguer e para reerguer o futebol italiano no contexto do futebol mundial.

sábado, 7 de julho de 2018

O Brasil também disse adeus ao Mundial

Ontem a selecção brasileira foi derrotada em Kazan pela selecção belga por 2-1 e foi eliminada do Campeonato do Mundo de Futebol. Uma boa parte do Brasil chorou, mas não é caso para isso. No futebol, como na vida, não se ganha sempre e é um erro muito doloroso pensar-se que se pode ganhar sempre ou que os adversários estão sempre condenados a perder. Se os adeptos das equipas que neste campeonato já foram derrotadas na Rússia começassem a chorar, teríamos lágrimas por todo o continente sul-americano desde o México à Argentina, passando pela Colômbia, pelo Peru e pelo Uruguai.
Por isso, os meus amigos brasileiros não têm razões para chorar, nem sequer para ficar tristes. Aqui na península Ibérica, onde também há muitos futebolistas de grande talento, as equipas nacionais de Portugal e da Espanha que tanto prometiam e tanto ambicionavam, também ficaram pelo caminho e não houve nenhuma comoção nacional.
A exagerada mediatização do fenómeno do futebol tem originado que um tão apreciado desporto-espectáculo se tenha transformado num negócio, cujas envolventes emocionais lhe dão contornos de um grande combate ou mesmo de uma grande guerra. Mas futebol não é combate, nem é guerra. É apenas futebol.
E ontem, os belgas que também são muito bons praticantes e muito competitivos, que têm a escola inglesa pois jogam nas suas grandes equipas, marcaram mais golos que os brasileiros. Foi só isso. Não é caso para chorar, nem sequer para ficar triste.

domingo, 1 de julho de 2018

Sim. Portugal perdeu mas a vida continua

A selecção nacional de futebol jogou ontem os oitavos de final do Campeonato do Mundo e perdeu por 2-1 com a equipa do Uruguai. Os jogadores bateram-se bem, mas o adversário meteu mais golos e ganhou. A imprensa portuguesa destaca hoje “o sonho desfeito”, enquanto as televisões que tanto contribuiram para um histerismo indescritível em torno da participação portuguesa, terão agora que arranjar outros temas para ocupar os seus tempos. Os incontáveis jornalistas e comentadores televisivos que tanto nos massacraram já poderão regressar destas férias na Rússia e descansar depois destas longas jornadas em que se repetiram muitas mil vezes e em que me cansaram.
Sobre a participação portuguesa, que em maior ou menor grau entusiasmou os portugueses, há que afirmar que foi digna e que só não foi mais além porque os adversários também sabem jogar futebol e terão pensado melhor na maneira de abordar o jogo. Ficamos pelos oitavos de final, mas a Holanda e a Itália nem sequer lá estiveram, enquanto a Alemanha nem aos oitavos de final chegou e a Argentina também abandonou ontem a competição depois de ter sido derrotada pela França. Portanto, não há motivos para desconsolos nem frustrações. Nem todos podem ganhar, nem sempre podem ganhar. Perdemos, mas a vida continua. Havemos de ganhar numa próxima vez. Por morrer uma andorinha não acaba a Primavera!
Muitos jornais internacionais parece que combinaram e destacam nas suas primeiras páginas as fotografias de Ronaldo e Messi, cujas equipas foram ontem eliminadas. Um desses jornais é o El País, mas as fotografias daqueles ídolos aparecem em muitos outros jornais: é o adiós a las estrellas ou a saída de cena dos melhores do mundo.

terça-feira, 26 de junho de 2018

A popularidade do futebol é planetária

O Campeonato do Mundo de Futebol é o grande acontecimento do momento e os grandes jornais internacionais, inclusive nos países que estão ausentes dos estádios russos, dão ao tema grandes espaços que parecem ensombrar quaisquer outros assuntos. As primeiras páginas desses jornais são por vezes ilustradas com as fotografias mais expressivas da competição ou dos mais famosos artistas da bola, mesmo quando as suas prestações ficam aquém do esperado.
Depois do Wall Street Journal ter destacado Cristiano Ronaldo na sua primeira página, hoje foi a Folha de S. Paulo que dedicou uma espécie de tríptico fotográfico a Cristiano Ronaldo, apesar dele ter falhado um penalti contra o Irão e de ter sido admoestado com um cartão amarelo nesse mesmo jogo, facto que deixou um tal Queirós muito furioso porque, segundo ele, uma cotovelada daquelas tinha que levar um cartão vermelho. Mesmo quando cai e não marca golos, a popularidade de Cristiano Ronaldo é muito grande, mesmo no Brasil onde pontificam os ídolos Neymar da Silva e Phillipe Coutinho.
Porém, não se julgue que Cristiano Ronaldo é o único artista a ocupar algumas primeiras páginas de jornais internacionais, pois Moahamed Salah já apareceu na capa do The New York Times e Harry Kane apareceu na capa de muitos jornais ingleses. Já os grandes artistas argentinos e brasileiros, tal como as suas equipas, ainda não desiludiram mas têm estado próximo disso, pelo que até agora têm sido um pouco ignorados. Porém, o campeonato ainda está na sua fase preliminar e a imprensa mundial não vai deixar de aproveitar as fotografias dos melhores artistas para alimentar o entusiasmo dos seus leitores.

Viva o VAR (video assistant referre)...

O Campeonato do Mundo de Futebol teve ontem dois importantes jogos, um em que a equipa portuguesa defrontou o Irão e outro em que a selecção espanhola jogou com a equipa de Marrocos. Os jogos disputaram-se em simultâneo e a cada uma das equipas ibéricas bastava um empate para passarem à fase seguinte da competição. Porém, quando terminou o tempo regulamentar Portugal vencia o Irão e a Espanha perdia com Marrocos, o que significava que Portugal estava em vias de ganhar o seu grupo de apuramento. Até que surgiu o minuto 91, que o jornal as classificou como “digno de Hitchcock”. Foi então que os espanhóis meteram um golo duvidoso que o VAR decidiu validar e que fez com que a eminente derrota se transformasse num empate. Ao mesmo tempo, um lance duvidoso na área portuguesa suscitou dúvidas e o VAR decidiu que era penalti contra Portugal que, depois de transformado, fez com que a eminente vitória se transformasse num empate. Com esta reviravolta, os espanhóis ganharam o grupo e os portugueses ficaram em 2º lugar, mas ambos foram apurados para os oitavos de final em que vão defrontar a Rússia e o Uruguai. A imprensa espanhola desfez-se em elogios ao VAR... Foi realmente um minuto digno de Hitchcock.
A prestação portuguesa tem sido insatisfatória. Ontem, mais uma vez, os jogadores estiveram abaixo do que se desejava, embora tivessem sofrido com o calor e, sobretudo, com a agressividade dos seus adversários iranianos que, instruídos por um seleccionador português, tudo fizeram para os provocar. Queirós queria ganhar. Era legítimo, porque estava muito dinheiro a caminho dos seus bolsos, mas perdeu a compostura e o fair-play. Muito fez ele, ou mandou fazer, para que Ronaldo fosse expulso. E quase conseguiu...