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sábado, 31 de maio de 2014

Barcelona

A Sagrada Família
Ao longo da minha vida tive a oportunidade de conhecer muitas cidades, quer em Portugal quer no estrangeiro, quase sempre por razões profissionais. Andei por cidades próximas e distantes, por grandes metrópoles e por pequenas cidades históricas. Visitei Faro e Viana do Castelo, Funchal e Angra do Heroísmo, Halifax e Filadélfia, Caracas e Rio de Janeiro. Estive em Roma e Budapeste, Heidelberg e Basileia, Bruges e Gotemburgo, Grenoble e Bratislava. Andei por Bissau e Argel, Pemba e Bangalore, Colombo e Cochim, Hong Kong e Singapura, Sydney e Baucau. Conheci Las Palmas e Palma de Maiorca, Toledo e Santiago, Zamora e Valência, Trujillo e Segóvia. Porém, eu nunca tinha estado em Barcelona e, só agora, isso aconteceu.
Barcelona é a capital da Catalunha, a pátria de Pablo Picasso, Joan Miró, Salvador Dali e Antoni Gaudi, mas também de Josep Carreras, Montserrat Caballé, Montserrat Figueras e Jordi Savall. É uma cidade monumental com grandes avenidas, muitas arquitecturas, muitos museus e muita oferta cultural. É uma cidade cosmopolita que atrai o turismo internacional e que entusiasma o visitante que percorre as Ramblas e as ruas estreitas do Barri Gòtic, a colina de Montjuïc e a frente marítima que acolheu os Jogos Olímpicos de 1992.
Um dos mais impressionantes ícones da cidade é o Templo Expiatório da Sagrada Família, conhecido simplesmente como Sagrada Família, concebido e desenhado por Antoni Gaudi, que muitas vezes é considerado como a sua obra-prima e que, ainda por acabar, já foi incluido na lista do património mundial da UNESCO. O monumental templo começou a ser construído em 1883 e Gaudi dedicou-lhe 40 anos da sua vida. Actualmente a construção do templo prossegue, com o respectivo financiamento a ser assegurado por receitas de bilheteira e contributos privados. Só em meados do século XXI se espera concluir a obra e, das suas previstas 18 torres, apenas 4 já estão concluídas.
Um dia espero poder voltar a Barcelona com os mesmos amigos que desta vez me acompanharam!

terça-feira, 6 de maio de 2014

O porto de Lisboa renasce e está no topo

O porto de Lisboa recebeu hoje seis navios de cruzeiro com 13 mil turistas a bordo e com cerca de cinco cinco mil tripulantes, perfazendo um total de 18 mil visitantes, o que tornou o dia de hoje como o melhor de sempre da sua história em termos de recepção de navios de cruzeiro. É realmente um dia ímpar para um dos mais belos portos do mundo e e para uma cidade que cada vez mais tem estreitado a sua ligação ao estuário do Tejo.
Lisboa tornou-se o quarto porto do mundo a receber em simultâneo os três grandes navios de cruzeiro mais emblemáticos da frota britânica da Cunard Line – o RMS Queen Elizabeth 2 (1969), o RMS Queen Mary 2 (2004) e o MS Queen Victoria (2007). É a quarta vez na história que as “Três Rainhas” do operador inglês se juntam no mesmo porto, sendo Lisboa o terceiro a recebê-las em simultâneo, depois de esse facto já ter acontecido em Southampton e Nova Iorque. Além dos três navios da Cunard Line, o porto de Lisboa também recebeu hoje o Rotterdam, o Silver Whisper e o Ruby Princess.
Um estudo realizado em 2013 pelo Observatório de Turismo de Lisboa em parceria com a Administração do Porto de Lisboa traçou o perfil do passageiro de cruzeiro com escala em Lisboa, concluindo que cada um deles “efectua uma despesa diária de 97,40 euros”, um montante em que estão incluídas despesas em alimentação, alojamento, compras diversas, deslocações na cidade e visitas a monumentos e museus. Dessa forma, estima-se que só nos consumos dos passageiros o dia de hoje possa ter rendido cerca de 1,4 milhões de euros à cidade de Lisboa o que, em tempos de crise, é um importante acontecimento a justificar os investimentos de modernização que têm sido feitos na orla ribeirinha do porto de onde sairam “as naus que descobriram o mundo”.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Royal Clipper: o maior veleiro do mundo

Chama-se Royal Clipper e é o maior veleiro do mundo, com 147 metros de comprimento e cinco mastros que podem armar 42 velas com uma área total de 5 mil metros quadrados. Foi construído em Gdansk em finais do século passado para a companhia Star Clipper, a partir dos planos do lendário veleiro alemão Preussen, que fora construído em 1902 e se perdera em Novembro de 1910 no canal da Mancha, por efeito combinado de colisão e temporal.
O Royal Clipper é um navio que se dedica a cruzeiros de turismo, sobretudo no Mediterrâneo, navegando com bandeira de Malta, embora a empresa proprietária tenha sede no Principado do Mónaco. O navio combina as memórias da navegação à vela com os melhores equipamentos e tecnologias do nosso tempo. Pode transportar 227 passageiros em ambiente altamente luxuoso que são servidos por 106 tripulantes e dispõe de 114 camarotes, dos quais 14 são de luxo. Para fruição dos passageiros, o navio dispõe de restaurantes, bares, três piscinas exteriores, discoteca, jacuzzis, ginásio, biblioteca e salões de beleza. Nada parece faltar a bordo.
O navio realiza diversos tipos de cruzeiro, mas os preços são realmente de outro tempo, em sintonia com o luxo que é oferecido aos passageiros. O jornal La Provence de Marselha destacou a passagem do maior veleiro do mundo pelo seu porto, até porque é um bonito navio e não se paga para ver.

domingo, 7 de abril de 2013

Como eles gostam de viajar à nossa custa



Entre os dias 15 e 19 de Abril e a convite dos seus homólogos, o primeiro magistrado da nação efectuará visitas oficiais à Colômbia e ao Peru que, por acaso, são os dois maiores produtores mundiais de cocaína. É a sua primeira viagem oficial em 2013 e, sabendo-se que os seus antecessores fizeram muitas mais viagens, ficamos na dúvida se é bom ou mau fazer tão poucas viagens. Para esclarecer essa dúvida, era muito desejável que os contribuintes soubessem quanto custou cada viagem oficial, quem integrou a comitiva e que resultados foram obtidos por cada um dos seus membros, isto é, que houvesse uma avaliação custo/benefício de cada viagem presidencial ou ministerial. Se isso não for feito, então todos podemos pensar que essas viagens não passam de requintadas passeatas que os jornalistas-acompanhantes relatam como se fossem coisa importante para o país. 
Nesta viagem, a comitiva presidencial incluirá vários membros do governo, alguns deputados em representação dos grupos parlamentares da Assembleia da República, uma delegação empresarial com representações dos sectores da banca, eléctricas, tecnológicas, distribuição e construção, entre outros e, naturalmente, muitos jornalistas. Não sei qual o interesse do Chefe do Estado em ser acompanhado por tão alargada e dispendiosa comitiva. Muita gente, demasiada gente. Tudo à grande, tudo à nossa conta e tudo a aprofundar o défice e a dívida. Haverá encontros e recepções, troca de comendas, visitas às câmaras municipais de Bogotá e Lima, algumas inaugurações, a presença em seminários económicos a realizar nas duas capitais e os habituais encontros com a comunidade portuguesa desses países que, em ambos os casos e fora os “correios de droga” que cumprem pena de prisão, não chegarão às duas centenas, isto é, a comitiva presidencial será provavelmente maior do que a comunidade que vai ser visitada. Como eles gostam de viajar à nossa custa!

terça-feira, 5 de março de 2013

A abrir portas ou a promover o portas?

O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros foi de viagem à Índia para abrir portas e levou consigo uma alargada comitiva, onde se incluem 36 empresários mas também a televisão, para nos mostrar o sorridente ministro a inaugurar um ginásio e a informar-nos que a nossa economia precisa de músculo. A comitiva não viajou em classe económica, nem se instalou em hotéis de três estrelas, nem circulou localmente num riquexó barato. Evidentemente que não podia ser assim. São as exigências da dignidade do Estado. Por isso, estas coisas saem caras e se o ministro fizesse uma análise custo-benefício destas iniciativas a que chama “diplomacia económica”, mas que pouco mais são do que propaganda pessoal, ficaria muito surpreendido. Mas ele não resiste à sua paixão por viagens, nem à sua atracção por feiras e mercados. Depois das visitas à Ribeira e ao Bolhão, agora visita os mercados da Índia.
Porém, ele deveria conhecer um estudo realizado na Faculdade de Economia do Porto que o “Jornal de Notícias” divulgou em 24 de Agosto de 2009. O autor desse estudo analisou 12 visitas oficiais efectuadas entre 2005 e 2008, tendo concluído que os empresários portugueses que viajam em comitivas oficiais não as aproveitam para desenvolver negócios com empresários locais, preferindo desenvolver negócios com os outros empresários da comitiva. O estudo defendia que tanto os empresários como o Estado deviam repensar o modelo de funcionamento das visitas oficiais e salientava que não existia qualquer tipo de avaliação quanto à utilidade dessas visitas, que são financiadas por fundos públicos. Além disso, é evidente que os empresários não precisam que lhes abram as portas e, para inaugurar ginásios e promover encontros, já lá temos os nossos diplomatas.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Uma nova atracção turística em Lisboa

Tive a oportunidade de visitar o Lisboa Story Centre – Memórias da Cidade, um centro de interpretação dedicado à história da cidade de Lisboa, com especial ênfase no terramoto de 1755 e nos planos do que é hoje a Baixa pombalina. O mínimo que se pode dizer é que o Terreiro do Paço continua a sua trajectória de transformação numa grande praça aberta à cultura e ao lazer e que conta agora com uma nova atracção turística, instalada junto do Torreão Nascente do Terreiro do Paço, no local onde antes teriam sido ministérios e repartições, com burocratas a entrar e a sair e com automóveis estacionados à porta. Trata-se de um projecto inédito de interactividade e tecnologia que se inspira em alguns dos acontecimentos que influenciaram a história da cidade e do próprio país, incluindo a época das descobertas e da expansão, a restauração de 1640, o terramoto de 1755 e a reconstrução da cidade sob a orientação do Marquês de Pombal, o regicídio de 1908 e a revolução de 1974. Ao recurso a fotografias, gravuras, mapas e réplicas junta-se a utilização de efeitos especiais que tornam a “viagem” numa experiência muito enriquecedora sob o ponto de vista pedagógico. O novo equipamento valoriza a oferta turística e cultural da cidade e ocupa uma área aproximada de 2.200 metros quadrados, divididos por dois pisos, propiciando uma visita de cerca de uma hora, orientada por um audioguia que acompanha todo o percurso e que, sucessivamente, explica os diversos conteúdos disponibilizados de forma sintética como convém. O Lisboa Story Centre – Memórias da Cidade está aberto todos os dias, das 10:00 às 20:00 horas e, apesar de não ser barato, bem merece ser visitado.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Elvas convive com balões de ar quente

Está a decorrer em Elvas e em outras localidades do norte alentejano até ao dia 18 de Novembro, a 16ª edição do Festival Internacional de Balões de Ar Quente (FIBAQ), que reúne cerca de cinco dezenas de participantes de uma dezena de países, nomeadamente Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Luxemburgo, Holanda e Brasil. Na presente edição está prevista a realização de dois voos diários gratuitos sobre a cidade de Elvas (07:30 e 15:30 horas), estando também programados voos em Alter do Chão (12 de Novembro) e em Fronteira (15 de Novembro).
A monumentalidade de Elvas, cujas fortificações foram recentemente classificadas como Património Mundial pela UNESCO, é um atractivo para os participantes e também para os visitantes que, segundo anuncia a organização, poderão ter a oportunidade, certamente inesquecível, de voar em balão de ar quente.
O festival tem-se realizado ininterruptamente desde 1997 e, nas suas anteriores quinze edições, já contou com a participação de cerca de quinhentas equipas provenientes dos quatro cantos do mundo. O festival é considerado com um dos melhores festivais de balões de ar quente que se realizam na Europa e constitui uma atracção turística para a cidade de Elvas e para o norte alentejano. Nestes dias de sol, o FIBAQ será, certamente, um espectáculo magnífico para todos os que visitem Elvas.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O projecto Ocean Revival prossegue

A nossa RUA DOS NAVEGANTES divulgou no dia 3 de Abril as características do projecto Ocean Revival, que se desenvolve ao largo de Portimão, com o objectivo de criar um núcleo de recifes artificiais a partir de quatro navios afundados com esse fim específico, que se constituirão como um espaço museológico subaquático, vocacionado para o turismo de mergulho. Nessa altura, já se encontravam em Portimão dois desses navios para serem descontaminados antes de serem afundados.
Cerca de 7 meses depois, no dia 30 de Outubro, concretizou-se o afundamento desses dois navios - corveta Oliveira e Carmo e navio-patrulha Zambeze. De manhã foi afundada a corveta Oliveira e Carmo, com 86 metros de comprimento e 1380 toneladas de deslocamento, depois do seu interior ter recebido 220 toneladas de betão para assegurar que o navio afundasse sem adornar. O afundamento aconteceu depois da detonação de quatro cargas explosivas de corte que permitiram a entrada de água e levaram o navio para o fundo na posição planeada. À tarde foi afundado o navio-patrulha Zambeze, com 44 metros de comprimento e 292 toneladas de deslocamento, numa operação que decorreu de forma semelhante.
Segundo os responsáveis pelo projecto Ocean Revival, os navios ficaram a 30 metros de profundidade, com a parte mais alta do mastro a 15 metros da superfície. A esta profundidade o tempo médio de mergulho será de cerca de 40 minutos, pelo que serão precisos quatro ou cinco mergulhos para que um mergulhador possa visitar cada navio. Em tempo de crise, é animador imaginar que a viabilidade financeira do projecto parece estar assegurada, o que será uma boa notícia para a economia portuguesa.


sábado, 29 de setembro de 2012

Olivença é uma cidade que espera por nós

A Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, foi eleita "O Melhor Recanto de Espanha 2012", num passatempo promovido na Internet pela petrolífera Repsol. Num país cujo património edificado é impressionante e que faz de cada povoação um verdadeiro “museu ao ar livre”, a escolha dos internautas não tem qualquer significado especial, apesar de, segundo informação divulgada pelo Turismo de Olivença, a igreja datar da primeira metade do século XVI e ser considerada uma jóia oliventina e do património manuelino português, pela sua riqueza em azulejos, talha dourada e motivos decorativos marítimos, que nos remetem para a época dos Descobrimentos portugueses. Foi mandada construir para servir como templo do local de residência dos bispos de Ceuta, tendo sido estreada por Frei Henrique de Coimbra, que foi confessor do rei D. Manuel e o primeiro padre que celebrou uma missa no Brasil.
Influenciado pela eleição da igreja da Madalena, o Jornal i anuncia em primeira página que em Olivença “as marcas de Portugal resistem ainda e sempre à ocupação” e insere um interessante artigo sobre Olivença/Olivenza, realçando as marcas portuguesas no património, na toponímia, na música e nas danças, na gastronomia e na cultura popular. Os oliventinos são o produto de uma mistura de duas culturas e, em maior ou menor grau, todos os oliventinos têm ascendência portuguesa - “um oliventino não é português nem espanhol, é oliventino”. O alcaide da cidade de 12 mil habitantes defende que “se um dia Portugal e Espanha se unirem, a capital será Olivença”. Com estas referências, certamente que muitos portugueses procurarão conhecer a cidade que foi anexada em 1801 e que Portugal não reconhece como espanhola.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A Ponte da Ajuda merece uma visita

A Ponte de Nossa Senhora da Ajuda ou simplesmente Ponte da Ajuda atravessa o rio Guadiana a cerca de 12 quilómetros a jusante de Elvas e está em ruínas há mais de trezentos anos, tendo em 1967 sido declarada como monumento de interesse nacional pelo Estado português.
A ponte é uma construção que conserva uma imponência que impressiona o visitante, com os seus dezanove arcos ao longo de 380 metros de comprimento, fortificada e com um torreão a meio, fazendo a ligação entre as terras de Elvas e as terras de Olivença. Foi mandada construir pelo rei D. Manuel I a fim de assegurar a operação das forças militares portuguesas na margem esquerda do rio Guadiana e o apoio à praça de Olivença, tendo sido destruída e recuperada várias vezes. Em 1709 foi dinamitada pelo exército espanhol, ficando interrompida a única ligação entre Elvas e Olivença, pelo que o acesso português a esta vila só passou a ser possível através do território espanhol. No início da chamada Guerra Peninsular, em 1801 a isolada praça de Olivença foi entregue sem resistência às tropas espanholas de Manuel Godoy que invadiram e ocuparam o Alto Alentejo, no incidente militar que durou 18 dias e ficou conhecido como a Guerra das Laranjas. A paz foi restabelecida pelo Tratado de Badajoz e as praças de Juromenha, Arronches, Portalegre, Castelo de Vide, Barbacena, Campo Maior e Ouguela foram restituídas à coroa portuguesa, mas o mesmo não aconteceu com Olivença. Mais tarde, o Congresso de Viena de 1815 decidiu a restituição de Olivença a Portugal, mas as autoridades espanholas nunca cumpriram essa determinação.
Na cimeira luso-espanhola de 1994, o governo português recusou a construção de uma ponte transfronteiriça sobre o rio Guadiana, assumindo todos os encargos e responsabilidades pela construção dessa ponte, assim evitando quaisquer formas de reconhecimento tácito de um traçado de fronteira sobre a linha do Guadiana e qualquer cedência do território de Olivença. A nova ponte foi inaugurada em 2000 a curta distância para jusante da antiga Ponte da Ajuda. Se visitar Elvas, visite também a Ponte da Ajuda e, se atravessar a nova ponte, não deixe de apreciar a antiga.

sábado, 25 de agosto de 2012

Tesouros escondidos do nosso património

O nosso país tem uma forte identidade nacional assente em quase novecentos anos de história e pelo território nacional estão disseminadas fortificações e castelos, palácios e conventos, igrejas e pontes, que constituem um importante património monumental de grande valor histórico e simbólico.
A UNESCO reconheceu essa realidade e já distinguiu mais de uma dezena de monumentos, sítios arqueológicos ou paisagens naturais com a classificação de Património da Humanidade. Essas escolhas da UNESCO fazem parte dos nossos roteiros culturais e são locais conhecidos e visitados, não só pelo seu valor patrimonial, mas também pelas histórias que encerram.
No entanto, há muitos “tesouros escondidos do nosso património” e, na sua última edição e numa reportagem muito interessante, a revista Visão apresenta 25 desses sítios de grande interesse histórico e cultural, que ainda não foram reconhecidos pela UNESCO e que aconselha vivamente a serem visitados. Esses sítios encontram-se por todo o país, mas enquanto a localização de alguns não estimula uma visita, há outros que ficam bem próximos de locais por onde passamos com frequência.
Belmonte e Almeida, Penedono e Evoramonte, Idanha-a-Velha e Tibães são, apenas, alguns dos monumentos ou sítios que a Visão aconselha a descobrir. A partir de agora e depois deste alerta da revista, espero estar mais atento para descobrir ou redescobrir alguns desses locais.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Viagens presidenciais em tempo de crise

O Presidente da República chegou à Austrália, depois de já ter visitado Timor-Leste e a Indonésia, numa viagem de onze dias que ainda o levará a Singapura, o que constitui a mais longa viagem que até agora empreendeu. É sabido que o actual Presidente tem viajado muito menos que os seus antecessores e esse facto deve ser salientado positivamente, como também deve ser elogiada a ideia de disponibilizar informação ao público sobre as actividades presidenciais através do sítio da Presidência. Porém, essas informações são manifestamente insuficientes no momento por que estamos a passar, marcado pelo brutal aumento do desemprego e da pobreza, pela perda de direitos dos trabalhadores e dos pensionistas, mas também pela quebra dos níveis de confiança e de coesão nacional. Os sacrifícios que estão a ser impostos à generalidade dos portugueses, exigem muita clareza nas despesas do Estado. A começar por cima. E se é admissível que o grande público desconheça o interesse nacional destas viagens, já não é aceitável que seja desconhecida a composição das respectivas comitivas, habitualmente muito extensas e com turistas pelo meio, bem como os critérios utilizados para a sua formação. Obviamente que, quem perdeu os subsídios de Férias e de Natal ou está desempregado, quer saber se estas visitas se justificam, bem como a composição da comitiva e o valor da respectiva factura presidencial, incluindo os custos das viagens e dos hotéis. Em tempo de vacas magras e de aperto, estas viagens deixam-nos atolados na dúvida.

terça-feira, 3 de abril de 2012

O Ocean Revival no Algarve

O Projecto Ocean Revival que vai ser desenvolvido na costa algarvia em frente de Portimão, em zona de águas limpas e pouco profundas, já está em andamento.
O projecto visa a criação de um núcleo de recifes artificiais a partir de navios afundados para o efeito, que se constituirão como um espaço museológico subaquático, vocacionado para o turismo de mergulho. O projecto está a ser coordenado pela MUSUBMAR - Associação para a Promoção e Desenvolvimento do Turismo Subaquático, uma organização não lucrativa criada para transformar esta ideia em realidade, tendo o apoio da Marinha Portuguesa, da Câmara Municipal de Portimão, do Instituto do Turismo de Portugal, do PADI – Professional Association of Diving Instructors e de outras entidades.
A Marinha disponibilizou quatro dos seus navios já abatidos ao efectivo há alguns anos para, em vez de serem desmantelados numa qualquer sucata, continuarem a prestar outros serviços ao país, agora como atracções subaquáticas: fragata Hermenegildo Capelo (F 481), corveta Oliveira e Carmo (F 489), navio-patrulha Zambeze (P 1147) e navio-hidrográfico Almeida Carvalho (A 527).
Dois desses navios já se encontram em Portimão onde irão ser submetidos aos necessários trabalhos de descontaminação, antes do seu afundamento. Estima-se que o projecto importe em três milhões de euros, mas no seu financiamento não estão previstos quaisquer fundos públicos.
O Ocean Revival será um parque inovador e será uma atracção turística para os visitantes e, em especial, para os mergulhadores do mundo inteiro.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A Semana Gastronómica do Borrego

Nesta semana da Páscoa em que as escolas estão fechadas e a meteorologia nos estimula a sair da cidade, um passeio pelo Alentejo é uma escolha muito recomendável para quem o possa fazer. Para além do seu riquíssimo património histórico e monumental, o Alentejo exibe agora as suas verdes paisagens muito floridas e, como sempre, a sua apreciada gastronomia de sabores.
É neste atraente quadro que decorre a Semana Gastronómica do Borrego, uma iniciativa promovida pelo Turismo do Alentejo.
Assim, entre os dias 2 e 9 de Abril, em mais de cem restaurantes espalhados por todo o território alentejano, o borrego vai ser o rei dos mais tradicionais ensopados e caldeiradas, mas também dos folhados e das empadas mais sofisticadas, para além dos apreciados assados e do sarapatel.
Esta é a melhor época do ano para percorrer o Alentejo, utilizando as estradas secundárias e visitando as pequenas vilas e aldeias, pelo que as ofertas gastronómicas adicionais que a Semana Gastronómica do Borrego nos oferece, tornam ainda mais recomendável esta oportunidade para visitar o Alentejo. Com a situação difícil que o país atravessa, fazer férias cá dentro ainda tem mais sentido.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Viagens presidenciais e perplexidades

Há cerca de dois anos um investigador da Faculdade de Economia do Porto realizou um estudo sobre as viagens organizadas pela Presidência da República e pela Presidência do Conselho de Ministros, que se baseou num inquérito e em entrevistas aos empresários convidados para integrarem as comitivas presidenciais. Esse estudo pretendia avaliar os resultados empresariais dessas viagens, mas concluia que os empresários convidados não aproveitavam para desenvolver negócios com empresários locais, mas tão somente com outros empresários da comitiva, defendendo que, tanto os empresários como o Estado, deviam repensar o modelo de participação nessas viagens presidenciais.
Todos os anos são realizadas algumas dezenas dessas viagens, por vezes com alargadas e muito dispendiosas comitivas, sem termos informação sobre a sua composição nem sobre os seus resultados empresariais. Tornaram-se rotineiras. Sem qualquer interesse para o Estado. Os próprios jornalistas convidados para integrar essas comitivas limitam-se a recolher declarações e não tratam dos resultados empresariais. Fazem uma cobertura mediática mínima e de encomenda. Nessas circunstâncias, a opinião pública desconfia do interesse de muitas dessas viagens e toma-as como um gasto desnecessário, supérfluo ou, até, um luxo de Estado.
Actualmente o Presidente da República encontra-se em visita oficial à Finlândia e na sua comitiva lá estão os habituais empresários, sem sabermos o número total de pessoas da comitiva. Entretanto, na agenda presidencial parece estar a promoção do investimento finlandês em Portugal, mas quando se começa por sugerir esse investimento à Nokia, que na véspera despedira 4 mil pessoas, ficamos na maior das perplexidades.
De facto, não consigo ver qualquer interesse nestas viagens presidenciais.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O vício do cartão de crédito

Apesar do clima de crise e de recessão que paira sobre o país, muitos portugueses continuam a endividar-se para ir de férias ou para fazer viagens. Esta é conclusão de um estudo realizado pela Marktest por encomenda da Mastercard, que mostra que mesmo num ano em que os consumidores resolveram cortar na adesão e no uso de cartões de crédito, o pagamento de férias e viagens foi a categoria de despesas que registou o maior aumento.
No entanto, em 2011 houve uma contracção generalizada do consumo, que se reflectiu quer nas compras a débito, quer nas compras a crédito. O número de cartões de crédito activos e o seu uso pelos consumidores portugueses, registaram os níveis mais baixos desde 2008 e o decréscimo acumulado desde então no uso desses cartões de crédito foi de cerca de 15%, o que significa que os portugueses estão a adoptar comportamentos mais racionais e mais responsáveis, ajustando os seus hábitos de consumo e mudando do crédito para o débito. Tudo muito racional.
O que realmente surpreende é o endividamento dos portugueses para fazer férias. Como se não bastasse o endividamento por compra de casa própria, de automóvel ou de outros bens de consumo duradouro, os portugueses endividam-se para fazer praia em Tenerife ou Cancun ou para fazer um cruzeiro no Mediterrâneo ou, ainda, passar uns dias na serra Nevada.
O slogan “faça férias e pague depois” que, ainda há poucos anos era abundantemente publicitado pela Banca, muito contribuiu para este vício do cartão de crédito e para a armadilha do dinheiro de plástico.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Home, sweet home!

Depois de cerca de vinte dias de ausência e de peregrinação emocional e turística por terras distantes, estou de regresso a casa.
Revi muitos amigos e revisitei muitos locais, sobretudo em Goa, não tive quaisquer incidentes nem acidentes e tudo correu com normalidade, mas é sempre muito gratificante voltar a Lisboa.
Durante esse tempo de viagem não acompanhei com suficiente detalhe as notícias do mundo, nem tão pouco os desenvolvimentos da crise europeia ou da situação portuguesa, pelo que vou procurar actualizar-me rapidamente para melhor compreender o nosso futuro próximo.
A cansativa viagem de regresso com escalas em Mumbai (Bombaim) e Frankfurt, assim como o acentuado jet lag, requerem algum tempo de recuperação física que espero seja breve, para voltar com entusiasmo à Rua dos Navegantes dentro de pouco tempo.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Adeus, até ao meu regresso!

Amanhã vou sair do país e vou voar até à Índia. Durante cerca de duas semanas, estarei em Goa e em alguns outros lugares da costa do Concão, a rever muitos dos locais por onde construímos uma história que preenche uma parte do nosso imaginário, feita de “naufrágios, viagens, fantasias & batalhas”.
Numa terra de muitos contrastes e de grande diversidade cultural, religiosa e étnica, irei reencontrar nas pessoas e nas pedras, muitas referências culturais que nos são comuns e que, muitas vezes, nos emocionam profundamente.
Por razões logísticas, provavelmente, terei que interromper ou reduzir bastante as minhas incursões pela Rua dos Navegantes, mas espero recolher algumas informações e impressões para utilizar posteriormente, se achar que isso tem algum interesse.
Entretanto, como se dizia noutros tempos: Adeus, até ao meu regresso!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O Brasil chama por si. Celebre a vida aqui.

O turismo é uma actividade que atrai cada vez mais pessoas e que se transformou numa grande indústria, que dinamiza a economia e gera emprego. Portugal é um dos principais destinos mundiais do turismo e recebe anualmente cerca de 11 milhões de turistas, o que o posiciona nos vinte primeiros lugares do ranking mundial da OMT.
Porém, Portugal não é apenas um receptor, pois também é um emissor de turismo.
Um dos mais apreciados destinos turísticos dos portugueses é o Brasil, por compreensíveis razões de afinidade linguística e cultural.
Em 2006 viajaram para o Brasil 299.211 portugueses, o que representou 5,97% do fluxo turístico total que entrou no Brasil e só argentinos e americanos superaram os portugueses na visita ao território brasileiro. Entretanto, a crise económica começou a afectar os portugueses e o fluxo turístico lusitano para o Brasil diminuiu. Em 2007 foram 280.438; em 2008 foram 208.558; em 2009 foram 183.697.
Em quatro anos o turismo português para o Brasil caiu 40% e passou de 3º para 7º no ranking do turismo estrangeiro no Brasil, representando apenas 3,83% do total desse fluxo turístico. Para além de argentinos e americanos, também os chilenos, os uruguaios, os alemães e os italianos estão a superar os portugueses nas visitas ao Brasil.
O Ministério do Turismo do Brasil está atento a esta realidade e decidiu promover uma campanha publicitária para recuperar o interesse do turismo português pelo Brasil. O slogan - O Brasil chama por si. Celebre a vida aqui – é ajustado. No entanto, em vez de se apoiar fotograficamente no sol e praia, talvez a campanha fosse mais eficaz se fosse apoiada em factores culturais, como o património arquitectónico, a paisagem natural ou os grandes eventos que se aproximam. Isso é que distingue, isso é que me atrai.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pedras esquecidas

O Diário de Notícias iniciou hoje a publicação de um trabalho de investigação sobre o património construído em Portugal, em que informa que há 3397 obras em pedra entre capelas, castelos, conventos, mosteiros, teatros e outros tantos exemplares que clamam por atenção e preservação.
Desse imenso património “esquecido” por falta de verbas, por incapacidade das diversas entidades que o tutelam, mas também por incúria, destacam-se 791 monumentos classificados como nacionais, 2152 como imóveis de interesse público e 454 imóveis de interesse municipal. O jornal seleccionou 36 desses monumentos, tendo analisado com muita informação ealgum detalhe cada um deles.
Todos conhecemos esta triste realidade, mas eu não imaginava que tivesse essa dimensão. O património construído tem um valor histórico, artístico e cognitivo e não representa apenas a preservação das nossas memórias identitárias, mas também tem um valor económico e é um importante aliado da actividade turística que, como é sabido, é um vector das nossas “exportações”.
Existe em Portugal a capacidade técnica e a experiência para todos os tipos de trabalho de conservação e essa actividade poderá ser uma alavanca para a recuperação directa e indirecta da nossa economia, além de permitir que “as pedras esquecidas” readquiram a sua dignidade.