terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Capital Ibero-Americana da Cultura 2017

Até ao dia 22 de Dezembro, a cidade de Lisboa será a Capital Ibero-Americana da Cultura, com uma programação que inclui mais de 150 actividades, nas quais participarão centenas de artistas e produtores nacionais e ibero-americanos. É a segunda vez que Lisboa foi escolhida pela União das Capitais Ibero-Americanas (UCCI) como Capital Ibero- Americana da Cultura, pois em 1994 já acumulara essa distinção com a sua escolha como Capital Europeia da Cultura.
Passado e Presente — Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura é uma iniciativa da UCCI e da Câmara Municipal de Lisboa, que conta com a participação, colaboração e apoio de dezenas de outras instituições, associações e equipamentos privados. A programação é extensa e diversificada, nela se incluindo exposições e concertos, peças de teatro, visitas guiadas, residências artísticas, exibição de filmes, colóquios, workshops, um festival de arte urbana, espetáculos de dança, entre outras actividades. Peruanos e argentinos, colombianos e chilenos, brasileiros e mexicanos, para além de portugueses e espanhóis, terão em Lisboa um espaço de afirmação cultural.
É, também, uma excelente oportunidade para que os países ibero-americanos, compreensivelmente mais virados para Madrid e Barcelona, possam colocar Lisboa nos seus roteiros europeus. Da mesma forma, é ainda uma oportunidade para mostrar que num mundo em recomposição de interesses e de áreas de influência, pode haver espaço para a crescente afirmação do potencial estratégico do ibero-americanismo, até porque as línguas ibéricas juntas são,  depois do chinês, as mais faladas do mundo.

Eleições autárquicas, com zangas e amuos

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A edição de hoje do jornal i destaca a situação que se vive no seio dos partidos da direita que governaram o país entre 2011 e 2015, por causa das eleições autárquicas que se aproximam. Parece que tinha havido uma aliança nacional entre os dois partidos no sentido de poderem optimizar os seus resultados eleitorais e, dessa forma, levar o PS a uma derrota autárquica e à eventual queda do governo.
Era normal que assim fosse, porque a luta política é mesmo assim. Porém, as coisas não correram bem e, antes que fosse tarde, a centrista Cristas decidiu candidatar-se e escolheu logo a capital, sem dar cavaco ao Passos que não gostou nada de o terem posto de lado e ficou zangado. Como ninguém conhece Cristas, que anda nisto há pouco tempo, ela queria aparecer na televisão e queria falar, mas nem ela nem o seu pequeno partido têm estatuto político para estas jogadas. A esperteza da Cristas, talvez ainda inspirada no esperto que a antecedeu no seu grupo político, alastrou por muitas outras localidades onde se estavam a preparar eventuais coligações entre o PSD e o CDS, mas ter-se-ão verificado os mesmos tipos de esperteza do CDS que, sem noção das realidades, exigia paridades. O clima azedou e há muitos amuos, mas não é caso para admirar.
Os debates parlamentares que a televisão transmite têm mostrado que os deputados do PSD e do CDS sentados nas primeiras filas sob a orientação do paranóico Montenegro e do imbecil Magalhães têm usado demasiadas vezes uma linguagem despropositada, provocadora, agressiva e injuriosa. Batem no tampo das mesas. Gritam. Gesticulam. Não diferem muito dos comportamentos das claques do futebol. São uma distorção da Democracia. Como é que gente desta se pode entender?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Moçambique moderno e com progresso

O jornal moçambicano O País destaca na primeira página da sua edição de hoje a inauguração na cidade de Maputo da nova sede do BCI – Banco Comercial e de Investimento que, segundo parece, tem uma forte componente portuguesa no seu capital social. Perante a fotografia de um tão moderno edifício, percorre-nos uma grande satisfação, em primeiro lugar pela sua estética que muito valoriza o património arquitectónico da cidade e, depois, pelo seu simbolismo em relação a um instrumento essencial para o financiamento da economia e para o progresso social dos moçambicanos.
Porém, a tradição já não é o que era. Nos últimos anos habituamo-nos a ver que, em questões de banca e de banqueiros, o que parece nem sempre é. A banca serviu demasiadas vezes para acolher práticas abusivas e gananciosas, ilegalidades e favorecimentos e, naturalmente, para acolher indivíduos sem escrúpulos e com avidez pelo dinheiro. Muitos continuam por onde sempre andaram, a fazer o que sempre fizeram. Quando vemos os nomes dos dirigentes do BCI, alguns deles portugueses e com fortes ligações a situações catastróficas ainda por esclarecer, não se pode ficar descansado. Por isso, não pode ser a inauguração de um edifício moderno e que tanto vai valorizar a cidade de Maputo que nos deve deslumbrar, porque em questões de banca andamos todos muito desconfiados.
No entanto, há que confiar que foram aprendidas as lições do passado recente um pouco por toda a parte e que este banco, agora vestido de nova roupa, virá a ser um instrumento de progresso para os moçambicanos. Ponto.

Donald Trump não gosta de mexicanos

A política prosseguida por Donald Trump contra os imigrantes e os refugiados e, em especial, contra os seus vizinhos mexicanos de os muçulmanos, está a alarmar o mundo.
Desde há muito que o Donald tinha anunciado medidas para impedir a entrada nos Estados Unidos dos “terroristas radicais islâmicos”, talvez disfarçados de refugiados. Por isso, não perdeu tempo a combater essa ameaça e as medidas anunciadas começaram a ser postas em prática nos aeroportos americanos, embora as instâncias judiciais já tenham tomado posição contra esta decisão presidencial.
No que respeita aos imigrantes, a hostilidade teve a sua maior expressão na decisão de construir o muro na fronteira com o México, que é um acto de humilhação para com os seus vizinhos e parceiros de muitas actividades.
A arrogância do Donald não lhe tem permitido actuar com ponderação e, quem sabe, se este e outros tiros, não acabarão por lhe sair pela culatra. Os seus conselheiros também não parecem capazes de travar os seus ímpetos primários e desbocados.  
Numa referência crítica à decisão do Donald, o jornal colombiano El Tiempo publicou na sua edição de ontem uma ilustração que representa os dois países separados por uma “alarmante fractura”. De facto, o que o Donald está a fazer é a provocar uma fractura, por agora de natureza geográfica e económica, mas que se pode transformar rapidamente numa fractura social no interior do país, onde cerca de metade da população é de origem sul-americana e o espanhol é a língua dominante. Se eu fosse amigo do Donald tratava de o aconselhar a não semear ventos, pois pode colher tempestades.

domingo, 29 de janeiro de 2017

O grande duelo do ténis vai começar

Daqui a poucos minutos inicia-se a final do Open da Austrália e meio mundo vai ficar amarrado aos televisores para ver o duelo entre as duas maiores lendas do ténis mundial: o espanhol Rafael Nadal e o suiço Roger Federer.
Federer tem 35 anos de idade, venceu até agora 17 provas do Grand Slam e está actualmente em 17º lugar do ranking ATP, enquanto Nadal tem 30 anos de idade, conta 14 vitórias em provas do Grand Slam e está em 9º lugar do ranking ATP. Tudo muito parecido, até na ambição, na longevidade e nos 1.85 metros de altura de cada um.
Hoje os dois tenistas vão defrontar-se em Melbourne, numa final inesperada pela idade dos jogadores e que vai acrescentar muitos pontos à rivalidade que mantém desde há doze anos, pois Nadal e Federer jogaram pela primeira vez em Março de 2004 no Masters de Miami. Desde então, os dois tenistas encontraram-se 34 vezes, tendo Nadal vencido 23 vezes e Federer 11 vezes.
Esta final é a mais repetida da história dos torneios do Grand Slam pois os dois tenistas já se encontraram oito vezes em finais do Grand Slam, com seis triunfos de Nadal. Porém, é uma final absolutamente inesperada. Os jornais australianos, mas também alguns jornais internacionais muito anunciaram este encontro que, de imediato, eu vou acompanhar pela televisão.
Como se diz na gíria desportiva, que ganhe o melhor.

NOTA: Foi um grande jogo que durou 3 horas e 37 minutos e que Roger Federer venceu por 3-2 (6-4, 3-6, 6-1, 3-6 e 6-3). Com este resultado, RF reforçou o seu recorde e tem agora 18 Grand Slams no seu palmarés: 5 Australian Open, 7 Wimbledon, 5 US Open e 1 Roland Garros. É obra.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Theresa May foi a correr a Washington

A primeira-ministra britânica Theresa May não se tem deslocado a Bruxelas nem a Berlim e talvez nunca tenha visitado Lisboa ou Madrid, mas meteu-se num avião e foi a Washington para visitar o Donald que mora na Casa Branca desde há uma semana. Esta viagem de quem foi contra o Brexit e que agora o defende com entusiasmo e teimosia, só revela muita fraqueza e muita necessidade de amparo que, pensa ela, só o fanfarrão do Donald lhe pode dar. No meio de tantas incertezas nas duas margens do Atlântico é caso para perguntar: porquê tanta pressa?
Não nos interessam as motivações passionais da primeira-ministra britânica que sucedeu a David Cameron, mas o facto é que antes de consumar o divórcio com a União Europeia, ela correu apressadamente para os braços musculados do Donald e, segundo refere hoje o jornal The Independent, ela está completamente trumped. Provavelmente não será apenas a Barbie Trump que não vai gostar deste assédio ao seu Donald de uma senhora inglesa de 60 anos de idade e que é oriunda do condado de Sussex, no sul da Inglaterra.
Os orgulhosos ingleses também não se sentirão confortados com esta submissão de Theresa May à arrogância americana, agora assumida pelo Donald e, com esta tão apressada viagem, os 68% de escoceses que rejeitaram o Brexit vão repensar a sua opinião a respeito da independência escocesa, porque não quererão estar tão trumped como Theresa May. A não ser que tudo isto não passe de um mero flirt ou de um simples encontro para matar saudades. 

O muro de Donald Trump

Donald Trump cumpriu a ameaça e deu ordens para que avançasse o muro que irá separar os Estados Unidos e o México, supostamente para travar o movimento de emigrantes clandestinos. O muro isolará os dois países de uma forma tão brutal, como não acontece sequer nas fronteiras entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul.  Porém, esta decisão também tem um objectivo simbólico e insere-se na política proteccionista que Trump quer impor e que se traduz na frase tantas vezes repetida “America first”.
No seu estilo arrogante, agressivo e autoritário, Donald Trump tem mostrado que não quer que a Ford, a General Motors, a Toyota ou a BMW construam automóveis no México e que depois os vendam nos Estados Unidos, acusando esses construtores de criarem empregos no México e não nos Estados Unidos. Além disso, Trump propõe-se taxar em 20% as importações de produtos mexicanos e, dessa forma, custear a construção do muro a que alguns já chamam “o muro da vergonha”.
Enrique Peña Nieto, o Presidente mexicano, como protesto pelas iniciativas anti-mexicanas de Trump, reagiu e já cancelou um encontro que estava marcado entre os dois Presidentes para a próxima semana. A tensão com o México subiu de tom e a atitude de Peña Nieto foi corajosa e, de certa forma, foi o primeiro adversário externo que o Donald enfrentou.
A realidade é que Donald Trump começa o seu mandato como o mais impopular Presidente da história americana, em aberto conflito com o México, com a imprensa e com outros sectores da opinião pública. O influente The Washington Post já veio ridicularizar a iniciativa da construção do muro que, diga-se em nome da verdade, é uma herança de Clinton e de Obama, como mostra a fotografia que o jornal publicou. O facto é que, apenas numa semana, o Presidente dos Estados Unidos tomou um conjunto de polémicas decisões e muitos observadores começam a questionar-se quanto à forma como irão reagir as instituições nacionais americanas.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

200 anos do jornal nacional da Escócia

 
O jornal The Scotsman celebra hoje o seu 200º aniversário e decidiu comemorar a data com uma edição especial de acentuado orgulho nacionalista, não só para assinalar uma tão invulgar longevidade, mas para tomar posição perante as circunstâncias políticas que atravessam o Reino Unido. Na capa dessa edição, o jornal apresenta uma flor do cardo, que é um dos mais populares símbolos nacionais escoceses, depois da bandeira azul com a cruz branca de Santo André.
A Escócia ocupa a parte norte da ilha da Grã-Bretanha, tem cerca de seis milhões de habitantes e tem a sua capital em Edimburgo. Desde o dia 1 de Maio de 1707 que se ligou à Inglaterra para formar o Reino Unido da Grã-Bretanha, com um Parlamento único e uma união aduaneira, mas essa união tem passado por algumas ameaças de cisão. A última aconteceu em Setembro de 2014 quando foi realizado um referendo a favor da independência escocesa, em que os independentistas conseguiram 45% dos votos. Entretanto houve o referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia e 68% dos escoceses votaram contra o chamado Brexit.
A Escócia está, portanto, a viver uma situação instável, entre a independência ou não independência, mas também entre a permanência ou não permanência na União Europeia. Nicola Sturgeon é a primeira-ministra escocesa e tem defendido essas duas causas, isto é, a defesa da independência e, agora, a permanência na União Europeia.
O jornal The Scotsman afirma-se o jornal nacional da Escócia e é um grande aliado das posições defendidas por Nicola Sturgeon. Na sua edição de hoje o jornal evoca com orgulho a história da Escócia e recorda muitos dos escoceses ilustres como Adam Smith, considerado o pai da Economia, mas também outros seus filhos famosos como Alexander Fleming, Jackie Stewart, Sean Connery, Paul McCartney, Mick Jagger e Alex Ferguson.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Imagem e protesto contra Donald Trump

 
Durante a campanha eleitoral que o levou à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump acumulou muitas declarações polémicas que surpreenderam o mundo, embora a maioria dos americanos nem por isso deixasse de lhe dar o seu voto. Uma das mais criticadas declarações do candidato Trump foi a afirmação de que "os muçulmanos devem ser total e completamente banidos de entrar nos EUA". Essa declaração de carácter xenófobo foi criticada pela Casa Branca, que afirmou que esse pensamento é contrário aos valores da diversidade cultural e religiosa que caracterizam a história dos Estados Unidos.
O tempo passou e Donald Trump foi empossado no dia 20 de Janeiro, num ambiente de grande contestação nacional, promovido sobretudo pelas mulheres. Nesse movimento houve uma mulher que se tornou a face da contestação, por causa de uma fotografia captada alguns anos antes. Essa mulher é Munira Ahmed, tem 32 anos de idade e é residente no bairro de Queens, na cidade de Nova Iorque, onde é uma jornalista freelancer. A sua imagem, que mostra uma americana oriunda do Bangladesh com um olhar firme e com um lenço estampado com as listas e as estrelas da bandeira americana, tornou-se o símbolo do protesto de muitos milhares de manifestantes, tendo sido largamente difundida pelas cidades americanas, associada à frase “I am American just as you are”.
No seu regresso a casa depois de ter participado nos protestos em Washington, Munira Ahmed afirmou ao correspondente do jornal inglês The Guardian que se sentia honrada pela utilização da sua fotografia no protesto contra Trump e acrescentou que “I am American and I am Muslim, and I am very proud of both.”
O jornal decidiu prestar homenagem a Munira Ahmed, publicando na sua primeira página da edição de hoje as imagens que simbolizaram o protesto contra Donald Trump.

domingo, 22 de janeiro de 2017

America first? Vamos esperar para ver...

Donald Trump tomou posse como 45º Presidente dos Estados Unidos numa cerimónia com muita pompa, mas sem o entusiasmo popular que era habitual nestas ocasiões, como revelaram as fotografias comparativas que foram publicadas. O seu discurso foi triste, preocupante e desencorajador. Não falou de união, nem de unidade. Não falou de democracia, nem de direitos humanos. Não falou de história, nem de cultura. Não falou de pobreza, nem de desigualdade. Falou de prosperidade e força. Ameaçou muita gente e muitos interesses instalados. Falou contra muita gente no interior e no exterior da América e isso vai criar-lhe dificuldades. Limitou-se a repetir os chavões populistas da campanha eleitoral e, especialmente, o “América first”, prometendo que a América vai voltar a ser grande, que vai criar empregos e que vai trazer de volta a riqueza. A sua regra parece ser simples e basear-se numa ideia: comprar americano, contratar americano.
Domina o isolacionismo e o novo-riquismo. Provavelmente, até porque não tem experiência política, Donald Trump desconhece a realidade do mundo globalizado e interdependente em que vivemos e pensa que a construção de um muro pode resolver muitos dos problemas dos Estados Unidos. É bem possível que em vez da prosperidade prometida esteja a criar um ambiente interno irrespirável de medo e de insegurança.
Os americanos reagiram ao discurso de Trump que, é bom recordar, não teve a maioria dos seus votos. Por isso vieram para a rua protestar como já não faziam desde os tempos da guerra do Vietname e alguns jornais escreveram que nunca se tinha visto tão grande protesto. O influente The Washington Post destacou a enorme multidão que na capital federal marchou contra Trump e, também, deu voz ao protesto. Aparentemente, o que se passou nas ruas das cidades americanas não foi um protesto pontual. Foi mais do que isso. Não sou futurologista e, por isso, só mais tarde verei o que vai acontecer.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Angola afirma-se como potência regional

 
Em Maio de 2014 realizou-se o primeiro recenseamento geral da população de Angola depois da independência e foi apurado que a população do país era de quase 26 milhões de habitantes, concentrados sobretudo nas províncias de Luanda (27%), Huila (10%), Benguela (10%) e Huambo (10%), enquanto a menos populosa das províncias angolanas era o Bengo (1%).
O recenseamento revelou que a população se repartia entre 48% de homens e 52% de mulheres e que, depois do português, as línguas nacionais mais faladas eram o umbundu (23%), o quicongo (10%) e o quimbundo (8%). Entretanto o Instituto Nacional de Estatística de Angola veio agora actualizar os dados sobre a população residente e anunciou que já são 28 milhões o número de angolanos, notícia que o jornal O País hoje divulgou.
Significa que, para além da sua extensão territorial e da abundância dos seus recursos naturais, a República Popular de Angola possui um enorme capital que é a sua população de 28 milhões de pessoas, que é uma população jovem e que tem taxas de crescimento demográfico sustentáveis. Assim, as autoridades democráticas de Angola têm as condições para prosseguir o desenvolvimento económico e social do país porque, como dizem os tratados de Economia, não lhe faltam os dois principais factores de produção, isto é, o trabalho e o capital, embora aqui tomados num sentido abstracto e sem atender à sua qualidade e natureza. Angola é, de facto e cada vez mais, uma potência regional no Atlântico Sul.

Está a terminar a Vendée Globe 2016-2017

 
Ontem à tarde em Les Sables d’Olonne na costa francesa da Biscaia o velejador francês Armel Le Cléac’h terminou a 8ª edição da Vendée Globe, isto é, a volta ao mundo à vela em solitário, tendo gasto 74 dias, 3 horas, 35 minutos e 46 segundos. Foi um feito notável deste velejador de 39 anos de idade que estabeleceu um novo recorde desta prova, na qual já participara em 2009 e 2013, tendo-se classificado em 2º lugar nessas suas duas participações.
Hoje espera-se a chegada do inglês Alex Thomson que foi o maior rival de Armel Le Cléac’h, mas o terceiro classificado ainda demorará alguns dias até cruzar a meta.
A dura prova iniciou-se no dia 6 de Novembro e teve 29 participantes, dos quais já desistiram onze. Dos 18 concorrentes que ontem estavam em prova, o último encontrava-se a mais de nove mil milhas da meta e havia quatro que ainda navegavam no Pacífico em direcção ao cabo Horn, para depois “subirem” o Atlântico até à meta.
A proeza de Armel Le Cléac’h foi notável e a imprensa francesa dá-lhe hoje grande destaque, com o diário desportivo L’Équipe a dedicar-lhe toda a sua primeira página. O Banque Populaire VIII, a embarcação vencedora, é um monocasco inovador com 18,20 metros, especialmente concebida para esta prova e, naturalmente, deu um grande contributo para o resultado final.
A prova pode ser acompanhada através de um portal que, em tempo real, nos permitia “entrar na corrida”, pois fornecia todas as informações da prova e exibia uma cartografia especial com as posições dos concorrentes. Foram 74 dias e 74 noites de mar, certamente uns de calmaria e outros de mar alteroso, uns de calor e outros de frio, sempre sozinho, sem dormir mais que alguns minutos. Um espectacular feito desportivo e de resistência humana.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A ameaça da nova aliança Trump-May

Ontem, finalmente, a Primeira Ministra britânica falou sobre o Brexit e, segundo os comentadores, foi um discurso destinado a sossegar aqueles que acusavam Theresa May de não ter um plano para as negociações de saída da União Europeia e de não estar a cumprir o seu mandato, mas eu acho que também foi um discurso para agradar a Donald Trump. Todos os jornais ingleses destacaram a dureza do discurso de May, a lembrar os tempos de Margaret Thatcher.
O facto é que os resultados do referendo ainda não foram “digeridos” pelos britânicos e que muita gente pensa que o processo aberto com o referendo realizado no dia 23 de Junho ainda poderá ser invertido. Nesse referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, houve 53,4 % dos eleitores que escolheram o Leave e 46,6% que votaram no Remain. Porém, é preciso ter presente que o Remain ganhou na Escócia com 62% e na Irlanda do Norte com 55,8%, isto é, o Leave ganhou na Inglaterra e no País de Gales, enquanto o Remain ganhou na Escócia e na Irlanda do Norte. O Reino Unido mostrou-se muito desunido.
Assim, como é sabido, o problema não se coloca apenas nas negociações com a União Europeia que decorrerão depois do Reino Unido invocar o artigo 50º do Tratado de Lisboa, mas são também um grande problema interno, sobretudo porque já se adivinha um novo referendo na Escócia que pode desmembrar o Reino Unido.
Theresa May falou com firmeza, mas não deixou de afirmar que “queremos comprar os vossos produtos e vender-vos os nossos, num comércio tão livre quanto possível”. Curiosamente (ou não) falou com voz grossa na véspera da tomada de posse de Donald Trump, o que também é um sinal de que quer parcerias e as boas graças dos americanos e, obviamente, também é um sinal de insegurança.
O futuro dirá o que vai acontecer, mas esta aliança Trump-May pode trazer muitos problemas à Europa.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O frio que nos arrefece o corpo e a alma

O frio chegou à Europa e muitas capitais europeias têm registado temperaturas mínimas negativas e apresentam-se cobertas de neve, por via de uma massa de ar polar que tem afectado todo o continente. A imprensa tem dado grande destaque a esta vaga de intenso frio que tem provocado algumas mortes, muitos acidentes e uma grande perturbação na vida quotidiana. O jornal Le Parisien é apenas um desses jornais que alerta os seus leitores franceses para as precauções que devem tomar, porque o frio vai continuar por mais alguns dias.
Porém, se esta situação é de certa forma frequente nos países da Europa Central, não é usual na península Ibérica, onde estão anunciadas previsões para as temperaturas mínimas que, em algumas regiões espanholas, poderão atingir 20 graus negativos. No rectângulo português, embora temperado pela proximidade do mar, nem por isso as temperaturas estão a ser benignas e, nas regiões transmontanas, estão anunciadas temperaturas mínimas de 6 graus negativos, enquanto na cidade de Lisboa, nos próximos dias, estão anunciadas temperaturas de 0 graus. Esta situação não é normal e os nossos corpos enfraquecem, as nossas almas arrefecem e os nossos espíritos entristecem. Portanto, tenhamos muito cuidado.

domingo, 15 de janeiro de 2017

A incerta coesão territorial espanhola

O diário catalão el Periódico inclui hoje na sua primeira página, com grande destaque, uma reportagerm sobre a coesão territorial espanhola e os resultados de cerca de 35 anos de descentralização autonómica.
Nos termos da sua Constituição de 1978 a Espanha adoptou uma organização territorial que declara a unidade da nação espanhola e garante o direito à autonomia das diferentes nacionalidades e regiões que a integram e a solidariedade entre todas elas. Assim se constituiram 17 comunidades autónomas formadas por uma ou mais províncias e duas cidades autónomas. Com a integração europeia concretizada em 1986 em simultâneo com a integração portuguesa, a Espanha aspirava a uma maior coesão territorial das suas regiões ou comunidades e à redução do fosso entre comunidades ricas e comunidades pobres.
Porém, depois de trinta anos de descentralização autonómica e de integração europeia, de redistribuição fiscal por via de diferentes mecanismos, de investimento público e de absorção de imensos fundos de coesão e de fundos estruturais, as desigualdades entre as comunidades espanholas mantiveram-se ou acentuaram-se. O jornal analisa diferentes variáveis, incluindo o emprego, o investimento, as despesas com educação e saúde e, em todas elas, se verifica que a Espanha das autonomias navega a diferentes velocidades.
Provavelmente, a mais significativa de todas essas variáveis será o PIB per capita de cada comunidade, que vai desde 30.284 euros na Comunidade de Madrid até aos 15.437 euros na Extremadura. O diferencial entre essas duas comunidades, no ano de 1980, era de 9.814 euros mas hoje é de 15.156 euros.
Como salienta o jornal, a “España se quiebra y no por Catalunya”, mas por causa da coesão territorial que é, ou deveria ser, um dos grandes objectivos do Tratado de Roma e da política comunitária europeia. Pensemos que ao menos não se quiebre a coesão nacional, que hoje assenta no Rei, na selecção roja e em pouco mais.