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quarta-feira, 21 de junho de 2017

O fisco espanhol e os portugueses ricos

A edição americana do diário Financial Times destacou hoje na sua primeira página uma notícia sobre dois cidadãos portugueses, ilustrando-a com uma fotografia captada no tempo em que trabalharam juntos em Madrid.
De facto, Cristiano Ronaldo e José Mourinho trabalharam no Real Madrid, onde auferiam salários, recebiam prémios, percebiam direitos de imagem e, certamente, pagavam os impostos a que estavam obrigados por lei.
Como não conheço pessoalmente esses dois meus compatriotas, nem faço ideia da forma como gerem o património que acumularam, também não sei se são ou não são contribuintes exemplares, mas não tenho dúvidas que a sua qualidade de homens ricos e famosos os torna um alvo apetecido das garras do fisco e dos medíocres que invejam o sucesso dos outros.
Assim, as autoridades fiscais espanholas terão entendido que tanto Ronaldo como Mourinho não pagaram todos os impostos que deviam e, segundo informam os meios de comunicação social especializados em escândalos, terão accionado processos de fuga ao fisco ou de ocultação de rendimentos contra esses dois cidadãos portugueses. Eles saberão defender-se e a justiça não deixará de ser feita.
O que torna este assunto mais curioso não é a culpabilidade ou a inocência dos nossos compatriotas que são ídolos mundiais do futebol, mas o simples facto de terem sido notícia nos Estados Unidos, embora por razões menos desejáveis.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Até o Medina aderiu ao populismo barato

A equipa de futebol do Benfica conquistou a Primeira Liga ou Liga NOS, no âmbito das competições organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional e esse facto gerou uma onda de grande alegria entre os benfiquistas. Foi a 36ª vez que o clube triunfou na prova máxima do futebol português, o que supera as 27 vitórias do FC Porto e os 18 triunfos do Sporting, mas também foi a primeira vez que a equipa conseguiu uma quarta vitória consecutiva ou tetracampeonato, um feito que os seus principais rivais já tinham conseguido. O Benfica é uma grande instituição desportiva com muitos milhares de adeptos em todo o mundo que festejaram o êxito da sua equipa de futebol com grande entusiasmo e a festa organizada na Praça Marquês de Pombal em Lisboa, que todas as televisões portuguesas transmitiram em directo, foi simplesmente grandiosa. Os festejos podiam ter acabado ali e acabavam muito bem.
Porém, o autarca Fernando Medina decidiu homenagear a equipa campeã nacional de futebol e exibi-la exactamente na mesma varanda onde José Relvas proclamou a República no dia 5 de Outubro de 1910. Portanto, no plano simbólico, tivemos o jogador Luisão equiparado a José Relvas e esta vitória do Benfica comparada à implantação da República. É demais, num tempo em que futebol já não é um desporto, mas sobretudo um negócio de jogadores e de acumulação de dívidas e de dúvidas. Medina sabe isso, mas cedeu.
Se fosse uma vitória de prestígio internacional talvez se justificasse esta homenagem, mas não foi o caso. A iniciativa de Medina divide os lisboetas e humilha os adeptos dos outros clubes da cidade. Medina abastardou aquela varanda e quer repetir a festa brevemente, segundo disse. Medina é um político inteligente e sensato, mas não resistiu à sua própria clubite, ao populismo e à demagogia eleitoral. A operação que montou serviu a sua ambição política, mas foi um tiro nos pés. Ao olhar para a Praça do Município cheia de gente a vibrar, Medina deve ter pensado nos muitos votos que ali estavam. Que pena. Eu pensava que o Medina era o meu autarca e que não alinhava no populismo barato.

domingo, 30 de abril de 2017

Treinadores portugueses brilham lá fora

Nos últimos anos, o futebol penetrou com grande intensidade no quotidiano das sociedades modernas, não só porque se trata de um espectáculo de grande carga estética e emocional e de um grande negócio que movimenta muitos milhões, mas também porque é servido por uma máquina de promoção em que entra a publicidade, o marketing e o chamado jornalismo desportivo. É um mundo em que entram jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes, técnicos, preparadores físicos, massagistas, roupeiros, jornalistas, comentadores, claques, patrocinadores e muito mais gente. É um mundo de rivalidade e, muitas vezes, de confronto. Portugal está bem cotado mundo do futebol. É o campeão europeu! Os futebolistas portugueses são talentosos e jogam nas melhores equipas mundiais, enquanto o melhor do mundo é português.
Porém, a figura do treinador tem-se tornado muito importante, não porque marque golos, mas porque orienta as equipas e as suas tácticas, para além de ocupar horas nas televisões a debitar banalidades. Há um numeroso grupo de treinadores portugueses de muito sucesso no estrangeiro. Sérgio Conceição é um deles, depois de ter sido um futebolista de talento.
No passado dia 8 de Dezembro teve a sua primeira oportunidade como treinador no estrangeiro, quando aceitou treinar o FC Nantes que se encontrava em 19º lugar e em zona de despromoção no campeonato francês. Desde então, a equipa conseguiu 10 vitórias e cinco empates em 18 jogos e chegou ao 8º lugar. A recuperação do FC Nantes sob a direcção de Sérgio Conceição está a ser espectacular e a impressionar o meio futebolístico francês. Por isso, o clube já anunciou o prolongamento do seu contrato até 2020, enquanto o diário Presse Océan de Nantes destaca essa notícia com uma fotografia a quatro colunas. É obra. Nasceu mais uma estrela no meio dos treinadores portugueses.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

As alegrias que o Ronaldo nos vai dando

O futebolista Cristiano Ronaldo jogou ontem pelo Real Madrid contra o Bayern de Munique no jogo da segunda mão do apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões e marcou três golos. Na semana passada Ronaldo tinha marcado dois golos à mesma equipa e, portanto, o Bayern e o seu famoso guarda-redes encaixaram cinco golos marcados por Ronaldo. É obra. O orgulho alemão tem, certamente, muita dificuldade para digerir a humilhação a que foi sujeito por um futebolista madeirense. Na passada semana ele já tinha cometido a proeza de chegar aos 100 golos nas provas europeias, mas ontem tornou-se o primeiro futebolista a alcançar 100 golos na Liga dos Campeões. Um jornal que destaca a proeza de Cristiano Ronaldo vai ao pormenor de nos revelar que desses 100 golos na Liga dos Campeões, houve 69 obtidos com o pé direito, 14 com o pé esquerdo e 17 com a cabeça... Tudo medido e conferido ao pormenor.
O jornal A Bola, que a tribo lusitana do futebol consagrou como a verdadeira "Bíblia", esqueceu por umas horas os calores do Sporting-Benfica que se aproxima e a necessidade de “vender papel” e, na sua edição de hoje, homenageia Ronaldo, a quem chama o Mister Champions, por ser o primeiro futebolista a chegar aos 100 golos na prova. E fez bem, porque o Ronaldo merece o nosso apreço pelas alegrias que vai dando aos portugueses.
No entanto, esta performance ronaldina que tanto nos entusiasma, não pode ser transposta para outras esferas da nossa vida colectiva, designadamente para a toponímia da nossa geografia ou das nossas infraestruturas. É leviandade, é demagogia e é deslumbramento circunstancial. Mesmo com o apoio dos nossos mais representativos políticos. Ao futebol, apenas o que é do futebol.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O aeroporto Cristiano na ilha do Ronaldo

Eu devo estar a ficar ultrapassado pelo tempo e, por isso, não consigo compreender como é possível dar o nome de um futebolista a um aeroporto internacional, apesar de se tratar de um grande atleta que mete muitos golos, de ser um homem que parece apoiar boas causas, de ter um grande sucesso internacional e ser o português mais conhecido no mundo. Tudo isso é verdade e eu reconheço essa realidade. Porém, dar o nome de Cristiano Ronaldo ao aeroporto da Madeira ultrapassa a minha compreensão, apesar de verificar que o Presidente da República e o Primeiro-Ministro não faltaram à festa, certamente porque na luta pela popularidade parece valer tudo.
Cristiano Ronaldo tem feito muito pelo nosso país e nunca esquece a terra onde nasceu. Devemos ser-lhe grato por isso, mas também pelos golos que marca pela selecção nacional e que tanta alegria dão ao povo. No entanto, Cristiano Ronaldo é muito jovem, ainda está activo na sua carreira futebolística e o seu futuro, como o de todos nós, é sempre incerto. E há coisas que, por uma questão de bom senso, não se fazem. E se o homem decide ir viver para a América e naturalizar-se americano? E se o homem perde a cabeça e arranja um qualquer esquema de vida complicado? 
Se a moda pega, não demorará que Setúbal também queira um aeroporto e o baptize com o nome de José Mourinho ou, mais modestamente, que Manuel Luís Goucha exija uma estátua nas Avenidas Novas ou João Baião um pelourinho na Buraca.
Até o jornal desportivo espanhol as levou este acontecimento a sério e tratou de lhe dedicar toda a sua primeira página, como nenhum jornal português fez. Mas, se calhar estou isolado nesta minha opinião...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

São os jornais e jornalistas que temos...

O fenómeno do futebol é no nosso país, por mérito absoluto, por moda ou porque dá de comer a muita gente, uma actividade que tomou conta da comunicação social e que ocupa um destacado lugar na informação portuguesa. Nenhuma outra actividade tem a cobertura que a imprensa dá ao futebol, que é tratado como uma coisa mais importante do que a política, a economia, a cultura e as artes, a ciência e a tecnologia ou a vida internacional. Os jornais gastam páginas e as televisões consomem horas a tratar da vida dos jogadores, dos treinadores, dos árbitros e dos dirigentes, das transferências e dos penaltis, dos foras de jogo e dos cartões. O futebol tornou-se uma coisa doentia, não pelo que se passa sobre os relvados, mas pela forma cega e obsessiva como é tratado por muitos jornais e jornalistas. É pena que assim seja, mas é.
Ontem dois portugueses brilharam no panorama desportivo internacional. O treinador José Mourinho levou a sua equipa do Manchester United a vencer a Taça da Liga inglesa e o ciclista Rui Costa venceu a Volta ao Abu Dhabi, derrotando os grandes nomes do ciclismo mundial. Os jornais generalistas portugueses entenderam que o assunto não era importante e os jornais desportivos deram-lhe um pequeno canto das suas primeiras páginas, ocupadas pelas fotografias do Jonas, do Mitroglou e do Soares ou pelos discursos dos candidatos à presidência do Sporting. Assim aconteceu com a edição de hoje de A Bola.
Estes Mourinhos e estes Costas fazem muito pela nossa auto-estima e é lamentável que os jornais portugueses quase os ignorem.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

E se mais prémio houvera mais ganhara

O ano de 2016 vai ficar na história recente de Portugal, por muito boas razões.
No campo da nossa política interna tivemos uma eleição presidencial que colocou em Belém um homem que respira alegria e que despachou para o esquecimento de Boliqueime aquele que durante dez anos ensombrou a nossa vida política mas, como se isso fosse pouco, ainda tivemos um governo que acabou com aquela pantomina que era o arco da governação e que, segundo revelam as sondagens, está a merecer cada vez mais o agrado dos portugueses.
No campo da política internacional também assistimos a uma Comissão Europeia que, depois de tanto nos ter humilhado, se desfaz agora em elogios aos resultados da governação portuguesa, enquanto um processo de grande profissionalismo diplomático levou o enorme prestígio de António Guterres ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas.
No campo desportivo também o sucesso nos bateu à porta com as vitórias europeias no hóquei em patins e, sobretudo no Euro 2016, em que aquele golo do improvável Éder deixou o país cheio de orgulho e de lágrimas de alegria.
Porém, num tempo em que prevalecem as culturas mediáticas e pesem embora todas as coisas boas que aconteceram em Portugal, não será exagero afirmar-se que o ano de 2016 foi o ano de Cristiano Ronaldo, que no espectro mediático dá pelo nome de CR7. O homem fartou-se de ganhar títulos colectivos e prémios individuais. Então não é que agora foi eleito o melhor desportista europeu de 2016, quando havia desportistas alemães e ingleses, mas também franceses, italianos, espanhóis e de muitos outros países, que rematam, nadam, pedalam, velejam ou remam? Aqui nenhum jornal lhe dedicou uma página inteira, como hoje fez o diário espanhol as.
De facto, é caso para dizer que se mais prémio houvera, mais ganhara.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A sorte de Sérgio Conceição anima Nantes

As coisas não corriam bem ao Football Club de Nantes na Liga Francesa de Futebol, pois não vencia um jogo desde o dia 15 de Outubro de 2016 e encontrava-se em 19º lugar da classificação. Segundo os relatos da imprensa, a cidade vivia triste com as derrotas do seu clube e sem as alegrias que tivera noutros tempos, quando averbara 8 Campeonatos e 3 Taças de França ao seu historial. Como costuma acontecer nestas situações, o clube decidiu-se por uma “chicotada psicológica” ao despedir o seu treinador e, no dia 8 de Dezembro, contratou o antigo internacional português Sérgio Conceição como seu novo treinador por duas temporadas. Conceição nunca jogou em França, não conhecerá bem o futebol francês e não tem grandes credenciais como treinador, pois apenas treinou o Olhanense, a Académica, o Sporting de Braga e o Vitória de Guimarães. Porém, o FC Nantes apostou nele.
Foi tudo muito rápido. No dia 11 de Dezembro Conceição foi apresentado aos jogadores do FC Nantes e no dia 13 venceu o Montpellier por 3-1, em jogo da Taça da Liga, ficando apurado para os quartos de final da competição. Ontem, dia 16 de Dezembro, o FC Nantes foi jogar a Angers para defrontar o clube local para a Liga francesa e ganhou por 2-0. A euforia tomou conta dos adeptos do clube de Nantes que é a 6ª cidade francesa e a capital da região do Loire. Em menos de uma semana foram dois jogos e duas vitórias. O jornal Presse Ocean destaca o nome do treinador português a cinco colunas na sua edição de hoje e diz que, em poucos dias, mudou o FC Nantes. Provavelmente, nem como jogador que até vestiu 56 vezes a camisola da selecção portuguesa, Sérgio Conceição foi tão elogiado como está a ser agora em Nantes. Que tenha sorte, porque no futebol a sorte pesa muito.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A auto-estima portuguesa em alta – II

Ainda a emoção estava presente por vermos e ouvirmos António Guterres nas Nações Unidas quando, sem surpresa, foi anunciado que Cristiano Ronaldo tinha sido galardoado com a Bola de Ouro 2016, isto é, que tinha sido eleito como o melhor futebolista do mundo em 2016, segundo os critérios da revista francesa France football.
Depois das Bolas de Ouro conquistadas em 2008, 2013 e 2014, o jogador Cristiano Ronaldo apresentou-se à votação dos jornalistas de todo o mundo com credenciais de peso, isto é, com uma vitória na Liga dos Campeões pelo Real Madrid, com o título de Campeão da Europa que conquistou com a selecção portuguesa e, ainda, com 51 golos em 55 jogos disputados. A votação que obteve foi esmagadora e os votos dos jornalistas mundiais traduziram-se em 745 pontos que superaram largamente os 316 e os 198 pontos conquistados pelos seus concorrentes directos, respectivamente o argentino Leonel Messi (Barcelona) e o francês Antoine Griezmann (Atlético de Madrid). A revista francesa que patrocina o troféu, até escolheu na sua última edição uma foto e um título sugestivos: "Sacré Cristiano Ronaldo".
Em termos futebolísticos é curioso anotar que outros dois jogadores portugueses se destacaram este ano na lista dos melhores do mundo do France football, com Pepe (Real Madrid) a ter 8 pontos e a classificar-se no 9º lugar e Rui Patrício (Sporting) a obter 6 pontos e a posicionar-se no 12º lugar. O mundo do futebol português, que continua a beneficiar de um tratamento televisivo desproporcionado e cansativo, deve estar eufórico. A auto-estima lusitana está em alta.  
Porém, não é só em Portugal que o futebol domina e perturba as mentes, pois enquanto Cristiano Ronaldo foi notícia em quase todo o mundo, António Guterres foi ignorado em quase toda a parte. É este o mundo de valores em que vivemos...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cristiano Ronaldo é uma marca mundial

No ano em que Cristiano Ronaldo ganhou a Liga dos Campeões com o Real Madrid e o Europeu com a selecção portuguesa, a sua cotação subiu em flecha. Assim, na passada segunda-feira foi anunciada a celebração de um novo contrato com o Real Madrid válido até 2021 e com o valor de 21,6 milhões de euros anuais que, segundo o diário desportivo Marca, é “el contrato más grande de la historia del fútbol”. O jornal português A Bola fez contas e noticiou que Ronaldo “irá auferir um estratosférico salário”, a rondar os 1,8 milhões de euros mensais, ao ritmo de 450 mil euros por semana. É obra!
Porém, a história não acabou aqui. No dia seguinte, a multinacional norte-americana Nike também veio anunciar um contrato vitalício com Cristiano Ronaldo que se estima ser da ordem dos 24 milhões de euros anuais, semelhante ao que mantém com Michael Jordan, o mais importante ícone do basquetebol americano. Para a marca americana de equipamentos desportivos, Cristiano Ronaldo é alguém que “transcende o mundo do futebol”, pois é o desportista mais famoso do mundo, que ganhou três vezes a Bola de Ouro e que, segundo o último ranking elaborado pela revista Forbes, é o desportista mais bem pago do planeta. Além disso, Ronaldo goza de grande popularidade mundial pois tem 117 milhões de seguidores no Facebook e 47,9 milhões de seguidores no Twitter, o que o torna uma figura muito recomendável não só para as campanhas de publicidade e marketing da Nike, mas também para as campanhas da Castrol, Armani, KFC, Emirates, Tag Heuer, Herbalife, Toyota, Samsung, Linic e algumas marcas mais.
São números realmente “estratosféricos”. Entretanto, os hotéis Pestana CR7 já são uma realidade e o noticiário relativo ao jogador madeirense refere cada vez mais a palavra Hollywood. Cristiano Ronaldo é um futebolista e é um grande futebolista, mas cada vez mais é muito mais do que isso.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ronaldo é o nosso maior papa-prémios

A UEFA distingiu ontem o futebolista Cristiano Ronaldo com o prémio de Melhor Jogador da UEFA, isto é, como o melhor jogador da Europa em 2015/2016, superando o galês Gareth Bale, seu companheiro na equipa do Real Madrid, e o luso-descendente Antoine Griezmann que joga no Atlético de Madrid e na selecção francesa. Significa que, para a UEFA, os três melhores futebolistas europeus jogam em Madrid e, talvez por isso, o diário Marca enfatizou a entrega desse prémio e destacou Cristiano Ronaldo com uma fotografia de página inteira e o título: “és o Rei”.
Ronaldo tinha renovado em Janeiro o título de melhor jogador do Mundo por escolha da FIFA, mas na época de 2015/2016 conquistou a Liga dos Campeões e o Campeonato da Europa, isto é, os dois principais títulos europeus de clubes e de seleções, pelo que o prémio da UEFA era esperado. De resto, desde 2007 que Ronaldo acumula prémios internacionais, incluindo os de melhor jogador do mundo atribuido pela FIFA e de melhor jogador da Europa atribuido pela UEFA, mas também a Bota de Ouro que distingue o melhor marcador de golos na Europa. O seu museu no Funchal exibe esses troféus, mas parece que tem espaço para mais alguns.
Ronaldo é realmente um fenómeno papa-prémios e continua a ser o português que mais espaço ocupa na imprensa internacional.  

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A festa do nosso futebol correu mundo

A vitória portuguesa no Euro 2016 foi noticiada na imprensa de todo o mundo, mas também foi festejada um pouco por todo o mundo. Há diversas razões para justificar a enorme alegria popular por esta vitória e uma delas é o facto da selecção nacional de futebol ser um espelho da diáspora portuguesa, da portugalidade ou da cultura lusófona, pois a maioria dos seus jogadores nasceu em Portugal, mas houve alguns que nasceram em França, na Alemanha, no Brasil, em Angola e na Guiné-Bissau, o que confirma a tese de Fernando Pessoa de que a nossa Pátria é a língua portuguesa e não o lugar onde nascemos. Nessas circunstâncias, o mundo lusófono sentiu-se representado nesta selecção e vibrou com esta vitória.
A imprensa, a televisão e as redes sociais mostraram a enorme euforia dos portugueses, dos luso-descendentes e dos seus amigos em muitas regiões do mundo, incluindo países e locais improváveis como o Canadá, mas também em locais tão longínquos como Macau, Dili, Malaca e Goa.
No caso de Goa, onde alguns grupos sociais ou políticos mantém um certo sentimento de desconfiança em relação a Portugal, herdado da forma desastrada como aconteceu o fim da presença portuguesa, ainda se verificam algumas situações de contestação a tudo o que é português, desencadeadas por alguns auto-denominados freedom fighters. Porém, parece que o futebol fez mudar alguma coisa, pois o jornal oHeraldo destacou que a vitória no Euro une Goa e Portugal, tendo publicado uma fotografia da festa portuguesa com a legenda “Viva Portugal”. É um acontecimento jornalístico bem curioso e, provavelmente, é a primeira vez que desde 1961, o nome de Portugal enche a primeira página de um jornal de Goa. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

O histórico dia 10 de Julho de 2016

A vitória de ontem no Euro 2016 foi um acontecimento único e memorável para os portugueses, não só pelo resultado desportivo conseguido em Paris contra a selecção anfitriã, mas também por outras razões igualmente muito importantes. De facto, para além das atitudes provocatórias francesas dentro e fora do campo, houve a exibição excepcional de Patrício, a segurança defensiva de todos, a entrada intimidatória que lesionou Ronaldo e a decisiva bomba de Éder, mas também houve outras coisas que vão ficar para a história.
A primeira foi a enorme alegria que foi dada aos portugueses, em especial àqueles que vivendo e trabalhando fora do país, são muitas vezes marginalizados nos países de acolhimento e até segregados pela arrogância da sociedade local. Esta vitória futebolística devolveu-lhes o orgulho nacional, mas também a todos os portugueses, provocando uma manifestação de entusiasmo e alegria como nunca se registara na nossa vida colectiva e que a televisão registou. Se a união em torno desta vitória prevalecer no tempo, teremos muitas outras vitórias no nosso progresso económico e social.
A outra importante razão que vai ficar na história foi a repercussão internacional desta vitória, noticiada nas primeiras páginas de centenas de jornais de todo o mundo, a constituir a maior campanha promocional alguma vez feita a favor do nosso país. Muita dessa imprensa, provavelmente a reagir à insolência e à fanfarronice francesas, são altamente laudatórias quanto ao mérito da selecção portuguesa e da justiça da sua vitória, que deixou os franceses absolutamente atordoados, porque na sua cegueira pensavam que a final eram favas contadas. De entre todas as capas alusivas à vitória portuguesa escolhemos o italiano Corriere dello Sport e o seu sugestivo título: portogallissimo. Foi isso mesmo, portugalíssimo!
O dia 10 de Julho de 2016 vai ficar mesmo na nossa história, não só pelo resultado desportivo, mas sobretudo pelas duas razões aqui apontadas. Porém, a glória desportiva desse dia, ainda foi acrescentada com o 7º lugar nos Europeus de atletismo e com três medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, para além do 2º lugar do ciclista Rui Costa na etapa-rainha dos Pirinéus do Tour 2016. Ainda haverá burocratas provocadores a falar de sanções aos portugueses, a este nobre povo e a esta nação valente?

domingo, 10 de julho de 2016

Euro 2016: dia de final, dia de festa

Muitos jornais portugueses e franceses, mas também de alguns outros países, destacam nas suas primeiras páginas o jogo da final do Euro 2016 que se realiza hoje entre as equipas de Portugal e da França, ilustrando as suas edições com as fotografias de Cristiano Ronaldo e de Antoine Griezmann, que são os símbolos maiores de cada uma daquelas selecções. São dois jogadores famosos que jogam no Real Madrid e no Atlético de Madrid e que se conhecem bem. Curiosamente, até se descobriu agora que Griezmann é filho de mãe portuguesa de Paços de Ferreira, que passava férias naquela zona e que até tem dupla nacionalidade. 
Quer em Portugal, quer em França, os jornais incitam as suas equipas nacionais, elogiam os jogadores e exigem-lhes a vitória, mas é interessante ver o que faz o jornal espanhol Marca ao escrever que, num jogo entre vizinhos, que ganhe o melhor. De entre todos os jornais, destaca-se o Ouest France, que se publica em Rennes e que ignora as “estrelas” e prefere escolher como título “dia de final, dia de festa”, ilustrando a sua primeira página com uma fotografia de uma jovem com as bandeiras de Portugal e da França. O futebol é portador de alegria para a população e ambos os países “precisam” desta vitória pois têm passado por situações bem difíceis, incluindo a austeridade e o terrorismo. Os portugueses nunca ganharam uma grande competição internacional de futebol e têm agora uma boa oportunidade, até porque estão tranquilos, confiantes, serenos e jogam bem. Podem ganhar.
Para os portugueses que vivem em França esta final já é uma vitória pois devolveu-lhes o orgulho nacional e a alegria, conforme vemos diariamente nas televisões, mas para os 11 milhões de portugueses residentes no território nacional esta final significa um jogo para a História. Podem ganhar. Espero bem que sim. Vai ser uma festa.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O futebol ressuscita o orgulho nacional

Ontem foi um dia de grande festa para os portugueses espalhados pelo mundo ao verem a sua selecção nacional de futebol atingir a final do Euro 2016, com uma exibição de talento e qualidade. Tinha-se iniciado a segunda parte do jogo das meias-finais com a selecção do País de Gales e pouco passava das 21 horas, quando Cristiano Ronaldo se elevou a 2,88 metros de altura e marcou de cabeça o primeiro golo da partida. Esse momento de grande alegria, mas também de grande capacidade atlética e poder futebolístico do nosso mais famoso jogador, está retratado na capa do diário espanhol Marca, mas também em jornais de muitos outros países. As televisões mostraram repetidamente esse gesto de Cristiano Ronaldo que vai ficar a marcar a presença portuguesa no Euro 2016.
A vitória portuguesa foi reconhecidamente justa e gerou uma onda de euforia não só em Portugal, mas também na generalidade dos países onde vivem portugueses. Através da televisão todos pudemos ver inúmeras cenas de emocionante entusiasmo e de orgulho nacional, ocorridas em cidades tão diferentes como a vizinha Paris ou a distante Dili, onde se cantou A Portuguesa e se agitaram bandeiras verde-rubras. Esse é, porventura, um dos mais importantes resultados da epopeia futebolística que está a decorrer em França. E sendo o futebol um dos palcos onde modernamente se confrontam o poder das nações e as suas rivalidades, o nosso sucesso não só é uma festa para os portugueses, mas é também um soco no estômago daqueles que alguma vez humilharam os portugueses e, em especial, aqueles que a vida obrigou a emigrar. O jogo de ontem não foi apenas uma vitória por 2-0 sobre o País de Gales, nem o acesso à final do Euro 2016, porque também foi um enorme passo a ressuscitar o orgulho nacional de um povo e de uma cultura que a Europa tanto tem marginalizado e, por vezes, humilhado.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Só há vitórias com bons guarda-redes

A equipa portuguesa de futebol cometeu ontem um feito notável ao apurar-se para as meias finais do Europeu de 2016, ou seja, é uma das quatro melhores equipas de futebol da Europa. Fartos de austeridades, de humilhações e de ameaças, os portugueses bem mereciam a alegria que a televisão ontem lhes ofereceu em directo. Na cidade de Paris e em outras cidades francesas, também os portugueses viveram um raro momento de orgulho ao verem a Torre Eiffel e muitas praças iluminadas de verde e vermelho. Ao mesmo tempo, muitos estrangeiros que costumam desvalorizar o nosso país, tiveram que engolir o sucesso lusitano.
O futebol tornou-se um fenómeno político e social de importância global e, muitas vezes, desperta mais interesse do que a política, a economia ou a cultura. É no futebol que se concentram as grandes emoções nacionais e internacionais, que se defrontam todas as rivalidades e que se molda a imagem dos povos. Por isso, o jogo entre Portugal e a Polónia foi noticiado pela generalidade da imprensa internacional, sendo ilustrada com as fotografias dos abraços felizes dos jogadores a festejar a vitória obtida no desempate por penalties, depois de um empate que durou 120 minutos. Naturalmente, a imprensa portuguesa também dedicou as suas manchetes ao futebol, mas enquanto a chamada imprensa desportiva se concentrou nos Ronaldos, nos Quaresmas, nos Pepes e nos Sanches, que não deixa de endeusar diariamente, a imprensa generalista atribuiu ao guarda-redes Rui Patrício o maior mérito pela vitória sobre os polacos, pois foi ele que, num memorável voo, adivinhou a direcção da bola e conseguiu defender o penalti marcado por um tal Kuba. A imprensa costuma ignorar o mérito dos guarda-redes mas o Jornal de Notícias, o Público e até o correio da manha, trouxeram Rui Patrício para as suas primeiras páginas.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Argentina perde e Leonel Messi retira-se

Terminou a Copa América Centenário 2016 e, no jogo da final, a equipa do Chile venceu a equipa da Argentina, depois de 120 minutos sem golos e com a discussão final a ser feita através de remates da marca de grande penalidade. Nessas condições, tudo pode acontecer e, nesta final, foi a Argentina que perdeu. O problema foi que essa derrota resultou de uma defesa do guarda-redes chileno e de um remate que nem acertou na baliza feito por Leonel Messi, o capitão da equipa e a grande estrela do futebol argentino e mundial.
A imprensa argentina, incluindo o diário Clarin que se publica em Buenos Aires, destaca hoje nas suas primeiras páginas a fotografia de Leonel Messi vergado pela derrota e pelo seu remate falhado, descrevendo a “maldição” que persegue a sua equipa de futebol que vive um jejum de 23 anos sem qualquer título internacional e que já acumula sete derrotas em sete finais mundiais ou americanas. O próprio Messi acaba por ser um símbolo desse jejum, pois tendo vencido cinco troféus da Bola de Ouro para o melhor jogador do mundo, já soma quatro finais e quatro derrotas na Copa América (2007 com o Brasil, 2015 e 2016 com o Chile) e no Campeonato do Mundo (2014 com a Alemanha).
Depois de 113 jogos pela selecção argentina e de ter marcado 55 golos com a camisola 10, Leonel Messi reagiu a mais esta derrota e declarou que “se terminó para mi la selección”, o que provocou uma onda de tristeza geral a juntar à frustación e à decepción da derrota. Por isso, vários jornais utilizaram a sua primeira página para suplicar a Leonel Messi: No te vayas. Certamente que Messi vai repensar a sua declaração e vai fazer o mesmo que  fez o agente internacional da Mota-Engil em Portugal, isto é, foi irrevogável durante meia dúzia de horas até lhe acenarem com uma cenoura qualquer.

domingo, 26 de junho de 2016

Que venha o futebol para animar o povo

O ambiente de euforia e de entusiasmo que tem sido criado de uma forma algo desproporcionada à volta do Europeu de Futebol que se está a realizar em França, teve ontem à noite um momento de grande espectáculo já depois das 22 horas. Jogava-se o jogo Portugal-Croácia dos oitavos de final. Era uma partida muito equilibrada, onde o receio pelo valor do adversário parecia ser a táctica de cada uma das equipas. Jogaram-se 90 minutos sem arte e sem golos. Houve necessidade de fazer um prolongamento de 30 minutos para tentar resolver a questão. Ao minuto 117º, quando já se esperava por uma decisão através dos pontapés de grande penalidade, numa jogada simples mas muito eficaz, a equipa portuguesa meteu um golo por intermédio de Ricardo Quaresma. Foi o delírio!
Em tempos de notícias desagradáveis como são a decisão britânica de abandonar a União Europeia ou a situação melindrosa da CGD, esta vitória futebolística serve para animar o povo que sofre e labuta e que, ainda por cima, vai pagar todas as poucas vergonhas feitas na CGD, tal como tem vindo a pagar tudo o que se evaporou no BPN, no BES e no Banif, enquanto os responsáveis continuam sem ser chamados a prestar contas pelas suas incompetências, leviandades e abusos. É natural, portanto, que toda a imprensa portuguesa celebre hoje a vitória sobre a Croácia e o golo de Quaresma. E, nestas coisas, também não há que iludir a minha própria realidade, isto é, uma coisa é a crítica aos excessos dos jornalistas e dos comentadores geralmente medíocres, outra coisa é a minha participação nesta alegria que o futebol ainda proporciona aos portugueses.
Entretanto, no mesmo dia, um português chamado Fernando Pimenta tornou-se campeão europeu de canoagem. Ninguém falou nisso...

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Euro 2016: os males do excesso de euforia

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Iniciou-se ontem à noite em Saint-Étienne a participação portuguesa no Euro2016 e, como hoje titula o jornal A Bola, Portugal bateu no muro. Se foi assim e porque os muros já lá estavam, haveria que evitá-los e parece que pouco se fez para isso. Aconteceu o empate porque os islandeses também entraram em campo para discutir o jogo mas, para já, não vem mal ao mundo por isso.
O problema é que o resultado foi inesperado e até causou perplexidade em alguns jornalistas e comentadores fanáticos que, em vez de darem algum realismo ao que disseram nos dias que antecederam esta estreia pouco brilhante da equipa portuguesa, trataram de endeusar a equipa e cada um dos seus jogadores, por vezes com uma sobranceria e um servilismo a roçar o ridículo. Foi realmente pavoroso observar o que foi dito pela generalidade dos jornalistas e comentadores que encheram as televisões, com transmissões directas por tudo e por nada, que iludiram  os adeptos com a ideia de que “eram favas contadas” e que até “podemos ser campeões europeus”. Os adeptos que percorrem milhares de quilómetros, que pagam bilhete, que pintam a cara de verde e vermelho, que apoiam, gritam e se entusiasmam com a equipa do seu país, mereciam outros comentadores e outros comentários.
Portanto, o problema não foi o empate que é um resultado normal, mas a excessiva euforia que os jornalistas e comentadores passaram para os adeptos, que são quem sofre, quem paga e quem se ilude com o discurso desses papagaios mais ou menos engravatados. Porém, porque ainda faltam mais jogos, os adeptos ainda se poderão alegrar porque os jogadores irão fazer o seu melhor.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Há guerras do futebol que são ridículas

Os principais jornais ingleses exibem hoje na primeira página das suas edições uma fotografia de uma cidadã portuguesa especializada em medicina desportiva que chefiou a equipa médica do Chelsea FC desde 2009 a 2015. Chama-se Eva Carneiro, nasceu em Gibraltar, estudou na Universidade de Nottingham e tem 42 anos de idade.
Em Junho de 2013, quando o treinador José Mourinho deixou o Real Madrid e regressou ao Chelsea FC, encontrou Eva Carneiro. Tudo parecia correr com normalidade profissional entre ambos mas, em Agosto de 2015, quando a médica entrou em campo para assistir um jogador nos últimos minutos do jogo com o Swansea City, o treinador repreendeu-a publicamente e mostrou-se  muito irritado, até porque o Chelsea empatou esse jogo. A cena não passou despercebida a ninguém e a situação degradou-se depois, pelo que o clube despediu a médica que, naturalmente, recorreu aos tribunais com uma dupla acção, contra o clube que a despediu e contra o treinador que a insultou com "linguagem discriminatória". Para ultrapassar a situação, o clube e o treinador propuseram à médica um acordo extra-judicial que envolve uma indemnização de 1,2 milhões de libras (1,5 milhões de euros), masa médica recusou ontem essa proposta e insiste em que a acção prossiga contra o clube e o seu antigo treinador.  Não tenho informação sobre o caso nem sou juiz, mas o que é relevante é que em vésperas do Brexit ou não Brexit, a imprensa inglesa dê tanta importância a um caso destes, bem típico das guerras do futebol.