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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Outra viagem presidencial, agora à Índia


O Presidente da República de Portugal gosta de ser apreciado interna e externamente e não perde nenhuma oportunidade. Agora foi em visita oficial à Índia porque assim o exige a sua função de representação e essa visita tem que ser vivamente saudada. Embora não estejam isentos de controvérsias, os laços históricos entre os dois países são muito antigos e o facto é que em algumas regiões da Índia, nomeadamente na costa do Concão, há fortes sinais da herança cultural portuguesa. Porém, nas visitas que os portugueses fazem à Índia, o ponto central é sempre Goa e com a visita do Presidente da República, não poderia ter sido diferente.
Goa foi a capital do Estado da Índia e, no século XVI, “governava” a navegação e o comércio da orla do oceano Índico desde Moçambique até à China. Seguiram-se cerca de quatro séculos de “presença” que deixaram um património construído de raíz religiosa e militar mas, sobretudo, uma presença cultural que tem resistido à indianização. Hoje, a matriz cultural portuguesa e em especial a língua portuguesa, estão em acelerado retrocesso e são pouco mais do que uma memória. O português nunca foi a língua franca de Goa e agora está realmente a desaparecer, até porque as novas gerações não encontram nela qualquer sentido de utilidade. No entanto, as marcas lusas estão lá e, como disse o Presidente, "ninguém percebe bem o que é ser português sem vir a Goa". É realmente assim.
A visita presidencial foi, naturalmente, uma visita de afectos às poucas centenas de "portugueses de Goa" e das selfies de que tanto gosta, mas seria desejável que se fizesse mais do que tem sido feito para assegurar que a memória portuguesa não se perdesse em Goa. E há muito para fazer, desde a protecção religiosa que por vezes parece ameaçada pelas hostes mais radicais do partido de Narendra Modi, até à desburocratização das actividades consulares em que a obtenção de um visto turístico exige uma ilimitada paciência de quem o procura.
Finalmente, porque tudo é pago com os meus impostos, volto a perguntar porque razão o Presidente se faz acompanhar de tanta gente nestes passeios que não são nada baratos.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Uma nau histórica para servir de museu

Realizou-se ontem nos estaleiros Palmás em Punta Umbría, nas vizinhanças da cidade de Huelva, o lançamento à água de uma réplica da nau Victoria, isto é, da única das cinco naus da frota de Fernão de Magalhães que tendo partido de Sanlúcar de Barrameda em 1519 conseguiu terminar a volta ao mundo em 1522, então com Juan Sebastian de Elcano no comando. A nau Victoria demorou 3 anos e 14 dias a percorrer cerca de 37.753 milhas e a completar a sua viagem de circumnavegação e, quando chegou ao fim dessa histórica viagem, trazia a bordo apenas 18 homens.
Esta réplica é a segunda que se constrói, mas enquanto a primeira foi construída em 1991 para navegar em 1992 durante as Comemorações da Viagem de Cristóvão Colombo, esta nova réplica que foi baptizada como Victoria 500, não foi concebida para sulcar os mares mas apenas para servir como um museu flutuante atracado em Sevilha para celebrar a primeira volta ao mundo. A nau Victoria simboliza esse feito marítimo e científico que foi a viagem de circumnavegação e é pena que em Portugal não se tenha uma iniciativa semelhante que servisse para mostrar aos milhões de turistas que nos visitam um pouco do nosso pioneirismo na abertura do mundo que, naturalmente, teve grandes benefícios para a Humanidade, embora também tivesse outras coisas menos boas. O Diário de Sevilla deu um grande destaque a esta notícia, tal como a generalidade dos jornais da Andaluzia.
Agora que já se iniciaram as obras de integração da antiga Doca da Marinha na paisagem marítima da cidade de Lisboa, que bem que ali ficaria a última nau da Índia, bem conservada e bem iluminada, em vez de estar escondida em Cacilhas onde poucos a vêm.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A Nazaré é a capital das ondas gigantes


As ondas gigantes da Nazaré, ou antes, as ondas da chamada praia do Norte da Nazaré, tornaram-se um atractivo para os surfistas que apreciam os grandes desafios, para o público que gosta de grandes espectáculos e para os media que precisam de atrair leitores com notícias e imagens aliciantes. Ano após ano, sobretudo depois de 2011, as ondas e a vila da Nazaré atraem cada vez mais surfistas que procuram as ondas gigantes formadas no canhão da Nazaré, um desfiladeiro submarino de origem tectónica situado ao largo daquela área costeira. A fama mundial destas ondas começou em 2011 quando o surfista norte-americano Garrett McNamara surfou uma onda de 23,77 metros, entrando para o Guiness Book como o homem que surfou a maior onda de sempre no mundo.
McNamara tornou-se o ídolo dos nazarenos, colocando a vila piscatória e a apreciada praia da Nazaré, também no mapa do surf mundial. Desde então, entre Novembro a Fevereiro, os especialistas convergem para a Nazaré, onde pela primeira vez se vai realizar o Nazaré Tow Surfing Challege, que a Liga Mundial de Surf prevê vir a ser um grande evento do surf mundial e que vai atrair muitas equipas internacionais.
Actualmente, o recorde da maior onda do mundo é de 24,38 metros e foi obtido em Novembro de 2017 pelo brasileiro Rodrigo Koxa, enquanto o recorde feminino foi conseguido em Outubro de 2018 pela brasileira Maya Gabeira que surfou uma onda de 20,72 metros, tendo ambos sido obtidos na Nazaré. O apuramento e a homologação destes resultados são feitos em Maio de cada ano pela Big Wave Awards da World Surf League, o que lhes confere a credibilidade necessária.
Na sua edição nº 6081, hoje publicada em Paris, o jornal Le Petit Quotidien, que se destina a um público jovem e que oferece “dez minutos de leitura por dia”, destaca na sua primeira página as espectaculares ondas da praia do Norte da Nazaré. Uma promoção internacional para a capital mundial das ondas gigantes!

domingo, 4 de agosto de 2019

Férias a crédito são nova forma de vida

A notícia de La Voz de Galicia é surpreendente, sobretudo depois da grave crise financeira de 2008 da qual nem o sistema financeiro nem os contribuintes já se livraram. Quando mais de cem mil galegos fazem as suas férias com recurso ao crédito, significa que já estamos num novo paradigma das relações entre rendimento e consumo ou, então, que ninguém aprendeu as lições do passado recente. E o que é válido para a Galiza deve ser válido para Portugal, porque os galegos e os portugueses são demasiado parecidos e tanto os comportamentos gananciosos da banca como os apetites irresponsáveis de quem a ela recorre para financiar as suas férias ,são certamente muito parecidos tanto para norte como para sul do rio Minho.
Não está em causa a necessidade de fazer férias, de descansar das rotinas laborais e de desfrutar de um ambiente diferente durante algum tempo para recuperar energias, mas o que admira é a nova forma de vida que se vem acentuando de fazer férias a crédito, seja para uma estadia no Algarve, para uma viagem aos Açores, para um cruzeiro no Mediterrâneo ou, até mesmo, para uma estadia “paradisíaca” nas Sheychelles. O "viaje agora e pague depois" tornou-se uma moda.
As economias europeias estão cada vez mais alavancadas na poderosa indústria do turismo e as férias de uns tornaram-se num negócio para muitos outros, como nos anos mais recentes se vê claramente em Portugal. Nessa lógica, o recurso ao crédito é um alimento essencial para alimentar essa indústria, embora seja perturbador para o princípio individual de que as poupanças que cada um faz com sacrifício para adiar o consumo para melhor oportunidade, se transformam em créditos para quem vai consumir sem que já tenha poupado. Antigamente ainda havia a compensação dos juros, mas agora é a banca que tudo engole na sua ganância e irresponsabilidade social.

domingo, 7 de julho de 2019

O Tour de France 2019 já aí está!

A 106ª edição da Volta à França começou ontem em Bruxelas e, depois dos ciclistas pedalarem 3460 quilómetros, terminará em Paris no dia 28 de Julho. Durante 22 dias estarão na estrada 176 ciclistas de 22 equipas e, entre eles, três portugueses: José Gonçalves do Team Katusha Alpecin, Nélson Oliveia do Movistar Team e Rui Costa do UAE Team Emirates.
O Tour de France é um dos mais importantes acontecimentos desportivos do mundo e desperta um enorme entusiasmo nos franceses. Este ano a corrida homenageia Eddy Merckx, o ciclista belga que a venceu por cinco vezes, estando a despertar um interesse adicional, não só porque o percurso é considerado muito duro e inclui cinco etapas de alta montanha, mas também porque o ciclista inglês Chris Froome, campeão do Tour em 2013, 2015, 2016 e 2017, vai estar ausente, o que faz aumentar as possibilidades de uma vitória francesa.
Independentemente dos seus aspectos desportivos, o Tour de France é um grande espectáculo de realização televisiva, não só porque informa sobre todos os detalhes desportivos da corrida, mas também porque constitui um notável exemplo de promoção turística e cultural da França ao mostrar grandes paisagens naturais e inúmeros elementos do património construído, incluindo palácios, castelos, igrejas, pontes e outros monumentos. As reportagens televisivas do Tour de France são documentos de promoção turística e de divulgação cultural imperdíveis, mesmo para quem não gosta do desporto velocipédico.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Onde estarão as orcas do Salish Sea?

O Salish Sea é uma grande área marítima que penetra pelo interior da costa ocidental da América do Norte. Constitui um complexo sistema de ilhas e de canais, banhando uma parte do noroeste do estado americano de Washington e uma parte do sudoeste da província canadiana de British Columbia, incluindo a cidade de Vancouver.
Este mar é uma área cuja paisagem marítima é de grande beleza e de invulgar diversidade biológica, sendo frequentado por orcas cujo número tem vindo a regredir, embora actualmente ainda estejam reconhecidos 76 exemplares residentes que são identificados pela sua barbatana dorsal. Alimentam-se sobretudo de salmão-rei ou chinook salmon (Oncorhynchus tshawytscha) e estima-se que cada orca se alimente diariamente com uma dieta de 1400 salmões!
As orcas aparecem nas proximidades de Vancouver desde a primavera ao outono e são responsáveis por uma florescente indústria turística em que, por uma importância de 165,70 euros, se faz um safari marítimo de cerca de 4 horas em que se podem ver as Montanhas Rochosas e as florestas de pinheiros canadianos e, além de outros cetáceos, as famosas orcas. Porém, como hoje anuncia o Star Metro (edição gratuita de Vancouver) ninguém sabe o que se passa com as orcas que são um quase ex-libris da cidade. e que ainda não apareceram. Os meios científicos e ambientais, bem como a opinião pública da bacia do Salish Sea, estão preocupados e não sabem o que se passa. Consequência das alterações climáticas? Escassez de salmão? Sobreutilização turística do Salish Sea? Daí que se volte a salientar que as orcas estão em vias de extinção naquela região do oceano Pacífico.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A emoção de um regresso a Goa

Voltar a Goa é um regresso a algumas das melhores memórias da minha vida e é um reencontro com pessoas que estimo desde há muitos anos, mas é também uma leitura renovada sobre um território e uma comunidade que nos seduz pela sua história e pela sua especificidade cultural.
Goa é um dos 29 estados da União Indiana e tem uma personalidade muito própria, por certo derivado da convivência que manteve com os portugueses durante alguns séculos. Porém, o progresso tem alterado quase tudo em Goa, tanto no seu ambiente cultural como na oferta de actividades e serviços, tornando-se um pólo de atracção para as outras regiões da India. Para responder à procura turística e para satisfazer as necessidades crescentes da população, apareceram novas construções, muitas infraestruturas e comércios de todos os géneros, em paralelo com muitas iniciativas empresariais e novas experiências culturais. A vida social dinamizou-se e o turismo tornou-se uma das mais importantes actividades económicas de Goa, gerando rendimentos para muitos sectores da população, uma parte da qual veio de outras regiões da Índia à procura do emprego e da prosperidade que encontram na”Europa da Índia”.
No entanto, perdura em Velha Goa a magia e o encanto da Goa Dourada, a cidade que nos séculos XVI e XVII foi a capital de um império marítimo que se estendeu de Moçambique ao Japão e que, porventura, é um dos episódios mais importantes da História de Portugal. Por isso, é um local tão belo quanto simbólico e, naturalmente,  lá estive hoje em peregrinação emocional e histórica.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A nova solução aeroportuária para Lisboa

O governo português e a ANA – Aeroportos de Portugal vão assinar hoje um memorando de entendimento que pretende dar resposta aos problemas do aeroporto Humberto Delgado, que em 2018 atingiu o seu nível máximo de saturação com cerca de 29 milhões de passageiros e que, a partir de agora, começou a perder cerca de 1,8 milhões de passageiros potenciais por ano.
A solução tem sido discutida desde há muitos anos, tendo-se pensado em novos aeroportos na Ota ou em Alcochete, mas a solução encontrada foi o aproveitamento da área da base aérea do Montijo para construir um novo aeroporto, que deverá estar em funcionamento em 2022, em paralelo com a ampliação do aeroporto Humberto Delgado.
Os valores do acordo já foram revelados e o investimento global ascenderá a 1.747 milhões de euros, dos quais 1.326 milhões se destinam à primeira fase. Destes, haverá 650 milhões para a ampliação do aeroporto Humberto Delgado, 520 milhões para o novo aeroporto do Montijo e 160 milhões para acessibilidades e compensações à Força Aérea. O prazo da concessão vai estender-se até 2062 e todo o investimento ficará exclusivamente a cargo da concessionária.
O novo aeroporto do Montijo terá 2400 metros de pista e estacionamento para 36 aviões, pretendendo ultrapassar a marca dos 50 milhões de passageiros por ano e chegar aos 72 movimentos de aeronaves por hora.
No que respeita ao modernizado aeroporto Humberto Delgado, salienta-se que vai aumentar a sua área em mais de 32%, passando a poder receber na sua pista os maiores aviões de passageiros do mundo, respectivamente o A380 e B 747. Esse aspecto parece ter sido o que mais interessou o Jornal de Negócios, que ilustra a capa da sua edição de hoje exactamente com uma fotografia do A380.
O acordo que hoje vai ser assinado parece não ter o aplauso unânime das forças políticas e ainda está dependente do estudo de impacto ambiental que está a ser concluído, mas é seguramente um bom passo no caminho do nosso progresso económico.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A promoção turística da ilha da Madeira

Acaba de ser publicada em França mais uma edição da revista Destination Portugal, que é dedicada à ilha da Madeira. Trata-se do número 11 de uma revista dedicada a Portugal, que é classificado como a nova destination-phare dos franceses ou também como le nouvel Eldorado. A iniciativa de publicar uma revista com este título e que já vai no seu 11º número despertou a minha curiosidade e fui investigar.
Trata-se de uma revista especializada em Turismo que nasceu em 2016 em Chamalières, nos arredores de Clermont-Ferrand, no centro da França, por iniciativa de uma pequena empresa com o nome de Vasco Editions. Com este nome, pensei de imediato que se tratava de uma editora criada e constituída por portugueses ou luso-descendentes que tinham detectado uma oportunidade de mercado cujo público-alvo era a comunidade francesa luso-descendente, que deve ser bem numerosa e que se interessava por Portugal. Porém, verifiquei que os sócios que, aparentemente, são os únicos trabalhadores da empresa, são Christophe Bonicel e Yves Goutorbe, cujos nomes não indiciam qualquer ligação a Portugal.
Das edições já publicadas destaca-se que já foram dedicadas à Nazare (la nouvelle vague), a Lisboa (duas edições), Albufeira, Peniche, Cascais, Aveiro, Porto (au top) e Lagos.
Com excelentes fotografias, a revista Destination Portugal satisfaz o mercado turístico francês que “gosta de viajar,  mas que se informa previamente sobre o que vai ver”, deve ser um projecto economicamente rentável e, ao mesmo tempo, promove o que de bom existe em Portugal. Por ainda não ter tido acesso à revista, não sei até que ponto ela é subsidiada pelas agências de turismo português.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Unesco vai classificar o Farol de Cordouan

O jornal Sud Ouest é publicado diariamente em Bordéus e é um dos maiores jornais regionais franceses, com uma circulação da ordem dos 300 mil exemplares diários. Na sua edição de hoje o jornal noticia a realização de uma grande festa nas imediações do farol de Cordouan para apoio da sua candidatura a património mundial da Unesco e associa-se a essa campanha com a divulgação da história do farol, com muitas imagens e com informações sobre o processo em vias de decisão.
O farol de Cordouan fica situado sobre uma pequena ilha rochosa à entrada do estuário do rio Gironda, a cerca de 3 milhas da costa, tendo servido desde tempos muito recuados para assinalar a entrada da barra às embarcações que iam carregar vinho na região de Bordéus. Porém, só em 1611 foi construida uma estrutura com as características de um farol. Essa estrutura foi melhorada ao longo dos anos e o alumiamento do farol foi modernizado, mas só entre 1786 e 1790, quando a torre foi acrescentada de 20 metros, é que o farol tomou a sua forma actual com 68 metros de altura.
É uma estrutura monumental de grande harmonia arquitectónica, com vários pisos onde se situam alojamentos, capela e, no topo, o sistema de alumiamento que só em 1950 passou a ser eléctrico. O farol recebeu o estatuto de monumento histórico em 1862 e agora quer ser reconhecido pela Unesco e ter o estatuto de Património da Humanidade. É de facto um farol único no mundo, que os franceses gostam de designar como o “farol dos reis, rei dos faróis” ou o “Versailles do mar”. É uma das atracções turísticas do sudoeste francês e recebe cerca de 20 mil visitantes por ano que pagam 11 euros pela visita, mas que não inclui o transporte por mar até ao farol. Porém, dizem os que já lá foram, que valeu a pena.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Estudantes gastam 4 milhões em Huelva

A moda já tem alguns anos e os estudantes portugueses finalistas do ensino secundário não abdicam dela, isto é, nesta altura das férias da Páscoa organizam excursões e dirigem-se para o sul de Espanha.
Ontem chegaram a Punta Umbria, uma zona de veraneio situada a menos de cinquenta quilómetros da fronteira de Ayamonte e localizada próximo da cidade de Huelva, cerca de 10.800 visitantes portugueses, entre estudantes e staff de apoio, que viajaram em 200 autocarros.
Pelo terceiro ano consecutivo e durante uma semana tomarão parte no Festival Village Resort Edition, o que representa uma ocupação hoteleira de 100% e um total de cerca de 64.800 pernoitas. Além disso, esta “invasão lusitana” implica a criação de cerca de 1.500 postos de trabalho temporário e um impacto económico da ordem de quatro milhões de euros para o municipio de Punta Umbria: dois milhões cobrados pelos hoteis por alojamento e pensão completa e 1,79 milhões de euros em despesas a efectuar no comércio local em supermercados, souvenirs, bares, cafetarias e outros estabelecimentos.
Punta Umbria tem boas condições para os pré-universitários portugueses que, com idades em torno dos 17-18 anos, podem aproveitar a praia e outros recursos turísticos, embora a maioria prefira a música que é o verdadeiro motor desta festa estudantil. Naturalmente, estas excursões estimulam muitos excessos, mas as autoridades e os organizadores devem estar prevenidos. Finalmente, para o comércio local a “invasão lusitana” é um balão de oxigénio, até porque a Semana Santa terá ficado aquém do desejável.
O jornal Huelva Información destacava hoje que 11.000 portugueses deixarão quatro milhões em Punta Umbria. Era uma grande noticia e um grande negócio proporcionado por gente com grande poder de compra.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Symphony of the seas: a cidade flutuante

Chama-se Symphony of the seas, foi construido nos estaleiros franceses de St. Nazaire e é o maior navio de cruzeiros do mundo. É o 26º navio da Royal Caribbean International, tem 362 metros de comprimento, desloca 228 mil toneladas e pode transportar 6360 passageiros.
É uma cidade flutuante onde existe tudo o que é possível imaginar-se. Para além das suas colossais dimensões, o navio destaca-se pela diversidade de experiências que oferece aos seus passageiros, que incluem 19 piscinas com diferentes actividades lúdicas, pista de patinagem no gelo, simuladores de surf, teatro para 1380 pessoas, 20 restaurantes e lojas das mais prestigiadas marcas internacionais.
A sua viagem inaugural está marcada para o próximo dia 7 de Abril com saída de Barcelona, escalas em Palma de Maiorca, Provence, Florença/Pisa, Roma e Nápoles e regresso a Barcelona. Depois repetirá este circuito mediterrânico durante várias semanas e, no segundo semestre do ano, atravessará o Atlântico para fazer cruzeiros pelas Caraíbas a partir de Miami.
Na passada terça-feira o navio foi apresentado em Málaga e, aparentemente, a Royal Caribbean International convidou meio mundo para essa apresentação mundial, sobretudo agências de viagens e jornais, porque o evento está relatado em inúmeros jornais que divulgam  as características excepcionais do navio, embora nenhum lhe dê o destaque que foi dado pelo Málaga hoy, que dedicou a sua primeira página ao “mayor coloso del mar”.
Com tanta oferta de divertimento e com tanta gente a bordo, uma viagem no Symphony of the seas até talvez se torne numa cansativa viagem...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Ilhas perdidas e saudades de Moçambique

O semanário moçambicano Domingo destaca na sua última edição uma notícia relativa a um sururu na ilha de Kiriyanhuli, no distrito de Macomia, província de Cabo Delgado. Nos tempos coloniais conheci essa ilha muito bem. Chamava-se Quero-Niuni e era pouco mais do que um areal desabitado, com duzentos ou trezentos metros de comprimento máximo, com alguma escassa vegetação e um enorme banco que a envolvia e que em baixa-mar descobria algumas centenas de metros de corais.
Segundo a notícia, terá havido uma autorização provisória dada pelo governador da província de Cabo Delgado para que a empresa Durr Mozambique, Lda, que pertence a um deputado moçambicano, ocupe a ilha e ali instale um aldeamento turístico, em associação com investidores sul-africanos.
Esse tipo de investimentos tem sido usual em muitas das três dezenas de ilhas do arquipélago das Quirimbas, pois as suas condições turísticas são excepcionais, com extensos areais, águas límpidas, coloridos corais e variada fauna marítima. Nas ilhas maiores, não tem havido incompatibilidade entre a existência dos aldeamentos ou dos resorts turísticos e as aldeias que nelas existem, nem entre os turistas e os ilhéus. Porém, no caso desta ilha que é pequeníssima, parece haver uma disputa entre os que querem uma exploração turística e aqueles que não abdicam de continuar a viver na sua aldeia formada nos últimos anos, a partir da qual se dedicam à pesca. Não há espaço para as duas realidades e os pescadores reagiram. Daí o sururu.
O facto é que uma notícia relativa a um areal de duzentos ou trezentos metros de extensão nos evoca memórias de um outro tempo e nos desperta saudades de umas ilhas paradisíacas.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Um destino turístico chamado Portugal

A propósito do 60º Salão de Férias de Bruxelas que abriu as suas portas ao público, o jornal La Libre Belgique destacou ontem na sua primeira página que os destinos-tendência para 2018 são o Chile, a Coreia do Sul e Portugal. Portanto, temos o nosso país eleito pelos belgas como um grande, se não o maior, destino turístico europeu.
Nestas feiras, que no princípio do ano são organizadas em todos os países, as agências de viagens apresentam ao público as suas melhores sugestões de férias, procurando convencê-los a comprar os seus pacotes. Foi assim que, sob a pressão da indústria do turismo e das suas agências de viagens, nasceram alguns destinos turísticos como Torremolinos, Canárias, Acapulco ou Cancun, mas também a moda dos cruzeiros mediterrânicos ou nórdicos, a somar aos tradicionais circuitos pelas grandes cidades europeias.
Por razões de ordem diversa, Portugal afirmou-se nos últimos anos como um destino turístico de primeira ordem, pelo que os agentes económicos têm procurado adaptar-se a essa oportunidade que se deseja não seja apenas conjuntural e que é bem visível no renascimento ou readaptação da parte antiga da cidade de Lisboa, cada vez mais vocacionada para o turismo. Desse facto muito tem beneficiado a economia portuguesa mas também a auto-estima dos portugueses que se mostram mais abertos e mais receptivos do que nunca aos estrangeiros, o que também tem servido para melhorar a imagem internacional do nosso país.
A constatação verificada pelo jornal belga de que Portugal é um dos mais procurados destinos turísticos é encorajadora para o sector e, naturalmente, para a economia portuguesa. Os lisboetas e os portugueses em geral que se preparem, porque este ano irão chegar ainda mais turistas para ver os nossos monumentos e as nossas praias ou encher os nossos restaurantes e os nossos museus. Como vai longe o tempo do isolamento internacional...

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Macau e a festividade do Ano Novo Chinês

No próximo dia 16 de Fevereiro de 2018 começa o Ano Novo Chinês que só terminará no dia 4 de Fevereiro de 2019.
O Ano Novo Chinês, que também é conhecido como Ano Novo Lunar Chinês, é a mais importante festividade para os chineses e a sua celebração dura 15 dias, durante os quais são seguidos inúmeros rituais e tradições com a finalidade de atrair a sorte. A cor vermelha é a cor predominante nos festejos, porque significa transformação e vida, mas também são utilizadas outras cores como o amarelo, o dourado e o roxo porque, segundo a cultura chinesa, atraem a prosperidade e a riqueza e, parece, que também o amor. Nas vésperas do início do seu Novo Ano os chineses limpam as casas, cortam o cabelo, preparam as roupas, fecham as contas e dão presentes aos seus deuses, além de outros rituais. Todos eles são levados muito a sério e com grande superstição.
Durante as festividades as pessoas acendem lanternas vermelhas e penduram-nas diante da porta principal das suas casas durante os 15 dias de festejos e queimam muito fogo de artifício para afastar o azar e os maus espíritos.
As festividades em Macau são um grande acontecimento, não só para os macaenses mas também para os visitantes, pelo que as autoridades aproveitam para promover o Turismo. Hoje, o jornal macaense ponto final – um dos três jornais diários de Macau publicados em português – apresenta a imagem dos festejos de 2017 com o desfile do dragão gigante dourado no Largo do Senado (vendo-se à direita a Santa Casa da Misericórdia). O jornal informa que este ano são esperados 960 mil visitantes durante os 15 dias dos festejos mas, no ano passado, o mesmo jornal afirmara que “Macau tinha recebido 2,2 milhões de visitantes por ocasião das festividades do Ano Novo Chinês”. Serão, portanto, um ou dois milhões de visitantes em 15 dias. Considerando que o território de Macau tem actualmente cerca de 617 mil habitantes, não há dúvida que as festividades do Ano Novo Chinês são um excelente contributo para a economia da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Águas residuais ameaçam as Canárias

A edição de ontem do Diario de Avisos, um jornal centenário que se publica em Santa Cruz de Tenerife e que é o mais antigo periódico das ilhas Canárias, dedicou a sua capa de ontem à ”vergonha que não se pode ignorar”, isto é, à descarga no mar da maioria das águas residuais ou esgotos das ilhas Canárias, que é feito sem o tratamento a que obrigam as leis espanholas e europeias.
Esta realidade foi conhecida na sequência da aparição de enormes manchas de cianobactérias conhecidas por algas azuis que, segundo nos informa o amigo Google, são microalgas que provocam a morte dos peixes e podem afectar a saúde dos banhistas e de quem consumir o peixe capturado naquela zona. Os efeitos sobre a saúde dos banhistas pode ir desde um simples caso de alergia até a problemas mais graves com incidência no fígado. Trata-se, portanto, de uma ameaça, pelo que as autoridades podem vir a proibir a pesca e os banhos de mar nessas zonas, o que a acontecer, afectaria enormemente o turismo nas ilhas Canárias.
Segundo informa o jornal, existe a convicção generalizada que este problema está relacionado com o facto de 74% dos locais de descarga de águas residuais das ilhas Canárias serem ilegais, o que corresponde a 378 condutas ou saídas que descarregam no mar as suas águas residuais sem o devido tratamento. São demasiados esgotos a poluir o ambiente marinho e a contribuir para que o mar das ilhas Canárias tenda a ser uma lixeira e uma ameaça à saúde pública. Como diz o Diario de Avisos, as Canárias estão ”rodeadas de vertidos” e isso é “ la vergüenza del paraíso turístico”. A imagem da capa do jornal é esclarecedora e até pode alarmar os residentes e os turistas quanto à limpeza das águas das sete ilhas canárias. A agravar a situação e segundo foi apurado, tem-se verificado um aumento considerável das descargas de origem urbana, sobretudo domésticas, embora com uma ligeira diminuição das descargas de origem industrial.
Como será na costa portuguesa? Aqui está um bom tema para ser investigado.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Este ano vamos ter as Festas do Redondo

É verdade!
Este ano vamos ter as Festas do Redondo ou as Ruas Floridas do Redondo, um verdadeiro festival de arte e cultura popular que irá decorrer de 29 de Julho a 6 de Agosto.
É um acontecimento imperdível e, portanto, recomenda-se que as agendas de cada um reservem um dia para uma visita a esta vila alentejana para participar neste evento extraordinário da cultura popular portuguesa. Para quem estiver em Lisboa é uma viagem de cerca de 170 quilómetros, mas qualquer análise custo-benefício conclui por um resultado francamente positivo, isto é, o benefício emocional desta visita ao Redondo supera largamente o custo monetário da viagem.
As Festas do Redondo são, sobretudo, a arte e a cor das suas ruas ornamentadas com flores de papel, cada uma delas rivalizando em criatividade com a rua anterior e em imaginação com a rua seguinte, mas também incluem outros motivos de interesse para o visitante, como as mostras e as vendas de artesanato e de produtos regionais.
Porém, para além de tudo o que ficou dito, as Festas do Redondo incluem um diversificado roteiro da melhor gastronomia alentejana, a que aderem dezenas de pequenos restaurantes para delícia dos visitantes. Há mesmo quem hesite em dizer se são melhores as flores de papel ou os petiscos do Redondo...

quarta-feira, 29 de março de 2017

Lisboa: cidade e turismo de mãos dadas

Por circunstâncias muito diversas mas que acabam por ser convergentes, a cidade de Lisboa está a tornar-se num pólo turístico à escala europeia ou mesmo mundial, ao receber muitos milhares de turistas. Há turistas por todo o lado.
O turismo tem transformado a cidade que está mais moderna, mais acolhedora e mais cosmopolita. Os turistas deambulam por toda a cidade e pelos arredores de Cascais e Sintra, enchem as esplanadas do Terreiro do Paço e fazem longas filas para comprar os pastéis de Belém; sentam-se na Ribeira das Naus a ver o Tejo com o movimento dos cacilheiros e o voo das gaivotas; acotovelam-se para entrar nos Jerónimos ou na Torre de Belém; assaltam as colinas do Castelo e as ruas estreitas da Alfama; sentam-se nas esplanadas da Brasileira ou da Bénard e fazem-se fotografar ao lado da estátua de Fernando Pessoa; visitam museus e igrejas, sobem até aos miradouros do Monte e da Graça para observar a cidade das sete colinas. À noite divertem-se. A hotelaria e o comércio lisboeta animam-se e o produto nacional, o emprego e a balança de pagamentos agradecem esta circunstância que se espera seja sustentável.
A prestigiada revista francesa Geo, que é especialista em turismo e lazer, dedica a sua edição nº 458 de Abril de 2017, que hoje foi posta a circular, à cidade de Lisboa. Chama-lhe magnétique, o que significa que atrai. Na sua primeira página destaca uma fotografia da Torre de Belém e do azul do mar, tendo escolhido para título a frase Comment cette belle ville du Sud devient une grande capitale d’Europe e, na sua reportagem, diz que Lisboa est la plus irrésistible des capitales européennes. Embora sejam frases agradáveis que os portugueses gostarão de ler, há um acentuado exagero nesta laudatória reportagem que, embora assente numa realidade quotidiana que todos vemos, até parece ter sido feita por encomenda. E lá teremos mais turistas e mais pastéis de nata para vender...

sábado, 31 de dezembro de 2016

Que sufocantes são as praias brasileiras

O diário brasileiro Estado de S. Paulo ilustra a sua última edição de 2016 com uma elucidativa fotografia da praia de Pitangueiras que se situa no centro do Município da Estância Balneária do Guarujá, no Estado de S. Paulo.
É a mais acessível e a mais popular de todas as 27 praias do município e, por isso, atrai multidões, sobretudo nestes dias de festas do fim do ano, quando o calor tropical aumenta e a brisa marítima se torna uma benção que toda a gente procura. Nestes dias, porque o lugar está geograficamente em 23º de latitude Sul e a declinação do Sol também está próxima desse valor, ao meio-dia o Sol está no zénite ou por cima da cabeça das pessoas e “não há sombra”. É mesmo tempo de calor.
A fotografia que o jornal publica mostra o areal da praia de Pitangueiras coberto por muitas centenas de coloridos guarda-sóis, absolutamente ocupado e sem espaço para mais nada. Este sufoco está a banalizar-se em muitas praias, não apenas no Brasil, mas sobretudo nas praias situadas nas proximidades das grandes cidades que se estão a tornar num sítio pouco recomendável para descanso ou para lazer. Todos podemos imaginar o ambiente criado por guarda-sóis encostados uns aos outros e acrescentar que, segundo refere a notícia, “as caixas de som debaixo do guarda-sol viraram moda”.
A fotografia publicada fala por si e vale mais do que mil palavras. É caso para perguntar se alguém quer trocar este frio português pelo calor de uma praia brasileira como esta.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Os deputados-viajantes brasileiros

Ontem todo o Brasil se comoveu com a dor que se abateu sobre a cidade de Chapecó, no interior do Estado de Santa Catarina, quando viu regressar as urnas dos jogadores do Chapecoense vitimados pelo trágico acidente aéreo ocorrido nas proximidades de Medellín. A imprensa brasileira associou-se a essa homenagem e assim fez também o jornal Folha de S. Paulo, que hoje destaca na sua primeira página a cerimónia da chegada das urnas.
Na mesma edição o jornal paulista informa que os “deputados federais viajam ao exterior a cada dois dias”. De acordo com uma investigação feita pelo jornal, desde 2010 a Câmara dos Deputados pagou 1283 viagens de congressistas ao exterior, o que em média corresponde à saída de um deputado cada dois dias. Os motivos invocados para essas viagens são, naturalmente, o trabalho político que varia desde o “conhecimento in loco das realidades diversas no estrangeiro”, até ao “estabelecimento ou estreitamento de parcerias com estrangeiros”. A análise efectuada pelo jornal mostra que as viagens dos congressistas tiveram 69 países como destino e, sobretudo, os Estados Unidos, a França e a Suiça, o que certamente não tem nada a ver com turismo, nem com controlo de contas bancárias no exterior. Além disso, verificou-se haver casos de deputados que visitaram 21 países. O jornal denunciou estes abusos e procurou saber o montante dos gastos com essas viagens, assim como o número de acompanhantes dos deputados-viajantes, mas essa informação não lhe foi fornecida.
Há alguns anos, também em Portugal se verificavam este tipo de abusos e, se não me falha a memória, até houve um deputado que, em trabalho político, deu uma volta ao mundo. Nunca mais se falou nisso, mas era interessante que algum jornal fizesse essa pesquisa objectiva às viagens dos deputados portugueses para sabermos se ainda fazem viagens turísticas à conta dos contribuintes.