quinta-feira, 21 de abril de 2011

Extremadura

Deixei a atlântica cidade de Lisboa, atravessei a fronteira luso-espanhola e durante três dias deambulei pela Extremadura.
A partir de Cáceres visitei Plasencia, Trujillo e Mérida. São quatro pequenas cidades que têm sabido conservar as suas zonas arqueológicas e históricas, bem como o seu monumental património, testemunhado através de catedrais, igrejas, castelos, palácios, praças, ruas, pontes, aquedutos e muitas memórias.
Em certo sentido, a Extremadura e as suas cidades são um mosaico de monumentos e são um livro cujas páginas evocam o rico passado histórico das províncias de Cáceres e Badajoz.
Mas a riqueza estremenha também deriva do seu património natural, das suas extensas planícies, do curso dos seus rios e respectivos “embalses” e da sua diversificada fauna, em que se destacam as elegantes cegonhas que são um quase ex-libris da região.
Estávamos na Semana Santa e as vistosas procissões estavam anunciadas por toda a parte, embora as televisões e os jornais falassem sobretudo da final da Copa del Rey, entre o Real Madrid e o Barcelona, destacando especialmente as figuras de Mourinho e de Ronaldo.
Naturalmente, ficaram muitas coisas por visitar como Guadalupe e Yuste, mas outras oportunidades haverão de surgir.
Evidentemente que, à saída de Portugal não esqueci Castelo de Vide nem Marvão e, no regresso, revisitei Elvas e Estremoz, porque são os contrastes existentes que nos lembram que “o que é nacional é bom”.

sábado, 16 de abril de 2011

Um memorial aos judeus em Lisboa

Lisboa – Largo de São Domingos
Neste largo, em frente da restaurada igreja de São Domingos, encontra-se um memorial colocado em 2006, com a seguinte inscrição:

EM MEMÓRIA
DOS MILHARES DE JUDEUS VÍTIMAS
DA INTOLERÂNCIA E DO
FANATISMO RELIGIOSO
ASSASSINADOS NO MASSACRE
INICIADO EM 19 DE ABRIL DE 1506
NESTE LARGO

A cidade de Lisboa estava assolada por uma epidemia de peste, a população vivia com muita ansiedade e o Rei D. Manuel e os notáveis do Reino estavam resguardados e protegidos longe da cidade.
Nesta grave situação, o nervosismo, o fanatismo e a intolerância da população explodiram e calcula-se que, em três dias, a fúria popular tenha assassinado cerca de quatro mil judeus.
O memorial evoca esse triste acontecimento da nossa História que, até há poucos anos, não era divulgado.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Execução orçamental

Agora que estamos a atravessar águas muito turbulentas, todos falam de Economia e de Finanças Públicas. Enquanto uns começam por dizer que “eu não sou economista” mas opinam como se fossem, outros apresentam-se como “professores de Economia” e opinam com sapientes verdades universais.
Como se aproximam eleições, muitos deles falam por falar, repetem as suas cassetes partidárias e discutem o país como se fosse um jogo de futebol, apenas para fazer prova de vida e, eventualmente, para entrarem numa qualquer lista eleitoral.
Entretanto, o Jornal de Notícias informa que, segundo dados preliminares da execução orçamental, o conjunto da Administração Central e Segurança Social (Estado, Serviços e Fundos Autónomos e a Segurança Social) registou um saldo positivo de 432 milhões de euros no primeiro trimestre, quando, no mesmo período de 2010, se registou um défice de 1311 milhões de euros, significando que houve uma melhoria de cerca de 1750 milhões de euros.
O apuramento deste resultado foi feito, naturalmente, pela Direcção Geral do Orçamento, que é um departamento do Estado. Seria normal que todos se regozijassem por alguma coisa estar a correr bem e por este bom resultado conseguido, que derivou do aumento da receita e da diminuição da despesa, isto é, do sacrifício dos portugueses.
Porém, a pensar nas eleições, os partidos desconfiaram. Alguns economistas torceram o nariz, enquanto outros que deviam dar exemplos de moderação, se apressaram a chamar a este resultado uma mentira.
Era isto que faltava para arranjar um lugarzinho na Assembleia da República?
É caso para dizer que só me saem duques…

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Odéon

LISBOA, 14 ABR 2011 - A rua das Portas de Santo Antão é muito frequentada por turistas, além de acolher duas das mais visitadas salas de espectáculos da capital. No seu limite norte fica a rua dos Condes, onde se situa o belo edifício do cinema Odéon, actualmente muito degradado e a transmitir uma imagem de decadência e de desleixo, aos milhares de estrangeiros e portugueses que por ali passam.
O edifício foi inaugurado em 1927 e foi modernizado em 1931, recebendo as galerias metálicas que ainda hoje o caracterizam. O interior é notável com uma cobertura em madeira escura em pau-Brasil na forma da quilha de navio e o palco com um frontão Art Deco. A sala dispõe de uma plateia, dois balcões e camarotes, pode acomodar 691 espectadores e possui um mecanismo que permite que a sala seja iluminada com luz natural, se assim se desejar.
Na segunda metade dos anos 80 o cinema Odéon entrou em decadência e passou a exibir sessões de cinema porno e, já nos anos 90, viria a encerrar, após quase setenta anos de serviços à cidade de Lisboa.
Actualmente o edifício parece estar envolvido numa batalha judicial entre as autoridades que pretendem a sua requalificação e classificação como património de interesse histórico e cultural, e o seu proprietário que se recusa a negociar e a fazer as obras de restauro propostas pelo IGESPAR e pelo IPPAR. Parece tratar-se de um caso de burocracia e, também, um caso típico daquelas famosas indefinições das nossas leis que tudo empatam sem que se decida.
Entretanto, o edifício está em chocante estado de degradação, com vidros partidos na clarabóia, nas galerias e nas janelas, dando uma imagem de decadência e desleixo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Sejam responsáveis!

Portugal é um país com uma longa história de muitos séculos, em que se têm alternado os períodos de grande prosperidade com os tempos de depressão, mas também os tempos de orgulho nacional com os tempos de descrença colectiva.
Estamos em tempo de depressão e de descrença colectiva mas, ao longo dos séculos, como muito bem observou o historiador Charles Boxer, “os Portugueses têm mostrado uma notável capacidade para sobreviverem ao mau governo vindo de cima e à indisciplina vinda de baixo”.
Hoje estamos numa encruzilhada. É mesmo um caso sério. Ocorrem-me as imagens do Serengeti que o National Geographic nos mostra frequentemente, com os abutres a devorar carcaças. Recordo, também, Rafael Bordalo Pinheiro e a capa d’A Paródia, ilustrada com a “grande porca”, além do famoso texto de há mais de cem anos:
“Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. Ainda há algum tempo em conversa com Rafael falamos sobre isso. E que a política é como uma 'grande porca', ambos concordamos. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta”.
Agora estamos na mesma. Os rivais atropelam-se. No Estado. Nas empresas públicas. Nas regiões autónomas. Nas autarquias. Nas corporações. Nos institutos. Nas fundações. Por toda a parte. À procura do voto, como forma de manter ou tomar o poder. Não é um ensaio sobre a cegueira. É a própria cegueira. A culpa não é de A nem de B, mas do abecedário todo.
É preciso mudar de vida. Queremos que se entendam.
Sejam responsáveis. Mamem com moderação!

domingo, 10 de abril de 2011

Compromisso nacional

Um grupo de 47 personalidades decidiu subscrever um documento publicado pelo Expresso, no qual apelam a um compromisso nacional, no sentido de ser ultrapassada a actual situação de extrema dificuldade por que passa o nosso país.
Esse grupo reúne três antigos Presidentes da República, vários reitores de universidades, presidentes de fundações, destacados empresários e alguns vultos da cultura, da arte e da ciência. É um conjunto impressionante de personalidades de grande relevo na sociedade portuguesa, onde se intrometeram ou foram intrometidos os nomes de algumas não-personalidades.
O documento é um apelo ao Presidente da República, ao Governo e aos Partidos Políticos para que se entendam na busca de compromissos mínimos de curto e de médio prazo, de forma a assegurar consensos nas orientações do programa de estabilização financeira a negociar, na concretização material do programa de ajuda externa e na realização de uma campanha eleitoral serena, esclarecedora e não conflituosa, necessariamente diferente das habituais campanhas a que temos assistido.
Desde há muitos anos que o país parecia um Titanic – o navio afundava e a orquestra continuava a tocar. Poucos perceberam isso. Andavam distraídos. Agora que isso foi percebido e que é necessário mudar de vida, também me associo àquelas personalidades e dirijo-me aos políticos: sejam responsáveis, falem menos, sentem-se e entendam-se. Fechem-se em conclave e façam fumo branco, tão depressa quanto possível.
O país agradece.

A Castella do Paulo

Em Lisboa, no número 120 da rua da Alfândega, localiza-se um salão de chá luso-japonês que foi baptizado com um sugestivo nome: Castella do Paulo - Pastelaria, Lda.
O seu proprietário é Paulo Duarte, um jovem que em 1992 viajou para o Japão, que trabalhou em Kyoto como pasteleiro e que aprendeu a fazer a castella, o nome dado ao pão-de-ló que os jesuítas portugueses introduziram no Japão no século XVI.
Paulo Duarte reivindica ser o único estrangeiro que, até hoje, aprendeu a confeccionar a castella em Nagasaki, na histórica casa Shooken, uma confeitaria fundada em 1681. Quando em 1999 regressou a Portugal, Paulo Duarte aproveitou o seu "know-how" e a sua veia empresarial, tendo aberto um salão de chá que, entre outras doçarias, apresenta a castella.
O pequeno salão de chá é um local agradável e nele aproveito sempre para saborear a castella que, de facto, conserva as características do pão-de-ló português e é, também, um invulgar testemunho da expansão marítima portuguesa do século XVI.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

E agora?

Os principais jornais portugueses noticiam hoje que Portugal decidiu pedir ajuda financeira à Comissão Europeia e ao seu fundo de estabilização. A palavra “ajuda” aparece em todas front pages, enquanto a generalidade da imprensa internacional também chama Portugal para as suas primeiras páginas. Depois da Grécia e da Irlanda, chegou a vez de Portugal que, assim, se torna a terceira vítima das receitas do FMI, embora também seja uma vítima por culpa própria.
Os partidos e a sua gente, os sindicatos e algumas corporações tomaram conta disto cegamente, gastando o que não havia, alimentando clientelas, promovendo mediocridades e reivindicando utopias. Alguns chamavam à situação um regabofe. O desvario era visível desde há muitos anos. Não foi apenas agora. Era uma irresponsabilidade total. A corrupção alastrou sem que fosse combatida. O enriquecimento delituoso foi facilitado. A justiça adormeceu à sombra dos seus privilégios. O facilitismo e a mediocridade impuseram-se. Era o deslumbramento, o sucesso fácil e o novo-riquismo exibicionista. Os bancos entusiasmaram-se com a facilidade dos milhões de lucro e estimularam consumos e endividamentos. Compraram-se casas, segundas casas, novos carros e muitas viagens. Numa geração, os portugueses passaram da carroça para o BMW.
Agora virá o chamado programa de estabilização, que vai ser duro.
Dizem as sondagens que há meio Portugal que concorda e que há outro meio que discorda. Há inúmeras interpretações quanto às causas e às culpas desta situação que é humilhante para os Portugueses. Os políticos acusam-se mutuamente. Como se não fossem o rosto desta humilhação. Porém, em boa verdade, todos nós somos culpados desta situação, porque fomos nós que os escolhemos e fomos nós que, com os nossos silêncios, os temos alimentado.
E agora?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mudar de vida

O Jornal de Notícias destaca hoje na sua primeira página um título que é verdadeiramente surpreendente: “destinos de férias esgotados na Páscoa”.
Com o país em recessão e com a desigualdade social a acentuar-se, com o desemprego e os cortes nos salários e nas pensões, com o aumento de impostos e a subida de preços dos bens essenciais, era previsível que os portugueses se retraíssem e se decidissem pela poupança ou pelo adiamento de férias. Mas nada disso se está a verificar. O jornal noticia que as Caraíbas, Baleares, Cabo Verde e o turismo cultural vendem bem. O Algarve e o turismo rural estão satisfeitos e as vendas parece serem superiores às que ocorreram em 2010.
Uma agência de viagens consultada pelo JN referiu já ter esgotado dois destinos - Cancun e Punta Cana, no México - reconhecendo que não há diferença nas vendas face ao ano passado.
Assim, esta atitude consumista dos portugueses não contribui nada para a solução dos problemas portugueses e mostra que, tão importante quanto a teia de austeridades que se aproxima, é a necessidade de mudar de vida.

terça-feira, 5 de abril de 2011

A volta ao Mundo em 339 dias

Integrada no seu regular plano de actividades, a Academia de Marinha promoveu no dia 5 de Abril uma conferência, na qual o comandante Luís Proença Mendes relatou a viagem de circum-navegação efectuada em 2010 pelo navio-escola Sagres, por ele comandado.
O navio-escola Sagres é um navio de apoio à formação marinheira dos futuros oficiais da Marinha, mas constitui também uma embaixada itinerante e uma plataforma de apoio à diplomacia portuguesa.
A viagem prolongou-se por 339 dias, durante a qual o navio visitou 19 países e foi visitado por cerca de 300 mil pessoas.
Na sua interessante exposição, o comandante Proença Mendes destacou os desafios náuticos da passagem do Cabo Horn, a travessia do Pacífico e os fortíssimos temporais no Mediterrâneo. Como aspectos de promoção mais salientes, citou as comemorações do 10 de Junho em São Diego (Estados Unidos), em que milhares de portugueses e luso-descendentes se juntaram à festa, a celebração dos 150 anos do Tratado de Amizade entre Portugal e o Japão e a visita à Exposição de Xangai.
O comandante sublinhou ter verificado a grande aceitação que Portugal e os portugueses têm em todo o Mundo, sobretudo na Ásia, destacando as escalas em Díli e em Goa, mas também em Malaca e em Jacarta, onde ainda há pessoas a falar a nossa língua, a dançar o nosso folclore e a sentir saudades de um Portugal que nunca visitaram.
Com o desprestígio internacional a que os nossos políticos nos têm conduzido, o navio-escola Sagres terá que fazer muitas mais viagens desta natureza.
E viva a Marinha!

Privilégios no BPN

O BPN foi nacionalizado em Novembro de 2008 devido à situação “excepcional”, “delicada” e “anómala” que vivia, com perdas acumuladas que rondavam os 700 milhões de euros e numa situação muito perto da iminente ruptura de pagamentos.
A situação foi-se clarificando com o tempo e, embora sejam apontados diferentes números para quantificar o fraudulento buraco que foi criado pelos desvarios de Oliveira e Costa & Dias Loureiro, essa nacionalização parece ir custar aos portugueses cerca de 4 mil milhões de euros, isto é, mais de 2% do PIB.
Ainda ninguém foi responsabilizado com uma exemplar punição por essa situação, mas os principais autores dessa fraude enriqueceram, andam por aí e os seus patrimónios continuam sem ser beliscados.
Passados mais de dois anos, veio a actual administração do BPN emitir uma sensata ordem de serviço para a recolha de 300 automóveis que estavam atribuídos a chefes de delegação, gerentes, alguns directores e ex-administradores. Porquê só agora?
Alguns destes beneficiários estavam sem funções atribuídas e, nas desgraçadas circunstâncias actuais do banco, ainda são os sindicatos dos bancários que reagem e defendem esses 300 indivíduos contra os interesses de quase 10 milhões.
Chamam a isto sindicalismo?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Com a cabeça no polvo

Este cromo pertence ao mundo do futebol, que é um sector de actividade que trata de golos, penaltis, off-sides, claques e que vive com muito dinheiro, muitas viagens, muitos hotéis e muitos prémios.
O homem chegou à Associação de Futebol de Setúbal em 1970 e entrou na Federação Portuguesa de Futebol em 1983, onde se tem mantido até aos nossos dias. São mais de quarenta anos de futebolices! Uma vida a dirigir. Um verdadeiro dinossauro.
Distinguiu-se pela forma incompetente e irresponsável como geriu a selecção nacional em Saltillo, no desastroso Mundial de 1984. Ninguém lhe pediu contas. Assobiou para o ar e ficou agarrado ao lugar.
Depois, durante anos, foi tirando partido do seu tacho sem fazer ondas. Sempre a dirigir. Ninguém se lembrava dele, até que no último Campeonato do Mundo resolveu pôr a cabeça no polvo com que o Laurentino quis abafar o Queiroz. E fez mais esse jeito. É a sua especialidade desde há quarenta anos: fazer jeitos para sobreviver.
Embora já tenha dito que está a atingir o prazo de validade, ainda põe a hipótese de continuar no seu posto para além de 2011. Um exemplo de dedicação à causa pública!

O novo Audi A6

Portugal foi, no ano de 2010, o segundo país que mais cresceu em vendas de automóveis na União Europeia. Os portugueses compraram 223.491 novos carros ligeiros de passageiros, isto é, mais 38,8% do que em 2009, enquanto o mercado europeu retrocedeu 5,5%. Pode dizer-se que, mesmo sob o efeito da crise económica e com a crise política à vista, ou talvez por isso, “toda a gente” comprou carro novo em Portugal. Foi um festim!
Entretanto, hoje discutem-se os gravíssimos problemas de financiamento da economia portuguesa, com os juros a atingir novos máximos e com a forte possibilidade de se poder verificar uma ruptura de tesouraria nos cofres do Estado e das empresas. Crise e recessão estão à vista. Apesar disso, as marcas de automóveis inundam os painéis publicitários portugueses, certamente depois de terem feito os seus estudos de mercado. É anunciado, por exemplo, o novo Audi A6 que será vendido com um preço a partir de 50.950 euros.
Não compreendo a racionalidade do mercado automóvel, nem a racionalidade dos consumidores ou, então, esta campanha é apenas uma “prova de vida” da marca alemã.

sábado, 2 de abril de 2011

O estado do Estado

Foi recentemente publicado “O estado a que o Estado chegou”. Trata-se de um livro que agrega um conjunto de textos resultantes de uma investigação conduzida por jornalistas do Diário de Notícias, com o objectivo de fazer um retrato do Estado no contexto nacional.
O livro mostra claramente como o Estado cresceu nos últimos anos e como o seu peso na economia nacional se tornou um real problema ao consumir cerca de 50% dos recursos nacionais, com défices elevados e crescente endividamento, além de revelar uma eficiência não satisfatória em muitos dos serviços prestados.
O Estado vive dos nossos impostos e nós confiamos que esse dinheiro seja utilizado com critérios de boa gestão financeira. Mas isso nem sempre acontece. E nós assistimos a esse descalabro.
O Estado gasta em negócios ruinosos, esbanja em obras públicas sem sentido, alimenta organismos desnecessários e apoia tudo e todos, além de pagar mordomias injustificadas sem conta, como são os carros, as viagens, os telemóveis, os cartões e muitas outras benesses.
O Estado gasta mais do que tem, acumula dívidas e, depois, exige-nos mais impostos. É injusto para com os que trabalham com a noção do serviço público e é tolerante para com os parasitas e corruptos que dele se servem.
Embora o livro tenha um estilo muito ligeiro e um rigor pouco académico, abre muitas perspectivas de apreciação e revela várias facetas daquilo que o Estado tem de pior e que tanto nos custa: o despesismo, o clientelismo, o facilitismo, a impunidade e a irresponsabilidade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Apenas a vaidade

A mesma edição do Correio da Manhã que anuncia a marcação de eleições antecipadas para o dia 5 de Junho, informa com grande destaque que os gestores da Carris utilizam carros de luxo.
O jornal sabe, seguramente, que os gestores e os quadros portugueses gostam de bons carros e que, nos últimos anos, nem o Estado, nem as empresas que tutela, resistem a essa tentação. Essa gente constitui uma parte da chamada clientela, nascida nas hostes partidárias do centrão e que quer subir na vida a qualquer preço. Eles têm ambição a mais e princípios a menos. Podiam ter como divisa o serviço público. Podiam gostar da eficiência e da modernidade empresariais, da boa gestão e da inovação, da criação de oportunidades, da criação de riqueza ou do aumento da produção. Mas não. Alimentam as suas vaidades, aumentam a suas contas bancárias e afundam o país. À margem de todo o bom senso e com total impunidade, a generalidade dos presidentes, vice-presidentes, administradores, directores, subdirectores, assessores e outros, usa carros caros, com ou sem motorista, como se o seu estatuto o justificasse e vivessemos numa sociedade feudal. E nós pagamos esses BMW, Audi e Mercedes.
Sabemos como a Carris, a RTP, a AdP e tantas outras empresas públicas, incluindo empresas municipais, hospitais e outras, mas também muitos organismos do Estado, têm renovado a sua frota automóvel com carros de luxo. É quase obsceno.
Admira-me como o Estado tolera estes abusos e a insensatez desta gente.