quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Donald e o discurso do Estado da União

Donald Trump fez ontem em Washington o discurso sobre o Estado da União. Trata-se de um discurso que é feito todos os anos no Capitólio, no qual o Presidente dos Estados Unidos se dirige ao Congresso e faz o seu relato sobre o estado do país e em que apresenta as suas orientações estratégicas para o ano que se inicia. Esta mensagem anual é muito antiga mas só a partir de 1934 passou a ser designada por “discurso sobre o Estado da União” por iniciativa do Presidente Franklin D. Roosevelt. Porém, os americanos só passaram a dar importância a este discurso quando em 1947 passou a ser transmitido em directo pela televisão e em 1997 pela internet.
No seu primeiro discurso sobre o Estado da União o Presidente Donald Trump gastou 80 minutos para impressionar a opinião pública americana e reverter os escassos 38% de popularidade de que goza, salientando a recuperação económica e a criação de 2,4 milhões de novos empregos e afirmando a necessidade de serem aumentados os investimentos nas áreas militares para “reconstruir o nosso arsenal nuclear” e assegurar o prestígio americano no mundo.
"Este é o nosso novo momento americano. Nunca houve um momento melhor para começar a viver o sonho americano”, foram frases que muitos jornais destacaram, como acontece hoje com o nova-iorquino Newsday.
Trump salientou que “juntos, estamos a construir uma América segura, forte e orgulhosa”, convidando os republicanos e os democratas a cooperar. Em termos de política externa Trump foi igual a si próprio e não poupou a Coreia do Norte, nem Cuba, nem a Venezuela, criticou os países que condenaram a sua decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e não deixou de se referir aos seus “rivais como a China e a Rússia que desafiam os nossos interesses, a nossa economia e os nossos valores”. No seu longo discurso, o Donald nunca se referiu à Europa e reafirmou as suas posições mais polémicas e procurou atrair a simpatia dos americanos com histórias e historietas a explorar o seu orgulho nacional. Provavelmente, o Donald subiu um pouco a sua popularidade interna.

O culto açoriano do Divino está no Brasil

A edição do Diário Insular que se publica em Angra do Heroísmo destacou ontem na sua primeira página, em texto e em imagem, que o culto do Espírito Santo dos Açores é património no Brasil. De facto, foi recentemente aprovado na reunião do Conselho Estadual de Cultura do governo do Estado de Santa Catarina o registo da Festa do Divino Espírito Santo do Centro de Florianópolis como Património Cultural Imaterial de Santa Catarina.
Essa festa religiosa e popular é organizada pela Irmandade do Divino Espírito Santo e realiza-se desde 1775 de forma ininterrupta, tendo completado 242 anos de idade em 2017. Curiosamente, na mesma cidade, também a Procissão do Senhor Jesus dos Passos que é organizada pela Irmandade do Senhor Jesus dos Passos de Florianópolis desde há 251 anos, está registada no lista do Património Cultural Imaterial de Santa Catarina.
Na área de Florianópolis estes festejos chegaram com os colonizadores portugueses, oriundos sobretudo dos Açores e da Madeira, entre os anos de 1748 e 1756, quando os portugueses e os espanhóis disputavam a posse daquela região. Por isso, a herança cultural açoriana no Estado de Santa Catarina é justamente protegida no âmbito da preservação do património imaterial da região.
A celebração da Festa do Divino é considerada um dos eventos religiosos mais importantes da comunidade católica de Santa Catarina, pois gera grande participação popular e atrai fiéis de muitas outras regiões brasileiras, sendo festejada em muitas outras cidades. É certamente, uma das grandes festividades que “os brasileiros herdaram dos seus avós portugueses”.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

A singular carreira de Roger Federer

Impressionante! No passado domingo em Melbourne e aos 36 anos de idade, o tenista suiço Roger Federer venceu o Open da Austrália e conquistou o seu vigésimo título do Grand Slam, isto é, venceu vinte vezes os torneios do Grand Slam – Open da Austrália, Torneio de Roland Garros, Torneio de Wimbledon e Open dos Estados Unidos. É o recordista de títulos do Grand Slam e é considerado como o maior tenista de todos os tempos.
Federer bateu o croata Marin Cilic em Melbourne. Foi a sua terceira vitória nos últimos cinco torneios de Grand Slam que disputou, depois de uma prolongada lesão em 2016. Emocionou-se e chorou. Parecia que acabara de ganhar o seu primeiro título.
Porém, Roger Federer não é apenas o recordista de títulos do Grand Slam. De facto, tendo a ATP World Tour decidido agrupar os Grand Slams, os ATP World Tour Finals e os ATP Masters 1000 numa categoria a que chamou Grandes Títulos com o objetivo de fazer a comparação entre os três maiores tenistas mundiais, verifica-se que Roger Federer ganhou 53 títulos, enquanto Novak Djokovic e Rafael Nadal ganharam 47 e 46 vezes.
É realmente um caso singular de um grande atleta que está no topo do ténis mundial desde há 15 anos e que é respeitado pelos seus adversários pela sua qualidade desportiva, pela sua persistência e pela sua humildade. Por isso, a sua vitória foi destacada nos grandes jornais internacionais.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Um jornalismo que nos envergonha

Mário Centeno é um economista que desempenha as funções de Ministro das Finanças de Portugal desde Novembro de 2015 e que é doutorado em Economia pela Universidade de Harvard, que é tida como a melhor escola de Economia do mundo. Poucas vezes as Finanças portuguesas estiveram entregues a uma pessoa tão qualificada como Mário Centeno e, de facto, como responsável pelas nossas Finanças Públicas tornou-se o rosto de tudo o que de positivo nos tem acontecido nos últimos dois anos na área financeira, incluindo a redução do défice orçamental e da dívida pública, a saída do procedimento por défices excessivos, a saída da categoria de lixo e a subida do rating soberano de Portugal em dois níveis, a descida dos juros nos mercados financeiros, a antecipação do pagamento do empréstimo do FMI e a recuperação da credibilidade financeira do nosso país.
Wolfgang Schäuble chamou-lhe o Ronaldo do Ecofin e os 19 países do Eurogrupo reconheceram a competência técnica e política de Mário Centeno e elegeram-no como seu presidente. Veio depois Pierre Moscovici repetir o que Schäuble tinha dito. A revista do Expresso dedicou-lhe então a sua capa e escreveu que Mário Centeno “tinha a Europa a seus pés”. A opinião pública portuguesa sentiu a sua auto-estima acrescentada, embora alguns tivessem ficado com dor de cotovelo e sem vontade para engolir o êxito de Centeno.
Só que, um dia destes, Mário Centeno foi ao futebol e parece que fez o que fazem todos os políticos, isto é, terá pedido para ir para a tribuna presidencial. O pasquim Correio da Manha mordeu de imediato como fazem todos os cães que não conhecem dono e, lamentavelmente, teve seguidores em vários jornais e até noutras instâncias, inclusive aquelas que não se têm cansado de perseguir, repito perseguir, os seus adversários políticos. Abutres e hienas juntaram-se. É demasiado ridículo. É uma tristeza e uma vergonha. Como é possível que se perca tempo com coisas destas ou que o país progrida com esta gente?

sábado, 27 de janeiro de 2018

Britânicos já pensam em novo referendo

De acordo com uma sondagem hoje publicada no diário londrino The Guardian há 58% de eleitores britânicos que entendem que após o fim das negociações do Brexit, o eleitorado britânico deve ser chamado às urnas para um segundo referendo.
A pesquisa que foi feita pela agência ICM interrogou uma amostra de mais de cinco mil britânicos e os resultados mostram que o Reino Unido está dividido, mas que vem aumentando o número dos que estão contra o Brexit. Pela dimensão da amostra e porque foi segmentada por regiões, idades, géneros, classes sociais, etnias e tipos de emprego, a sondagem faz um retrato muito completo da opinião dos britânicos em relação ao Brexit e, segundo se observa nos resultados, se houvesse "um novo referendo amanhã", haveria 51% de votos no Remain e 49% no Leave.
Outro aspecto interessante da sondagem é a opinião sobre o impacto do Brexit na economia britânica que será negativo para 49% e positivo para 36% do eleitorado.
De entre as quatro regiões ou países do Reino Unido, apenas o País de Gales continua maioritariamente a favor do Leave, enquanto a Escócia aumentou em dois pontos o apoio ao Remain que é agora de 63%. Em termos etários a sondagem é surpreendente pois o apoio dos estudantes ao Remain subiu 16 pontos e está agora nos 65%, enquanto o apoio ao Leave apenas é maioritário na população reformada e com mais de 64 anos de idade.
De uma forma geral prevalece a opinião de que com o Brexit a economia, as finanças pessoais e a qualidade de vida dos britânicos vai baixar.
Parece não haver dúvida que os britânicos já mudaram de opinião e que, mais cedo ou mais tarde, vão pedir de volta a carta em que invocando o artigo 50º do Tratado de Lisboa, declararam querer sair da União Europeia.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

As boas notícias e o mau jornalismo

Penso que não exagero quando afirmo que a generalidade do jornalismo e da imprensa portuguesa estão a atingir patamares insuportáveis de mediocridade, de incompetência e de crescente alinhamento com interesses partidários e de outra natureza. O dever de informar com isenção e rigor está a deixar de ser a norma e os gatekeepers ou os editores parecem não perceber a sua função.
Ontem, no Fórum Económico Mundial que decorre em Davos, o primeiro-ministro António Costa anunciou que a multinacional norte-americana Google vai instalar em Oeiras a partir de Junho, um centro de serviços e hub tecnológico para a Europa, Médio Oriente e África, que criará de imediato cerca de 500 empregos altamente qualificados, sobretudo engenheiros.
A decisão resultou de uma competição internacional muito dura porque havia muitos candidatos a querer atrair o investimento da Google e, por isso, Paddy Cosgrave, o fundador da Web Summit, foi um dos primeiros a congratular-se com a decisão, enquanto por cá apenas Isaltino Morais se congratulou com a notícia.
É certo que nestas coisas é de boa prudência esperar para ver porque já se viu  que algunas vezes "a montanha pariu um rato", mas num país periférico e carente de investimento que crie emprego qualificado, a notícia é relevante e não pode deixar ninguém indiferente. Porém, o facto é que só o Diário de Notícias se referiu ao assunto num canto “escondido” da sua primeira página e que nenhum outro jornal a destacou, preferindo escolher títulos irrelevantes. Lamentável ou talvez um caso de má fé. Começamos a ficar habituados a uma imprensa da treta, que não se cansa de falar em Tancos e na legionella, mas que não enfatiza a redução progressiva e acentuada do défice, a redução da dívida, a antecipação de pagamentos ao FMI, a melhoria dos ratings das agências de notação financeira ou os novos investimentos estrangeiros em Portugal. É mesmo muito lamentável.

Goa: uma vez mais o Monte Music Festival

Foi anunciada em Goa a realização da 16ª edição do Monte Music Festival, um evento que é organizado desde 2002 pela Fundação Oriente e que é uma das mais importantes iniciativas culturais portuguesas no estrangeiro, sem qualquer interferência estatal.
Durante três dias, de 2 a 4 de Fevereiro, muitas centenas de pessoas convergem para os espaços circundantes da capela de Nossa Senhora do Monte em Velha Goa, originalmente construida nos primeiros anos do século XVI e restaurada pela Fundação Oriente em finais do século passado, para assistir a um programa musical de grande qualidade estética, que já goza de grande prestígio em toda a Índia.
Nesse programa que anualmente se renova e que decorre no fantástico cenário natural que é a vista sobre a velha cidade que até meados do século XIX foi a capital do Estado Português da Índia e cujas igrejas e conventos foram classificados pela Unesco como Património da Humanidade, tem lugar a apresentação de estilos musicais bem diversos, incluindo a música clássica indiana e ocidental, os grupos corais religiosos, o canto lírico, a música de fusão e, quase sempre, o fado português cantado por artistas portugueses expressamente convidados ou por artistas goeses que cultivam essa expressão musical.
São já muito numerosos os artistas portugueses que passaram pelo Monte Music Festival e são também várias as carreiras de sucesso internacional de músicos e vozes goesas que foram lançadas neste festival e esse é um motivo de grande satisfação por esta importante iniciativa cultural da Fundação Oriente.
O Monte Music Festival tem a participação maioritária mas não exclusiva de músicos goeses e é não só o mais prestigiado festival que se realiza em Goa, mas é também uma iniciativa que prestigia Portugal numa região onde a cultura portuguesa ainda tem tão fortes raízes.

Luanda perfaz hoje 442 anos de idade

A cidade de Luanda celebra hoje 442 anos de idade pois foi fundada no dia 25 de Janeiro de 1576 por Paulo Dias de Novais, um fidalgo e explorador português que lhe então deu o nome de São Paulo da Assunção de Loanda. O Jornal de Angola evoca essa data na sua edição de hoje.
Paulo Dias de Novais estivera naquela costa em 1560 a pedido do rei de Ndongo, vassalo do reino do Kongo, que pedira aos portugueses o envio de missionários para a região, mas acabou por ser hostilizado e regressou a Portugal. Mais tarde, voltou a partir de Lisboa para a costa de Angola acompanhado por dois jesuítas, tendo chegado à ilha de Luanda em Fevereiro de 1575, com dois galeões, duas caravelas, dois patachos e uma galeota, aí estabelecendo o primeiro núcleo de colonos portugueses na costa de Angola. Eram cerca de 700 pessoas, onde se incluiam religiosos, mercadores, funcionários e 350 homens de armas.
Porém, verificando que a ilha de Luanda não era o local mais adequado para criar uma povoação, decidiu fixar-se na terra firme e aí lançar a primeira pedra para a construção de uma igreja dedicada a S. Sebastião, exactamente no dia 25 de Janeiro de 1576. Foi há 442 anos.
A história de Luanda é muito rica como revela o seu património arquitectónico religioso e militar herdado da colonização portuguesa, mas assinalam-se outros factos históricos relevantes como a sua posse pelos holandeses que entre 1641 e 1648 dominaram a cidade, até que uma coligação de portugueses, brasileiros e angolanos saiu do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá e Benevides e reconquistou a cidade.
Hoje Luanda é a capital da República de Angola e é uma cidade com mais de 8 milhões de habitantes, que é também a maior capital de língua portuguesa e a terceira maior cidade de língua portuguesa depois de São Paulo e do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Os americanos desesperam com o Donald

A mais recente edição do Courrier international dedica a sua capa à passagem do primeiro aniversário da presidência americana de Donald Trump e foi inspirar-se no mais famoso quadro do pintor norueguês Edvard Munch.
Em 1893 Munch pintou “O Grito”, no qual é representada uma figura humana que, segundo os críticos de arte, se encontra num momento de “profunda angústia e desespero existencial”. É uma obra icónica da modernidade e do expressionismo e Munch pintou quatro versões, das quais três estão em museus noruegueses e uma foi vendida em 2012 num leilão da Sotheby’s em Nova Iorque por 91 milhões de euros, tornando-se o quadro mais caro vendido até então.
A associação do quadro de Munch ao desespero dos americanos foi uma iniciativa muito apropriada dos editores do Courrier International, porque nunca um presidente dos Estados Unidos foi tão impopular como o Donald, com as suas declarações polémicas ou hostis em relação à Palestina, a Cuba, à Venezuela e ao México, à Coreia do Norte e até mesmo em relação à Europa. Os americanos ou uma grande parte da América está mesmo desesperada com os comportamentos de Dionald Trump e, segundo parece, muito mais poderá acontecer.
Os americanos têm o costume de invocar Deus e pedir que God bless America, mas parece que cada vez é mais apropriado dizer God save America of this Donald!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

A preocupante iniciativa militar turca

A Turquia iniciou a Operasyon Zeytin Dali contra as milícias curdas instaladas na região síria de Afrin, que faz fronteira e penetra no território turco, sendo que essa acção militar já é considerada uma nova frente de guerra no já longo conflito da Síria.
De acordo com as notícias divulgadas, logo no seu primeiro dia e ainda antes da invasão por forças terrestres, foram atingidos 108 alvos por 72 aviões F-16. Trata-se, portanto, de uma acção em larga escala que está em curso no noroeste da Síria, numa região controlada por milícias curdas apoiadas pelos Estados Unidos desde o início da guerra na Síria e que, segundo os turcos, visa expulsar os “rebeldes” da região de Afrin e criar uma zona de segurança para a Turquia. O presidente Recep Erdoğan tem sido muito claro e tem utilizado uma linguagem de intolerância absoluta em relação aos curdos, ameaçando mesmo exterminá-los. A Turquia parece estar isolada e Erdoğan mostra, uma vez mais, uma indesejável arrogância fascizante, o que deixa os seus parceiros da NATO muito perturbados. A França pediu a reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas e os Estados Unidos, que sempre apoiaram os curdos, ainda apelaram à contenção dos turcos, mas Erdoğan ignorou o aviso americano. As autoridades sírias de Damasco protestaram e a Rússia, o Irão e o Egipto, por exemplo, têm condenado a iniciativa turca. O caso pode ser muito sério.
O jornal turco Milliyet dedica toda a sua primeira página à Operasyon Zeytin Dali e, pelo seu conteúdo fotográfico, parece apoiá-la, o que é um indício da natureza do poder ditatorial e agressivo exercido por Erdoğan. O que parece não haver dúvidas é que está ali mais um preocupante foco de instabilidade internacional.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Portugal, los nórdicos del sur de Europa

O diário La Voz de Galicia publica hoje uma extensa e importante reportagem sobre Portugal e, entre outros sugestivos e laudatórios títulos, utilizou a frase Portugal, los nórdicos del sur de Europa e, também, a frase El renacer al otro lado de la raia.
A reportagem começa por assinalar o facto de, em poucos anos, o país ter passado da humilhante intervenção da troika para a prestigiante eleição do seu Ministro das Finanças para presidir ao Eurogrupo. Foi um salto em que um país deprimido se tornou um país da moda, que atrai investimento de meio mundo, que capta residentes de luxo, que é um viveiro de dirigentes internacionais e tem tido um enorme êxito na criação de emprego. O jornal analisa também os excepcionais resultados na gestão da dívida, no pagamento antecipado do empréstimo do FMI, na redução do défice público e no comportamento das exportações. É o que diz o jornal, que também escreve que há progresso, segurança e abertura ao mundo e que, segundo o Índice de Paz Global, é o terceiro país mais seguro do planeta, só ultrapassado pela Islândia e pela Nova Zelândia. Ao sucesso económico, segundo o jornal galego, os portugueses somam êxitos desportivos, musicais e diplomáticos.
Nenhum português lê aquela reportagem sem um sentimento de orgulho. Porém, é lamentável como a imprensa portuguesa parece ignorar o nosso êxito colectivo e do governo de António Costa, preferindo fixar-se nos fait-divers da sociedade e da política.
Todos sabemos que há notícia quando o homem mordeu o cão e que não há notícia quando o cão mordeu o homem ou, noutra perspectiva, há notícia quando o acontecimento relatado contribui para a venda do jornal e para o consequente aumento das audiências. Seja verdadeiro ou seja falso.
Porém, a imprensa portuguesa tem exagerado na manifestação de frequentes exibições de mediocridades e até na seu dever de informar, optando muitas vezes por verdadeiras campanhas de difamação. La Voz de Galicia começa a sua extensa reportagem por elogiar a prestigiante eleição de Mário Centeno, mas os nossos políticos e jornalistas preferiram criticá-lo por pedir bilhetes para o futebol, num país em que as tribunas dos estádios estão sempre cheias de políticos de vários partidos. Se o comportamento da imprensa não fosse tão patético, até dava para sorrir.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A conservação do urso pardo cantábrico

Os jornais cantábricos deram hoje a notícia que o urso pardo cantábrico Tola foi encontrado morto no cercado de Santo Adriano, próximo de Oviedo, anunciando que o paraíso natural perdera um ícone. Tola tinha 29 anos de idade e já tinha ultrapassado a esperança média de vida da sua espécie que é de cerca de 20 a 25 anos.
O jornal La Voz de Avilés conta a história de um caçador furtivo que em 1989 matou uma ursa nas montanhas asturianas e capturou as duas crias que a acompanhavam. Pouco depois esse caçador foi detido e as crias foram recuperadas, mas não puderam ser reintroduzidas na natureza. Foram baptizadas como Tola e Paca, um macho e uma fêmea, tendo-se tornado no símbolo da luta pela conservação do urso pardo cantábrico, depois de em 1996 terem passado a viver em cativeiro no cercado de Santo Adriano, especialmente preparado para as receber. Como reconhece o Ayuntamiento de Santo Adriano, Tola e Paca tornaram-se uma atracção para o turismo e para a economia local.
O urso pardo cantábrico é o maior animal terrestre em estado selvagem da fauna ibérica e tem o seu principal habitat no Principado das Astúrias e uma população estimada em duas centenas de exemplares, tendo um peso que varia entre 180 kg para os machos e 100 a 140 kg para as fêmeas.
O seu estudo e monitorização têm sido desenvolvidos pela Fundación Oso de Asturias (FOA) que é uma associação cultural privada que tem por objectivo a conservação do urso pardo cantábrico.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Depois da estagnação é a retoma francesa

A Europa está a passar por uma fase de algum entusiasmo económico e a recuperação é confirmada por todos os indicadores, sobretudo os que se referem ao crescimento e ao emprego, embora haja muitas vozes que ainda consideram a retoma muito frágil e com pouca sustentação. Na edição que hoje foi posta a circular, a revista semanal francesa L’Express dedica uma alargada análise à economia francesa e também se mostra algo optimista ao escolher para título de capa a frase:
C’est la reprise oui, mais...
As reticências que aparecem no fim da frase mostram, contudo, que a retoma sustentada ainda não é um dado adquirido, apesar da revista considerar que Emmanuel Macron recebeu este “presente do céu” que é a retoma europeia, que se sucede a quatro anos de estagnação ou mesmo de recessão. A revista analisa o panorama da recuperação francesa que se está a verificar na indústria, na distribuição e na construção, concluindo que o crescimento ainda é frágil e que não está a ser criado emprego. É exactamente o problema do desemprego que se situa acima dos 9%, mas também o crescimento da dívida que quase atinge os 100% do produto nacional e o continuado défice orçamental acima dos 3%, que constituem algumas das questões mais precupantes da economia francesa.
Os últimos anos da gestão de François Hollande coincidiram com uma acentuada crise e a economia francesa teve um crescimento muito débil e a ilustração da revista faz a caricatura dessa situação ao mostrar o simbólico galo amparado num par de muletas e com uma perna envolvida em ligaduras.  Porém, a revista também chama a atenção para os pontos fortes e fracos da economia francesa, as suas oportunidades e as suas ameaças, isto é, faz a chamada análise SWOT da economia francesa. E os franceses parecem confiantes, embora muito menos do que os portugueses que estão a entrar mais uma vez na euforia de comprar carros, de viajar e de se endividarem. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Uma tapeçaria que nos ensina a História

O presidente francês Emmanuel Macron estará amanhã em Londres em  visita oficial e espera-se que anuncie o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux para ser exposta no Reino Unido. Se isso acontecer, será a primeira vez que essa famosa tapeçaria que conta a história da batalha de Hastings sairá de França.
A batalha de Hastings travou-se no dia 14 de Outubro de 1066 e opôs Guilherme da Normandia ao rei anglo-saxão Harald II ou a infantaria inglesa à cavalaria normanda. A batalha durou quase um dia inteiro em vez das habituais duas ou três horas e veio a decidir-se pelo uso do arco e flecha no momento decisivo da batalha. Segundo referiu um especialista, a batalha de Hastings assinalou a última vez que a Grã-Bretanha foi conquistada, o que nunca voltou a acontecer depois, nem com a Invencível Armada de Filipe II de Espanha, nem com o poderio de Napoleão, nem com os bombardeamentos aéreos e as ameaças de Hitler.
Muitos dos pormenores da batalha de Hastings são conhecidos através da grande Tapeçaria de Bayeux que foi encomendada dez anos depois da batalha pelo bispo de Bayeux, meio-irmão de Guilherme da Normandia, o vencedor da batalha.
A tapeçaria bordada no século XI é uma longa sucessão de quadros com meio metro de altura por 70 metros de comprimento, com desenhos e legendas complementares, que integra a exposição permanente do museu da cidade normanda de Bayeux, de onde só saiu muito raramente e nunca para o estrangeiro. A hipótese da quase milenar Tapeçaria de Bayeux sair pela primeira vez de território francês, que o diário The Times hoje pré-anunciou, é um acontecimento cultural importantíssimo no quadro das relações entre a França e o Reino Unido..

O polémico Dia Nacional da Austrália

A Austrália celebra o seu Dia Nacional no dia 26 de Janeiro e, como de costume, esperam-se grandes festejos por todo o país para evocar a chegada do comandante Arthur Phillip a Botany Bay e Sydney Cove, na costa sueste australiana, no ano de 1788. Essa data foi ontem analisada e comentada com grande destaque na primeira página do jornal The Daily Telegraph, porque é muito polémica e muito criticada pelos nativos australianos, pois há o entendimento que deveria ser alterada e que o dia 26 de Janeiro deveria ser designado como o Dia do Genocídio ou o Dia da Invasão, pois foi então que começou uma brutal perseguição aos aborígenes que quase levou à sua extinção.
E o que nos diz a História? Durante a sua primeira viagem pelos mares do sul em busca da Terra Australis Incognita de que os europeus apenas tinham uma vaga informação por via portuguesa e holandesa, o comandante James Cook e o seu HMS Endeavour chegaram em 1770 à costa leste da Austrália, tendo baptizado essa região como a Nova Gales do Sul e feito o reconhecimento de uma baía que baptizaram como Botany Bay.
Cerca de duas dezenas de anos depois, uma expedição inglesa de 11 navios comandada por Arthur Phillip, um oficial inglês que servira na Marinha Portuguesa, chegou a essa mesma baía mas verificou que  Sydney Cove, situada algumas milhas mais a norte, tinha melhores condições. Decidiu desembarcar e aí fundou o primeiro estabelecimento europeu na Austrália – uma colónia penal com 568 homens e 191 mulheres condenados, com 13 crianças, além de 206 marinheiros com 26 mulheres e 13 crianças e, ainda, 20 oficiais, totalizando 1037 pessoas.
Assim nasceu a Austrália e assim começou a sua interessante história que não é nada exemplar no que respeita à forma como tratou e quase exterminou os aborígenes australianos.