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segunda-feira, 2 de março de 2020

A agonia da língua portuguesa no Oriente

O Jornal de Letras, Artes e Ideias, ou simplesmente Jornal de Letras ou, ainda só JL, destaca na sua última edição que em Macau… ainda se escreve em português. Trata-se de uma edição especial dedicada à passagem do 20º aniversário da transferência da soberania para a República Popular da China, na qual alguns especialistas procuram responder à pergunta: o que ficou da cultura portuguesa?
Se fizermos uma analogia com o que se passa em Goa, rapidamente somos levados a pensar que, dentro de poucos anos, a cultura imaterial portuguesa terá desaparecido e que a cultura material portuguesa, isto é, os edifícios históricos e a arquitectura militar e religiosa, estarão “submersos” pelas gigantescas torres que vão nascendo pelo território. A língua portuguesa nunca foi a língua franca, nem em Goa nem em Macau, mas em tempos de globalização esse cenário agrava-se e a língua portuguesa é, cada vez mais, uma língua sem interesse prático, quase fossilizada e, sobretudo, uma língua que só alguns velhos ainda falam. Os esforços que têm sido feitos por várias entidades, quer em Goa quer em Macau, para manter viva a língua portuguesa não têm conseguido travar a sua lenta agonia. Pode haver muitos alunos a frequentar as escolas de português e até saber cantar A Portuguesa, mas esses alunos pensam e falam em inglês, em mandarim ou numa qualquer outra língua. Camões e Pessoa não lhes dizem nada.
É verdade que, no caso de Macau há três jornais que usam o português – Tribuna de Macau, Hojemacau e Ponto final – mas essa realidade é demasiado enganadora. Também é verdade que continua a haver alguns autores que, em Goa e em Macau, escrevem em português os seus livros de memórias e as suas reflexões sobre um outro tempo que viveram, mas esses autores são portugueses e esses casos são muito raros.
A língua portuguesa ainda será a língua oficial de Macau por mais trinta anos, mas nessa altura não portugalidade em Macau, nem haverá emprego para portugueses, nem a nova geração de macaenses falará português. É doloroso que isto aconteça, mas é a lei da vida ou o fluir da História.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

O ano de 2019 em revista


O ano de 2019 termina hoje e o JTM - Jornal Tribuna de Macau tratou de o passar em revista, destacando na sua primeira página alguns acontecimentos importantes da vida da Região Administrativa Especial de Macau.
A circunstância de se tratar de um dos jornais macaenses que utiliza a língua portuguesa já é relevante, mas essa relevância é acrescida com a publicação das fotografias que, no domínio do património, simbolizam uma importante parcela da herança cultural portuguesa em Macau, isto é,  as fachadas da igreja jesuíta de São Paulo e da Santa Casa da Misericórdia. A revista do ano trata ainda de outros temas e, fotograficamente, destaca a recente visita do presidente Xi Jinping por ocasião das comemorações do 20º aniversário da transferência de Macau da soberania portuguesa para a soberania chinesa, assim como a visita de 21 horas que Marcelo Rebelo de Sousa fez a Macau do dia 30 de Abril para o dia 1 de Maio.
A fotografia do Presidente da República de Portugal é expressiva do seu incontrolado populismo, que é bem maior que a sua alta popularidade. Lá estão as selfies e os abraços a que, por motivos óbvios, faltam as declarações que faz por tudo e por nada, que se tornaram na sua imagem de marca cada vez mais insuportável.
Às suas reconhecidas qualidades pessoais de inteligência, cosmopolitismo e cultura, o Presidente da República tem acrescentado um incontrolado apetite pela popularidade, traduzida num gosto por aparecer e por ser visto, ou de falar para os microfones dos estagiários, que estão a tornar este seu primeiro mandato presidencial numa canseira para quem vê televisão. Era bom que corrigisse esta sua enorme ânsia populista porque nem ele, nem os portugueses, precisam dela. 
O ano de 2019 termina hoje e daqui se deseja um ano de 2020 com paz, progresso e estabilidade para a comunidade, mas também com muita saúde para quem visita a ruadosnavegantes.

sábado, 5 de outubro de 2019

Macau festejou os 70 anos da RPC

A propósito das comemorações do 70º aniversário da proclamação da República Popular da China (RPC), as autoridades da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) organizaram um programa comemorativo que, entre outras iniciativas, incluíu um espectáculo de video mapping projectado na fachada das Ruínas da Igreja de S. Paulo. O jornal Tribuna de Macau (jtm) destacou esse espectáculo, que teve um conteúdo marcadamente político em que predominaram os tons vermelhos e em que foram projectadas muitas imagens e símbolos da RPC, tendo por isso sido muito criticado pela comunidade católica do território.
Por isso, a Diocese de Macau também reagiu à realização deste espectáculo com o argumento de que a fachada da Igreja de S. Paulo “representa a profunda e duradoura herança católica em Macau”, parecendo “quase contraditório proclamar uma realidade que é marxista sem Deus, numa fachada que afirma a presença de Deus”. Além disso, a Diocese de Macau acrescentou que aquelas Ruínas não são apenas um ex-libris da cidade, de forte simbolismo histórico e religioso, mas também são um dos elementos que integram o Centro Histórico de Macau, que em 2005 foi classificado pela Unesco como património da Humanidade.
Embora as Ruínas não sejam propriedade da Igreja Católica, continuam a ser um símbolo do Catolicismo e da fé cristã em Macau, pelo que a Diocese reivindicou que quaisquer futuros espectáculos na fachada de S. Paulo passem a ter um conteúdo que se adeque ao contexto religioso do monumento. As autoridades macaenses referiram que este tipo de espectáculos já se realizaram em cinco anos consecutivos sem quaisquer problemas, mas aceitam discutir futuramente os seus conteúdos com a Diocese de Macau, até porque está previsto um novo espectáculo por ocasião da celebração dos 20 anos da criação da RAEM. Há, portanto, muita abertura das duas partes, certamente atentas ao que está a acontecer ali bem perto em Hong Kong.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A crise em Hong Kong continua sem saída

Desde o passado mês de Junho – já passaram 11 semanas – que têm acontecido grandes manifestações na Região Administrativa Especial de Hong Kong da República Popular da China (RPC) em protesto contra a intenção do governo da ex-colónia britânica para levar por diante um projecto de lei que prevê a possibilidade de extradição para a RPC de pessoas acusadas de crimes contra essa mesma RPC. 
Enquanto as autoridades de Hong Kong defendem que a lei se destina a assegurar a segurança interna do seu território, os manifestantes temem que a lei proposta seja a cobertura para que a lei chinesa tenha cada vez mais aplicação em Hong Kong e constitua uma efectiva restrição às liberdades públicas no seu território.
Os protestos de rua têm sido contínuos e os confrontos entre a polícia e os manifestantes têm sido muito violentos, com a polícia a recorrer à utilização de gás lacrimogéneo e os manifestantes a provocar tumultos e muita destruição, de que têm resultado muitos feridos e algumas detenções. Entre outras acções de afrontamento das autoridades, os manifestantes forçaram a entrada no Parlamento e ocuparam o aeroporto internacional de Hong Kong.
A senhora Carrie Lam, que é a chefe do governo de Hong Kong, já anunciou a sua decisão de suspender o projecto de lei e alertou para a gravidade da situação que se está a viver em Hong Kong, mas as manifestações continuam e, na sua última edição, The Economist pergunta: “Como é que isto vai acabar?”
Há muita gente que teme uma intervenção militar chinesa, que poderá acontecer a pedido do governo local em caso de necessidade da manutenção da ordem pública ou de auxílio em caso de catástrofes, isto é, quer na China quer no mundo, muitos temem a repetição de uma intervenção musculada semelhante ao massacre de Tiananmen, que aconteceu em Junho de 1989 em Pequim.

sábado, 29 de junho de 2019

Talento e humor inteligente em Macau

No fim-de-semana que se aproxima o humorista e comentador político Ricardo Araújo Pereira (R.A.P.) vai apresentar dois espectáculos em Macau no âmbito de uma iniciativa do Consulado Geral de Portugal e de outras entidades portuguesas que se intitula “Junho, mês de Portugal na RAEM”. O programa cultural é muito diversificado e aposta no humor e na música, mas também noutras actividades como o teatro, a gastronomia, a ciência e a dança.
A presença de R.A.P. em Macau está a despertar grande curiosidade na comunidade portuguesa e, nas suas edições de hoje, os três jornais macaenses que se publicam em português – JTM (Jornal Tribuna de Macau, Hojemacau e Ponto final – destacaram a sua apresentação no território de Macau e todos ilustraram a notícia com a sua fotografia em primeira página.  É, por isso, um grande acontecimento.
É natural este interesse em ouvir quem se tem destacado no panorama humorístico português pela sua inteligência e pelo seu talento, mas também pela oportunidade da sua crítica política. O público tem correspondido e transformou R.A.P. numa figura nacional de grande notoriedade e de imagem de excelência. Porém, como diz o povo, não há bela sem senão e, mesmo aqueles que apreciam o inteligente humor de R.A.P., como é o nosso caso, lamentam que, por vezes, ele caia em facilitismos e se decida a desancar naqueles que estão na mó de baixo por questões judiciais ou por acção de alguma imprensa que, para ganhar audiências, se especializou em condenações na praça pública. Humilhar pessoas indefesas e fragilizadas não é coisa que faça rir, nem é símbolo de coragem cívica. Nesses casos, a utilização do poder da televisão para humilhar quem não se pode defender, é desumana, injusta e pouco séria.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

MRS e a grande viagem que fez à China

O nosso Presidente da República esteve na China em visita oficial e, segundo os relatos que nos vão chegando, correu tudo muito bem e MRS deu mais um bom contributo para que o prestígio de Portugal fosse acrescentado. Se os chineses têm a rota da seda, nós temos a rota de Marcelo
Apresentando-se em boa forma física, MRS não parou e esteve em Pequim e em Xangai, visitou a Grande Muralha e a Cidade Proibida e, por fim, passou por Macau. Como de costume levou acompanhantes institucionais e vários jornalistas, provavelmente mais do que seria necessário, ficando a ideia de que as viagens presidenciais já não são as excursões turísticas do antigamente, mas que ainda integram demasiados adesivos. As televisões corresponderam aos convites presidenciais e foram muito generosas nos tempos de antena que deram a MRS que, assim, consolida a sua corrida para novo mandato.
MRS parece ter apreciado especialmente Macau, o que é natural. Encontrou muitas marcas da identidade portuguesa, dissertou sobre a natureza do pastel de nata e cruzou-se com multidões curiosas que, naturalmente, exigiram as inevitáveis selfies. O jornal Ponto Final, um dos quatro jornais macaenses que se publicam em português, diz na sua edição de hoje que em Macau disparou a devoção ao Presidente dos afectos. De facto, o que agora aconteceu em Macau e que recentemente tinha acontecido em Angola e antes em Moçambique, não é apenas uma reacção à singular personalidade pessoal e cultural de MRS, mas também é uma prova das especiais relações afectivas dos portugueses com os povos com quem conviveram durante séculos, que se afigura ser bem mais forte do que as circunstâncias negativas do domínio colonial.
As visitas de MRS aos espaços do nosso antigo império têm contribuído em acentuado grau para criar e reforçar pontes de amizade e de cooperação, mas também para valorizar a herança cultural e afectiva de Portugal no mundo. Viva!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

MRS vai visitar o antigo Império do Meio

O jornal hojemacau informa que Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República Portuguesa, se vai deslocar à China e depois, ao território de Macau, isto é, à região da Ásia Oriental que, há muitos séculos, constituia o Império do Meio.
Se fosse necessário o meu apoio para esta visita presidencial, ele seria concedido de imediato, porque as viagens presidenciais servem para mostrar aos anfitriões que somos um país de gente bem disposta, moderno e progressivo, culturalmente muito rico e amante da paz, mas também que o supremo magistrado da nação é uma pessoa muito qualificada, inteligente, culta, solidária e cosmopolita.
Naturalmente que se espera que MRS acabe de vez com as grandes comitivas presidenciais que sempre foram pagas com os nossos impostos e que, além de terem uma marca terceiro-mundista, serviram muitas vezes para pagar pequenos favores aos amigos e para alimentar a promoção pessoal que era garantida pelas dezenas de jornalistas que, também pagos com os nossos impostos, integravam as comitivas. Em alguns dos destinos dessas viagens presidenciais ainda são recordadas as tristes figuras que alguns elementos dessas autênticas excursões turísticas muitas vezes fizeram e essas situações não podem repetir-se.
Significa que MRS deve estar atento e ser comedido, como parece ter sido até agora na dimensão das suas comitivas. Como bom católico, terá que resistir às tentações e, sobretudo, não integrar na sua comitiva a Cristina Ferreira, o Goucha, o João Miguel Tavares ou a Sandra Felgueiras. Nem o seu amigo Montenegro, nem o Marta Soares, nem os comentadores de futebol. Nem precisa de levar deputados, nem empresários, nem o representante dos motoristas de camiões. Sugiro que se faça acompanhar apenas pelo seu restrito núcleo de apoio pessoal e por um grupo de apoio diplomático do MNE, porque é tempo de acabar com o enorme dispêndio de dinheiro que ao longo dos anos têm custado ao erário público as multidões de borlistas que viajam com os nossos Presidentes da República. Quanto a jornalistas, aproveite os delegados residentes da Agência Lusa em Beijing e Macau. É quanto basta.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Defesa do património cultural em Macau

Macau é, certamente, o maior símbolo da expansão marítima portuguesa do século XVI na Ásia Oriental e as ruínas da antiga igreja jesuíta da Madre de Deus e do convento de São Paulo são, porventura, o seu mais expressivo ex-libris. Essas ruínas são o que resta desse conjunto arquitectónico barroco depois de um incêndio acontecido em 1835, de que apenas se salvaram a fachada em granito da igreja da Madre de Deus e a escadaria monumental. Essas ruínas são um exemplo único da arquitectura barroca na China e localizam-se no centro histórico de Macau e, desde 2005, fazem parte da Lista do Património Mundial da Unesco.
A fotografia das chamadas ruínas de São Paulo ilustra a primeira página da edição de hoje do jornal Tribuna de Macau, conhecido habitualmente como o jtm, a propósito do Conselho do Património Cultural.
Acontece que a manutenção, reparação ou reconstrução dos edifícios dos mais antigos bairros macaenses se tem tornado um verdadeiro problema, em que se chocam os interesses imobiliários, muitas vezes especulativos, com a política de preservação do património cultural edificado. Aquele Conselho é o garante da salvaguarda desse património, que deve assentar essencialmente no restauro dos edifícios degradados e que se deve opor à sua demolição para reconstrução, embora aceite algumas situações intermédias em que possam ser preservadas apenas as fachadas dos edifícios.
O Conselho do Património Cultural tem competências no que respeita à classificação dos edifícios com interesse cultural de Macau e, por isso, é um alvo dos poderosos interesses imobiliários locais. Porém, o Conselho tem fortes apoios na instância política e a simples reprodução da imagem das ruinas de São Paulo na sua edição de hoje, revela que também tem o apoio da imprensa local de língua portuguesa. Nem podia ser de outra maneira...

sábado, 5 de janeiro de 2019

A China marca pontos na corrida espacial

Uma sonda não tripulada chinesa albergando um veículo robotizado aterrou na face oculta da Lua e, dessa forma, a China assume um protagonismo inesperado no domínio da exploração espacial. De facto, o resultado desta missão mostra o elevado nível científico do país, simboliza o seu progresso e revela uma enorme ambição, não só nos domínios económico e militar, mas também na área das tecnologias espaciais.
Embora a China em 2013 já tivesse feito aterrar uma sonda espacial no hemisfério visível da Lua, proeza que só os Estados Unidos e a Rússia tinham conseguido, o sucesso desta missão pioneira da aterragem da sonda Chang’e 4 no lado inexplorado da Lua e que não é visível da Terra, foi considerado um êxito e foi elogiado pela NASA.
As autoridades chinesas planeiam iniciar este ano a construção de uma estação espacial para acolher tripulantes em permanência e enviar um veículo de exploração a Marte, parecendo apostadas em dinamizar e liderar a exploração espacial.
O jornal macau hoje destacou o sucesso desta missão espacial, que aparece integrada num programa que em 2003 já tinha realizado a sua primeira missão tripulada.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Macau preserva o seu património cultural

O jornal Tribuna de Macau aborda na sua edição de hoje o património de Macau, cuja preservação é apontada como uma história de sucesso, ilustrando-a com as imagens da ermida e do farol da Guia, que foi construído pelos portugueses em 1865 e é o mais antigo farol da costa sul da China.
Apesar do desenvolvimento e da modernização do território, bem como da pressão imobiliária e da contínua alteração da linha de costa original por via dos aterros que têm acontecido nas últimas décadas, tem sido possível preservar alguns dos testemunhos materiais da passagem dos portugueses por Macau e da interacção entre as culturas chinesa e portuguesa. Daí que em 2005, a UNESCO tenha incluído o centro histórico de Macau na World Heritage List, reconhecendo o valor simbólico do monte da Guia e do seu farol, do templo de A-Ma, da Fortaleza do Monte, da colina da Penha ou das ruínas de S. Paulo, mas também a forma como foi conciliada a “zona histórica” da antiga cidade de Macau, com a modernidade da sua arquitectura contemporânea.
Havia algumas dúvidas quanto à capacidade e sensibilidade dos macaenses para preservarem o seu património classificado, sobretudo porque ocupa espaços comercialmente muito valiosos que atraem interesses imobiliários muito poderosos, mas a Lei de Salvaguarda do Património Cultural aprovada em 2013 e o crescente interesse das autoridades e da população, parecem dar garantias de que a preservação do património cultural de Macau é uma história de sucesso e que os 450 anos de presença portuguesa não são para esquecer.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Xi e o agrado pela sua visita a Portugal

Todos os jornais portugueses publicam hoje uma fotografia alusiva à visita oficial do Presidente Xi Jinping a Portugal e o caso não é para menos, mas ainda é mais surpreendente quando o 人民网 - Renmin Ribao, um dos mais importantes jornais de Xangai, noticia esta visita do presidente chinês a este pequeno país do ocidente e lhe dedica quatro fotografias.
Não se imaginava que a imprensa chinesa desse tanto destaque a esta visita mas, certamente, isso é uma prova da admiração chinesa pelos portugueses e da forma como ambos conviveram em Macau durante quase 500 anos.
Ontem o Presidente Xi Jinping foi recebido no Palácio de Belém pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se muito agradado com a calorosa recepção e lembrou o contributo português para o progresso da humanidade, com um papel importante nas relações entre Ocidente e Oriente. Entretanto, preparavam-se os 17 acordos de cooperação que vão ser assinados, de âmbito económico, cultural, científico e académico. Como envolvente desta visita, Xi Jinping falou do projecto "Uma faixa, uma rota" que até já foi apelidado de "Plano Marshall" chinês para o mundo, o qual pretende abrir a China ao mundo através da construção de uma malha ferroviária internacional e de novos portos, aeroportos e outras infraestruturas. É uma nova rota da seda. Portugal está interessado nesse projecto e coloca em cima da mesa o porto de águas profundas de Sines, que bem pode fazer a ligação entre a Rota da Seda terrestre e a Rota da Seda marítima.
Xi Jinping ainda vai passar pela Assembleia da República e pelos Palácios da Ajuda e de Queluz. É uma recepção em grande estilo a um dos maiores países do mundo. Perfeito. Porém, seria bom que os nossos responsáveis estivessem à altura das circunstâncias e não se deslumbrassem em afectos e que, em nome do interesse nacional, estivessem atentos à estratégia chinesa.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Xi em Lisboa: tudo à grande e à chinesa

No seu percurso de nove séculos de história, o nosso Portugal regista dois momentos, entre outros, em que sob a forma de embaixadas ao Papa, mostrou grande exuberância e ostentação. O primeiro foi a faustosa embaixada de D. Manuel ao Papa Leão X em 1514 que até incluia um exótico elefante e, o segundo, foi a embaixada de D. João V ao Papa Clemente XI em 1716, que exibia “uma riqueza nunca vista” segundo os relatos da época.
Só a cidade de Roma viu desfilar essas magníficas embaixadas e, por isso, o povo de Lisboa só veio a saber o que era fausto e ostentação quando em 1807 as tropas de Junot entraram em Lisboa. Jean-Andoche Junot gostava de se passear pela cidade com o seu séquito e o povo deslumbrou-se com aquelas faustosos comitivas em que era tudo “à grande e à francesa”. Os tempos mudaram e esse tipo de embaixadas e de ostentações já são coisas do passado.
Porém, o que se anuncia em relação à visita do Presidente Xi Jinping da República Popular da China que hoje se inicia, não deixa de nos recordar esses episódios da nossa história, pois a comitiva chinesa reservou para si um dos melhores hotéis da cidade por dois mihões de euros e não dispensou as limusinas blindadas que vieram propositadamente da China, segundo anuncia hoje o jornal i. Era à grande e à francesa, agora vai ser à grande e à chinesa...
Xi Jinping parece dar grande importância a esta visita e tem razões para isso, até porque a obra deixada pelos portugueses em Macau terá sido uma agradável surpresa para a China. Por isso, ele já afirmou que Portugal é uma peça importante na estratégia de globalização da economia chinesa, não só pela posição que ocupa na Europa mas também pelas suas relações com os países de língua oficial portuguesa. Mas é preciso cuidado com os afectos porque os chineses não dão ponto sem nó...

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Macau procura preservar a língua patuá

Os portugueses instalaram-se na península de Macau em meados do século XVI e desde então começou a afirmar-se uma língua crioula de base portuguesa, influenciada pelas línguas chinesas, malaias e cingalesas, mas também de inglês, do tailandês, do japonês e de algumas línguas indianas. Essa língua é conhecida como o Patuá macaense, outras vezes como o Papia Cristam di Macau e outras, ainda, como Doci Papiaçam di Macau.
Ao longo do século XX, com o aparecimento de novos meios de comunicação, o Patuá deixou de ser uma língua corrente, entrou em vias de extinção e era conhecido apenas por um número cada vez menor de macaenses. Até que em 1993 surgiu uma associação cultural com o objectivo expresso de salvar e divulgar essa língua crioula, enquanto símbolo identitário, histórico e cultural de Macau. Essa associação é o Grupo de Teatro Dóci Papiaçám di Macau, fundado e dinamizado pelo advogado macaense Miguel de Senna Fernandes, que o jornal Tribuna de Macau destaca na sua última edição.
O Dóci Papiaçám di Macau, tal como outros grupos e associações culturais macaenses, tem procurado proteger o Patuá macaense, apresentando peças teatrais e músicas em Patuá, publicando um Dicionário Português-Patuá e mantendo o objectivo de incluir o Patuá na Lista do Património Oral e Imaterial da Humanidade da Unesco.
O grupo celebra agora 25 anos de vida e a sua actividade é considerada uma referência da cultura macaense por ter feito renascer o interesse pelo Patuá e por agregar pessoas de etnias, classes sociais, idades e sensibilidades diversas, o que de certa forma representa a identidade do território de Macau, isto é, “um lugar comum a muitas pessoas diferentes”.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A nova ponte sobre o rio das Pérolas

Foi anunciado pelo jornal hoje macau que, nove anos depois do início da sua construção, a nova ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau vai ser oficialmente inaugurada na próxima terça-feira, dia 23 de Outubro. Apesar da distância a que nos encontramos, esta obra desperta a nossa curiosidade devido à forte ligação histórica de Portugal com esta região do sul da China, onde em 1557 foi criado o estabelecimento de Macau e onde aconteceu uma intensa actividade dos mercadores portugueses e, em especial, as peregrinações e as aventuras de Fernão Mendes Pinto neste delta do Rio das Pérolas, que uma enorme ponte agora atravessa.
A inauguração vai ser, certamente, uma grande festa à maneira chinesa. Trata-se de uma notável obra de engenharia cujo custo atingiu 16 mil milhões de euros para servir esta região do sul da China com cerca de 60 milhões de habitantes e que se espera venha a impulsionar a sua economia que já é responsável por 9,1% do PIB e por 26% das exportações chinesas.
A ponte tem 55 km de comprimento e é a maior travessia sobre do mar do mundo, unindo as duas margens do delta do Rio das Pérolas, sendo constituída por três pontes suspensas, um túnel submarino e duas ilhas artificiais. Vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau, numa região em que também se localizam as cidades de Guangzhou e Shenzen, permitindo ligar aquelas três cidades em 45 minutos, algo que até agora demorava entre 60 a 70 minutos de ferry boat e entre três a quatro horas de automóvel.
Enquanto obra de grande dimensão e tal como sempre acontece, a nova ponte ou travessia teve atrasos na construção, sobrecustos, suscitou dúvidas quanto aos seus efeitos ambientais, teve a denúncia de casos de corrupção e foi afectada por alguns graves acidentes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Os dias da Lusofonia decorrem em Macau

Tiveram início em Macau no passado fim-de-semana as iniciativas que integram o programa da 10ª Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa, organizada pelo Fórum Macau em coordenação com o Instituto Cultural e o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais.
Nesse programa, que se desenvolverá até ao dia 4 de Novembro, estão incluídas exposições de pintura, peças de teatro, espectáculos musicais, uma feira artesanato, stands de apresentação dos produtos dos vários países lusófonos e, naturalmente, as habituais iniciativas gastronómicas.
Na sua última edição o jornal Tribuna de Macau dedicou um alargado espaço a esta Semana Cultural e apresentou muitos dos artistas e grupos que vão participar neste evento, onde aparecem representantes de pequenos países como São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor-Leste e até um grupo musical da antiga Índia Portuguesa.
Segundo informa aquele jornal, o interesse pela semana lusófona em Macau tem vindo a aumentar, assim como o número de visitantes, não apenas locais mas também turistas, o que constitui um bom incentivo para a organização e contribui para a promoção da cultura de raiz lusófona.
É, portanto, uma iniciativa que devia ter um forte apoio das autoridades portuguesas, não só em Macau, mas também noutras cidades onde há portugueses ou onde há quem goste de Portugal e da sua cultura.

domingo, 27 de maio de 2018

Macau vai ter a maior ponte do mundo

É a maior ponte do mundo! Começou a ser construída em 2009, já está concluída e vai assegurar a ligação entre as três principais regiões administrativas do sul da China ou as três grandes cidades no delta do Rio das Pérolas, isto é, Hong Kong, Zhuhai e Macau. Tem cerca de 50 quilómetros de extensão e consiste numa série de três pontes suspensas e um túnel submarino de 6,7 quilómetros, além de três ilhas artificiais. Nestas ilhas haverá uma zona de controlo de fronteiras, parque de automóveis e áreas de lazer.
Chama-se Ponte Hong Kong - Zhuhai - Macau ou, mais simplesmente, Ponte HZM e espera-se que seja aberta ao tráfego rodoviário dentro de um mês, embora o jornal hoje macau anuncie que a inauguração está sem prazo à vista.
É um mega-projecto de engenharia e os chineses querem mostrar ao mundo que também são capazes nestas áreas tecnológicas. Por agora, o problema parece ser o movimento de viaturas e a gestão do tráfego, estando estabelecidas quotas para limitar o número de veículos que circularão na ponte. No caso de Macau, estão autorizadas 600 quotas para veículos macaenses autorizados a circular de Macau para Hong Kong ou Zhuhai, isto é, procura-se evitar que por um qualquer imprevisto a ponte fique congestionada por tráfego intenso e inesperado, o que significa que não vai ser possível a um qualquer cidadão macaense dizer para a família ou para os amigos: "Metam-se no carro. Vamos almoçar a Hong Kong".

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Macau sob os olhares atentos da América

Os americanos gostam de se meter em tudo o que se passa no mundo, como se tivessem a obrigação de o regulamentar e de o policiar ou, dito de outra maneira, entendem que o que é bom para a América é bom para o mundo. Para justificar essa ideia, a edição do hojemacau apresenta na sua capa a imponente fachada das ruinas do Colégio de S. Paulo, com a Estátua da Liberdade a espreitar...
Isto vem a propósito do mais recente relatório sobre os direitos humanos no mundo divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano, que aponta aoterritório de Macau alguns problemas de direitos humanos, nomeadamente algumas restrições à liberdade de imprensa e à liberdade na vida académica, certas limitações na capacidade política dos cidadãos e, ainda, sobre tráfico humano.
O chefe do executivo macaense Fernando Chui Sai rejeitou os comentários contidos no referido relatório que classificou de “irresponsáveis” e afirmou que os asuntos nele tratados são “assuntos internos da China”.
Segundo o governo de Macau, nos termos da Constituição e da Lei Básica, estão garantidos ”os amplos direitos e liberdades, gozados pela população da RAEM”, mas em Washington há perspectivas diferentes. Um dos aspectos focados refere-se à autocensura dos jornalistas, mas esse é um problema universal dos mass media, isto é, o chamado jornalista independente tende a desaparecer para ser substituido por quem satisfaça a vontade do patrão ou do patrocinador.
O Departamento de Estado também refere que os académicos macaenses têm sido desencorajados ou impedidos de estudar ou falar sobre tópicos controversos relacionados com a China e salienta as limitações à participação política dos cidadãos. Outros aspectos citados no relatório são as desigualdades salariais entre homens e mulheres e a vulnerabilidade dos mais jovens e dos migrantes ao trabalho forçado e à prostituição. Porém, apesar das críticas, o documento saúda a atitude do governo de Macau relativamente a investigações feitas por organizações locais ou internacionais, sustentando que “operam sem restrições” e que, “na maioria das vezes, as autoridades cooperam e reagem de forma apropriada às suas opiniões”.

sábado, 21 de abril de 2018

Sobre a língua portuguesa em Macau

Quando no dia 20 de Dezembro de 1999 se verificou a transferência da soberania de Macau para os chineses, já tinha entrado em vigor o decreto-lei nº 101/1999/M que consagrava as línguas portuguesa e chinesa como línguas oficiais e com a mesma dignidade na Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. Embora a língua portuguesa nunca tenha tido uma difusão significativa durante os cerca de 442 anos em que os portugueses administraram o território de Macau, a partir de 1999 os cidadãos portugueses residentes que não dominassem o cantonense ficavam protegidos por aquela lei e podiam ser notificados pelos tribunais na sua própria língua. Porém, segundo revela o jornal hojemacau, a lei tem sido frequentemente ignorada pelos próprios tribunais e pelos juizes, que têm o dever de aplicar as leis, o que se traduz num grande prejuízo para os cidadãos.
A Associação dos Advogados de Macau tem denunciado essa situação que tende a excluir o português do sistema judiciário macaense e a acelerar o processo da sua transformação numa língua morta e alguns advogados até têm denunciado algum fundamentalismo patriótico na utilização da língua chinesa pelos tribunais.
O facto é que, de acordo com a lei, os tribunais são obrigados a comunicar com os arguidos numa língua que eles entendam e não é aceitável que uma sentença relativa a um cidadão português seja comunicada em língua chinesa.
Porém, o que está a acontecer só pode admirar quem não conhece o que foi a história da insignificância da língua portuguesa em Macau. Custa aceitar que a língua portuguesa seja lançada no caixote do lixo como sugere a imagem do hojemacau, mas o que tem que ser sempre teve muita força...

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma aplicação para aprender o português

A última edição do diário hojemacau, um dos jornais macaenses que utliza a língua portuguesa, anuncia com grande destaque que o Instituto Politécnico de Macau (IPM) desenvolveu uma aplicação para telemóvel que pode ser descarregada gratuitamente e que é totalmente dedicada ao ensino do português para falantes de chinês.
A aplicação foi concebida por académicos do IPM ligados à Linguística e à Informática e foi desenvolvida ao longo de cerca de nove meses de trabalho conjunto.
A aplicação chama-se “Diz lá” porque, segundo um dos responsáveis pelo projecto, “é uma frase muito portuguesa e que não existe em mais nenhuma língua”.
A aplicação tem três vertentes. Uma contempla a conjugação dos verbos e é muito importante para os chineses que estudam a língua portuguesa “porque no chinês não há tempos ou modos e isso é uma grande complicação”. A segunda vertente da aplicação é um guia diário de comunicação que inclui as expressões mais utilizadas no quotidiano. A terceira vertente da aplicação ensina ao utilizador uma nova palavra todos os dias por forma a enriquecer o vocabulário do utilizador.
É reconhecido que durante a permanência dos portugueses em Macau, que se prolongou por mais de quatro séculos, pouco ficou da língua portuguesa. Sabe-se lá se com esta aplicação não não vai aumentar a difusão da língua portuguesa em Macau, numa época em que os chineses já perceberam que têm vantagens em saber línguas ocidentais.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Macau e a festividade do Ano Novo Chinês

No próximo dia 16 de Fevereiro de 2018 começa o Ano Novo Chinês que só terminará no dia 4 de Fevereiro de 2019.
O Ano Novo Chinês, que também é conhecido como Ano Novo Lunar Chinês, é a mais importante festividade para os chineses e a sua celebração dura 15 dias, durante os quais são seguidos inúmeros rituais e tradições com a finalidade de atrair a sorte. A cor vermelha é a cor predominante nos festejos, porque significa transformação e vida, mas também são utilizadas outras cores como o amarelo, o dourado e o roxo porque, segundo a cultura chinesa, atraem a prosperidade e a riqueza e, parece, que também o amor. Nas vésperas do início do seu Novo Ano os chineses limpam as casas, cortam o cabelo, preparam as roupas, fecham as contas e dão presentes aos seus deuses, além de outros rituais. Todos eles são levados muito a sério e com grande superstição.
Durante as festividades as pessoas acendem lanternas vermelhas e penduram-nas diante da porta principal das suas casas durante os 15 dias de festejos e queimam muito fogo de artifício para afastar o azar e os maus espíritos.
As festividades em Macau são um grande acontecimento, não só para os macaenses mas também para os visitantes, pelo que as autoridades aproveitam para promover o Turismo. Hoje, o jornal macaense ponto final – um dos três jornais diários de Macau publicados em português – apresenta a imagem dos festejos de 2017 com o desfile do dragão gigante dourado no Largo do Senado (vendo-se à direita a Santa Casa da Misericórdia). O jornal informa que este ano são esperados 960 mil visitantes durante os 15 dias dos festejos mas, no ano passado, o mesmo jornal afirmara que “Macau tinha recebido 2,2 milhões de visitantes por ocasião das festividades do Ano Novo Chinês”. Serão, portanto, um ou dois milhões de visitantes em 15 dias. Considerando que o território de Macau tem actualmente cerca de 617 mil habitantes, não há dúvida que as festividades do Ano Novo Chinês são um excelente contributo para a economia da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.