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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Portugal e Cabo Verde: relações fortes

Na passada segunda-feira na cidade da Praia realizou-se a IV Cimeira entre Portugal e Cabo Verde, na qual foram discutidos assuntos de interesse comum. As questões financeiras dominaram a Cimeira e estão bem presentes no Programa Estratégico de Cooperação (PEC), que vinha sendo negociado e que foi rubricado entre António Costa e Ulisses Correia da Silva. O jornal Expresso das Ilhas chamou-lhe “A Cimeira dos afectos” porque se multiplicaram as declarações de amizade produzidas por ambas as partes e dedicou a sua primeira página ao acontecimento.
À margem da Cimeira, o Primeiro-Ministro português foi recebido pelo Presidente da República Jorge Carlos Fonseca, inaugurou a Escola Portuguesa na cidade da Praia e contactou com a comunidade portuguesa.
Embora esta Cimeira pareça ser mais uma acção de rotina da diplomacia portuguesa, o facto é que serviu para lembrar às duas partes que "a relação entre Portugal e Cabo Verde é única, se funda na afectividade e na concretização de objectivos comuns", como declarou o primeiro-ministro português. Na realidade, se no campo da Lusofonia existem evidentes elos de afectividade que a História e a Língua criaram entre os vários países, esses elos são porventura mais fortes entre os portugueses e os caboverdianos, até porque não haverá português que não aprecie as mornas e a cachupa, nem caboverdiano que não seja do Benfica ou do Sporting. 

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um prémio como pretexto de luta política

O Prémio Camões é considerado a mais importante distinção que premeia um autor de língua portuguesa. Foi criado em 1988 por acordo entre os governos de Portugal e do Brasil, sendo anualmente atribuído a autores que, pelo conjunto da sua obra, tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Entre os escritores galardoados figuram os nomes de Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, José Craveirinha, Vergílio Ferreira, Rachel Queiroz, Jorge Amado, José Saramago, Sophia de Melo Breyner, Pepetela e Mia Couto.
Em 2016 o júri do prémio escolheu o escritor brasileiro de origem libanesa Raduan Nassar. Ontem no Museu Lasar Segall em S. Paulo, realizou-se a cerimónia da entrega do Prémio Camões, na presença do Ministro da Cultura brasileiro Roberto Freire e do Embaixador de Portugal, um acontecimento cultural que a edição de hoje da Folha de S. Paulo destaca na sua primeira página com uma fotografia a quatro colunas.
Aconteceu que durante a cerimónia Raduan Nassar não fez o habitual discurso de agradecimento próprio destas circunstâncias, mas aproveitou para fazer um contundente ataque ao governo de Michel Temer que acusou de golpista e repressor, ao mesmo tempo que fez o elogio de Dilma Rousseff pela sua integridade.
O Ministro Roberto Freire reagiu com dureza e disse que Raduan deveria renunciar ao prémio de 100 mil euros, mas durante a sua intervenção foi intensamente vaiado pela assistência, o que revela alguma insatisfação pelos rumos da política brasileira. Porém, o que aqui nos interessa sublinhar é que um evento que deveria ser de natureza cultural se transformou num acontecimento de luta política.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Goa recebeu António Costa em apoteose

Quando há poucos dias visitamos Goa, pudemos apreciar como ainda estavam presentes as emoções de muitos goeses que se referiam à visita do Primeiro-Ministro António Costa como um acontecimento que só gerara sentimentos de entusiasmo semelhantes, quando da visita privada do General Vassalo e Silva em 1980 e da visita oficial do Presidente Mário Soares em 1992. De facto, quando nos dias 11 e 12 de Janeiro visitou oficialmente a terra de origem do seu pai, António Costa foi recebido como um filho da terra e como o primeiro chefe de governo europeu de origem goesa, mas também soube cativar o entusiasmo popular quando afirmou sentir-se orgulhoso das suas origens e revelar que o pai o tratava por Babush, uma palavra que em concanim significa menino.  
Os goeses gostaram de António Costa que soube impor-se pela sua simpatia.
A edição de Fevereiro da revista Goa Today dedicou-lhe a sua primeira página, que inclui cinco artigos distribuídos por nove páginas e publica doze fotografias  do Primeiro-Ministro português. Nunca tinha sido dado tanto espaço editorial a Portugal ou aos portugueses. São textos muito laudatórios e que não são nada habituais na imprensa goesa, pois ainda há alguns receios pela afirmação de sentimentos de portugalidade, em consequência dos traumáticos acontecimentos de 1961. Se as visitas do navio-escola Sagres ainda mobilizaram o protesto de uma dúzia de activistas da Goa, Daman & Diu Freedom Fighters Association, o facto é que António Costa os calou. Contudo, se nada de substantivo for feito imediatamente para incrementar as relações culturais e outras entre Portugal e Goa, esta visita perder-se-á no tempo e a memória portuguesa continuará a declinar em Goa. António Costa deve ter ficado a saber que ou Portugal investe culturalmente em Goa, ou Goa prosseguirá na sua caminhada para a indianização cultural.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Capital Ibero-Americana da Cultura 2017

Até ao dia 22 de Dezembro, a cidade de Lisboa será a Capital Ibero-Americana da Cultura, com uma programação que inclui mais de 150 actividades, nas quais participarão centenas de artistas e produtores nacionais e ibero-americanos. É a segunda vez que Lisboa foi escolhida pela União das Capitais Ibero-Americanas (UCCI) como Capital Ibero- Americana da Cultura, pois em 1994 já acumulara essa distinção com a sua escolha como Capital Europeia da Cultura.
Passado e Presente — Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura é uma iniciativa da UCCI e da Câmara Municipal de Lisboa, que conta com a participação, colaboração e apoio de dezenas de outras instituições, associações e equipamentos privados. A programação é extensa e diversificada, nela se incluindo exposições e concertos, peças de teatro, visitas guiadas, residências artísticas, exibição de filmes, colóquios, workshops, um festival de arte urbana, espetáculos de dança, entre outras actividades. Peruanos e argentinos, colombianos e chilenos, brasileiros e mexicanos, para além de portugueses e espanhóis, terão em Lisboa um espaço de afirmação cultural.
É, também, uma excelente oportunidade para que os países ibero-americanos, compreensivelmente mais virados para Madrid e Barcelona, possam colocar Lisboa nos seus roteiros europeus. Da mesma forma, é ainda uma oportunidade para mostrar que num mundo em recomposição de interesses e de áreas de influência, pode haver espaço para a crescente afirmação do potencial estratégico do ibero-americanismo, até porque as línguas ibéricas juntas são,  depois do chinês, as mais faladas do mundo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Angola afirma-se como potência regional

 
Em Maio de 2014 realizou-se o primeiro recenseamento geral da população de Angola depois da independência e foi apurado que a população do país era de quase 26 milhões de habitantes, concentrados sobretudo nas províncias de Luanda (27%), Huila (10%), Benguela (10%) e Huambo (10%), enquanto a menos populosa das províncias angolanas era o Bengo (1%).
O recenseamento revelou que a população se repartia entre 48% de homens e 52% de mulheres e que, depois do português, as línguas nacionais mais faladas eram o umbundu (23%), o quicongo (10%) e o quimbundo (8%). Entretanto o Instituto Nacional de Estatística de Angola veio agora actualizar os dados sobre a população residente e anunciou que já são 28 milhões o número de angolanos, notícia que o jornal O País hoje divulgou.
Significa que, para além da sua extensão territorial e da abundância dos seus recursos naturais, a República Popular de Angola possui um enorme capital que é a sua população de 28 milhões de pessoas, que é uma população jovem e que tem taxas de crescimento demográfico sustentáveis. Assim, as autoridades democráticas de Angola têm as condições para prosseguir o desenvolvimento económico e social do país porque, como dizem os tratados de Economia, não lhe faltam os dois principais factores de produção, isto é, o trabalho e o capital, embora aqui tomados num sentido abstracto e sem atender à sua qualidade e natureza. Angola é, de facto e cada vez mais, uma potência regional no Atlântico Sul.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Portugal está de regresso a Goa

António Costa, o Primeiro-Ministro de Portugal, chegou ontem a Goa para uma visita de dois dias, tendo sido recebido no Aeroporto de Dabolim por Francisco D’Souza, o Deputy Chief Minister do Governo de Goa, enquanto a edição desta manhã do diário Heralda voz de Goa desde 1900 - voltou a ter um título em português ao destacar uma mensagem de boas vindas:
“Bem vindo Sua Excelência, Goa vos saúda”.
A visita de António Costa à Índia insere-se no capítulo normal das relações diplomáticas de Portugal com a comunidade internacional, por razões de conveniência mútua. Porém, esta visita a Goa tem uma componente afectiva muito mais intensa, não só por razões familiares do próprio Primeiro-Ministro, mas também porque Goa é um espaço geográfico e cultural onde as raízes lusófonas são muito profundas. Por razões históricas recentes, a separação entre Goa e Portugal concretizada em 1961 foi traumática e a relação entre ambos os Estados esteve suspensa. Depois de 1974 essa relação foi retomada pela mão de Mário Soares e, desde então, tem sido feito um grande esforço por diversas instituições públicas e privadas para intensificar a ligação cultural entre Portugal e Goa.
Talvez seja a altura de António Costa agradecer aos goeses que têm mantido viva a herança cultural portuguesa - e alguns já partiram sem o devido reconhecimento do Estado Português - e trabalhar consequentemente por um amplo acordo cultural que, sem equívocos, reconheça o legado cultural português em Goa e permita a sua preservação através do ensino da língua portuguesa, da preservação da toponímia, da cooperação científica e económica, de uma presença regular nos mass media e, de uma forma geral, de uma intervenção cultural activa e prestigiante no espaço público. Foi isso que em 1947 os ingleses garantiram em toda a Índia,  que os franceses fizeram em 1954 em Pondicherry e foi isso que os portugueses não puderam fazer em 1961, mas que deveriam agora procurar fazer em Goa.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

O português é uma língua em ascensão

O diário Hoy é o principal jornal da Extremadura espanhola e tem edições simultâneas nas cidades de Badajoz e Cáceres.
Hoje, ambas as edições destacam o ataque terrorista que aconteceu na noite da passagem do ano numa discoteca de Istambul, mas também incluem um anúncio na sua primeira página que chama a atenção dos portugueses, pois reproduz a bandeira nacional.
O anúncio promove a venda de um “Curso audiovisual de autoaprendizaje de português” que tem o valor de 103 euros, mas que pode ser comprado nas instalações do jornal por 24,95 euros, isto é, trata-se de uma promoção com um desconto de 78,05 euros que representa uma poupança de 76%. Nesta altura, segundo o jornal, “ya lo tienen 5”.
O anúncio convida os leitores a aprender português de forma amena e ao ritmo de cada um, diz que “es el momento de aprender portugués” e acrescenta que “o Curso es compuesto por todo el material audiovisual, diccionario y casos prácticos que te permitirán defenderte en las destrezas básicas de un idioma en alza: leer, escribir y hablar português”.
Idioma em alza” significa idioma em ascensão ou idioma em alta. De facto, o português é falado por mais de 200 milhões de pessoas e é a 6ª língua mais falada no mundo, depois do mandarim, do espanhol, do inglês, do híndi e do árabe. Qualquer dia, quando uma proposta feita em 2008 pelos países da CPLP vingar, há-de tornar-se a 7ª língua oficial das Nações Unidas.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Corrupção é coisa que não falta no mundo

A Transparency International é uma organização ou movimento que luta contra a corrupção à escala mundial e que tem o seu secretariado em Berlim. Dispõe de uma rede de observadores em mais de uma centena de países, o que lhe permite conhecer as diferentes formas de corrupção que proliferam no mundo, “desde as mais pobres aldeias rurais da India até aos corredores do poder em Bruxelas”. Desde 1995 que a organização publica anualmente o Corruption Perceptions Index (CPI) que, através da ponderação de algumas variáveis, quantifica o nível de corrupção de cada país. Porém, este indicador é apenas isso, pelo que deve ser analisado com precaução e apenas com um significado tendencial, pelo menos até que haja outro melhor.
O CPI expressa-se de 0 a 100: um menor valor do CPI significa que o país é mais corrupto, enquanto um maior valor do CPI significa que o país é menos corrupto. O CPI 2015 foi agora publicado e, entre 168 países analisados, verifica-se que Portugal ocupa uma posição melhor do que quinze dos seus parceiros comunitários, incluindo a Espanha, a Itália  e a Grécia, tendo havido alguma melhoria de 2010 para 2015. É animador. Entretanto, o CPI 2015 coloca Angola na 163ª posição do ranking mundial com 15 pontos, tendo piorado desde 2010, quando obtivera 19 pontos. O jornal angolano O País reagiu por Angola ter sido colocada pela Transparency International entre os países mais corruptos do mundo, o que afecta a sua imagem externa.
Entretanto, a análise do CPI 2015 revela que, entre os países da CPLP, o seu posicionamento no ranking da corrupção é o seguinte: Portugal (28º com 63 pontos), Cabo Verde (40º com 55 pontos), São Tomé e Príncipe (66º com 42 pontos), Brasil (76º com 38 pontos), Moçambique (112º com 31 pontos), Timor Leste (123º com 28 pontos), Guiné-Bissau (158º com 17 pontos e Angola (163º com 15 pontos).
Segundo CPI 2015, o país menos corrupto do mundo é a Dinamarca (91 pontos) e o mais corrupto é a Somália (8 pontos).

domingo, 6 de novembro de 2016

A difusão da língua portuguesa no mundo

O título da última edição do jornal Tribuna de Macau é muito interessante e sugestivo ao salientar que a “língua portuguesa atrai centenas para 20 vagas”. De facto, o Programa de Aprendizagem de Tradução e Interpretação de Chinês e Português promovido pelos Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) de Macau atraiu 287 candidatos para 22 vagas e, segundo foi afirmado por alguns responsáveis macaenses, esse interesse resultou de uma campanha pública e de muita discussão sobre a importância do ensino do português. Ao mesmo tempo, outros salientam a provável influência das declarações do Primeiro-Ministro chinês Li Kequiang, que recentemente visitou o território de Macau e que vincou a importância da língua portuguesa no quadro das relações entre a China e os países lusófonos.
O programa tem a duração de dois anos e integra-se no quadro de cooperação em Formação de Tradução e Interpretação das Línguas Chinesa e Portuguesa entre a Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China e a União Europeia, cuja primeira edição decorreu em 2011.
A iniciativa merece aplauso. No entanto, era desejável que a problemática do ensino do português e de outras áreas afins como a tradução, a interpretação ou a tradução simultânea, constituissem uma prioridade do governo português. Essa é a missão do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I. P., e é a tarefa desempenhada por cerca de duas dezenas de Centros Culturais e por cerca de quatro dezenas de Centros de Língua Portuguesa que existem no estrangeiro, mas são necessários mais Centros e, sobretudo, mais professores qualificados. Tem prevalecido o princípio económico que nos diz que as necessidades são ilimitadas mas que os recursos são escassos e, por isso, a difusão e o ensino da língua portuguesa não têm merecido o devido apoio em recursos orçamentais. Num tempo em que se espera que o português venha brevemente a ser uma língua oficial nas Nações Unidas conforme vai ser proposto pela CPLP, pode ser que essa circunstância venha a gerar um maior interesse no apoio orçamental à difusão da nossa língua.

domingo, 11 de setembro de 2016

O novo interesse de Macau pelo português

O governo de Macau, ou com mais rigor, o governo da Região Administrativa Especial de Macau, dirigido desde 2009 por Fernando Chui Sai On, anunciou que a partir do ano lectivo que agora se inicia, a língua portuguesa passa a ser um “projecto com prioridade de apoio”, nos termos enunciados no Plano Quinquenal que agora foi divulgado. Assim, deverá ser definido um número mínimo de horas para a aprendizagem, quer nas escolas particulares, quer no ensino regular, de forma a assegurar rapidamente uma “maior generalização da língua portuguesa”. Nesse sentido, as autoridades de Macau pretendem alargar a cooperação com Portugal e criar condições para que os estudantes macaenses possam prosseguir estudos superiores em Portugal, o que também significa a necessidade de aumentar o número de bolsas especiais do Fundo de Acção Social Escolar para apoiar os estudantes dos cursos de português e de tradução de chinês e português. A notícia é do jornal Tribuna de Macau e, naturalmente, agrada aos defensores da língua portuguesa.
Porém, o apoio à aprendizagem de línguas não se restringe ao português, pois o Plano Quinquenal aponta para que os estudantes macaenses falem quatro línguas e escrevam três – português, inglês e mandarim.
Decorridos quase cinco séculos de contactos e de presença na península de Macau, a língua portuguesa nunca se impôs como língua franca e, como se costuma dizer, “ninguém fala português em Macau”. Pode ser que esta política do governo de Macau melhore uma situação que as autoridades portuguesas que administraram o território até 1999, nunca quiseram ou puderam resolver. 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rio 2016 e as esperanças lusitanas

Os Jogos Olímpicos de 2016, oficialmente designados como Jogos da XXXI Olimpíada, iniciam-se amanhã no Rio de Janeiro com a habitual cerimónia oficial de abertura que se realizará no Estádio do Maracanã. A imprensa internacional, como aconteceu com a TIME, tem dado o devido destaque ao maior acontecimento desportivo do planeta. É a primeira vez que os Jogos Olímpicos se realizam na América do Sul e é, também, a primeira vez que se realizam num país de língua portuguesa, o que tem um especial significado, como já salientou o Presidente da República Portuguesa que se encontra no Rio de Janeiro em visita oficial. 
O grande acontecimento desportivo que é o Rio 2016 decorrerá de 5 a 21 de Agosto, terá provas em 28 modalidades desportivas e espera-se que tenha a participação de cerca de 12.500 atletas de 206 países. As mais numerosas representações virão dos Estados Unidos (555), Brasil (462), Alemanha (412), Austrália (409), França (402), China (379), Grã-Bretanha (364), Rússia (332), Japão (326), Canadá (313) e Espanha (305). O Comité Olímpico Português será representado por 91 atletas, enquanto as representações dos países de língua oficial portuguesa serão de Angola (23), Moçambique (4), Cabo Verde (4), Guiné-Bissau (3), São Tomé e Príncipe (1) e Timor-Leste (1).
O espírito olímpico fundamenta-se nos princípios do barão Pierre du Couvertin que fez renascer os Jogos Olímpicos e centra-se no ideal da participação que é mais importante do que a vitória. Porém, o facto é que o ideal olímpico se tem alterado e adulterado nos anos mais recentes, traduzindo-se cada vez mais numa acesa competição entre os países pela conquista do maior número possível de medalhas. São vários os aspectos dessa luta, mas a crescente participação de atletas profissionais, sobretudo no futebol e no ténis, parece contrariar o espírito olímpico.
Independentemente das circunstâncias indicadas, espera-se da representação portuguesa uma presença e uma participação verdadeiramente olímpicas, embora se desejem bons resultados desportivos e, se possível, algumas medalhas.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A festa do nosso futebol correu mundo

A vitória portuguesa no Euro 2016 foi noticiada na imprensa de todo o mundo, mas também foi festejada um pouco por todo o mundo. Há diversas razões para justificar a enorme alegria popular por esta vitória e uma delas é o facto da selecção nacional de futebol ser um espelho da diáspora portuguesa, da portugalidade ou da cultura lusófona, pois a maioria dos seus jogadores nasceu em Portugal, mas houve alguns que nasceram em França, na Alemanha, no Brasil, em Angola e na Guiné-Bissau, o que confirma a tese de Fernando Pessoa de que a nossa Pátria é a língua portuguesa e não o lugar onde nascemos. Nessas circunstâncias, o mundo lusófono sentiu-se representado nesta selecção e vibrou com esta vitória.
A imprensa, a televisão e as redes sociais mostraram a enorme euforia dos portugueses, dos luso-descendentes e dos seus amigos em muitas regiões do mundo, incluindo países e locais improváveis como o Canadá, mas também em locais tão longínquos como Macau, Dili, Malaca e Goa.
No caso de Goa, onde alguns grupos sociais ou políticos mantém um certo sentimento de desconfiança em relação a Portugal, herdado da forma desastrada como aconteceu o fim da presença portuguesa, ainda se verificam algumas situações de contestação a tudo o que é português, desencadeadas por alguns auto-denominados freedom fighters. Porém, parece que o futebol fez mudar alguma coisa, pois o jornal oHeraldo destacou que a vitória no Euro une Goa e Portugal, tendo publicado uma fotografia da festa portuguesa com a legenda “Viva Portugal”. É um acontecimento jornalístico bem curioso e, provavelmente, é a primeira vez que desde 1961, o nome de Portugal enche a primeira página de um jornal de Goa. 

terça-feira, 12 de julho de 2016

O histórico dia 10 de Julho de 2016

A vitória de ontem no Euro 2016 foi um acontecimento único e memorável para os portugueses, não só pelo resultado desportivo conseguido em Paris contra a selecção anfitriã, mas também por outras razões igualmente muito importantes. De facto, para além das atitudes provocatórias francesas dentro e fora do campo, houve a exibição excepcional de Patrício, a segurança defensiva de todos, a entrada intimidatória que lesionou Ronaldo e a decisiva bomba de Éder, mas também houve outras coisas que vão ficar para a história.
A primeira foi a enorme alegria que foi dada aos portugueses, em especial àqueles que vivendo e trabalhando fora do país, são muitas vezes marginalizados nos países de acolhimento e até segregados pela arrogância da sociedade local. Esta vitória futebolística devolveu-lhes o orgulho nacional, mas também a todos os portugueses, provocando uma manifestação de entusiasmo e alegria como nunca se registara na nossa vida colectiva e que a televisão registou. Se a união em torno desta vitória prevalecer no tempo, teremos muitas outras vitórias no nosso progresso económico e social.
A outra importante razão que vai ficar na história foi a repercussão internacional desta vitória, noticiada nas primeiras páginas de centenas de jornais de todo o mundo, a constituir a maior campanha promocional alguma vez feita a favor do nosso país. Muita dessa imprensa, provavelmente a reagir à insolência e à fanfarronice francesas, são altamente laudatórias quanto ao mérito da selecção portuguesa e da justiça da sua vitória, que deixou os franceses absolutamente atordoados, porque na sua cegueira pensavam que a final eram favas contadas. De entre todas as capas alusivas à vitória portuguesa escolhemos o italiano Corriere dello Sport e o seu sugestivo título: portogallissimo. Foi isso mesmo, portugalíssimo!
O dia 10 de Julho de 2016 vai ficar mesmo na nossa história, não só pelo resultado desportivo, mas sobretudo pelas duas razões aqui apontadas. Porém, a glória desportiva desse dia, ainda foi acrescentada com o 7º lugar nos Europeus de atletismo e com três medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze, para além do 2º lugar do ciclista Rui Costa na etapa-rainha dos Pirinéus do Tour 2016. Ainda haverá burocratas provocadores a falar de sanções aos portugueses, a este nobre povo e a esta nação valente?

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O futebol ressuscita o orgulho nacional

Ontem foi um dia de grande festa para os portugueses espalhados pelo mundo ao verem a sua selecção nacional de futebol atingir a final do Euro 2016, com uma exibição de talento e qualidade. Tinha-se iniciado a segunda parte do jogo das meias-finais com a selecção do País de Gales e pouco passava das 21 horas, quando Cristiano Ronaldo se elevou a 2,88 metros de altura e marcou de cabeça o primeiro golo da partida. Esse momento de grande alegria, mas também de grande capacidade atlética e poder futebolístico do nosso mais famoso jogador, está retratado na capa do diário espanhol Marca, mas também em jornais de muitos outros países. As televisões mostraram repetidamente esse gesto de Cristiano Ronaldo que vai ficar a marcar a presença portuguesa no Euro 2016.
A vitória portuguesa foi reconhecidamente justa e gerou uma onda de euforia não só em Portugal, mas também na generalidade dos países onde vivem portugueses. Através da televisão todos pudemos ver inúmeras cenas de emocionante entusiasmo e de orgulho nacional, ocorridas em cidades tão diferentes como a vizinha Paris ou a distante Dili, onde se cantou A Portuguesa e se agitaram bandeiras verde-rubras. Esse é, porventura, um dos mais importantes resultados da epopeia futebolística que está a decorrer em França. E sendo o futebol um dos palcos onde modernamente se confrontam o poder das nações e as suas rivalidades, o nosso sucesso não só é uma festa para os portugueses, mas é também um soco no estômago daqueles que alguma vez humilharam os portugueses e, em especial, aqueles que a vida obrigou a emigrar. O jogo de ontem não foi apenas uma vitória por 2-0 sobre o País de Gales, nem o acesso à final do Euro 2016, porque também foi um enorme passo a ressuscitar o orgulho nacional de um povo e de uma cultura que a Europa tanto tem marginalizado e, por vezes, humilhado.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Marcelo e Costa dão lição de optimismo

A decisão presidencial de comemorar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em Paris revelou-se muito acertada, na medida em que deu origem a uma sucessão de eventos de grande importância política, não só em relação ao país que é um dos pilares da União Europeia, mas também em relação à coesão cultural dos portugueses que vivem em França.
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa prestaram um serviço notável ao nosso país e puseram François Hollande, Manuel Valls e Anne Hidalgo a falar de Portugal e dos Portugueses, ao mesmo tempo que deram um enorme contributo para melhorar a auto-estima da comunidade portuguesa em França e para lhe devolver um pouco do orgulho nacional perdido. Sem qualquer subserviência ou complexo, como antes acontecera, aqueles dirigentes estiveram à altura da nossa tradição cultural e da nossa dignidade como a mais antiga nação da Europa. Como disse Marcelo, “a França é excepcional, mas nós somos muito melhores”, na linha do que dissera François Hollande ao declarar que “Portugal honra a França”.
Porém, esta decisão presidencial também teve efeitos relevantes no plano interno ao mostrar que é possível partilhar objectivos e estratégias, mesmo quando os responsáveis políticos são oriundos de famílias políticas diferentes, o que se traduz na continuação de um desanuviamento que só pode trazer benefícios ao nosso país em todos os domínios.
O entusiasmo que ferve à volta do Europeu de Futebol e as altas expectativas que rodeiam a participação portuguesa, também contribuiram para gerar esta onda de optimismo em relação à presença dos nossos mais destacados políticos em França. Foi uma oportunidade que não foi perdida. Ninguém ficou indiferente ao nível cultural dos discursos de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa, despidos de economez, de mercados financeiros, de estatísticas e daquele provincianismo tão característico dos políticos que vieram de Massamá ou de Boliqueime. Aqui, mas também por essa Europa fora, bem precisamos de homens como aqueles que têm estado em França..

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Macau: a religião como marca identitária

A edição de ontem do jornal Tribuna de Macau, destaca as cerimónias de Fátima com um fotografia na sua primeira página. O facto merece registo, pois a vertente religiosa é uma das expressões da lusitanidade que se podem encontrar em algumas regiões asiáticas, designadamente na Índia e na Indonésia, mas também em Macau e Timor, onde ainda se reza em português.
No caso da fotografia publicada pelo jornal macaense pode ver-se a procissão e três crianças macaenses que interpretam as figuras dos pastorinhos de Fátima.
Esta manifestação de fé e esta procissão resultam da actividade da Diocese de Macau, que foi criada pelo Papa Gregório XIII em 1576 e que, inicialmente, esteve vinculada ao Padroado Português do Oriente e foi sufragânea da Arquidiocese de Goa, com jurisdição eclesiástica sobre a China, o Japão e ilhas adjacentes, mas que actualmente está na dependência imediata da Santa Sé e abrange apenas o território da Região Administrativa Especial de Macau.
O último bispo de origem portuguesa foi D. Arquimínio Rodrigues da Costa, cujo bispado ocorreu entre 1976 e 1988, mas desde 2016 que o titular da diocese é o bispo chinês D. Stephen Lee Bun-sang.
A Diocese tem cerca de 30 mil católicos de muitas origens culturais, muitos dos quais são devotos e celebraram as aparições de Fátima.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A união dos portugueses do Luxemburgo

Na sua edição de hoje o diário luxemburguês Le Quotidien homenageia a comunidade portuguesa com um título e uma fotografia de primeira página, a propósito da 49ª peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Fatima em Wiltz.
Tous unis autour de Fatima é o título escolhido pelo jornal para noticiar que milhares de portugueses se dirigiram ontem para Wiltz. Aproveitando um dia de sol radioso, os peregrinos montaram as suas tendas à beira das estradas e fizeram os seus piqueniques em que, segundo salienta o jornal, o bacalhau assado foi rei. A cerimónia religiosa realizada no santuário de Wiltz foi presidida por D. António Francisco dos Santos, o Bispo do Porto, tendo-se seguido uma procissão até à capela de Noertrange. Como refere o jornal, foi um dia de festa e de união entre a comunidade portuguesa do Luxemburgo, que não dispensou a sua bandeira nacional como mostram as fotografias publicadas pelo mesmo diário.

sábado, 16 de abril de 2016

A poesia como farol da língua portuguesa

Se é verdade que, ao longo de mais de quatro séculos, a língua portuguesa nunca se impôs em Macau, também é verdade que há muita gente, mesmo depois da transferência da soberania para a República Popular da China, que insiste na defesa do português e não se cansa de ter iniciativas para a sua promoção. É muito louvável. Assim, por iniciativa do Instituto Politécnico de Macau, realizou-se ontem a 11ª edição do Concurso de Declamação de Poesia em português, uma oportunidade para que a comunidade estudantil chinesa celebre e preste homenagem à língua portuguesa.
De acordo com a organização, o evento visa, sobretudo, “estimular o gosto pela língua portuguesa, pelas culturas e literaturas” e promover o intercâmbio e o diálogo entre as instituições de ensino superior da República Popular da China, onde o português é leccionado.
O acontecimento contou com a presença de doze instituições de ensino superior, mais cinco do que era habitual, incluindo oito do interior da República Popular da China, tendo o número de alunos em competição atingido as 32 participações.
O Jornal Tribuna de Macau destacou a realização deste Concurso com uma fotografia na sua primeira página, mas refere apenas os desempenhos de duas participantes: Li Ruiping que disse o “Poema do Silêncio” de José Régio e Chan Kit Ieng, que concorreu com “A Flor e a Náusea” de Carlos  Drummond de Andrade. É pena que o jornal não nos tenha dado mais informação sobre esta tão interessante iniciativa.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Brasil: grande nau, grande tormenta

Adicionar legenda
O Brasil está a passar por uma situação política e social muito complexa, com uma enorme contestação ao governo da Presidente Dilma Rousseff, mas também à classe política brasileira e à generalidade das instituições. Os acontecimentos estão a suceder-se com grande rapidez e todos os dias há novas revelações a tornar mais difícil a resolução da crise. No passado dia 13 de Março, um imenso protesto nacional veio à rua pela voz de milhões de brasileiros a mostrar a sua indignação pela corrupção que está a minar a confiança no sistema político e a coesão nacional, mas também a insatisfação pela má qualidade dos serviços públicos, incluindo a saúde, a educação, os transportes e a segurança pública, entre outros. A cidade de S. Paulo está a ser o centro da contestação e milhões de pessoas vieram à rua, como documenta o jornal O Estado de S. Paulo. Nas ruas, o povo exigiu o impeachment da Presidente da República, isto é, o seu impedimento para governar nos termos constitucionais, com base na gravidade de supostas irregularidades políticas e administrativas de que é acusada. Ontem, o ex-Presidente Lula da Silva aceitou integrar o governo, não sendo claro se o objectivo é apoiar Dilma Roussef e reforçar o governo com a popularidade que ainda conserva, ou se é apenas para poder beneficiar de uma imunidade que o liberte de acusações de envolvimento passivo ou activo em actos de corrupção.
O Brasil é uma grande nau. Ora, grande nau grande tormenta, como se costuma dizer.
O Brasil tem passado por um ciclo de grande euforia que lhe deu um estatuto internacional de potência emergente. O seu potencial económico revelou-se e deu origem a profundas transformações sociais que criaram uma exigente classe média e reduziram a pobreza, mas não procederam às reformas necessárias num país que é o quinto maior do planeta, com 200 milhões de habitantes, uma enorme diversidade cultural e com mais de cinco mil municípios.
O que se deseja é que os brasileiros encontrem rapidamente as melhores soluções para os seus problemas, porque ninguém, sobretudo no grande espaço que é a Lusofonia, quer ver o Brasil a ser dominado pela crise política, pela corrupção, pela incerteza ou pela recessão económica.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

As eleições presidenciais em Portugal - I

As eleições presidenciais portuguesas realizam-se no próximo domingo e parece que não estão a interessar os eleitores que revelam alguma indiferença, talvez porque há vários candidatos de grande credibilidade para a função. Não tem havido crispações nem ânimos exaltados. Não tem havido ataques pessoais. A democracia está a funcionar. Assim, cada português pode escolher com tranquilidade o candidato que melhor se ajuste aos seus desejos, porque sabe que o seu futuro presidente vai ser melhor do que aquele que esteve em Belém nos últimos dez anos.
Essa realidade é básica e muito animadora, isto é, estamos em vias de nos vermos livres de alguém que nunca percebeu o que era a função presidencial e cujo estilo boliqueimístico enervava muita gente. Naturalmente que ninguém no mundo se interessa pelas eleições presidenciais portuguesas, até porque há muitos outros assuntos bem mais preocupantes um pouco por todo o lado. Por isso, é bem curioso o que faz hoje o jornal moçambicano O País ao destacar as eleições portuguesas na sua primeira página, com a fotografia dos principais candidatos.  Não se trata apenas de valorizar editorialmente um acontecimento político no quadro da Lusofonia, mas também de revelar interesse pelo que se passa em Portugal, que tão fortes afinidades históricas e culturais tem com Moçambique.