Na Alameda da Encarnação, em Lisboa, encontra-se uma estátua equestre do Comandante João Maria Ferreira do Amaral, uma obra da autoria do escultor Maximiano Alves que é datada de 1935. A estátua foi inaugurada em Macau no dia 24 de Junho de 1940, numa época de grande fulgor nacionalista em Portugal e nos seus territórios ultramarinos.
O Comandante Ferreira do Amaral governou Macau entre 1846 e 1849 e, de acordo com as orientações recebidas de Lisboa, vinha desenvolvendo políticas que os chineses consideraram hostis. Como retaliação, quando no dia 22 de Agosto de 1849 o governador passeava a cavalo junto das Portas do Cerco, foi-lhe armada uma cilada por indivíduos da comunidade chinesa de que resultou a sua morte.
Em Novembro de 1991, quando se aproximava a transferência da administração de Macau para a República Popular da China, por iniciativa das autoridades portuguesas e, eventualmente, por sugestão chinesa, foi decidido remover a estátua da praça onde se encontrava, que foi transportada para Lisboa e colocada na Alameda da Encarnação.
Hoje, a estátua do Comandante Ferreira do Amaral em Lisboa evoca-nos Macau e recorda-nos que nem sempre as relações luso-chinesas foram boas.
sábado, 14 de maio de 2011
A estátua que veio de Macau para Lisboa
sexta-feira, 13 de maio de 2011
A conjura de Gomes Freire
LISBOA – Campo dos Mártires da Pátria
No dia 18 de Outubro de 1817 foram enforcados no Campo de Santana onze oficiais do Exército, companheiros do general Gomes Freire de Andrade, acusados de conspirar contra a monarquia de D. João VI (então ausente no Brasil), que era representada por uma Junta Governativa, ou governo militar, chefiado pelo general britânico William Beresford.
Em 1879 o antigo Campo de Santana passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, em memória daqueles que em 1817 foram enforcados nesse local. Em 1917 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou-os com uma lápida que diz o seguinte:
EM 18 DE OUTUBRO DE 1817 FORAM SUPLICIADOS NESTE CAMPO POR DEFENDEREM A LIBERDADE E A INTEGRIDADE DA PATRIA OS HEROICOS COMPANHEIROS DO GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE CUJOS NOMES SE RECORDAM À POSTERIDADE
JOSÉ JOAQUIM PINTO DA SILVA
JOÃO CAMPELO DE MIRANDA
JOSÉ RIBEIRO PINTO
MANOEL MONTEIRO DE CARVALHO
HENRIQUE JOSÉ GARCIA DE MORAES
JOSÉ FRANCISCO DAS NEVES
ANTÓNIO CABRAL CALHEIROS FURTADO E LEMOS
PEDRO RICARDO FIGUEIRÓ
MANOEL DE JESUS MONTEIRO
MANOEL INÁCIO DE FIGUEIREDO
MAXIMIANO DIAS RIBEIRO
HONRA À SUA MEMÓRIA
ESTA LÁPIDA SIGNIFICA A HOMENAGEM DA CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA NA COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DOS GLORIOSOS EXTINCTOS.18 OUTUBRO DE 1917
No dia 18 de Outubro de 1817 foram enforcados no Campo de Santana onze oficiais do Exército, companheiros do general Gomes Freire de Andrade, acusados de conspirar contra a monarquia de D. João VI (então ausente no Brasil), que era representada por uma Junta Governativa, ou governo militar, chefiado pelo general britânico William Beresford.
Em 1879 o antigo Campo de Santana passou a designar-se Campo dos Mártires da Pátria, em memória daqueles que em 1817 foram enforcados nesse local. Em 1917 a Câmara Municipal de Lisboa homenageou-os com uma lápida que diz o seguinte:
EM 18 DE OUTUBRO DE 1817 FORAM SUPLICIADOS NESTE CAMPO POR DEFENDEREM A LIBERDADE E A INTEGRIDADE DA PATRIA OS HEROICOS COMPANHEIROS DO GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE CUJOS NOMES SE RECORDAM À POSTERIDADE
JOSÉ JOAQUIM PINTO DA SILVA
JOÃO CAMPELO DE MIRANDA
JOSÉ RIBEIRO PINTO
MANOEL MONTEIRO DE CARVALHO
HENRIQUE JOSÉ GARCIA DE MORAES
JOSÉ FRANCISCO DAS NEVES
ANTÓNIO CABRAL CALHEIROS FURTADO E LEMOS
PEDRO RICARDO FIGUEIRÓ
MANOEL DE JESUS MONTEIRO
MANOEL INÁCIO DE FIGUEIREDO
MAXIMIANO DIAS RIBEIRO
HONRA À SUA MEMÓRIA
ESTA LÁPIDA SIGNIFICA A HOMENAGEM DA CAMARA MUNICIPAL DE LISBOA NA COMEMORAÇÃO DO CENTENÁRIO DOS GLORIOSOS EXTINCTOS.18 OUTUBRO DE 1917
Pedras esquecidas
O Diário de Notícias iniciou hoje a publicação de um trabalho de investigação sobre o património construído em Portugal, em que informa que há 3397 obras em pedra entre capelas, castelos, conventos, mosteiros, teatros e outros tantos exemplares que clamam por atenção e preservação.
Desse imenso património “esquecido” por falta de verbas, por incapacidade das diversas entidades que o tutelam, mas também por incúria, destacam-se 791 monumentos classificados como nacionais, 2152 como imóveis de interesse público e 454 imóveis de interesse municipal. O jornal seleccionou 36 desses monumentos, tendo analisado com muita informação ealgum detalhe cada um deles.
Todos conhecemos esta triste realidade, mas eu não imaginava que tivesse essa dimensão. O património construído tem um valor histórico, artístico e cognitivo e não representa apenas a preservação das nossas memórias identitárias, mas também tem um valor económico e é um importante aliado da actividade turística que, como é sabido, é um vector das nossas “exportações”.
Existe em Portugal a capacidade técnica e a experiência para todos os tipos de trabalho de conservação e essa actividade poderá ser uma alavanca para a recuperação directa e indirecta da nossa economia, além de permitir que “as pedras esquecidas” readquiram a sua dignidade.
Desse imenso património “esquecido” por falta de verbas, por incapacidade das diversas entidades que o tutelam, mas também por incúria, destacam-se 791 monumentos classificados como nacionais, 2152 como imóveis de interesse público e 454 imóveis de interesse municipal. O jornal seleccionou 36 desses monumentos, tendo analisado com muita informação ealgum detalhe cada um deles.
Todos conhecemos esta triste realidade, mas eu não imaginava que tivesse essa dimensão. O património construído tem um valor histórico, artístico e cognitivo e não representa apenas a preservação das nossas memórias identitárias, mas também tem um valor económico e é um importante aliado da actividade turística que, como é sabido, é um vector das nossas “exportações”.
Existe em Portugal a capacidade técnica e a experiência para todos os tipos de trabalho de conservação e essa actividade poderá ser uma alavanca para a recuperação directa e indirecta da nossa economia, além de permitir que “as pedras esquecidas” readquiram a sua dignidade.
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quinta-feira, 12 de maio de 2011
A justiça no Egipto e a nossa.
Depois de uma revolta popular em que morreram mais de 800 pessoas e em que alguns milhares ficaram feridos, no dia 11 de Fevereiro de 2011 caiu o regime autocrático de Hosni Mubarak que governava o Egipto há três décadas. As novas autoridades não perderam tempo e muitos dos responsáveis do regime deposto começaram logo a ser investigados, enquanto Hosni Mubarak foi detido num quarto de hospital em Sharm el-Sheikh, depois de ter, alegadamente, sofrido um ataque de coração enquanto estava a ser interrogado.
A justiça egípcia não perdeu tempo e três meses depois da mudança, já houve condenações. Habib el-Adli, ex-ministro do Interior, foi condenado a 12 anos de prisão acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, enquanto Zoheir Garranah, ex-ministro do Turismo, foi condenado a 5 de prisão por ter autorizado a venda de terrenos públicos, a preço inferior ao preço de mercado. A justiça funcionou e a lei foi aplicada.
Aqui as coisas são bem diferentes. A mudança de regime de 1974 não condenou ninguém e, desde então, a impunidade é a regra. Os tribunais funcionam mal. Os juízes não servem a justiça. Não produzem. Empatam. Adiam. Reivindicam. Os seus sindicatos são um paradoxo. Inaceitáveis. Eles têm altos salários, emolumentos, subsídios, pensões e outras mordomias, mas a sua produtividade é tão baixa que têm cerca de 2 milhões de processos em tribunal, dos quais só na primeira instância estão mais de um milhão e seiscentos mil pendentes. Porque não mandá-los para o Egipto para aprenderem a andar mais depressa?
A justiça egípcia não perdeu tempo e três meses depois da mudança, já houve condenações. Habib el-Adli, ex-ministro do Interior, foi condenado a 12 anos de prisão acusado de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, enquanto Zoheir Garranah, ex-ministro do Turismo, foi condenado a 5 de prisão por ter autorizado a venda de terrenos públicos, a preço inferior ao preço de mercado. A justiça funcionou e a lei foi aplicada.
Aqui as coisas são bem diferentes. A mudança de regime de 1974 não condenou ninguém e, desde então, a impunidade é a regra. Os tribunais funcionam mal. Os juízes não servem a justiça. Não produzem. Empatam. Adiam. Reivindicam. Os seus sindicatos são um paradoxo. Inaceitáveis. Eles têm altos salários, emolumentos, subsídios, pensões e outras mordomias, mas a sua produtividade é tão baixa que têm cerca de 2 milhões de processos em tribunal, dos quais só na primeira instância estão mais de um milhão e seiscentos mil pendentes. Porque não mandá-los para o Egipto para aprenderem a andar mais depressa?
quarta-feira, 11 de maio de 2011
A excelência do pastel de nata
O pastel de nata é uma das mais apreciadas especialidades da doçaria portuguesa e começou a ser comercializado em 1837 em Lisboa, na Fábrica dos Pastéis de Belém, que é também o local onde são mais procurados e apreciados, embora hoje se encontrem em muitas pastelarias e cafés de Portugal. Actualmente, onde há portugueses há pastéis de nata e, recentemente, a partir de Macau chegaram à China, Hong Kong, Japão, Singapura, Malásia, Camboja, Taiwan e Austrália.
Em Setembro de 2009 o jornal inglês “Guardian/The Observer” escolheu as 50 melhores iguarias do mundo e os melhores locais para as comer, tendo colocado os pastéis de Belém em 15º lugar. Por isso, o pastel de Belém, que já era o mais famoso pastel de nata, reforçou a fama internacional que já tinha e tornou-se uma verdadeira atracção turística para nacionais e estrangeiros, estimando-se que diariamente sejam produzidos entre 10 a 15 mil pastéis.
O pastel de nata tem um estatuto de excelência na doçaria portuguesa e, por isso, a Confraria do Pastel de Nata tem promovido desde 2009 a eleição d“O Melhor Pastel de Nata”, com os seguintes resultados:
2009 – Pastelaria Cristal de Belém (1º lugar), Pastelaria Chique de Belém (2º lugar) e Hotel Ritz (3º lugar).
2010 – Pastelaria Suíça (1º lugar), Casinha do Pão (2º lugar) e Hotel Altis (3º lugar).
2011 - Pastelaria Chique de Belém (1º lugar), Pastelaria Cristal de Belém (2º lugar), Pastelaria Alcôa, de Alcobaça (3º lugar).
Desta forma, os possíveis leitores deste texto, ficam a saber que nem todos os pastéis de nata são iguais e ficam mais habilitados para fazer boas escolhas.
Em Setembro de 2009 o jornal inglês “Guardian/The Observer” escolheu as 50 melhores iguarias do mundo e os melhores locais para as comer, tendo colocado os pastéis de Belém em 15º lugar. Por isso, o pastel de Belém, que já era o mais famoso pastel de nata, reforçou a fama internacional que já tinha e tornou-se uma verdadeira atracção turística para nacionais e estrangeiros, estimando-se que diariamente sejam produzidos entre 10 a 15 mil pastéis.
O pastel de nata tem um estatuto de excelência na doçaria portuguesa e, por isso, a Confraria do Pastel de Nata tem promovido desde 2009 a eleição d“O Melhor Pastel de Nata”, com os seguintes resultados:
2009 – Pastelaria Cristal de Belém (1º lugar), Pastelaria Chique de Belém (2º lugar) e Hotel Ritz (3º lugar).
2010 – Pastelaria Suíça (1º lugar), Casinha do Pão (2º lugar) e Hotel Altis (3º lugar).
2011 - Pastelaria Chique de Belém (1º lugar), Pastelaria Cristal de Belém (2º lugar), Pastelaria Alcôa, de Alcobaça (3º lugar).
Desta forma, os possíveis leitores deste texto, ficam a saber que nem todos os pastéis de nata são iguais e ficam mais habilitados para fazer boas escolhas.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
A canoagem lusa está no topo
A canoagem portuguesa está no topo e em justificado ambiente de festa.
A pouco mais de um ano dos Jogos Olímpicos de Londres, realizou-se no passado fim-de-semana em Poznan (Polónia) a Taça do Mundo de Canoagem (Velocidade), na qual participaram atletas de 39 países. Os atletas portugueses obtiveram duas medalhas de ouro, uma medalha de prata e uma medalha de bronze, aparecendo em 4º lugar no ranking mundial da modalidade. Só a Polónia, a Bielo-Rússia e a Alemanha superaram os resultados portugueses o que, desportivamente, é muito relevante.
A marca portuguesa Nelo também anunciou ter obtido 12 das 25 medalhas de ouro que estiveram em disputa, o que é um êxito adicional para Portugal. A marca Nelo é produzida pela empresa M. A. R. Kayaks, fundada em 1978 em Vila do Conde pelo antigo praticante Manuel Ramos, é um dos maiores construtores mundiais de kayaks e está representada em 34 países.
Na canoagem, os sucessos desportivos e empresariais andam de braço dado.
A pouco mais de um ano dos Jogos Olímpicos de Londres, realizou-se no passado fim-de-semana em Poznan (Polónia) a Taça do Mundo de Canoagem (Velocidade), na qual participaram atletas de 39 países. Os atletas portugueses obtiveram duas medalhas de ouro, uma medalha de prata e uma medalha de bronze, aparecendo em 4º lugar no ranking mundial da modalidade. Só a Polónia, a Bielo-Rússia e a Alemanha superaram os resultados portugueses o que, desportivamente, é muito relevante.
A marca portuguesa Nelo também anunciou ter obtido 12 das 25 medalhas de ouro que estiveram em disputa, o que é um êxito adicional para Portugal. A marca Nelo é produzida pela empresa M. A. R. Kayaks, fundada em 1978 em Vila do Conde pelo antigo praticante Manuel Ramos, é um dos maiores construtores mundiais de kayaks e está representada em 34 países.
Na canoagem, os sucessos desportivos e empresariais andam de braço dado.
sábado, 7 de maio de 2011
O estertor da PIDE em 1974
Lisboa - Rua António Maria Cardoso, 18
Nos edifícios com várias portas, com números que vão do Nº 2 ao Nº 26 da Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, esteve instalada a sede da antiga polícia política do Estado Novo, sucessivamente chamada Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, 1933-1945), Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE, 1945-1969) e Direcção-Geral de Segurança (DGS, 1969-1974).
Nestes edifícios estiveram presos e foram interrogados e torturados milhares de homens e mulheres, tendo muitos deles falecido em consequência dos maus tratos sofridos.
No dia 25 de Abril de 1974 aqueles edifícios da PIDE/DGS constituíam, virtualmente, um dos baluartes do regime e, provavelmente, um dos objectivos de maior risco para o MFA, até porque neles se tinham concentrado muitos agentes. Na tarde desse dia, a população cercou a sede da PIDE/DGS tendo alguns agentes disparado sobre os manifestantes e causado as suas últimas quatro vítimas mortais e ferido dezenas de outras pessoas, conforme assinala uma lápide colocada junto da porta Nº 18.
Nos edifícios com várias portas, com números que vão do Nº 2 ao Nº 26 da Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, esteve instalada a sede da antiga polícia política do Estado Novo, sucessivamente chamada Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE, 1933-1945), Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE, 1945-1969) e Direcção-Geral de Segurança (DGS, 1969-1974).
Nestes edifícios estiveram presos e foram interrogados e torturados milhares de homens e mulheres, tendo muitos deles falecido em consequência dos maus tratos sofridos.
No dia 25 de Abril de 1974 aqueles edifícios da PIDE/DGS constituíam, virtualmente, um dos baluartes do regime e, provavelmente, um dos objectivos de maior risco para o MFA, até porque neles se tinham concentrado muitos agentes. Na tarde desse dia, a população cercou a sede da PIDE/DGS tendo alguns agentes disparado sobre os manifestantes e causado as suas últimas quatro vítimas mortais e ferido dezenas de outras pessoas, conforme assinala uma lápide colocada junto da porta Nº 18.
Temos que ser capazes!
O plano de ajuda preparado pela troika (FMI, BCE e CE) e que teve o apoio dos partidos do chamado arco governativo, constitui um desafio enorme para Portugal, mas é também uma grande oportunidade.
A entrada na Comunidade Europeia em 1986 tinha gerado um substancial fluxo de fundos comunitários que, naturalmente, deu origem aos primeiros facilitismos e despesismos. Depois, a introdução do euro em 2002, não considerou correctamente o diferencial de produtividade entre Portugal e os seus parceiros comunitários, o que levou a uma perda de competitividade da economia, de que resultou um progressivo “empobrecimento” relativo do país, que a recente crise financeira internacional agravou.
O diagnóstico era conhecido há muito tempo. Havia que fazer reformas para resolver problemas e antecipar soluções, mas os nossos políticos não se entenderam e os nossos dirigentes distraíram-se. A Assembleia da República que devia ser local do consenso, ofereceu-nos o triste espectáculo da frequente discórdia. As reformas do sistema político, da justiça ou da educação, foram sempre adiadas. A economia estagnava e a despesa pública aumentava, enquanto o Estado dava tudo a todos. A crise instalada era estrutural mas era, também, cultural e genética. Os credores não suportaram mais este despesismo e o financiamento tornou-se problemático.
Veio então uma missão internacional para nos ajudar a resolver o problema. Estudaram a situação, ouviram algumas pessoas e deixaram-nos uma receita enunciada em 34 páginas, com 8 capítulos, que é um valente puxão de orelhas aos nossos políticos e um grande desafio. É a maior reforma de sempre da economia portuguesa, com metas, objectivos e calendário precisos. Não foram necessários os habituais milhares de páginas das grandes opções e dos orçamentos, cheias de vazio e de palavreado inconsequente. É um programa exigente e duro, sobretudo para os mais vulneráveis. Porém, também é uma grande oportunidade para reestruturar o Estado e para eliminar o desperdício nas administrações central, regional e local e no sector público empresarial. E, naturalmente, para mudarmos de vida.
Agora, os portugueses vão escolher quem irá executar o programa sem vacilar perante as dificuldades e as normais resistências que irão surgir. Restaurar a ideia de serviço público. Motivar as pessoas. Poupar mais. Produzir mais. Apostar nas competências. Afastar os parasitas, os corruptos e os medíocres. Acabar com as impunidades. Estabelecer consensos. Dar bons exemplos. Temos que ser capazes!
A entrada na Comunidade Europeia em 1986 tinha gerado um substancial fluxo de fundos comunitários que, naturalmente, deu origem aos primeiros facilitismos e despesismos. Depois, a introdução do euro em 2002, não considerou correctamente o diferencial de produtividade entre Portugal e os seus parceiros comunitários, o que levou a uma perda de competitividade da economia, de que resultou um progressivo “empobrecimento” relativo do país, que a recente crise financeira internacional agravou.
O diagnóstico era conhecido há muito tempo. Havia que fazer reformas para resolver problemas e antecipar soluções, mas os nossos políticos não se entenderam e os nossos dirigentes distraíram-se. A Assembleia da República que devia ser local do consenso, ofereceu-nos o triste espectáculo da frequente discórdia. As reformas do sistema político, da justiça ou da educação, foram sempre adiadas. A economia estagnava e a despesa pública aumentava, enquanto o Estado dava tudo a todos. A crise instalada era estrutural mas era, também, cultural e genética. Os credores não suportaram mais este despesismo e o financiamento tornou-se problemático.
Veio então uma missão internacional para nos ajudar a resolver o problema. Estudaram a situação, ouviram algumas pessoas e deixaram-nos uma receita enunciada em 34 páginas, com 8 capítulos, que é um valente puxão de orelhas aos nossos políticos e um grande desafio. É a maior reforma de sempre da economia portuguesa, com metas, objectivos e calendário precisos. Não foram necessários os habituais milhares de páginas das grandes opções e dos orçamentos, cheias de vazio e de palavreado inconsequente. É um programa exigente e duro, sobretudo para os mais vulneráveis. Porém, também é uma grande oportunidade para reestruturar o Estado e para eliminar o desperdício nas administrações central, regional e local e no sector público empresarial. E, naturalmente, para mudarmos de vida.
Agora, os portugueses vão escolher quem irá executar o programa sem vacilar perante as dificuldades e as normais resistências que irão surgir. Restaurar a ideia de serviço público. Motivar as pessoas. Poupar mais. Produzir mais. Apostar nas competências. Afastar os parasitas, os corruptos e os medíocres. Acabar com as impunidades. Estabelecer consensos. Dar bons exemplos. Temos que ser capazes!
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Uma festa para o futebol português!
O futebol tornou-se um fenómeno mundial que se popularizou e que entusiasma milhões de pessoas. É um mundo que suscita emoções, que faz movimentar muito dinheiro e que se estima seja praticado, entre profissionais e amadores, por cerca de 265 milhões de jogadores em todo o mundo.
Nesse mundo de golos e penalties, é sabido que Portugal tem algum destaque, quer através da sua selecção nacional, quer através dos seus clubes mais representativos, quer, ainda, através de alguns dos seus praticantes com destaque mundial, como sucedeu com Luís Figo e Cristiano Ronaldo, que foram eleitos como os melhores do mundo em 2001 e 2008, respectivamente.
Daí resulta que a notoriedade da marca Portugal e o prestígio internacional do nosso país se devem em larga escala aos contributos do futebol.
A inédita final da Europa League entre duas equipas portuguesas, que se disputará em Dublin no próximo dia 18 de Maio, em que estarão presentes as equipas do FC Porto e do SC Braga, levará o nome de Portugal a milhões de pessoas em todo o mundo por boas razões. Bem precisamos disso para aumentar a auto-estima nacional e para melhorar a nossa credibilidade internacional.
Nesse mundo de golos e penalties, é sabido que Portugal tem algum destaque, quer através da sua selecção nacional, quer através dos seus clubes mais representativos, quer, ainda, através de alguns dos seus praticantes com destaque mundial, como sucedeu com Luís Figo e Cristiano Ronaldo, que foram eleitos como os melhores do mundo em 2001 e 2008, respectivamente.
Daí resulta que a notoriedade da marca Portugal e o prestígio internacional do nosso país se devem em larga escala aos contributos do futebol.
A inédita final da Europa League entre duas equipas portuguesas, que se disputará em Dublin no próximo dia 18 de Maio, em que estarão presentes as equipas do FC Porto e do SC Braga, levará o nome de Portugal a milhões de pessoas em todo o mundo por boas razões. Bem precisamos disso para aumentar a auto-estima nacional e para melhorar a nossa credibilidade internacional.
O português em Macau
A língua portuguesa é uma das línguas mais faladas no mundo e, nos diversos rankings que algumas organizações nos propõem, elaborados segundo diferentes critérios, aparece situada entre o 5º e o 8º lugar, com mais de 200 milhões de falantes.
Alguns deles residem em Macau. Macau é uma região administrativa especial da República Popular da China e, por motivos históricos e políticos, o português é uma das línguas oficiais do território. Porém, nem agora nem antes, quando Macau foi administrado por Portugal, o português foi a língua franca do território. Por isso, a existência de três jornais macaenses em português – Hoje Macau, Jornal Tribuna de Macau e O Clarim - constitui uma relevante singularidade.
O número de falantes de português em Macau não justifica que, económica ou socialmente, existam jornais em português, pelo que a existência desses jornais resulta apenas de uma opção firmada em valores simbólicos e culturais. Essa é, seguramente, a motivação dos seus proprietários.
O Centro Histórico de Macau e o seu património de origem portuguesa foram classificados pela UNESCO em 2005, mas a existência de jornais portugueses, provavelmente sem quaisquer apoios oficiais, também contribui para valorizar a herança cultural portuguesa em Macau.
Alguns deles residem em Macau. Macau é uma região administrativa especial da República Popular da China e, por motivos históricos e políticos, o português é uma das línguas oficiais do território. Porém, nem agora nem antes, quando Macau foi administrado por Portugal, o português foi a língua franca do território. Por isso, a existência de três jornais macaenses em português – Hoje Macau, Jornal Tribuna de Macau e O Clarim - constitui uma relevante singularidade.
O número de falantes de português em Macau não justifica que, económica ou socialmente, existam jornais em português, pelo que a existência desses jornais resulta apenas de uma opção firmada em valores simbólicos e culturais. Essa é, seguramente, a motivação dos seus proprietários.
O Centro Histórico de Macau e o seu património de origem portuguesa foram classificados pela UNESCO em 2005, mas a existência de jornais portugueses, provavelmente sem quaisquer apoios oficiais, também contribui para valorizar a herança cultural portuguesa em Macau.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A espantosa tecnologia
No dia 1 de junho de 2009 desapareceu no oceano Atlântico, com 228 pessoas a bordo, um Airbus que fazia o voo AF 447 entre o Rio de Janeiro e Paris.
O desaparecimento do avião esteve envolto em algum mistério, até que foram descobertos alguns corpos e alguns dos seus destroços. Apesar de ter ficado confirmada a catástrofe, as autoridades francesas e brasileiras não desistiram de procurar o esclarecimento sobre o que se passara. A busca das famosas caixas negras passou a ser o objectivo de todas as operações que a partir de então se desenvolveram para compreender a origem da catástrofe. Foi longa e persistente a busca. O tema desapareceu dos jornais. A opinião pública esqueceu o assunto.
Até que, finalmente, nos princípios de Abril de 2011 foram localizados com precisão os destroços do avião, identificadas as partes da fuselagem e encontrados os corpos de alguns passageiros. Após cerca de 23 meses submersas a cerca de 4 mil metros de profundidade, as duas caixas negras foram localizadas e recuperadas por um ROV (Remotely Operated Vehicle), operando a partir de um navio francês. As buscas dos destroços do AF 447 e a recuperação das caixas negras terão custado cerca de 35 milhões de euros aos cofres franceses, mas é uma vitória da tecnologia e da persistência.
A tecnologia do ROV não é recente, está disponível em Portugal e em 1991 localizou o navio Bolama, afundado a 116 metros de profundidade nas proximidades da barra de Lisboa. Porém, no caso do AF 447 eram 4 mil metros de profundidade em local incerto do oceano Atlântico. Como é espantosa a tecnologia!
O desaparecimento do avião esteve envolto em algum mistério, até que foram descobertos alguns corpos e alguns dos seus destroços. Apesar de ter ficado confirmada a catástrofe, as autoridades francesas e brasileiras não desistiram de procurar o esclarecimento sobre o que se passara. A busca das famosas caixas negras passou a ser o objectivo de todas as operações que a partir de então se desenvolveram para compreender a origem da catástrofe. Foi longa e persistente a busca. O tema desapareceu dos jornais. A opinião pública esqueceu o assunto.
Até que, finalmente, nos princípios de Abril de 2011 foram localizados com precisão os destroços do avião, identificadas as partes da fuselagem e encontrados os corpos de alguns passageiros. Após cerca de 23 meses submersas a cerca de 4 mil metros de profundidade, as duas caixas negras foram localizadas e recuperadas por um ROV (Remotely Operated Vehicle), operando a partir de um navio francês. As buscas dos destroços do AF 447 e a recuperação das caixas negras terão custado cerca de 35 milhões de euros aos cofres franceses, mas é uma vitória da tecnologia e da persistência.
A tecnologia do ROV não é recente, está disponível em Portugal e em 1991 localizou o navio Bolama, afundado a 116 metros de profundidade nas proximidades da barra de Lisboa. Porém, no caso do AF 447 eram 4 mil metros de profundidade em local incerto do oceano Atlântico. Como é espantosa a tecnologia!
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Fumo branco?
Depois de cerca de três semanas de negociações com o Governo, a troika (FMI, BCE e UE) concluiu o seu plano de ajuda a Portugal, que a edição do Diário Económico hoje divulga.
Coube ao 1º Ministro anunciar algumas das orientações desse plano, enfatizando os seus aspectos menos gravosos para serenar os espíritos mais assustados e considerando-o “um bom acordo”. Depois surgiram os comentários, uns de crítica e outros de aplauso, embora muitos deles fossem demasiado influenciados pela próxima campanha eleitoral. Levantaram-se vozes reclamando vitória própria e derrota do rival. A triste cena do costume.
O plano apresentado é duro e resulta do excessivo endividamento do Estado e da economia portuguesa. Tecnicamente há-de procurar o aumento das receitas e a redução das despesas, perseguindo outros objectivos como a limitação dos efeitos recessivos na economia, o aumento do emprego, a melhoria do investimento e das exportações, a coesão social, etc.
Porém, é evidente que Portugal não vai produzir nos próximos anos a riqueza suficiente para pagar a sua dívida, porque o sistema produtivo está debilitado e a economia é altamente dependente do exterior, sobretudo nos planos energético e alimentar. As pessoas acreditaram no dinheiro fácil e nas facilidades. O Estado e as Famílias gastaram demais. Quiseram tudo e já. E não vai continuar a ser assim.
Agora há que responder à crise e mudar de vida e, tão importante como determinar onde se corta ou onde se estica, onde se poupa ou onde se investe, quem tem mais ou tem menos culpa, é indispensável uma mudança de mentalidade dos portugueses, sobretudo dos que nos governam e nos dirigem.
Precisamos dos bons exemplos que tanta falta nos têm feito.
Coube ao 1º Ministro anunciar algumas das orientações desse plano, enfatizando os seus aspectos menos gravosos para serenar os espíritos mais assustados e considerando-o “um bom acordo”. Depois surgiram os comentários, uns de crítica e outros de aplauso, embora muitos deles fossem demasiado influenciados pela próxima campanha eleitoral. Levantaram-se vozes reclamando vitória própria e derrota do rival. A triste cena do costume.
O plano apresentado é duro e resulta do excessivo endividamento do Estado e da economia portuguesa. Tecnicamente há-de procurar o aumento das receitas e a redução das despesas, perseguindo outros objectivos como a limitação dos efeitos recessivos na economia, o aumento do emprego, a melhoria do investimento e das exportações, a coesão social, etc.
Porém, é evidente que Portugal não vai produzir nos próximos anos a riqueza suficiente para pagar a sua dívida, porque o sistema produtivo está debilitado e a economia é altamente dependente do exterior, sobretudo nos planos energético e alimentar. As pessoas acreditaram no dinheiro fácil e nas facilidades. O Estado e as Famílias gastaram demais. Quiseram tudo e já. E não vai continuar a ser assim.
Agora há que responder à crise e mudar de vida e, tão importante como determinar onde se corta ou onde se estica, onde se poupa ou onde se investe, quem tem mais ou tem menos culpa, é indispensável uma mudança de mentalidade dos portugueses, sobretudo dos que nos governam e nos dirigem.
Precisamos dos bons exemplos que tanta falta nos têm feito.
terça-feira, 3 de maio de 2011
À grande e à francesa
Na passada semana (dias 29 e 30 de Abril) ocorreu o casamento do neto da Rainha da Inglaterra (em Londres) e a beatificação do Papa João Paulo II (em Roma).
Foram dois acontecimentos que interessaram muitos milhões de pessoas em todo o mundo e que, naturalmente, também foram acompanhados em Portugal.
Por isso, as televisões portuguesas decidiram inclui-los nas suas programações, afectando-lhe muitas horas de antena e muitos comentários.
O país foi “convidado” a acompanhar o “casamento do século” e a “beatificação da década”.
Não surpreende que tivesse sido assim, porque a lógica televisiva passa por esse tipo de acontecimentos/espectáculos. O que surpreendeu foi a quantidade de jornalistas e repórteres que as televisões portuguesas decidiram deslocar para essas duas cidades, o que representa uma assinalável despesa mas que revela uma virtual saúde financeira das empresas, que contrasta com a debilidade do país. Não era necessária a mobilização de tanta gente. Custa muito dinheiro. O dever de informar não se pode sobrepor a tudo. Quem não tem dinheiro não pode ter vícios. No caso da RTP ficamos espantados com estes excessos e estas passeatas, a que ninguém põe cobro.
Mas não ficamos por aqui. No dia 2 de Maio, poucas horas depois do anúncio da morte de Osama Bin Laden, lá estavam dois (bons) jornalistas da RTP em Nova York a fazer reportagem.
Londres, Roma, Nova York… enquanto uns apertam o cinto, outros vivem à grande e à francesa. Por mim, basta!
Foram dois acontecimentos que interessaram muitos milhões de pessoas em todo o mundo e que, naturalmente, também foram acompanhados em Portugal.
Por isso, as televisões portuguesas decidiram inclui-los nas suas programações, afectando-lhe muitas horas de antena e muitos comentários.
O país foi “convidado” a acompanhar o “casamento do século” e a “beatificação da década”.
Não surpreende que tivesse sido assim, porque a lógica televisiva passa por esse tipo de acontecimentos/espectáculos. O que surpreendeu foi a quantidade de jornalistas e repórteres que as televisões portuguesas decidiram deslocar para essas duas cidades, o que representa uma assinalável despesa mas que revela uma virtual saúde financeira das empresas, que contrasta com a debilidade do país. Não era necessária a mobilização de tanta gente. Custa muito dinheiro. O dever de informar não se pode sobrepor a tudo. Quem não tem dinheiro não pode ter vícios. No caso da RTP ficamos espantados com estes excessos e estas passeatas, a que ninguém põe cobro.
Mas não ficamos por aqui. No dia 2 de Maio, poucas horas depois do anúncio da morte de Osama Bin Laden, lá estavam dois (bons) jornalistas da RTP em Nova York a fazer reportagem.
Londres, Roma, Nova York… enquanto uns apertam o cinto, outros vivem à grande e à francesa. Por mim, basta!
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Estado desperdiça milhões
A edição de hoje do Correio da Manhã chama a atenção para as ajudas de milhões que o Estado desperdiça. Trata-se de uma notícia cuja fonte é a website da Inspecção-Geral de Finanças, que divulga os nomes e os montantes das subvenções atribuídas pelo Estado em 2010.
Essas subvenções resultam da incumbência constitucional do Estado em promover o bem-estar social e económico das populações, em especial dos mais desfavorecidos, de forma a assegurar a coesão regional, económica e social.
A lista das entidades subvencionadas estende-se por 142 páginas!!!!
É um rol impressionante de entidades e pessoas, ficando-se com a ideia que, com os nossos impostos, o Estado “dá tudo a todos” ou que, como caricaturou Raphael Bordallo Pinheiro, o Estado é cada vez mais a porca em que todos procuram mamar.
Não é fácil ajuizar da justificação destes milhares de subvenções que, aparentemente, beneficiam tudo e todos, mesmo alguns que não se esperaria e que nem delas necessitariam – Fundação Calouste Gulbenkian, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Sindicatos dos Bancários, CTT, Diário de Notícias, Automóvel Clube de Portugal, Associação Portuguesa de Bancos, Colecção Berardo, João Lagos Sport, Inatel, Parque Expo, Refer, Toyota, Easy Jet e muitas empresas, universidades, fundações, bombeiros, associações de todo o tipo, bolseiros, etc, etc.
Vale a pena fazer uma leitura das referidas 142 páginas, que ora nos chocam, ora nos fazer sorrir à gargalhada. De facto, mais do que a suposta defesa da coesão social, qoe seria altamente louvável, aquele rol mostra a dimensão do esbanjamento sem regra a que temos sido conduzidos.
Essas subvenções resultam da incumbência constitucional do Estado em promover o bem-estar social e económico das populações, em especial dos mais desfavorecidos, de forma a assegurar a coesão regional, económica e social.
A lista das entidades subvencionadas estende-se por 142 páginas!!!!
É um rol impressionante de entidades e pessoas, ficando-se com a ideia que, com os nossos impostos, o Estado “dá tudo a todos” ou que, como caricaturou Raphael Bordallo Pinheiro, o Estado é cada vez mais a porca em que todos procuram mamar.
Não é fácil ajuizar da justificação destes milhares de subvenções que, aparentemente, beneficiam tudo e todos, mesmo alguns que não se esperaria e que nem delas necessitariam – Fundação Calouste Gulbenkian, Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Sindicatos dos Bancários, CTT, Diário de Notícias, Automóvel Clube de Portugal, Associação Portuguesa de Bancos, Colecção Berardo, João Lagos Sport, Inatel, Parque Expo, Refer, Toyota, Easy Jet e muitas empresas, universidades, fundações, bombeiros, associações de todo o tipo, bolseiros, etc, etc.
Vale a pena fazer uma leitura das referidas 142 páginas, que ora nos chocam, ora nos fazer sorrir à gargalhada. De facto, mais do que a suposta defesa da coesão social, qoe seria altamente louvável, aquele rol mostra a dimensão do esbanjamento sem regra a que temos sido conduzidos.
Museu Berardo
Todos os anos o The Art Newspaper, uma publicação internacional especializada em arte contemporânea, apresenta a lista dos museus mais visitados do mundo. Este ano, a lista foi divulgada na edição 223 (Abril de 2011) e o Museu Colecção Berardo ocupa o 50.º lugar na lista dos cem museus mais visitados do mundo em 2010.
A lista é liderada pelo Musée du Louvre (com 8,5 milhões de visitantes), seguindo-se-lhe o British Museum (5,8 milhões), o Metropolitan Museum of Art (5,2 milhões), o Tate Modern (5 milhões) e a National Gallery (4,9 milhões), o que significa que três dos cinco museus mais visitados do mundo se localizam em Londres.
Nos cinquenta museus mais visitados do mundo encontram-se 11 museus ingleses, 10 museus americanos, 4 museus australianos e três museus em França, Itália, Espanha, Rússia e Alemanha.
Refere-se que o Museo del Prado e o Museo Reina Sofia, ambos situados em Madrid, figuram nessa lista em 11º e 15º lugares, respectivamente.
O Museu Berardo, que surge em 50.º lugar com 964.540 entradas, foi inaugurado em 2007 na sequência de um acordo entre o Estado português e o coleccionador madeirense Joe Berardo e está instalado no Centro Cultural de Belém.
A lista é liderada pelo Musée du Louvre (com 8,5 milhões de visitantes), seguindo-se-lhe o British Museum (5,8 milhões), o Metropolitan Museum of Art (5,2 milhões), o Tate Modern (5 milhões) e a National Gallery (4,9 milhões), o que significa que três dos cinco museus mais visitados do mundo se localizam em Londres.
Nos cinquenta museus mais visitados do mundo encontram-se 11 museus ingleses, 10 museus americanos, 4 museus australianos e três museus em França, Itália, Espanha, Rússia e Alemanha.
Refere-se que o Museo del Prado e o Museo Reina Sofia, ambos situados em Madrid, figuram nessa lista em 11º e 15º lugares, respectivamente.
O Museu Berardo, que surge em 50.º lugar com 964.540 entradas, foi inaugurado em 2007 na sequência de um acordo entre o Estado português e o coleccionador madeirense Joe Berardo e está instalado no Centro Cultural de Belém.
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