segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Anda por aí um chocante clientelismo

Na sua edição de hoje o jornal Público destaca o tema das nomeações feitas nos primeiros meses de actividade governamental, comparando as nomeações feitas pelos últimos cinco governos - três do PSD e dois do PS.
O estudo verifica que em relação aos últimos cinco governos, o actual tem tido um comportamento que se enquadra no tradicional clientelismo português, isto é, fez mais nomeações que dois deles e menos do que os outros dois, significando que em termos de satisfação de clientelas tem havido um certo equilíbrio entre os partidos do poder, isto é, "comem todos do mesmo prato".
Porém, durante a dura campanha eleitoral realizada há poucos meses, acusou-se o anterior governo de clientelismo e assegurou-se ao país que, no futuro, haveria a moralização das nomeações para os cargos públicos e tudo seria diferente. Quase que se anunciava uma regeneração. Prometia-se a transparência, a competência e a decência.
Afinal foi tudo conversa. A prática clientelar deste governo não se alterou em relação ao passado e até se agravou, sobretudo nos cargos melhor remunerados e mais influentes. São as nomeações das mesmas pessoas de sempre, em muitos casos sem habilitação nem qualificação apropriada e com currículos que nada têm de relevante, para além da militância partidária. Parece um assalto. Pagam-se fidelidades partidárias. Ignoram-se conflitos de interesses. Como se tudo fosse uma quinta de uns tantos. Assim sucede na CGD, na EDP, na AdP e no mais que se vai sabendo. É o clientelismo puro e duro, que nos desgraça e nos destrói. Tudo isto é chocante quando, simultaneamente, se exigem sacrifícios aos portugueses, se empurram os jovens para a emigração, se não controla o desemprego, se assiste ao empobrecimento da população e a fragmentação social é uma ameaça.
É como se houvesse um país para eles e outro para nós. E isso é muito mau!

A crise do euro está de volta

Desde há algumas semanas que o tema da dívida soberana e a crise do euro estavam ausentes das agendas políticas. As medidas de austeridade impostas na generalidade dos países europeus, sobretudo nos países do sul, pareciam ter sossegado as agências de ‘rating’ e os famosos mercados, assim como as mudanças de governo verificadas em Portugal, Grécia, Itália e Espanha. Havia uma clara descompressão nas opiniões públicas. Os juros estavam a baixar. A crise do euro parecia estar a resolver-se. Até que a Standard & Poor’s cortou as notações de ‘rating’ de nove países europeus, incluindo Portugal, Espanha e Itália, mas também da Áustria e da França, que perderam a sua notação máxima de AAA.
Portugal passou a ter a classificação de 'lixo' que antes já lhe tinha sido atribuída pela Moody's e pela Fitch, as outras duas grandes agências de 'rating' internacionais, pelo que os juros da sua dívida pública vão aumentar, tornando ainda mais exigente o esforço de recuperação. Porém, os ventos da crise também já chegaram a França, a segunda economia da União Europeia e o diário Le Fígaro destacou que, com a perda da sua notação máxima, a crise do euro se agravou e pode influenciar a reeleição de Sarkozy nas próximas eleições presidenciais.
Os governos e a Comissão Europeia reagiram à decisão da S & P que consideraram aberrante, pois entendem que não tem sentido numa altura em que estão a procurar respostas para a crise, mas o clima de incerteza quanto ao futuro da moeda única reactivou-se. Nessa linha, Mario Draghi, o presidente do BCE, veio hoje dizer que "a situação actual é muito grave". No entanto, a decisão da S & P também deixa no ar a dúvida sobre se a solução da crise está nas políticas de austeridade ou se, pelo contrário, a austeridade nos leva a uma recessão mais profunda e a uma crise mais grave.
O que é certo é que a crise do euro está de volta.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Costa Concordia: come il Titanic

Apesar do desenvolvimento da tecnologia e dos modernos sistemas electrónicos de posicionamento no mar, o luxuoso paquete Costa Concordia encalhou junto da ilha de Giglio, na costa ocidental italiana, daí resultando cinco mortos, quatro dezenas de desaparecidos, um susto para mais de quatro mil pessoas e a provável perda de um dos mais modernos paquetes do mundo. O tempo estava calmo e tudo aponta para que a causa da tragédia tenha sido um erro humano, por desatenção ou por incompetência profissional.
O navio tinha 290 metros de comprimento, uma tripulação de 1068 pessoas e capacidade para 3780 passageiros, dispondo de 1500 cabines, das quais 505 com varanda privada para o mar, além de 70 suites de luxo. Os passageiros tinham à sua disposição cinco restaurantes e treze bares, Spa, cinco jacuzzi, quatro piscinas, teatro, casino, ginásio, discoteca e um shopping. Uma luxuosa cidade!
O Costa Concordia fazia um dos seus habituais cruzeiros mediterrânicos e a bordo seguiam 4231 pessoas, incluindo passageiros e tripulantes. Cerca das 20 horas do dia 13 de Janeiro, quando navegava próximo da costa e os passageiros jantavam ou se preparavam para jantar, o navio tocou no fundo rochoso, sofreu um enorme rasgo e começou a adornar. Pouco depois eram dadas ordens para o abandono do navio, após o que se verificaram cenas de pânico e disputas entre os passageiros que tentavam entrar nos botes salva-vidas. Aparentemente, os procedimentos de segurança não tinham sido treinados e, segundo foi divulgado, o comandante do navio ter-se-à assustado e esqueceu-se de cumprir a regra de ouro nestas circunstâncias: ser o último a abandonar o navio.
A tragédia do Titanic, ocorrrida exactamente há cem anos, foi imediatamente recordada e inspirou o título do diário italiano Il Messaggero.
Às vezes esquecemos que nem a tecnologia, nem a economia, substituem o homem e a sua inteligência.

Cuerpos de Dolor em exposição

A Galeria de Exposições Temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) está a apresentar a exposição “Cuerpos de Dolor. A Imagem do Sagrado na Escultura Espanhola (1500-1750)”.
A exposição abrange o período áureo da escultura espanhola e constitui uma amostra seleccionada das importantes colecções do Museo Nacional de Escultura de Valhadolid, chamando-nos a atenção para a relevância do acervo deste museu espanhol.
Pela primeira vez, o público português tem a possibilidade de ver mais de três dezenas de esculturas dos grandes mestres espanhóis, desde o declinar da Idade Média até aos finais do Período Barroco, quando a presença da religião na vida social mobilizava o sagrado em todas as actividades artísticas.
É uma exposição que revela uma clara influência religiosa através de imagens de grande expressividade e que é capaz de provocar no visitante uma impressão que ultrapassa as fronteiras da estética.
A exposição insere-se num programa que valoriza o estabelecimento de parcerias e um esquema de circulação internacional muito consequentes, que permitiu que as duas anteriores exposições apresentadas pelo MNAA estejam actualmente na National Gallery of Art de Washington (“A Invenção da Glória. D. Afonso V e as Tapeçarias de Pastrana”) e no Museo de Bellas Artes de Valencia (“Primitivos. El Siglo Dorado de la Pintura Portuguesa”).
O MNAA está de parabéns porque, através destas exposições, divulga a cultura portuguesa. A exposição Cuerpos de Dolor pode ser visitada até 25 de Março e recomenda-se.

sábado, 14 de janeiro de 2012

A excepção e a regra

António Mota de Sousa Horta Osório é um cidadão português nascido em Lisboa no ano de 1964 e é licenciado em Administração e Gestão de Empresas pela Universidade Católica.
Depois de uma carreira bancária bem sucedida, em Março de 2011 passou a presidir ao nacionalizado Lloyds Bank. Começou o seu trabalho, mas em Novembro foi forçado a afastar-se por recomendação médica, devido ao excesso de stress.
Dois meses depois regressou ao banco e começou logo a dar o exemplo, ao decidir abdicar do bónus anual relativo a 2011 a que tinha direito, com o argumento de que a sua ausência prejudicara o banco, mas também porque disse "haver muita gente a atravessar dificuldades financeiras".
Na prática, Horta Osório prescindiu de 2,3 milhões de libras, ou seja 2,8 milhões de euros, que é o montante que está definido no seu contrato de trabalho e que equivale a 225% do seu salário fixo. No entanto, tendo em conta que só esteve cerca de 7 meses no banco, o bónus que lhe estaria destinado poderia ficar ligeiramente abaixo dos 2 milhões de libras.
A sua decisão deixa a porta aberta para uma tomada de consciência do sector financeiro inglês, no sentido dos seus administradores seguirem o mesmo caminho e abdicarem dos bónus milionários a que se habituaram.
Este exemplo tem paralelo com o que sucedeu com o general Ramalho Eanes, quando em 2008 prescindiu dos retroactivos relativos à reforma como general a que tinha direito, que ascenderiam a mais de um milhão de euros.
Estes homens merecem o meu singelo aplauso. Estes homens são a excepção porque, aqui no rectângulo, a regra é outra.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Semeando ventos

O período de crise por que passamos aconselha muita prudência na tomada de decisão porque, embora ela seja indispensável para resolver os nossos graves problemas, não pode ser feita cegamente. Há que não semear ventos...
Um recente relatório da Comissão Europeia que analisa o impacto dos efeitos das medidas de austeridade em seis países com dificuldades - Portugal, Grécia, Espanha, Irlanda, Estónia e Reino Unido - salienta que, no que respeita à distribuição de riqueza, Portugal “é o único país com uma distribuição claramente regressiva”, ou seja, o país em que os pobres estão a pagar mais do que os ricos nas medidas de austeridade. Além disso, o estudo revela que é o único país em que “a percentagem do corte é maior nos dois escalões mais pobres da sociedade do que nos restantes”.
Estes factos revelados pelo relatório da Comissão Europeia são alarmantes, mas estão em linha com aquilo que todos sentimos no nosso quotidiano: o abrandamento da actividade económica, o desemprego, a insegurança nas ruas e a desorientação social.
O poder político sempre afirmou pretender ir mais longe do que aquilo que acordou com a troika e, para isso, tem feito todos os exercícios de aritmética contabilística, mas tem esquecido o essencial: as pessoas. Muitas das suas medidas revelam insensibilidade social e têm conduzido ao empobrecimento, à descrença e à ameaça da fragmentação social. A governação continua a dar maus exemplos, com a promiscuidade entre interesses públicos e privados e com o clientelismo instalado em força. Se havia uma expectativa de mudança na cultura de poder, já se perdeu. A nossa governação está a semear ventos e a alimentar o populismo, a revolta e a implosão social, com a sua cegueira contabilística, os seus negócios suspeitos e agora com as suas nomeações.
Depois disto tudo, veio o nosso primeiro garantir que, nas recentes nomeações, a preocupação não foi nomear pessoas do cartão, nem amigos. Porque não tenho cartão nem sou amigo deles, ainda posso ter esperança de também vir a ser nomeado para um cargo qualquer.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A reinvenção da descoberta da Austrália

A edição de ontem do Diário de Notícias anunciou que um “canhão português reinventa descoberta da Austrália”. Segundo informa o jornal, um jovem de 13 anos de idade residente na cidade de Darwin, num dia em que as marés foram excepcionalmente baixas, encontrou numa praia do norte da Austrália um canhão pedreiro semelhante aos que eram utilizados nos navios portugueses do século XVI. O Museu de Darwin tem estado a examinar o referido canhão para confirmar a sua origem, embora se pense que poderá ter pertencido a navios portugueses que eventualmente tenham visitado o norte da Austrália no século XVI.
A hipótese da prioridade portuguesa na visita aos territórios do sul foi levantada pela primeira vez em 1977 pelo historiador australiano Kenneth Gordon McIntyre no seu livro ”A descoberta secreta da Austrália”, no qual procurou demonstrar que foram os portugueses os primeiros europeus a visitar as costas australianas. Depois foram os holandeses que contactaram a chamada Nova Holanda e, só em finais do século XVIII, é que o território foi abordado pelo Comandante Cook.
É sabido que os portugueses contactaram Timor desde 1515 e muitos historiadores estranham o facto de não haver provas inequívocas de também terem visitado os territórios situados a 285 milhas para sul, apesar dos nomes de António de Abreu, Francisco Serrão, Cristóvão de Mendonça, Diogo Lopes de Sequeira ou Manoel Godinho de Erédia aparecerem muitas vezes ligados a essas possíveis viagens.
A descoberta do canhão que agora foi feita pode ajudar a provar que os portugueses estiveram na Austrália no mesmo período em que visitaram Timor e isso seria um importante contributo para a história da expansão portuguesa no mundo no século XVI.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Haja bom senso na EDP!

Ontem, quando escrevi sobre a EDP, cometi um lapso. O supervisor Catroga, ou seja, o futuro presidente do conselho geral e de supervisão da EDP, não vai propriamente ter “mais uma mordomia”, pois segundo refere o Correio da Manhã irá receber “um salário milionário”, isto é, 639 mil euros anuais, que foi o montante ganho pelo seu antecessor em 2010, conforme indica o relatório sobre o governo da sociedade.
Os outros 22 membros do conselho geral e de supervisão, porque não desempenharão funções a tempo inteiro, apenas ganharão 57 mil euros por ano. Por mês, o amigo do venerando Chefe do Estado que tanto contribuiu para derrubar o anterior governo, terá um ordenado superior a 45 mil euros, que acumulará com uma pensão de mais de 9.600 euros, além de ter direito a um PPR no valor de 10% do seu salário anual e às habituais regalias deste tipo de cargos.
Confrontado com estes números, o premiado com esta lotaria disse que vai descontar cerca de 50% destes montantes e que o valor da sua pensão, resulta de 60 anos de descontos. É caso para lhe perguntar se os outros portugueses também não descontam ou não descontaram.
A estratégia da EDP vai ser traçada pelos chineses e não é nenhum catroga a defini-la. Esta supervisão é uma farsa e, por isso, houve quem se recusasse a entrar nela, pelo que daqui vai o meu elogio para Luís Amado e para Edmundo Ho.
Finalmente, uma palavra de solidariedade aos consumidores – os servos – que irão ver as suas facturas aumentadas para alimentar esta gente – os senhores feudais – num tempo de grandes dificuldades.
Haja bom senso na EDP!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

EDP e os seus jobs for the boys

A recente aquisição de capital da EDP pela China Three Gorges Corporation (CTG) tem sido interpretada como uma operação enquadrada numa estratégia chinesa de entrada na Europa por uma porta que tem ligações ao Brasil e à África lusófona. Por isso, já foi evidenciado o interesse chinês em outros sectores da nossa economia, como a banca, a rede eléctrica ou a indústria automóvel.
No próximo dia 20 de Fevereiro vai realizar-se uma Assembleia Geral extraordinária da EDP, que será a primeira desde que o Estado vendeu 21,35% da empresa à CTG. De acordo com a respectiva convocatória, há uma proposta para que no triénio 2012-2014 o Conselho de Administração executivo tenha 7 membros e continue a ser presidido por António Mexia, havendo uma outra proposta para que o Conselho Geral e de Supervisão tenha 23 membros e seja presidido por Eduardo Catroga, um dos homens que negociou com a troika a privatização da EDP e que, só por isso, não devia ter ligação à mesma. Alguns desses membros representam os diversos accionistas, onde se incluem quatro chineses da CTG, mas há alguns deles que apenas se representam a si próprios, como sucede por exemplo com Catroga, Cardona, Teixeira Pinto, Rocha Vieira e Braga de Macedo, o que é um claro sinal de clientelismo partidário e, uma vez mais, de promiscuidade entre a política e os negócios. Como referiu o Diário de Notícias , as novas nomeações são todas da "cor do governo". Tomadas as devidas diferenças, vem-nos à memória o caso BPN, apesar de sabermos que as pessoas que governarão a EDP são profissionais e não deixarão de atender aos interesses chineses. Quanto aos novos supervisores, terão que acumular mais uma mordomia bem remunerada às que já têm e, provavelmente, até irão receber em géneros. É um caso exemplar de jobs for the boys!

Negócios e política

A sociedade portuguesa está a atravessar um período de acentuada turbulência, sem se vislumbrar claramente como irá evoluir no futuro mais próximo. Como não bastassem a crise financeira e a estagnação económica, com as suas graves consequências sociais, estamos também confrontados com uma séria e preocupante crise da nossa democracia.
No passado Verão surgiram notícias que indicavam ter havido tráfico de informações entre interesses públicos (SIRP) e interesses privados (Ongoing Strategy SGPS, SA.), tendo os principais actores desse processo sido referenciados pelas suas ligações maçónicas.
Essa circunstância poderia não ter importância nenhuma. A Maçonaria é uma organização que se baseia em ideais nobres, como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, mas também nos bons costumes, no espírito filantrópico e na busca da perfeição, visando a construção do homem novo e de uma sociedade mais justa. Tem, naturalmente, os seus códigos de conduta e os seus rituais a que os seus membros obedecem, tal como acontece em muitas outras corporações ou irmandades.
E aqui começa a contradição, sobretudo quando a organização cultiva o segredo e os seus membros desempenham cargos públicos. O culto da fraternidade e da obediência maçónica são prestadas à irmandade a que pertencem os cidadãos e não são feitas ao interesse público, o que pode originar que a defesa de interesses particulares e o tráfico de influências se sobreponham a tudo o mais. Segundo relata a Imprensa, assim parece ter acontecido com a já célebre Loja Mozart, onde sob a capa da fraternidade maçónica, existia uma grande promiscuidade entre negócios e política. A Imprensa também anunciou que os aparelhos partidários eram dominados pela Maçonaria, o que torna mais grave e mais preocupante esta situação.
Acontece que o SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa) está na dependência directa do Primeiro-Ministro e tem por finalidade a produção de informações necessárias à salvaguarda da independência nacional e à garantia da segurança interna. Por isso, não pode estar dominado por gente que não se sabe de onde veio e que, como se tem visto, não tem a noção de serviço público nem de missão cívica.
Quem olha por isto?

O novo-riquismo do nosso futebol

O diário desportivo espanhol as divulgou recentemente uma pesquisa jornalística conduzida por Aritz Gabilondo, que conclui que a Espanha será a selecção que menos pagará por noite de hotel de entre todas as que participarão no Europeu de Futebol, que se disputará no próximo mês de Junho na Polónia e Ucrânia.
As selecções que menos gastarão diariamente para alojar cerca de quarenta pessoas, incluindo jogadores, técnicos, directores e outros membros da delegação, são a Espanha (4.700 euros), a Dinamarca (7.400 euros), a Croácia (8.300 euros) e a Itália (10.500 euros).
No outro extremo desta relação encontram-se a Irlanda (23.000 euros), a Polónia (24.000 euros), a Rússia (30.400 euros) e Portugal (33.174 euros), que são as delegações que mais pagarão diariamente para alojar as suas delegações.
Embora com as limitações que este trabalho do diário espanhol possa ter, a serem verdadeiras as suas conclusões, verifica-se que a delegação portuguesa é aquela que mais vai pagar pelo seu alojamento num hotel em Opalenica, na Polónia.
Se os números divulgados são correctos, então a despesa diária de cada elemento da delegação portuguesa será de quase mil euros. Parece inacreditável como foi possível escolher um hotel por este preço, mesmo que responda às possíveis necessidades desportivas dos futebolistas. Sete vezes mais caro do que o hotel escolhido pelos campeões do mundo e da Europa!
É desproporcionado. É um exagero. É o deslumbramento total.
Num ano em que estamos confrontados com dificuldades, com mais impostos, mais desemprego, aumento do custo de vida e com os assalariados e os pensionistas a não receberem o 13º e o 14º meses, este despesismo novo-riquista da Federação Portuguesa de Futebol deixa-nos perplexos e desconfiados.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Guimarães capital europeia da cultura

A cidade de Guimarães é, juntamente com a cidade eslovena de Maribor, a Capital Europeia da Cultura em 2012.
A Capital Europeia da Cultura é uma iniciativa da União Europeia que visa a promoção de uma ou mais cidades da Europa durante um período de um ano, durante o qual são desenvolvidos diversos programas culturais destinados a divulgar essas cidades junto dos cidadãos europeus. A iniciativa começou em 1985 por iniciativa de Melina Mercouri, a ministra grega da cultura, tendo adoptado vários formatos, como por exemplo a designação de apenas uma ou de mais cidades, ou a escolha de cidades da União Europeia ou também de outros países europeus.
A escolha já recaiu em cidades portuguesas, nomeadamente Lisboa em 1994, o Porto em 2001 e Guimarães que foi escolhida como Capital Europeia da Cultura em 2012.
Esta escolha é uma oportunidade para a modernização da cidade de Guimarães e para a revitalização do seu património, mas também para a dinamização da sua vida cultural e para a potenciação de novas actividades económicas. Naturalmente, à sombra desta iniciativa, irão ser promovidos despesismos e muitas vaidades, ainda enquadradas num tempo de vacas gordas que já passou e que teremos que pagar depois através dos nossos impostos. Por outro lado, a despesa prevista representa uma enorme contradição entre a anunciada festa rija e a crise e o desemprego que estão a afectar o país e a região vimaranense. Haja, por isso, muita contenção na festa e na remuneração dos gestores da festa, bem como nas mordomias que lhes são atribuídas.
No entanto, estamos perante uma boa oportunidade para visitar e conhecer a bela cidade de Guimarães.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A volta ao mundo em 45 dias

Ontem à noite, o trimaran Banque Populaire V cortou a linha de chegada junto de Ouessant e terminou a sua volta ao mundo à vela sem escalas em 45 dias, 13 horas, 42 minutos e 53 segundos, passando ao largo dos três míticos cabos do planeta - Boa Esperança, Leeuwin e Horn.
O skipper Loick Peyron e os seus 13 companheiros passaram a ser os novos detentores do Troféu Jules-Verne, melhorando em quase três dias o record da volta ao mundo sem escalas estabelecido em 2010 pelo Groupama 3 de Franck Cammas.
A edição de hoje do jornal desportivo L´Equipe chama o assunto à sua primeira página, enquanto o presidente francês felicitou os novos recordistas e milhares de pessoas os esperam hoje em Brest. Foi um grande feito desportivo, mas também uma grande vitória do planeamento e da tecnologia.
O trimaran francês de 40 metros percorreu mais de 29 002 milhas, isto é, mais 7 500 do que o percurso teórico, a uma velocidade média de 26,517 nós. Tendo saído de Brest passou o cabo da Boa Esperança em pouco mais de 11 dias; navegou depois em direcção ao sul da Austrália (cabo Leeuwin) e atingiu o cabo Horn. Depois, percorreu o Atlântico pelo seu lado ocidental, contornou o anticiclone dos Açores por norte e, ontem, cortou a linha de chegada e atingiu Brest.
O Troféu Jules-Verne é disputado desde 1993, quando o Commodore Explorer de Bruno Peyron gastou 79 dias, 6 horas e 15 minutos para completar a volta ao mundo. Até agora, já foram realizadas 24 tentativas de melhorar o anterior record mas só 8 foram bem sucedidas.
Os franceses gostam destes feitos náuticos, mas nós também!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A televisão que (não) merecemos

O conhecimento das audiências é essencial para definir a programação televisiva e para orientar o investimento publicitário, pelo que a sua divulgação é sempre aguardada pelas estações, pelos anunciantes e pelo público.
As audiências de 2011 já são conhecidas. Os 4 canais televisivos generalistas (sinal aberto) tiveram uma quota de mercado de 74,5%, enquanto os canais temáticos (cabo) asseguraram uma quota conjunta de 25,5%, o que significa que num ano os canais generalistas perderam 5% de audiência que foi transferida para os canais temáticos.
Entre os canais generalistas a TVI manteve a liderança das audiências apesar da sua quota ter passado de 27,5% para 25,7%; a SIC passou o seu share médio de 23,4% para 22,7% e tornou-se o segundo canal nacional; a RTP1 baixou o seu share de 24,2% para 21,6%, enquanto a RTP2 passou a sua audiência de 5,3% para 4,5%.
Todos os canais generalistas baixaram as suas audiências, mas foi a RTP que teve a maior queda, passando do segundo para a terceira posição no ranking das audiências televisivas. Este resultado é um desastre empresarial e revela a enorme mediocridade daquela gente toda.
Sabendo-se que a RTP recebe muitos milhões de euros de indemnizações compensatórias – um milhão de euros por dia – o que lhe permite pagar salários milionários àquela gente, conforme tantas vezes tem sido revelado na Imprensa, era de esperar uma programação de qualidade que atraisse audiências. Que formasse e informasse. Afinal, a RTP e aquela gente – catarinas, mendes, silvias, malatos, baiões e outros figurões – não estão à altura do esforço dos contribuintes. Talvez porque ganhem demais. Talvez porque se auto-convenceram. Talvez porque não prestem.
É a televisão que (não) merecemos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012 é um ano de incerteza total

O ano de 2011 foi marcado na Europa pela crise do euro e pela implosão do modelo social europeu e, no mundo, por acontecimentos tão diversos como a tragédia de Fukushima, a primavera árabe, o declínio americano, a turbulência russa e a afirmação de poder chinês.
Ao entrarmos no novo ano de 2012, temos pela frente um quadro de incerteza total, como titula o Diário Económico. As dificuldades são evidentes na generalidade dos países e sobre o mundo paira o fantasma da instabilidade financeira e da recessão económica. Lemos as opiniões e ouvimos os comentários dos analistas, que nos dizem uma coisa e o seu contrário, sempre com um ar convencido de quem tudo sabe e nunca tem dúvidas, mas sempre com um prognóstico muito reservado.
A União Europeia está à deriva, com a Dinamarca a assumir a presidência depois da Polónia, sem que qualquer deles sequer pertença à Zona Euro. Na Alemanha diz-se que 2012 será seguramente mais difícil do que o ano que passou. No Reino Unido é pedida mais acção para combater os excessos da banca e para colocar de pé a economia. Na Itália, na Espanha e na Grécia a dificuldade é grande e a austeridade é severa. O fim da moeda única e a desagregação da Zona Euro podem estar no horizonte.
Por cá, num contexto internacional que não nos é favorável, temos um ano muito difícil e cheio de incertezas pela frente. A austeridade e os sacrifícios estão aí. Há um medo generalizado em relação ao futuro e as grandes ameaças são o desemprego e o empobrecimento colectivo, mas também a fragmentação social.
É necessário ultrapassar algum fatalismo que nos está a dominar, com confiança, determinação e optimismo, mas não creio que as mensagens de Ano Novo sejam mobilizadoras para os portugueses.
Estamos perante uma oportunidade de mudar de vida e de corrigir os erros cometidos desde 1987, quando os nossos políticos – e muitos deles continuam por aí - se deslumbraram e nos deslumbraram com a abundância europeia. São tempos difíceis!