domingo, 20 de maio de 2012

Volvo Ocean Race em Lisboa

Largou hoje de Miami em direcção a Lisboa, a sétima etapa da regata Volvo Ocean Race 2011-2012, que é considerada a volta ao mundo à vela e um dos cinco maiores certames desportivos a nível mundial. Nesta etapa serão percorridas em 11 dias as 3.590 milhas da travessia atlântica. A regata permanecerá depois na Doca de Pedrouços em Lisboa, entre os dias 31 de Maio e 10 de Junho, onde ficará instalado o Race Village da competição, que contará com uma programação especial de animação, de entrada livre. É a primeira vez que esta famosa regata, que está a cumprir a sua 11.ª edição, escala Lisboa que, desta forma, é a única capital europeia que faz parte deste prestigiado circuito mundial. A regata tem uma projecção mediática à escala planetária, sendo transmitida para um universo de mais de mil milhões de pessoas. São seis veleiros em prova tripulados por seis dezenas dos melhores velejadores de quinze países. Actualmente, a classificação é dominada pelos espanhóis da Telefónica, pelos franceses da Groupama e pelos neo-zelandeses da Camper. A 10 de Junho, a Volvo Ocean Race 2011-2012 seguirá para Lorient (França), antes da largada em direcção à meta final em Galway (Irlanda), completando-se um percurso de 39 mil milhas náuticas ou mais de 70 mil quilómetros, à volta do planeta. A presença da Volvo Ocean Race em Lisboa é um acontecimento muito prestigiante e é um importante contributo para a melhoria da imagem de Portugal no mundo e para a projecção de Lisboa como destino turístico. Durante vários dias Portugal será falado no mundo por causa da vela e não por causa de qualquer crise que atormente a nossa sociedade ou a nossa economia.

Taur Matan Ruak

Decorreram em Timor-Leste as festas comemorativas da passagem do décimo aniversário da restauração da sua independência, que se verificou no dia 20 de Maio de 2002. Numa altura em que ainda estão bem presentes na nossa memória as dolorosas etapas que, desde 1974 até à actualidade, levaram à construção do Estado timorense, a celebração desta efeméride tem todo o sentido no plano simbólico, quer em Timor-Leste, quer em Portugal. A história recente da ilha do crocodilo e do povo timorense é uma grande epopeia. Depois da turbulência do período de descolonização e do abandono português, aconteceu uma guerra civil a que se seguiu a brutal invasão e ocupação indonésia, com as cumplicidades americana e australiana. Embora martirizados pela guerra e pelos ocupantes, os timorenses resistiram nos meios urbanos e nas montanhas. Em Díli, no Matebian e no cemitério de Santa Cruz. Na rede clandestina e na luta armada. Com Nicolau Lobato e Konis Santana. Com Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak. O referendo de 1999 premiou a tenacidade e a coragem timorenses e o povo escolheu o seu próprio destino, embora algumas forças reaccionárias tivessem então destruído quase todo o património edificado em território timorense. Disse-se, então, que não houvera uma tão extensa destruição desde a 2ª guerra mundial. A comunidade internacional percebeu nessa altura que, embora encaixados entre a Indonésia e a Austrália, os timorenses tinham direito à sua identidade e à sua dignidade. Assim, a efémera independência que tinha sido declarada em 1975 foi restaurada em 2002. Depois de Xanana Gusmão e José Ramos-Horta terem ocupado a Presidência da República, no dia em que se comemoraram dez anos sobre a restauração da independência, esta passou a ser ocupada por José Maria Vasconcelos, casado com Isabel da Costa Ferreira. Porém, Vasconcelos não usa o seu nome de baptismo e mantém o nome de guerra que usou durante a luta armada: Taur Matan Ruak.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Olivença e as utopias ibéricas

O semanário O Clarim foi fundado em Macau no ano de 1943 e é propriedade da Diocese de Macau mas, embora não seja a sua voz oficial, é um instrumento de divulgação da doutrina da Igreja Católica e do pensamento cristão na região de Macau. Porém, o semanário também é um dos jornais macaenses que continua a publicar-se em português e esse facto, só por si, torna-o um farol da cultura portuguesa naquela região da República Popular da China. Surpreendentemente, a sua última edição é ilustrada com uma fotografia da belíssima porta manuelina do Palácio dos Duques de Cadaval em Olivença e com o título: “Macau é solução para Olivença”. A cidade de Olivença constitui uma ferida nas relações ibéricas. Situada na margem esquerda do rio Guadiana, foi ocupada em 1801 pelas tropas espanholas concertadas com as tropas napoleónicas, durante a chamada guerra das Laranjas. Porém, o Congresso de Viena assinado em 1815, inclui uma Acta Final em que a Espanha reconhece os direitos de Portugal sobre as localidades por ela tomadas de assalto, embora nunca tivesse libertado Olivença. Oficialmente, o governo português não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença e, muito timidamente, considera aquele território “português de jure”, mas também há muitas outras opiniões que insistem que Olivença deveria ser reintegrada no território português. Uma dessas vozes é do Grupo dos Amigos de Olivença, cujo presidente defendeu que a reintegração de Olivença nos mapas político e geográfico de Portugal deverá ser feita “através de uma fase de transição de 20 a 30 anos”, num processo idêntico ao de “Hong Kong e Macau”. Talvez por essa analogia, o semanário macaense destacou este complexo assunto ibérico para a sua primeira página, que é muito semelhante às reivindicações marroquinas sobre Ceuta e Melilla e à reivindicação espanhola sobre Gibraltar. São processos históricos ibéricos que o tempo transformou em utopias, porque a vontade das populações está hoje acima de quaisquer direitos históricos, sejam eles portugueses, espanhóis ou marroquinos.

Fatima rassemble les Portugais

O jornal luxemburguês Le Quotidien destaca na sua edição de hoje, em primeira página, que "Fatima rassemble les Portugais" ou, escrito em português, que Fátima reúne os portugueses. Trata-se da notícia da peregrinação anual da comunidade portuguesa ao santuário de Nossa Senhora de Fátima em Wiltz, uma vila de menos de 5 mil habitantes que se situa na região das Ardenas, a norte do Grão-Ducado do Luxemburgo. O santuário foi construído por iniciativa de um grupo de paroquianos de Wiltz que, durante a famosa batalha das Ardenas, ocorrida no inverno de 1944-45, esteve escondido numa cave e que prometeu construir um santuário numa colina da vila, caso saissem daquela situação com vida. A promessa foi cumprida e o santuário foi inaugurado em 1952. No entanto, só em 1968 recebeu a sua peregrinação oficial, constituída por uma centena de pessoas, quase todas da comunidade portuguesa emigrada no Luxemburgo desde os anos 1960. A ideia consolidou-se e a peregrinação transformou-se numa grande festa portuguesa que se passou a realizar anualmente no Dia da Ascensão. Segundo referem as notícias, mais de vinte mil católicos na sua maioria portugueses, participam nesta peregrinação, "invadindo" a pacata vila e bloqueando-a com os seus automóveis. Para além de manifestação de fé, a peregrinação ao Sanctuaire de Notre-Dame de Fatima – Wiltz é também um encontro de famílias, uma confraternização de patrícios e uma grande festa popular à boa maneira portuguesa, com os indispensáveis farnéis e as bifanas grelhadas, a música portuguesa dos barreiros e dos emmanuéis, as futeboladas e até bailaricos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

A Casa dos Estudantes do Império

No prédio localizado na esquina da Avenida Duque de Ávila com a Rua Dona Estefânia, no Bairro do Arco do Cego em Lisboa, entre 1943 e 1965, esteve instalada a Casa dos Estudantes do Império. A Casa dos Estudantes do Império foi criada pelo regime do Estado Novo e sucedeu à Casa dos Estudantes de Angola, que reunia estudantes angolanos, maioritariamente filhos de colonos e de funcionários daquela colónia, que estudavam em Portugal. A casa tinha a missão de apoiar social e logisticamente os estudantes oriundos das colónias portuguesas e até do Brasil, com um refeitório e assistência médica, além de promover actividades culturais e desportivas. Apesar de ser financiada pelo Estado português e de ter objectivos sociais, a Casa dos Estudantes do Império tornou-se o berço do nacionalismo das ex-colónias em Portugal e por ela passaram, em Lisboa e em Coimbra, os mais destacados líderes dos movimentos de libertação africanos como Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Lúcio Lara, Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos, Joaquim Chissano, Francisco Tenreiro, Luandino Vieira, José Craveirinha, Aquino de Bragança, Paulo Jorge, Iko Carreira e muitos outros. As actividades políticas dos estudantes geraram as perseguições da PIDE e o risco de prisão, numa altura em que as actividades contra o regime político se tinham acentuado. Depois, o início da luta armada em Angola despertou muitos entusiasmos, pelo que muitos estudantes se exilaram para se integrarem nos movimentos de libertação. Ficou célebre a fuga para o exílio de cerca de uma centena de estudantes que aconteceu em 2 de Junho de 1961. Em 1965 o governo decidiu encerrar definitivamente a Casa dos Estudantes do Império. Em 1992, a Câmara Municipal de Lisboa decidiu colocar uma placa encastrada no pavimento da rua, para chamar a atenção para um local por onde passaram muitas figuras da resistência anti-colonial e que vieram a tornar-se os principais dirigentes dos respectivos países.

Um ano de troika

O jornal Público lembra-nos hoje que o Memorando de Entendimento com a troika foi assinado há um ano. Porém, sobre os resultados alcançados até agora, vamos ouvindo de tudo – do melhor e do pior. A análise dos indicadores é pouco conclusiva, mas as oscilações do discurso político, a teimosia governativa, a lógica do bom aluno e a arrogância tecnocrática, são deveras preocupantes. Hoje, é evidente que eles não conheciam a situação, nem tinham soluções como tantas vezes afirmaram. O que mostraram em desmedida ambição, faltou-lhes em competência e bom senso. Instalaram-se e não cuidaram de dar bons exemplos que fossem mobilizadores para a sociedade. Pelo contrário. A necessária austeridade revelou-se demasiado severa para os mais débeis. Os sacrifícios estão muito injustamente distribuidos. O desemprego disparou e a pobreza é cada dia mais evidente aos nossos olhos nas nossas ruas. A emigração voltou a ser uma saída para os portugueses. Há um ar de decadência social e um ambiente muito tenso na sociedade, agravado pelos ventos que vêm da Grécia e da Espanha. O equilíbrio social é muito instável e o equilíbrio político está ameaçado. A confiança e a esperança estão a perder-se. Eles fecham-se porque se saem à rua são vaiados. Neste quadro ocorre-me transcrever a estrofe 97 do Canto IV d’Os Lusíadas e, por alguns instantes, fazer de "velho do Restelo": A que novos desastres determinas/ De levar estes reinos e esta gente?/ Que perigos, que mortes lhe destinas/ Debaixo dalgum nome preminente?/ Que promessas de reinos, e de minas/ D'ouro, que lhe farás tão facilmente?/ Que famas lhe prometerás? que histórias?/ Que triunfos, que palmas, que vitórias?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Austeridade e sacrifício não são para todos

A edição de hoje do jornal Público revela que em 2011, apesar da crise, nas empresas que integram o PSI-20 as remunerações dos seus presidentes executivos subiram 5,3% e as das administrações executivas subiram 1,7%, totalizando respectivamente 17,6 e 66,6 milhões de euros. No mesmo período, a média salarial dos trabalhadores dessas empresas caiu quase 11%, o que significa que os salários dos gestores das empresas cotadas na Bolsa de Lisboa não seguiram a tendência geral de perda de rendimentos que se verificou em 2011. Assim, estes números revelam que os sacrifícios pedidos aos portugueses estão a ser feitos apenas pelos trabalhadores e pelos pensionistas, enquanto os gestores multiplicam rendimentos e mordomias. Num quadro que evidencia o que se passou em cada empresa do PSI-20, verifica-se que em média os seus presidentes ganharam 44 vezes mais do que os trabalhadores, quando em 2010 esse diferencial tinha sido de 37 vezes. Os casos mais escandalosos são a PT, onde o salário dos seus gestores foi 127 vezes superior ao que é pago aos seus trabalhadores, seguindo-se a Jerónimo Martins (Pingo Doce e outros) com salários que são 110 vezes superiores ao da média dos empregados e, em terceiro lugar, a SONAE que paga aos seus administradores 71 vezes mais do que paga aos seus trabalhadores. Uma verdadeira sociedade feudal. Assim, ficamos bem esclarecidos: a crise não é para todos! Os gananciosos da banca, os instalados das grandes empresas e os assessores dos gabinetes ministeriais continuam a orientar-se, a aproveitar-se da situação e a enriquecer. É um fartote. É a pilhagem dos abutres. E depois, são eles que também vêm defender a austeridade e os cortes salariais. E que afirmam que temos vivido acima das nossas possibilidades. Entretanto, o contabilista Gaspar e os seus amigos calam-se. A austeridade e o sacrifício são para os mais fracos e mais débeis. Que valentões!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma pedrada no charco

Mário Soares deu uma entrevista ao jornal i que foi publicada ontem, na qual faz algumas declarações polémicas, designadamente quando afirma que “o PS tem de romper com a troika”. Neste momento, se tal se verificasse, seria uma verdadeira bomba atómica que iria agravar ou mesmo inviabilizar a estratégia de credibilização das nossas finanças públicas, que tem sido seguida pelo governo e que tanto tem agradado aos chamados mercados. Porém, quando a sabedoria e a experiência de Mário Soares faz esta controversa declaração, torna-se porta-voz de uma maioria sociológica que rejeita as imposições externas, a arrogância governativa e a austeridade cega, bem como a feroz perseguição que está a ser feita aos trabalhadores, aos pensionistas, aos desempregados e ao pequeno comércio, ao mesmo tempo que se protegem os mais poderosos. A entrevista de Mário Soares foi uma pedrada no charco! A tese governamental de ausência de alternativa à sua política foi posta em causa por quem sabe e tem a lucidez de ver para além da propaganda e do seguidismo dos boys, dos mini-boys e até dos old boys. Foi um aviso muito sério, até porque os resultados da governação estão a empobrecer a sociedade e a afundar o país, como todos observamos a cada esquina. Menos controversa é a declaração de que “a austeridade deveria começar no governo e não nas pessoas e, sobretudo, não nos pobres e nos desempregados”. Outra declaração que também não é controversa é a de que “nós não podemos acabar com o Estado social. Se acabamos com o Estado social e passamos para um Estado liberal, o desenvolvimento da Europa desaparece”. Embora a entrevista de Mário Soares tenha aspectos muito controversos e discutíveis, ela foi de facto um aviso à navegação e uma pedrada no charco.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

World Press Photo 2012

A exposição World Press Photo 2012, a maior exposição de fotojornalismo a nível mundial, está patente ao público até ao próximo dia 20 de Maio no Museu da Eletricidade, em Lisboa, com as 160 imagens premiadas no maior concurso internacional de fotojornalismo. A 55ª edição do World Press Photo premiou este ano 57 fotógrafos de 24 nacionalidades, em nove categorias diferentes, tendo recebido a candidatura de 101.254 fotografias de 5247 fotógrafos, oriundos de 124 países. O vencedor absoluto do concurso foi o fotógrafo espanhol Samuel Aranda, que concorreu com um retrato de uma mulher coberta por um véu integral, que abraça um familiar ferido em consequência dos confrontos que ocorreram no Iémen. A imagem foi captada dentro de uma mesquita utilizada como hospital durante os confrontos entre a polícia e os manifestantes contrários ao regime do presidente Ali Abdullah Saleh, tendo sido utilizada como retrato simbólico da "Primavera Árabe". Para além deste tema que se destaca, estão fotograficamente representados outros temas relevantes do ano de 2011, como o tsunami ocorrido no Japão e o acidente da central de Fukushima, o massacre da ilha norueguesa de Utoya, as execuções públicas no Irão, a perseguição aos rinocerontes no sul da África, a guerra do Afeganistão e, ainda, a luta pela preservação da natureza, diversas facetas do desporto e vários dramas sociais que se verificam um pouco por todo o mundo. As fotografias apresentadas têm um indiscutível valor estético e artístico e, na sua apresentação, têm um texto explicativo associado a cada uma, o que permite uma melhor apreensão do contexto em que foi obtida e transforma a exposição numa retrospectiva dos grandes acontecimentos do ano de 2011. É, por isso, uma exposição que se recomenda vivamente.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Há uma brisa a soprar na Europa

As eleições francesas determinaram a escolha de François Hollande como o novo Presidente da República Francesa, mas sobretudo representaram um sinal de esperança e de alento não só para os franceses, mas também para uma Europa que tem sido humilhada por dolorosas políticas de austeridade, com o aumento da recessão, do desemprego e da pobreza. Nos anos mais recentes, perante a crise financeira que nasceu do outro lado do Atlântico, o eixo franco-alemão representado pela aliança entre Merkel e Sarkozy, decidiu ilegitimamente impor-se no espaço europeu, subalternizando a soberania dos Estados e a autonomia das próprias instituições financeiras internacionais. As políticas neo-liberais adoptadas têm protegido os mercados financeiros especulativos, através de receitas de austeridade muito severas e de enormes custos sociais. Assim se instalou uma gravíssima crise económica e social. Assim se tem posto em causa o modelo social europeu. Assim se instalou um clima de decadência. O slogan de Merkel, Sarkozy e seus aliados bem poderia ser: “Os pobres que paguem a crise”. Perante o princípio intransigente de que não há alternativa à austeridade, a eleição de François Hollande significa que há outros caminhos para enfrentar a crise e que há uma brisa a soprar na Europa. Ainda não é um vento que permita bolinar e mudar de rumo, mas já é uma brisa de esperança. Por cá, esta vitória também trouxe alento a muita gente e foi uma grande bofetada para o lamentável seguidismo e a arrogância tecnocrática dos nossos eleitos e dos seus amigos que, cegos e surdos, nem parecem saber o que se está a passar no nosso país.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

José Mourinho, português de excelência

A equipa do Real Madrid, comandada pelo português José Mourinho, assegurou a vitória na Liga Espanhola de Futebol, quebrando um ciclo de três vitórias consecutivas do rival Barcelona. A enorme rivalidade futebolística entre as equipas mais representativas das cidades de Madrid e Barcelona, dá sempre origem a grandes explosões de alegria. Assim aconteceu mais uma vez, agora em Madrid. Porém, apesar da equipa do Real Madrid incluir alguns campeões do mundo como Casillas, Ramos e Alonso e vários jogadores portugueses como Ronaldo, Pepe e Coentrão, os adeptos e a comunicação social elegeram José Mourinho como o seu herói e o ícone do sucesso. A vitória agora obtida em Espanha junta-se às vitórias que já alcançara em Portugal, na Inglaterra e na Itália, tornando-o um caso raro ou mesmo um fenómeno no mundo do futebol, ao tornar a função de treinador de futebol num verdadeiro caleidoscópio de inteligência, estratégia, rigor, disciplina, sabedoria, psicologia, liderança, arte e até de técnica futebolística. O diário El Pais puxou para a sua primeira página a fotografia de Mourinho a ser levantado pelos jogadores e a generalidade dos jornais espanhóis reproduziram nas suas capas a mesma fotografia. Nunca um português foi tão festejado em Espanha!

Haja mais contenção na CGD!

A Caixa Geral de Depósitos divulgou o seu relatório de 2011 sobre o governo do banco, no qual revela os seus principais elementos de gestão e os seus custos e, neste aspecto, a administração distingue-se pela voracidade com que se abona. Poderia esperar-se mais contenção no banco do Estado, mas aquela gente julga-se protegida pelas muralhas de um castelo feudal, deixando que os sacrifícios fiquem para os seus servos. E acumula lugares e lugares. Negócios e negócios privados. Parece a Idade Média! De facto, no mandato que iniciaram a 23 de Julho de 2011, os oito membros da administração da CGD, só em remunerações receberam 713 mil euros, mais quase 51 mil euros em gastos com comunicações móveis, mais cerca de 7.500 euros em subsídio de refeição e mais 131.305 euros relativos ao regime de protecção social, isto é, contribuições para a Segurança Social e para o fundo de pensões do banco. Tudo somado, a administração da CGD representou um custo de 903 mil euros em seis meses. Porém, naqueles custos não estão incluídos os custos correspondentes aos automóveis e aos motoristas. Também nesse aspecto se poderia esperar mais contenção no banco do Estado, mas aquela gente não prescinde de viaturas topo de gama, custando quase cem mil euros cada uma - Mercedes S320, Mercedes E350, BMW 535, Audi A7 e Audi A6. Supostamente, não há ilegalidade nestes comportamentos de novo-riquismo que vêm do tempo das “vacas gordas”. Porém, na grave situação social que atravessamos e que a CGD bem conhece, tudo isto é altamente censurável. É uma pouca vergonha. Haja mais contenção na CGD!

O mercado da arte é um porto seguro

Ontem em Nova York, a Sotheby’s levou a leilão uma das quatro versões do quadro O Grito do norueguês Edvard Munch (1863-1944), que foi adquirido por um comprador anónimo pela importância de 119,92 milhões de dólares, tornando-se a mais cara obra de arte adquirida num leilão. O quadro foi pintado em 1895 e pertencia a um coleccionador privado norueguês, cujo pai foi amigo e mecenas do pintor. Das restantes versões de O Grito, duas estão na posse do Museu Munch, em Oslo, enquanto a terceira pertence à Galeria Nacional, também na capital norueguesa. Em tempo de crise económica é curioso verificar como não faltam capitais nem interessados no mercado da arte. O anterior valor máximo de uma venda de arte em leilão pertencia a um quadro de Picasso - o Nu no Atelier do Escultor - que alcançou 106,48 milhões de dólares num leilão realizado em 2010 pela Christie's. No mesmo ano, a escultura O Homem que Caminha, de Alberto Giacometti, atingira 104,32 milhões de dólares, num leilão da Sotheby's em Londres. Como curiosidade refere-se que, tanto quanto sabemos, o valor máximo alguma vez realizado num leilão de arte por obras de autores portugueses aconteceu em 2011 em Paris, quando o quadro Saint-Fargeau de Maria Helena Vieira da Silva foi vendido por 1.544.701 euros. Estes montantes parecem revelar que, em tempo de crise e de incerteza global, o mercado da arte continua a ser um porto seguro para muitos investidores.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Futebolistas goeses são campeões na Índia

Termina esta semana a I-League da All India Football Federation (AIFF) em que participaram 14 equipas, quatro das quais são originárias de Goa. O actual campeão – Dempo Sports Club – já assegurou a revalidação do título nacional que, desde 2007, isto é, nas últimas cinco épocas, tem sido conquistado por equipas goesas – o Churchill Brothers SC (de Margão) e o Salgaocar SC (de Vasco da Gama), uma vez cada um, e o Dempo SC (de Pangim) três vezes, incluindo o campeonato que agora termina. Num país onde o cricket é o desporto nacional, é relevante verificar-se que em Goa o desporto-rei é o futebol, o que representa uma das mais curiosas heranças culturais portuguesas, mas também uma das boas memórias lusitanas. O plantel do Dempo SC tem 29 jogadores, onde se incluem dois nigerianos, um japonês e um iraniano. Os outros 25 jogadores têm nacionalidade indiana e são os seguintes: L. Barreto, S. Chowdhury, L. Kattimani, C. Antao, J. Dias, S. Fernandes, M. Gawli, Covan Lawrence, S. Naik, D. Noronha, M. Peixoto, S. Pires, V. Rebello, R. Rodrigues, D. Roy, J. Abranches, P. Carvalho, M. Fernandes, G. Franco, Climax Lawrence, C. Miranda, A. Pereira, J. Rodrigues, J. Ferrao e C. Gonsalves. Desde o ano de 2000 que o treinador da equipa é Armando Colaso. (Note-se que os teclados indianos não usam o til nem o c cedilhado) A herança cultural portuguesa exprime-se em Goa através de diversas formas, desde a língua ao património construído, mas o futebol e a paixão intensa que desperta, sobretudo no sul de Goa, são indiscutivelmente uma das mais fortes marcas da cultura imaterial deixada pelos portugueses. E é bem curioso verificar a quantidade de jogadores com apelidos de origem portuguesa, que parece ser bem superior há que encontramos na maioria das nossas próprias equipas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Portugal na História da Europa e do Mundo

A edição portuguesa de Portugal na História da Europa e do Mundo, da autoria do historiador britânico Malyn Newitt, é mais uma obra que aparece nas livrarias sobre a história de Portugal. A crítica especializada considera-o um estudo sério, mas não lhe foi muito favorável apesar do seu autor ser um reputado professor de História no Departamento de Estudos Portugueses do King’s College, em Londres, argumentando que os seus diferentes capítulos são desequilibrados e que a análise é superficial. Ora o livro pretende dar uma visão genérica da história portuguesa integrada numa dinâmica europeia, em que muitas vezes e, especialmente em momentos determinantes, serviu de instrumento da política das potências europeias e, de forma mais especial, da Grã-Bretanha. O livro mostra claramente a importância que Portugal teve na Europa ao longo do tempo e lê-se com muito interesse. Escrito por um estrangeiro e publicado originalmente no estrangeiro, o livro de Malyn Newitt presta um grande serviço à difusão da história de Portugal, que é pouco conhecida no mundo e que, lamentavelmente, também não é conhecida pelas nossas elites políticas. O livro termina de uma forma muito elogiosa relativamente às transformações que surgiram em Portugal “após a euforia da Revolução de Abril de 1974 e da retirada de África”, em que o autor enaltece “a gama impressionante de publicações sobre História e trabalhos de investigação” que foram produzidas no âmbito da Comissão dos Descobrimentos.