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segunda-feira, 21 de abril de 2014

O esplendor do Oriente na joalharia goesa

Está patente no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, a exposição Esplendores do Oriente - Jóias de Ouro da Antiga Goa que apresenta uma colecção de 392 peças de joalharia hindu e cristã dos séculos XVIII e XIX. Estas peças estiveram guardadas em caixas e encerradas em cofres durante 50 anos e essa é uma história que não pode ser dissociada do panorama artístico e estético da exposição.
No dia 12 de Dezembro de 1961, perante a iminente invasão de Goa pelas tropas indianas, que veio a acontecer poucos dias depois, o gerente do Banco Nacional Ultramarino (BNU) em Goa, Jorge Esteves Anastácio, decidiu preservar um conjunto de bens guardados no banco, enviando-o para Lisboa no paquete Índia da Companhia Nacional de Navegação (CNN), que nessa data se encontrava em Mormugão. Essa remessa de bens estava repartida por caixotes e caixas de toda a espécie, sendo constituída por jóias depositadas por particulares, por apreensões de contrabando e por cauções de pequenos empréstimos concedidos pelo BNU. 
O restabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a Índia aconteceu depois de 1974, mas só em 1991 foi feito um acordo entre o BNU e o State Bank of India que permitiu que a maior parte do espólio trazido em 1961 fosse devolvido ao Estado indiano, que recebeu cerca de meia tonelada de jóias que se encontravam nos cofres, num gesto que então foi altamente elogiado na Índia. Entretanto o BNU fundiu-se com a Caixa Geral de Depósitos (CGD) que herdou a parte restante dessa remessa de jóias que, 50 anos depois, foi aberta e catalogada por especialistas. Devido ao mau estado geral das peças, a CGD decidiu proceder ao seu restauro, fazendo depois a sua doação ao MNAA que as integrou no seu acervo e que até 7 de Setembro as exibirá ao público.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Memória histórica no bairro da Mouraria

No coração do bairro da Mouraria, em Lisboa - um bairro por onde não convém andar sozinho e de máquina fotográfica a tiracolo -  não há só a memória do fado, da Severa e da rua do Capelão. Exactamente na Rua do Marquês de Ponte de Lima, Nº 13, está localizado um edifício de grande valor histórico e patrimonial que serviu como convento e que tem anexa a igreja Paroquial de Nossa Senhora do Socorro. O edifício foi doado pelo rei D. João III à Companhia de Jesus em 1542 e foi a primeira casa própria que esta ordem religiosa teve em todo o mundo.
A Companhia de Jesus é uma ordem religiosa cujos membros são designados por jesuítas, foi fundada em 1534 por Inácio de Loiola e mais seis companheiros, entre os quais o basco Francisco Xavier e o português Simão Rodrigues, mas só foi reconhecida pelo Papa em 1540*. O rei D. João III vinha pedindo missionários ao Papa para evangelizar o Oriente e a oportunidade surgiu então. Francisco Xavier foi escolhido e veio para Lisboa, tendo partido para a Índia no dia 7 de Abril de 1541 a bordo da nau Santiago da frota de Martim Afonso de Sousa. Tornou-se o "Apóstolo do Oriente" e hoje é venerado em Goa com grande devoção, mas também um pouco por todo o Oriente. A partir daquela casa da Rua do Marquês de Ponte de Lima, onde funcionou a Primeira Cúria Provincial da Companhia de Jesus que também foi a primeira no mundo inteiro, saíram outras expedições de jesuítas, que chegaram a sítios tão longínquos como o Tibete, Macau, a China e o Japão.
Uma placa assinala a importância histórica deste edifício:
ESTA CASA DOADA POR D. JOÃO III
FOI A PRIMEIRA QUE A COMPANHIA DE JESUS
TEVE COMO PRÓPRIA NO MUNDO INTEIRO
DELA TOMOU POSSE O P. SIMÃO RODRIGUES
COM SEIS COMPANHEIROS A
5 DE JANEIRO DE 1542
EM 1553 COMEÇOU AQUI O PRIMEIRO COLÉGIO
DA COMPANHIA DE JESUS EM PORTUGAL
...

 Actualmente, funciona neste edifício a Direcção de Documentação e História Militar e a Chefia do Serviço de Assistência Religiosa do Exército.

* Em 2013 o cardeal Jorge Mario Bergoglio tornou-se o primeiro jesuíta a ser escolhido para Papa da Igreja Católica, tomando o nome de Francisco.

terça-feira, 8 de abril de 2014

As eleições gerais na Índia - II

Iniciou-se ontem na República da Índia o processo eleitoral que conduzirá à escolha dos 543 deputados que integrarão o Lok Sabha, a câmara baixa do parlamento, mas também a escolha do novo primeiro-ministro do segundo país mais populoso do mundo e o sétimo em área geográfica.
As eleições legislativas indianas mobilizam cerca de 814 milhões de eleitores que exercerão o seu direito de voto em 930 mil zonas eleitorais através do voto electrónico, controlado em todo o território pela Comissão Eleitoral da Índia, sendo um verdadeiro desafio logístico devido à extensão e à diversidade do território nacional, com regiões montanhosas, desertos e florestas. Por isso, o processo eleitoral é muito lento e decorrerá durante 6 semanas, sendo utilizadas 1,4 milhões de urnas electrónicas que serão transportadas para as regiões mais remotas do território por terra, mar e ar, havendo 11 milhões de pessoas envolvidas nessa operações.
As eleições são, principalmente, uma disputa entre Narendra Modi, do partido nacionalista Bharatiya Janata Party (BJP), e Rahul Gandhi, do Partido do Congresso (INC). A campanha eleitoral tem sido muito dinâmica e os temas dominantes têm sido a corrupção, o desemprego, o aumento da inflação, a desaceleração da actividade económica e a segurança das mulheres. No entanto, o tema mais distintivo entre os dois partidos é a segurança nacional e a tensão fronteiriça relativamente aos seus vizinhos/rivais, nomeadamente o Paquistão e a China que, no caso de vitória do BJP, tenderá a reacender-se naquela que é considerada “the most dangerous border of the world”.
Como nota de curiosidade, regista-se o hábito de muitos jornais indianos “venderem” as suas primeiras páginas como publicidade paga e com apelos directos ao voto, como acontece hoje na edição do Hindustan Times.
 

sábado, 5 de abril de 2014

As eleições gerais na Índia - I

A partir do próximo dia 7 de Abril vai iniciar-se o complexo processo que são as eleições gerais na Índia, que se estenderão até ao dia 12 de Maio, isto é, durante 36 dias. Na chamada “maior democracia do mundo” irão votar 814 milhões de eleitores residentes nos seus 28 Estados federados, entre os quais haverá cerca de 100 milhões que votarão pela primeira vez.
 Os dois principais partidos em confronto são o Indian National Congress ou Partido do Congresso (INC) e o Bharatiya Janata Party (BJP). O INC é o partido da dinastia Nehru-Gandhi que tem estado no poder nos últimos dez anos e cujo candidato é Rahul Gandhi que, aos 43 anos de idade, aspira tornar-se no primeiro-ministro do país, tal como o seu bisavô (Jawaharlal Nehru), a sua avó (Indira Gandhi) e o seu pai (Rajiv Gandhi). O BJP é um partido nacionalista, com uma poderosa ala ultra-nacionalista, que tem como candidato Narendra Modi, que governou o Estado do Gujarat com sucesso durante os últimos doze anos.
Embora sejam pouco credíveis, as sondagens apontam para um resultado de 35% para o BJP e de 25% para o INC, o que significa que não haverá maioria absoluta e que terão que ser feitas coligações com os inúmeros partidos regionais. A Índia passa por um período de desaceleração do seu crescimento económico, não tem emprego para os milhões de jovens que se formam em cada ano e tem níveis de corrupção e de pobreza elevadíssimos, pelo que o eleitorado e, em especial as novas gerações, exigem mudanças na governação.
Embora por vezes se associe o INC à esquerda e o BJP à direita, no contexto indiano essa classificação não é correcta: o INC é o partido que conquistou a independência, é o herdeiro do poder colonial britânico e é secularista, enquanto o BJP é um partido nacionalista que tem por base a religião hindu e que, muitas vezes, é intolerante e radical, relativamente às minorias religiosas, sobretudo a islâmica. A enorme importância geopolítica das eleições indianas não passou despercebida ao The Economist, que pergunta: quem poderá parar Narendra Modi?

domingo, 9 de março de 2014

As Javieradas de Navarra 2014

Iniciam-se hoje em Xavier  Javier em castelhano e Xabier em basco – uma localidade da comunidade foral de Navarra, situada a cerca de 50 quilómetros de Pamplona e que tem pouco mais de uma centena de habitantes, as Javieradas de Navarra 2014.
O Diário de Navarra destaca estas peregrinações em honra de São Francisco Xavier que partem de diferentes localidades do território navarro, convergindo para o imponente castelo de Xavier. Nasceram em 1940 para “perpetuar o espírito da cruzada”, isto é, o espírito dos vencedores da guerra civil espanhola a que o então arcebispo de Pamplona chamara “cruzada”, mas rapidamente perderam esse cariz de cruzada nacionalista e se tornaram numa festa religiosa muito concorrida em que participam muitos milhares de peregrinos que se dirigem para Xavier e “ocupam” o seu castelo.
São Francisco Xavier (1506-1552) nasceu em Xavier e foi um dos fundadores da Companhia de Jesus. Em 1540 veio para Portugal, mas seguiu logo para Goa onde chegou em 1542. A sua acção missionária foi intensa e estendeu-se da Índia a Malaca e ao Japão. Foi canonizado em 1622 e, desde 1637, os seus restos mortais repousam na Basílica do Bom Jesus em Goa.
São Francisco Xavier é o santo patrono dos missionários, o Padroeiro de Macau mas, sobretudo, é o Santo Padroeiro de Goa e dos goeses, que tanto se identificam e veneram este santo que, em língua concani, é conhecido por Gõycho Saib, o rei e protector de Goa. O seu dia festivo é o dia 3 de Dezembro, quando o campo arqueológico de Velha Goa e a Basílica do Bom Jesus atraem muitas centenas de milhar de pessoas de todas as religiões.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Goa recebe os III Jogos da Lusofonia

A terceira edição dos Jogos da Lusofonia iniciam-se amanhã em Goa e decorrerão até ao dia 29 de Janeiro, com a participação de cerca de 1500 atletas provenientes de 12 países - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor (membros plenos da ACOLOP - Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa) e Guiné Equatorial, Índia (Goa) e Sri Lanka (membros associados da ACOLOP).
Os Jogos da Lusofonia são um evento desportivo entre os países de língua portuguesa, constituindo a versão portuguesa dos Jogos Olímpicos, dos Jogos da  Commonwealth ou dos Jeux de la Francophonie. As duas primeiras edições dos disputaram-se em Macau (2006) e em Lisboa (2009), tendo os resultados desportivos favorecido o Brasil (133 medalhas), Portugal (125), Macau (26), Angola (19) e Cabo Verde (13). Nesta edição Portugal vai estar representado por 57 atletas que participarão apenas em seis das dez modalidades presentes nos Jogos, designadamente nas provas de atletismo, judo, taekwondo, ténis de mesa, voleibol de praia e wushu, mas não vai estar presente nas provas de basquetebol, voleibol, desporto para deficientes e, sobretudo, no torneio de futebol, o que constitui uma desilusão para os goeses, uma vez que o futebol é o desporto-rei de Goa.
É lamentável que as nossas autoridades desportivas e até governamentais não tenham actuado no sentido de que fosse apresentada uma representação mais numerosa e mais credenciada, uma vez que só uma atleta olímpica estará em Goa (a judoca Yahima Ramirez). O atraso nas datas dos Jogos da Lusofonia, deslocados de Novembro para Janeiro devido a atrasos verificados na construção de novos recintos desportivos, terá alterado a programação da representação portuguesa e desviado os principais nomes do desporto nacional, muitos deles subsidiados pelo Estado. Porém, isso não é razão suficiente para justificar este desinteresse e esta presença tão pobre. A memória portuguesa em Goa merecia um outro tipo de representação.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O cinema timorense distinguido na Índia

Aos poucos, a República de Timor-Leste afirma-se internacionalmente em novos domínios, como se viu com o filme A Guerra da Beatriz, que acaba de vencer o Golden Peacock ou Pavão de Ouro na categoria de melhor filme da 44ª edição do International Film Festival of India, que ontem se concluiu em Goa. O filme é a primeira longa metragem timorense, tendo sido concebido, produzido, realizado e interpretado por timorenses. É falado em tétum e é legendado em inglês, tendo sido estreado na cidade de Dili no dia 17 de Setembro e apresentado em Outubro no Adelaide Film Festival 2013.
O filme conta a história de Timor-Leste durante o período da ocupação indonésia entre 1975 e 1999, através do amor de uma mulher pelo marido que era membro da Resistência, tendo sido filmado sobretudo na aldeia de Kraras, perto de Viqueque, o local onde há 30 anos ocorreu um massacre perpetrado por soldados indonésios. O filme foi realizado pela timorense Betty Reis e pelo italiano Luigi Acquisto, um dos poucos estrangeiros que esteve envolvido no filme que foi apoiado pela Dili Film Works e pela FairTrade Films Australia. A Guerra da Beatriz, foi escrito pela timorense Irim Tolentino, que também faz o papel de Beatriz, enquanto o elenco é composto por vários actores timorenses, incluindo José da Costa o mais conhecido actor timorense. Depois do sucesso que o filme teve no International Film Festival of India, é com muita expectativa que aguardamos a apresentação em Portugal d’A Guerra da Beatriz.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Voltar a Goa em peregrinação cultural

Os portugueses sempre tiveram uma acentuada vocação para sair do país em busca de locais mais ou menos exóticos para viver ou para trabalhar e, por isso, a diáspora lusitana encontra-se espalhada um pouco por todo o planeta. É uma característica marcante da identidade portuguesa e que terá começado no século XVI com a partida de marinheiros, soldados, mercadores e missionários que atravessaram os mares desconhecidos em direcção ao Oriente e ao Brasil, em busca de fortuna e de aventura. Essa marca cultural manteve-se ao longo do tempo, chegou aos nossos dias e, como ainda recentemente foi revelado numa série de programas da RTP, hoje há portugueses por todo o mundo, desde a Argentina ao Japão ou de Moçambique à Islândia. Partem por razões muito diversas e geralmente desenvolvem actividades muito diversificadas. São gestores, quadros superiores, técnicos especialistas, professores, trabalhadores indiferenciados ou, simplesmente, aventureiros. Integram-se muito bem nas sociedades locais e conquistam reputação social. Muitos fixam-se definitivamente nas terras de acolhimento, mas outros regressam, muitas vezes mais carregados de saudade do que de fortuna.
Porém, muitos dos que regressam continuam ligados às terras por onde passaram e viveram e, sempre que podem, regressam em “romagem de saudade” para rever amigos, revisitar locais, reviver paisagens e recuperar memórias. Neste sentido, para quem teve o privilégio de trabalhar em Goa, um regresso é uma prova emocional e uma peregrinação cultural muito estimulante. É isso que o JML vai agora fazer durante várias semanas. Que tudo lhe corra bem e que desfrute das estimulantes singularidades culturais de Goa, das peculiaridades da sua vida social e das suas vistas sobre o mar Arábico.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Air Costa para bem voar na Índia!

A Índia é uma federação de Estados com muitos contrastes culturais, muita gente, muitas religiões e mais de quatrocentas línguas e dialectos, havendo 23 línguas oficiais nos seus 28 Estados. O quarto maior desses Estados é o Andhra Pradesh, que é três vezes maior que Portugal e tem 84 milhões de habitantes, sendo a sua língua nacional o telugu (a 16ª língua mais falada no mundo). O seu principal jornal é o Eenadu (ఈనాడు) que se publica em Hyderabad, que tem seis milhões de leitores e que é redigido em telugu que, naturalmente, não domino. Na sua edição de hoje, o que chama a atenção dos leitores, no meio dos caracteres que não compreendemos, é uma notícia e um anúncio da Air Costa.
A Air Costa é a primeira companhia aérea regional do Estado de Andhra Pradesh e iniciou exactamente hoje os seus voos comerciais com dois aviões Embraer E-170 de fabrico brasileiro. A sua base será na cidade de Vijayawada e, por agora, voará para Hyderabad, Chennai, Bangalore, Jaipur e Ahmedabad mas, em Novembro, quando receber dois novos Embraer E-190, também voará para Madurai, Visakhapatnam, Goa, Thriuvananthapuram e Mysore. Até ao fim de 2014 a Air Costa espera ter uma frota de dez Embraer E-190. Na Índia é frequente, muito frequente, o aparecimento de companhias aéreas privadas de carácter regional, nacional e internacional que, com toda a lógica económica, nascem, crescem e morrem. A Air Costa será provavelmente mais uma delas, mas o que verdadeiramente surpreende é este nome em Andhra Pradesh.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Políticos prevenidos valem por dois


As primeiras páginas dos jornais indianos por vezes não são ocupadas por notícias, sendo substituídas por publicidade a automóveis, a tecnologias da informação, a produtos informáticos ou a empreendimentos imobiliários. No entanto, o que aconteceu ontem nos principais jornais indianos, como por exemplo no The Times of Índia, é uma novidade: a publicação de um anúncio promocional da senhora Selvi J Jayalalithaa, a Chief Minister do governo de Tamil Nadu, no qual são enunciadas a sua dinâmica liderança e dedicação à causa pública, assim como as suas realizações em prol do bem comum e do progresso.
Jayalalithaa é uma personalidade política controversa e, como todos os políticos, tem legiões de admiradores e de adversários, mas é uma das mais famosas políticas da Índia. Nascida em 1948, foi uma popular artista cinematográfica e aos 43 anos de idade, tornou-se Chief Minister de Tamil Nadu, um dos 28 estados da Índia que tem a sua capital em Chennai. O estado tem 130 mil quilómetros quadrados de superfície e mais de 72 milhões de habitantes, ficando situado no sueste da península industânica. Desde 1991 que Jayalalithaa tem sido sucessivamente reeleita como Chief Minister (exceptuando o período 1996-2001) e actualmente está a cumprir um mandato até 2016. Assim, esta campanha publicitária nos grandes jornais indianos não é para “ganhar votos” como seria normal. Objectivamente, é uma forma de financiar e de condicionar os meios de comunicação social, evitando por antecipação que, no futuro, eles possam acolher qualquer campanha que seja hostil a quem “generosamente” os financiou. É caso para dizer que políticos prevenidos valem por dois…

terça-feira, 14 de maio de 2013

O futebol goês é campeão na Índia

Terminou na Índia, no passado domingo, o campeonato nacional de futebol - a I-League - cujo vencedor foi a equipa do Churchill Brothers Sporting Club, um clube da cidade de Margão, no Estado de Goa, que é presidido por Joaquim Alemão. Na tabela classificativa final, entre as 14 equipas participantes, as outras equipas goesas classificaram-se em 5º lugar (Dempo Sports Club), 6º lugar (Sporting Club de Goa) e 7º lugar (Salgaocar Sports Club).
O campeonato nacional de futebol na Índia iniciou-se em 1996 com a NFL (National Football League) por iniciativa da All India Football Federation, mas em 2007 sucedeu-lhe a I-League, já com contornos profissionais e numa clara tentativa de colocar o futebol indiano em níveis de competitividade superior. Não deixa de ser curioso verificar que as seis edições da I-League já disputadas foram todas vencidas por equipas goesas: o Dempo Sports Club (3 vezes), o Churchill Brothers Sporting Club (2 vezes) e o Salgaocar Sports Club (uma vez). E não deixa de ser curioso, também, que a herança cultural que os portugueses deixaram em 451 anos de presença em Goa, passe desta forma tão evidente pelo futebol, num país onde o cricket é o desporto das multidões.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Comunicação e publicidade nos negócios



Foi ontem anunciado que a companhia aérea Etihad Airways, dos Emirados Árabes Unidos, adquiriu 24% da Jet Airways, a maior companhia privada de aviação indiana, num negócio avaliado em 379 milhões de dólares. A Jet Airways é uma companhia fundada em 1993 por Naresh Goyal, que desde então se tornou num dos homens mais ricos da Índia, tem sede em Bombaim, dispõe de 122 aviões ao serviço e tem 40 aviões encomendados, dos quais 38 à construtora americana Boeing. Internamente voa para 42 destinos e, internacionalmente, para 21. Com esta transacção a Etihad Airways quer ter uma presença no mercado interno indiano que se espera tenha uma taxa de crescimento de 10% nos próximos anos e assegurar, também, uma parte do tráfego internacional do segundo país mais populoso do mundo. Por outro lado, a estratégia da Etihad de adquirir participações e fazer alianças, pretende reforçar os seus factores de competitividade perante os seus rivais – Qatar Airways e Emirates. Da parte da Jet Airways esta operação representa a entrada de capital e de know-how no domínio do negócio do transporte aéreo. 
O que é curioso neste negócio e que não é habitual na Europa, é a sua publicitação na imprensa indiana através de anúncios a ocupar toda a primeira página dos principais jornais, como por exemplo na edição de hoje do The Times of India, a mostrar que a parte financeira não é tudo, mas que a comunicação e a publicidade também são uma componente importante nos negócios, porque transmitem informação ao público e revelam alguma transparência.



domingo, 31 de março de 2013

Can India become a great power?

Na sua última edição a revista The Economist dedica alguns artigos à Índia, um país do chamado grupo dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e South Africa  – interrogando-se sobre se o segundo país mais populoso do mundo se pode tornar numa grande potência.
O tema é muito oportuno, porque a Índia será brevemente a quarta potência militar mundial, aspira ao domínio da Ásia do Sul e é um mercado económico de elevado potencial. Tendo-se tornado independente em 1947, já sustentou guerras com os seus vizinhos - Paquistão e China – disputando com eles as fronteiras e alguns territórios fronteiriços, além de os considerar perigosas ameaças à sua integridade territorial. No entanto, enquanto ninguém duvida da ascensão da China ao estatuto de grande potência, havendo até quem fale de um G2, isto é, uma cúpula mundial polarizada pelos Estados Unidos e pela China, a Índia ainda não viu reconhecido esse estatuto, apesar da sua dimensão demográfica, potencial económico, mercado interno e crescente capacidade militar. De resto, a Índia nem sequer tem assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, embora todos os seus membros permanentes apoiem a sua entrada nesse restrito clube.
Segundo o The Economist a Índia tem falta de “cultura estratégica” e “precisa de desistir da sua ultrapassada filosofia de não-alinhamento” para se tornar uma grande potência. A revista recorda a sua herança da potência colonial, designadamente as instituições democráticas, o sentido do Estado de Direito, o respeito pelos direitos humanos e muitos outros valores ocidentais, que não são integralmente partilhados pelos seus vizinhos. Ao invocar esssa herança, o The Economist presta-se a fazer lobbying a favor de um alinhamento com o ocidente (e com a sua indústria de armamento), ao querer desviar a Índia do seu tradicional aliado e principal fornecedor de equipamento militar que é a Rússia.
Porém, o país tem uma enorme diversidade étnica e linguística, enormes assimetrias de desenvolvimento, elevados níveis de pobreza e é muito vulnerável em termos energéticos, pois possui apenas 0,8% das reservas de petróleo e gás conhecidas. Por isso, a gestão do primeiro-ministro Manmohan Singh tem sido baseada numa combinação acertada entre “canhões e manteiga”, isto é, entre desenvolvimento económico, combate à pobreza, abertura ao exterior, coesão nacional, orçamentos militares e diversificação de alianças.  Para quem se interessa pela Índia e pelos seus problemas, é muito recomendável esta edição do The Economist.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Adeus Goa, olá Lisboa!

Depois de alguns dias passados em Goa, estou de regresso a Portugal. O tempo que por lá passei satisfez as minhas expectativas e consegui fazer tudo o que eu tinha planeado fazer. Goa continua na sua onda de progresso acelerado e a alimentar o seu próprio estereótipo de “Europa da Índia”, o que leva a que multidões de turistas indianos a visitem e contribuam para a descaracterização cultural cada vez mais rápida do território.
No entanto, está a acontecer em Goa um caso muito curioso: a importantíssima actividade mineira foi suspensa pelo Bombay High Court, que tem jurisdição nos Estados de Maharashtra e Goa, ao dar provimento às queixas e às pressões das associações ambientalistas que vinham acusando a indústria mineira de estar a provocar uma verdadeira catástrofe ambiental em Goa. As três centenas de explorações mineiras a céu aberto, muitas delas operando intensivamente e à margem da lei, alteraram a paisagem goesa, destruíram áreas enormes, produziram autênticas montanhas de terra, lama e minério de ferro de baixo teor, que são materiais não tratados e altamente instáveis, que ameaçam abater-se sobre aldeias e os campos e que já estão a poluir os rios e os inúmeros cursos de água.
Acontece que a indústria mineira, juntamente com o turismo, são as principais actividades económicas de Goa, pelo que esta decisão revela muita coragem ao enfrentar interesses económicos muito poderosos, o que não é nada comum no mundo contemporâneo.
Ao largo da barra de Goa não se vêem agora as dezenas de navios mineraleiros em espera, nem nos rios Mandovi e Zuari se observam as centenas de barcaças que faziam o transporte do minério, desde o interior até aos navios fundeados. Há uma mudança visível na paisagem goesa e a poeira avermelhada desapareceu de muitas áreas que recuperaram a sua cor verde natural. Porém, a indústria mineira cresceu exponencialmente nos últimos anos devido à procura do Japão e da China, empregando actualmente muitos milhares de pessoas nas minas, no transporte do minério e nas actividades conexas. Assim, esta suspensão está a ter consequências económicas muito sérias e a colocar em causa a coesão social goesa, até porque a suspensão da actividade significa muito desemprego. À calamidade ambiental pode suceder uma calamidade social. Porém, neste caso, a arrogância e a ganância do poder económico foram travadas pela Justiça, devido à pressão dos ambientalistas e das estruturas democráticas de participação popular. É um bom exemplo a mostrar que, mesmo em nome da economia, não pode valer tudo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Eu falo português em Goa!

Amanhã parto para Goa, onde vou visitar amigos e rever lugares pelo que, durante algum tempo, estarei ausente deste espaço.
Voltar a Goa é sempre um reencontro com uma terra acolhedora, cultural e paisagisticamente muito rica, cheia de contrastes na sociedade e no ordenamento, que quase se assemelha a um caleidoscópio de cores e de sabores, mas também de línguas e de religiões. A dinâmica desenvolvimentista e o ritmo de transformações que se verificam na sociedade e na economia goesas são bem evidentes para o visitante frequente e não precisam de ser atestadas por quaisquer indicadores.
Goa é o mais pequeno, mas também é o Estado mais próspero de toda a União Indiana e, depois de 451 anos de presença portuguesa, o território e em especial as cidades de Pangim e Margão, continuam a exibir muitos traços da cultura portuguesa, reconhecíveis na sociedade e no quotidiano, na arquitectura e no traçado urbano, na gastronomia e nas práticas festivas, nos costumes sociais e no uso do Código Civil, na paixão pelo futebol e no gosto pelo Carnaval mas, sobretudo, na língua portuguesa. Naturalmente, a língua portuguesa tende a perder importância em Goa, mas é do interesse da Lusofonia preservar, estimular e apoiar a sua preservação, o seu uso e o seu ensino, com base nos acordos culturais estabelecidos com as autoridades indianas e através das instituições adequadas para esse efeito. Trata-se de uma exigência histórica e cultural e, por isso, terá que ser um parâmetro ou uma directiva permanente da nossa acção externa.
Eu falo português em Goa!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Álbum de Memórias. Índia Portuguesa

No Padrão dos Descobrimentos em Lisboa encontra-se uma exposição evocativa da passagem do 50º aniversário do regresso dos militares portugueses que estiveram prisioneiros na Índia Portuguesa, depois dos acontecimentos de 1961. É uma iniciativa muito louvável da Câmara Municipal de Lisboa e da EGEAC, destinada a preservar e divulgar a memória dos últimos soldados e marinheiros da Índia Portuguesa.
Álbum de Memórias. Índia Portuguesa. 1954-62 é o seu título, que constitui uma oportuna homenagem aos militares que perderam a vida em combate e aos que, no regresso a Portugal, foram hostilizados pelo regime salazarista, sendo uma visão inédita sobre os últimos anos da Índia Portuguesa. A exposição foi concebida a partir das memórias dos militares que viveram esse período histórico, incluindo o seu espólio fotográfico, alguns objectos pessoais, extractos de diários e outros documentos. A exposição está organizada em várias secções temáticas, designadamente os aspectos da mobilização dos militares, a viagem marítima para a Índia, a missão e o quotidiano em Goa, Damão e Diu, a invasão dos territórios pelas Forças Armadas Indianas, o consequente cativeiro nos campos de concentração e, em Maio de 1962, o repatriamento. É uma lição de História e uma oportunidade para conhecer melhor o que se passou na Índia Portuguesa desde 1954, quando foram ocupados os territórios de Dadrá e Nagar-Aveli, até 1962, quando os cerca de 3 mil prisioneiros de guerra foram repatriados.
A exposição foi inaugurada em 30 de Setembro, vai continuar patente ao público até 27 de Janeiro e merece ser visitada atentamente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

R.I.P. Ravi Shankar

Com 92 anos de idade faleceu Ravi Shankar, o mais famoso músico indiano e um verdadeiro ícone da música tradicional indiana e do seu instrumento mais importante – a cítara. Era a maior referência musical indiana e, em qualquer concerto realizado em qualquer cidade indiana, nunca os músicos deixavam de o evocar e de o homenagear como o seu mestre. Era o virtuoso.  Começou a viajar desde muito cedo para a Europa e para os Estados Unidos, assimilando a influência da música ocidental, mas nunca deixando de divulgar também a música hindu. Porém, foi a amizade e a colaboração com o guitarrista George Harrison, que lhe deu grande notoriedade e o tornou conhecido mundialmente.
Ravi Shankar, não foi apenas o mestre indiano da cítara, mas exerceu também grande influência sobre alguns músicos ocidentais, desde os Beatles aos Rolling Stones. Tem duas filhas famosas – a cantora de jazz Norah Jones e a citarista Anoushka Shankar, aparentemente a sua sucessora e que ainda há pouco tempo se apresentou na Fundação Gulbenkian. A organização dos prémios Grammy decidiu atribuir-lhe um prémio pela sua carreira e por tudo o que conseguiu atingir durante a sua vida, o qual lhe será entregue a título póstumo em Fevereiro de 2013. Para quem assistiu a concertos de música indiana em diferentes locais da Índia e gosta do som da cítara, mesmo que nunca tivesse ouvido Ravi Shankar ao vivo, não pode ficar indiferente a um homem que se tornou um ícone da cultura indiana. Todos os jornais indianos lhe prestaram alargadas homenagens, como aconteceu com o The Telegraph de Calcutá.

domingo, 18 de novembro de 2012

O golo inesquecível de Zlatan Ibrahimovic

Na passada quarta-feira, dia 14 de Novembro, disputou-se em Estocolmo um jogo de futebol entre as selecções da Suécia e da Inglaterra, para inaugurar o Friends Arena, o novo estádio nacional sueco.
Na equipa sueca que vencia por 3-2 brilhava Zlatan Ibrahimovic, um jogador de 31 anos de idade de origem bósnia que actualmente representa a equipa do Paris Saint German. Ele já marcara os três golos da sua equipa. No último minuto, o guarda-redes inglês Joe Hart saiu alguns metros para fora da sua grande área e cortou uma jogada adversária cabeceando a bola para o ar, em vez de a cabecear para fora do campo. Então, Ibrahimovic teve um instante de inspiração e, a mais de 30 metros e de costas para a baliza, fez um pontapé de bicicleta que levou a bola a fazer um pronunciado arco e a entrar na baliza inglesa. Essas imagens correram pelo mundo. Foi o seu quarto golo da noite, que muitos classificaram como o melhor golo da história do futebol. É, naturalmente, uma escolha altamente subjectiva, mas na realidade foi um momento inolvidável que, durante algum tempo fará esquecer os golos de Zinedine Zidane, Diego Maradona, Marco van Basten, Wayne Rooney, Cristiano Ronaldo ou Leonel Messi.
No entanto, o que mais admira é o facto da edição de ontem do diário The Telegraph, que se publica em Calcutta, a capital do estado de Bengala Ocidental e a terceira maior concentração urbana da Índia, ter trazido para a sua primeira página essa notícia, ilustrada com um elucidativo esquema. É surpreendente, num país em que o desporto-rei é o cricket e em que o futebol se encontra em 169º lugar no ranking da FIFA. Nem os jornais suecos foram tão longe! 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Vem Cantar: a canção portuguesa em Goa

No próximo domingo realiza-se no auditório da Kala Academy na cidade de Pangim, a capital do Estado de Goa, as provas finais de um interessantíssimo concurso de canções portuguesas intitulado Vem Cantar - Concurso da Canção Portuguesa 2012.
O concurso realizou-se pela primeira vez em 1998 por iniciativa do Rosary College of Commerce and Arts de Navelim, no sul de Goa. No ano seguinte, através da sua delegação em Goa, a Fundação Oriente associou-se àquela iniciativa e, desde então, o concurso ganhou dimensão, qualidade e notoriedade. De Mariza a Roberto Carlos, passando por Rui Veloso, Amália, José Afonso e Madredeus, a canção em português desperta um crescente interesse em Goa, não só entre os luso-falantes, mas também em outros sectores da população que, depois de terem rejeitado a língua portuguesa enquanto língua de dominação colonial, se têm reaproximado da língua e da cultura lusíada, até como forma de afirmação na sociedade goesa.
Nesta 15ª edição do concurso Vem Cantar, o número de participantes aumentou significativamente para 37 indivíduos e 23 grupos, tendo havido necessidade de eliminatórias preliminares no Palácio dos Maquineses em Pangim e no Clube Harmonia em Margão. Tanto quanto sabemos, este tipo de iniciativa não se realiza em nenhuma outra comunidade ou espaço lusófonos e acontece porque a memória portuguesa em Goa está viva.

domingo, 23 de setembro de 2012

A Semana da Cultura Indo-Portuguesa

Entre os dias 11 e 14 de Outubro vai decorrer pela primeira vez em Portugal a Semana da Cultura Indo-Portuguesa, que é promovida pela Embaixada da Índia em Portugal e pela Casa de Goa, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, Fundação Oriente, Fundação Champalimaud, Cinemateca Portuguesa e Comunidade Hindu de Portugal, entre outras entidades. Esta iniciativa incluirá diversas actividades culturais, designadamente música, dança, fotografia e gastronomia goesas, mas também algumas iniciativas empresariais, visando melhorar o conhecimento mútuo e assegurar o reforço da amizade entre as duas sociedades ligadas por quase cinco séculos de história comum, sobretudo entre as gerações mais jovens.
As Semanas da Cultura Indo-Portuguesa realizam-se em Goa desde 2008 com o patrocínio do Consulado-Geral de Portugal e de outras instituições portuguesas e têm dado um bom contributo para a preservação da herança cultural portuguesa e para a promoção da  cultura contemporânea portuguesa em Goa, pelo que a ideia de trazer essas iniciativas a Portugal é muito positiva. Decorreram mais de 50 anos desde a queda da Índia Portuguesa e embora a cultura e a língua portuguesas ainda estejam presentes em Goa, estão sob ameaça devido a um normal processo de desgaste e a um objectivo desinteresse dos governos portugueses. Alguns esforços têm sido feitos localmente, sobretudo nas áreas do ensino da língua portuguesa e da preservação do património arquitectónico, mas muito mais haveria a fazer. Por estas razões, a realização da Semana da Cultura Indo-Portuguesa é uma iniciativa para aplaudir e para acompanhar.