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quarta-feira, 8 de março de 2017

Afinal ainda há bons gestores portugueses

Foi anunciado que o grupo francês PSA cujas marcas são a Peugeot e a Citroën e que é liderado pelo gestor português Carlos Tavares, comprou à General Motors as suas marcas Opel e Vauxhall, tornando-se a seguir à Volkswagen, o segundo maior grupo automóvel europeu com uma quota de mercado de 17% e com cerca de 17.700 milhões de euros de vendas para as suas marcas.
Desde há muito tempo que nos habituamos a ver chineses e indianos na primeira linha destes negócios e por isso a notícia surpreendeu. A segunda surpresa desta notícia é o facto de ser um português a liderar esta operação que custou 2.200 milhões de euros e que, além da compra da actividade produtiva da Opel e da Vauxhall, inclui também as operações da sucursal financeira da General Motors na Europa.
As expectativas são altas porque Carlos Tavares é apontado como sendo o maior responsável pela recuperação do grupo PSA que, há bem pouco tempo, acumulava prejuízos e tinha o seu futuro muito incerto. Por isso, todos acreditam em Carlos Tavares e nas suas opções de gestão para recuperar a marca Opel que acumulou 15 anos consecutivos de prejuizos: redução de postos de trabalho, congelamento de salários, economias de escala, eliminação de modelos não rentáveis e entendimento com os sindicatos.
Não deixa de ser curioso que a poderosa General Motors, um dos símbolos do poder económico americano, "atire a toalha ao chão" depois de tantos anos de perdas.
O jornal La Tribune, assim como imprensa económica francesa e espanhola, aplaudiu esta operação de Carlos Tavares que, se correr bem, combinará crescimento e rentabilidade. Afinal, ainda há bons gestores portugueses. É pena que andem lá por fora, porque fazem muita falta por cá.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Os nossos campeões do triplo salto

O atleta português Nelson Évora garantiu ontem a medalha de ouro no triplo salto dos Europeus de pista coberta em Belgrado e tornou-se campeão da Europa, alguns anos depois de ter sido campeão do mundo em 2007 e campeão olímpico em 2008. Na véspera também a atleta portuguesa Patrícia Mamona obtivera o 2º lugar na mesma prova do triplo salto feminino.
Parece, portanto, que em triplo salto ninguém nos bate.
O jornal Público não teve complexos e trouxe para a sua primeira página uma fotografia de Nelson Évora a saltar em Belgrado, ao contrário dos jornais futeboleiros portugueses que colocaram todo o seu ênfase no empate do Sporting e se limitaram a dar uma pequena notícia dos nossos triplo-saltadores nas suas primeiras páginas.
Nos tempos que atravessamos, em que diariamente assistimos à revelação de gravíssimas situações fraudulentas ou de grande irresponsabilidade que ferem os princípios da nossa sociedade, nas quais sabemos estarem envolvidos por acção ou omissão muitos dos nossos dirigentes políticos, que deviam estar calados e envergonhados, estas notícias desportivas dão-nos algum alento.  
De facto, num país tão sacrificado pela ambição e pela ganância de uns tantos novos-ricos que não olharam a meios para enriquecer, vão-nos valendo todos os Ronaldos, mais os Mourinhos, os Rui Costa e os Nelson Évora para nos alimentarem a auto-estima... e também o António Guterres e não só.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Evocando a memória de José Afonso

Foi há 30 anos, no dia 23 de Fevereiro de 1987, que aos 57 anos de idade faleceu José Afonso. Hoje os jornais portugueses esqueceram essa data e não evocaram esse homem que é uma referência da cultura portuguesa do século XX e um dos maiores símbolos da luta pela Democracia em Portugal. O jornal i foi a excepção e, por isso, aqui deixo o meu aplauso a esse jornal e à sua equipa editorial.
Quando há poucos meses a Academia sueca distinguiu Bob Dylan com o Prémio Nobel da Literatura e a crítica internacional lembrou nomes de alguns poetas-cantores como Jacques Brel, Leonard Cohen, Chico Buarque ou Patti Smith que suscitaram muitas emoções com as suas palavras cantadas, eu lembrei-me naturalmente de José Afonso. A sua voz, a estética das suas canções e os seus inspirados textos continuam a ser tão emocionantes como nos tempos da Resistência, mas também continuam a ser símbolos de modernidade musical e referências culturais para muitos portugueses. 
Num país que, por vezes, parece não ter memória e que idolatra futebolistas, banqueiros e políticos de segunda categoria, a evocação do talentoso José Afonso é um dever de cidadania.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lisboa e o comovido adeus a Mário Soares

No dia em que a mais prestigiada imprensa internacional dedicou largos espaços ao fim do mandato de Barack Obama e à próxima investidura de Donald Trump como novo presidente dos Estados Unidos da América, o mais internacional jornal espanhol decidiu utilizar a sua primeira página para prestar homenagem a Mário Soares.
Assim, na sua edição de ontem o diário El Pais publicou na sua primeira página uma expressiva fotografia a quatro colunas das cerimónias fúnebres realizadas no Mosteiro dos Jerónimos, às quais assistiram vários dirigentes políticos mundiais, incluindo o Rei Filipe VI de Espanha e o Presidente Michel Temer do Brasil.
Porém, durante os três dias de luto nacional, o maior e mais genuíno tributo a Mário Soares foi prestado pelo povo anónimo de Lisboa, que esteve presente em todas as cerimónias realizadas e se comoveu com a perda do homem que se tornou o símbolo da coragem política e da luta pela liberdade. O cortejo fúnebre que transportou Mário Soares até ao Cemitério dos Prazeres foi imponente e solene, mas foi também uma comovida e sincera homenagem que lhe foi prestada, sobretudo quando passou pelo Largo do Rato, onde uma pequena multidão voltou a gritar “Soares é fixe”.
As televisões dedicaram grande parte da sua programação ao legado político de Mário Soares, enquanto um sem número de mal preparados praticantes de jornalismo se esforçou por lhe dar conteúdo. A generalidade dos políticos, com maior ou menor sinceridade, não deixou de acompanhar Mário Soares e de lhe prestar a sua homenagem.
Depois de três dias, as cortinas fecharam-se. Nos tempos que hão de vir, a voz e militância de Mário Soares vão fazer falta à Democracia em Portugal.

domingo, 1 de janeiro de 2017

O meu voto de boa sorte para Guterres

António Guterres iniciou hoje o seu mandato de cinco anos como secretário-geral das Nações Unidas e esse facto é um acontecimento marcante da nossa história contemporânea, que deixa os portugueses muito orgulhosos.
A partir de agora, todos estaremos mais atentos ao que se passar nas Nações Unidas e no mundo, até porque a inteligência, a experiência e a sensibilidade de António Guterres colocam as nossas expectativas demasiado altas. Nenhum português teve alguma vez um desafio desta dimensão, em que se interceptam as complexas crises que vai enfrentar, que vão desde a Síria aos refugiados, mas que também passam pelo terrorismo, pelas alterações climáticas, pelos direitos humanos e pela fome no mundo.
António Guterres vai encontrar um mar de problemas e uma nau em risco de naufrágio. As Nações Unidas são cada vez mais uma organização paralisada por uma excessiva burocracia e que está a passar por um período de descrédito internacional porque se tem mostrado inoperante perante o conflito da Síria e que, além disso, está muito manchada por alguns episódios de má conduta dos seus funcionários. De facto a ONU está sem rumo, um pouco como acontece com o mundo. A escolha de um português para ocupar o cargo de secretário-geral da ONU é realmente um acontecimento único e nenhum dos seus concidadãos ficou indiferente a esta designação.
O processo de candidatura foi exemplar e meio mundo ficou espantado. Agora todos esperamos que ele consiga, a partir de hoje, colocar as suas capacidades ao serviço da paz mundial e tenha resultados positivos. Como dizia hoje o suplemento Magazine do Diário de Notícias, numa edição especial que lhe foi dedicada, temos ”o mundo no olhar de Guterres” e todos esperamos que ele tenha boa sorte. O mundo precisa mesmo deste António Guterres. Que a sorte o acompanhe.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

E se mais prémio houvera mais ganhara

O ano de 2016 vai ficar na história recente de Portugal, por muito boas razões.
No campo da nossa política interna tivemos uma eleição presidencial que colocou em Belém um homem que respira alegria e que despachou para o esquecimento de Boliqueime aquele que durante dez anos ensombrou a nossa vida política mas, como se isso fosse pouco, ainda tivemos um governo que acabou com aquela pantomina que era o arco da governação e que, segundo revelam as sondagens, está a merecer cada vez mais o agrado dos portugueses.
No campo da política internacional também assistimos a uma Comissão Europeia que, depois de tanto nos ter humilhado, se desfaz agora em elogios aos resultados da governação portuguesa, enquanto um processo de grande profissionalismo diplomático levou o enorme prestígio de António Guterres ao cargo de Secretário-Geral das Nações Unidas.
No campo desportivo também o sucesso nos bateu à porta com as vitórias europeias no hóquei em patins e, sobretudo no Euro 2016, em que aquele golo do improvável Éder deixou o país cheio de orgulho e de lágrimas de alegria.
Porém, num tempo em que prevalecem as culturas mediáticas e pesem embora todas as coisas boas que aconteceram em Portugal, não será exagero afirmar-se que o ano de 2016 foi o ano de Cristiano Ronaldo, que no espectro mediático dá pelo nome de CR7. O homem fartou-se de ganhar títulos colectivos e prémios individuais. Então não é que agora foi eleito o melhor desportista europeu de 2016, quando havia desportistas alemães e ingleses, mas também franceses, italianos, espanhóis e de muitos outros países, que rematam, nadam, pedalam, velejam ou remam? Aqui nenhum jornal lhe dedicou uma página inteira, como hoje fez o diário espanhol as.
De facto, é caso para dizer que se mais prémio houvera, mais ganhara.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

A auto-estima portuguesa em alta - I

António Guterres, cidadão português nascido em Lisboa em 1967 e antigo Primeiro-Ministro de Portugal, fez ontem em Nova Iorque o juramento sobre a Carta das Nações Unidas e perante a respectiva Assembleia Geral, tornando-se, oficialmente, o 9º secretário-geral das Nações Unidas, que vai iniciar o seu mandato de cinco anos no dia 1 de Janeiro de 2017.
Com a solenidade própria do momento, disse:
“Eu, António Guterres, declaro solenemente e prometo exercer em total lealdade, discrição e consciência as funções que me são confiadas enquanto servidor público das Nações Unidas, exercer estas funções e pautar a minha conduta apenas tendo em mente os interesses das Nações Unidas, e não procurar ou aceitar, no que respeita às minhas responsabilidades, instruções de qualquer Governo ou outra organização”.
Depois, António Guterres falou e o seu primeiro discurso foi notável, ao defender como uma das prioridades do seu mandato a necessidade de mudar e reformar internamente a organização que vai dirigir. “É chegada a altura de as Nações Unidas reconhecerem as suas insuficiências e alterar o que precisa de ser alterado. Chegou a hora da ONU mudar”. Alertou também para a necessidade de se desanuviar o ambiente internacional e disse que “é altura de trabalhar com os líderes e é tempo de reconstruir a relação entre os cidadãos e os líderes mundiais”.
Contrariamente ao que seria de esperar, poucos jornais destacaram o juramento de António Guterres, a mostrar o descrédito por que passa a ONU e a irrelevância de dez anos de gestão de Ban Ki-moon. O Diário de Notícias foi uma das raras excepções a homenagear o homem de quem o seu amigo Vitor Melícias disse ser "uma espécie de papa Francisco civil". O mundo espera que se cumpram as palavras e se concretizem as intenções com que Guterres concluiu o seu discurso:
"Farei o meu melhor para servir a nossa humanidade". Que a sorte o acompanhe.

sábado, 15 de outubro de 2016

António Guterres, maior do que Portugal

Na passada quinta-feira assistimos pela televisão, em directo de Nova Iorque, à designação de António Guterres como o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, por unanimidade dos seus 193 membros e por aclamação. Para os portugueses foi uma transmissão histórica. É uma distinção rara ou mesmo única para um cidadão português que o próprio fez por merecer, mas que também resultou de um esforço colectivo nacional que envolveu o Presidente da República, o governo e a oposição, a diplomacia e, certamente, muitos outros intervenientes. Não é comum haver tanta unanimidade nacional em torno de uma causa e desde 1999, quando os portugueses aderiram à causa da independência de Timor-Leste (curiosamente quando António Guterres era primeiro-ministro de Portugal), que nada disto acontecia. Isso enche-nos de orgulho e resgata-nos de muitas humilhações que nos têm feito a Comissão Europeia de Barroso e de Juncker, bem como as senhoras Merkel e Lagarde, mais o Dijsselbloem e o Schauble, entre outros.
O processo de selecção foi longo, duro e transparente. António Guterres foi o melhor ao vencer todas as seis votações, revelando uma superior preparação para o cargo e tendo, entre outras credenciais a seu favor, o seu desempenho como alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Num período de grande tensão internacional, António Guterres teve o apoio unânime do Conselho de Segurança e conseguiu colocar do mesmo lado os Estados Unidos e a Rússia, mas também a China, o Reino Unido e a França.
O cargo que vai ocupar a partir de Janeiro é mais exigente do que qualquer outro que antes tenha desempenhado, com muitas guerras para resolver e com milhões de refugiados para apoiar, num contexto em que a própria ONU acumulou erros e omissões, mas também muitas críticas. Porém, as suas declarações no sentido da gratidão, da humildade e do sentido da responsabilidade são muito animadoras para o mundo.
A revista do semanário Expresso dedica hoje a sua capa ao novo Secretário-Geral da ONU e escolheu o título “maior do que Portugal”, dizendo que “é muito mais do que o rosto das duas grandes vitórias da diplomacia portuguesa nas últimas décadas”. Sem dúvida que os olhos do mundo estarão focados na acção deste nosso compatriota, a quem desejamos felicidades e bons resultados.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Os meus parabéns para António Guterres

O Diário de Notícias anunciava na sua edição de hoje que “Guterres vai a votos frente a candidata de última hora”. Depois de ter vencido as cinco primeiras votações para a escolha do novo secretário-geral das Nações Unidas realizadas entre os 15 membros do Conselho de Segurança, o candidato António Guterres cuja candidatura para aquele cargo foi proposta em Fevereiro pelo governo português, foi confrontado com o aparecimento de uma nova candidatura, protagonizada pela búlgara Kristalina Georgieva com o apoio do seu governo, da chanceler Merkel e da Comissão Europeia.
Muita gente que apoiava a candidatura de Guterres, incluindo muitos comentadores, criticaram o aparecimento tardio de Georgieva e começaram a imaginar negociações de bastidores, sobretudo entre os membros permanentes do Conselho de Segurança, de que poderia resultar a eleição de um outro candidato. Nessas circunstâncias, as características pessoais e a experiência política de António Guterres podiam deixar de impressionar o Conselho de Segurança, como acontecera até então.
Hoje a meio da tarde a notícia chegou: António Gueterres venceu a sexta votação dos membros do Conselho de Segurança, sem ter tido nenhum veto dos seus membros permanentes.
Pouco depois, o embaixador russo Vitaly Churkin, rodeado pelos embaixadores dos outros membros do Conselho de Segurança afirmou: "Hoje, depois da nossa sexta votação, temos um favorito claro e o seu nome é António Guterres. Decidimos avançar para um voto formal amanhã de manhã e esperamos fazê-lo por aclamação".
Foi a vitória de António Guterres e do governo português, num processo em que todos se uniram em torno de um homem exemplar (excepto um tal Mário David e mais alguns rapazolas que andam por Bruxelas), mas que também foi a afirmação do prestígio de que Portugal goza no mundo como país culturalmente aberto e amante da paz e do progresso.
Eu sou daqueles que acham que é bom para o nosso país que o secretário-geral da ONU seja um português! Estou orgulhoso. Parabéns e boa sorte!

sábado, 3 de setembro de 2016

A Índia celebra Madre Teresa de Calcutá

Amanhã o Vaticano vai canonizar a beata Madre Teresa de Calcutá e a grande Índia, que é um país maioritariamente hindu e onde a religião católica não terá sequer 2% de seguidores na sua população, não só teve sempre uma grande admiração por esta religiosa católica, como se mostra emocionada e orgulhosa com a sua santificação, o que é reflectido por toda a imprensa indiana. A capa da revista Outlook de Nova Delhi é apenas um exemplo da homenagem que a Índia está a prestar a Madre Teresa, que se naturalizou indiana e que a Índia tomou como um dos seus símbolos. O caso justifica a nossa admiração, até porque a Índia tem mostrado alguma intolerância religiosa relativamente a muçulmanos e católicos.
Nascida em 1910 numa família albanesa em Skopje na actual República da Macedónia, a jovem Agnes Gonxha Bojaxhiu entrou aos 18 anos na irlandesa Ordem das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto em Dublin, onde tomou o nome de Teresa. Em 1929 foi enviada depois para Calcutá e aí ensinou durante alguns anos numa escola para raparigas de famílias abastadas, antes de se entregar ao serviço dos mais pobres. No início de 1948, instalou-se num bairro de lata de Calcutá com essa determinação de ajuda, mas algumas das suas antigas alunas juntaram-se à sua antiga professora, tornando-se com ela nas primeiras Missionárias da Caridade.
De aspecto muito frágil e envolta num sari branco com três riscas azuis, Madre Teresa tornou-se num símbolo da ajuda aos “mais pobres dos pobres”, aos quais dedicou a vida, o que veio a ser reconhecido em 1979 com a atribuição do prémio Nobel da Paz.
Madre Teresa morreu em 1997 com 87 anos de idade, mas as suas Missionárias da Caridade tornaram-se um símbolo do apoio aos que sofrem com a miséria, a fome e a doença, sobretudo os leprosos e os moribundos. Hoje são cerca de cinco mil a intervir um pouco por todo o mundo. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Ronaldo é o nosso maior papa-prémios

A UEFA distingiu ontem o futebolista Cristiano Ronaldo com o prémio de Melhor Jogador da UEFA, isto é, como o melhor jogador da Europa em 2015/2016, superando o galês Gareth Bale, seu companheiro na equipa do Real Madrid, e o luso-descendente Antoine Griezmann que joga no Atlético de Madrid e na selecção francesa. Significa que, para a UEFA, os três melhores futebolistas europeus jogam em Madrid e, talvez por isso, o diário Marca enfatizou a entrega desse prémio e destacou Cristiano Ronaldo com uma fotografia de página inteira e o título: “és o Rei”.
Ronaldo tinha renovado em Janeiro o título de melhor jogador do Mundo por escolha da FIFA, mas na época de 2015/2016 conquistou a Liga dos Campeões e o Campeonato da Europa, isto é, os dois principais títulos europeus de clubes e de seleções, pelo que o prémio da UEFA era esperado. De resto, desde 2007 que Ronaldo acumula prémios internacionais, incluindo os de melhor jogador do mundo atribuido pela FIFA e de melhor jogador da Europa atribuido pela UEFA, mas também a Bota de Ouro que distingue o melhor marcador de golos na Europa. O seu museu no Funchal exibe esses troféus, mas parece que tem espaço para mais alguns.
Ronaldo é realmente um fenómeno papa-prémios e continua a ser o português que mais espaço ocupa na imprensa internacional.  

domingo, 3 de julho de 2016

Há mais desporto para além do futebol

Nos Campeonatos Europeus de Canoagem realizados no passado fim de semana em Moscovo, o português Fernando Pimenta tornou-se campeão da Europa de K1 1000 metros e de K1 5000 metros. Foi um feito muito importante para o desporto português, mas a imprensa ignorou-o e tratou apenas de acompanhar os futebolistas que estão em França, repetindo todas as notícias, análises e comentários. No ranking dos países que estiveram em Moscovo, a canoagem portuguesa aparece colocada em 7º lugar, o que merece ser salientado.
Com estes resultados e a cerca de um mês do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o canoista Fernando Pimenta apresenta-se como um sério candidato às medalhas de ouro olímpicas que, como sabemos, são um produto muito raro no olimpismo português. Em 23 participações olímpicas apenas ganhamos 23 medalhas e, de entre elas, apenas quatro foram de ouro – Carlos Lopes em 1984 (Los Angeles), Rosa Mota em 1988 (Seul), Fernanda Ribeiro em 1996 (Atlanta) e Nelson Évora em 2008 (Pequim). Parece ser a altura de Portugal voltar a ter uma medalha de ouro olímpica e de, pela primeira vez, não ser no atletismo. De resto, Fernando Pimenta já ganhou uma medalha de prata em 2012 nos Jogos Olímpicos de Londres em K2 1000 metros, fazendo equipa com Emanuel Silva, pelo que para além do seu valor desportivo, também tem muita experiência competitiva. Confiemos, portanto. Está de parabéns Fernando Pimenta que trouxe de Moscovo duas medalhas de ouro e dois títulos europeus mas que, lamentavelmente, foi quase ignorado pelos obcecados jornalistas do futebol.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Só há vitórias com bons guarda-redes

A equipa portuguesa de futebol cometeu ontem um feito notável ao apurar-se para as meias finais do Europeu de 2016, ou seja, é uma das quatro melhores equipas de futebol da Europa. Fartos de austeridades, de humilhações e de ameaças, os portugueses bem mereciam a alegria que a televisão ontem lhes ofereceu em directo. Na cidade de Paris e em outras cidades francesas, também os portugueses viveram um raro momento de orgulho ao verem a Torre Eiffel e muitas praças iluminadas de verde e vermelho. Ao mesmo tempo, muitos estrangeiros que costumam desvalorizar o nosso país, tiveram que engolir o sucesso lusitano.
O futebol tornou-se um fenómeno político e social de importância global e, muitas vezes, desperta mais interesse do que a política, a economia ou a cultura. É no futebol que se concentram as grandes emoções nacionais e internacionais, que se defrontam todas as rivalidades e que se molda a imagem dos povos. Por isso, o jogo entre Portugal e a Polónia foi noticiado pela generalidade da imprensa internacional, sendo ilustrada com as fotografias dos abraços felizes dos jogadores a festejar a vitória obtida no desempate por penalties, depois de um empate que durou 120 minutos. Naturalmente, a imprensa portuguesa também dedicou as suas manchetes ao futebol, mas enquanto a chamada imprensa desportiva se concentrou nos Ronaldos, nos Quaresmas, nos Pepes e nos Sanches, que não deixa de endeusar diariamente, a imprensa generalista atribuiu ao guarda-redes Rui Patrício o maior mérito pela vitória sobre os polacos, pois foi ele que, num memorável voo, adivinhou a direcção da bola e conseguiu defender o penalti marcado por um tal Kuba. A imprensa costuma ignorar o mérito dos guarda-redes mas o Jornal de Notícias, o Público e até o correio da manha, trouxeram Rui Patrício para as suas primeiras páginas.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Qual a boa receita para se ser famoso?

Num país em que tudo parece girar em torno da saída ou não saída da União Europeia, do excesso ou não excesso de imigrantes e do que fazem ou não fazem os membros da Família Real, a maior referência do jornalismo inglês que é o The Times, publica na sua edição de hoje a fotografia do treinador de futebol José Mourinho com grande destaque. Provavelmente, nunca nenhum português tinha aparecido na primeira página de um jornal inglês e muito menos num jornal com um enorme prestígio daquele, muito semelhante à BBC, ao Big Ben ou à Família Real. O caso é tão surpreendente que até se pode ser levado a pensar que ali anda mãozinha comercial ou qualquer interesse sinuoso, porque nos tempos que correm tudo pode acontecer, até mesmo as vacas voarem.
Acontece que o Manchester United é uma das mais famosas equipas de futebol do mundo, mas este ano esteve bem abaixo das expectativas dos seus investidores e dos seus adeptos. Quando isso acontece no mundo do futebol, os treinadores tornam-se o rosto da decepção e pagam a factura da derrota. Por isso, o treinador holandês Louis van Gaal foi despedido esta manhã, embora o famoso jornal inglês já esta manhã tivesse mostrado a fotografia do seu provável sucessor.
Se assim acontecer, no próximo ano teremos José Mourinho em Old Trafford. É caso para se dizer que, a ser assim, ele é um verdadeiro artista e tem a receita para ser famoso.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Grandes talentos, grandes aumentos

Há algumas semanas atrás foi revelado com grande polémica à sua volta, que o gestor português Carlos Tavares, actual presidente do grupo PSA Peugeot Citroën, tinha quase duplicado as suas remunerações de 2014 para 2015, passando dos 2,75 para os 5,2 milhões de euros. Muita gente se indignou com esta notícia, incluindo o primeiro-ministro francês Manuel Valls e os dois representantes estatais no conselho de administração daquele grupo automóvel, mas também os sindicatos, porque entendem que esta remuneração não corresponde à realidade em que vivem os assalariados  franceses.
Hoje o diário económico La Tribune retoma esse assunto, destacando a fotografia de Carlos Tavares na sua primeira página e divulgando um estudo sobre as remunerações dos gestores das 40 empresas que integram o CAC 40 (Cotation Assistée en Continu), o mais importante índice bolsista francês. Esse estudo revela que em 2015 o envelope remuneratório dos gestores do CAC 40 aumentou 32% em relação a 2014 e que, no ano de 2015, Carlos Tavares foi o sétimo gestor mais bem pago em França, tendo os seus proveitos totalizado 5 202 839,87 euros, que se repartiram por 1,3 milhões de euros de salário fixo, 1,93 milhões de euros de rendimentos variáveis e 130 mil ações do grupo, valorizadas actualmente em 2,01 milhões de euros. É muito dinheiro em qualquer parte do mundo, certamente porque o mérito é muito grande, como provam os resultados que alcançou. Esse estudo “absolveu” Carlos Tavares, ao salientar que Tavares méritait bien une grosse augmentation e associa esse mérito ao facto de ter recuperado o grupo que se valorizou 58,6% na sua cotação bolsista. O tempo da mala de cartão e do bidonville já lá vai. Como os tempos mudaram para os portugueses em França!

sábado, 9 de abril de 2016

Cristiano Ronaldo, um português no topo

A edição de hoje do diário desportivo francês L’Équipe inclui o seu habitual magazine de fim-de-semana, que é dedicado ao futebolista Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro, nascido na cidade do Funchal no ano de 1985. A capa da revista utiliza uma imagem estilizada do futebolista português, a sugerir que estamos perante uma figura que não pertence ao mundo real, mas que Cristiano Ronaldo já é uma peça de um imaginário de lenda. A revista poderia ter escolhido uma fotografia do atleta ou do artista da bola, mas preferiu participar na construção antecipada de uma lenda e de lançar uma espécie de Che Guevara do futebol.
Goste-se ou não de futebol, o facto é que nunca um português foi tão conhecido no mundo e que o futebolista Cristiano Ronaldo é, desde há vários anos, o maior ex-libris do nosso país. O espaço que lhe dedicam os jornais e as televisões, mas também o merchandising que associou ao seu nome, deram-lhe uma notoriedade universal. Em Portugal não há políticos, nem artistas, nem escritores, nem cientistas, que alguma vez fossem tão conhecidos no mundo. Poderá parecer injusto que alguns portugueses com longas carreiras dedicadas ao serviço do progresso e do bem comum, não tenham o apreço nem o reconhecimento público que o mundo atribui a um futebolista de talento, que finta os adversários, que cabeceia a bola e que faz remates que os guarda-redes não conseguem deter. Pode parecer pouca coisa para tão grande fama, mas a vida moderna é cada vez mais um espectáculo em que Cristiano Ronaldo é, seguramente, o melhor actor português de sempre.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mourinho será o “world’s best-paid boss”

Goste-se ou não de futebol, o facto é que o treinador José Mourinho é um dos mais famosos portugueses de todos os tempos, não só pelos resultados desportivos que tem conseguido, mas sobretudo pela forma como tem sabido gerir a sua carreira profissional. Apesar de ter sido despedido dos seus dois últimos clubes, o que sucedeu com o Real Madrid em Maio de 2013 e com o Chelsea em Dezembro de 2015, o facto é que se anuncia que Mourinho já tem novo emprego. E que emprego!
A notícia que é hoje divulgada pela imprensa desportiva inglesa anuncia que Mourinho vai ser o futuro treinador do Manchester United, com um contrato de três anos que lhe irá render 59,7 milhões de euros, o que significa cerca de 385,5 mil euros por semana!
Parece que ainda se trata de um rumor que a imprensa transformou em notícia, mas o facto é que, como dizem os livros de jornalismo, uma notícia é o relato de um acontecimento, verdadeiro ou não. Assim, este facto pode ser verdadeiro ou não verdadeiro, mas é uma notícia e como tal tem naturalmente um enorme impacto mundial.
Acontece que o maior rival do Manchester United é o Manchester City que acaba de anunciar a contratação do catalão Pepe Guardiola para seu treinador. Para alimentar a enorme rivalidade futebolística da cidade de Manchester, o United não olhou a meios e parece ter procurado o melhor treinador do mundo, isto é, alguém que possa afrontar e vencer Guardiola. Parece terem descoberto esse homem e disponibilizam-se para lhe pagar muitas, muitas libras. É por isso que o Daily Express anuncia hoje o pacote remuneratório previsto para José Mourinho e que titula: “United to make Mourinho world’s best-paid boss”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Os jornais, os jornalistas e a propaganda

Nas últimas semanas, uma enorme quantidade de jornalistas e de comentadores, uns assalariados e outros contratados, vestiram a farda de caceteiros e atiraram-se ao PS e ao seu secretário-geral, papagueando insultos e insinuações. 
Durante a campanha eleitoral essa gente nunca questionou o Passos nem o Portas, nem as desgraças económicas e sociais a que conduziram o país, que com eles se tornou mais pobre e mais dependente. Obcecados, só lhes interessou confrontar o Costa com o seu programa, com os seus objectivos e com as suas intenções. Todos os dias, essa gente repetia os mesmos argumentos, as mesmas perguntas, as mesmas palavras e fazia as mesmas insinuações. Espalharam o medo e a incerteza no eleitorado. Alguns deles, acantonados nas televisões, no Observador, no Sol e em outros pasquins semelhantes, encheram páginas de artigos cirúrgicos contra o Costa e contra a mudança.
Vieram as eleições e os resultados retiraram a maioria a quem nos governava. Assim, era exigível que tendo perdido a maioria, eles procurassem um compromisso para se manterem no poder, assumindo com humildade a sua nova condição. As partes não chegaram a acordo porque quem tinha que ceder não cedeu, mas o ambiente foi uma vez mais perturbado pelos mesmos jornalistas e comentadores que se voltaram a mobilizar para criar uma onda de dúvida e de temor na opinião pública e para continuar a difamar o PS e o seu secretário-geral. E tantas vezes repetem as mesmas mentiras, as mesmas inverdades ou as suas maliciosas opiniões, que toda essa manipulação passa a ser uma verdade quase absoluta para a opinião pública cansada e anestesiada. Tudo isto é feito de uma forma perversa, porque essa gente aprendeu que uma mentira mil vezes repetida se torna numa verdade inquestionável, como lhes ensinou Joseph Goebbels. É isto que se passa, com esta miserável gente a perder toda a honorabilidade e sujeitar-se a este papel de caluniadores sem escrúpulos. A política não pode ser assim. E agora temos o paradoxo de ver quem esteve na Alameda em 1975, ser considerado como um perigoso esquerdista e a pôr em causa os nossos compromissos internacionais. Força António Costa!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Cristiano Ronaldo ou o grande ganhador

Há muito poucos portugueses que brilham além-fronteiras, mas Cristiano Ronaldo é um deles. Nem Saramago, nem Paula Rego, nem Guterres e muito menos Barroso, atingiram a sua notoriedade e fama. Ele é o mais famoso futebolista português de sempre e recebeu ontem a sua quarta Bota de Ouro. Nunca nenhum outro jogador de futebol tinha vencido aquele troféu tantas vezes e, por isso, o tema foi destacado na imprensa desportiva internacional, assim sucedendo hoje, por exemplo, com o diário espanhol MARCA que o classifica com o título El Único. A Bota de Ouro é um prémio atribuido pelo European Sports Media para distinguir o futebolista que tenha marcado mais golos nos diferentes campeonatos europeus. Criado em 1967 pela revista francesa L’Équipe, o prémio já foi conquistado por três futebolistas portugueses, a mostrar que em matéria futebolística somos um país muito competitivo. Assim sucedeu com Eusébio (1967-68 e 1972-73), com Fernando Gomes (1982-83 e 1984-85) e, mais recentemente, com Cristiano Ronaldo (2007-08, 2010-11, 2013-14 e 2014-15).
Em 47 anos que já tem de existência, o prémio veio para Portugal oito vezes, o que significa que 17% dos premiados foram portugueses. É um caso surpreendente. O prémio já foi conquistado por argentinos, holandeses e romenos (4 vezes cada), por brasileiros, uruguaios e búlgaros (3 vezes cada), por alemães, jugoslavos, austríacos, franceses, italianos, galeses e escoceses (2 vezes cada) e, curiosamente, nunca foi ganho por espanhóis. Com oito troféus conquistados os portugueses destacam-se nas artes futebolísticas e Cristiano Ronaldo mostra que é realmente um caso único no futebol europeu.

sábado, 27 de junho de 2015

Jorge Sampaio foi distinguido pela ONU

Um comité de selecção das Nações Unidas decidiu atribuir ao antigo Presidente Jorge Sampaio e à médica namibiana Helena Ndume o The 2015 United Nations Nelson Rolihlahla Mandela Prize, um prémio atribuído pela Assembleia Geral da ONU apenas de cinco em cinco anos para distinguir duas personalidades, uma masculina e outra feminina de diferentes continentes, que "dedicaram as suas vidas ao serviço da Humanidade, promovendo as finalidades e os princípios das Nações Unidas". O prémio foi estabelecido em 2014 e foi atribuído este ano pela primeira vez.
A vida política de Jorge Sampaio é exemplar, desde os seus tempos de dirigente estudantil em que lutou contra a ditadura do Estado Novo, até aos seus tempos pós-presidenciais em que foi designado como o Alto Representante da ONU para a Aliança entre Civilizações, por nomeação directa do Secretário-geral da ONU. Entre essas duas balizas da sua vida política, Jorge Sampaio foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e Presidente da República, tendo apoiado muitas causas de grande relevância internacional como a independência de Timor-Leste e, mais recentemente, a chamada Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios.
É, naturalmente, uma distinção de grande prestígio para Jorge Sampaio e para o nosso país que muito nos devia orgulhar, mas os nossos jornais e as nossas televisões quase não falaram neste assunto. A notícia não mereceu uma primeira página de jornal, nem tão pouco uma abertura de telejornal. Uma tristeza! Um exemplo da mediocridade e do sectarismo que tomou conta da comunicação social portuguesa.
Homens como este são raros e deviam ser mostrados à sociedade como um exemplo, num tempo em que faltam referenciais de altruísmo, de generosidade e de ética no serviço público. E fico-me por aqui...