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sábado, 21 de março de 2020

A preocupação americana com o covid-19


As últimas notícias indicam que nos Estados Unidos já se verificaram 273 mortes devido ao covid-19 e que há, pelo menos, 19.762 pacientes que já foram infectados nos 50 estados americanos.
Há menos de um mês o presidente dos Estados Unidos ainda afirmava que a situação estava “totalmente sob controlo” e que o risco do coronavírus afectar o país era muito baixo, atribuindo essa convicção às medidas que tomara ao proibir a entrada no país de pessoas provenientes da China. De resto, as declarações de Donald Trump sempre desvalorizaram a hipótese de poder haver contágios nos Estados Unidos, certamente para evitar que os americanos entrassem em pânico, mas a realidade foi-se impondo. Há uma semana, já com alguns casos confirmados de pessoas infectadas, o presidente declarou o estado de emergência nacional e insistiu que “os números iam descer”, mas o facto é que eles não param de subir, embora estejam anunciadas muitas medidas para travar a propagação do vírus, como o cancelamento de voos, o encerramento de escolas e, agora, a quarentena obrigatória para 40 milhões de californianos e para os trabalhadores não essenciais dos estados de Connecticut, Illinois e New York. Já não é possível anunciar que que a situação está “totalmente sob controlo”.
Nesta altura, os Estados Unidos encontram-se em sexto lugar na lista de países com mais pessoas infectadas e com mais mortes, depois da Itália, China, Espanha, França e Irão. Por vezes, são feitas acusações aos dirigentes nacionais que não actuaram em tempo oportuno, mas no caso dos Estados Unidos ter-se-à ido longe demais. É, portanto, uma situação muito preocupante que hoje o New York Post ilustra com uma Estátua da Liberdade fechada em casa e em forçada quarentena.

terça-feira, 10 de março de 2020

Há uma ameaça de profunda crise global


Nas últimas horas acelerou-se o pânico no mundo, não tanto por causa da epidemia do Covid-19 e da sua perigosidade sanitária, mas sobretudo pelas suas consequências sobre as economias. Os jornais publicam gráficos que mostram que o Dow Jones, o Nasdaq e as principais bolsas mundiais caíram muitos pontos e continuam em queda, enquanto a Arábia Saudita decidiu cortar cerca de 30% nos preços do petróleo, o que comprova que para além do medo pelo Covid-19, há uma enorme incerteza e falta de confiança no que está para vir.
Não é preciso ser especialista para perceber a situação, pois basta olhar à nossa volta. A economia tem muitas facetas, mas assenta sobretudo em dois eixos – a oferta e a procura, ou a produção e o consumo. Quando a Itália está fechada em casa a cumprir uma forçada quarentena, significa que nada produz e que consome muito menos do que o normal, o que é catastrófico para a sua economia. Em vários países europeus, nomeadamente em Portugal, as coisas estão a seguir o mesmo caminho, pois as pessoas estão a ser convidadas a ficar em casa, foram fechadas muitas escolas e proibiram-se acontecimentos sociais, incluindo jogos de futebol, concertos e outros eventos que atraem muito público. A actividade económica já está a ser seriamente afectada, sobretudo no sector do turismo, com as reservas nos hotéis e nos navios de cruzeiro a serem canceladas, muitas feiras e congressos a serem suspensos e com as companhias aéreas a cortar milhares de voos por falta de procura. Apesar das medidas administrativas e sanitárias que estão a ser tomadas e dos discursos destinados a afastar o pânico, a situação pode tornar-se muito preocupante e levar a uma crise que, tal como vimos com a crise financeira de 2008, nada de bom nos trará.

domingo, 8 de março de 2020

A campanha eleitoral americana começou


As eleições presidenciais americanas realizam-se no dia 3 de Novembro de 2020, o que quer dizer que faltam menos de oito meses para que seja conhecido o futuro presidente dos Estados Unidos e que a campanha eleitoral vai entrar na sua fase mais intensa e mais decisiva.
As eleições primárias do Partido Democrata já começaram e nesta altura aparecem destacados os candidatos Joe Biden com 664 delegados eleitos e Bernie Sanders com 573 delegados designados, mas qualquer deles precisa de reunir 1991 delegados para garantir a nomeação do seu partido, sendo por agora imprevisível saber quem vai enfrentar o candidato republicano. No Partido Republicano, para além de Donald Trump que se vai recandidatar e quer ser reeleito, também há vários candidatos como por exemplo Bill Weld, o antigo governador do estado de Massachusetts.
As campanhas eleitorais nos Estados Unidos foram o berço da Sociologia Política, não só no que respeita à eficácia das suas mensagens, mas sobretudo no que se refere às formas de manipulação dos perfis dos candidatos e do estudo das formas de sedução do eleitorado. Os estados-maiores de todos os candidatos trabalham arduamente na criação de truques, hoje chamadas fake news, destinadas a valorizar os seus candidatos e a desvalorizar os candidatos adversários. 
Tudo isto vem a propósito da última edição da revista The New Yorker, que se dedica há quase um século à cobertura da vida cultural da cidade de Nova Iorque e que utiliza o humor nas suas apreciadas críticas, ensaios, reportagens e ilustrações. Pois esta revista, também entrou em campanha e a propósito do uso de máscaras para evitar o contágio do Covid-19, decidiu escolher para a sua capa a imagem de um Donald Trump ignorante e burgesso, que não sabe usar a máscara para se proteger do Covid-19, mas que insiste em querer ser presidente dos Estados Unidos. 
O facto é que, por vezes, uma imagem vale mais que mil palavras...

sábado, 29 de fevereiro de 2020

A tensão em Idlib reabre a guerra na Síria


A guerra civil da Síria que começou em 2011 e que por várias vezes tem estado próximo do fim, parece ter recomeçado agora com grande intensidade. A província e a cidade de Idlib, no noroeste do país e junto da fronteira turca, estavam ocupadas desde o início da guerra pelas milícias anti-Assad e aí se situava a sede do governo de salvação síria.
Com o forte envolvimento militar russo, o regime de Bashar al-Assad recuperou o controlo sobre a maior parte do território sírio, mas Idlib continua nas mãos dos rebeldes, onde têm o apoio turco. Idlib representa, por isso, o ponto de maior conflitualidade entre as duas partes e entre os seus aliados russos e turcos.
Em 2018 os russos e os turcos entendiam-se bem e até negociaram o fornecimento de sistemas de mísseis S-400, o que deixou a NATO e os Estados Unidos muito preocupados. Nessa altura, os russos aceitaram que fossem instalados doze postos de observação turcos em Idlib, os quais já foram provocados várias vezes pelas tropas sírias. Até que, anteontem, um ataque aéreo sírio provocou a morte de 33 soldados turcos, para além de ter causado 36 feridos, numa aparente tentativa síria de recuperar o controlo sobre o reduto rebelde de Idlib. Na madrugada de ontem a Turquia retaliou e bombardeou algumas posições sírias naquela região.
A Turquia exige que os sírios se afastem dos postos de observação turcos e a Rússia acusa os turcos de ajudarem terroristas. Entretanto, milhares de pessoas fugiram das suas casas e Recep Tayyip Erdogan pediu uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Na imprensa turca, cujos títulos podem ser decifrados com a ajuda do amigo Google, são publicadas as fotografias dos 33 heróis-mártires de Idlib e é anunciado que foram destruídas as posições de Assad, isto é, prepara-se a população para novos e mais perigosos episódios desta já tão longa guerra, pois já há heróis, mártires e vitórias no terreno.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Da China para o mundo: crise do Covid-19


Em finais de 2019 apareceu na cidade chinesa de Wuhan um surto epidémico de coronavírus que afecta o sistema respiratório e pode evoluir para situações de maior gravidade como a pneumonia. Porque o surto alastrou para fora da China, a Organização Mundial de Saúde atribuiu-lhe um nome oficial para facilitar o seu reconhecimento universal, pelo que passou a ser conhecido como Covid-19.
Nesta altura ainda não se sabe a origem desta epidemia, ou do Covid-19, que infectou até agora cerca de 80.000 chineses e que já provocou 2715 mortes na China, ao mesmo tempo que está a perturbar a economia chinesa. O vírus propagou-se pelos países asiáticos e, entretanto, já chegou a uma dezena de países europeus, sobretudo à Itália onde já provocou 12 mortes, tendo nas últimas horas chegado a Espanha. As preocupações das autoridades sanitárias têm-se acentuado, embora haja demasiadas dúvidas e poucas certezas sobre a natureza deste surto epidémico que se manifesta simplesmente por febre, tosse, cansaço e dificuldades respiratórias, havendo também quem mostre desconfianças quanto ao que realmente se passa e aos eventuais interesses que giram à volta desta situação. A Organização Mundial de Saúde continua sem identificar a natureza deste vírus nem a forma de o travar, mas anunciou que o surto atingiu o seu pico na China entre os dias 23 de Janeiro e 2 de Fevereiro, estando em declínio desde então. No entanto, a generalidade dos países europeus parecem estar de prevenção ou mesmo um pouco alarmados, ao mesmo tempo que se anunciam efeitos sobre a economia com recessões, crises bolsistas e contracção no turismo.
Em síntese há que aguardar pela evolução da situação que, aparentemente, ainda não preocupa os portugueses. No entanto, se a situação se complicar, mais dia menos dia, talvez possamos ver o nosso Guia a copiar o exemplo pedagógico do colega Xi Jinping e a fazer-se fotografar com uma máscara igual à dele.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A Venezuela de Maduro ataca a TAP

A Venezuela é um grande problema internacional devido à grave situação económica e à instabilidade política por que passa, pois enquanto meio mundo está ao lado de Nicolas Maduro, o outro meio mundo apoia Juan Guaidó, o auto-proclamado presidente do país. Internamente, a situação também é complexa pois não se conhecem exactamente os apoios que tem cada uma destas facções.
Acontece que na Venezuela vivem três centenas de milhar de portugueses e de luso-descendentes e, por isso, a questão venezuelana é importante para Portugal que, com sensatez e prudência, tem acompanhado as posições da União Europeia e tem evitado criar fricções com as autoridades venezuelanas. Apesar disso, a Venezuela decidiu ontem suspender as operações da TAP por 90 dias nos seus aeroportos, com o argumento de ter havido irregularidades no voo TP173 que ligou Lisboa a Caracas e de ser necessário “proteger a segurança da Venezuela”. Hoje a notícia merece grande destaque na imprensa venezuelana, nomeadamente no El Periodiquito que se publica em Maracay, no estado de Aragua.
Depois de um périplo político pelos Estados Unidos e pela Europa, Juan Guaidó regressou à Venezuela no referido voo da TAP, sendo acompanhado por um tio. À chegada a Caracas foi esperado por manifestações de apoio e as autoridades chavistas não gostaram, pelo que acusaram a TAP de ter ocultado a sua identidade e de ter permitido que o seu tio transportasse material explosivo em diversos objectos.
Quer a TAP, quer o governo português, já mostraram a sua surpresa por esta iniciativa do regime de Maduro que, naturalmente, afecta os portugueses que vivem na Venezuela e vão ser vítimas desta evidente provocação de Nicolas Maduro a Portugal.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O projecto de reunificação das Irlandas


A saída do Reino Unido da União Europeia que se concretizou há duas semanas continua a causar apreensões, sobretudo em relação à unidade do Reino Unido. Em primeiro lugar está a Escócia, onde a primeira-ministra Nicola Sturgeon reclama a realização de um referendo para a independência, porque Boris Johnson não estava mandatado pelos escoceses para tirar o seu país da União Europeia. Em segundo lugar está a Irlanda do Norte onde o Sinn Féin, o centenário partido nacionalista irlandês liderado por Mary Lou McDonald, venceu pela primeira vez as eleições legislativas realizadas no passado sábado, com um programa que defende a unificação da Irlanda e a realização de um referendo para a unificação das Irlandas num prazo de cinco anos.
Nestas questões, a História está sempre presente. A República da Irlanda conquistou a independência em 1922 e fixou a sua capital em Dublin, mas dos 32 condados que existiam na ilha, houve seis que preferiram ficar ligados à Grã-Bretanha e formaram a Irlanda do Norte, com a sua capital em Belfast.
A Irlanda do Norte viveu sempre sob grande tensão entre os unionistas (ligados à Grã-Bretanha) e os nacionalistas (ligados à Irlanda). Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 o território viveu numa clima de guerrilha urbana e de quase guerra civil entre as duas facções dominantes, por vezes chamadas de católicos e protestantes.  
O facto é que 62% dos escoceses votaram contra o Brexit, enquanto na Irlanda do Norte também 55,8% não queriam sair da União Europeia. Hoje, a edição do The Economist analisa a questão de um eventual referendo na Irlanda do Norte visando a unificação do país, tal como era em 1922.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Rasgas tu, ou rasgo eu?… a polémica!


Menos de 24 horas depois de Nancy Pelosi ter rasgado o discurso de Donald Trump sobre o estado da União, Donald Trump foi absolvido pelo Senado das acusações que sobre ele pendiam e coube-lhe a vez de rasgar o documento de impeachment, o que significa que o rasgar papéis em frente das câmaras de televisão entrou na agenda política americana.
Sobre Donald Trump pendiam duas acusações. A primeira acusação por ter pressionado o presidente da Ucrânia para investigar o seu concorrente político Joe Biden, tendo Trump vencido essa votação por 52 a 48; a segunda acusação fundamentava-se numa obstrução ao Congresso, cuja votação Trump também venceu por 53 a 47. Ora, para que o impeachment acontecesse eram necessários dois terços dos votos (67) e os votos conseguidos pela acusação não foram além de 47 e de 48. Portanto, o resultado final já era esperado, mas esta disputa entre Democratas e Republicanos veio mostrar que a perversidade política existe por todo o mundo.  
Depois de várias semanas de alguma incerteza, Donald Trump foi declarado inocente, mantém-se na Casa Branca e ficou cheio de força... ou não, para a corrida presidencial que já está em andamento, faltando saber quem vai ser o seu adversário directo. A partir de agora todos os americanos vão olhar para a campanha eleitoral que, mais do que uma escolha entre projectos políticos, é um grande espectáculo de som, luz e cor. É natural que o Donald se sinta confiante e fortalecido com o que se passou nas últimas horas e a sua reeleição parece ser agora mais provável do que antes. A preocupação do mundo vai aumentar perante o que está a acontecer na América.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Na política americana também há tensão


O Congresso dos Estados Unidos reuniu ontem em Washington as suas duas Câmaras – o Senado e a Câmara dos Representantes - pois era o dia do discurso do presidente sobre o Estado da União e, segundo as notícias veiculadas pela imprensa, a cerimónia começou mal. 
Quando Donald Trump chegou ao local onde iria ler o seu discurso, quebrou o protocolo ao cumprimentar apenas o vice-presidente Mike Pence e ao ignorar a democrata Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes, que lhe tinha estendido a mão. Depois, Trump leu o seu discurso no qual fez o seu próprio elogio e em que disse que os Estados Unidos estavam agora mais fortes do que nunca e que a sua Administração teve um grande sucesso económico ao reverter as políticas do anterior governo de Barack Obama e ao acabar com a mentalidade de declínio dos Estados Unidos. O tom comicieiro esteve presente em todo o discurso, pois foi um pretexto para o lançamento da sua corrida presidencial, pelo que foi muitas vezes aplaudido pelas bancadas republicanas com gritos de “mais quatro anos”.
Acontece que o pior estava para vir, pois Nancy Pelosi é a responsável pela abertura do processo de impeachment que está a decorrer contra Trump e daí a tensão que esteve sempre presente naquela sala. Por tudo isso, Nancy Pelosi respondeu a Donald Trump no fim, pois enquanto o presidente era aplaudido, ela levantou-se e, diante de todos e em directo pela televisão, rasgou o que seria uma cópia do discurso. De uma forma geral, a imprensa condena Pelosi, provavelmente porque não viu ou não quis ver a falta de educação democrática de Trump ao deixar a presidente da Câmara dos Representantes de mão estendida.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

The race for the White House: day 1.


A corrida para as eleições presidenciais americanas, que se realizam no dia 3 de Novembro de 2020, começou hoje no Iowa, onde estão a realizar-se as eleições primárias do Partido Democrata. 
Nessa eleição vão ser escolhidos os delegados do Partido Democrata que tomarão parte na convenção nacional que, por fim, escolherá o seu candidato presidencial. Porém, enquanto do lado do Partido Republicano se encontra Donald Trump à procura de uma reeleição, embora possa vir a ter alguns concorrentes mais ou menos quixotescos como Bill Weld, o antigo goverrnador de Massachusetts, do lado do Partido Democrata há por agora 24 candidatos com idades entre os 37 e os 89 anos, com um númerro recorde de mulheres, com alguns candidatos originários das minorias e com posições ideológicas muito diferenciadas, umas bem moderadas e outras muito radicais. Segundo algumas sondagens que a edição do New York Post hoje divulga, os favoritos parecem ser Joe Biden, Bernie Sanders e Elisabeth Warren, mas ainda é muito cedo para fazer previsões. As eleições no Iowa são bem curiosas, pois não são utilizados os tradicionais votos que se metem numa urna, sendo as escolhas feitas em assembleias. Serão 1.678 assembleias ou caucus em todo o estado (um processo que também acontece no estado de Nevada), que se realizam em espaços como bibliotecas, ginásios, igrejas e sindicatos, nas quais participam as pessoas com 18 anos completos até ao dia 3 de Novembro e em que, mais ou menos por braço no ar, são escolhidos os delegados do partido.
As eleições presidenciais americanas não são apenas um assunto da política interna americana, pois interessam a todo o mundo.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Para que a Líbia não seja uma nova Síria

Realizou-se ontem em Berlim uma grande cimeira com a presença de vários dirigentes mundiais com o propósito de parar os combates entre grupos rivais e procurar uma solução para a Líbia, que ameaça tornar-se numa nova Síria. Depois da queda de Kadafi instalou-se um vazio de poder que, tal como no Iraque, na Síria e no Iémen, transformou o país em mais um campo de batalha na guerra silenciosa entre as grandes potências. Alguma imprensa publica hoje um mapa editado pela Agência Reuters, a maior agência de notícias do mundo com sede em Londres, que mostra as posições no terreno das forças que disputam o controlo do território da Líbia, parecendo um caleidoscópio em que estão misturadas as cores que identificam as forças do governo chefiado por Fayez al-Sarraj que é reconhecido pela ONU, as forças do general Khalifa Haftar ou Exército Nacional Líbio, as forças tribais tuaregues, os combatentes tubus e até o Daesh, cada um deles com os seus aliados. Uma perfeita confusão. Os combates já duram há nove meses e o conflito já se internacionalizou. O general Haftar tem o apoio da Rússia, do Egipto e dos Emirados Árabes Unidos e a simpatia da França, enquanto o governo de Fayez al-Sarraj é reconhecido pela ONU, tem o apoio da Turquia, que já tem tropas no terreno, bem como a simpatia da vizinha Itália. Há muitos mercenários no terreno e o armamento não deixa de chegar aos dois lados.
Ontem as potências com interesses na guerra líbia conseguiram um acordo de cessar-fogo, apesar de continuar paralisada a produção petrolífera no Leste do país por acção de Haftar, o que afecta as receitas governamentais. Apesar da pressão internacional e dos chefes das facções em luta na Síria terem estado em Berlim, não se encontraram pessoalmente. Pelo contrário, Putin e Erdogan que são os principais intervenientes na Líbia, encontraram-se mais uma vez e é natural que não estejam interessados em levar para a Líbia os problemas que ambos têm enfrentado na Síria. A Líbia foi uma colónia italiana até 1951 e, por isso, a trégua agora acordada tem particular interesse para a Itália e para a sua opinião pública.

domingo, 12 de janeiro de 2020

O grave erro humano e a tragédia do Irão

No passado dia 3 de Janeiro foi assassinado em Bagdade o general iraniano Qassem Soleimani vitimado pelo disparo de um drone americano e, na noite de 7 para 8 de Janeiro, os iranianos retaliaram com 22 mísseis contra duas bases militares americanas no Iraque. 
Quase em simultâneo, um Boeing 737 da Ukrainian International Airlines que fazia o voo comercial PS 572 e que levantara do aeroporto de Teerão há poucos minutos despenhou-se e provocou 176 vítimas, sendo 82 iranianos, 57 canadianos, 11 ucranianos e três britânicos. Houve quem suspeitasse da coincidência temporal entre a retaliação iraniana e o colapso do avião ucraniano, mas as autoridades iranianas negaram qualquer ligação entre estes dois acontecimentos.
Porém, começaram a ouvir-se vozes, sobretudo do primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, afirmando haver indícios de que o avião ucraniano fora derrubado por projécteis iranianos. Durante três dias foi negada a intervenção do Irão nesta tragédia, até que ontem, dia 11 de Janeiro, o presidente Hassan Rouhani anunciou que a investigação interna levada a cabo pelos militares iranianos concluiu que “mísseis disparados devido a erro humano causaram o horroroso desastre do avião ucraniano”. Hoje, no jornal Tehran Times os militares iranianos assumem responsabilidades pela tragédia, acontecida num ambiente de grande tensão criado pelas circunstâncias e pelas ameaças dos últimos dias, em que o avião terá sido confundido com um míssil hostil pelo que foi abatido.
As forças armadas iranianas já prometeram melhorar os seus sistemas para evitar uma repetição do que sucedeu e as autoridades já afirmaram aceitar a entrada de investigadores internacionais, incluindo peritos da Boeing, tendo disponibilizado as caixas negras do avião aos peritos.
No meio desta tragédia, a atitude de abertura e de assunção de responsabilidades por parte do Irão deve ser destacada e até pode servir de trampolim para algum apaziguamento regional. Por outro lado, aqueles que na rua gritaram "morte à América", agora gritam "abaixo os ayatollahs".

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Iranianos e americanos vão moderar-se?


Ontem, na sua cidade natal de Kerman, realizaram-se as cerimónias fúnebres do general Qassem Soleimani, nas quais participaram milhares de pessoas vestidas de preto, empunhando cartazes com a fotografia do mártir iraniano e exigindo vingança com os americanos. Porém, devido a um acidente resultante da debandada incontrolada de gente que participava naquelas cerimónias, morreram 56 pessoas e 213 ficaram feridas. Perante esta tragédia o funeral acabou por ser adiado, mas o Irão não perdeu tempo e “satisfez” o desejo de vingança dos iranianos. Poucas horas depois, o Irão atacou com mísseis as bases americanas de Ain Al-Asad e Erbil, no oeste do Iraque, como retaliação pelo assassinato do seu “mártir” Soleimani.
Entretanto a guerra mediática já começou e, enquanto a televisão estatal iraniana avançou que morreram pelo menos 80 “terroristas americanos” no ataque iraniano, o presidente dos Estados Unidos limitou-se a dizer que “até agora, tudo bem”. Entre estas duas peças da guerra mediática, o exército iraquiano que aparentemente é neutral neste conflito, informou que foram disparados 22 mísseis, dos quais 17 para a base de Ain Al-Asad (dos quais dois não deflagraram) e cinco mísseis para a base de Erbil, onde estão instalados militares dos EUA e seus aliados, que atingiram o alvo.
O jornal americano La Opinión que se publica em espanhol na cidade de Los Angeles, destaca na sua primeira página que se iniciaram as hostilidades, mas poderá não ser assim. Todos sabem como uma escalada de conflitualidade naquela região pode ter consequências impensáveis e são demasiados os países neutrais e outros que pedem moderação e contenção às partes. Num eventual conflito naquela área só haverá derrotados e vítimas inocentes. Os americanos eliminaram o seu “inimigo” Soleimani e os iranianos poderão considerar que já se vingaram pois bombardearam duas bases americanas, uma coisa que parece nunca terem feito antes. Pode acontecer que "baixe a temperatura" e que as hostilidades se fiquem por aqui e que um dia destes possamos ver Donald Trump a abraçar Hassan Rohani ou Ali Khamenei, tal como o vimos a abraçar Kim Jong-un, depois de tudo o que dele disse. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Continua o imbróglio na Venezuela


Para além das preocupações com a escalada da tensão irano-americana, da impressionante calamidade que são os incêndios na Austrália, da continuação da guerra de contestação ao plano das reformas em França e de outros temas que têm ocupado os mass media, a instabilidade na Venezuela parece ter reentrado no noticiário internacional. Depois de muitos meses em que acompanhamos diariamente a imprensa venezuelana e em que parecia que a normalidade tinha regressado ao país, pois não se ouvia falar de Maduro nem de Guaidó, a Venezuela regressou hoje às primeiras páginas dos jornais da América do Sul e pelas razões do costume, isto é, a luta política entre o regime chavista no poder e a oposição venezuelana encabeçada por Guaidó, mas que está muito fragmentada e fragilizada pela corrupção.
Acontece que, de acordo com a lei venezuelana, deveria realizar-se ontem a eleição da junta directiva da Assembleia Nacional para o período anual de sessões ordinárias correspondente ao ano legislativo de 2020-2021. Porém, sucedeu mais uma “inovação política” neste confronto, pois os deputados da oposição ao regime chavista, incluindo Juan Guaidó, foram impedidos de entrar no edifício do Palácio Legislativo pelas forças policiais chavistas. Resultou daí que os deputados afectos a Maduro que se encontravam no interior desse edifício, escolheram o deputado Luís Parra para presidir à Assembleia Nacional através de um simulacro de votação, enquanto os deputados afectos a Juan Guaidó se reuniram nas instalações de um jornal da oposição e lhe reiteraram o seu apoio. A Venezuela ficou, assim, com um Parlamento e dois presidentes, cada qual com os apoios e os aliados do costume mas, provavelmente, sem a legitimidade que o cargo exige, isto é, continua o grande imbróglio na Venezuela. A imprensa venezuelana ficou calada, provavelmente à espera de ver como as coisas vão correr, mas os jornais dos países vizinhos como El Tiempo, que é o maior jornal da Colômbia e que se publica em Bogotá, destacaram essa notícia.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Qasem Soleimani e a alta tensão no Irão


O assassinato do general Qasem Soleimani tem dominado o noticiário internacional e gerou uma invulgar onda de preocupações, a par de um generalizado apelo para a contenção das partes. Da leitura da imprensa internacional há duas ideias que se destacam: do lado americano a declaração de Donald Trump de que “we took action to stop a war… not to start a war”, enquanto do outro lado se fazem duras ameaças no sentido de que seja vingado o seu herói assassinado. Ambas as ideias pretendem satisfazer as opiniões públicas internas, num caso para reeleger Donald Trump e fazer esquecer o seu processo de impeachment, enquanto no outro se trata de uma reacção à humilhação que foi o assassinato de Bagdad, para dar coesão ao actual regime.
Durante o dia de hoje puderam ouvir-se os comentários de inúmeros especialistas sobre os acontecimentos ocorridos em Bagdad e as suas opiniões quanto ao que pode acontecer nos próximos tempos, mas não se viu ninguém a ter a ousadia de fazer previsões, até porque as políticas americana e iraniana têm sido demasiado errantes naquela região.
Porém, a imagem de capa da edição de hoje do Iran Daily talvez esclareça alguma coisa, pois não é apenas uma homenagem ao general Qasem Soleimani, a quem se atribui o principal mérito pela derrota do Daesh, mas é também um elemento mediático de mobilização popular em torno da figura do mártir e de apoio à “harsh revenge” prometida pelo ayatollah Ali Khamenei. Para continuar a desafiar a América de Trump, o regime iraniano também precisava de ter o seu mártir e foi o próprio presidente dos Estados Unidos que o criou. 
Nesta incerteza, associo-me aos que estão preocupados quanto ao que possa acontecer e, como dizia o outro, previsões só depois do jogo…

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

A perigosa escalada americana no Irão


Os jornais americanos anunciaram esta manhã que um ataque aéreo americano desencadeado ontem à noite nos arredores da cidade iraquiana de Bagdad, provocou a morte do general iraniano Qasem Soleimani. Esta acção foi de imediato interpretada como uma retaliação pelo recente ataque à Embaixada dos Estados Unidos em Bagdad, levada a cabo por manifestantes e milicianos iraquianos, mas também foi classificada como um assassinato de Estado.
Qasem Soleimani era uma importante figura do regime iraniano e era o comandante da Força Quds, uma unidade especial do Exército dos Guardas da Revolução Islâmica que tem a missão de equipar e treinar movimentos revolucionários islâmicos em países estrangeiros, dependendo directamente do líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei. Segundo informa hoje o The Washington Post o general Soleimani estava em Bagdad para desenvolver planos destinados a atacar diplomatas e militares americanos, tanto no Iraque como nas regiões vizinhas, pelo que esta acção teve o objectivo de impedir o desenvolvimento dos eventuais planos de ataque iranianos que Soleimani pudesse estar a preparar. O Irão já confirmou a morte do seu general, atribuindo-a a um “acto de terrorismo internacional” e prometeu vingança contra os Estados Unidos pelo “seu aventureirismo”.
O Iraque parece ser o local da disputa ou do confronto entre o Irão e os Estados Unidos e alguns comentadores internacionais têm afirmado que esta escalada americana e esta iniciativa de Donald Trump são perigosas e podem ser o início de uma guerra de consequências imprevisíveis, pelo que a União Europeia, a Rússia e a China já pediram contenção às duas partes. Actualmente haverá cerca de 5.000 soldados americanos no Iraque com o objectivo de combater o que resta do Daesh e para apoiar as forças de segurança iraquianas, além de algumas centenas de funcionários diplomáticos. Naturalmente, o que se espera desta grave situação é que os ânimos se acalmem.

sábado, 28 de dezembro de 2019

Exercícios navais do Irão, Rússia e China


A edição de hoje do diário Iran Daily anuncia com grande destaque que modernos navios do Irão, da Rússia e da China saíram do porto iraniano de Chabahar, iniciando quatro dias de exercícios navais no mar de Oman e na área norte do oceano Índico, com o objectivo de “melhorar a segurança do comércio marítimo internacional e combater a pirataria e o terrorismo”. O exercício foi baptizado com o nome de código Marine Security Belt e, segundo foi anunciado, vai incluir diversos exercícios tácticos, como tiro ao alvo, resgate de navios assaltados, combate a incêndios e outros exercícios combinados, mas na realidade trata-se de uma grande operação de comunicação em que a Rússia e a China mostram ao Ocidente e ao mundo que são aliados do Irão e que “o Irão não pode ser isolado”.
Para os Estados Unidos e para a sua política errática na região do Golfo este exercício multinacional conjunto mostra que, de facto, já existe uma coligação militar de apoio ao Irão e que a influência militar americana na região já não é o que era. Por isso, a repetida intenção de Donald Trump de hostilizar a República Islâmica do Irão e as suas frequentes ameaças de desencadear um ataque contra o seu território e as suas eventuais instalações de produção de engenhos nucleares, foram fortemente abaladas com a realização deste exercício e com a formalização desta forte aliança, sendo considerado que a diplomacia americana falhou no seu propósito de isolar internacionalmente o Irão, tal como falhara na tentativa de controlar a guerra na Síria. Porém, o que não deixa de ser preocupante para a paz no mundo é a forma como todos os grandes interesses se posicionam no Médio Oriente e no Golfo.

domingo, 22 de dezembro de 2019

A calamidade dos incêndios na Austrália

A edição de hoje do jornal The Sunday Telegraph que se publica em Sydney dedica a sua primeira página aos incêndios de enorme dimensão que estão a acontecer na Austrália. Embora os incêndios florestais sempre tenham feito parte da história australiana, verifica-se que nos últimos anos se tornaram mais frequentes e mais devastadores e, naturalmente, a situação australiana é mais um exemplo dos efeitos impressionantes do aquecimento global do nosso planeta.
Os piores incêndios que já ocorreram na Austrália verificaram-se em 2009 no estado de Victoria, mas os que actualmente alastram por todo o território australiano, em especial na costa oriental e nos estados da Nova Gales do Sul e de Queensland, estão em vias de bater todas as marcas históricas. De facto, a actual vaga de incêndios florestais começou em meados de Novembro, muito antes da temporada australiana de incêndios que tem início em Dezembro e se estende até Março, tendo já queimado um milhão de hectares de floresta, o que faz aumentar as preocupações das autoridades e da população australiana. Os arredores da cidade de Sydney estão sob ameaça e têm sido invadidos por intensos fumos que, de resto, já atravessaram o oceano Pacífico e chegaram à Argentina a cerca de 12 mil quilómetros de distância!
A passada quarta-feira, dia 18 de Dezembro, entrou para a história australiana como o dia mais quente de sempre, com as temperaturas máximas médias a atingir os 41,9 graus. No dia anterior, a cidade de Nullarbor foi o local onde se registou a mais elevada temperatura que atingiu 49,9 graus, quando a temperatura máxima média do país foi de 40,9 graus.
O jornal The Sunday Telegraph veicula as apreensões das populações australianas em tempo de Natal.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

O Donald acusado e a América a tremer


Pela terceira vez em 243 anos da história dos Estados Unidos a sua Câmara dos Representantes acusou formalmente o Presidente com vista à sua destituição do cargo, ao aprovar ontem dois artigos de destituição, um por “abuso do poder” e outro por “obstrução à justiça”. O primeiro artigo de destituição era relativo ao abuso de poder e teve o voto favorável de 230 e a desaprovação de 197 deputados da Câmara dos Representantes, enquanto o segundo artigo que era relativo à obstrução à justiça, teve 229 votos favoráveis e 198 votos desfavoráveis. 
Os grandes jornais americanos encheram as suas primeiras páginas com a frase Trump impeached e o processo segue agora para o Senado que tem competência exclusiva sobre o assunto e avaliará se o Presidente dos Estados Unidos deve ou não ser demitido do seu cargo, isto é, fará o julgamento de Donald Trump. O Senado é presidido pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça e é composto por uma centena de senadores que actuam como jurados, mas é necessária uma maioria de dois terços dos senadores (67 em 100) para que as suas decisões sejam efectivas. Porém, a maioria republicana do Senado irá certamente rejeitar a acusação e “salvará” Donald Trump.
O processo nasceu da eterna luta entre Republicanos e Democratas, sobretudo quando se aproximam as eleições presidenciais de 2020, a que se juntou o particular comportamento populista e mentiroso de Donald Trump, mas o pretexto mais próximo foi a campanha de pressão montada sobre o presidente da Ucrânia, na qual Trump é acusado de pressionar ou “exigir” que fosse anunciada a abertura de investigações contra os Democratas americanos e em especial contra Joe Biden, que é um dos possíveis adversários de Trump nas eleições de 2020.
Naturalmente, pouco se pode esperar deste julgamento, mas o facto é que a reduzida credibilidade do Donald tem feito tremer o prestígio das instituições democráticas americanas.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O negócio da droga e os narcosubmarinos

A Marinha de Guerra do Perú capturou no passado sábado, pela primeira vez na sua história, um narcosubmarino com cerca de duas toneladas de cocaína que tinha como destino os Estados Unidos, enquanto há duas semanas tinha sido capturado na Galiza um outro narcosubmarino com três toneladas de cocaína. Duas capturas em tão curto espaço de tempo, colocaram essas máquinas na agenda mediática internacional.
O Perú é o segundo maior produtor mundial de cocaína, estimando-se uma produção anual de 400 toneladas em 50 mil explorações ilícitas, pelo que a recente captura veio revelar a utilização de narcosubmarinos de uma forma mais intensa do que a opinião pública pensava. O jornal El Comércio, que se publica em Lima, destacou a fotografia do narcosubmarino apreendido e uma extensa reportagem com o historial da utilização dos narcosubmarinos pelos traficantes. Segundo essa reportagem, o primeiro semisubmersível foi descoberto em 1993 na ilha colombiana de Providencia e era muito rudimentar, tendo sido apenas em 2011 que as autoridades colombianas capturaram o primeiro verdadeiro narcosubmarino, com cerca de 30 metros de comprimento, possibilidade de transportar quatro tripulantes e com sistema de ar condicionado e cozinha. Porém, oito anos depois, as recentes capturas nas costas peruanas do Pacífico e nas costas espanholas depois da longa travessia do Atlântico, mostram que houve uma grande evolução tecnológica nos narcosubmarinos. Segundo a reportagem, os narcosubmarinos são construídos nas selvas do Surinam e da Guiana, custam 1,5 milhões de dólares cada um e servem apenas para uma viagem, enquanto os seus tripulantes recebem um curso rápido antes de realizar qualquer missão. Calcula-se que cerca de 50% da produção mundial de cocaína é transportada por via marítima e que os traficantes apostam cada vez mais nos narcosubmarinos como o método de transporte mais efectivo das suas cargas.