A edição de fim-de-semana do jornal i faz manchete, em destaque semelhante ao do casamento real do Reino Unido, com a seguinte notícia: “Câmaras municipais falidas. Salários dos trabalhadores em risco”.
Os Municípios têm uma grande tradição em Portugal. Foram inicialmente criados em 1822 e têm evoluído até aos nossos dias, quanto ao seu número, poderes e âmbito de intervenção. No regime democrático saído do 25 de Abril e como representantes do Poder Local, os 308 Municípios existentes em Portugal têm desempenhado um papel notável no apoio às populações, na revitalização urbana, na dinamização cultural e, muitas vezes, são apontados como símbolos de boa gestão, do progresso social e de consenso político. Porém, enquanto a maioria dos Municípios tem uma dimensão e uma gestão que lhes permite uma vida financeira equilibrada, há outros que têm dificuldades financeiras e estão em risco de ruptura, havendo a ameaça de não haver liquidez para pagar salários e fornecedores.
Só a análise, caso a caso, permite conhecer a realidade. No entanto, ao percorrermos o país, deparamo-nos com inúmeras situações nada abonatórias para os gestores municipais, em termos de despesismo e desperdício: o excesso de empresas municipais injustificadas, as obras de fachada, a desproporcionada dimensão de alguns equipamentos sociais, o excesso de funcionários e de assessores, a desnecessária burocracia, a suspeita de muita corrupção ou as dispendiosas festas de Verão. Tal como noutras dimensões da nossa vida pública, também alguns Municípios perderam a noção dos limites. Muitas vezes, em nome do interesse e da vaidade pessoal.
sábado, 30 de abril de 2011
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Culpas e culpados
A situação financeira por que passa o nosso país, resulta de uma componente pública (Estado) e de uma componente privada (Famílias e Empresas) e é um processo que, ao contrário do que alguns pretendem fazer crer, está entre nós há muitos, muitos anos.
Não é fácil identificar, com seriedade, os graus de culpa e os verdadeiros culpados por tão complexa e persistente situação.
O Orçamento do Estado sempre teve grandes dotações para pagamento de juros e amortizações (do lado da despesa) e sempre recorreu a operações de financiamento (do lado da receita), pelo que este desequilíbrio não é novo. É endémico e é estrutural.
O que é novo é a dimensão do problema e a forma como, no contexto da crise financeira internacional, se agravou nos últimos anos.
O despesismo do Estado já vem de trás, mas agravou-se com o deslumbramento e as mordomias dos agentes dos Estado, com as reivindicações corporativas e sindicais, com o clientelismo politico-partidário, com a corrupção, com a generalização das cunhas e com as políticas de obras públicas, caras e não necessárias.
O despesismo e o endividamento das Famílias têm sido incentivados e alimentados pelos Bancos de uma forma insensata, ao prometerem crédito para tudo – a compra de casa ou da segunda casa, a compra do carro de sonho, as férias exóticas para pagar mais tarde, o adiantamento do ordenado e a satisfação de todas exigências tecnológicas dos tempos modernos. Os cartões de crédito entravam na casa das pessoas e muitos perderam a noção dos limites.
Agora há que mudar de vida e regenerar o sistema. Neste quadro e com eleições à vista, eu não preciso de campanhas eleitorais.
Não é fácil identificar, com seriedade, os graus de culpa e os verdadeiros culpados por tão complexa e persistente situação.
O Orçamento do Estado sempre teve grandes dotações para pagamento de juros e amortizações (do lado da despesa) e sempre recorreu a operações de financiamento (do lado da receita), pelo que este desequilíbrio não é novo. É endémico e é estrutural.
O que é novo é a dimensão do problema e a forma como, no contexto da crise financeira internacional, se agravou nos últimos anos.
O despesismo do Estado já vem de trás, mas agravou-se com o deslumbramento e as mordomias dos agentes dos Estado, com as reivindicações corporativas e sindicais, com o clientelismo politico-partidário, com a corrupção, com a generalização das cunhas e com as políticas de obras públicas, caras e não necessárias.
O despesismo e o endividamento das Famílias têm sido incentivados e alimentados pelos Bancos de uma forma insensata, ao prometerem crédito para tudo – a compra de casa ou da segunda casa, a compra do carro de sonho, as férias exóticas para pagar mais tarde, o adiantamento do ordenado e a satisfação de todas exigências tecnológicas dos tempos modernos. Os cartões de crédito entravam na casa das pessoas e muitos perderam a noção dos limites.
Agora há que mudar de vida e regenerar o sistema. Neste quadro e com eleições à vista, eu não preciso de campanhas eleitorais.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Soluções à portuguesa
A Publicidade é um mundo de surpresas e de criatividade, que muitas vezes ultrapassa a compreensão do cidadão comum.
Assim sucede com a campanha publicitária promovida pelo famosíssimo Licor Beirão que foi distribuída por diferentes suportes - outdoors, mupis, televisão e internet – além de também incluir um concurso cujo prémio é um Porsche 924.
A marca decidiu contratar o ex-futebolista Paulo Futre para ser o rosto dessa campanha. As razões dessa escolha terão resultado das suas polémicas e hilariantes declarações numa conferência de imprensa realizada durante as eleições do Sporting Clube de Portugal, que se transformaram em motivo de chacota nacional.
A campanha procura aproveitar essa ridícula trapalhada a que Futre deu voz e rosto, com o objectivo de melhorar a notoriedade da marca e, eventualmente, o aumento das vendas do Licor Beirão. Porém, a mediocridade gráfica e a pobreza intelectual dos slogans, associada às “soluções à portuguesa” apresentadas, tornam esta campanha um exercício publicitário de alto risco. Ou não.
Eventualmente, o histórico Licor Beirão poderá ganhar notoriedade e poderá aumentar as suas vendas, mas não se livrará tão cedo desta “marca” popularunha.
Assim sucede com a campanha publicitária promovida pelo famosíssimo Licor Beirão que foi distribuída por diferentes suportes - outdoors, mupis, televisão e internet – além de também incluir um concurso cujo prémio é um Porsche 924.
A marca decidiu contratar o ex-futebolista Paulo Futre para ser o rosto dessa campanha. As razões dessa escolha terão resultado das suas polémicas e hilariantes declarações numa conferência de imprensa realizada durante as eleições do Sporting Clube de Portugal, que se transformaram em motivo de chacota nacional.
A campanha procura aproveitar essa ridícula trapalhada a que Futre deu voz e rosto, com o objectivo de melhorar a notoriedade da marca e, eventualmente, o aumento das vendas do Licor Beirão. Porém, a mediocridade gráfica e a pobreza intelectual dos slogans, associada às “soluções à portuguesa” apresentadas, tornam esta campanha um exercício publicitário de alto risco. Ou não.
Eventualmente, o histórico Licor Beirão poderá ganhar notoriedade e poderá aumentar as suas vendas, mas não se livrará tão cedo desta “marca” popularunha.
Um bom exemplo
O Presidente da República decidiu convidar os seus antecessores para tomarem parte nas comemorações do 25 de Abril, que se realizaram no Palácio de Belém.
Foi uma ideia inovadora e louvável, porque a simples imagem conjunta dessas quatro personalidades, que a generalidade dos jornais reproduziu nas suas edições de hoje, é um bom exemplo de consenso e pode funcionar como inspiração para que os líderes políticos lhes sigam o caminho.
De facto, a complexa situação por que passamos, fez juntar quatro homens com estilos pessoais, perfis ideológicos e práticas políticas distintas que, nesta quase emergência nacional, ultrapassaram as suas próprias rivalidades e se uniram nas críticas à situação actual e nos apelos ao consenso.
Como titulava o jornal i, eles "pedem acordo urgente".
Nos discursos proferidos, os partidos e os seus dirigentes foram particularmente visados, mas os cidadãos e a sua falta de empenhamento na vida democrática também não foram poupados.
No entanto, o que vai ficar na memória dos portugueses não são os discursos, mas a fotografia conjunta do Presidente da República e dos seus antecessores, porque “uma imagem vale mais do que mil palavras”.
Foi uma ideia inovadora e louvável, porque a simples imagem conjunta dessas quatro personalidades, que a generalidade dos jornais reproduziu nas suas edições de hoje, é um bom exemplo de consenso e pode funcionar como inspiração para que os líderes políticos lhes sigam o caminho.
De facto, a complexa situação por que passamos, fez juntar quatro homens com estilos pessoais, perfis ideológicos e práticas políticas distintas que, nesta quase emergência nacional, ultrapassaram as suas próprias rivalidades e se uniram nas críticas à situação actual e nos apelos ao consenso.
Como titulava o jornal i, eles "pedem acordo urgente".
Nos discursos proferidos, os partidos e os seus dirigentes foram particularmente visados, mas os cidadãos e a sua falta de empenhamento na vida democrática também não foram poupados.
No entanto, o que vai ficar na memória dos portugueses não são os discursos, mas a fotografia conjunta do Presidente da República e dos seus antecessores, porque “uma imagem vale mais do que mil palavras”.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
José Afonso, o trovador da Liberdade
Coimbra – Largo da Sé Velha
O Largo da Sé Velha em Coimbra, assim baptizado por nela se encontrar a imponente Sé Velha, é circundado por diversos edifícios centenários, datados dos séculos XVII, XVIII e XIX.
Num desses edifícios estão dois fixados dois pequenos painéis de azulejos sobrepostos, um dos quais retrata José Afonso e outro regista que ele ali vivera, com as seguintes frases:
NESTA CASA VIVEU
O TROVADOR DA LIBERDADE
JOSÉ AFONSO (O ZECA)
O Largo da Sé Velha é, tradicionalmente, o local onde se realiza a serenata estudantil que marca o início das festas da Queima das Fitas e, através destes azulejos, passa a evocar a talentosa figura de José Afonso, que foi e continua a ser, o símbolo musical de uma geração e um dos mais celebrados ícones do 25 de Abril.
Os painéis foram colocados em 1987, ano da morte do poeta e cantor, pela Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril e o Largo da Sé Velha, que já era um sítio com História, foi enriquecido com esta evocação de José Afonso.
O Largo da Sé Velha em Coimbra, assim baptizado por nela se encontrar a imponente Sé Velha, é circundado por diversos edifícios centenários, datados dos séculos XVII, XVIII e XIX.
Num desses edifícios estão dois fixados dois pequenos painéis de azulejos sobrepostos, um dos quais retrata José Afonso e outro regista que ele ali vivera, com as seguintes frases:
NESTA CASA VIVEU
O TROVADOR DA LIBERDADE
JOSÉ AFONSO (O ZECA)
O Largo da Sé Velha é, tradicionalmente, o local onde se realiza a serenata estudantil que marca o início das festas da Queima das Fitas e, através destes azulejos, passa a evocar a talentosa figura de José Afonso, que foi e continua a ser, o símbolo musical de uma geração e um dos mais celebrados ícones do 25 de Abril.
Os painéis foram colocados em 1987, ano da morte do poeta e cantor, pela Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril e o Largo da Sé Velha, que já era um sítio com História, foi enriquecido com esta evocação de José Afonso.
domingo, 24 de abril de 2011
Reinventemos o 25 de Abril!
Hoje evoco o dia 25 de Abril de 1974 e recordo com emoção um excerto do poema de Sophia de Mello Breyner, porventura um dos mais belos que aquele dia produziu:
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Passaram 37 anos e o país que hoje temos não é comparável ao que tínhamos em 1974. Não temos guerras. Temos liberdade. Vivemos muito melhor, sabemos muito mais e temos mais saúde. Por isso, viva o 25 de Abril!
Porém, neste percurso democrático por que temos caminhado e que transformou o país, acumularam-se muitos erros. As pessoas deslumbraram-se e muitas pensaram que o progresso era um facto natural e irreversível. Exigiram os seus direitos e esqueceram os seus deveres. Consumiram o que tinham e o que não tinham. Endividaram-se e não pouparam. Os partidos políticos não cumpriram com a sua missão de procurar o bem comum. Tornaram-se agências agregadoras de mediocridades e de clientelas. Muitos dirigentes em vez de servirem a coisa pública, serviram-se dela. A Escola tornou-se um emprego e a Justiça passou a ser uma corporação de interesses. Os servidores do Estado perderam a noção de serviço público. A coesão social está ameaçada. A corrupção alastra em todas as suas formas.
Neste quadro complexo, afirmava recentemente Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega do 25 de Abril, que “se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril”. Não concordo com ele. O 25 de Abril valeu a pena e eu continuo a orgulhar-me dele. Os portugueses merecem-no no seu significado “inteiro e limpo”. Há que denunciar e afastar os dirigentes medíocres, gananciosos e desonestos que, em nome do 25 de Abril, se instalaram nos diferentes estratos do poder nacional, regional e local. É preciso reinventar o 25 de Abril e recuperar os seus ideais.
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Passaram 37 anos e o país que hoje temos não é comparável ao que tínhamos em 1974. Não temos guerras. Temos liberdade. Vivemos muito melhor, sabemos muito mais e temos mais saúde. Por isso, viva o 25 de Abril!
Porém, neste percurso democrático por que temos caminhado e que transformou o país, acumularam-se muitos erros. As pessoas deslumbraram-se e muitas pensaram que o progresso era um facto natural e irreversível. Exigiram os seus direitos e esqueceram os seus deveres. Consumiram o que tinham e o que não tinham. Endividaram-se e não pouparam. Os partidos políticos não cumpriram com a sua missão de procurar o bem comum. Tornaram-se agências agregadoras de mediocridades e de clientelas. Muitos dirigentes em vez de servirem a coisa pública, serviram-se dela. A Escola tornou-se um emprego e a Justiça passou a ser uma corporação de interesses. Os servidores do Estado perderam a noção de serviço público. A coesão social está ameaçada. A corrupção alastra em todas as suas formas.
Neste quadro complexo, afirmava recentemente Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega do 25 de Abril, que “se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril”. Não concordo com ele. O 25 de Abril valeu a pena e eu continuo a orgulhar-me dele. Os portugueses merecem-no no seu significado “inteiro e limpo”. Há que denunciar e afastar os dirigentes medíocres, gananciosos e desonestos que, em nome do 25 de Abril, se instalaram nos diferentes estratos do poder nacional, regional e local. É preciso reinventar o 25 de Abril e recuperar os seus ideais.
sábado, 23 de abril de 2011
O judo lusitano vai bem e recomenda-se
Terminou hoje em Istambul o Campeonato Europeu de Judo na categoria de seniores, no qual participaram 422 atletas que representavam 45 países.
No quadro final dos resultados das 14 provas realizadas (masculinas e femininas), verifica-se que os atletas portugueses obtiveram um 1º lugar (João Pina) e dois 2º lugares (Telma Monteiro e Joana Ramos).
A consulta do habitual quadro de medalhas apresenta a França em 1º lugar (9 medalhas), a Rússia em 2º lugar (8 medalhas), a Hungria em 3º lugar e Portugal em 4º lugar (ambas com 3 medalhas).
Com participantes de 45 países o resultado desportivo obtido é verdadeiramente excepcional para o judo português, mostrando que há algumas matérias em que as coisas correm bem e se recomendam.
Assim acontecesse também com outras matérias como a gestão económica e social deste Reino e, especialmente, com a gestão orçamental.
No quadro final dos resultados das 14 provas realizadas (masculinas e femininas), verifica-se que os atletas portugueses obtiveram um 1º lugar (João Pina) e dois 2º lugares (Telma Monteiro e Joana Ramos).
A consulta do habitual quadro de medalhas apresenta a França em 1º lugar (9 medalhas), a Rússia em 2º lugar (8 medalhas), a Hungria em 3º lugar e Portugal em 4º lugar (ambas com 3 medalhas).
Com participantes de 45 países o resultado desportivo obtido é verdadeiramente excepcional para o judo português, mostrando que há algumas matérias em que as coisas correm bem e se recomendam.
Assim acontecesse também com outras matérias como a gestão económica e social deste Reino e, especialmente, com a gestão orçamental.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
A casa de Gago Coutinho
Lisboa – Calçada da Ajuda
No número 27 da Calçada da Ajuda, em Lisboa, situa-se a pequena casa onde nasceu o Almirante Gago Coutinho, conforme assinala uma lápide colocada sobre a respectiva porta de entrada:
CASA ONDE NASCEU EM 17 DE FEVEREIRO DE 1869
O VICE-ALMIRANTE CARLOS VIEGAS GAGO COUTINHO
NOTÁVEL AVIADOR, NAVEGADOR E GEÓGRAFO
QUE FEZ A NAVEGAÇÃO DA PRIMEIRA TRAVESSIA AÉREA
DO ATLÂNTICO SUL NO ANO DE 1922
O Almirante Gago Coutinho foi uma notável e multifacetada figura da Marinha Portuguesa e, juntamente com o Comandante Sacadura Cabral, participou na primeira viagem aérea Lisboa-Funchal (1921) e na primeira travessia aérea do Atlântico Sul (1922).
Antes, o Almirante Gago Coutinho tinha comandado navios da Armada, na Índia e em Timor, e tinha dirigido as missões científicas que procederam à delimitação de fronteiras em vários territórios ultramarinos, nomeadamente em Moçambique, Angola, S. Tomé e Príncipe e Timor, tendo para esse efeito estabelecido vértices geodésicos e determinado coordenadas com grande precisão para a época. Dedicou-se também à História da Náutica e foi uma figura popular, sobretudo no popular bairro da Madragoa, onde viveu durante cerca de setenta anos.
Faleceu em Lisboa no ano de 1959, com noventa anos de idade.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Adieu Paris
O cromo que hoje vos apresento talvez até seja um filósofo de mérito, mas nos últimos anos deslumbrou-se e o verniz estalou.
Começou como professor mas viu que só a política o poderia levar longe. Inscreveu-se, militou e chegou rapidamente a ministro, dando nas vistas pela sua evidente vaidade.
Tornou-se figura do jet set e veio a casar com uma famosa apresentadora de concursos televisivos, que também fazia programas culturais patrocinados pelo próprio Ministério.
Numa estratégia ascensional de auto-endeusamento imaginou-se à frente da autarquia lisboeta, apoiou-se na imagem da mulher, mas fez uma desastrada e arrogante campanha eleitoral, tendo perdido para Carmona Rodrigues.
O casal não esperava esse resultado e o cargo de vereador não era motivador, nem era à sua medida. O homem não desistiu e conseguiu insinuar-se para que o seu partido e o governo lhe dessem o cargo de embaixador junto da UNESCO. Em Paris. Era a intelectualidade iluminada a olhar de soslaio a populaça lusitana. Era tudo à grande e à francesa! Os salões. As recepções. Os cocktails. As revistas sociais. O homem perdeu a cabeça e indisciplinou-se no exercício das suas funções. O cargo não era eterno. A normal rotação diplomática apanhou-o e, obviamente, foi afastado.
Ficou inconsolado e, a partir de então, a sua actividade política vai num único sentido: difamar e diabolizar aquele que lhe tinha dado o tacho em Paris e que depois lho tirou. Um mal agradecido. Um mau perdedor. Uma atitude bárbara e vingativa.
Começou como professor mas viu que só a política o poderia levar longe. Inscreveu-se, militou e chegou rapidamente a ministro, dando nas vistas pela sua evidente vaidade.
Tornou-se figura do jet set e veio a casar com uma famosa apresentadora de concursos televisivos, que também fazia programas culturais patrocinados pelo próprio Ministério.
Numa estratégia ascensional de auto-endeusamento imaginou-se à frente da autarquia lisboeta, apoiou-se na imagem da mulher, mas fez uma desastrada e arrogante campanha eleitoral, tendo perdido para Carmona Rodrigues.
O casal não esperava esse resultado e o cargo de vereador não era motivador, nem era à sua medida. O homem não desistiu e conseguiu insinuar-se para que o seu partido e o governo lhe dessem o cargo de embaixador junto da UNESCO. Em Paris. Era a intelectualidade iluminada a olhar de soslaio a populaça lusitana. Era tudo à grande e à francesa! Os salões. As recepções. Os cocktails. As revistas sociais. O homem perdeu a cabeça e indisciplinou-se no exercício das suas funções. O cargo não era eterno. A normal rotação diplomática apanhou-o e, obviamente, foi afastado.
Ficou inconsolado e, a partir de então, a sua actividade política vai num único sentido: difamar e diabolizar aquele que lhe tinha dado o tacho em Paris e que depois lho tirou. Um mal agradecido. Um mau perdedor. Uma atitude bárbara e vingativa.
Extremadura
Deixei a atlântica cidade de Lisboa, atravessei a fronteira luso-espanhola e durante três dias deambulei pela Extremadura.
A partir de Cáceres visitei Plasencia, Trujillo e Mérida. São quatro pequenas cidades que têm sabido conservar as suas zonas arqueológicas e históricas, bem como o seu monumental património, testemunhado através de catedrais, igrejas, castelos, palácios, praças, ruas, pontes, aquedutos e muitas memórias.
Em certo sentido, a Extremadura e as suas cidades são um mosaico de monumentos e são um livro cujas páginas evocam o rico passado histórico das províncias de Cáceres e Badajoz.
Mas a riqueza estremenha também deriva do seu património natural, das suas extensas planícies, do curso dos seus rios e respectivos “embalses” e da sua diversificada fauna, em que se destacam as elegantes cegonhas que são um quase ex-libris da região.
Estávamos na Semana Santa e as vistosas procissões estavam anunciadas por toda a parte, embora as televisões e os jornais falassem sobretudo da final da Copa del Rey, entre o Real Madrid e o Barcelona, destacando especialmente as figuras de Mourinho e de Ronaldo.
Naturalmente, ficaram muitas coisas por visitar como Guadalupe e Yuste, mas outras oportunidades haverão de surgir.
Evidentemente que, à saída de Portugal não esqueci Castelo de Vide nem Marvão e, no regresso, revisitei Elvas e Estremoz, porque são os contrastes existentes que nos lembram que “o que é nacional é bom”.
sábado, 16 de abril de 2011
Um memorial aos judeus em Lisboa
Lisboa – Largo de São Domingos
Neste largo, em frente da restaurada igreja de São Domingos, encontra-se um memorial colocado em 2006, com a seguinte inscrição:
EM MEMÓRIA
DOS MILHARES DE JUDEUS VÍTIMAS
DA INTOLERÂNCIA E DO
FANATISMO RELIGIOSO
ASSASSINADOS NO MASSACRE
INICIADO EM 19 DE ABRIL DE 1506
NESTE LARGO
A cidade de Lisboa estava assolada por uma epidemia de peste, a população vivia com muita ansiedade e o Rei D. Manuel e os notáveis do Reino estavam resguardados e protegidos longe da cidade.
Nesta grave situação, o nervosismo, o fanatismo e a intolerância da população explodiram e calcula-se que, em três dias, a fúria popular tenha assassinado cerca de quatro mil judeus.
O memorial evoca esse triste acontecimento da nossa História que, até há poucos anos, não era divulgado.
Neste largo, em frente da restaurada igreja de São Domingos, encontra-se um memorial colocado em 2006, com a seguinte inscrição:
EM MEMÓRIA
DOS MILHARES DE JUDEUS VÍTIMAS
DA INTOLERÂNCIA E DO
FANATISMO RELIGIOSO
ASSASSINADOS NO MASSACRE
INICIADO EM 19 DE ABRIL DE 1506
NESTE LARGO
A cidade de Lisboa estava assolada por uma epidemia de peste, a população vivia com muita ansiedade e o Rei D. Manuel e os notáveis do Reino estavam resguardados e protegidos longe da cidade.
Nesta grave situação, o nervosismo, o fanatismo e a intolerância da população explodiram e calcula-se que, em três dias, a fúria popular tenha assassinado cerca de quatro mil judeus.
O memorial evoca esse triste acontecimento da nossa História que, até há poucos anos, não era divulgado.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Execução orçamental
Agora que estamos a atravessar águas muito turbulentas, todos falam de Economia e de Finanças Públicas. Enquanto uns começam por dizer que “eu não sou economista” mas opinam como se fossem, outros apresentam-se como “professores de Economia” e opinam com sapientes verdades universais.
Como se aproximam eleições, muitos deles falam por falar, repetem as suas cassetes partidárias e discutem o país como se fosse um jogo de futebol, apenas para fazer prova de vida e, eventualmente, para entrarem numa qualquer lista eleitoral.
Entretanto, o Jornal de Notícias informa que, segundo dados preliminares da execução orçamental, o conjunto da Administração Central e Segurança Social (Estado, Serviços e Fundos Autónomos e a Segurança Social) registou um saldo positivo de 432 milhões de euros no primeiro trimestre, quando, no mesmo período de 2010, se registou um défice de 1311 milhões de euros, significando que houve uma melhoria de cerca de 1750 milhões de euros.
O apuramento deste resultado foi feito, naturalmente, pela Direcção Geral do Orçamento, que é um departamento do Estado. Seria normal que todos se regozijassem por alguma coisa estar a correr bem e por este bom resultado conseguido, que derivou do aumento da receita e da diminuição da despesa, isto é, do sacrifício dos portugueses.
Porém, a pensar nas eleições, os partidos desconfiaram. Alguns economistas torceram o nariz, enquanto outros que deviam dar exemplos de moderação, se apressaram a chamar a este resultado uma mentira.
Era isto que faltava para arranjar um lugarzinho na Assembleia da República?
É caso para dizer que só me saem duques…
Como se aproximam eleições, muitos deles falam por falar, repetem as suas cassetes partidárias e discutem o país como se fosse um jogo de futebol, apenas para fazer prova de vida e, eventualmente, para entrarem numa qualquer lista eleitoral.
Entretanto, o Jornal de Notícias informa que, segundo dados preliminares da execução orçamental, o conjunto da Administração Central e Segurança Social (Estado, Serviços e Fundos Autónomos e a Segurança Social) registou um saldo positivo de 432 milhões de euros no primeiro trimestre, quando, no mesmo período de 2010, se registou um défice de 1311 milhões de euros, significando que houve uma melhoria de cerca de 1750 milhões de euros.
O apuramento deste resultado foi feito, naturalmente, pela Direcção Geral do Orçamento, que é um departamento do Estado. Seria normal que todos se regozijassem por alguma coisa estar a correr bem e por este bom resultado conseguido, que derivou do aumento da receita e da diminuição da despesa, isto é, do sacrifício dos portugueses.
Porém, a pensar nas eleições, os partidos desconfiaram. Alguns economistas torceram o nariz, enquanto outros que deviam dar exemplos de moderação, se apressaram a chamar a este resultado uma mentira.
Era isto que faltava para arranjar um lugarzinho na Assembleia da República?
É caso para dizer que só me saem duques…
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Odéon
LISBOA, 14 ABR 2011 - A rua das Portas de Santo Antão é muito frequentada por turistas, além de acolher duas das mais visitadas salas de espectáculos da capital. No seu limite norte fica a rua dos Condes, onde se situa o belo edifício do cinema Odéon, actualmente muito degradado e a transmitir uma imagem de decadência e de desleixo, aos milhares de estrangeiros e portugueses que por ali passam.
O edifício foi inaugurado em 1927 e foi modernizado em 1931, recebendo as galerias metálicas que ainda hoje o caracterizam. O interior é notável com uma cobertura em madeira escura em pau-Brasil na forma da quilha de navio e o palco com um frontão Art Deco. A sala dispõe de uma plateia, dois balcões e camarotes, pode acomodar 691 espectadores e possui um mecanismo que permite que a sala seja iluminada com luz natural, se assim se desejar.
Na segunda metade dos anos 80 o cinema Odéon entrou em decadência e passou a exibir sessões de cinema porno e, já nos anos 90, viria a encerrar, após quase setenta anos de serviços à cidade de Lisboa.
Actualmente o edifício parece estar envolvido numa batalha judicial entre as autoridades que pretendem a sua requalificação e classificação como património de interesse histórico e cultural, e o seu proprietário que se recusa a negociar e a fazer as obras de restauro propostas pelo IGESPAR e pelo IPPAR. Parece tratar-se de um caso de burocracia e, também, um caso típico daquelas famosas indefinições das nossas leis que tudo empatam sem que se decida.
Entretanto, o edifício está em chocante estado de degradação, com vidros partidos na clarabóia, nas galerias e nas janelas, dando uma imagem de decadência e desleixo.
O edifício foi inaugurado em 1927 e foi modernizado em 1931, recebendo as galerias metálicas que ainda hoje o caracterizam. O interior é notável com uma cobertura em madeira escura em pau-Brasil na forma da quilha de navio e o palco com um frontão Art Deco. A sala dispõe de uma plateia, dois balcões e camarotes, pode acomodar 691 espectadores e possui um mecanismo que permite que a sala seja iluminada com luz natural, se assim se desejar.
Na segunda metade dos anos 80 o cinema Odéon entrou em decadência e passou a exibir sessões de cinema porno e, já nos anos 90, viria a encerrar, após quase setenta anos de serviços à cidade de Lisboa.
Actualmente o edifício parece estar envolvido numa batalha judicial entre as autoridades que pretendem a sua requalificação e classificação como património de interesse histórico e cultural, e o seu proprietário que se recusa a negociar e a fazer as obras de restauro propostas pelo IGESPAR e pelo IPPAR. Parece tratar-se de um caso de burocracia e, também, um caso típico daquelas famosas indefinições das nossas leis que tudo empatam sem que se decida.
Entretanto, o edifício está em chocante estado de degradação, com vidros partidos na clarabóia, nas galerias e nas janelas, dando uma imagem de decadência e desleixo.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Sejam responsáveis!
Portugal é um país com uma longa história de muitos séculos, em que se têm alternado os períodos de grande prosperidade com os tempos de depressão, mas também os tempos de orgulho nacional com os tempos de descrença colectiva.
Estamos em tempo de depressão e de descrença colectiva mas, ao longo dos séculos, como muito bem observou o historiador Charles Boxer, “os Portugueses têm mostrado uma notável capacidade para sobreviverem ao mau governo vindo de cima e à indisciplina vinda de baixo”.
Hoje estamos numa encruzilhada. É mesmo um caso sério. Ocorrem-me as imagens do Serengeti que o National Geographic nos mostra frequentemente, com os abutres a devorar carcaças. Recordo, também, Rafael Bordalo Pinheiro e a capa d’A Paródia, ilustrada com a “grande porca”, além do famoso texto de há mais de cem anos:
“Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. Ainda há algum tempo em conversa com Rafael falamos sobre isso. E que a política é como uma 'grande porca', ambos concordamos. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta”.
Agora estamos na mesma. Os rivais atropelam-se. No Estado. Nas empresas públicas. Nas regiões autónomas. Nas autarquias. Nas corporações. Nos institutos. Nas fundações. Por toda a parte. À procura do voto, como forma de manter ou tomar o poder. Não é um ensaio sobre a cegueira. É a própria cegueira. A culpa não é de A nem de B, mas do abecedário todo.
É preciso mudar de vida. Queremos que se entendam.
Sejam responsáveis. Mamem com moderação!
Estamos em tempo de depressão e de descrença colectiva mas, ao longo dos séculos, como muito bem observou o historiador Charles Boxer, “os Portugueses têm mostrado uma notável capacidade para sobreviverem ao mau governo vindo de cima e à indisciplina vinda de baixo”.
Hoje estamos numa encruzilhada. É mesmo um caso sério. Ocorrem-me as imagens do Serengeti que o National Geographic nos mostra frequentemente, com os abutres a devorar carcaças. Recordo, também, Rafael Bordalo Pinheiro e a capa d’A Paródia, ilustrada com a “grande porca”, além do famoso texto de há mais de cem anos:
“Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. Ainda há algum tempo em conversa com Rafael falamos sobre isso. E que a política é como uma 'grande porca', ambos concordamos. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta”.
Agora estamos na mesma. Os rivais atropelam-se. No Estado. Nas empresas públicas. Nas regiões autónomas. Nas autarquias. Nas corporações. Nos institutos. Nas fundações. Por toda a parte. À procura do voto, como forma de manter ou tomar o poder. Não é um ensaio sobre a cegueira. É a própria cegueira. A culpa não é de A nem de B, mas do abecedário todo.
É preciso mudar de vida. Queremos que se entendam.
Sejam responsáveis. Mamem com moderação!
domingo, 10 de abril de 2011
Compromisso nacional
Um grupo de 47 personalidades decidiu subscrever um documento publicado pelo Expresso, no qual apelam a um compromisso nacional, no sentido de ser ultrapassada a actual situação de extrema dificuldade por que passa o nosso país.
Esse grupo reúne três antigos Presidentes da República, vários reitores de universidades, presidentes de fundações, destacados empresários e alguns vultos da cultura, da arte e da ciência. É um conjunto impressionante de personalidades de grande relevo na sociedade portuguesa, onde se intrometeram ou foram intrometidos os nomes de algumas não-personalidades.
O documento é um apelo ao Presidente da República, ao Governo e aos Partidos Políticos para que se entendam na busca de compromissos mínimos de curto e de médio prazo, de forma a assegurar consensos nas orientações do programa de estabilização financeira a negociar, na concretização material do programa de ajuda externa e na realização de uma campanha eleitoral serena, esclarecedora e não conflituosa, necessariamente diferente das habituais campanhas a que temos assistido.
Desde há muitos anos que o país parecia um Titanic – o navio afundava e a orquestra continuava a tocar. Poucos perceberam isso. Andavam distraídos. Agora que isso foi percebido e que é necessário mudar de vida, também me associo àquelas personalidades e dirijo-me aos políticos: sejam responsáveis, falem menos, sentem-se e entendam-se. Fechem-se em conclave e façam fumo branco, tão depressa quanto possível.
O país agradece.
Esse grupo reúne três antigos Presidentes da República, vários reitores de universidades, presidentes de fundações, destacados empresários e alguns vultos da cultura, da arte e da ciência. É um conjunto impressionante de personalidades de grande relevo na sociedade portuguesa, onde se intrometeram ou foram intrometidos os nomes de algumas não-personalidades.
O documento é um apelo ao Presidente da República, ao Governo e aos Partidos Políticos para que se entendam na busca de compromissos mínimos de curto e de médio prazo, de forma a assegurar consensos nas orientações do programa de estabilização financeira a negociar, na concretização material do programa de ajuda externa e na realização de uma campanha eleitoral serena, esclarecedora e não conflituosa, necessariamente diferente das habituais campanhas a que temos assistido.
Desde há muitos anos que o país parecia um Titanic – o navio afundava e a orquestra continuava a tocar. Poucos perceberam isso. Andavam distraídos. Agora que isso foi percebido e que é necessário mudar de vida, também me associo àquelas personalidades e dirijo-me aos políticos: sejam responsáveis, falem menos, sentem-se e entendam-se. Fechem-se em conclave e façam fumo branco, tão depressa quanto possível.
O país agradece.
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