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segunda-feira, 2 de março de 2020

A agonia da língua portuguesa no Oriente

O Jornal de Letras, Artes e Ideias, ou simplesmente Jornal de Letras ou, ainda só JL, destaca na sua última edição que em Macau… ainda se escreve em português. Trata-se de uma edição especial dedicada à passagem do 20º aniversário da transferência da soberania para a República Popular da China, na qual alguns especialistas procuram responder à pergunta: o que ficou da cultura portuguesa?
Se fizermos uma analogia com o que se passa em Goa, rapidamente somos levados a pensar que, dentro de poucos anos, a cultura imaterial portuguesa terá desaparecido e que a cultura material portuguesa, isto é, os edifícios históricos e a arquitectura militar e religiosa, estarão “submersos” pelas gigantescas torres que vão nascendo pelo território. A língua portuguesa nunca foi a língua franca, nem em Goa nem em Macau, mas em tempos de globalização esse cenário agrava-se e a língua portuguesa é, cada vez mais, uma língua sem interesse prático, quase fossilizada e, sobretudo, uma língua que só alguns velhos ainda falam. Os esforços que têm sido feitos por várias entidades, quer em Goa quer em Macau, para manter viva a língua portuguesa não têm conseguido travar a sua lenta agonia. Pode haver muitos alunos a frequentar as escolas de português e até saber cantar A Portuguesa, mas esses alunos pensam e falam em inglês, em mandarim ou numa qualquer outra língua. Camões e Pessoa não lhes dizem nada.
É verdade que, no caso de Macau há três jornais que usam o português – Tribuna de Macau, Hojemacau e Ponto final – mas essa realidade é demasiado enganadora. Também é verdade que continua a haver alguns autores que, em Goa e em Macau, escrevem em português os seus livros de memórias e as suas reflexões sobre um outro tempo que viveram, mas esses autores são portugueses e esses casos são muito raros.
A língua portuguesa ainda será a língua oficial de Macau por mais trinta anos, mas nessa altura não portugalidade em Macau, nem haverá emprego para portugueses, nem a nova geração de macaenses falará português. É doloroso que isto aconteça, mas é a lei da vida ou o fluir da História.

sábado, 31 de março de 2018

Goa tem o estatuto de “Europa da Índia”

O jornal hindustan times tem a sua sede em Nova Deli, é o segundo maior jornal da Índia e tem uma circulação superior a um milhão de exemplares.
A sua primeira página costuma ser vendida como suporte de publicidade e foi isso que aconteceu na sua edição de hoje, em que uma empresa denominada Provident Housing, uma subsidiária do grupo Puravankara que se considera como uma das maiores imobiliárias da Índia, comprou esse espaço para dizer aos seus leitores Go home to Goa ou, dito em português, vá para casa em Goa. O anúncio refere-se ao pré-lançamento de um grande empreendimento de apartamentos em condomínio que vai ser construído em Goa, junto a Chicalim e próximo do aeroporto de Dabolim e do porto de Mormugão. O anúncio foi ilustrado com uma fotografia de uma jovem ocidental na praia, deixando subliminarmente a ideia de que “Goa é a Europa da Índia” o que, de resto, é uma ideia que prevalece naquele país.
O empreendimento foi baptizado com o sugestivo nome de  Adora de Goa e, este nome, tal como a fotografia da jovem com vestes ocidentais, visam estimular o interesse dos indianos das classes médias emergentes para a aquisição de um apartamento em Goa, cuja descrição evoca a permanência dos portugueses durante 451 anos.
A curiosidade deste anúncio está apenas no facto da herança cultural portuguesa, visível em muitos aspectos do quotidiano goês, desde o património à língua e passando por muitas práticas culturais, estar a ser usada para atrair os pequenos investidores e o turismo interno indianos para a ocidentalidade, para as praias e para os monumentos de Goa.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Uma aplicação para aprender o português

A última edição do diário hojemacau, um dos jornais macaenses que utliza a língua portuguesa, anuncia com grande destaque que o Instituto Politécnico de Macau (IPM) desenvolveu uma aplicação para telemóvel que pode ser descarregada gratuitamente e que é totalmente dedicada ao ensino do português para falantes de chinês.
A aplicação foi concebida por académicos do IPM ligados à Linguística e à Informática e foi desenvolvida ao longo de cerca de nove meses de trabalho conjunto.
A aplicação chama-se “Diz lá” porque, segundo um dos responsáveis pelo projecto, “é uma frase muito portuguesa e que não existe em mais nenhuma língua”.
A aplicação tem três vertentes. Uma contempla a conjugação dos verbos e é muito importante para os chineses que estudam a língua portuguesa “porque no chinês não há tempos ou modos e isso é uma grande complicação”. A segunda vertente da aplicação é um guia diário de comunicação que inclui as expressões mais utilizadas no quotidiano. A terceira vertente da aplicação ensina ao utilizador uma nova palavra todos os dias por forma a enriquecer o vocabulário do utilizador.
É reconhecido que durante a permanência dos portugueses em Macau, que se prolongou por mais de quatro séculos, pouco ficou da língua portuguesa. Sabe-se lá se com esta aplicação não não vai aumentar a difusão da língua portuguesa em Macau, numa época em que os chineses já perceberam que têm vantagens em saber línguas ocidentais.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Macau e a festividade do Ano Novo Chinês

No próximo dia 16 de Fevereiro de 2018 começa o Ano Novo Chinês que só terminará no dia 4 de Fevereiro de 2019.
O Ano Novo Chinês, que também é conhecido como Ano Novo Lunar Chinês, é a mais importante festividade para os chineses e a sua celebração dura 15 dias, durante os quais são seguidos inúmeros rituais e tradições com a finalidade de atrair a sorte. A cor vermelha é a cor predominante nos festejos, porque significa transformação e vida, mas também são utilizadas outras cores como o amarelo, o dourado e o roxo porque, segundo a cultura chinesa, atraem a prosperidade e a riqueza e, parece, que também o amor. Nas vésperas do início do seu Novo Ano os chineses limpam as casas, cortam o cabelo, preparam as roupas, fecham as contas e dão presentes aos seus deuses, além de outros rituais. Todos eles são levados muito a sério e com grande superstição.
Durante as festividades as pessoas acendem lanternas vermelhas e penduram-nas diante da porta principal das suas casas durante os 15 dias de festejos e queimam muito fogo de artifício para afastar o azar e os maus espíritos.
As festividades em Macau são um grande acontecimento, não só para os macaenses mas também para os visitantes, pelo que as autoridades aproveitam para promover o Turismo. Hoje, o jornal macaense ponto final – um dos três jornais diários de Macau publicados em português – apresenta a imagem dos festejos de 2017 com o desfile do dragão gigante dourado no Largo do Senado (vendo-se à direita a Santa Casa da Misericórdia). O jornal informa que este ano são esperados 960 mil visitantes durante os 15 dias dos festejos mas, no ano passado, o mesmo jornal afirmara que “Macau tinha recebido 2,2 milhões de visitantes por ocasião das festividades do Ano Novo Chinês”. Serão, portanto, um ou dois milhões de visitantes em 15 dias. Considerando que o território de Macau tem actualmente cerca de 617 mil habitantes, não há dúvida que as festividades do Ano Novo Chinês são um excelente contributo para a economia da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Macau - Creative City of Gastronomy

A imprensa de Macau destacou hoje a recente atribuição do título de Creative City of Gastronomy que foi conferido à cidade pela Unesco Creative Cities Network (UCCN), durante o XI UCCN Annual Meeting que terminou no passado dia 31 de Outubro na cidade francesa de Enghien-les-Bains. O jornal Macau Post destaca aquela notícia na sua edição de hoje e apresenta uma entrevista com Maria Helena de Senna Fernandes, a directora do Gabinete de Turismo do Governo de Macau, em que salienta a importância que terá para o turismo macaense o facto da cidade passar a ser membro da UCCN.
A UCCN foi lançada em 2004 pela Unesco como um projecto destinado a promover a cooperação entre as cidades que apostam na criatividade, na inovação e nas indústrias culturais como factores estratégicos para a promoção do seu desenvolvimento sustentável e, actualmente, já agrega 180 cidades de 72 países, que se distribuem pelas sete categorias ou campos em que as cidades mais se distinguem na área da criatividade: Artesanato e folclore, Media arts, Cinema, Design, Gastronomia, Literatura e Música.
Embora se trate de atributos ou rótulos ainda sem significativo impacto, verificamos que há algumas cidades portuguesas que já são membros da UCCN, assim sucedendo com Óbidos (Literatura) e Idanha-a-Nova (Música) desde 2015, mas também com as cidades de Amarante (Música), Barcelos (Artesanato) e Braga (Media arts), que foram aceites na recente reunião de Enghien-les-Bains.
Com a adesão a esta interessante iniciativa da Unesco, as cidades lutam pela vida, pela sua notoriedade e pelo seu reconhecimento.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O outro fantasma de Pyongyang

O jornalista brasileiro Renato Alves do diário Correio Braziliense conseguiu um visto especial para visitar a Coreia do Norte durante dez dias e, apesar da vigilância a que esteve sujeito pelo regime de Kim Jong-un, conseguiu recolher mais de 500 fotografias, dezenas de curtos vídeos e muitas histórias.
No passado dia 3 de Setembro, data em que se realizou o sexto e, até então, mais potente teste nuclear norte-coreano, o jornalista estava em Pyongyang e sentiu a terra tremer debaixo dos seus pés.
A extensa reportagem dessa visita à Coreia do Norte começou a ser publicada no seu jornal com o título “Passaporte para o segredo” e ontem foi dedicada ao “fantasma de 105 andares” ou ao “ícone do desperdício” que existe em Pyongyang.
Trata-se de um arranha-céus inacabado que se situa no centro da cidade e que é impossível não ser visto com os seus 330 metros de altura. Seria ou é o Hotel Ryugyong, pensado como o maior hotel do mundo e como símbolo de modernidade de um país ambicioso e em ascensão.
A sua construção iniciou-se em 1987, mas nunca foi concluído devido aos mais diversos contratempos, desde a falta de financiamento até ao aparecimento de problemas estruturais. Em 2011 o governo norte-coreano decidiu concluir o exterior do enorme edifício em forma de pirâmide, com painéis de vidro e antenas de telecomunicações, mas o seu interior continuou vazio. Trinta anos depois do início da sua construção, a fachada do Hotel Ryugyong está completa e com as janelas instaladas, mas o seu interior continua vazio, enquanto os seus 3 mil quartos continuam sem equipamentos e sem hóspedes. Caso tivesse sido concluído em 1989 seria o maior hotel do mundo, mas actualmente seria apenas o 47º mais alto e o quinto maior em número de quartos.
Em vez de Kim Jong-un e Donald Trump se ameaçarem constantemente, porque não chegam a um acordo para que a experiência hoteleira da Trump Organization, que opera a partir da Trump Tower em Manhattan, possa resolver o problema do Hotel Ryugyong? O Donald nunca escondeu que gosta de bons negócios e esta pode ser uma boa oportunidade para estender os seus interesses até à Coreia do Norte.

domingo, 9 de julho de 2017

Um novo Albuquerque regressa a Malaca?

O futebol está a tornar-se um desporto e um negócio à escala global e a sua mundialização está a atingir dimensões inesperadas, devido à popularidade que deriva das transmissões televisivas e do endeusamento dos mais talentosos jogadores. No desenvolvimento desse fenómeno encontram-se muitos portugueses, uns como jogadores e outros como treinadores.
Hoje, quando folheava a edição do jornal MHI ou Melaka Hari Ini que se publica na cidade malaia de Malaca, reparei num dos seus títulos de primeira página escrito na língua malaia, para mim indecifrável, que dizia “Almeida tempah laluan sukar buat kedah” e, no desenvolvimento da reportagem, verifiquei que a notícia se referia a Eduardo Almeida. Pedi ajuda ao meu amigo Google para esclarecer o assunto e verifiquei que o cidadão português Eduardo Almeida é, aos 39 anos de idade, o treinador do Melaka United F. C., um clube de futebol fundado em 1924 e que disputa a Liga Super Malaysia.
Malaca ou Melaka foi uma cidade importante do império oriental português, conquistada por Afonso de Albuquerque em 1511 e perdida para os holandeses em 1641, tendo estado sob soberania portuguesa durante 130 anos. Os portugueses foram expulsos da cidade mas deixaram muitas memórias na língua, nos costumes, na gastronomia e na religião. Depois, exceptuando os turistas, foram poucos os portugueses que estiveram em Malaca a desenvolver qualquer actividade.
Agora, com Eduardo Almeida a treinar o clube de Malaca desde o passado mês de Junho, são altas as expectativas e, se o treinador português tiver sucesso, depressa vai ser considerado, em especial no Bairro Português de Malaca ou Kampung Portugis, como um novo Albuquerque.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Macau, a herança portuguesa e a UNESCO

O território de Macau que desde 1999 constitui a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China, viu em 2005 o seu centro histórico ser inscrito pela UNESCO na lista do Património Cultural da Humanidade. Esse centro histórico inclui estruturas construidas desde o século XVII e estilos arquitectónicos em que se misturam a tradição portuguesa e a tradição chinesa.
Segundo a edição do hojemacau, o Comité do Património Mundial da UNESCO alertou recentemente o governo de Macau por não estar a dar cumprimento às exigências resultantes daquela classificação e, em especial, pela não entrega do Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau, ao mesmo tempo que mostrava preocupação pela construção de prédios altos e novos projectos de aterro, que colocam em causa a visibilidade do Farol da Guia e da Colina da Penha.
O problema parece ser sério e, aparentemente, tem a ver com o facto de existirem em Macau grandes interesses imobiliários ligados a entidades que sempre foram poderosas, quer durante a administração portuguesa, quer na actualidade. Essa é uma das razões porque não existe um verdadeiro plano director municipal e porque não funciona o regime relativo à salvaguarda do património cultural que existe desde 2013.
Por isso, o Plano de Salvaguarda e Gestão do Centro Histórico de Macau exigido pela UNESCO desde 2013 corre riscos de não ver a luz do dia e Macau corre o risco de ser retirado da lista do Património Mundial da Humanidade, o que seria bem triste para o nosso orgulho pela herança cultural e pelo património arquitectónico que deixamos na Ásia Oriental.

sábado, 16 de abril de 2016

A poesia como farol da língua portuguesa

Se é verdade que, ao longo de mais de quatro séculos, a língua portuguesa nunca se impôs em Macau, também é verdade que há muita gente, mesmo depois da transferência da soberania para a República Popular da China, que insiste na defesa do português e não se cansa de ter iniciativas para a sua promoção. É muito louvável. Assim, por iniciativa do Instituto Politécnico de Macau, realizou-se ontem a 11ª edição do Concurso de Declamação de Poesia em português, uma oportunidade para que a comunidade estudantil chinesa celebre e preste homenagem à língua portuguesa.
De acordo com a organização, o evento visa, sobretudo, “estimular o gosto pela língua portuguesa, pelas culturas e literaturas” e promover o intercâmbio e o diálogo entre as instituições de ensino superior da República Popular da China, onde o português é leccionado.
O acontecimento contou com a presença de doze instituições de ensino superior, mais cinco do que era habitual, incluindo oito do interior da República Popular da China, tendo o número de alunos em competição atingido as 32 participações.
O Jornal Tribuna de Macau destacou a realização deste Concurso com uma fotografia na sua primeira página, mas refere apenas os desempenhos de duas participantes: Li Ruiping que disse o “Poema do Silêncio” de José Régio e Chan Kit Ieng, que concorreu com “A Flor e a Náusea” de Carlos  Drummond de Andrade. É pena que o jornal não nos tenha dado mais informação sobre esta tão interessante iniciativa.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Luso-descendentes asiáticos organizam-se

O jornal hojemacau destaca hoje como principal notícia de capa que os luso-descendentes asiáticos criticam a CPLP e que se sentem “humilhados e esquecidos”, pelo que estão a organizar-se em bloco, como resposta ao que consideram ser o esquecimento daquela organização dos países de língua portuguesa, que apenas se interessa pelas “nações ricas”. Essa resposta nascerá de um encontro a ter lugar em Malaca, onde reside uma das maiores comunidades de descendentes de portugueses, por altura da festa do São Pedro, que se realiza entre 23 e 29 de Junho do próximo ano. Segundo revelaram os seus organizadores, esse encontro terá representantes da Malásia (Malaca), Índia (Goa, Damão e Diu), Sri Lanka, Singapura, China (Macau), Tailândia (Banguecoque), Austrália (Perth), Indonésia (Jacarta, Ambon e Flores), Timor-Leste e Myanmar, embora haja muitos outros lugares onde existem comunidades luso-descendentes. Muitas destas comunidades sobreviveram a séculos de isolamento, mas têm sido “redescobertas” nos tempos mais recentes devido ao interesse de académicos e de alguns (poucos) diplomatas, à facilidade de viajar e de comunicar, ao turismo e à internet.
A organização do encontro que é dinamizada por Joseph Sta Maria, um cidadão de Malaca, reconheceu que as comunidades euro-asiáticas são minorias sem força política, mas são grupos que “mantém a cultura portuguesa há cinco séculos” e que,. em muitos casos, ainda comunicam em português, utilizando um crioulo malaio-português.
Não sei o que poderá fazer a CPLP para ajudar esta organização, mas certamente que o governo português poderá dinamizar este evento por diferentes formas quer simbólicas quer concretas,, através da Secretaria de Estado das Comunidades. A aspiração daquelas comunidades é muito legítima e a remuneração anual de um só gestor do Banif dava para fazer muito...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Economia do mar gera euforia em Macau

No próximo dia 20 de Dezembro, a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China (RAEM) vai passar a administrar uma área marítima com 85 quilómetros quadrados.
No início do século XX o território de Macau tinha apenas 11,6 km2 de superfície distribuídos pela península de Macau e pelas ilhas da Taipa e Coloane, mas em meados do século começaram a ser feitos aterros, designadamente entre aquelas ilhas, daí resultando que a actual a RAEM tenha actualmente uma superfície de cerca de 29,5 km2. Com a decisão agora tomada pelo governo de Pequim abre-se a possibilidade de uma parte das novas zonas marítimas poderem vir a ser utilizadas para a construção de aterros, mas também para servir como instrumento de diversificação económica. Segundo revela a edição de hoje do jornal Hoje Macau, o anúncio do alargamento das águas territoriais macaenses provocou uma “onda de euforia”, perante a possibilidade da criação de novas áreas de negócio relacionadas com a economia do mar e de desenvolvimento do turismo náutico, o que significará mais emprego e mais riqueza. O jornal chamou mare nostrum ao alargamento das águas territoriais de Macau. De acordo com as autoridades marítimas, a RAEM dispõe de leis, regulamentos e experiência no âmbito da gestão marítima, designadamente na fiscalização e controlo de embarcações, portos e marinas, nas actividades da pesca e do turismo, bem como noutras actividades marítimias. Assim, a euforia macaense parece justificar-se pelas perspectivas oferecidas pela economia do mar.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Timor evoca a chegada dos portugueses

O jornal semanal timorense Matadalan que se publica em tétum na cidade de Dili, anuncia na sua última edição hoje divulgada, que o Estado timorense vai comemorar os 500 anos da chegada dos portugueses à ilha de Timor. De facto, desde Julho de 2015 que está constituída uma comissão organizadora presidida por Dionísio Babo Soares, que tem por missão a organização das Comemorações dos 500 Anos da Afirmação da Nova Identidade Timorense, devendo as cerimónias oficiais decorrer na Região Administrativa Especial de Oe-Cusse Ambeno no dia 28 de Novembro de 2015, que é o dia da proclamação da independência nacional em 1975.
É no enclave do Oe-Cusse que se situa a povoação de Lifau, que foi o ponto onde os portugueses terão desembarcado pela primeira vez no dia 18 de Agosto de 1515, conforme está assinalado num obelisco que existe em Lifau e resistiu aos 25 anos de ocupação indonésia, que o jornal Matadalan reproduziu na sua primeira página. As autoridades timorenses pretendem assinalar a longa caminhada histórica de Timor-Leste na construção da sua identidade nacional, marcada pelo primeiro contacto com os portugueses há 500 anos e, ao mesmo tempo, promover um sentimento de unidade nacional num território repartido por muitos reinos, muitos grupos etno-linguísticos e muitas mestiçagens culturais, sendo de salientar que a memória da chegada dos portugueses a Timor, seja um contributo tão importante para a afirmação da unidade nacional do país.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Uma luz portuguesa nos mares da China

A edição de hoje do jornal Tribuna de Macau – um dos quatro jornais macaenses que se publicam em português – assinala o 150º aniversário da entrada em funcionamento do farol da Guia que, segundo os registos, acendeu pela primeira vez no dia 24 de Setembro de 1865.
O farol da Guia foi o primeiro farol de características modernas que serviu no Extremo Oriente, tendo sido instalado na fortaleza da Guia que fora construida em 1622 quando os holandeses ameaçavam o território e que, poucos anos depois, veio a ser destruida por opção das autoridades macaenses.
O farol encontra-se sobre o monte da Guia que tem 108 metros de altitude, estando junto da capela de Nossa Senhora da Guia e assenta numa torre de alvenaria com 13,5 metros de altura e 7 metros de diâmetro, tendo sido electrificado em 1910.
O monte da Guia é um local arborizado e de grande tranquilidade, que contrasta com o ambiente citadino e com o intenso ritmo de vida que decorre à sua volta. A vista panorâmica que dele se desfruta é soberba e, em dias de boa visibilidade, podem avistar-se os territórios de Hong Kong. Significa que, para além da sua importância fundamental como ajuda à navegação, o farol da Guia se enquadra numa das mais belas paisagens de Macau. Desde 2005 que faz parte do conjunto patrimonial que foi classificado pela UNESCO como Património Mundial e a evocação da sua entrada em funcionamento há 150 anos  é muito oportuna e um sinal de que algumas boas memórias culturais portuguesas perduram em Macau.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Macau protege o seu património imóvel

A administração do território de Macau foi transferida em 1999 para as autoridades chinesas, ficando constituida a Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China (RAEM). Houve nessa altura muitas declarações elogiando o esforço feito pelas autoridades portuguesas para modernizar o território, mas também pela política de preservação da sua herança cultural e, em especial, do seu património edificado. As novas autoridades macaenses deram continuidade à política cultural dos portugueses e em 2005 viram o centro histórico de Macau ser classificado pela UNESCO e incluída na World Heritage List.
O diário Hoje Macau, um dos quatro jornais que em Macau se publicam em português, ilustra a capa da sua edição de hoje com uma fotografia do farol da Guia e informa que o nome e as plantas de delimitação geográfica de vários imóveis que fazem parte do património do território estão a ser alterados por iniciativa do Instituto Cultural de Macau. Pretendem-se adoptar nomes mais de acordo com a história e que também sejam mais esclarecedores para os milhões de turistas que visitam Macau. As famosas ruinas de São Paulo passarão a incluir a palavra igreja na sua nova designação e a fortaleza da Guia passará também a incluir a palavra ermida no seu nome. O diário macaense informa, ainda, que entre o património que já está ou se prevê esteja em restauro a curto prazo, se encontram as Oficinas Navais, um edifício a que tantos portugueses estão profissional e emocionalmente ligados.
Não há dúvida que se trata de sinais que mostram o interesse chinês na preservação da história e do patrimonio cultural da cidade a que, desde 1586, os portugueses chamaram a Cidade do Nome de Deus do Porto de Macau na China.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Macau: essa palavra saudade…

Decorreram 15 anos desde o dia 20 de Dezembro de 1999 que assinala a data em que as autoridades portuguesas transferiram a administração do território de Macau para as autoridades da República Popular da China.
A história da presença portuguesa em Macau é um dos mais interessantes capítulos da História de Portugal e prolongou-se por mais de quatro séculos. Durante um tão longo período a pequena Povoação do Nome de Deus do Porto de Amacau na China atraiu o interesse de aventureiros, mercadores e religiosos, tornou-se numa verdadeira cidade-Estado, progrediu e tornou-se uma cidade cosmopolita e um importante entreposto comercial nas relações entre a China, a Europa e o Japão. Perante os importantes acontecimentos que ao longo dos tempos ocorreram naquela região asiática, as autoridades portuguesas de Macau sempre tiveram a sabedoria diplomática necessária para assegurar a soberania portuguesa com dignidade, embora por vezes em algumas situações de maior tensão.
Quando a transferência da soberania se concretizou, as autoridades chinesas reconheceram repetidamente que a administração de Macau sempre manteve uma cooperação amistosa com a China e esse reconhecimento permitiu manter as pontes para o futuro. Assim, a língua portuguesa continuou a ser uma das duas línguas oficiais de Macau e o património, as instituições e as memórias portuguesas puderam perdurar, não deixando de ser curioso que em 2005 o Centro Histórico de Macau tenha sido declarado Património da Humanidade pela UNESCO, enquanto testemunho do pioneirismo e da mútua influência cultural entre o Ocidente e o Oriente. Por isso, o Hoje Macau – um dos quatro jornais macaenses que se publica em língua portuguesa – publicou um suplemento alusivo ao 15º aniversário da criação da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China, no qual utilizou a fotografia da gruta e do busto de Camões que se encontra no Jardim de Camões em Macau e, ainda, um sugestivo título: Essa palavra saudade…

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Um país de espertalhões e deslumbrados

La Voz de Galicia, 28 de Outubro de 2014
Há cerca de duas semanas a imprensa espanhola noticiou a detenção de algumas dezenas de pessoas por envolvimento em esquemas de corrupção, nomeadamente alguns altos dirigentes partidários e alguns autarcas (La Voz de Galicia, 28 de Outubro). Naturalmente, pensei que esse fenómeno universal da corrupção, que estava a ser combatido em Espanha com tanta severidade e rigor, não acontecia em Portugal ou era coisa de importância marginal. No meio de tantas coisas desagradáveis que nos vão acontecendo, sobretudo na banca, fiquei aliviado por não haver aqui casos suspeitos de corrupção. 
Ontem, porém, a notícia caiu como uma bomba e a imprensa de hoje confirmou que parece haver corrupção em Portugal, o que aliás nem se notava, pois não há sinais exteriores de riqueza, nem favorecimento de amigos, nem evidência de promiscuidades entre política e negócios. Portanto, a leitura da imprensa de hoje foi um choque! O Jornal de Notícias titulava que “vistos dourados corrompem altas chefias do Estado, o Correio da Manha anunciava que “Luvas de milhões no topo do Estado” e o Público destacava “Duzentos polícias detêm altos quadros do Estado ligados aos vistos gold”. Afinal, parece que o assunto é sério e que está relacionado com os vistos gold, os tais a que alguns chamam investimento, mas que não passam de uma opção governamental para vender vistos a quem aparecer, independentemente da origem e da cor do seu dinheiro ou do seu currículo criminal. Ora isso é lamentável porque fere a dignidade do Estado, mas também porque abre a porta a alguns funcionários espertalhões, gananciosos e deslumbrados para quem o dinheiro é tudo e se deixam cair nessa maldita armadilha. Perante esta grave situação, o pai deste invento que noutras ocasiões disse que “as exportações estão a ser o porta-aviões da recuperação económica” e que o turismo é “a galinha dos ovos de ouro”, que irá dizer agora? Que errou na sua estratégia? ou simplesmente que “a ocasião faz o ladrão?”

sábado, 19 de julho de 2014

A face exótica das viagens presidenciais

Muito discretamente, foi hoje anunciado que o presidente da República Portuguesa eleito por sufrágio universal em 23 de Janeiro de 2011, tinha chegado a Seul. Fiquei muito surpreendido por mais uma viagem presidencial numa altura em que, para além da nossa enfraquecida situação económica e financeira, conforme nos foi repetidamente dito nos últimos três anos, também passamos por uma preocupante e ainda mal definida situação de um dos maiores grupos financeiros portugueses, senão mesmo do próprio sistema bancário. Apesar disso, dois meses depois de uma grande viagem à China com mais de uma centena de empresários, aí está mais uma viagem presidencial ao Oriente. São demasiadas viagens para destinos exóticos. É gastar acima das nossas possibilidades. Além disso, porque Sua Excelência não gosta de viajar sózinho, leva consigo uma alargada comitiva que integra membros do governo, dirigentes de 17 empresas e alguns representantes de universidades nacionais. Não havia necessidade de, uma vez mais, levar tanta gente para este tipo de viagens que não têm outro efeito prático que não seja o de gastar dinheiro com demasiados acompanhantes, onde se incluem assessores, professores, jornalistas e empresários. O assunto está estudado nas academias e a insistência neste tipo de viagens é um quase insulto aos contribuintes portugueses. Após esta visita à Coreia do Sul o presidente segue para Timor-Leste a convite do presidente Taur Matan Ruak, no âmbito da reunião plenária da CPLP. Curiosamente, foi há dois anos que o presidente visitou Singapura e a Austrália, além de Timor-Leste, o que confirma o seu gosto pelo Oriente e pelo exotismo. Embora se compreenda esta visita institucional a Timor-Leste, seria bom que a comitiva fosse limitada, porque o exibicionismo das grandes comitivas nos ridiculariza e nos custa muito dinheiro.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A herança histórica portuguesa em Macau

O território de Macau é uma região administrativa especial da República Popular da China com uma população um pouco superior a meio milhão de habitantes. Apesar de ter sido administrado pelos portugueses desde meados do século XVI até Dezembro de 1999, a língua portuguesa nunca se impôs significativamente à população local e tem havido justificados receios de que neste novo quadro politico-administrativo do território venha a desaparecer, apesar ser uma das suas línguas oficiais.
Porém, a par de um grande desenvolvimento económico e da construção de grandiosos edifícios e outras infraestruturas, as autoridades do território têm procurado preservar o património arquitectónico de origem portuguesa existente em Macau e, em 2005, conseguiram que o seu centro histórico e as construções da colina da Guia – fortaleza, capela e farol – fossem incluídos na Lista do Património Mundial da UNESCO “por constituirem um testemunho único da confluência de características estéticas, culturais, arquitectónicas e tecnológicas do Oriente e do Ocidente”. Significa, portanto, que a preservação da herança cultural portuguesa é uma aposta duradoura das autoridades de Macau.
Nesse sentido, também está a protecção das simbólicas Portas do Cerco, conforme destacou na sua edição de ontem o jornal Tribuna de Macau, ao noticiar que o Conselho do Património Cultural as classificou como “património histórico do território”, pelo que  a solução de utilizar a própria infraestrutura do posto fronteiriço das Portas do Cerco (antiga fronteira entre Macau e a República Popular da China) para instalar a paragem do Metro Ligeiro da linha que segue para a China Continental, deve manter a harmonia paisagística e arquitectónica no local. Assim continuará, bem visível, a simbólica frase ali inscrita em 1871 no tempo do governador António Sérgio de Sousa:
A Pátria honrai que a Pátria vos contempla.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O Exótico nunca está em casa?

Está patente no Museu Nacional do Azulejo (MNAz) e tem por título "O Exótico nunca está em casa? A China na faiança e no azulejo portugueses (séculos XVII-XVIII)”, uma exposição que evoca a primeira viagem de Jorge Álvares ao sul da China e que assinala os 500 anos dos contactos luso-chineses. Essa pioneira viagem de um ocidental à China foi realizada em 1513 a bordo de um junco chinês saido de Malaca, que tinha sido conquistada em Agosto de 1511 por Afonso de Albuquerque. Ainda antes da fixação dos portugueses em Macau foram estabelecidas relações comerciais muito intensas entre os chineses e os portugueses. Os portugueses passaram a comprar a porcelana, o chá e os têxteis chineses que trouxeram para a Europa e Portugal tornou-se a porta de entrada preferencial desses produtos exóticos que da China chegavam à Europa. Mais tarde, o interesse pelos produtos chineses deu origem ao fenómeno da chinoiserie que se estendeu por toda a Europa e se tornou uma moda e que resultou na criação de uma série de objectos – cerâmicas, azulejos, pinturas, têxteis, mobiliário – que pretendiam retratar um quotidiano longínquo.
A exposição apresenta um conjunto de 75 peças provenientes do acervo do MNAz, de outras instituições museológicas e de colecções particulares, podendo ser visitada até ao dia 29 de Junho de 2014.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Macau preserva a memória portuguesa

Foi no dia 20 de Dezembro de 1999 que, por acordo entre Portugal e a República Popular da China, o território de Macau voltou a estar sob soberania chinesa, depois de cerca de quatro séculos e meio de administração portuguesa.
Macau foi o primeiro entreposto europeu na China e foi, também, o último território europeu nas costas chinesas, pelo que a sua história não cabe num pequeno texto. Agora, decorridos 14 anos sobre a transferência de soberania, o território de Macau parece apostar no seu passado lusófono para se projectar internacionalmente em diferentes dimensões, promovendo diversas iniciativas. Os jornais macaenses evocaram aquela data e procuraram analisar as transformações por que passou o território, agora designado por Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China. O jornal hojemacau destaca o “Desfile por Macau, Cidade Latina”, que foi transmitido em directo pela televisão e celebrou os 14 anos da transferência de poderes de Portugal para a China, no qual centenas de figurantes desfilaram pelas ruas do centro histórico de Macau durante três horas, desde as ruínas de São Paulo até à praça do Tap Seac, um local amplo com calçada à portuguesa e edifícios históricos. Milhares de turistas e de residentes assistiram a este desfile que, também, serviu para manter viva a herança cultural portuguesa na cidade.
Macau tem servido cada vez mais de ponte entre a China e os países de língua portuguesa, mas também de elo de ligação com os países latinos, pelo que no desfile participaram  grupos locais e do exterior, principalmente de países de língua portuguesa como Portugal e Brasil, mas também de países latinos como a Colômbia, Peru, Argentina, Cuba ou Bolívia.