terça-feira, 29 de novembro de 2016

União de forças e de interesses ibéricos

Apesar de durante séculos termos trocado princesas com os espanhóis, o processo histórico gerou uma enorme rivalidade entre os dois países ibéricos, que muitas vezes se guerrearam e quase sempre viveram de costas um para o outro. Dizia-se mesmo que de Espanha nem bom vento, nem bom casamento. A herança de Tordesilhas que orientou os espanhóis para a América Latina e os portugueses para a África e o Oriente, a juntar à vocação de cada um dos países, mais marítima a portuguesa e mais continental a espanhola, acabou por determinar percursos históricos distintos, embora muitas vezes bem mais próximos do que parece.
O facto é que, actualmente, sob os pontos de vista demográfico e económico, mas também sob o ponto de vista cultural, os dois países ibéricos têm um lugar destacado no mundo, com os seus idiomas a serem falados por muitos milhões de pessoas. Porém, os poderes hegemónicos europeus não têm compreendido essa realidade e daí que esteja a nascer uma vontade ibérica de cooperação mais efectiva, como reacção à arrogância do norte e do centro da Europa, que é independente das cores partidárias que governam cada um dos países. Para além da vizinhança geográfica, das raízes culturais comuns e da semelhança das suas crises conjunturais, os dois países parecem querer afirmar-se cada vez mais como uma comunidade de interesses e querem mostrar que a união faz a força. O tempo em que os espanhóis nos consideravam demasiado pequenos e em que os portugueses não esperavam de Espanha nem bom vento nem bom casamento, já pertence ao passado. Republicanos ou monárquicos, mais à esquerda ou mais à direita, o futuro ibérico passa por uma união de forças e de interesses.
Os Reis de Espanha vieram visitar oficialmente Portugal e estão a ser recebidos com um invulgar afecto por parte dos portugueses e o diário ABC destaca na sua edição de hoje essa visita, fazendo referência exactamente a essa necessária união de forças e de interesses ibéricos perante a Europa e a América. 

domingo, 27 de novembro de 2016

Lágrimas de dor e lágrimas de crocodilo

Fidel de Castro morreu ontem com 90 anos de idade e a sua morte foi noticiada em todo o mundo de uma forma pouco habitual, pois a sua fotografia encheu as primeiras páginas de muitas dezenas de jornais da Europa e da América Latina, mas também nos Estados Unidos como sucedeu com o diário nova-iorquino Daily News.
A imprensa chamou-lhe líder histórico, último revolucionário e ícone do século XX, mas também ditador e tirano. A sua morte foi celebrada por uns, mas foi chorada por muitos mais, alguns com sentidas lágrimas de dor e, outros, com lágrimas de circunstância ou lágrimas de crocodilo.
Nascido em 1926 e licenciado em Direito pela Universidade de Havana, comandou no dia 26 de Julho de 1953, com apenas 26 anos de idade, o assalto de 165 homens o assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, numa tentativa para derrubar o governo do ditador Fulgêncio Baptista. A maioria dos assaltantes foi morta e Fidel de Castro foi preso. Tendo assumido pessoalmente a sua defesa no julgamento, terminou o seu depoimento com a frase “a história me absolverá”. Depois de libertado exilou-se no México mas dois anos depois regressou a Cuba  a bordo do iate Granma com 82 homens, incluindo Che Guevara, Camilo Cienfuegos e Raul de Castro, tendo desembarcado na ponta oriental da ilha no dia 2 de Dezembro de 1956. Dirigiu depois a luta contra o regime cubano a partir da Sierra Maestra e, no dia 8 de Janeiro de 1959, a revolução cubana triunfara. Fidel de Castro entrou em Havana e o ditador Baptista deixou o país. Tinha apenas 32 anos de idade! A sua epopeia guerrilheira foi saudada pelos jovens de todo o mundo.
Durante mais de 50 anos El Comandante  “mandou” em Cuba, promovendo grandes avanços sociais e resistindo a várias tentativas de assassinato, ao bloqueio económico americano e às pressões contra-revolucionárias. Como ele próprio profetizou no julgamento de Moncada, a história o absolverá, ou não, mas certamente que lhe guarda um lugar de destaque como um símbolo de um sonho revolucionário e de um homem controverso que dividiu o mundo entre paixões e ódios.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Um impressionante dilúvio sobre Darwin

A Austrália é um estado federal com seis estados federados e três territórios autónomos, um dos quais é o Northern Territory cuja capital é Darwin, que é a cidade australiana mais próxima de Timor Leste. Aquela região do litoral norte australiano foi visitada em 1838 por John Clements Wickham, o comandante do HMS Beagle, quando fazia o seu levantamento hidrográfico e que decidiu baptizar a baía onde fundeou com o nome de Port Darwin, em homenagem ao famoso naturalista Charles Darwin que era seu amigo e que, entre 1831 e 1836, embarcara naquele mesmo navio.
O Northern Territory tem uma extensão de 1420 km2 (15 vezes maior que Portugal) e apenas 200 mil habitantes, sendo uma região de clima tropical e, portanto, muito sujeita a tempestades e ciclones.
Segundo o jornal NT News que se publica em Darwin, no corrente mês de Novembro têm-se sucedido chuvas torrenciais e a precipitação média que em Novembro é de 141 mm, já esta semana tinha atingido 185 mm, quando ainda faltava mais de uma semana para acabar o mês.
O jornal publicou na sua primeira página uma impressionante imagem captada pelo fotógrafo amador Thomas Peck, que tendo viajado por todo o mundo “nunca viu nada que se comparasse ao dilúvio que se abateu sobre Darwin” há dois dias. Também nós, mesmo quando andamos por regiões tropicais, nunca vimos uma trovoada como aquela que nos mostra a bela fotografia de Thomas Peck.

Marcelo e Costa têm inspirado confiança

A edição de hoje do jornal Público destacou as fotografias sorridentes de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa, tendo escolhido como título a frase “Marcelo elogia primeiro ano de Costa”.
O Presidente da República e o Primeiro Ministro nunca esconderam que, embora sejam oriundos de partidos políticos diferentes, sempre se deram bem e, por si só, esse facto transforma a nossa vida política. O ambiente de confiança, de paz social e até de alegria que hoje se vive na sociedade portuguesa, contrasta com o pessimismo, a crispação permanente e o conformismo dos tempos da parelha Cavaco-Passos, sem esquecer o irrevogável Portas, que agora anda a facturar aquém e além fronteiras, numa ânsia/ganância por dinheiro.
O improvável aconteceu em Portugal, isto é, constituiu-se uma maioria parlamentar que suporta um Governo que acabou com aquela coisa do “arco da governação” e elegeu-se um Presidente da República que nem fez campanha e de quem muitos desconfiavam quanto à sua estabilidade emocional para ocupar o Palácio de Belém. Ao fim de um ano, ninguém tem dúvidas sobre o bom andamento do país, com a economia a crescer, o desemprego a diminuir, o défice orçamental controlado abaixo dos 3%, os problemas do sistema financeiro em vias de resolução e com uma baixíssima taxa de conflitualidade social. Como dizia o 1º Ministro do Luxemburgo “tudo vos corre bem e até ganham o Europeu de Futebol, elegem um dos vossos para Secretário-Geral das Nações Unidas e organizam a Websummit 2016 em Lisboa”.
Naturalmente que há problemas em Portugal, mas os resultados obtidos em contra-ciclo com a Europa são notáveis. Apesar das incertezas do mundo, a confiança e a estabilidade social parecem estar firmes neste canto ocidental da Europa e, ao contrário do que sucedia há um ano, hoje temos muitos mais optimistas do que cépticos. Marcelo Rebelo de Sousa não se esquivou como fazia o seu antecessor de triste memória e elogiou o governo e os resultados que obteve. Que assim se mantenham por muito mais tempo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Há uma revolução fiduciária na Índia

No passado dia 10 de Novembro à noite, o primeiro-ministro indiano Narendra Modi anunciou ao país pela televisão que as notas de 500 e de 1000 rupias (6,76 e 13,52 euros), deixavam de ser aceites, como medida para lutar contra a corrupção e o mercado negro. Muitos milhões de  indianos foram apanhados desprevenidos por esta medida imprevista e radical. Segundo afirmou na sua mensagem televisiva, “o dinheiro negro e a corrupção são os maiores obstáculos à erradicação da pobreza”, mas o objetivo das autoridades indianas vai mais longe e visa travar as práticas de lavagem de dinheiro, numa sociedade onde a maior parte das transações são feitas em dinheiro vivo. Até ao fim do ano os possuidores das notas retiradas de circulação ainda poderão depositá-las nos bancos para serem trocadas pelas novas notas, mas quem apresentar uma quantidade avultada das mesmas tornar-se-á alvo de investigação pelas autoridades fiscais indianas.
As pessoas assustaram-se, mas as autoridades esperam que a decisão traga muitos milhões à economia e ao sistema fiscal indiano, que têm sido muito afectados por estes fenómenos. A medida revelou-se uma verdadeira revolução fiduciária e gerou uma imediata falta de dinheiro vivo num país de quase 1300 milhões de habitantes, dos quais pouco mais de 10% possuem uma conta bancária onde possam depositar o dinheiro que ficou inutilizado a partir daquela noite. Por isso, as filas nos bancos e nas caixas multibanco tornaram-se intermináveis.
A medida provocou dois tipos de reacções opostas: 1) os que a defendem em nome do combate à corrupção, à lavagem de dinheiro e aos mercados negros; 2) os que a condenam por não ter previsto os seus efeitos sobre as comunidades rurais e sobre as classes mais pobres da sociedade indiana que constituem a maioria da sua população.
O assunto é tratado com grande detalhe por todos os mass media indianos. A revista Outlook é apenas um deles e trata o assunto como um pesadelo.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Economia cresce mas a dívida permanece

No próximo ano de 2017 a economia portuguesa vai entregar 4,3% do seu Produto Interno Bruto apenas para pagar juros da sua dívida pública. São mais de 8 mil milhões de euros e, em termos relativos, ninguém na Zona Euro é tão castigado como os portugueses.
O maior devedor europeu que é a Grécia pagará em juros apenas 3,2% do seu PIB, não só porque ainda está sob resgate das instituições internacionais, mas também porque já beneficiou de uma significativa reestruturação da sua dívida em prazos de pagamento e em redução de juros e montantes. A Itália que tem uma dívida maior do que a portuguesa em 2017 irá pagar cerca de 3,7% do seu PIB em juros da dívida pública. Verifica-se, portanto, que os contribuintes portugueses são os que mais pagam em juros da sua dívida entre os países da Zona Euro e que em 2017 o nosso país será um dos poucos que não conseguirão baixar a sua dívida que, em Setembro de 2016, atingiu o valor record de 133% do PIB, isto é, cerca de 244,4 mil milhões de euros. Paralelamente os juros da dívida têm subido e chegaram aos 3,9%, embora já tivessem recuado para os 3,71%. O jornal de Negócios trata hoje deste assunto.
Esta situação revela que não existe uma solidariedade europeia equitativa e que os abutres financeiros continuam a rondar o nosso país, apesar da grande estabilidade social e dos bons resultados económicos da actual governação, como a Comissão Europeia já reconheceu. Porém, quando questionado sobre a hipótese de ser renegociada a dívida portuguesa, um tal Dijsselbloem que usa o título de presidente do Eurogrupo, veio dizer que não há mais discussão quanto a uma possível renegociação dos juros da dívida portuguesa, alegando que Portugal e Grécia são casos diferentes.
Então não há quem cale este e todos os outros dijsselbloems que por aí andam, que não se cansam de nos extorquir a riqueza que produzimos?

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Pódio em português no Macau Grand Prix

O Grande Prémio de Macau, ou Macau Grand Prix como é conhecido nos meios automobilisticos internacionais, é uma competição motorizada que se realiza em Macau desde 1954 e que teve este ano a sua 63ª edição. Todos os anos, no mês de Novembro, muitos milhares de entusiastas pelas corridas de automóveis e motociclos, incluindo a Fórmula 3, dirigem-se para o território de Macau para assistir às provas do circuito da Guia que duram quatro dias. O circuito percorre as ruas da pequena cidade, intercalando algumas rectas mas, sobretudo, muitas e apertadas curvas, constituindo uma das maiores atracções turísticas de Macau.
Habitualmente mais de três centenas de pilotos participam nas diferentes provas do Grande Prémio de Macau que, na sua galeria de vencedores, inclui os nomes dos lendários Ayrton Senna e Michael Schumacker, entre outros ases do automobilismo mundial.
Ao longo do seu já longo historial apenas um português triunfara numa prova macaense, mas este ano aconteceu o inesperado, pois as duas principais provas do Grande Prémio de Macau foram ganhas por pilotos portugueses.
António Félix da Costa de 25 anos de idade, ao volante de um Dallara Volkswagen, repetiu o seu triunfo de 2012 na prova de Fórmula 3 e Tiago Monteiro de 40 anos de idade, ao volante de um Honda, triunfou na Corrida da Guia para Carros de Turismo. A comunidade portuguesa de Macau deve ter sentido uma enorme alegria com a vitória dos nossos compatriotas e, naturalmente, os jornais portugueses que se publicam em Macau também rejubilaram com este surpreendente resultado, tendo o jornal Tribuna de Macau dedicado a sua primeira página aos dois pilotos portugueses. Embora não seja fã destas provas, associo-me à satisfação dos portugueses de Macau por este resultado desportivo.

Corrupção é coisa que não falta no mundo

A Transparency International é uma organização ou movimento que luta contra a corrupção à escala mundial e que tem o seu secretariado em Berlim. Dispõe de uma rede de observadores em mais de uma centena de países, o que lhe permite conhecer as diferentes formas de corrupção que proliferam no mundo, “desde as mais pobres aldeias rurais da India até aos corredores do poder em Bruxelas”. Desde 1995 que a organização publica anualmente o Corruption Perceptions Index (CPI) que, através da ponderação de algumas variáveis, quantifica o nível de corrupção de cada país. Porém, este indicador é apenas isso, pelo que deve ser analisado com precaução e apenas com um significado tendencial, pelo menos até que haja outro melhor.
O CPI expressa-se de 0 a 100: um menor valor do CPI significa que o país é mais corrupto, enquanto um maior valor do CPI significa que o país é menos corrupto. O CPI 2015 foi agora publicado e, entre 168 países analisados, verifica-se que Portugal ocupa uma posição melhor do que quinze dos seus parceiros comunitários, incluindo a Espanha, a Itália  e a Grécia, tendo havido alguma melhoria de 2010 para 2015. É animador. Entretanto, o CPI 2015 coloca Angola na 163ª posição do ranking mundial com 15 pontos, tendo piorado desde 2010, quando obtivera 19 pontos. O jornal angolano O País reagiu por Angola ter sido colocada pela Transparency International entre os países mais corruptos do mundo, o que afecta a sua imagem externa.
Entretanto, a análise do CPI 2015 revela que, entre os países da CPLP, o seu posicionamento no ranking da corrupção é o seguinte: Portugal (28º com 63 pontos), Cabo Verde (40º com 55 pontos), São Tomé e Príncipe (66º com 42 pontos), Brasil (76º com 38 pontos), Moçambique (112º com 31 pontos), Timor Leste (123º com 28 pontos), Guiné-Bissau (158º com 17 pontos e Angola (163º com 15 pontos).
Segundo CPI 2015, o país menos corrupto do mundo é a Dinamarca (91 pontos) e o mais corrupto é a Somália (8 pontos).

domingo, 20 de novembro de 2016

O nacionalismo de Trump & Companhia

As eleições americanas que Donald Trump venceu foram marcadas por algumas palavras de ordem do tipo Make America great again e America First, que os comentadores internacionais têm repescado para criticar o anunciado reaparecimento de um nacionalismo americano que pode perturbar os actuais equilíbrios mundiais. Esta situação surge na linha de preocupações semelhantes que se vão acumulando na Europa e cujo exemplo maior é o Brexit, mas que se têm revelado também noutros países como a França, a Holanda, a Áustria, a Hungria, a Turquia e não só, onde por vezes se têm desafiado os limites da democracia em nome de um novo nacionalismo. De facto, a insatisfação das populações perante a incapacidade das lideranças políticas tem sido capturada por alguns movimentos nacionalistas, uns de direita e outros de esquerda, que agitam as bandeiras da ameaça externa, da acentuação das desigualdades, da corrupção generalizada, do aumento da pobreza, da degradação do ambiente e, de um modo geral, da incerteza no futuro. Esses movimentos, mais ou menos organizados, têm mobilizado as populações e os eleitores contra os establishment partidários, através do aparecimento de novos partidos ou da reinvenção dos que já existem. Assim, as ideias populistas proliferam. Embora o fenómeno ainda não seja bem conhecido como têm mostrado os enormes erros das sondagens, quer na Europa quer nos Estados Unidos, o facto é que dele já emergem figuras tão controversas como Donald Trump e outros que se vão afirmando na Europa, como a francesa Marine Le Pen, o inglês Nigel Farage ou o turco Recep Tayyip Erdoğan.
A mais recente edição da revista The Economist chamou esse tema à sua primeira página com um título e uma gravura em que se destaca uma marcha com Donald Trump, Vladimir Putin e Nigel Farage, que nos evocam exactamente o fenómeno do novo nacionalismo a que alguns têm chamado populismo, destacando que se trata de um “dangerous nationalism”. A revista considera o conceito muito escorregadio e separa o nacionalismo cívico que é conciliatório e apela a valores universais (o apoio às selecções de futebol ou as audiências papais, por exemplo) e o nacionalismo étnico que é agressivo, nostálgico e que invoca a história ou a raça para unir as nações, que tão maus resultados deu no passado.
Na realidade, este mundo está mesmo pouco recomendável...

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O programa A400M entrou em via normal

O primeiro avião de transporte militar táctico A400M Atlas, fabricado pela Airbus Defence and Space nas suas instalações de Sevilha, vai ser entregue à Força Aérea espanhola nos próximos dias. Esta entrega tem um grande simbolismo para a indústria e para a economia espanholas, uma vez que o programa A400M tem passado por muitas dificuldades, enfrentou muitos detractores e o seu sucesso comercial ainda não está garantido.
O programa foi lançado em Maio de 2003 e assentou num prévio acordo com sete países da NATO – Alemanha, França, Reino Unido, Espanha, Turquia, Bélgica e Luxemburgo – que asseguraram a compra de 180 unidades. Depois apareceu o interesse da África do Sul e da Malásia, tendo o volume total de encomendas atingido as 192 unidades. Porém, o primeiro voo de ensaio só aconteceu em 2009, com quase dois anos de atraso, pelo que a produção industrial só começou em 2011. A primeira unidade foi entregue à França em 2013, mas um acidente ocorrido no aeroporto sevilhano de San Pablo durante um voo de ensaio em Maio de 2015, atrasou ainda mais o programa e levantou dúvidas quanto à fiabilidade do projecto A400M. Nessa altura já estavam feitas três dezenas de entregas e, exceptuando a França, todos os países que já tinham recebido os aviões A400M suspenderam os seus voos por razões de segurança.
Os problemas detectados foram ultrapassados, a confiança no projecto foi recuperada e no ano de 2016 o ritmo de produção foi regularizado. A Espanha e a cidade de Sevilha sossegaram. O diário El Correo de Andalucia anuncia hoje que o primeiro dos 27 aviões encomendados pelo Ministério da Defesa espanhol vai ser entregue nos próximos dias, embora haja a intenção de ficar apenas com 14 na sua base de Saragoça e vender as outras 13 unidades a outros países.
Estima-se que o preço de cada avião seja da ordem dos 100 milhões de euros.
Não consta que a Airbus Defence and Space tenha recebido qualquer encomenda portuguesa.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma noite de luar diferente do costume

A capa do Oriental Morning Post (东方早报)
Ontem, na sua fase de Lua Cheia, o nosso satélite esteve mais próximo da Terra e pareceu maior do que o costume. No seu movimento elíptico de translação em volta da Terra, a Lua atingiu ontem o perigeu ou ponto mais próximo da Terra, tendo estado a cerca de 356 mil quilómetros do nosso planeta. Segundo os astrónomos, a Lua pareceu 14% mais larga e 30% mais brilhante do que o habitual, embora esse facto também fosse devido a uma ilusão óptica. Foi chamada, por isso, uma super-Lua e essa circunstância já não acontecia há 68 anos.  Em Portugal o céu esteve limpo e o fenómeno pode ser devidamente apreciado a partir das 17 horas e 50 minutos quando a Lua nasceu, mas também durante toda a noite. Para quem apreciou, foi uma noite de luar diferente, com o luminoso astro bem mais próximo de nós do que é habitual.
Hoje, a generalidade da imprensa internacional destaca nas suas primeiras páginas a fotografia da super-Lua, quase sempre captada junto de um qualquer ex-libris nacional, isto é, os americanos fotografaram a Lua junto da Estátua da Liberdade, os gregos junto da Acrópole e os galegos junto da Torre de Hércules.
O diário Oriental Morning Post (东方早报) que se publica em Shanghai, foi um dos muitos jornais que fotografaram a super-Lua, mas fizeram-no sobre as torres de grande modernidade arquitectónica da cidade de Shanghai, que é a maior cidade e o maior centro comercial e financeiro da China, mas também um símbolo da pujança económica chinesa.
Para quem esteve distraido e ontem não apreciou a super-Lua, poderá fazê-lo hoje em Portugal a partir das 18 horas e 40 minutos, porque o fenómeno só voltará a acontecer em Novembro de 2034.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

R.I.P. Alfredo Bruto da Costa

Faleceu hoje com 78 anos de idade o Professor Doutor Alfredo Bruto da Costa, um homem excepcional pela inteligência, pela cultura, pela bondade e pela generosidade. Era natural de Goa mas fixara-se em Portugal quando jovem estudante para frequentar o Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em Engenharia Civil, embora já nessa época tivesse forte envolvimento nas causas e movimentos sociais que tanto marcaram a sua exemplar vida cívica e o seu continuado serviço à comunidade e à causa pública. Veio, por isso, a ser designado para o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e, mais tarde, para exercer o cargo de Ministro dos Assuntos Sociais no V Governo Constitucional, presidido por Maria de Lurdes Pintasilgo.
Era doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Bath, no Reino Unido, com uma tese intitulada “O paradoxo da Pobreza – Portugal, 1980-1989”, sendo reconhecido como um especialista nessa área. Foi Presidente do Conselho Económico e Social eleito pela Assembleia da República e foi Conselheiro de Estado, mas ainda teve tempo para presidir à Comissão Justiça e Paz, à Direcção da Casa de Goa e para colaborar com o Conselho da Europa e com a UNESCO.
Alfredo Bruto da Costa era um homem de superior qualidade e um grande amigo, daqueles com quem se aprendia todos os dias, sobretudo pela sua coerência na defesa dos direitos humanos e, sobretudo, dos direitos dos mais pobres. Era um homem de fé, fiel a princípios e de uma enorme tolerância democrática. Homens como ele marcam uma época e são cada vez mais raros numa sociedade dominada pelo egoísmo e pelos valores materiais. Tive o enorme privilégio de com ele trabalhar e conviver e, nesta hora dolorosa, aqui lhe presto a minha mais sentida homenagem, ao mesmo tempo que apresento as minhas condolências à Vera, à Margarida e à Madalena, mas também a toda a sua Família que, tantas vezes, me acolheu como se eu dela fizesse parte. 

Angola nos 41 anos da sua independência

Há 41 anos, no dia 11 de Novembro de 1975, nasceu a República de Angola depois de quase cinco séculos de presença portuguesa no seu território. Nesse dia, também terminava o  império colonial português e o sonho que alguns alimentaram de uma pátria repartida pelo mundo, quando o último alto-comissário português em Angola, o Almirante Leonel Cardoso, procedeu ao arriar da bandeira portuguesa do Palácio do Governo. Poucas horas depois, em nome do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), o presidente Agostinho Neto proclamava solenemente e em nome do povo angolano, “perante a África e o mundo a independência de Angola”. No seu histórico  discurso, Agostinho Neto deixou claro que "a nossa luta não foi nem nunca será contra o povo português" e acrescentava que, "a partir de agora, poderemos cimentar ligações fraternas entre dois povos que têm de comum laços históricos, linguísticos e o mesmo objectivo: a liberdade". Nesse mesmo dia, os partidos rivais da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) de Jonas Savimvi e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) de Holden Roberto também proclamaram a independência, respectivamente no Huambo e no Ambriz, embora só a proclamação do MPLA viesse a ser reconhecida pela comunidade internacional.
Não foram fáceis os tempos para a nova república, com continuadas e muito violentas guerras com os movimentos de libertação rivais e os seus aliados, alguns bem poderosos, que só terminaram em 2002.
Desde então, a República de Angola iniciou uma caminhada de desenvolvimento e de progresso, em que muitos portugueses têm participado ao lado dos angolanos, ambos irmanados por uma história e uma língua comuns. Embora as relações entre Portugal e Angola nem sempre tenham sido as melhores, o facto é que hoje não há quaisquer traumas entre os dois países e que os governos de Lisboa e de Luanda são aliados nas grandes questões internacionais, como se viu na recente eleição do novo secretário-geral das Nações Unidas.
Hoje é um dia de festa para os angolanos, mas também para os portugueses.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A América escolheu o seu novo Presidente

A América votou e a vitória foi para o republicano Donald Trump, quando as sondagens pareciam indicar que Hillary Clinton seria eleita como a primeira mulher a atingir a presidência dos Estados Unidos. O populismo que tem crescido na Europa chegou em força aos Estados Unidos e a maioria do eleitorado americano deixou-se convencer, o que significa que a maior potência mundial também atravessa dificuldades e que, lá como cá, o povo aspira a melhores condições de vida e está farto das tutelas habituais e do domínio das garras do poder financeiro.
Durante a campanha eleitoral Donald Trump conseguiu estabelecer uma relação directa com o eleitorado, sem a mediação do seu próprio partido e usou uma linguagem populista a despertar esperanças nos mais marginalizados da sociedade americana. Porém, o seu discurso também assustou muita gente e a sua vitória foi classificada por alguma imprensa internacional como um choque, uma tempestade ou um salto no desconhecido e, até mesmo, numa ameaça à paz ou numa nova desordem internacional. Contudo, muito do que agora se diz ainda são ondas de choque da própria campanha eleitoral que serão amortecidas em poucas semanas ou dias.
Relativamente à política internacional, será difícil que Trump faça pior do que fez a administração Obama que, em vez de serenar a conflitualidade e a guerra iniciadas por George W. Bush no Iraque, usou de uma enorme falta de senso e do seu enorme poder aéreo para alargar o conflito à Síria, à Líbia e a outros países da região.
A imprensa de todo o mundo destacou as eleições americanas como o grande acontecimento e colocou a fotografia de Donald Trump nas suas primeiras páginas. Porém, houve alguns jornais, como aconteceu com o britânico Daily Mirror, que usou a envergonhada Estátua da Liberdade na capa da sua edição de hoje, aparentemente arrependida pelo que os americanos fizeram. O bom humor é sempre saudável...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cristiano Ronaldo é uma marca mundial

No ano em que Cristiano Ronaldo ganhou a Liga dos Campeões com o Real Madrid e o Europeu com a selecção portuguesa, a sua cotação subiu em flecha. Assim, na passada segunda-feira foi anunciada a celebração de um novo contrato com o Real Madrid válido até 2021 e com o valor de 21,6 milhões de euros anuais que, segundo o diário desportivo Marca, é “el contrato más grande de la historia del fútbol”. O jornal português A Bola fez contas e noticiou que Ronaldo “irá auferir um estratosférico salário”, a rondar os 1,8 milhões de euros mensais, ao ritmo de 450 mil euros por semana. É obra!
Porém, a história não acabou aqui. No dia seguinte, a multinacional norte-americana Nike também veio anunciar um contrato vitalício com Cristiano Ronaldo que se estima ser da ordem dos 24 milhões de euros anuais, semelhante ao que mantém com Michael Jordan, o mais importante ícone do basquetebol americano. Para a marca americana de equipamentos desportivos, Cristiano Ronaldo é alguém que “transcende o mundo do futebol”, pois é o desportista mais famoso do mundo, que ganhou três vezes a Bola de Ouro e que, segundo o último ranking elaborado pela revista Forbes, é o desportista mais bem pago do planeta. Além disso, Ronaldo goza de grande popularidade mundial pois tem 117 milhões de seguidores no Facebook e 47,9 milhões de seguidores no Twitter, o que o torna uma figura muito recomendável não só para as campanhas de publicidade e marketing da Nike, mas também para as campanhas da Castrol, Armani, KFC, Emirates, Tag Heuer, Herbalife, Toyota, Samsung, Linic e algumas marcas mais.
São números realmente “estratosféricos”. Entretanto, os hotéis Pestana CR7 já são uma realidade e o noticiário relativo ao jogador madeirense refere cada vez mais a palavra Hollywood. Cristiano Ronaldo é um futebolista e é um grande futebolista, mas cada vez mais é muito mais do que isso.