Na sua última edição, a revista TIME inclui um artigo de Rana Foroohar intitulado “O fim da Europa”, cujo lead diz:
“A união económica está a desmoronar-se, Londres está em chamas e os Estados Unidos, seu parceiro comercial mais confiável, também está fraco para salvar o euro. Digam adeus à velha ordem.”
Esta ideia de declínio e de envelhecimento da Europa já tinha sido expressa muitas vezes por vozes isoladas, desconfiadas dos sucessos e do rápido crescimento europeu verificado entre 1991 e 2008, mas poucas vezes terá sido tão explícita como agora acontece numa revista de grande difusão internacional.
O extenso artigo compara as crises que assolam a Europa e os Estados Unidos, através dos indicadores habituais - crescimento económico, desemprego, défice, dívida – concluindo que vivem dificuldades semelhantes e que os Estados Unidos, em vez de rebocarem a Europa para fora da crise, estão a replicar as dificuldades europeias.
Relativamente à União Europeia, o artigo é muito severo: a unidade europeia é impossível, o sonho europeu do multiculturalismo está em causa e a união monetária parece um casino, com sistemas políticos, económicos e fiscais diferentes.
A crise europeia e os desafios que estão para vir, estão a conduzir-nos para uma nova era civilizacional e as novas regras, riscos e desafios só agora estão a tornar-se claros.
Recomendo vivamente a leitura deste artigo a todos os doutores, professores e seus amigos que, há três ou quatro meses, em nome do assalto ao poder, difamavam quem atribuía uma boa parte dos nossos problemas à crise internacional.
sábado, 20 de agosto de 2011
The decline and fall of Europe
Etiquetas:
DOS JORNAIS,
Internacional,
RECOMENDAÇÕES
Sacrifícios desigualmente repartidos
Guimarães vai ser, no próximo ano de 2012, a Capital Europeia da Cultura, depois de anteriormente terem sido contempladas com essa escolha as cidades de Lisboa (em 1994) e do Porto (em 2001).
A Capital Europeia da Cultura é uma iniciativa da União Europeia que tem por objectivo a promoção de uma cidade europeia durante um ano, dando-lhe a possibilidade de mostrar a sua vida e desenvolvimento culturais, permitindo dessa forma um melhor conhecimento mútuo entre os cidadãos da União Europeia.
A primeira versão do Programa “Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura” já foi anunciada e enquadra-se em quatro áreas: Cidade, Comunidade, Pensamento e Arte, que abrange as vertentes Música, Artes Performativas, Arte e Arquitectura e Cinema e Audiovisual.
Porém, em 2010 rebentou uma polémica em torno das remunerações do Conselho de Administração da Fundação da Cidade de Guimarães, a entidade responsável pela programação do evento, que foram consideradas (e eram) exorbitantes e escandalosas. Daí resultou a constituição de uma nova equipa administrativa, que se disse ser resultante de escolhas cirúrgicas assentes em pessoas com provas dadas nas áreas que irão tutelar, a qual tem como presidente um antigo assessor e ex-chefe da Casa Civil do antigo Presidente da República Jorge Sampaio.
Entretanto, consta que o ex-presidente Jorge Sampaio, para emprestar o seu nome a “Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura”, recebe um salário mensal de 14 mil euros, mais automóvel topo de gama, mais 500 euros por cada reunião em que participar e até telefone celular. Esta notícia (falsa ou verdadeira) corre na internet.
Se a notícia é verdadeira, então é chocante, porque os sacrificios que nos pedem, devem ser repartidos por todos.
A Capital Europeia da Cultura é uma iniciativa da União Europeia que tem por objectivo a promoção de uma cidade europeia durante um ano, dando-lhe a possibilidade de mostrar a sua vida e desenvolvimento culturais, permitindo dessa forma um melhor conhecimento mútuo entre os cidadãos da União Europeia.
A primeira versão do Programa “Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura” já foi anunciada e enquadra-se em quatro áreas: Cidade, Comunidade, Pensamento e Arte, que abrange as vertentes Música, Artes Performativas, Arte e Arquitectura e Cinema e Audiovisual.
Porém, em 2010 rebentou uma polémica em torno das remunerações do Conselho de Administração da Fundação da Cidade de Guimarães, a entidade responsável pela programação do evento, que foram consideradas (e eram) exorbitantes e escandalosas. Daí resultou a constituição de uma nova equipa administrativa, que se disse ser resultante de escolhas cirúrgicas assentes em pessoas com provas dadas nas áreas que irão tutelar, a qual tem como presidente um antigo assessor e ex-chefe da Casa Civil do antigo Presidente da República Jorge Sampaio.
Entretanto, consta que o ex-presidente Jorge Sampaio, para emprestar o seu nome a “Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura”, recebe um salário mensal de 14 mil euros, mais automóvel topo de gama, mais 500 euros por cada reunião em que participar e até telefone celular. Esta notícia (falsa ou verdadeira) corre na internet.
Se a notícia é verdadeira, então é chocante, porque os sacrificios que nos pedem, devem ser repartidos por todos.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Baixas fraudulentas? Não, obrigado!
De acordo com a edição de hoje do Correio da Manhã, no dia 31 de Maio deste ano havia em Portugal 93.473 pessoas com baixa médica e, um mês depois, esse número subiu para 117.671 trabalhadores. Significa que num mês houve um acréscimo de 24.198 pessoas que faltaram ao trabalho por motivos de saúde, o que corresponde a cerca de 800 novas baixas por dia.
Segundo o mesmo jornal, a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral afirma que há cada vez mais doentes tristes e deprimidos com os seus problemas laborais, mas eu não creio que isso seja suficiente para que os médicos assinem as suas baixas, porque eu também ando triste e deprimido por pagar tantos impostos e ver a minha pensão a minguar, mas tenho que reagir. Além disso, são bem conhecidos os estudos que revelam que a crise económica reduz o absentismo, porque as pessoas faltam menos ao trabalho com medo de o perder, o que contraria a tese da citada associação.
À primeira vista os números divulgados pelo Correio da Manhã assustam. Porém, feitas as contas, verifica-se que aquele número de baixas representa cerca de 2,4% da população total empregada. Ora, um estudo da Pricewaterhouse Coopers de 2007, revela que a taxa de absentismo médio da Europa é de 4%, encontrando-se os valores mais altos na França (4.5%) e o mais baixo na Itália (3.0%), tendo Portugal o valor de 4.1%. Assim sendo, o nosso problema não tem a gravidade que o Correio da Manhã insinua. No entanto, todos sabemos que há em Portugal muito absentismo não justificado. Quantas vezes já ouvimos alguém dizer que “vou meter baixa”, sem qualquer justificação. E há médicos que vão nisso! Esta distracção clínica é de tal dimensão que, em 2010, foram detectadas mais de 70 mil baixas fraudulentas, algumas inclusive de desempregados para evitar acções de formação obrigatória ou a aceitação de um trabalho. Se esses casos não tivessem sido detectados, teriam custado mais de 4 milhões de euros ao Estado. E, repito, há médicos que vão nisso. Baixas fraudulentas? Não, obrigado!
Segundo o mesmo jornal, a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral afirma que há cada vez mais doentes tristes e deprimidos com os seus problemas laborais, mas eu não creio que isso seja suficiente para que os médicos assinem as suas baixas, porque eu também ando triste e deprimido por pagar tantos impostos e ver a minha pensão a minguar, mas tenho que reagir. Além disso, são bem conhecidos os estudos que revelam que a crise económica reduz o absentismo, porque as pessoas faltam menos ao trabalho com medo de o perder, o que contraria a tese da citada associação.
À primeira vista os números divulgados pelo Correio da Manhã assustam. Porém, feitas as contas, verifica-se que aquele número de baixas representa cerca de 2,4% da população total empregada. Ora, um estudo da Pricewaterhouse Coopers de 2007, revela que a taxa de absentismo médio da Europa é de 4%, encontrando-se os valores mais altos na França (4.5%) e o mais baixo na Itália (3.0%), tendo Portugal o valor de 4.1%. Assim sendo, o nosso problema não tem a gravidade que o Correio da Manhã insinua. No entanto, todos sabemos que há em Portugal muito absentismo não justificado. Quantas vezes já ouvimos alguém dizer que “vou meter baixa”, sem qualquer justificação. E há médicos que vão nisso! Esta distracção clínica é de tal dimensão que, em 2010, foram detectadas mais de 70 mil baixas fraudulentas, algumas inclusive de desempregados para evitar acções de formação obrigatória ou a aceitação de um trabalho. Se esses casos não tivessem sido detectados, teriam custado mais de 4 milhões de euros ao Estado. E, repito, há médicos que vão nisso. Baixas fraudulentas? Não, obrigado!
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Um largo com história e com cultura
Lisboa – Largo de São Carlos
No 4º andar desta casa nasceu em 13 de Junho de 1888 o poeta Fernando Pessoa.
Na outra placa é referenciado um importante acontecimento político:
No belo edifício que enquadra o Largo de São Carlos e que se situa em frente do Teatro de São Carlos, em Lisboa, estão fixadas duas placas evocativas.
Numa dessas placas assinala-se:
Na outra placa é referenciado um importante acontecimento político:
No 2º andar deste prédio, antiga sede do Directório do Partido Republicano Português, realizou-se no dia 29 de Setembro de 1910 uma reunião que foi decisiva na preparação da Revolução de 5 de Outubro de 1910, que implantou a República em Portugal.
Significa que nesse edifício, que foi reabilitado há poucos anos, aconteceram factos relevantes da vida cultural e política portuguesa.
Fernando Pessoa ali nascido em 13-6-1888 é reconhecido como um dos maiores nomes da Literatura Portuguesa, enquanto na reunião de 29-9-1910 em que terá sido decidida a revolução republicana, participaram os principais dirigentes do Partido Republicano Português, nomeadamente Machado dos Santos, Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, José Relvas, António Maria da Silva, Eusébio Leão, Inocêncio Camacho e outros.
O Largo de São Carlos é, estética e arquitectonicamente, uma das mais belas praças de Lisboa, mas também é um local onde a história e a cultura estão presentes. Não é apenas a proximidade do Teatro de São Carlos, nem da igreja dos Mártires, da "Brasileira" ou da "Bertrand". É o próprio Largo que nos deve merecer atenção.
sábado, 13 de agosto de 2011
O marquês de Rabo de Peixe
A presidente da Assembleia da República acaba de atribuir a Mota Amaral, na qualidade de ex-presidente do Parlamento, um gabinete, uma secretária, um BMW 320 e um motorista.
Vivemos em severa austeridade, mas este senhor que é deputado desde 1969, ainda não percebeu isso!!!
Tinha 26 anos de idade, quando foi eleito pela primeira vez e, desde então, não parou. Não consta que tenha feito tropa, nem tenha ido para a Guiné, como tantos foram. Safou-se, sabe-se lá porquê. Terá prestado outros serviços ao Estado Novo. Aderiu ao regime democrático no dia 25 de Abril ao fim da tarde. Governou nos Açores e ajudou muita gente do seu partido. Abandonado pelo voto dos açorianos refugiou-se em Lisboa, no seu ofício de sempre: deputado. Tem passado a vida encostado a mordomias e regalias. Não se lhe conhece um acto de coragem política, cívica ou física. A Monarquia tê-lo-ia feito Marquês de Rabo de Peixe ou Visconde da Fajã de Cima. A República deu-lhe comendas e agora dá-lhe um gabinete no andar nobre da Assembleia da República, mais a Dra. Anabela como secretária pessoal, mais um BMW novo para passear e mais o Sr. Gueidão como motorista. Ele não é um senador. É um sacador. Certamente, ainda lhe pagamos as viagens para fazer “trabalho político” nos Açores. Não sei se ele tem direito a tudo isso, mas não devia ter. Nem precisa.
É demais. Tão guloso. Tão ridículo. Tão pequenino. Somos nós que pagamos. A austeridade é só para nós. Ele não sabe o que isso é. E devia dar um exemplo de contenção, até para não envergonhar o Passos. Mas não resistiu à vaidade.
Não tem senso nem escrúpulos. A velhice atraiçoa-o.
Devia ter vergonha de ser tão vulgar.
Vivemos em severa austeridade, mas este senhor que é deputado desde 1969, ainda não percebeu isso!!!
Tinha 26 anos de idade, quando foi eleito pela primeira vez e, desde então, não parou. Não consta que tenha feito tropa, nem tenha ido para a Guiné, como tantos foram. Safou-se, sabe-se lá porquê. Terá prestado outros serviços ao Estado Novo. Aderiu ao regime democrático no dia 25 de Abril ao fim da tarde. Governou nos Açores e ajudou muita gente do seu partido. Abandonado pelo voto dos açorianos refugiou-se em Lisboa, no seu ofício de sempre: deputado. Tem passado a vida encostado a mordomias e regalias. Não se lhe conhece um acto de coragem política, cívica ou física. A Monarquia tê-lo-ia feito Marquês de Rabo de Peixe ou Visconde da Fajã de Cima. A República deu-lhe comendas e agora dá-lhe um gabinete no andar nobre da Assembleia da República, mais a Dra. Anabela como secretária pessoal, mais um BMW novo para passear e mais o Sr. Gueidão como motorista. Ele não é um senador. É um sacador. Certamente, ainda lhe pagamos as viagens para fazer “trabalho político” nos Açores. Não sei se ele tem direito a tudo isso, mas não devia ter. Nem precisa.
É demais. Tão guloso. Tão ridículo. Tão pequenino. Somos nós que pagamos. A austeridade é só para nós. Ele não sabe o que isso é. E devia dar um exemplo de contenção, até para não envergonhar o Passos. Mas não resistiu à vaidade.
Não tem senso nem escrúpulos. A velhice atraiçoa-o.
Devia ter vergonha de ser tão vulgar.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Com o petróleo ali tão perto…
A guerra civil instalou-se na Líbia, na sequência dos protestos da oposição ao regime de Kadhafi e da reacção deste. Contrariamente ao que se passou na orla sul do Mediterrâneo e em alguns países do Médio Oriente, em que as Nações Unidas nada fizeram, na Líbia tomaram uma posição controversa: em vez de defenderem o cessar-fogo, o apaziguamento e a via diplomática para ultrapassar a situação, decidiram apoiar uma das partes. Assim, através da Resolução 1973 (2011) de 31 de Março do Conselho de Segurança, a NATO foi autorizada a proteger a população civil líbia sob ataque ou ameaça de ataque das forças governamentais lideradas por Kadhafi, tendo sido accionada a Operation Unified Protector com três objectivos: embargo de armas ao governo líbio, criação de uma zona de exclusão aérea e protecção de civis sob ataque ou ameaça de ataque.
A França, os Estados Unidos e o Reino Unido encabeçaram a operação, com destaque para a França "du petit Sarkozy" que mobilizou muitos meios e uma centena de aviões, além de ter efectuado os primeiros ataques aéreos à Líbia. Com meios muito mais limitados, isto é, com cerca de 6 aviões cada qual, juntaram-se-lhes o Canadá, Itália, Espanha, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Qatar e UAE.
A operação decorre desde o dia 31 de Março e, segundo a NATO, nos 130 dias já decorridos, as acções aéreas totalizaram 18.279 saídas operacionais, em que se incluem 6.946 acções de ataque, isto é, uma média diária de 140 voos sobre a Líbia, incluindo 53 acções de ataque. São verdadeiros safaris!
No mesmo período, as actividades de embargo de armamento conduzidas no Mediterrâneo Central por 17 navios, traduziram-se em 2109 interrogações, 214 vistorias e 9 recusas de autorização para seguir para a Líbia.
Reflectindo os pontos de vista dos poderes dominantes, os mass media não têm acompanhado devidamente esta onerosa e brutal intervenção da NATO, que só é possível com o desconhecimento das respectivas opiniões públicas. A factura é cara e, em tempo de austeridade e de incerteza, elas não tolerariam esta agressão e exigiriam esforços no caminho da paz.
Mas o petróleo está ali tão perto…
Nota: Este assunto já aqui foi tratado em 21 de Março e 30 de Junho.
A França, os Estados Unidos e o Reino Unido encabeçaram a operação, com destaque para a França "du petit Sarkozy" que mobilizou muitos meios e uma centena de aviões, além de ter efectuado os primeiros ataques aéreos à Líbia. Com meios muito mais limitados, isto é, com cerca de 6 aviões cada qual, juntaram-se-lhes o Canadá, Itália, Espanha, Bélgica, Dinamarca, Noruega, Qatar e UAE.
A operação decorre desde o dia 31 de Março e, segundo a NATO, nos 130 dias já decorridos, as acções aéreas totalizaram 18.279 saídas operacionais, em que se incluem 6.946 acções de ataque, isto é, uma média diária de 140 voos sobre a Líbia, incluindo 53 acções de ataque. São verdadeiros safaris!
No mesmo período, as actividades de embargo de armamento conduzidas no Mediterrâneo Central por 17 navios, traduziram-se em 2109 interrogações, 214 vistorias e 9 recusas de autorização para seguir para a Líbia.
Reflectindo os pontos de vista dos poderes dominantes, os mass media não têm acompanhado devidamente esta onerosa e brutal intervenção da NATO, que só é possível com o desconhecimento das respectivas opiniões públicas. A factura é cara e, em tempo de austeridade e de incerteza, elas não tolerariam esta agressão e exigiriam esforços no caminho da paz.
Mas o petróleo está ali tão perto…
Nota: Este assunto já aqui foi tratado em 21 de Março e 30 de Junho.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Os boys e as girls nas nossas embaixadas
Agora que o cinto orçamental se aperta, há quem se interrogue sobre o futuro de uma centena de boys e girls que estão encaixados nas embaixadas portuguesas.
O jornal i calcula que quase 40% dos postos nas embaixadas portuguesas estão ocupados por pessoas que não são diplomatas de carreira, mas que são colocados nos postos diplomáticos na sequência de uma anterior proximidade com o poder político mas, também, em bastantes casos, com base em carreiras que se limitam aos atributos partidários, familiares ou outros, dos colocados. São tarefeiros de luxo.
Porém, eles adquirem um estatuto equiparado a conselheiros de embaixada e o vencimento de algumas dessas pessoas, muitas delas antigos jornalistas, varia entre 10 mil euros e 15 mil euros, acrescidos de alguns subsídios. Algumas são bem conhecidas da opinião pública e estão colocadas em cidades como Bruxelas, Nova York ou Paris, mas não tenho notícia de que algumas estejam colocadas em Luanda, em Maputo ou em Bissau.
Existem actualmente 264 funcionários diplomáticos no estrangeiro de todas as categorias em todos os postos, mas existem 103 que estão nomeados no regime de pessoal especializado. Por isso se diz que, melhor do que ser boy em Portugal é, seguramente, ser um boy expatriado e, naturalmente, numa grande cidade europeia ou americana.
O problema é muito grave, porque a nossa diplomacia não pode estar tão dependente de biscateiros que, em muitos casos, se estão a servir, em vez de servirem o país. No entanto, também é necessário que os diplomatas de carreira estejam verdadeiramente ao serviço do país, o que nem sempre acontece, sendo exactamente as suas fraquezas de desempenho que abriram as brechas por onde esta gente tem entrado.
O jornal i calcula que quase 40% dos postos nas embaixadas portuguesas estão ocupados por pessoas que não são diplomatas de carreira, mas que são colocados nos postos diplomáticos na sequência de uma anterior proximidade com o poder político mas, também, em bastantes casos, com base em carreiras que se limitam aos atributos partidários, familiares ou outros, dos colocados. São tarefeiros de luxo.
Porém, eles adquirem um estatuto equiparado a conselheiros de embaixada e o vencimento de algumas dessas pessoas, muitas delas antigos jornalistas, varia entre 10 mil euros e 15 mil euros, acrescidos de alguns subsídios. Algumas são bem conhecidas da opinião pública e estão colocadas em cidades como Bruxelas, Nova York ou Paris, mas não tenho notícia de que algumas estejam colocadas em Luanda, em Maputo ou em Bissau.
Existem actualmente 264 funcionários diplomáticos no estrangeiro de todas as categorias em todos os postos, mas existem 103 que estão nomeados no regime de pessoal especializado. Por isso se diz que, melhor do que ser boy em Portugal é, seguramente, ser um boy expatriado e, naturalmente, numa grande cidade europeia ou americana.
O problema é muito grave, porque a nossa diplomacia não pode estar tão dependente de biscateiros que, em muitos casos, se estão a servir, em vez de servirem o país. No entanto, também é necessário que os diplomatas de carreira estejam verdadeiramente ao serviço do país, o que nem sempre acontece, sendo exactamente as suas fraquezas de desempenho que abriram as brechas por onde esta gente tem entrado.
Londres já está a arder!
No passado sábado registou-se uma violenta desordem em Tottenham, no norte de Londres, que rapidamente alastrou por outros bairros da cidade e, depois, a cidades como Birmingham, Liverpool, Bristol e Leeds. Como denominador comum aos incidentes e à violência, estão jovens de cara tapada com lenços, alguns deles trajando de negro, que incendeiam e pilham numa escala de grande intensidade, num toca e foge difícil para as forças policiais.
A polícia de Londres descreveu a violência registada durante a noite de segunda para terça-feira como “a pior noite de sempre” na capital britânica e os jornais londrinos dão grande destaque a palavras como lawless e anarchy, enquanto as televisões mostram a a brutal violência dos acontecimentos.
As verdadeiras causas deste protesto social, que alastra rapidamente, são complexas mas têm contornos semelhantes, quer ocorram em Londres ou em Paris, agravando-se em tempos de crise económica, de desemprego, de austeridade desigualmente repartida, de indignação perante a injustiça e de crescente corrupção.
As novas gerações estão descontentes e desiludidas com o futuro que o actual modelo económico e o sistema político lhes oferecem e, à medida que as regalias do Estado e do modelo social vão minguando, cresce a decepção e a revolta contra a sociedade, tantas vezes egoísta e distraída. Muitos dos indignados são emigrantes de todo o mundo, desenraizados e desorientados, para os quais não tem havido políticas de integração nem perspectivas de vida, para além da exploração da força do seu trabalho, pelo que são facilmente instrumentalizados.
Hoje em Londres, tal como ontem em Paris, vive-se em insegurança e os acontecimentos estão a mostrar mais uma vez como são difíceis os tempos actuais e como a governação deve ser prudente e inteligente. A Europa é uma sociedade multicultural e é necessário que não se deixe contaminar pela crise económico-financeira, nem pelos excessos, quer dos explorados, quer dos exploradores.
A polícia de Londres descreveu a violência registada durante a noite de segunda para terça-feira como “a pior noite de sempre” na capital britânica e os jornais londrinos dão grande destaque a palavras como lawless e anarchy, enquanto as televisões mostram a a brutal violência dos acontecimentos.
As verdadeiras causas deste protesto social, que alastra rapidamente, são complexas mas têm contornos semelhantes, quer ocorram em Londres ou em Paris, agravando-se em tempos de crise económica, de desemprego, de austeridade desigualmente repartida, de indignação perante a injustiça e de crescente corrupção.
As novas gerações estão descontentes e desiludidas com o futuro que o actual modelo económico e o sistema político lhes oferecem e, à medida que as regalias do Estado e do modelo social vão minguando, cresce a decepção e a revolta contra a sociedade, tantas vezes egoísta e distraída. Muitos dos indignados são emigrantes de todo o mundo, desenraizados e desorientados, para os quais não tem havido políticas de integração nem perspectivas de vida, para além da exploração da força do seu trabalho, pelo que são facilmente instrumentalizados.
Hoje em Londres, tal como ontem em Paris, vive-se em insegurança e os acontecimentos estão a mostrar mais uma vez como são difíceis os tempos actuais e como a governação deve ser prudente e inteligente. A Europa é uma sociedade multicultural e é necessário que não se deixe contaminar pela crise económico-financeira, nem pelos excessos, quer dos explorados, quer dos exploradores.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Entra na Onda
A cerveja é um produto típico de Verão e, por isso, as marcas escolhem o período estival para lançar as suas principais campanhas, podendo afirmar-se que são as cervejas que animam o espaço publicitário português. Na realidade há duas marcas – Sagres e Super Bock – que disputam o nosso mercado de bebidas com quotas de mercado semelhantes, pelo que a diferenciação e a escolha do produto é feita, muitas vezes, através da intensidade e qualidade da mensagem publicitária.
Actualmente, sob o mote Entra na Onda, está activa por todo o país uma campanha publicitária da cerveja Super Bock, a principal marca da Unicer, que se apoia num anúncio de televisão e em outdoors. A campanha associa-se às praias portuguesas e, no caso dos outdoors, tem utilizado coloridos painéis invocando algumas conhecidas praias portuguesas – Praia do Guincho, Praia da Luz, Praia da Comporta, Praia da Falésia, Praia dos Pescadores, Praia de Milfontes. Os painéis parecem cumprir os seus objectivos de chamar a atenção, despertar o interesse, suscitar o desejo e levar à experimentação/compra/consumo do produto, com a particularidade de associar “a praia preferida à cerveja da preferência”.
Cada cartaz está associado de uma forma sugestiva a uma praia, mas eu aprecio sobretudo o cartaz da Praia de Milfontes e as mil fontes de cerveja que ele sugere.
Actualmente, sob o mote Entra na Onda, está activa por todo o país uma campanha publicitária da cerveja Super Bock, a principal marca da Unicer, que se apoia num anúncio de televisão e em outdoors. A campanha associa-se às praias portuguesas e, no caso dos outdoors, tem utilizado coloridos painéis invocando algumas conhecidas praias portuguesas – Praia do Guincho, Praia da Luz, Praia da Comporta, Praia da Falésia, Praia dos Pescadores, Praia de Milfontes. Os painéis parecem cumprir os seus objectivos de chamar a atenção, despertar o interesse, suscitar o desejo e levar à experimentação/compra/consumo do produto, com a particularidade de associar “a praia preferida à cerveja da preferência”.
Cada cartaz está associado de uma forma sugestiva a uma praia, mas eu aprecio sobretudo o cartaz da Praia de Milfontes e as mil fontes de cerveja que ele sugere.
America’s Cup em Cascais
A America´s Cup está em Portugal pela primeira vez e esse facto justifica referência. Em Cascais está a cumprir-se a primeira prova da America’s Cup World Series, que passa a ser um circuito regular de oito regatas a disputar em oito diferentes locais, que passará a anteceder a grande prova final a realizar na baía de São Francisco em 2013.
Portugal candidatou-se à organização da America’s Cup em 2007 mas perdeu a sua candidatura a favor de Valência, mas agora foi o país escolhido pela organização para organizar a primeira regata da nova versão da prova.
A America’s Cup realiza-se desde 1851, é a mais antiga competição e uma das mais importantes do calendário desportivo mundial, estando a iniciar a sua 34ª edição. Costuma dizer-se que é a prova desportiva mais difícil de vencer, devido ao número de provas de selecção e à complexidade dos seus regulamentos destinados a apurar o challenger que competirá com o defender, isto é, o vencedor da última edição.
Nas 33 edições já realizadas, apenas quatro países venceram esta prova – Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Suiça. Em Cascais estão a competir as mais rápidas embarcações do mundo – os catamaran AC72 - os chamados “Formula Um” da vela: Oracle Racing (EUA), Artemis Racing (Suécia), Aleph (França), China Team (China), Emirates Team (Nova Zelândia), Energy Team (França), Green Comm Racing (Espanha) e Team Kores (Coreia do Sul).
O público pode assistir a um espectáculo de grande beleza e espectacular efeito, enquanto o prestígio internacional da prova e as exigências ao nível da organização, são um sinal positivo para Portugal que, desta forma, volta a estar presente nos mass media internacionais por uma boa razão.
Portugal candidatou-se à organização da America’s Cup em 2007 mas perdeu a sua candidatura a favor de Valência, mas agora foi o país escolhido pela organização para organizar a primeira regata da nova versão da prova.
A America’s Cup realiza-se desde 1851, é a mais antiga competição e uma das mais importantes do calendário desportivo mundial, estando a iniciar a sua 34ª edição. Costuma dizer-se que é a prova desportiva mais difícil de vencer, devido ao número de provas de selecção e à complexidade dos seus regulamentos destinados a apurar o challenger que competirá com o defender, isto é, o vencedor da última edição.
Nas 33 edições já realizadas, apenas quatro países venceram esta prova – Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Suiça. Em Cascais estão a competir as mais rápidas embarcações do mundo – os catamaran AC72 - os chamados “Formula Um” da vela: Oracle Racing (EUA), Artemis Racing (Suécia), Aleph (França), China Team (China), Emirates Team (Nova Zelândia), Energy Team (França), Green Comm Racing (Espanha) e Team Kores (Coreia do Sul).
O público pode assistir a um espectáculo de grande beleza e espectacular efeito, enquanto o prestígio internacional da prova e as exigências ao nível da organização, são um sinal positivo para Portugal que, desta forma, volta a estar presente nos mass media internacionais por uma boa razão.
domingo, 7 de agosto de 2011
The Great American downgrade
Desde 11 de Setembro de 2001, quando as torres gémeas do World Trade Center de Nova York foram destruidas, que os Estados Unidos não passavam por uma tão grande perturbação emocional.
Quase simultaneamente, por iniciativa da agência Standard & Poor’s a economia americana deixou, pela primeira vez, de ter a sua dívida classificada com notação máxima, enquanto no Afeganistão pereceram 31 dos seus famosos SEALs, num trágico acidente de um helicóptero Chinook abatido pelos Taliban.
O poder económico e o poder militar americanos tremeram e, como a capa da revista TIME sugere, até George Washington parece ter levado um valente soco, mais violento do que o murro no estômago que o nosso Primeiro aqui levou.
Na perspectiva económica, o regresso da recessão aos Estados Unidos é cada vez mais uma ameaça, sobretudo depois da crise do tecto do endividamento ter mostrado que os problemas financeiros alastraram da Europa para os Estados Unidos e do pânico ter chegado ao outro lado do Atlântico.
O economista Paul Krugman tem afirmado que a economia norte-americana está em crise e que não está a crescer, acusando as autoridades de atribuirem as culpas pelos problemas do país, ora aos gregos ora ao maremoto do Japão, quando os problemas americanos são endógenos. Tudo muito semelhante ao que se passa por cá!
Quando há umas semanas atrás, o Presidente Obama disse que os Estados Unidos não eram Portugal enganou-se, pois os indicadores económicos relevantes – dívida pública, défice público e desemprego – são quase coincidentes em ambos os países.
Antes das nossas eleições de Junho, havia por cá muita gente que nem falava da crise internacional, que arranjou um culpado por tudo e tinha soluções para todos os nossos problemas económicos. Pode ser que a Aministração Obama esteja interessada em levar alguns desses génios para lá para os ajudar a resolver os seus problemas económicos.
Quase simultaneamente, por iniciativa da agência Standard & Poor’s a economia americana deixou, pela primeira vez, de ter a sua dívida classificada com notação máxima, enquanto no Afeganistão pereceram 31 dos seus famosos SEALs, num trágico acidente de um helicóptero Chinook abatido pelos Taliban.
O poder económico e o poder militar americanos tremeram e, como a capa da revista TIME sugere, até George Washington parece ter levado um valente soco, mais violento do que o murro no estômago que o nosso Primeiro aqui levou.
Na perspectiva económica, o regresso da recessão aos Estados Unidos é cada vez mais uma ameaça, sobretudo depois da crise do tecto do endividamento ter mostrado que os problemas financeiros alastraram da Europa para os Estados Unidos e do pânico ter chegado ao outro lado do Atlântico.
O economista Paul Krugman tem afirmado que a economia norte-americana está em crise e que não está a crescer, acusando as autoridades de atribuirem as culpas pelos problemas do país, ora aos gregos ora ao maremoto do Japão, quando os problemas americanos são endógenos. Tudo muito semelhante ao que se passa por cá!
Quando há umas semanas atrás, o Presidente Obama disse que os Estados Unidos não eram Portugal enganou-se, pois os indicadores económicos relevantes – dívida pública, défice público e desemprego – são quase coincidentes em ambos os países.
Antes das nossas eleições de Junho, havia por cá muita gente que nem falava da crise internacional, que arranjou um culpado por tudo e tinha soluções para todos os nossos problemas económicos. Pode ser que a Aministração Obama esteja interessada em levar alguns desses génios para lá para os ajudar a resolver os seus problemas económicos.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Mubarak, a justiça egípcia e o BPN
A edição de 4 de Agosto do jornal Público apresenta uma fotografia a toda a largura da primeira página do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak e destaca a seguinte legenda:
O velho faraó foi a tribunal, para espanto dos egípcios e aviso aos ditadores. A televisão mostrou-o ao povo, numa maca e atrás das grades.
Mubarak renunciou à presidência egípcia no dia 11 de Fevereiro, encontra-se em prisão preventiva desde 13 de Abril no hospital de Sharm-el-Cheik, acusado por abuso de poder e enriquecimento ilícito e, aparentemente, no dia 17 de Maio renunciou a todos os seus bens numa tentativa para ser posto em liberdade. Agora, menos de seis meses depois da sua renúncia, foi presente a tribunal e foi mostrado atrás das grades.
Durante anos, Mubarak foi elogiado no ocidente por ter assegurado o diálogo com Israel, mas a justiça egípcia limita-se a fazer o seu trabalho e, para quem não conhece o que se passou no Egipto, como é o meu caso, apenas se pode esperar que os tribunais sejam justos e céleres.
Ora é isso que me faz pensar em tantos longos processos que em Portugal se arrastam no tempo e a “desejar” que o exemplo da celeridade da justiça egípcia chegue a Portugal. O mau exemplo do julgamento do processo Casa Pia, que demorou quase oito anos, não pode repetir-se. As gigantescas fraudes do BPN são um caso de polícia e de má supervisão que fizeram evaporar 9.700 milhões de euros, conforme foi agora revelado na Assembleia da República. A justiça portuguesa tem que actuar com justiça e celeridade. Como no Egipto.
Sem contemplações, no Egipto as televisões mostram Mubarak atrás das grades e nos Estados Unidos mostraram DSK algemado. Aqui, os responsáveis do BPN são mostrados nas suas mansões, nas praias ou nas suas aparições sociais. E a nossa Comunicação Social e os nossos jornalistas assobiam para o lado...
Nota: No dia 12 de Maio o tema da justiça egípcia já aqui fora tratado.
O velho faraó foi a tribunal, para espanto dos egípcios e aviso aos ditadores. A televisão mostrou-o ao povo, numa maca e atrás das grades.
Mubarak renunciou à presidência egípcia no dia 11 de Fevereiro, encontra-se em prisão preventiva desde 13 de Abril no hospital de Sharm-el-Cheik, acusado por abuso de poder e enriquecimento ilícito e, aparentemente, no dia 17 de Maio renunciou a todos os seus bens numa tentativa para ser posto em liberdade. Agora, menos de seis meses depois da sua renúncia, foi presente a tribunal e foi mostrado atrás das grades.
Durante anos, Mubarak foi elogiado no ocidente por ter assegurado o diálogo com Israel, mas a justiça egípcia limita-se a fazer o seu trabalho e, para quem não conhece o que se passou no Egipto, como é o meu caso, apenas se pode esperar que os tribunais sejam justos e céleres.
Ora é isso que me faz pensar em tantos longos processos que em Portugal se arrastam no tempo e a “desejar” que o exemplo da celeridade da justiça egípcia chegue a Portugal. O mau exemplo do julgamento do processo Casa Pia, que demorou quase oito anos, não pode repetir-se. As gigantescas fraudes do BPN são um caso de polícia e de má supervisão que fizeram evaporar 9.700 milhões de euros, conforme foi agora revelado na Assembleia da República. A justiça portuguesa tem que actuar com justiça e celeridade. Como no Egipto.
Sem contemplações, no Egipto as televisões mostram Mubarak atrás das grades e nos Estados Unidos mostraram DSK algemado. Aqui, os responsáveis do BPN são mostrados nas suas mansões, nas praias ou nas suas aparições sociais. E a nossa Comunicação Social e os nossos jornalistas assobiam para o lado...
Nota: No dia 12 de Maio o tema da justiça egípcia já aqui fora tratado.
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quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Turning Japanese
A reputada revista The Economist avisa, na sua última edição, que os Estados Unidos e a Europa se estão a tornar japoneses, isto é, apresentam indicadores económicos que se aproximam dos indicadores japoneses.
Desde há vinte anos que a economia japonesa tem sido um case study e se encontra mergulhada numa crise para a qual não encontra saída, entalada entre a estagnação e a deflação. São apontadas diversas razões para esta prolongada crise, desde a quebra da produtividade até ao envelhecimento da população, passando pela não resolução do problema do crédito ou pelo generoso e prematuro sistema de reformas, entre muitas outras razões. O terramoto e o tsunami de Fukushima não ajudaram nada. Os governos japoneses têm procurado a revitalização do crescimento económico através dos gastos públicos e do investimento em obras públicas, muitas vezes desnecessárias, de que tem resultado uma brutal dívida pública, que já ultrapassa o dobro do PIB e é a maior do mundo.
As disparidades de rendimento são crescentes e o Japão perdeu o orgulho de ser uma sociedade igualitária, estando confrontada com um anormal desemprego e com um crescente número de pobres.
Diz-se que o Japão tem antecipado o que começa a acontecer nos Estados Unidos e na Europa, com o excessivo endividamento e os elevados défices públicos, a estagnação económica e o desemprego.
O alerta do The Economist já fora feito há cerca de um ano, quando o economista norte-americano Paul Krugman, que em 2008 recebeu o Prémio Nobel da Economia, assegurou que os Estados Unidos também estavam na senda da estagnação e da deflação, que o Japão vem percorrendo desde há duas dezenas de anos.
Na Europa, os últimos anos também estão a revelar que se está no mesmo caminho, pela via do endividamento, dos défices e do desemprego e, naturalmente, Portugal também está nessa onda global.
De facto, estamos todos no mesmo barco e a precisar de trabalhar mais para sermos mais autónomos e para não precisarmos do dinheiro dos outros!
No entanto, houve quem se deixasse instrumentalizar, alguns deles meus amigos, defendendo que o problema era do Sousa e que a solução estava ali a dois passos.
Desde há vinte anos que a economia japonesa tem sido um case study e se encontra mergulhada numa crise para a qual não encontra saída, entalada entre a estagnação e a deflação. São apontadas diversas razões para esta prolongada crise, desde a quebra da produtividade até ao envelhecimento da população, passando pela não resolução do problema do crédito ou pelo generoso e prematuro sistema de reformas, entre muitas outras razões. O terramoto e o tsunami de Fukushima não ajudaram nada. Os governos japoneses têm procurado a revitalização do crescimento económico através dos gastos públicos e do investimento em obras públicas, muitas vezes desnecessárias, de que tem resultado uma brutal dívida pública, que já ultrapassa o dobro do PIB e é a maior do mundo.
As disparidades de rendimento são crescentes e o Japão perdeu o orgulho de ser uma sociedade igualitária, estando confrontada com um anormal desemprego e com um crescente número de pobres.
Diz-se que o Japão tem antecipado o que começa a acontecer nos Estados Unidos e na Europa, com o excessivo endividamento e os elevados défices públicos, a estagnação económica e o desemprego.
O alerta do The Economist já fora feito há cerca de um ano, quando o economista norte-americano Paul Krugman, que em 2008 recebeu o Prémio Nobel da Economia, assegurou que os Estados Unidos também estavam na senda da estagnação e da deflação, que o Japão vem percorrendo desde há duas dezenas de anos.
Na Europa, os últimos anos também estão a revelar que se está no mesmo caminho, pela via do endividamento, dos défices e do desemprego e, naturalmente, Portugal também está nessa onda global.
De facto, estamos todos no mesmo barco e a precisar de trabalhar mais para sermos mais autónomos e para não precisarmos do dinheiro dos outros!
No entanto, houve quem se deixasse instrumentalizar, alguns deles meus amigos, defendendo que o problema era do Sousa e que a solução estava ali a dois passos.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O Sol quando nasce não é para todos!
A Agência Lusa noticiou que no primeiro semestre de 2011, relativamente ao período homólogo de 2010, os lucros dos cinco maiores bancos portugueses atingiram 479,6 milhões de euros. Este valor representa uma quebra de 417,8 milhões de euros em relação ao primeiro semestre de 2010, quando os mesmos bancos lucraram 897,4 milhões de euros, o que significa uma redução de cerca de 46 por cento. O jornal Público chama o assunto à sua primeira página e atribui essa quebra nos lucros aos efeitos da crise.
A lista dos melhores resultados é encabeçada pelo BES, que apresentou um lucro de 156 milhões de euros (menos 44,7 por cento face ao primeiro semestre do ano anterior). Na lista seguem-se o BCP, que apresentou um lucro de 88,4 milhões de euros (menos 45,8 %), o BPI com lucros de 79,1 milhões (menos 20,4 %) e o Santander Totta, com resultados positivos de 72,6 milhões de euros (menos 70 %). A Caixa Geral de Depósitos apresentou um lucro de 83,5 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, devendo apresentar brevemente os resultados semestrais.
Em seis meses e no meio de uma enorme crise, de que não se vê a luz ao fundo do túnel, a Banca teve um lucro de 480 milhões de euros, o que significa 80 milhões de euros por mês e mais de dois milhões de euros por dia, sem fabricar nada, sem produzir nada e sem acrescentar valor a nada, mas tão só a manipular números, a fazer lobbying sobre o Governo, a especular, a explorar os clientes e a não financiar a economia.
Tudo isto acontece, num quadro fiscal escandalosamente protegido, com financiamentos e riscos avalizados pelo Estado ou pelo BCE, enquanto quem trabalha paga mais impostos, perde subsídios de Natal ou paga mais pelos transportes, pela energia e pelos serviços de saúde.
Ninguém acaba com esta imoralidade. Os portugueses continuam inquietos e desorientados perante este cenário, que é de austeridade para uns e de enriquecimento para outros. Realmente, o Sol quando nasce não é para todos!
A lista dos melhores resultados é encabeçada pelo BES, que apresentou um lucro de 156 milhões de euros (menos 44,7 por cento face ao primeiro semestre do ano anterior). Na lista seguem-se o BCP, que apresentou um lucro de 88,4 milhões de euros (menos 45,8 %), o BPI com lucros de 79,1 milhões (menos 20,4 %) e o Santander Totta, com resultados positivos de 72,6 milhões de euros (menos 70 %). A Caixa Geral de Depósitos apresentou um lucro de 83,5 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, devendo apresentar brevemente os resultados semestrais.
Em seis meses e no meio de uma enorme crise, de que não se vê a luz ao fundo do túnel, a Banca teve um lucro de 480 milhões de euros, o que significa 80 milhões de euros por mês e mais de dois milhões de euros por dia, sem fabricar nada, sem produzir nada e sem acrescentar valor a nada, mas tão só a manipular números, a fazer lobbying sobre o Governo, a especular, a explorar os clientes e a não financiar a economia.
Tudo isto acontece, num quadro fiscal escandalosamente protegido, com financiamentos e riscos avalizados pelo Estado ou pelo BCE, enquanto quem trabalha paga mais impostos, perde subsídios de Natal ou paga mais pelos transportes, pela energia e pelos serviços de saúde.
Ninguém acaba com esta imoralidade. Os portugueses continuam inquietos e desorientados perante este cenário, que é de austeridade para uns e de enriquecimento para outros. Realmente, o Sol quando nasce não é para todos!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Ainda o desastre BPN
Através de um comunicado do Ministério das Finanças, o Governo anunciou que escolheu o BIC - um banco de capitais luso-angolanos - para negociar, em condições de exclusividade, a aquisição do BPN por 40 milhões de euros. O mesmo comunicado indica que foi efectuada uma prévia operação de recapitalização do banco no valor de 550 milhões de euros, o que é mais uma catástrofe financeira para os cofres públicos. Prevê-se que o BIC ficará apenas com 70% dos actuais balcões do BPN, que a marca BPN desapareça e que metade dos seus funcionários sejam despedidos, embora o Estado assuma os custos relativos à cessação dos vínculos laborais dos trabalhadores, num prazo máximo de 120 dias após as transmissões das acções. O Estado e o BIC têm agora 180 dias para fechar o negócio BPN, através da celebração do respectivo contrato.
Existia o compromisso de vender o BPN até 31 de Julho e a alternativa a esta solução era demasiado dolorosa – a liquidação do banco e o despedimento de 1580 pessoas. Talvez fosse a menos má e a que menos custaria aos contribuintes. Assim, a solução encontrada parece ter sido preparada para proporcionar uma boa compra a alguém e, por isso, no meu espírito estão por muitas coisas por esclarecer, como por exemplo:
Que responsabilidades já estão apuradas quanto ao desastre que foi o caso BPN? Está seriamente estudado se a sua nacionalização foi necessária? Esta venda ao BIC foi uma boa solução para os contribuintes portugueses que, desde a nacionalização do BPN, já gastaram cerca de 2,4 mil milhões de euros? Como foi calculado o preço de 40 milhões de euros para a venda do BPN? Porque razão foi aceite a proposta do BIC e foram rejeitadas as propostas do Montepio e do Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), sendo que esta superava os 100 milhões de euros?
Os contribuintes merecem estas e outras explicações, que o comunicado do Ministério das Finanças não contempla.
De facto, há muita coisa por explicar neste imbróglio que tem sido o BPN!
Finalmente, cabe perguntar que punição tiveram ou terão os responsáveis pelo desastre BPN, muitos dos quais andam por aí ou estarão ainda dentro do Banco (à espera de serem indemnizados ou de serem absorvidos pela CGD), sem que lhe sejam pedidas responsabilidades criminais.
Existia o compromisso de vender o BPN até 31 de Julho e a alternativa a esta solução era demasiado dolorosa – a liquidação do banco e o despedimento de 1580 pessoas. Talvez fosse a menos má e a que menos custaria aos contribuintes. Assim, a solução encontrada parece ter sido preparada para proporcionar uma boa compra a alguém e, por isso, no meu espírito estão por muitas coisas por esclarecer, como por exemplo:
Que responsabilidades já estão apuradas quanto ao desastre que foi o caso BPN? Está seriamente estudado se a sua nacionalização foi necessária? Esta venda ao BIC foi uma boa solução para os contribuintes portugueses que, desde a nacionalização do BPN, já gastaram cerca de 2,4 mil milhões de euros? Como foi calculado o preço de 40 milhões de euros para a venda do BPN? Porque razão foi aceite a proposta do BIC e foram rejeitadas as propostas do Montepio e do Núcleo Estratégico de Investidores (NEI), sendo que esta superava os 100 milhões de euros?
Os contribuintes merecem estas e outras explicações, que o comunicado do Ministério das Finanças não contempla.
De facto, há muita coisa por explicar neste imbróglio que tem sido o BPN!
Finalmente, cabe perguntar que punição tiveram ou terão os responsáveis pelo desastre BPN, muitos dos quais andam por aí ou estarão ainda dentro do Banco (à espera de serem indemnizados ou de serem absorvidos pela CGD), sem que lhe sejam pedidas responsabilidades criminais.
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