domingo, 31 de dezembro de 2017

MRS foi o “Homem do Ano” de 2017

Quando termina um ano, a generalidade dos orgãos de comunicação social faz análises retrospectivas sobre o que de bom e de menos bom se passou durante o ano e escolhe as personalidades que mais se distinguiram. Este ano também tem sido assim e, embora António Guterres, Cristiano Ronaldo ou Mário Centeno sejam apontados como figuras marcantes de 2017 e estejam no grupo de portugueses que mais se destacaram, há uma verdadeira unanimidade a considerar Marcelo Rebelo de Sousa como o Homem do Ano.
Embora não goste muito de unanimidades, neste caso não me custa nada a aceitá-la e a alinhar ao lado dela, embora eu tenha algumas reservas quanto ao concubinato que se está a verificar entre a comunicação social e os serviços da Presidência, ou mesmo do próprio Presidente. De manhã, à tarde e à noite, sempre rodeado de microfones e de câmaras que naturalmente foram convidadas para fazer parte da cena, vemos MRS a distribuir afectos, beijos e abraços, a plantar árvores, a estender roupa, a comer com os sem-abrigo, a andar de carrocel nas feiras e, principalmente, a falar de orçamentos, de centenos, de legionellas, de raríssimas, de tudo. Tem sido um exagero. Se o outro deixou Boliqueime mas Boloqueime nunca o deixou, este deixou a TVI mas não consegue deixar a pele de comentador.
Agora que apareceu a inoportuna hérnia umbilical que o levou ao Hospital Curry Cabral e às mãos do seu amigo Barroso, que por acaso até nem gosta de aparecer na televisão, deixamos por uns dias de ouvir MRS a comentar tudo. Tem sido um descanso.
Portanto, há que felicitar o Homem do Ano pelo seu desempenho e desejar-lhe uma rápida recuperação. Porém, não posso deixar de lhe desejar um bom ano de 2018 no cumprimento da missão para que foi eleito, mas que se liberte dos estagiários do microfone que o acompanham por todo o lado e que, na sua ânsia de lhe agradar, o deixam muitas vezes à porta do ridículo e nós não queremos que isso aconteça.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Sydney previne-se da ameaça terrorista

A edição do diário australiano The Daily Telegraph que se publica em Sydney destaca hoje na sua primeira página uma imagem do chamado Sydney central business district, ou Sydney CBD, ou The Town, que é o maior centro económico e financeiro australiano e a principal área comercial de Sydney, a capital do estado de New South Wales e a a mais populosa cidade da Austrália.
A imagem mostra uma rua ocupada por vários veículos pesados e semi-reboques que formam um “anel de aço” para proteger as pessoas no local e no dia de maior movimento comercial do ano que é o Boxing Day. O título principal da notícia é esclarecedor: “Fortress Sydney”.
Trata-se, portanto, de uma decisão preventiva das autoridades para evitar quaisquer acções terroristas semelhantes às que se verificaram em algumas cidades europeias onde o terrorismo atacou os grandes ajuntamentos de pessoas, mas também é um dispositivo de segurança que descaracteriza e desumaniza a parte mais atraente da cidade. Contudo, é o preço que tem que ser pago para garantir a segurança das pessoas.
As ameaças terroristas têm alterado as nossas vidas nos últimos tempos e essa mudança era mais evidente com as medidas de segurança que são adoptadas nos aeroportos, nas estações dos metropolitanos e no acesso a alguns espectáculos. Porém, a notícia e a fotografia do CBD de Sydney mostra um novo aspecto da prevenção das acções terroristas que altera substancialmente a paisagem urbana em nome da segurança das pessoas.

A tradição do Boxing Day está bem viva

Ontem celebrou-se o Boxing Day, o dia seguinte ao Natal, não só no Reino Unido, mas também em vários outros países que por diversos motivos históricos adoptaram essa celebração. Porém, o Boxing Day é uma tradição ou uma instituição britânica peculiar e manifesta-se em muitas actividades.
A sua origem parece situar-se na Idade Média quando, no dia seguinte aos festejos do Natal, os senhores feudais deixavam aos servos as sobras dos seus manjares natalícios numa caixa (box). A tradição evoluiu e fez com que, para além da comida, as Christmas boxes também incluissem roupa e brinquedos. Depois, foram as igrejas que passaram a colocar caixas para recolher ofertas dos seus paroquianos, para serem distribuidas aos mais pobres. O Boxing Day tornou-se uma festa comunitária, sobretudo no campo e nas pequenas aldeias britânicas, embora tivesse assumido um carácter diferente nas cidades onde se tornou o dia da troca de presentes, que o comércio tem aproveitado nos últimos tempos para fazer promoções e desfazer-se de stocks acumulados. No entanto, o Boxing Day é cada vez mais a festa do futebol britânico e uma maratona desgastante com centenas de jogos disputados debaixo de chuva ou de neve, mas a que não faltam muitos milhares de entusiasmados espectadores nos estádios.
A caça é também uma actividade característica do Boxing Day, sobretudo a caça aos patos e aos faisões, mas a mais apreciada de todas é a tradicional caça à raposa, que foi proibida em 2005, mas que hoje é lembrada na edição londrina do The Times, porque continua a ser uma forte tradição, só que agora as matilhas de cães seguem um rasto falso que é indicado pelo odor artificial das raposas.
A tradição do Boxing Day está, realmente, bem viva para os britânicos.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

A desunião que reina na União Europeia

Ao anunciar o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel e a transferência da embaixada americana de Telavive para a cidade santa, o presidente Donald Trump criou uma perturbadora situação no Médio Oriente, que a ilustração da capa da última edição do Courrier International bem expressa.
Como aqui escrevemos no passado dia 23 de Dezembro, o Donald lançou gasolina para a fogueira e até o Papa Francisco, na sua mensagem de Natal, veio apelar à paz para Jerusalém e para toda a Terra Santa, lembrando a necessidade de respeitar o actual estatuto da cidade que é reconhecido pelas Nações Unidas e que estabelece que Jerusalém “pertence” a dois estados e a três religiões.
Na votação do dia 21 de Dezembro da Assembleia Geral das Nações Unidas que analisou a decisão americana é interessante analisar quem votou a favor (9 votos), quem votou contra (128 votos), quem se absteve (35 países) e até quem não compareceu à votação (21 países).
No que respeita aos actuais 28 membros da União Europeia que, supostamente deveriam ter uma posição comum a ser expressa por Federica Mogherini, a Alta Representante da UE para a Política Externa e Segurança, reinou a desunião. Se essa desunião é normal acontecer nas questões económicas e sociais em que o interesse nacional se sobrepõe muitas vezes ao interesse comunitário, pode compreender-se, mas nas questões de política internacional em que “a união faz a força”, o que se passou é muito preocupante. Na votação realizada em Nova Iorque houve um país que faltou à votação (Lituânia), houve 21 países que votaram contra a decisão americana e verificaram-se 6 abstenções (Croácia, Hungria, Letónia, Polónia, República Checa e Roménia). Estas abstenções revelam uma evidente falta de unidade no seio da União Europeia e até parecem ressuscitar o velho conceito da “cortina de ferro”, mostrando alinhamentos ou desejos de alinhamentos que só servem para diminuir o peso político da União Europeia de que quiseram fazer parte. Por isso, era desejável que o Conselho Europeu procurasse clarificar rapidamente estas posições. 

domingo, 24 de dezembro de 2017

A Catalunha está partida em dois blocos

Passadas as primeiras horas sobre as eleições do dia 21 de Dezembro e depois de todas as forças políticas catalãs terem declarado vitória, como é costume nestes casos, é tempo de analisar a situação criada na Catalunha que, como hoje salienta o El País, se partiu em dois bocados.
O bloco independentista conseguiu 70 deputados e teve 2.062.760 votos e o bloco constitucionalista elegeu 65 deputados e teve 2.211.655 votos, o que mostra que há uma lei eleitoral que não traduz a verdadeira vontade popular pois dá mais deputados a quem tem menos votos. Nessas circunstâncias há um bloco que diz que tem mais deputados e outro bloco que diz que tem mais votos. São duas verdades que até parecem irreconciliáveis, tal como parecem estar Rajoy e Puigdemont.
Mariano Rajoy é um perdedor porque a sua estratégia fracassou e Carles Puigdemont é um derrotado não só porque abandonou as suas tropas e fugiu, mas também porque perdeu a condição de líder do partido mais votado. Dificilmente dois derrotados poderão fazer outra coisa que não seja procurarem esconder os seus fracassos nesta problemática catalã. Com os resultados das eleições, nem uns podem invocar maiorias silenciosas, nem outros podem continuar com as pressões populares e a ocupação das ruas.
Há que descobrir outros protagonistas para dialogar. A situação é mais complexa do que antes e há que procurar a pacificação e a reconciliação pelo diálogo, evitando a continuação das confrontações verbais que, como a história mostra, podem degenerar noutro tipo de confrontações.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Trump de asneira em asneira até quando?

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou com ampla maioria na passada quinta-feira uma resolução que se opõe ao reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel, que tinha sido anunciada por Donald Trump.
O texto foi aprovado por 128 estados, entre os quais Portugal (com 35 abstenções e 9 votos contra, tendo havido 21 países que não compareceram à votação) e considera que a decisão tomada em relação a Jerusalém “é nula e sem efeito”, mas não é vinculativo. Esperando este resultado, o Donald ameaçou cortar as ajudas financeiras americanas aos países que apoiassem a resolução e por várias vezes referiu que os países que votassem favoravelmente a resolução fariam com que os Estados Unidos poupassem muito dinheiro, numa clara alusão aos cortes que se propõe fazer nas ajudas financeiras.
Realmente, o Donald é um caso sério e, em menos de um ano na Casa Branca, já acumulou demasiados erros e é cada vez mais rejeitado pelos próprios americanos, como ontem sugeria o Daily News de Nova Iorque. A soberania de Israel sobre Jerusalém nunca foi internacionalmente reconhecida e todos os países mantêm as suas embaixadas em Telavive, mas o Donald já deu ordens para que a embaixada americana fosse transferida para Jerusalém. Acontece que os palestinianos reivindicam a zona oriental da cidade como a capital do seu futuro estado e defendem que o estatuto da cidade deva ser discutido nas negociações de paz. O mundo também pensa assim, mas o Donald contrariou tudo e quis lançar mais gasolina na fogueira.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Na Catalunha ficou tudo na mesma

Na Catalunha ficou tudo na mesma e, quando assim é, o tempo torna tudo mais difícil ou mesmo muito sombrio para os catalães. Não houve grande surpresa porque as sondagens já apontavam para um resultado deste tipo.
As eleições ontem realizadas deram 70 deputados aos independentistas e 65 deputados aos constitucionalistas, mas enquanto os primeiros obtiveram 2.062.760 votos, os segundos conseguiram 2.211.655 votos, aqui surgindo um primeiro problema em relação à lei eleitoral que dá mais deputados a quem tem menos votos.
O Cyudadanos tornou-se a força mais votada na Catalunha, sendo a primeira vez que uma força constitucionalista ganha as eleições autonómicas. Essa é a única novidade. O partido de Inês Arrimadas venceu em três das quatro grandes cidades catalãs, isto é, Barcelona, Tarragona e Lleida, só não ganhando em Girona. Porém, os seus 37 deputados e os seus possíveis aliados são insuficientes para formar governo, porque o bloco independentista assegurou a maioria absoluta no Parlamento.
Em segundo lugar ficou o exilado Carles Puigdemont que conseguiu 34 deputados e que, com os seus aliados, poderá vir a formar governo. Porém, nesse caso voltaria tudo à situação de grande conflitualidade que se verificou e que levou à aplicação do artigo 155 da Constituição e, certamente, lá teriam que ser marcadas novas eleições.
A imprensa espanhola traça os mais diferentes e improváveis cenários para ultrapassar esta delicada situação, mas há um ponto em que todos estão de acordo: a estratégia de Mariano Rajoy não resultou e foi um desastre. Assim, agora tudo parece passar pela retirada de Rajoy deste processo e a sua substituição por alguém que possa reconciliar e abrir o diálogo na Catalunha, com uma revisão constitucional e uma nova lei eleitoral.
Significa, portanto, que Rajoy se tornou o elo mais fraco desta situação e que o problema da Catalunha passou definitivamente a ser também, mais do antes, um problema da Espanha. Vêm aí tempos muito difíceis para os catalães, para os espanhóis e até para os europeus.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Escudo português é brazão de Ceuta

O jornal El Pueblo de Ceuta destaca na sua edição de hoje as declarações de Juan Vivas, o actual alcaide-presidente da Cidade Autónoma de Ceuta, a propósito da criação de um Observatório do Comércio.
Na fotografia que ilustra a reportagem ressalta o escudo português da cidade que, entre 1415 e 1640, esteve integrada no reino de Portugal.
A cidade foi conquistada pelos portugueses no dia 22 de Agosto de 1415 e, mesmo durante os sessenta anos do período filipino (1580-1640), foi governada pelos portugueses a partir de Lisboa, tal como sucedeu com as cidades vizinhas de Tânger e de Mazagão na costa marroquina.
Quando em 1640 ocorreu a restauração da independência portuguesa, a cidade de Ceuta não aclamou o Duque de Btragança como Rei de Portugal e optou por se manter ligada a Espanha, o que veio a ser reconhecido através do Tratado de Lisboa de 1668 que terminou com a guerra da Restauração. Ceuta desligou-se de Portugal mas conservou os seus símbolos, isto é, a bandeira de Lisboa e o brasão de armas português.
Foram 225 anos de ligação a Portugal e, por isso, há diversas memórias portuguesas que perduram em Ceuta, designadamente muralhas e igrejas, embora o escudo e a bandeira da cidade sejam, porventura, os mais simbólicos.

Eleições e o futuro incerto na Catalunha

Hoje vão a votos os 5 milhões e meio de eleitores catalães e o que se deseja é que o façam com opções serenas e sem o peso da carga emocional dos últimos tempos. O passado histórico e a grandeza cultural da Catalunha e da Espanha, ou da Espanha e da Catalunha, exigem essa serenidade.
Segundo as sondagens está tudo em aberto, isto é, verifica-se um empate técnico entre os constitucionalistas e os independentistas ou entre a legalidade autonómica e a tensão soberanista. Da mesma forma, também a escolha da força política mais votada, que em princípio governará a Catalunha, entra no campo das incertezas. Perante esta situação que revela uma enorme fractura social, vão ser o milhão de eleitores indecisos, correspondentes a 20% do eleitorado, que irão decidir hoje o futuro da Catalunha, que só pode passar pela reconciliação e pelo diálogo. Não há alternativa, como se viu quando Puigdemont quis dar uma passada maior do que a perna, trouxe os seus ideais para a rua e acabou quase escondido em Bruxelas.
Além disso, é desejável que as eleições tragam estabilidade às mais de três mil empresas que deixaram a Catalunha perante a ameaça independentista, para que regressem para assegurar a prosperidade e o bem estar dos catalães. Por isso, hoje também se joga o destino económico da Catalunha.
Desejavelmente, o resultado terá que proporcionar condições de diálogo e de reconciliação, que conduzam à satisfação dos catalães que querem ser independentes e dos que não querem ser independentes. Saberemos hoje se Puigdemont e Oriol-Junqueras continuarão a ser as vozes dominantes para continuar com o processo independentista e a sua conflitualidade, ou se surgirão Arrimadas e Iceta como protagonistas de um comportamento mais dialogante, mais construtivo e mais democrático.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

New Bedford, os Açores e os baleeiros

Em 18548 o cidadão Benjamin Russell exibiu na cidade de New Bedford uma grande pintura feita para um inovador espectáculo que circulava de cidade em cidade e que contava a história da baleação e dos baleeiros. Era um tela com 2,5 metros de altura por 388 metros de comprimento, que era estendida nas paredes interiores de um edifício circular para ser vista pelo público sentado na sala, enquanto girava muito devagar. A apresentação durava duas horas, era companhada musicalmente e tinha uma narração. Estas apresentações eram conhecidas por panoramas e foram verdadeiros precursores do cinema e das experiências tridimensionais.
A tela de Benjamin Russell chamava-se o Grande Panorama de uma Viagem de Baleeiro à Volta do Mundo e mostra um veleiro a sair de New Bedford, a atravessar o Atlântico e a visitar quatro ilhas do grupo central dos Açores (Faial, Pico, S. Jorge e Graciosa), onde os americanos recrutavam pessoal para integrar as suas tripulações e de que resultou a transformação de New Bedford num dos principais polos de atracção da emigração açoriana para os Estados Unidos. A história contada naquele panorama prossegue depois por Cabo Verde, pelo Brasil e pelas estações baleeiras do Índico e do Pacífico Sul, contando muitas histórias que mostravam o desconhecido e o exótico. Foi um grande sucesso e foi exibido durante muitos anos, a última das quais em 1969.
Desde 1918 que este panorama está no New Bedford Whaling Museum, onde é um dos destaques da sua exposição permanente, até porque é provavelmente a maior pintura original do mundo. Porém, a enorme tela sofreu ao longo do tempo o natural desgaste das viagens, quase sempre de comboio, bem como os efeitos de cerca de 120 anos a ser enrolada e desenrolada. Assim, foi agora restaurada e digitalizada, o que vai permitir a sua apreciação e o seu “regresso à estrada”, como aconteceu desde meados do século XIX, se assim for entendido.
A edição de hoje do Diário de Notícias conta toda a história deste panorama e reproduz o trecho da tela que retrata as ilhas do Faial e do Pico. São ilustrações tão simbólicas que não tardará que o Governo Regional dos Açores venha a adquirir uma cópia desse trecho para enriquecer o Museu do Pico e, em especial, a sua extensão nas Lajes do Pico que é o Museu dos Baleeiros.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A protecção no mar do interesse nacional

O jornal Faro de Vigo destaca hoje na sua primeira página que o governo britânico encomendou cinco novos navios-patrulha militares para, após o Brexit, impedirem o acesso às áreas de pesca situadas dentro da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) de 200 milhas aos navios estrangeiros que não aceitem as suas exigências, em especial no Gran Sol, situado a oeste das Ilhas Britânicas, e nas Ilhas Falklands, localizadas no Atlântico Sul.
O jornal publica uma ilustração que é uma antevisão daquela frota específica que irá constituir um “muro militar da Royal Navy” e, segundo refere, serão navios de 90 metros de comprimento a guarnecer por 70 tripulantes, que disporão de um helicóptero e de drones, estando o seu custo orçamentado em 400 milhões de euros. Significa que, os britânicos se antecipam e que preparam a protecção no mar dos seus interesses nacionais. A História diz-nos que eles sempre foram assim.
A notícia é curiosa e os galegos parecem assustados e o caso não é para menos, porque nas áreas consideradas pelas autoridades britânicas operam cerca de 140 unidades da sua frota pesqueira.
No entanto, a notícia também é muito interessante para Portugal, porque tem uma ZEE com cerca de 1,7 milhões de quilómetros quadrados, que é a 3ª maior da União Europeia e a 11ª do mundo, tendo requerido às Nações Unidas a extensão da sua plataforma continental. A discussão da proposta portuguesa teve início no passado mês de Agosto e, se vier a ser aprovada, poderá duplicar a área da nossa actual ZEE e dar direitos acrescidos sobre os recursos existentes. 
Todos dizem que é um assunto muito importante, mas é caso para perguntar que meios temos actualmente para proteger a nossa ZEE e a sua futura extensão, mas também que estudos estão feitos no sentido de sustentar uma decisão política sobre este assunto. Há alguém que na nossa esfera política se interesse por estas coisas?

domingo, 17 de dezembro de 2017

O rio Tejo está a secar e a perder caudal

A fotografia hoje publicada com grande destaque pelo jornal La Tribuna de Toledo não pode deixar de causar alarme nos espanhóis e nos portugueses que vivem e que, em maior ou menor escala, dependem da bacia do rio Tejo. O rio tem uma extensão de cerca de mil quilómetros e constitui a segunda maior bacia hidrográfica da península Ibérica, mas está a ficar seco e sem caudal em muitos dos seus troços, enquanto as suas apreciadas praias fluviais desapareceram.
A seca deste ano chamou a atenção para a gravidade da situação. O Tejo tem 14 barragens para a produção de energia eléctrica, contribui para o abastecimento de água potável em muitas povoações, refrigera as centrais nucleares e térmicas espanholas e, sobretudo, alimenta o regadio em muitas regiões espanholas através de transvases que levam as suas águas para as regiões de agricultura intensiva de Múrcia, Alicante e Albacete, a partir do transvase Tejo-Segura, que é a maior obra de engenharia hidráulica da Espanha. A par desta sobreutilização, o Tejo ainda é receptor de descargas poluentes de vária natureza, o que agrava os seus problemas.
A fotografia publicada pelo jornal de Toledo é suficiente para nos alertar para a problemática do Tejo e para os problemas da escassez de caudal, da poluição e da radioactividade, mas também é um sinal que nos mostra que é a altura de pedir explicações ao governo espanhol para que alterem a sua política de transvases que tanto prejudicam Portugal.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Os temporais nas costas asturianas

A frente atlântica da costa ocidental da Europa é muito exposta aos temporais trazidos pela circulação geral da atmosfera, sobretudo nas costas das ilhas Britânicas, no golfo da Biscaia e na faixa ocidental da península Ibérica.
Daí resulta que, nos meses de inverno, ocorram ondulações muito fortes e ondas muito alterosas que, ao embaterem nas costas mais escarpadas originam grande rebentação. Essas situações da meteorologia marítima são sempre um desafio para a imaginação dos amantes da fotografia, mas também para a imprensa, porque muitas redacções requerem aos seus fotojornalistas as imagens sempre belas do combate entre o mar e a rocha, o que significa que continuam a seguir, e bem, o velho princípio de que uma imagem vale mais do que mil palavras. Ontem, a costa asturiana esteve sob o efeito de vento e ondulação muito fortes que, em alguns casos, superou os nove metros.
Alguns jornais mantém a tradição de publicar esse tipo de fotografias para ilustrar as suas edições e para informar os seus leitores. Assim aconteceu com o diário asturiano La Voz de Avilés que hoje publicou na sua primeira página uma fotografia captada na costa de Luarca, já próximo da Galiza, em que se observa a rebentação do mar e cuja legenda é um aviso para os homens do mar asturianos: “Asturias en alerta por oleaje”. Por isso, há que ser muito prudente antes de ir para o mar.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Valência, a cidade das ciências e das artes

Tal como acontece com muitas cidades espanholas, Valência é um museu a céu aberto e essa realidade é perceptível sobretudo na área da moderna Cidade das Artes e das Ciências, onde se destaca a inconfundível obra do arquitecto valenciano Santiago Calatrava e, em especial, o Museu das Ciências Principe Felipe.
Foi exactamente nos espaços adjacentes ao lago artificial do museu que no passado Verão esteve patente ao público uma exposição de seis monumentais cabeças de grandes dimensões do escultor Manolo Valdés, um artista também valenciano de grande cotação internacional, que vive em Nova Iorque. Nessa altura, a presidente da Fundação Hortensia Herrero decidiu doar à cidade uma das seis obras expostas a escolher por votação popular dos valencianos. Os votantes escolheram La Pamela, uma escultura de grandes dimensões que representa uma cabeça de mulher com um chapéu, pela qual a instituição-mecenas pagará 1,7 milhões de euros. Ontem a obra foi desmontada e cuidadosamente embalada, a fim de ser transportada e instalada na Marina de Valência, onde ficará frente ao mar.
O diário Levante deu hoje grande destaque à operação de desmontagem de La Pamela e ao início da operação que vai enriquecer o património arquitectónico e artístico da cidade de Valência. Esta iniciativa mecenática valenciana é exemplar e bom seria que pudesse contagiar alguns agentes económicos portugueses para iniciativas semelhantes, mas sujeitos a critérios de qualidade, até para contrabalançar a obscura política autárquica de encomenda de mamarachos que têm decorado as rotundas das nossas cidades.

A ameaça ao processo de paz na Palestina

Aqui há dias ele acordou com a glicémia muito alta, com a visão embaciada e com tonturas e, sem se cuidar, fez asneira da grossa. Refiro-me ao Donald que decidiu reconhecer a cidade de Jerusalém como a capital de Israel. A decisão, para além de ser contrária às decisões do Conselho de Segurança das Nações Unidas e de perturbar os esforços de paz para o Médio Oriente, foi uma provocação para a Palestina e para o mundo.
As reacções não demoraram, isto é, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu desdobrou-se em manifestações de contentamento e de arrogância, enquanto o presidente Mahmoud Abbas, os palestinianos e o mundo árabe reagiram com protestos e com os primeiros ensaios de contestação violenta à infeliz decisão do Donald, com destaque para o Egipto, a Turquia e o Irão. Num outro patamar de crítica à decisão do presidente americano colocou-se a União Europeia, a Rússia e a China, mas também alguns dos mais próximos colaboradores do Donald.
A imprensa mundial tem dedicado muita atenção aos protestos, em que são queimadas bandeiras americanas e em que se podem observar as primeiras acções de uma anunciada intifada.  Nos países árabes os jornais parecem apelar à contestação e à revolta, mas muitos jornais dos  países ocidentais também parecem seguir o mesmo caminho, como fez o jornal canadiano National Post que se publica em Toronto.
Os países árabes que já condenaram a decisão da administração americana e reuniram em Istambul a sua organização de cooperação, tendo declarado "irresponsável, ilegal e unilateral" a decisão do Donald Trump e considerado que a mesma é "nula e sem efeito", ao mesmo tempo que decidiram reconhecer Jerusalém Oriental como a capital ocupada da Palestina e apelaram ao mundo para que adoptasse a mesma medida.
O que vai seguir-se é mesmo uma incógnita, mas o processo de paz parece que naufragou ou, pelo menos, está encalhado.