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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O fim da guerra e o futuro da Síria

Depois de alguns meses em que a imprensa internacional esteve calada e não falou da Síria, apareceu agora a revista The Economist com um artigo a reconhecer a vitória de Bashar al-Assad e do seu regime, embora considere que se tratou de uma vitória oca. De resto, o título do artigo está em linha com a fotografia de Assad sobre um monte de destroços, que é elucidativa quanto aos resultados da guerra, isto é, que Assad ganhou mas que o país ficou destroçado.
Quando no ano de 2011 Assad decidiu resistir à primavera árabe que chegara às suas fronteiras, enfrentou as ameaças e até alguns bombardeamentos ocidentais, tendo pedido ajuda à Rússia e ao Irão. Depois de oito anos de violência, de milhões de refugiados e de meio milhão de mortos, parece que só a província de Idlib ainda resiste. “Contra todas as probabilidades, o monstro venceu”, escreveu o anónimo autor do artigo da revista, deixando no ar a ideia de que era um artigo encomendado.
Começa agora a pensar-se no futuro. A Síria está destruída, enquanto a pobreza, a corrupção e as desigualdades sociais são enormes. O que resta do país corre o risco de colapsar. Aproximam-se tempos ainda mais difíceis para os sírios porque o país não tem dinheiro, nem quadros, nem mão-de-obra para a reconstrução. A Rússia e o Irão são credores de uma enorme dívida da Síria e, certamente, esperam vir a ser pagos com juros. Diz The Economist que “para os sírios, a vitória de Assad foi uma catástrofe”, mas acrescenta que os seus “adversários estão exaustos”.
Outro dos grandes problemas sírios são os refugiados que saíram do país, fugindo destes e daqueles, mas que agora não querem regressar da Jordânia, do Líbano ou da Turquia, onde não são desejados porque consomem recursos, ocupam empregos e geram agitação social.
Lamentavelmente, o artigo não contribui para o desanuviamento nem para a reconciliação nacional, atacando Bashar al-Assad como se ele e os seus aliados fossem os maus desta fita, enquanto os seus adversários, locais ou internacionais, fossem uns bonzinhos e que as suas bombas eram inofensivas, o que não é verdade. E, para mostrar o seu alinhamento ideológico, o artigo diz que “os sírios sofreram terrivelmente. Com a vitória de Assad, a miséria deles continuará”. O artigo não engana, revela muito radicalismo e mostra aquilo a que se chama um mau perder. Só pode ser publicidade paga.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A crise em Hong Kong continua sem saída

Desde o passado mês de Junho – já passaram 11 semanas – que têm acontecido grandes manifestações na Região Administrativa Especial de Hong Kong da República Popular da China (RPC) em protesto contra a intenção do governo da ex-colónia britânica para levar por diante um projecto de lei que prevê a possibilidade de extradição para a RPC de pessoas acusadas de crimes contra essa mesma RPC. 
Enquanto as autoridades de Hong Kong defendem que a lei se destina a assegurar a segurança interna do seu território, os manifestantes temem que a lei proposta seja a cobertura para que a lei chinesa tenha cada vez mais aplicação em Hong Kong e constitua uma efectiva restrição às liberdades públicas no seu território.
Os protestos de rua têm sido contínuos e os confrontos entre a polícia e os manifestantes têm sido muito violentos, com a polícia a recorrer à utilização de gás lacrimogéneo e os manifestantes a provocar tumultos e muita destruição, de que têm resultado muitos feridos e algumas detenções. Entre outras acções de afrontamento das autoridades, os manifestantes forçaram a entrada no Parlamento e ocuparam o aeroporto internacional de Hong Kong.
A senhora Carrie Lam, que é a chefe do governo de Hong Kong, já anunciou a sua decisão de suspender o projecto de lei e alertou para a gravidade da situação que se está a viver em Hong Kong, mas as manifestações continuam e, na sua última edição, The Economist pergunta: “Como é que isto vai acabar?”
Há muita gente que teme uma intervenção militar chinesa, que poderá acontecer a pedido do governo local em caso de necessidade da manutenção da ordem pública ou de auxílio em caso de catástrofes, isto é, quer na China quer no mundo, muitos temem a repetição de uma intervenção musculada semelhante ao massacre de Tiananmen, que aconteceu em Junho de 1989 em Pequim.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Donald dificulta soluções na Venezuela

Os Estados Unidos, e em especial a administração Trump, continuam apostados em lutar contra a Venezuela e o chavismo, porque não querem que mais um regime político de tipo cubano se instale na América do Sul.
A campanha contra Nicolás Maduro e o seu regime tem revestido diversas formas, embrulhadas em eventuais golpes de estado, ajuda humanitária, carência de medicamentos, crises no meio militar e outras formas sensacionalistas de sensibilizar a comunidade internacional que, de facto, não sabemos se são apenas acções de propaganda. Porém, daquilo que vamos sabendo, quer as Forças Armadas, quer o aparelho judiciário continuam ao lado de Maduro, enquanto o auto-proclamado presidente Guaidó não consegue ir mais além de ter sido recebido pelo Donald e não arrisca uma viagem à Europa que certamente não lhe correria da mesma maneira.
Apesar de todas as contradições do processo político venezuelano, desde Maio que têm decorrido negociações mediadas pela Noruega, Uruguai e União Europeia, entre o governo de Nicolás Maduro e representantes de Juan Guaidó.  As últimas rondas de negociações têm decorrido em Barbados, embora os americanos insistam que essas negociações devem ter apenas um ponto: o afastamento de Maduro. Nada como esta exigência mostra a efectiva ingerência dos Estados Unidos na vida venezuelana e como a oposição de Guaidó, infelizmente para os venezuelanos, não passa de um instrumento da política externa americana. Agora, a administração Trump foi mais longe e impôs sanções económicas totais contra a Venezuela, sendo a primeira vez que esta medida foi tomada nos últimos 30 anos. Parece-me que foram longe demais e só vieram complicar a situação na Venezuela. Nicolás Maduro, porque terá um sentido de dignidade bolivariana que outros não têm, abandonou a negociações com a oposição, conforme revela hoje o diário 2001 de Caracas. Podia esperar-se outra coisa?

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

As armas de fogo e o choro da América

Nas últimas horas a América tremeu devido à violenta ocorrência de dois tiroteios e, na sua edição de hoje, o jornal Houston Chronicle escolheu como título a frase “uma nação chora”.
Aconteceu um tiroteio na manhã do passado sábado num centro comercial em El Paso, no Texas, de que resultaram 20 pessoas mortas e mais de duas dezenas de feridos; cerca de 13 horas depois, num bar em Dayton, no Ohio, aconteceu um outro tiroteio de que resultaram 9 mortos e mais 27 feridos. Perante estes dois casos, ambos resultantes do racismo branco e do seu radicalismo de ódio e violência, a imprensa americana não só relatou a dor que afectou a sociedade americana, mas também reagiu contra a facilidade com que é possível aos americanos possuir armas de fogo em sua casa e, de vez em quando, utilizá-las na rua. Porém, o assunto é muito antigo e não parece que o lóbi da National Riffle Association abdique das suas posições liberais nesta matéria e que os americanos venham a ser limitados na sua liberdade de compra de armas de fogo.
O facto é que as estatísticas mostram que todos os dias morrem 85 pessoas vitimadas por armas de fogo e que, com os dois casos ocorridos do passado fim-de-semana e quando se está no 216º dia do ano, segundo a Gun Violence Archive já estão contabilizados 251 tiroteios, em cada um dos quais morreram “pelo menos quatro pessoas excluindo o atirador”. Muitos políticos exigem leis mais rigorosas para a posse de armas e acusam Donald Trump de estar a alimentar tensões raciais, designadamente com o seu declarado ódio aos hispânicos, responsabilizando-o pelo que aconteceu em El Paso e em Dayton.  
Depois de cada massacre a América fica chocada com as tragédias e chora, mas nada tem feito para combater esta realidade que faz do país mais poderoso do mundo, também um dos mais perigosos países do planeta.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Já começou a corrida à Casa Branca 2020

No dia 3 de Novembro de 2020, isto é, daqui a 15 meses, vai realizar-se a 59ª eleição presidencial nos Estados Unidos e os eleitores americanos irão escolher o seu novo presidente através de um colégio eleitoral, isto é, de forma indirecta. Até lá, num processo deveras complexo, realizar-se-ão as eleições primárias em cada um dos 50 estados americanos nas quais são escolhidos os delegados à convenção de cada um dos partidos políticos que, por sua vez, escolhe o seu candidato presidencial. É um processo demorado e desgastante, que requer avultados recursos financeiros e uma grande coragem para enfrentar todas as insinuações e acusações pessoais que, através dos media, vão desabar sobre cada um dos candidatos. Essa é a tradição americana, mas enquanto na década de 1940 prevalecia a teoria dos efeitos limitados dos mass media sobre os eleitores, enunciada por Paul Lazersfeld, actualmente essa influência, em especial devido aos mass media digitais, está muito mais sofisticada e mais eficiente. De resto, o director de uma estação televisiva portuguesa de nome Emídio Rangel, já em 1997 tinha afirmado que com 50% de audiência podia vender tudo, desde sabonetes ao Presidente da República. E tinha razão. O poder da caixa que mudou o mundo era devastador.
Portanto, a corrida presidencial americana não vai ser uma corrida de ideias ou de projectos mas, sobretudo, uma corrida de imagens veiculadas pelos mass media e por quem os controla.
Neste momento perfilam-se os primeiros candidatos à Casa Branca. Pelo Partido Republicano apresenta-se Donald Trump que procura a sua reeleição e que, aparentemente, não tem competidores... a não ser que surja qualquer imprevisto. Pelo Partido Democrático há cerca de duas dezenas de candidatos e de pré-candidatos que iniciaram uma longa caminhada, conforme hoje relata o Washington Post. Os candidatos terão de participar em muitos debates e de garantir apoios medidos por sondagens e, no fim, para enfrentar Donald Trump, o mais provável escolhido parece ser Joe Biden, ou Bernie Sanders ou Elizabeth Warren. Logo se vê.

terça-feira, 23 de julho de 2019

As missões lunares e o combate à pobreza

A Índia lançou com sucesso uma missão lunar com o foguete GSLV Mark III a partir da plataforma de lançamento do Centro Espacial de Satish Dhawan, instalado em Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh, no sul da Índia. Trata-se de uma missão não tripulada que é o mais ambicioso projecto da agência espacial indiana, que foi baptizada como Chandrayaan-2 e que tem como objectivo uma alunagem para fins científicos na região do polo sul da Lua. Trata-se da segunda missão indiana de exploração lunar, uma vez que a missão Chandrayaan-1 realizada em Novembro de 2008 já colocara um engenho na órbita lunar.
Narendra Modi, o primeiro-ministro da Índia, felicitou os quase mil cientistas envolvidos no projecto e congratulou-se por ter sido “fully indigenous”, isto é, ter sido realizado sem intervenção estrangeira. A agência espacial indiana espera agora que a aeronave pouse sobre a superfície lunar dentro de 48 dias, depois de percorrer os 384 mil quilómetros que separam a Terra da Lua. Se tiver sucesso, a Índia será o quarto país a desembarcar na Lua, depois da Rússia, dos Estados Unidos e da China.
Este acontecimento que, naturalmente, teve grande repercussão mediática na Índia, demonstra o elevado nível de desenvolvimento científico e tecnológico do país, mas também revela a sua ambição geoestratégica para se afirmar em relação aos seus vizinhos e rivais, sobretudo a China e o Paquistão, e para se assumir como a potência regional do oceano Índico.
Porém, o enorme investimento indiano nas tecnologias espaciais, suscita fortes críticas internas e internacionais porque esta utilização de recursos poderia ser canalizada para o combate à pobreza, que na Índia afecta muitos milhões de pessoas. A famosa opção entre “canhões ou manteiga”, expressa pelo economista Paul Samuelson quanto ao desenvolvimento económico, tem na Índia uma semelhança ou uma analogia entre “missões lunares” ou “redução da pobreza”.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Nova Iorque está sob uma onda de calor

No passado fim-de-semana a cidade de Nova Iorque, tantas vezes coberta de neve no Inverno, esteve sob uma invulgar onda de calor e a sofrer os efeitos das alterações climáticas. O jornal New York Post anunciou a temperatura de 110ºF (43,3ºC), informando que o sábado foi o dia mais quente do ano desde 2011. Por outro lado, o Daily News destacava que a cidade estava a derreter e que o mercúrio dos termómetros passava para além dos 100ºF (37,7ºC), tendo recorrido a uma frase popular para caracterizar o desespero dos nova-iorquinos - “sun of a bitch” – que em português popularucho poderá ser traduzido, entre outras traduções menos suaves, por “um calor do caraças”.
Na realidade, uma onde de calor muito severo está a assolar o centro e a costa Leste dos Estados Unidos e os termómetros têm registado temperaturas superiores a 40ºC, enquanto as autoridades de Nova Iorque, Boston, Filadélfia, Baltimore e Washington já decretaram o estado de emergência nas respectivas cidades. Muitos eventos programados foram cancelados e as populações estão a ser avisadas quanto às precauções que devem tomar.
Espera-se que o Donald esteja na costa Leste e que, apesar de estar ao abrigo e no conforto do ar condicionado, fique mais sensibilizado para reconsiderar e mudar de posição em relação aos acordos de Paris de 2015 sobre a redução da emissão de gases de estufa, a fim de travar o aquecimento global que afecta todo o planeta, como agora se vê numa das regiões mais prósperas do mundo.
Em Junho de 2017 o Donald decidiu retirar-se dos acordos de Paris, mas pode ser que agora apanhe uma caloraça das grandes e mude de ideias sob a pressão dos seus concidadãos, o que de resto aconteceu no Brasil onde a intenção declarada do Jair de abandonar os acordos de Paris foi contrariada pelos brasileiros. Oxalá!

domingo, 14 de julho de 2019

A Turquia e a NATO: um grande problema

A Turquia começou a receber as primeiras componentes do sistema de defesa aéreo russo S-400, que foram transportados a bordo de três aviões Antonov-124 para a base aérea turca de Murted. Estima-se que a operação fique concluída no fim do Verão, quando estiverem instalados os 120 mísseis que compõem o sistema.
A compra deste moderníssimo sistema pelos turcos deixou a NATO muito inquieta, ou mesmo em sobressalto, porque a Turquia é o mais antigo dos membros não fundadores da organização e é considerada, desde 1952, como o pilar sueste da Aliança atlântica, além de possuir o segundo exército mais numeroso de entre todos os membros da NATO. Porém, desde que os islamitas chegaram ao poder em 2002 e, sobretudo actualmente, com a presidência de Recep Erdogan, os turcos tornaram-se críticos de muitas posições da NATO e dos Estados Unidos, nomeadamente no Afeganistão, na Síria, na Líbia e no apoio aos curdos.
A aproximação russo-turca começou depois da tentativa de golpe de estado turco de Julho de 2016, quando a Turquia e a Rússia ainda eram adversários no conflito sírio, mas segundo o jornal Le Monde há muitas coisas em comum entre “o novo czar” e o “novo sultão”, pelo que o entendimento entre ambos parece ser natural. Entretanto, a administração americana deu um prazo à Turquia para renunciar a esta aquisição, sob pena de severas sanções económicas, incluindo o cancelamento do programa de construção de aviões F-35, que prevê a participação de empresas turcas.
Ao receber as primeiras componentes do sistema S-400, a Turquia assume a sua escolha geoestratégica e enfrenta as orientações estratégicas da NATO. Porém, os estatutos da NATO não prevêem a possibilidade de exclusão de um estado-membro, nem mesmo de o suspender, mas a purga feita nas Forças Armadas turcas pelo regime de Erdogan a pretexto no seu envolvimento no golpe de 2016, já vinha marginalizando a Turquia.
É um problema novo e sem precedentes na história da NATO. Como diz o Le Monde “jouer sur les deux tableaux ne sera pas longtemps possible”.

sábado, 13 de julho de 2019

A Bolívia escolhe parcerias com a Rússia

A Bolívia é um país encravado no centro-oeste da América do Sul que tem 1098 mil km2 de superfície e pouco mais de dez milhões de habitantes de uma população multiétnica em que cerca de 15% é de origem europeia.
O país é independente desde 1825, faz fronteira com o Brasil, com o Perú, com o Paraguai e com o Chile e é atravessado pela cordilheira andina. Não tem saída para o mar, embora em 1953 o Chile lhe tenha concedido um porto livre em Arica, com direitos alfandegários especiais e extensos espaços para instalação de armazéns.
O país afirma-se constitucionalmente como o Estado Plurinacional da Bolívia e é uma república presidencialista unitária. Em finais de 2005 as eleições presidenciais foram ganhas por Evo Morales, um líder sindical dos cocaleros ou produtores de coca, tornando-se no primeiro presidente boliviano de origem indígena. Desde então, o presidente Evo Morales ganhou todas as eleições a que se submeteu. É um presidente polémico que frequentemente usa roupas tradicionais bolivianas e que tem enfrentado os Estados Unidos com a sua política de nacionalizações e de reforma agrária. Amigo de Fidel Castro, de Lula da Silva, de Néstor Kirchner e, sobretudo, de Hugo Chavez, o presidente Evo Morales reforçou agora a sua aliança estratégica com a Rússia através de sete acordos, conforme noticiou o diário La Razón. A Bolívia possui a terceira maior bacia de gás natural da América do Sul e essa circunstância não deixou os russos indiferentes. Assim, no recente encontro que Evo Morales e Vladimir Putin tiveram em Moscovo, entre outros acordos, foi acordado o reforço do investimento russo na Bolívia através da Acron e da Gazprom, as duas grandes empresas russas de gás natural e de serviços petrolíferos. Como ponto dominante dos acordos foi salientado que, a partir de 2023 e durante 20 anos, a Bolívia fornecerá 2,2 milhões de metros cúbicos por dia à Acron.
Embora não estejamos em tempo de guerra fria, parece que o descalabro do fim da União Soviética já lá vai e que o orgulho e a influência russa reapareceram, por exemplo na Síria, na Turquia, na Venezuela e agora na Bolívia. A promessa do Donald de fazer a America great again parece que vai ficando adiada.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

As guerras americanas não valem a pena

O Pew Research Center, um think tank localizado em Washington, decidiu estudar o sentimento dos americanos relativamente às políticas militares da administração Trump e à participação americana nos conflitos militares no Médio Oriente, em especial no Iraque, no Afeganistão e na Síria. Esse estudo baseou-se num inquérito em que participaram quase 1300 veteranos de guerra e cerca de 1100 americanos comuns representativos da opinião pública e os seus resultados foram revelados na edição de hoje do diário USA Today  
Os resultados foram surpreendentes e mostraram que 57% dos veteranos de guerra apoiam as políticas militares de Donald Trump, mas que a mesma percentagem de 57% dos americanos adultos não aprovam a liderança militar de Donald Trump. No caso dos veteranos de guerra, que são uma faixa populacional com grande influência social nos Estados Unidos, os resultados ainda foram mais inesperados porque a maioria dos veteranos acredita que as guerras no Iraque (64%), no Afeganistão (58%) e o envolvimento militar na Síria (55%) “não valeram a pena”, segundo verificou o inquérito do Pew. Embora esta pesquisa tivesse sido efectuada antes da mais recente crise com o Irão, ela vem agora reforçar a relutância ou a hesitação que Donald Trump mostrou quanto ao uso da força militar contra o regime iraniano, isto é, no desenvolvimento das acções militares não basta ter boas capacidades operacionais e logísticas, alguns porta-aviões, modernos aviões Lockheed Martin F-22 Raptor e muitos Tomahawks, mas é necessária uma vontade nacional de suporte à decisão política. Nesse aspecto, parece que os Estados Unidos estão divididos entre intervencionismo e não intervencionismo, ou entre “canhões ou manteiga”, segundo a expressão criada por Paul Samuelson para caracterizar as principais alternativas para utilização de recursos escassos. Porém, em tempo de pré-campanha presidencial, o que manda mesmo são as posições da opinião pública que as sondagens vão revelando.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

A festa da unidade nacional americana

Hoje é o Dia da Independência dos Estados Unidos, em que se comemora o 4 de Julho de 1776, o histórico dia em que os representantes das treze colónias americanas declararam a sua separação do Império Britânico e aprovaram a Declaração de Independência.
O 4 de Julho é também o dia nacional dos Estados Unidos e é um momento único de unidade para os americanos, que acompanham os desfiles militares e paramilitares que se realizam por todo o país, nos quais são exaltados os seus valores patrióticos e simbólicos. As associações culturais e profissionais participam activamente nas comemorações e mobilizam os seus associados. As famílias aderem à grande festa nacional e convivem em animados churrascos e piqueniques, esquecendo por um dia as suas preferências políticas e o apoio que dão aos democratas ou aos republicanos.
Embora os principais factores que tornam os Estados Unidos no país mais poderoso do mundo se encontrem na economia, no desenvolvimento tecnológico e no seu potencial militar, é considerado que o simbolismo transmitido pelo The Fourth of July reforça o sentimento de unidade e de coesão nacionais dos americanos de todas as origens geográficas ou étnicas.
O jornal New York Post dedicou a capa da sua edição de hoje ao The Fourth of July, associando-se dessa forma à grande festa americana da unidade nacional. Provavelmente, em nenhum outro país do mundo o seu dia nacional é celebrado de forma tão entusiástica.
 

segunda-feira, 1 de julho de 2019

O marketing para a reeleição do Donald

A imprensa mundial de referência destaca nas suas edições de hoje o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un que ocorreu na zona desmilitarizada entre as duas Coreias. Foi a terceira vez que os dois líderes se encontraram e, desta vez, o Donald até cruzou a fronteira e tornou-se o primeiro presidente americano a entrar na Coreia do Norte. Antes, os dois presidentes tinham-se encontrado em Singapura (Junho de 2018) e em Hanói (Fevereiro de 2019), sendo o tema dominante das conversas o programa nuclear norte-coreano que se vem arrastando sem solução, apesar das declarações de ambas as partes expressarem vontade para resolver o problema e para assegurar estabilidade na península coreana.
A iniciativa pertenceu ao Donald que, em viagem para a Coreia do Sul, convidou o Kim para um “aperto a mão” na zona desmilitarizada entre as duas Coreias. O encontro durou 50 minutos e permitiu muitas fotografías, parecendo que os dois líderes decidiram retomar as conversações que estavam num impasse desde o passado mês de Fevereiro, embora o Donald tenha declarado que as actuais sanções americanas à Coreia do Norte eram para continuar.
Evidentemente que o encontro entre o Donald e o Kim, tal como os encontros havidos entre os líderes mundiais no âmbito do G-20, são passos muito importantes para assegurar a estabilidade e a paz no mundo. No entanto, o aspecto mais importante da visita do Donald à fronteira coreana parece ter sido a fotografia. Com eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2020, a fotografia do Donald a entrar em solo norte-coreano ao lado do Kim, vai ser um poderoso instrumento do seu marketing eleitoral.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

O enorme embaraço de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro, o presidente da República Federativa do Brasil, ia participar pela primeira vez na reunião do G20, o grupo de que junta os líderes das maiores economias do mundo que se irão encontrar em Osaka nos próximos dois dias.
Acontece que uma parte da sua comitiva constituída por 21 militares que dão apoio ao presidente, viajou por antecipação, tendo o avião da Força Aérea do Brasil feito uma escala em Sevilha. Nessa escala e no decorrer de um controlo alfandegário de rotina, as autoridades espanholas detiveram um militar que servia como comissário de bordo e que transportava 39 quilos de cocaína, que estava dividida em pacotes colocados na sua bagagem de mão. O caso deixou toda a gente perplexa por ter sido possível que alguém ousasse transportar tanta cocaína num avião oficial e até o presidente Jair Bolsonaro, que ao ser eleito prometeu combater o crime e as drogas como nunca antes no país, ficou naturalmente muito embaraçado, até porque se assumia como um defensor dos militares, que considera como uma espécie de reserva moral da nação brasileira. A imprensa internacional relatou o insólito caso e, no Brasil, diversos jornais como O Dia, que se publica no Rio de Janeiro, deram grande destaque a esta notícia que constitui um grande embaraço para o Brasil e para o seu presidente.
Entretanto, o presidente em exercício já lamentou o sucedido e afirmou que o militar actuou como “mula qualificada” de alguém, enquanto o avião presidencial que se previa também fizesse uma escala em Sevilha, alterou os seus planos e desviou a sua rota para Lisboa onde utilizou a base aérea de Figo Maduro. O que não há dúvidas é que o Brasil, ou uma parte do Brasil, parece atravessar uma séria crise de valores éticos e morais. Como escreveu a jornalista Alexandra Lucas Coelho "nunca antes na história do país a vergonha do Brasil foi tão mundial".

sábado, 22 de junho de 2019

Na Venezuela está tudo como dantes

A Venezuela parece continuar no impasse em que caíu no passado mês de Janeiro quando Juan Guaidó se auto-proclamou presidente interino do país. São poucas as notícias que chegam do país e a leitura da imprensa venezuelana, uma parte favorável a Guaidó e outra parte favorável a Nicolás Maduro, não nos dá informações suficientes. Parece, portanto, que está tudo como dantes, isto é, que há duas venezuelas e que fracassaram as cinco vezes que a oposição liderada por Guaidó anunciou “a ofensiva final” contra o regime de Maduro, provavelmente porque a oposição não é melhor que o regime chavista.
Foi neste quadro que Michelle Bachelet, a ex-presidente da República do Chile e antiga activista contra a ditadura de Pinochet, que desde Setembro de 2018 exerce as funções de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos por escolha de António Guterres, visitou a Venezuela durante três dias, em que se reuniu com o governo e com a oposição. Segundo foi anunciado, Bachelet falou com toda a gente, ouviu relatos de violação dos direitos humanos por parte dos corpos policiais venezuelanos e outras queixas sobre a situação social no país.
Nicolás Maduro disse que vai levar a sério as recomendações de Bachelet que, entretanto, salientou que a situação humanitária do país se deteriorou de forma extraordinária, pediu a libertação de cerca de 687 pessoas detidas por razões políticas e criticou a repressão aos opositores do regime. No fim, Michelle Bachelet ouviu elogios de todos os seus interlocutores e, até aqueles que a acusaram de um silêncio cúmplice para com o governo de Maduro, a elogiaram. Naturalmente, ela pediu ao governo e à oposição para se empenharem num diálogo e numa resolução negociada das suas diferenças. Toda a imprensa venezuelana, designadamente o diário 2001 de Caracas, destacou a visita de Michelle Bachelet, tendo publicado a sua fotografia com Maduro e com Guaidó. Parece que, pelo menos a imprensa, ainda é livre na Venezuela.

A crise do Golfo e o uso de PlayStations

Na passada quinta-feira os Guardas da Revolução Iraniana anunciaram ter abatido um drone ou avião não-tripulado da Marinha americana que, alegadamente, violava o seu espaço aéreo na área do estreito de Ormuz. Em tempo de grande tensão entre os Estados Unidos e o Irão, este incidente deu origem a mútuas acusações, a ameaças, à convocatória do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a muitas declarações dos líderes mundiais pedindo contenção às partes.
O drone de modelo RQ-4C Triton foi fabricado pela Northrop Grumman, tem o aspecto de um pequeno avião com 14 metros e meio de comprimento, pode voar durante 24 horas a altitudes superiores a 16 mil metros e tem um alcance operacional de 8200 milhas. Cada uma destas unidades custa mais de cem mil dólares. Como retaliação, o presidente Donald Trump declarou que a acção iraniana foi um erro e terá aprovado um ataque ao Irão, mas à última hora cancelou a sua decisão porque entendeu que os 150 mortos previstos nesse ataque eram desproporcionados em relação ao abate do drone, mas também porque os líderes do Congresso lhe pediram cautelas. O Irão não se ficou e veio declarar que também detectou um avião tripulado americano em violação do seu espaço aéreo mas que poupou a vida aos seus 35 ocupantes, isto é, os Estados Unidos não quiseram matar 150 iranianos e o Irão não quis matar 35 americanos.
O assunto é sério e é evidente que nestas coisas entram demasiadas variáveis e que muitas delas são fabricadas e mentirosas, mas cada vez mais parece que os conflitos bélicos do nosso tempo tendem a ser resolvidos com PlayStations, em que os computadores de uns lutam com os computadores dos outros. O jornal Khaleej Times, que se publica no Dubai, foi um dos poucos jornais mundiais que deram destaque de primeira página ao abate do drone americano, provelmente porque a sua base era nos Emirados Árabes Unidos.

domingo, 16 de junho de 2019

A complexa via autonómica de Hong Kong

O regresso da colónia britânica de Hong Kong à República Popular da China aconteceu em 1997 mas, apesar do seu estatuto de região administrativa especial, têm sido evidentes as dificuldades de integração do território na China continental e a prova disso são os protestos mais ou menos violentos que vão acontecendo. Por via do acordo de regresso à mãe-pátria e, tal como acontece com Macau, o território de Hong Kong desfruta de um alto grau de autonomia, excepto em matérias de Defesa e Negócios Estrangeiros, podendo utilizar algumas regras e liberdades que não são autorizadas na China continental.
A ilha de Hong Kong foi cedida aos britânicos depois da 1ª Guerra do Ópio (1839-1842) e, mais tarde, a Grã-Bretanha alugou por 99 anos uma parte do território continental designada por Novos Territórios. Uma tão longa permanência e o grande desenvolvimento económico da colónia fez com que a maioria dos seus 7 milhões de residentes, embora de etnia chinesa, não se sintam chineses, mas sobretudo Hong Kongers. Daí resulta uma contínua reacção às políticas centralistas e de maior aproximação a Pequim, acontecendo que algumas das medidas tomadas provocam reacções, como aconteceu com a recente aprovação da lei que permitirá a extradição de Hong Kongers para a China, um tema tratado na última edição de The Economist.
E o que fazem os Hong Kongers? Para além de um aumento do sentimento anti-continente chinês e de já haver quem peça a independência do território que os britânicos geriram durante cerca de 150 anos, há muitos milhares que protestam, que bloqueiam estradas e que cercam os edifícios governamentais, enquanto a polícia utiliza gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar as multidões. O confronto entre Pequim e Hong Kong vai, naturalmente, continuar.

Há novos actores no teatro do Golfo

Os Estados Unidos e o Irão não têm relações diplomáticas entre si e, desde 1979, quando o regime monárquico do xá Reza Pahlevi foi derrubado pela revolução iraniana liderada pelo ayatollah Khomeini, que existe uma tensão permanente entre os dois países. Aparentemente, nem os americanos gostam dos iranianos, nem os iranianos gostam dos americanos. As causas dessa tensão são muito diversas, sobretudo as causas políticas relacionadas com a revolução iraniana e as causas económicas relacionadas com o domínio do petróleo do Golfo, mas todas se agravaram quando os americanos souberam que o Irão estava a desenvolver armas nucleares.
Assim, em 2015 foi assinado o Joint Comprehensive Plan of Action (JCPOA), um acordo destinado a limitar o programa nuclear iraniano a troco do levantamento parcial das sanções económicas impostas pelos Estados Unidos e pelos seus aliados europeus, mas Donald Trump considerou-o “o pior negócio do mundo” e abandonou-o em 2018. Desde então, sucedem-se os episódios que têm contribuído para aumentar a tensão na região do Golfo, o mais recente dos quais foram os ataques a um petroleiro norueguês e a um petroleiro japonês. Os Estados Unidos acusaram imediatamente o Irão por esses ataques, mas as Nações Unidas, o Japão, a Rússia e outros países querem provas mais definitivas do envolvimento iraniano. Os americanos afirmaram que esses ataques exigiram um nível de especialização só possível por parte do Irão, mas os japoneses rejeitam esse argumento que, segundo eles, também se aplicaria aos Estados Unidos e a Israel.
O facto é que ontem o jornal Shargh Daily, que é editado em Teerão na língua persa, publicou uma expressiva fotografia de Hassan Rouhani, junto de Vladimir Putin e de Xi Jinping, mostrando que o Irão tem aliados poderosos e que o domínio e a influência americanas na região já não são o que foram.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A subida da tensão na região do Golfo

Dois petroleiros foram atacados no golfo de Omã, perto do estreito de Ormuz, mas embora estas acçõess ainda não tenham sido reivindicadas por qualquer país ou organização, os Estados Unidos já acusaram o Irão pela sua realização, suspeitando-se da colocação de minas no casco de um navio e de um ataque com um torpedo noutro caso. Um dos navios está em chamas e foi abandonado pelos seus tripulantes, aparecendo a sua fotografia nas primeiras páginas da imprensa internacional.
Estes ataques representam uma ameaça à paz e segurança internacional, constituindo uma agressão flagrante à liberdade de navegação e uma escalada da tensão na região do golfo Pérsico, especialmente entre os Estados Unidos e o Irão.
O secretário-geral das Nações Unidas reclamou que se apurem os factos e que depois se identifiquem os responsáveis, ao mesmo tempo que o Conselho de Segurança se vai reunir hoje de emergência para analisar o caso e a situação no golfo Pérsico. A região do Golfo e a conjuntura são demasiado sensíveis, pelo que é necessária muita contenção para que este caso não se transforme num pretexto para uma escalada na confrontação entre os Estados Unidos e o Irão que se vem desenhando desde há algum tempo. No entanto, o Irão já declarou não estar envolvido nestes ataques e alertou para que não se caia na armadilha preparada por quem lucra com a instabilidade na região.

terça-feira, 11 de junho de 2019

No Reino Unido é só navegação à vista

Foram dez os candidatos que ontem formalizaram a sua entrada na corrida à liderança do Partido Conservador britânico e que são potenciais sucessores de Theresa May como primeiros-ministros do Reino Unido, os quais vão ser submetidos a várias rondas de votação até ser encontrado um vencedor. O processo que se vai seguir até à nomeação do novo presidente de um partido que foi fundado em 1834, vai ser muito longo e vai manter em sobressalto os portugueses que vivem no Reino Unido e os britânicos que vivem em Portugal, sobretudo porque o Brexit vai continuar no centro do debate político. A primeira votação vai acontecer no próximo dia 13 de Junho e apenas os candidatos que tenham o apoio de oito deputados poderão continuar na corrida. No dia 18 de Junho haverá nova votação e, no final, ficarão apenas dois candidatos, sendo então escolhido o novo presidente do partido, provavelmente no dia 22 de Julho.
Com tantas rondas de votações, os votos vão circular entre os diferentes candidatos ao sabor das conveniências pessoais de quem vai votar e o Reino Unido vai continuar à deriva e a fazer navegação à vista como hoje titula o jornal francês La Croix.
Boris Johnson, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros parece ser o favorito nesta corrida, mas Jeremy Hunt, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, bem como o ministro do Ambiente, Michael Gove, também têm boas hipóteses. O facto é que as expectativas quanto ao Brexit são demasiado baixas e poucos acreditam que uma nova liderança do partido possa encontrar soluções. Já foi perdido muito tempo e a confiança do povo nos deputados já acabou. Assim, num quadro de grandes dúvidas entre sair ou não sair da União Europeia, ou de sair com ou sem acordo, os britânicos ficam agora dependentes das negociatas entre os deputados do Partido Conservador.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Índia: ganha Modi, aumenta preocupação

Depois de um processo que se estendeu por 43 dias, com votações nos 29 estados e nos sete union territories indianos, o apuramento dos resultados das eleições para os 542 assentos do Lok Sabha, ou Parlamento indiano, ficou concluído ontem. Narendra Modi, o actual primeiro-ministro indiano, assegurou um novo mandato de cinco anos e continuará no seu posto.
A vitória de Modi e do Bharatiya Janata Party (BJP), ou Partido do Povo Indiano, foi muito expressiva pois conseguiu 303 assentos e, contando com os seus aliados, contará com o apoio de 352 deputados (65%), como destaca hoje o Hindustan Times. É uma vitória esmagadora, mas que é preocupante para alguns sectores da sociedade indiana porque o BJP é, sobretudo, um partido nacionalista hindu e conservador, que defende uma Índia orientada pelo hinduísmo e que, nalgumas regiões do país, tende a perseguir muçulmanos e católicos, embora também se venha declarando como defensor do secularismo, na linha preconizada pelo Mahatma Gandhi.
Os grandes derrotados das eleições indianas foram Rahul Gandhi e o Indian National Congress, que apenas conquistou 52 assentos. Rahul falhou e nem o seu carisma familiar o salvou: bisneto de Nehru, neto de Indira e filho de Rajiv – todos primeiros-ministros da Índia – o facto é que Rahul nem sequer conseguiu eleger-se deputado pelo Uttar Pradesh, o estado que é o feudo tradicional da sua família. 
A Índia atravessa uma fase de grande progresso tecnológico e já é a potência regional que domina o oceano Índico, mas é uma sociedade complexa nas suas estruturas sociais, na existência de uma economia dualista e na persistência de uma enorme pobreza. Porém, o que certamente vai preocupar os indianos nos tempos que aí vêm será o extremismo hindu que o BJP apoia, através de milícias ultraconservadoras como são o RSS - Rashtrya Swayamsevak Sangh (União Nacional de Voluntários) ou a Hindu Yuva Vahini (Força Jovem Hindu). Muçulmanos e católicos, sobretudo no norte da Índia, têm muitas razões de preocupação, a não ser que a vitória e a poder reforçado de Narendra Modi, bem como a pressão internacional, o empurrem para a moderação e para o secularismo religioso.