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sábado, 22 de fevereiro de 2020

A integração portuguesa no Luxemburgo


Na sua edição de hoje o jornal luxemburguês Le Quotidien dedica um caderno especial aos portugueses que vivem no Luxemburgo que, segundo as estatísticas, são cerca de 80 mil e constituem cerca de 16% do total da população a viver no grão-ducado.
O jornal não permite o acesso aos seus textos sem que o interessado pague, o que é uma limitação para quem não esteja disposto ou não possa ir por esse caminho. Porém, deixa algumas frases como por exemplo “l’image de l’ouvrier reste trop ancrée” ou “des barrières restent à lever”, o que significa que a integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa ainda padece dos mesmos estereótipos que, durante muitos anos, afectaram os emigrantes portugueses em França e que só agora começam a atenuar-se através de uma segunda geração que absorveu o modo de vida francês, se integrou na sociedade e hoje está presente na política, na economia e na cultura francesa.
O facto é que todos os emigrantes quando deixam o seu país levam consigo os hábitos, a cultura e o modo de vida que tinham no seu país de origem e, no país de acolhimento, tendem a aceitar os trabalhos mais modestos, o que lhes traça uma imagem percebida pela população local, sobretudo como operários da construção ou como pessoal dos serviços domésticos. Paralelamente, os emigrantes criam o seu próprio mundo, com os seus cafés, restaurantes, padarias, minimercados e empresas, mas também com as suas associações, clubes sociais, equipas de futebol e grupos folclóricos. Só muitos anos depois, com o aparecimento de uma segunda geração que já domina a língua e tem outro envolvimento com a comunidade local, é que a situação se altera.
A emigração portuguesa para o Luxemburgo foi mais tardia do que a que se dirigiu para França e, por isso, também essa integração tarda. No entanto, a associação L’Amitié Portugal-Luxembourg (Amitié.lu) já leva 50 anos de actividades no sentido da plena integração dos portugueses na sociedade luxemburguesa e, segundo refere o jornal, tem tido uma actividade muito meritória.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

A Sagres partiu. Que a viagem seja feliz!

No passado domingo, dia 5 de Janeiro, o navio-escola Sagres largou de Lisboa para a sua quarta viagem de circum-navegação que se prevê demorar 371 dias e que está associada às comemorações do 5º Centenário da Viagem de Fernão de Magalhães.
O navio tem uma guarnição permanente de 142 tripulantes, a que se juntarão em diferentes fases da viagem os cadetes do 2º e 3º anos da Escola Naval para cumprirem as suas curriculares viagens de instrução e, durante a longa viagem, o navio visitará 22 portos em 19 países, percorrendo cerca de 41 mil milhas.
A viagem cumpre diversos objectivos, quase numa lógica de economias de escala, pois associa-se às comemorações do feito histórico de Magalhães e Elcano, marca presença em alguns espaços simbólicos da diáspora portuguesa, divulga a imagem de Portugal nos países visitados e assegura a instrução dos cadetes da Escola Naval. Embora seja muito repetida a afirmação de que o navio-escola Sagres é uma grande embaixada de Portugal ou um ex-libris do nosso país, por ser verdadeira e exacta, tem que ser aqui reafirmada. Serão, como sempre, muitos milhares de visitantes que serão recebidos a bordo do navio português e as suas fotografias correrão mundo através das redes sociais e da imprensa. É, por isso, uma grande jornada de promoção de Portugal no mundo.
Como nota dissonante deste importante evento deve ser salientado que nenhum jornal português destacou a notícia da largada do navio-escola Sagres, ao menos com uma fotografia de primeira página, o que mostra a gritante mediocridade da generalidade da nossa imprensa. Se a partida para uma volta ao mundo tão simbólica não é notícia, então também se espera que, quando o Presidente da República visitar o navio, eventualmente no Japão, não convide para a sua comitiva os jornais e os jornalistas que ignoraram a partida do navio-escola Sagres e escolheram o jogo Sporting-Porto ou a falta de pediatras em Torres Vedras como notícias do dia. A viagem vai ser dura, mas vai ser muito gratificante. Que seja uma viagem feliz!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

A morna : de Cabo Verde para o mundo

Depois de em 2009 ter visto o centro histórico da cidade da Ribeira Grande, conhecido como Cidade Velha, ser classificado pela Unesco como património da Humanidade, a República de Cabo Verde viu agora aprovada a candidatura da morna a património cultural imaterial da Humanidade.
A morna é um género musical típico e é considerada a música-rainha de Cabo Verde, sendo uma mistura de estilos musicais com fortes raízes africanas e com influências da modinha luso-brasileira. É geralmente acompanhada por viola, cavaquinho, violino e piano, mas o instrumento clássico da morna é o violão, introduzido em Cabo Verde no século XIX.
Segundo um texto divulgado pela comissão de candidatura, a morna é uma canção melancólica “interpretada em crioulo cabo-verdiano por uma voz solista, homem ou mulher, apesar de existirem mornas apenas instrumentais, versando temas lírico-passionais e sendo muito vinculada ao sentimento do amor, ao sofrimento, à saudade, à ternura, à tristeza, à ironia e à boa ou má sorte do destino individual”.
Durante muitos anos a morna esteve confinada ao arquipélago de Cabo Verde e era pouco conhecida no exterior, até que surgiu Cesárea Évora que internacionalizou a morna cabo-verdiana. Por isso, o semanário Expresso das Ilhas ilustrou a primeira página da sua última edição com a fotografia de Cesárea, a rainha da morna que faleceu em 2011. Para quem ouviu a morna ser cantada no Mindelo há mais de cinquenta anos e depois viu Cesárea Évora actuar em Lisboa algumas vezes, a sua classificação pela Unesco é um motivo de grande satisfação e de aplauso.

sábado, 13 de julho de 2019

Guterres solidário com Moçambique

No passado mês de Março o ciclone tropical Idai atingiu a região centro de Moçambique e em especial as províncias da Zambézia, Sofala, Manica, Tete e Inhambane e, no mês seguinte, o ciclone tropical Henneth assolou o norte do território nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. Foram os ciclones tropicais mais intensos e mais devastadores que atingiram Moçambique desde que há registos e os seus efeitos foram trágicos, contabilizando-se em algumas centenas de mortes, cerca de dois milhões de desalojados ou de pessoas a necessitar de ajuda humanitária e avultados prejuízos materiais cuja reconstrução está orçamentada em cerca de 3 mil milhões de euros.
Nesta emergência nacional, o país teve a solidariedade internacional e, nos últimos dias, o apoio solidário do secretário-Geral das Nações Unidas que visitou Moçambique durante três dias para ver pessoalmente as consequências da passagem daqueles ciclones, tendo nessa oportunidade tido encontros com o presidente Filipe Nyusi e com vários membros do governo moçambicano.
António Guterres foi eloquente e claro, pedindo mais apoio internacional para a reconstrução de Moçambique e salientando que as ajudas até agora anunciadas são insuficientes pois faltam ainda cerca de 2 mil milhões de dólares para completar o orçamento. Numa intervenção feita na cidade da Beira, António Guterres frisou que a resposta da comunidade internacional “deve corresponder à coragem e determinação com que o povo moçambicano enfrentou a força das duas calamidades naturais”. Disse Guterres que “Moçambique praticamente não contribui para o aquecimento global, mas que está na primeira linha das vítimas desse mesmo aquecimento global. Isso dá-lhe o direito de exigir da comunidade internacional uma forte solidariedade e um forte apoio quer na resposta aos dramas criados pelas tempestades que assolam o país, quer na preparação e reconstrução do país para as situações futuras”.
O diário Moçambicano O País publicou a fotografia do encontro entre António Guterres e Filipe Nyusi, destacando a frase “Moçambique tem autoridade moral para exigir mais”.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Portugal e Moçambique: relações fortes

Na minha já distante juventude uma visita de um chefe de Estado estrangeiro a Portugal era um grande acontecimento e eu lembro-me das visitas da Rainha Isabel II da Grã-Bretanha (1957) e do Presidente Eisenhower dos Estados Unidos (1960), entre outras visitas presidenciais feitas a Portugal nesse tempo. A televisão que acabara de aparecer no nosso país mostrava imagens dos banquetes oficiais e dos desfiles militares, enquanto os jornais e as estações radiofónicas dedicavam grandes reportagens ao acontecimento. O povo saía à rua para ver passar a caravana oficial, para apreciar as vistosas guardas de honra e para aplaudir o dignitário, ao mesmo tempo que as crianças das escolas eram alinhadas nas bermas dos percursos para agitar bandeiras.
Depois, com o surgimento de uma nova ordem internacional marcada pelo progresso económico e tecnológico, pela interdependência regional, pelo desanuviamento e pelo interesse mútuo, as relações entre os Estados intensificaram-se e as visitas presidenciais tornaram-se uma rotina e passaram a ter, quase sempre, objectivos de natureza económica. Porque essas visitas se tornaram uma rotina na vida das nações e, por vezes, duram poucas horas, quase deixaram de ser notícia.
Porém, a visita oficial a Portugal ontem iniciada por Filipe Nyusi, o Presidente da República de Moçambique, tem características especiais e é uma notícia importante, destacada hoje no jornal moçambicano O País. Moçambique e Portugal falam a mesma língua e partilharam um passado histórico comum, com altos e baixos como todos os relacionamentos, mas seguramente que não há na Europa um país tão moçambicano como Portugal, enquanto na costa oriental africana não há país tão português como Moçambique. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

A justa consagração de Chico Buarque

Chico Buarque de Hollanda foi o vencedor do Prémio Camões 2019. Fico contente!
O Prémio Camões constitui o mais prestigioso prémio da literatura de língua portuguesa e foi tão grande a justiça da escolha que as felicitações ao premiado surgiram por toda a parte, reconhecendo o seu talento e o seu contributo para a difusão da língua portuguesa, como músico, poeta, romancista e autor teatral. O jornal Público destacou essa boa notícia em primeira página.
Chico Buarque é um dos brasileiros de maior notoriedade artística e uma referência da cultura brasileira em Portugal. Nascido no Rio de Janeiro e com 74 anos de idade, ele é um dos mais inspirados autores da música popular brasileira e na sua obra literária e musical contam-se centenas de canções, dezenas de discos, algumas peças teatrais e vários romances. Não é fácil escolher exemplos do seu talento e da sua criatividade artística, mas talvez se possam distinguir os romances Budapeste e Leite Derramado, que venceram o Prémio Jabuti como livro do ano, ou a inspirada Ópera do Malandro ou, ainda, a peça Morte e vida severina, que musicou. Porém, serão os textos das suas canções, desde a Construção e a Minha história, que o tornaram mais conhecido no Brasil e em Portugal. Crítico da ditadura militar brasileira chegou a auto-exilar-se em Itália. 
A sua homenagem ao 25 de Abril e à revolução dos cravos com a canção Fado Tropical e, em especial, com a canção Tanto Mar, perduram em Portugal como algumas das suas mais inspiradas criações que celebraram a reconquista da Liberdade e da Democracia em Portugal.

Sei que estás em festa, pá. Fico contente!
E enquanto estou ausente, guarda um cravo para mim.

Eu queria estar na festa, pá. Com a tua gente.
E colher pessoalmente, uma flor no teu jardim.
 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Sobre um futuro mais promissor da CPLP

A propósito da comemoração do seu 39º aniversário, a última edição do Jornal de Letras dedica um alargado espaço à CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), uma organização internacional criada no dia 17 de Julho de 1996 que integra os países lusófonos. O seu principal objectivo é o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre os seus membros e, como o seu nome indica, a língua portuguesa é o elemento essencial dessa comunidade que visa congregar afectos e interesses.
Jorge Carlos Fonseca, o Presidente da República de Cabo Verde e que actualmente preside à CPLP, assina nessa edição um texto muito optimista sobre as perspectivas de evolução da organização e da língua portuguesa.
Porém, apesar de levar mais de vinte anos de vida, a CPLP ainda não conseguiu afirmar-se internacionalmente, sobretudo no que respeita ao reconhecimento do português como língua de trabalho nas Nações Unidas e em outras organizações internacionais. Por outro lado, também a cooperação entre os diversos membros da CPLP, que é um ponto importante dos seus estatutos, tem estado muito abaixo do que é desejável.
Com os traumas de um passado colonial e em alguns casos de guerra cada vez mais distantes, o futuro da CPLP é agora mais promissor, pois começam a ser melhor compreendidas as vantagens de uma cooperação que pode beneficiar os seus povos. A recepção feita recentemente em Angola ao Presidente da República Portuguesa ou a pronta solidariedade portuguesa para com a tragédia que passou por Moçambique, são apenas dois exemplos da amizade entre os povos lusófonos e que mostram o potencial de cooperação que está por concretizar. A maré é agora mais favorável do que antes e o Presidente Jorge Carlos Fonseca é um excelente timoneiro para conduzir essa nau que é a CPLP.

domingo, 25 de novembro de 2018

Uma visita de grande sucesso político

A visita oficial de três dias do Presidente João Lourenço a Portugal foi um acontecimento político muito importante para as relações entre Portugal e Angola, pois traduziu-se numa permanente manifestação de cumplicidades e de afectos entre os presidentes de Portugal e de Angola e, por essa via, entre o povo angolano e o povo português.  
Os ares frios e distantes dos tempos do  ex-presidente José Eduardo dos Santos, já fazem parte do passado. João Lourenço veio trazer-nos uma nova Angola e os portugueses perceberam e estão a aplaudir a mudança que está a acontecer no país, que também está a melhorar a sua imagem no mundo. Com a sua coragem, o seu sorriso e o seu discurso, João Lourenço conquistou a simpatia dos portugueses e, tendo aludido à anormalidade de terem decorrido nove anos sem que o chefe de Estado angolano tivesse visitado Portugal, afirmou que “os amigos querem-se juntos”. Nas relações entre Angola e Portugal, não se pode falar apenas em interesses como acontece nas relações internacionais, porque para além dos interesses há afectos, há história, há cultura e há um conhecimento recíproco.
A economia e o investimento estiveram no centro das conversações. Naturalmente. De facto, Portugal e Angola perceberam que precisam ambos do outro e que os seus interesses são compatíveis e complementares. Porém, para lá de uma dúzia de acordos de cooperação que foram assinados, o discurso de João Lourenço não se poupou nas palavras e falou de corrupção, nepotismo, bajulação e impunidade, porque a nova Angola exige uma nova atitude do poder. Disse que quando se propôs combater a corrupção em Angola já sabia que estava a mexer num “ninho de marimbondos”. A metáfora da destruição do ninho de marimbondos agradou aos portugueses e o Jornal de Angola registou-a para a posteridade.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Angola, Portugal e o desejado reencontro

O Presidente da República de Angola está em Portugal para uma visita oficial de três dias a convite de Marcelo Rebelo de Sousa e a primeira coisa a fazer é dar as boas vindas a João Manuel Gonçalves Lourenço. A visita de JLo tem a marca de um reencontro entre irmãos que falam a mesma língua, que estiveram amuados e que é, portanto, muito desejado por angolanos e por portugueses.
Durante estes três dias, o presidente angolano vai encontrar-se com as autoridades portuguesas, estará numa sessão solene na Assembleia da República, viajará para o Porto, participará em seminários de natureza comercial e, sobretudo, vai sentir como são fortes os laços de amizade que os portugueses nutrem por Angola e pelos angolanos.
Portanto, o patamar desta visita vai estar muito acima dos interesses circunstanciais da conjuntura, dos negócios, das trocas comerciais, dos investimentos ou da discussão das dívidas, situando-se num plano verdadeiramente estratégico de contornos políticos e económicos, mas também de forte significado cultural e, naturalmente, de grande conteúdo emocional. Os anos de chumbo que turvaram a relação entre os dois países parece terem sido ultrapassados e agora parecem avizinhar-se anos de ouro no entendimento e na cooperação luso-angolana, como todos desejam por cá e por lá, não só em relação aos negócios e à economia, mas também em relação a outros assuntos desde a educação à saúde, sem marginalizar o intercâmbio cultural, desportivo e científico.
O Presidente de Angola representa o povo angolano e, por isso, traz consigo uma longa história comum entre os dois povos, que nem sempre correu da melhor maneira, mas a História foi o que foi e os seus julgamentos nem sempre são os mais apropriados, sobretudo quando são feitos por quem pensa condicionado pela ideologia do tempo presente. Nos tempos de incerteza em que vive o mundo, Portugal e Angola bem precisam de se entender porque as vantagens desse entendimento são enormes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os dias da Lusofonia decorrem em Macau

Tiveram início em Macau no passado fim-de-semana as iniciativas que integram o programa da 10ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Fórum Macau em coordenação com o Instituto Cultural e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.
Nesse programa, que se desenvolverá até ao dia 4 de Novembro, estão incluídas exposições de pintura, peças de teatro, espectáculos musicais, uma feira artesanato, stands de apresentação dos produtos dos vários países lusófonos e, naturalmente, as habituais iniciativas gastronómicas.
Na sua última edição o jornal Tribuna de Macau dedicou um alargado espaço a esta Semana Cultural e apresentou muitos dos artistas e grupos que vão participar neste evento, onde aparecem representantes de pequenos países como São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste e até um grupo musical da antiga Índia Portuguesa.
Segundo informa aquele jornal, o interesse pela semana lusófona em Macau tem vindo a aumentar, assim como o número de visitantes, não apenas locais mas também turistas, o que constitui um bom incentivo para a organização e contribui para a promoção da cultura de raiz lusófona.
É, portanto, uma iniciativa que devia ter um forte apoio das autoridades portuguesas, não só em Macau, mas também noutras cidades onde há portugueses ou onde há quem goste de Portugal e da sua cultura.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A nova Angola e a cooperação fortalecida

A visita de dois dias que António Costa efectuou a Luanda foi um marco importante no futuro das relações entre Portugal e Angola e fica-se com a convicção de que a partir de agora nada será como dantes.
Escreveu-se que houve um "divórcio temporário" que começou a ser superado em Maio quando se soube que Manuel Vicente ia ser julgado em Angola e não em Portugal. Foi então que começou um novo ciclo das relações entre os dois países e, certamente, os quatro encontros que António Costa manteve com o novo Presidente de Angola no último ano, serviram para solidificar a confiança pessoal e política entre ambos. A viragem diplomática aconteceu e, com ela, renasceu uma cooperação desejada. 
O Jornal de Angola deu um relevo excepcional à visita de António Costa e escreveu que “isto é bom para Angola, tanto quanto para Portugal, sendo igualmente importante reter o facto de a gestão do que as autoridades lusas consideravam como ‘irritante’ ter sido feita sem o agravamento das relações bilaterais”. Se a presidência de João Lourenço era um sinal de mudança para Angola, este reencontro com Portugal e a assinatura de onze acordos de cooperação vieram reforçar o seu poder e abrir as portas a um novo ciclo de que, tanto Angola como Portugal, podem tirar grandes proveitos para as suas economias.
António Costa também deu um passo relevante ao desbloquear em tão pouco tempo uma situação indesejada, porque Angola e Portugal têm demasiadas afinidades e, por isso, a confiança entre ambos é essencial para milhões de angolanos e portugueses. As fotografias dos dois dirigentes que a imprensa divulgou, falam por si.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A canção portuguesa é cantada em Goa

Todos os anos desde 1999, acontece em Goa um concurso-festival da canção portuguesa que adoptou o nome de Vem Cantar e que parece ter cada vez mais adeptos e entusiastas de todas as idades, pois atrai dezenas de participantes, individualmente ou em grupo.
Esses participantes pesquisam por diversas formas as canções portuguesas que mais lhes agradam e fazem as suas escolhas. Depois preparam-se: aprendem as letras, afinam as vozes, fazem-se acompanhar por músicos, ensaiam as suas apresentações e vestem-se a rigor para a grande prova em que, muitas vezes, se comportam como experientes profissionais. As suas apresentações são voluntariamente feitas em português, aprendido em casa ou em algumas escolas, começando invariavelmente pela habitual invocação nestas circunstâncias, isto é, Minhas Senhoras e Meus Senhores...
No princípio o concurso-festival Vem Cantar tinha aspectos de um certo saudosismo lusitano, mas conquistou o seu espaço e é hoje uma iniciativa cultural muito prestigiada e reconhecida na sociedade goesa, sobretudo nos estratos populacionais católicos, mais abertos à cultura ocidental e à herança cultural portuguesa.
Embora o concurso não sirva para promover a aprendizagem ou o uso da lingua portuguesa, serve muito bem para a manter viva e na memória de muitos goeses.
Além disso, é sugestivo e muito interessante ver algumas das apresentações do Vem Cantar que são depois colocadas no you tube...

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Será o fim da Portuguesa de Desportos?

Existe na cidade brasileira de São Paulo um clube de futebol denominado Associação Portuguesa de Desportos, que é vulgarmente conhecida como a Portuguesa ou como a Lusa. O clube nasceu em 1920 como resultado da fusão de cinco sociedades de raiz portuguesa que então existiam na cidade: Luzíadas Futebol Club, Associação 5 de Outubro, Esporte Club Lusitano, Associação Atlética Marquês de Pombal e Portugal Marinhense.
A Portuguesa tornou-se num dos maiores clubes do Estado de São Paulo e nas suas equipas jogaram alguns dos maiores futebolistas brasileiros, tendo vencido o Campeonato Paulista em 1935, 1936 e 1973, chegando a ser vice-campeão nacional em 1996. No futebol feminino, a Portuguesa também marcou posição de destaque, pois triunfou no Campeonato Brasileiro em 1999 e no Campeonato Paulista em 1998, 2000 e 2002.
Porém, nos últimos anos a equipa do Estádio do Canindé foi caindo desportivamente e os adeptos afastaram-se à medida que viam a sua equipa perder competitividade e descer continuamente de divisão. Acabaram as receitas pelas transmissões televisivas, os patrocinadores também se afastaram e as receitas diminuíram drasticamente, pelo que o clube acumulou uma dívida de 350 milhões de reais. Todas as suas receitas estão agora hipotecadas judicialmente e nos últimos cinco anos, seis presidentes tentaram encontrar soluções para a grave crise do clube. Como titula a revista Veja São Paulo, a Portuguesa está em ruínas.
As instalações do Canindé estão a degradar-se rapidamente por falta de manutenção. As quatro piscinas já foram aterradas para dar lugar a um investimento imobiliário e muitas áreas desportivas e sociais do Canindé estão a ser demolidas. Parece ser o fim da Portuguesa e custa assistir ao fim de uma instituição quase centenária com este nome que inspirou milhares de luso-brasileiros e ajudou a matar a saudade à emigração portuguesa da primeira metade do século XX.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Angola e Portugal: um renovado abraço

Depois de alguns tempos de falta de entendimento e até de ameaça de retaliações, parece que as relações entre Portugal e Angola estão a entrar na linha de onde nunca deviam ter saído. O chamado irritante que tanta tinta fez correr, parece estar ultrapassado e tudo se conjuga para que o Presidente João Lourenço visite Portugal, que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa visite Angola, que as trocas comerciais se acentuem e que a cooperação bilateral se intensifique em todos os domínios.
Portugal e Angola não são apenas dois estados soberanos com assento na comunidade internacional, porque existe entre eles um tão vasto conjunto de afinidades culturais e afectivas resultantes de um convívio secular e de uma história comum, naturalmente marcada pelas vicissitudes próprias de qualquer processo histórico. Porém, dessa relação nasceu um património cultural comum assente na língua portuguesa e um conhecimento recíproco que é intenso e singular. Ninguém conhece Angola como os portugueses e os angolanos sabem que estão em casa quando entram em Portugal.
Por vezes ainda surgem lembranças menos felizes do passado colonial, mas essas são as excepções a confirmar a regra de uma recíproca admiração entre portugueses e angolanos.
O Jornal de Angola fala hoje em momento auspicioso. E tem razão. Numa altura de alguma instabilidade política internacional, é uma boa altura para que os dirigentes portugueses e angolanos saibam encontrar o caminho certo do diálogo e da cooperação para benefício das duas nações.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Portugal e Moçambique num novo ciclo

A visita que o primeiro-ministro português está a realizar à República de Moçambique e a que o jornal O País dá hoje um grande destaque, não se enquadra numa vulgar ou protocolar visita de Estado em que se marca presença em alguns locais simbólicos, se depõem coroas de flores, se assinam alguns acordos já antes negociados e se fazem declarações a revelar empatia entre o visitado e o visitante.
A visita de António Costa vai para além do simbolismo da presença do chefe do governo português na III Cimeira Luso-moçambicana, devido às suas ligações emocionais com aquela terra onde em 1929, na antiga cidade de Lourenço Marques, nasceu o seu pai, o escritor Orlando da Costa. De resto, António Costa tem familiares moçambicanos e essa circunstância facilita enormemente o fortalecimento das relações luso-moçambicanas que esta visita consolida.
Durante a visita foram assinados diversos acordos de cooperação, nomeadamente no domínio da segurança social, da administração interna e dos transportes aéreos mas, sobretudo, foram relançadas as relações históricas entre os dois países de língua portuguesa. António Costa foi recebido e conviveu com Filipe Nyusi, o chefe de Estado moçambicano e, das imagens que chegaram até nós, só podemos concluir que se abriram as portas para um novo ciclo de cooperação entre Portugal e Moçambique.

domingo, 10 de junho de 2018

A festa do Dia de Portugal e de Camões

Hoje, dia 10 de Junho, é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, um dia que assinala a morte do poeta Luís de Camões e que também é considerado como o Dia da Língua Portuguesa e como o Dia do Cidadão Nacional e das Forças Armadas. É uma data que se celebra com a presença dos mais altos dignitários nacionais e que inclui cerimónias oficiais, desfiles militares, concertos e entrega de condecorações aos portugueses que mais se distinguiram.
O palco das cerimónias oficiais que antigamente era em Lisboa no Terreiro do Paço, há muito que se tornou itinerante e, desde 1977 que, por escolha do Presidente da República, é designada uma cidade para acolher as comemorações oficiais. Em 2016 Marcelo Rebelo de Sousa teve a ideia de escolher duas cidades, uma no país e outra no estrangeiro, para que as comemorações se estendessem às comunidades portuguesas. Assim, as comemorações tiveram lugar em Lisboa e em Paris e, no ano seguinte, foram escolhidas as cidades do Porto e as cidades brasileiras do Rio de Janeiro e de S. Paulo. Este ano, o Presidente da República escolheu Ponta Delgada e as cidades americanas de Boston, Providence e New Bedford, no estado de Massachusetts, onde as comunidades portuguesas estão profundamente inseridas.
Embora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas não desperte grande interesse popular em Portugal e quase seja ignorado pelos mass media, nas comunidades portuguesas é um grande dia de festa, em que os portugueses afirmam a sua identidade e manifestam o orgulho na sua nacionalidade, na sua língua, na sua bandeira e na suas tradições culturais, através de inúmeras iniciativas. A capa do jornal A Voz de Portugal, que se publica desde 1961 em Montreal, no Quebeque, e que é o mais antigo semanário de língua portuguesa do Canadá, é expressiva do entusiasmo com que o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é festejado no estrangeiro. Mas para perceber isto é preciso viver ou ter vivido longe daqui.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Prémio Camões 2018 foi para Cabo Verde

O escritor cabo-verdiano Germano de Almeida foi galardoado com o Prémio Camões 2018 e o semanário Expresso das Ilhas, que se publica na cidade da Praia, destaca essa notícia na primeira página da sua edição de hoje, homenageando dessa forma o premiado.
O Prémio Camões foi instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil para distinguir os autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. Desde então houve 13 portugueses, 12 brasileiros, 2 angolanos, 2 moçambicanos e 2 cabo-verdianos que receberam aquele prestigiado prémio e, nessa lista de 31 nomes, figuram por exemplo Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, Vergílio Ferreira, Jorge Amado, Mia Couto, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, José Craveirinha, António Lobo Antunes e Manuel Alegre.
Germano de Almeida, o vencedor do Prémio Pessoa 2018, estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e exerce a profissão de advogado na cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente. No campo literário a sua obra é vasta, destacando-se O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, publicado em 1991 e que teve grande êxito internacional. É uma obra que se recomenda vivamente.
Naturalmente, que aqui ficam expressas as minhas felicitações ao autor e a minha congratulação por este prémio ter ido para Cabo Verde, a terra da sôdade, da morna, da coladera e da cachupa.

sábado, 19 de maio de 2018

A festa e a força da língua galega

No dia 17 de Maio de cada ano comemora-se nas principais cidades galegas o aniversário da publicação de Cantares Galegos, a primeira e a mais apreciada obra da escritora e poetisa galega Rosalía de Castro, que nasceu em 1837 e é considerada a fundadora da moderna literatura galega. Em 1963, quando se assinalou o 1º centenário de Cantares Galegos, a Real Academia Galega instituiu essa data como o Dia das Letras Galegas e esse dia rapidamente tornou-se num dia de celebração nacional em torno da língua e da identidade galegas.
A língua galega e a língua portuguesa são irmãs, pois nasceram do galego-português ou galaico-português que foi a língua românica falada durante a Idade Média na Galiza e no norte de Portugal. Depois adaptaram-se para norte e para sul do rio Minho.
Através das fotografias publicadas pela imprensa galega, nomeadamente no diário el Correo Gallego, pode observar-se como o tema mobiliza a população e, em especial, os mais jovens. Assim, sobretudo nas escolas, foram promovidas as mais diversas actividades desportivas, musicais, literárias e artísticas, sempre sob o tema da língua galega.
O Dia das Letras Galegas tem o seu polo dinamizador em Santiago de Compostela e mobiliza milhares de galegos sob o tema “en galego, todos os dias”. Este ano, a cidade portuguesa de Valença associou-se pela primeira vez a esta festa galega e, aproveitando a presença de milhares de galegos que atravessaram o rio Minho, também animou o seu centro histórico com música, provas gastronómicas e venda de artesanato.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Angola e Portugal voltam a conversar

As condições meteorológicas estiveram desfavoráveis com muito vento e com o mar um pouco encrespado, mas o temporal parece que já lá vai e, de acordo com a edição de hoje do Jornal de Angola, está confirmada uma visita oficial a Angola do primeiro-ministro português António Costa, ao mesmo tempo que se anuncia a renovação de um acordo militar entre Portugal e Angola.
Ninguém desconhece que as relações entre os dois países são muito fortes, tanto no plano histórico, como no plano cultural. Esses planos são dois parâmetros essenciais das relações luso-angolanas e os políticos de ambos os lados não podem ignorá-los sob a pressão de assuntos menores ou de interesses conjunturais. Há milhares de angolanos a viver em Portugal e há milhares de portugueses a viver em Angola. Num lado ou no outro, ambos se sentem bem e ambos se sentem em casa. E há, ainda, aqueles portugueses que gostam de Angola e aqueles angolanos que gostam de Portugal.
O encontro do presidente João Lourenço com o primeiro-ministro António Costa pode ser, e espera-se que seja, o recomeço de uma relação sustentada entre os dois países, que vá para além do interesse económico, da afinidade política ou das circunstâncias da conjuntura, mas que seja uma relação cada vez mais fortalecida pela língua comum e pelo intercâmbio cultural intenso e com dois sentidos, por exemplo no desporto, na música e nas artes em geral.
É com natural satisfação que aqui se salienta este reencontro entre os dois países, através do encontro de João Lourenço com António Costa, agora em Luanda e, proximamente, em Lisboa.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Adeus a Dhlakama e paz em Moçambique

As imagens das cerimónias fúnebres de Afonso Dhlakama realizadas na cidade da Beira são, ao mesmo tempo, um sinal de profunda consternação pela morte de um combatente, mas são também uma afirmação de sentimentos democráticos e, ainda, de respeito por um adversário político. Moçambique está de luto porque em democracia, governo e oposição são as duas faces da mesma moeda.
O desaparecimento de Dhlakama é uma grande perda para Moçambique, porque se tratava de um homem empenhado na paz e na democracia, que soube lutar com coerência pelos seus ideais e que por eles preferiu o desconforto da serra da Gorongosa, ao conforto dos salões ou das avenidas ajardinadas de Maputo.
O governo moçambicano homenageou o seu maior adversário político com merecidas honras de Estado e o discurso do presidente Filipe Nyusi soube enaltecer o homem com quem discutiu a paz e a reconciliação nacional, mas o que mais se salientou nas cerimónias fúnebres terá sido a grande manifestação popular que uniu milhares de moçambicanos neste triste acontecimento.
O jornal O País destacou na sua primeira página essa multidão que disse adeus a Afonso Dhlakama. Agora cumpre aos seus sucessores e aos dirigentes da Frelimo continuar o seu trabalho por uma paz duradoura, pela coesão nacional e pelo progresso económico e social, honrando a memória e os contributos do presidente da Renamo.
Viva Moçambique!