segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Inês e o inesperado sucesso desportivo

Eu nunca ouvira falar da Inês Henriques que ontem se sagrou campeã do mundo e bateu o record mundial na prova dos 50 quilómetros de marcha atlética do Campeonato Mundial de Atletismo de 2017 realizado em Londres. Foi, portanto, um resultado inesperado para mim mas que muito aplaudi quando ontem assisti à prova através da transmissão directa por um canal televisivo internacional. Esse resultado, adicionado à medalha de bronze conquistada uns dias antes por Nélson Évora na prova do triplo-salto, colocaram Portugal no 18º lugar do quadro geral das medalhas deste campeonato, onde não figuram países como a Espanha e a Holanda e onde o nosso país aparece à frente da Itália, da Suécia e do Brasil, por exemplo. É um resultado desportivo notável com o qual todos ficamos agradados e que muito prestigia o nosso país desportivo.
Habitualmente, nem os jornais desportivos nem os jornais generalistas portugueses dão importância aos sucessos dos desportistas portugueses, preferindo promover o futebol e os futebolistas. Os exemplos são frequentes e, ainda recentemente, a imprensa portuguesa quase ignorou os títulos europeus de Fernando Pimenta na canoagem e de João Pereira no triatlo, ao mesmo tempo que dedicava páginas e espaços noticiosos a futebolistas de pouca qualidade desportiva, quase sempre vindos do Brasil. Desta vez, essa situação não se verificou e os jornais desportivos deram grande destaque à vitória de Inês Henriques e até o Diário de Notícias, que ainda é o jornal português de referência, trouxe o assunto para a sua primeira página, com uma expressiva fotografia da atleta de 37 anos de idade, nascida em Santarém e que treina no Clube de Natação de Rio Maior.
Por tudo isso, aqui deixo o meu aplauso à atleta e ao jornal.

domingo, 13 de agosto de 2017

Temos fanfarrões para todos os gostos

O diário ABC que se publica em Madrid é considerado um jornal conservador e que reflecte as posições da monarquia espanhola.
Hoje escolheu uma imagem muito oportuna para ilustrar a capa da sua edição e bem podia ter escolhido como título, por exemplo, os fanfarrões ou qualquer coisa parecida. De facto, no panorama internacional têm-se destacado as declarações fanfarronas de Kim Jong-un, de Nicolás Maduro e de Donald Trump, a lembrar os tempos de outros fanfarrões como Muammar Kaddafi ou Saddam Hussein, ou mesmo, de Benito Mussolini e Adolfo Hitler. Realmente, estamos a passar por um tempo em que os fanfarrões estão a tornar este mundo muito perigoso, como se não houvesse tantos problemas para resolver à escala global, não só em relação às desigualdades entre os homens, mas também em relação à preservação ambiental do nosso planeta.
Diz o ABC que Donald Trump “amplía su ofensiva belicista” e de facto, já não bastava a contínua retórica de ameaça em relação à Coreia do Norte, pelo que agora se decidiu ameaçar Nicolás Maduro e a Venezuela. Alguns países latino-americanos não gostaram de ouvir essas ameaças e até a oposição venezuelana parece ter rejeitado a intromissão de Trump nos assuntos internos do país.
Portanto, os fanfarrões da Coreia do Norte e da Venezuela parece terem encontrado em Donald Trump um fanfarrão à sua altura que, por ser ignorante e inculto, desconhece que o poder militar americano não é ilimitado, como várias vezes se tem visto desde a guerra do Vietnam. Esperemos que os seus conselheiros militares o esclareçam de que as guerras não se ganham apenas com bombas e que há muitos outros factores a determinar a sorte da guerra.

sábado, 12 de agosto de 2017

Pyongyang não atemoriza o povo de Guam

No princípio desta semana a Coreia do Norte informou o mundo que, a meio do mês de Agosto, completaria o seu plano de ataque à ilha de Guam, que é administrada pelos Estados Unidos desde 1898 e fica situada no Pacífico Ocidental, pelo que depois bastaria uma ordem de Kim Jong-un para que um ataque se desencadeasse. O regime de Pyongyang estaria então pronto para dar “uma lição” aos Estados Unidos.
Donald Trump não perdeu tempo e tratou de repetir que as soluções militares americanas estão posicionadas, prontas e carregadas, garantindo que podem acontecer coisas que os norte-coreanos nunca imaginaram ser possíveis.
A escalada verbal é de tal ordem que o jornal nova-iorquino Daily News escrevia ontem na sua primeira página: what said it, un or don?, apresentando um conjunto de frases ameaçadoras e muito semelhantes, para que os leitores identificassem se o seu autor era Kim Jong-un ou Donald Trump. Significa que, para aquele jornal e para muito mais gente, aqueles dois líderes são mesmo muito perigosos e muito parecidos na sua fanfarronice.
Entretanto, a população da ilha de Guam que é de cerca de 180 mil habitantes parece estar indiferente a estas ameaças e a esta retórica. Basta ler o Pacific Daily News, o maior jornal da ilha, que até exibe a fotografia dos mísseis norte-coreanos, mas que destaca depoimentos que revelam que a população está calma, não está intimidada e considera que este discurso ameaçador do regime de Pyongyang não é novo e não pode ser levado a sério. Só não se sabe se as importantes bases militares da ilha ou a sua própria capital estão protegidas por abrigos ou por sistemas de protecção anti-míssil eficazes.
O facto é que embora Kim Jong-un não esteja a atemorizar o povo de Guam, os seus 541 km2 estão ameaçados.

A política carece de gente de carácter

A devastadora onda de incêndios que percorre o país tem sido catastrófica e, para além daqueles que tragicamente perderam a vida, tem provocado milhares de hectares de floresta ardida e muito património destruído em diversas regiões do país. O problema é muito mais grave do que todos e cada um de nós pensou. É mesmo um caso de emergência nacional a obrigar todos e cada um de nós a contribuir com ideias e soluções para resolver esta calamidade que se repete todos os anos.
Ontem, num debate televisivo da RTP3 que ocorre semanalmente, o antigo ministro e dirigente centrista Luís Nobre Guedes afirmou que em matéria de incêndios “há uma responsabilidade colectiva alargada a todos os partidos, sem excepção. Uns com mais responsabilidade, outros com menos. Não há ninguém que saia ileso disto, incluindo eu que fiz parte de um governo e se calhar também não me apercebi na altura de que era urgente tomar algumas medidas que não foram tomadas”. Ora aqui está uma atitude sensata, equilibrada e inteligente, com a qual concordo e que já aqui exprimi há várias semanas.
Porém, os principais dirigentes do partido de Nobre Guedes, que dão pelo nome de Cristas e Magalhães, por acaso ambos naturais de Angola, têm protagonizado uma despudorada guerra contra a ministra da Administração Interna, exigindo a sua demissão, sem perceberem que os tempos de emergência por que passamos são para construir soluções e não são para exigir demissões. Além disso, como referiu Nobre Guedes, eles também não estão ilesos. Cristas tutelou as florestas durante quatro anos e, em vez de estar calada para apagar os remorsos que por certo lhe vão na alma pelo que não fez enquanto ministra, enveredou com o seu acólito Magalhães por esta cruzada irresponsável, que parece uma garotada. São politicamente irresponsáveis. Podiam esperar pelo relatório final da comissão independente que está a estudar o que se passou em Pedrógão, mas não resistem a uns minutos na televisão. Atacam sem pudor quando os fogos ardem, apenas para tirar proveitos políticos. Os eleitores não os vão desculpar. Se Amaro da Costa ou Lucas Pires, por exemplo, assistissem a isto, envergonhavam-se e abandonavam o partido que ajudaram a criar e a crescer.
É caso para perguntar se estes oportunistas que agora dirigem o partido de Adriano Moreira têm carácter suficiente para estar na vida política.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Bima Suci: o novo navio-escola indonésio

Na ria de Vigo, a pouco mais de trinta quilómetros da fronteira portuguesa, os estaleiros Construcciones Navales Paulino Freire, SA, preparam-se para entregar à Marinha da Indonésia o seu novo navio-escola Bima Suci.
Este novo veleiro de 110 metros de comprimento e 13,5 metros de boca tem três mastros, arma em barca e terá 3.350 metros quadrados de superfície vélica. Segundo as informações que foram divulgadas, o navio dispõe das mais modernas tecnologias e os seus alojamentos confortáveis, ou mesmo luxuosos, poderão receber 200 elementos, entre tripulantes e cadetes embarcados, mas o navio também vai servir de “embaixada flutuante” destinada a promover o país.
O imponente veleiro substituirá o Dewaruci, o pequeno navio-escola de 58 metros que serviu a Marinha indonésia nos últimos 64 anos para instruir os seus cadetes. O contrato de construção atingiu um valor de cerca de 70 milhões de euros e resultou de um concurso internacional em que participaram outros estaleiros espanhóis, mas também polacos e holandeses, tendo assegurado dois anos de trabalho a 300 pessoas.
Na sua edição de hoje o jornal Faro de Vigo destaca com uma fotografia de capa o escultor galego José Molares a dar os últimos retoques na escultura do deus Bima Suci, que deu o nome ao navio e que foi colocada como carranca na proa do navio onde, como sugere a tradição náutica, afastará os maus espíritos e acalmará as tempestades.
Entretanto, decorrem na ria de Vigo as provas de mar do navio que têm sido especialmente apreciadas (e fotografadas), porque não é habitual ver uma tão grande superfície vélica naquela ria, pois tem 200 metros quadrados a mais do que o navio-escola espanhol Juan Sebastian Elcano... e 1.415 metros quadrados mais que o navio-escola Sagres, cuja superfície vélica é de 1.935 metros quadrados.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Já chegou o fim da crise? Não sei…

A Comissão Europeia entusiasmou-se com as últimas notícias da economia e, perante um desemprego que está ao seu mais baixo nível desde 2008, um investimento que está a aumentar, umas finanças públicas mais equilibradas e um sistema bancário que se fortaleceu, decidiu anunciar o fim de uma crise que durou dez anos e que foi a pior por que passou a União Europeia na sua história de seis décadas.
Hoje, o diário ABC deu um enorme destaque a esta notícia, que pode ser verdadeira ou não, mas que é prematura. Embora pareçam já estar ultrapassados os tempos do subprime e as situações de grande dificuldade que levaram a intervenções e resgates, de diferente extensão e natureza, na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre, esta declaração é precipitada, mesmo considerando que o produto global da UE28 esteja a crescer a 2%. Esta euforia dos burocratas de Bruxelas também está a passar por Portugal, impulsionada por um clima de generalizada confiança e de estabilidade política, mas sobretudo pela excelência dos resultados das exportações e do turismo. Segundo as previsões do Banco de Portugal a economia portuguesa irá crescer 2,5% em 2017, que é superior àquele que se prevê para o conjunto da UE28, pelo efeito do enquadramento internacional de recuperação da procura interna, do investimento e do emprego. Dizem que é a retoma que aí está, mas ainda é cedo para se tirar essa conclusão.
Embora estejam anunciadas estas perspectivas favoráveis, será bom que as nossas autoridades não se esqueçam do enorme endividamento dos agentes económicos, do elevado desemprego de longa duração e do acentuado envelhecimento da população, para além de, ao contrário do que afirma a Comissão Europeia, não sabermos se os nossos bancos estão realmente mais fortes do que há dez anos atrás. Que as coisas estão a andar bem é uma evidência que deixa o Passos e a Cristas bem nervosos, mas será que se pode anunciar o fim da crise?

A escalada do confronto agudiza-se

A Coreia do Norte vem desenvolvendo desde há vários anos um programa nuclear e um programa de mísseis que muito tem preocupado a comunidade internacional e, em especial, os países daquela região asiática, mas também os Estados Unidos. As tentativas levadas a efeito para travar esses programas não têm resultado e apenas têm conduzido o regime de Pyongyang e o seu líder Kim Jong-un à intensificação do seu discurso ameaçador, sobretudo contra os Estados Unidos. Depois do lançamento do seu primeiro míssil balístico intercontinental com capacidade para atingir o território americano, o nível das suas ameaças aumentou e a tensão entre os dois países acentuou-se. Esse lançamento terá constituído “um sério aviso” aos Estados Unidos, mostrando que a Coreia do Norte estava em condições de lançar um míssil balístico intercontinental contra o território americano “a qualquer momento e a partir de qualquer lugar”.
Entretanto, aconteceu um segundo lançamento de um míssil balístico intercontinental e soube-se que a Coreia do Norte conseguiu produzir ogivas nucleares com as dimensões adequadas para serem transportadas pelos seus mísseis. O tom da sua ameaça subiu de tom, havendo notícias de que nos arsenais norte-coreanos haverá várias dezenas de ogivas nucleares.
Donald Trump reagiu às ameaças norte-coreanas e, de acordo com o Newsday e outros jornais, afirmou que “eles enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu”. Por outro lado, há repetidas mensagens a avisar Kim Jong-un que com as suas ameaças está a arriscar a destruição do seu povo e do seu próprio país.  
A situação é muito complexa e perigosa, até porque está nas mãos de dois obstinados. Ali ao lado, a China permanece atenta e, aparentemente, quer ser apenas espectadora. Porém, tudo parece convergir no sentido de uma tempestade perfeita.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A China a avisar Pyongyang e Washington

Menos de duas semanas depois da Coreia do Norte ter levado a efeito o seu segundo teste com um míssil de longo alcance, que parece ter sido bem sucedido, as forças navais chinesas realizaram um programa de exercícios ofensivos e defensivos em que participaram navios de superfície, submarinos, aviação naval e forças da guarda costeira chinesa. Esses exercícios realizaram-se no mar Amarelo, que separa a costa oriental da República Popular da China da costa ocidental da península da Coreia e, segundo foi anunciado, visaram testar o grau de treino táctico e operacional chinês, as suas armas e as suas tropas de desembarque, tendo incluído intercepção aérea e assaltos anfíbios. Os analistas têm defendido que estes exercícios foram uma advertência ao regime de Pyongyang e uma clara mensagem a informar que a República Popular da China não se alheará do que possa acontecer na região, sobretudo se a ameaça de guerra se vier a concretizar. Porém, certamente estes exercícios também foram um aviso para os Estados Unidos e para Donald Trump, a lembrar-lhes que naquela região ninguém poderá ignorar as forças navais chinesas.
Na primeira página da sua edição de hoje, o jornal South China Morning Post que se publica em Hong Kong, destacou uma fotografia dos exercícios realizados, na qual se observam duas unidades navais chinesas a disparar osseus mísseis. Quer dizer que a República Popular da China se continua a afirmar como uma grande potência militar e a avisar, tanto Pyongyang como Washington.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Reconciliação nacional em Moçambique

Moçambique é um grande país da costa oriental africana cuja língua oficial é o português e que absorveu na sua cultura nacional muitos traços da cultura portuguesa. Administrado pelo regime colonial português, a partir de Setembro de 1964 o território moçambicano veio a ser palco de uma guerra entre as forças da frente de libertação nacional (Frelimo) e as Forças Armadas Portuguesas, que só terminou na sequência da revolução portuguesa do 25 de Abril de 1974, com um cessar-fogo declarado no dia 8 de Setembro do mesmo ano. A independência foi proclamada a 25 de Junho de 1975, mas a euforia da libertação durou pouco. Alguns dissidentes da Frelimo, apoiados financeira e militarmente pelos regimes racistas do sul da África, formaram um partido da resistência nacional moçambicana (Renamo) e, ainda no ano de 1977, o conflito armado e a guerra civil estavam instalados. Estima-se que morreram um milhão de moçambicanos e que foram desalojados cinco milhões. Foi demasiado duro para um país em que todos apostavam no progresso. A guerra terminou em 1992 por mediação internacional e em 1994 realizaram-se eleições gerais multipartidárias sob a supervisão das Nações Unidas. 
A paz formal durou cerca de vinte anos, mas em 2013 o conflito armado reacendeu-se  nas regiões norte e centro do país. Apesar das inúmeras negociações, tem sido difícil conseguir um novo acordo de paz que garanta a reconciliação nacional e um clima de confiança entre todos os moçambicanos.
Por isso, o anunciado encontro entre o Presidente da República de Moçambique, Filipe Jacinto Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, que decorreu na Gorongosa, província de Sofala, foi um passo muito desejado pelos moçambicanos e pelos amigos de Moçambique, tendo sido aplaudido pelo diário moçambicano Notícias. Além de desejado, o encontro entre Nyusi e Dhlakama foi muito animador pois deixou as portas abertas ao diálogo, à paz e à reconciliação nacional. Continuar a ler

O fim do longo reinado de Usain Bolt

A corrida de 100 metros é uma das mais antigas provas do calendário olímpico e foi sempre considerada a prova rainha do atletismo, deixando gravado nos anais do desporto os nomes de atletas famosos como Jesse Owens e Carl Lewis. Nos Jogos Olímpicos de Pequim que se disputaram em 2008 surgiu uma nova estrela na velocidade pura que venceu a corrida de 100 metros. Era natural da Jamaica e chamava-se Usain Bolt. A partir de então, Bolt dominou as principais corridas de velocidade e triunfou nos Jogos Olímpicos de 2008, 2012 e 2016 e nos Mundiais de 2009, 2013 e 2015, para além de muitas participações em estafetas vencedoras.
Apresentou-se agora em Londres nos Mundiais de 2017, naquela que anunciou ser a sua última corrida, mas não foi além de um terceiro lugar, tendo sido derrotado pelo norte-americano Justin Gatlin, o seu  velho rival.
Justin Gatlin é cinco anos mais velho do que Bolt e nunca lhe tinha ganho numa grande final dos Jogos Olímpicos ou dos Mundiais. Antes, vencera os Mundiais de 2005 e  os Jogos Olímpicos de 2004 em Atenas, em que batera o português Francis Obikwelu. Depois de um longo percurso de castigos por doping e de derrotas, Justin Gatlin repetiu o título conquistado doze anos antes após uma corrida feita em 9,92 segundos, o que também é significativo. Porém, no final da corrida de Londres, Gatlin fez questão de se ajoelhar perante Usain Bolt, numa atitude simbólica e reverencial que muitos jornais registaram. Um desses jornais foi o diário catalão La Vanguardia que destacou essa  fotografia na sua primeira página. 

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

De novo o consumo e o endividamento

A economia portuguesa parece estar a crescer actualmente acima de 3%, que é o ritmo mais elevado dos últimos 17 anos, mas apesar desta expansão do Produto Interno Bruto, o peso da dívida pública no PIB que é o indicador mais utilizado para apreciar essas variáveis, continua a aumentar.
A razão é simples: o endividamento está a crescer mais do que o crescimento do produto, ou dito de outra maneira, os portugueses tendem a consumir o que têm e o que não têm, embora em termos de realidade macroeconómica não seja aexactamente assim, porque o aumento do consumo gera emprego e bem-estar.
O Banco de Portugal, que é a entidade responsável pelo apuramento destes valores, anunciou que em finais de Junho a dívida pública portuguesa atingia 249 mil milhões de euros, um máximo histórico em termos absolutos e que corresponde a um aumento de 4% relativamente ao período homólogo do ano anterior. Assim, o rácio da dívida em relação ao PIB estará nos 130,5%, embora seja de admitir que se venha a situar nos 128,5%, segundo anuncia o FMI e o Banco de Portugal. O problema, portanto, está uma vez mais no crédito que está a fazer com que os portugueses se endividem e é caso para perguntar se são as famílias que pedem dinheiro emprestado e os bancos emprestam, ou se são os bancos que aliciam as famílias com créditos e as famílias não resistem. O facto é que esta euforia económica tem um lado incómodo. 
O crédito à habitação já atingiu os valores de antes da crise e o crédito ao consumo recuperou os valores de antes da troika. Segundo apurou o Jornal de Notícias, em 2016 ”os portugueses pediram à banca 17 milhões de euros por dia” e, nos primeiros cinco meses de 2017, os novos empréstimos ao consumo já contabilizam um valor total de 1650 milhões de euros. O governo e as autoridades monetárias certamente que estão atentas a esta complexa geometria variável entre o bem-estar dos portugueses, o consumo, o endividamento, a dívida global, o emprego e o investimento. O passado recente, em que os portugueses recorriam ao crédito e consumiam para além do seu rendimento, ainda está na nossa memória. Há que ter cuidado!

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Neymar Jr. e a loucura das transferências

Neymar da Silva Santos Júnior ou Neymar Jr. é um futebolista brasileiro com 25 anos de idade que desde 2013 tem pertencido à equipa do Barcelona FC. É o maior ídolo do futebol brasileiro, mas os brasileiros não se conformam que exista Cristiano Ronaldo e Leonel Messi e que Neymar não seja a figura máxima do futebol mundial. A transferência de Neymar do futebol brasileiro para Barcelona terá custado cerca de 86 milhões de euros e nas cinco épocas em que representou o clube catalão, o jogador disputou 145 jogos e marcou 84 golos. Agora, naquilo a que o jornal A Bola chama de loucura, aconteceu a transferência de Neymar do Barcelona para o Paris Saint-Germain.
Foram anunciados 222 milhões de euros para pagamento ao Barcelona da cláusula de rescisão, mas o negócio implica ainda o pagamento de 80 milhões de euros ao fisco espanhol e 40 milhões para comissões de agenciamento. Segundo o jornal português, o negócio pode superar os 700 milhões de euros com salários, prémios e impostos.
É, realmente, uma loucura!
O mundo do futebol agitou-se e hoje as capas dos jornais desportivos europeus destacam esta transferência pelos números colossais que envolve e porque nada disto acontecera antes. No entanto, os tons são bastante diferentes entre os catalães e os franceses, porque enquanto os catalães se mostram demasiado irritados e escrevem “Bom voyage”, “Au revoir” ou “Hasta nunca” a denunciar um mau perder, os franceses revelam-se empolgados com a “transferência do século”. No meio de tudo isto, talvez agora os brasileiros possam vir a ter o melhor jogador do mundo a consagrar pela FIFA, uma coisa que tanta falta lhes parece fazer.
Depois disto, havemos de continuar a gostar de futebol porque é uma arte, mas o negócio do futebol é cada vez mais isso mesmo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fiestas Colombinas e Huelva ali tão perto

A cidade espanhola de Huelva é a capital da província de Huelva, que pertence à comunidade autónoma da Andaluzia, distando cerca de 50 quilómetros da fronteira portuguesa. Tal como Vigo, Badajoz ou Ayamonte, também Huelva atrai os portugueses pela sua proximidade e vitalidade económica, mas também pelo seu interesse histórico.
Na periferia da cidade situa-se o município de Palos de la Frontera, uma pequena localidade das margens da ria de Huelva, de cujo porto partiram no dia 3 de Agosto de 1492 as caravelas La Pinta e La Niña e a nau Santa Maria, sob o comando de Cristovão Colombo e com a companhia dos irmãos Pinzón. Foram estes navios que rumaram ao desconhecido e julgaram ter chegado à Índia. Por isso, aqueles territórios tomaram o nome de Índias de Castela e, ainda hoje, as ilhas das Caraíbas são conhecidas como as West Indies.   
Nas proximidades fica o mosteiro franciscano de La Rabida, onde Cristovão Colombo se recolheu antes de iniciar a sua viagem, bem como o Muelle de las Carabelas, um espaço museológico onde podem ser visitadas as réplicas dos navios de Colombo.
Porém, quer Huelva quer Palos de la Frontera têm outros motivos históricos de interesse e, também, as Fiestas Colombinas, que comemoram o dia da partida dos três navios de Cristovão Colombo que chegaram ao continente americano. São seis dias de festa e de alegria, sobretudo na área do Recinto Colombino, isto é, na área a sul da cidade onde se encontra o Monumento a la Fe Descobridora ou Monumento a Colón de 37 metros de altura e que foi doado pelos Estados Unidos em 1929.
Hoje, o diário Huelva información dedica a sua primeira página às Festas Colombinas com uma fotografia do iluminado Monumento a Colón.

Paris vai receber as Olimpíadas de 2024

A imprensa francesa está eufórica com a mais que provável realização em Paris dos Jogos Olímpicos de 2024, embora a decisão final só venha a ser tomada no próximo dia 13 de Setembro, quando os 95 membros do Comité Olímpico Internacional se reunirem na cidade peruana de Lima.
A realização dos Jogos Olímpicos é um objectivo de qualquer grande cidade, porque a promove, a prestigia e a torna atractiva. Desta vez foram cinco as cidades que apresentaram processos de candidatura à realização da 33ª Olimpíada: Hamburgo, Roma, Budapeste, Boston e Paris. Boston foi a primeira desistente por falta de apoio popular mas, em sua substituição, apareceu Los Angeles. Depois, por insuficiência de recursos financeiros ou de apoio governamental, as várias candidaturas foram desistindo até ficarem apenas Paris e Los Angeles. Então, estas duas cidades chegaram a um acordo, ficando a organização dos Jogos de 2024 entregue a Paris e a organização dos Jogos de 2028 entregue a Los Angeles.
A cidade de Paris e a França perseguiam desde há vários anos o objectivo da realização dos Jogos Olímpicos e tinham apresentado candidaturas que foram derrotadas em 1992, 2008 e 2012. Agora, antes mesmo do anúncio oficial, o entusiasmo domina a imprensa francesa: “cette fois, c’est gagné” titulou o jornal Le Parisien.
Para o desporto português, depois das longínquas jornadas olímpicas do Rio de Janeiro (2016) e de Tóquio (2020), a realização dos Jogos ao pé da porta pode proporcionar condições para um bom resultado. Mas ainda falta tanto tempo.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

A modernização do poder militar chinês

A República Popular da China comemora hoje o 90º aniversário das suas PLA (Chinese People’s Liberation Army) e, no passado domingo, festejou o acontecimento com uma invulgar demonstração de força em Zhurihe, na região autónoma da Mongólia. Pela primeira vez, essa exibição de força não aconteceu em Pequim na famosa praça de Tiananmen, que é um símbolo do poder e do centralismo chinês, tendo o diário China Daily destacado na sua primeira página que a parada demonstrou a evolução e modernização das PLA. As fotografias que foram divulgadas mostram o Presidente Xi Jinping, enquanto secretário-geral do Partido Comunista Chinês e comandante-chefe das Forças Armadas, uniformizado de fato camuflado a passar revista às tropas.
As PLA são a maior força militar do mundo com cerca de 2.285.000 efectivos e têm um orçamento superior a 150 mil milhões de dólares, que em termos nominais só é superado pelos Estados Unidos, correspondendo a cerca de 1.3% do PIB chinês.
Nos últimos decénios as PLA têm-se modernizado muito rapidamente e desenvolvido a sua indústria militar, o que é visível nas capacidades navais e aéreas que demonstra.
Embora este tipo de demonstrações militares seja uma prática corrente nos países que se reclamam do comunismo, o facto é que nesta altura bem nos podemos interrogar se esta exibição é para impressionar a Coreia do Norte ou os Estados Unidos. É natural que seja para impressionar o Donald, para que pense duas vezes antes de se meter em aventuras.