segunda-feira, 19 de março de 2018

O separatismo catalão já perdeu fôlego

Desde que a Generalitat de Catalunya, ou Governo Autónomo da Catalunha, convocou um referendo para a independência já realizado no dia 1 de Outubro, que a região da Catalunha não sossega, com muita agitação, alguma desordem pública, inúmeras manifestações a favor e contra a independência e, sobretudo, com a economia a dar inquietantes sinais recessivos. Os constitucionalistas lutam por uma Catalunha integrada na Espanha e baseiam-se no facto da Constituição espanhola de 1978 não permitir votações sobre a independência de qualquer região espanhola, enquanto os soberanistas invocaram o direito à autodeterminação e independência da Catalunha para convocar o referendo, cujos resultados lhes foram favoráveis. Porém, ninguém reconheceu os resultados desse referendo emocional e o problema continua sem solução à vista.
Carles Puigdemont continua ausente ou exilado em Bruxelas, enquanto Oriol Junqueras continua na prisão. O diálogo demora, o separatismo perdeu fôlego mas ainda mostra intransigência e as maiorias silenciosas tendem a revelar-se.
Assim aconteceu no passado domingo, quando milhares de catalães convocados pela SCC (Sociedade Civil Catalã) vieram para a rua e reclamaram sensatez aos políticos catalães (seny) e um governo para todos, para recuperar a normalidade que foi perturbada pela ideia separatista.
Um dos participantes na manifestação foi o antigo primeiro-ministro francês Manuel Valls que, sendo natural da Catalunha e falando em catalão, afirmou que “a Europa precisa de uma Espanha unida” e que o separatismo, ou o procés como é conhecida a aventura catalã, já estava derrotado.
Na manifestação integraram-se bandeiras de Espanha, da Catalunha e da União Europeia e muitos militantes dos principais partidos políticos, destacando-se algumas palavras de ordem como “Estamos fartos”, ou “Somos Catalunha, somos Espanha”, ou “Puigdemont para a prisão”.
O jornal conservador ABC descreveu esta manifestação (em castelhano), tal como o ara ou o El Punt Avui descreverão as manifestações soberanistas (em catalão).

O reforçado poder de Vladimir Putin

Vladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia e terá um novo mandato de seis anos, o que significa que vai estar no poder até 2024. No ano de 2000 tinha sucedido a Boris Yeltsin, o primeiro presidente eleito democraticamente na história da Rússia e, desde então, como presidente ou como primeiro-ministro, o Vladimir tem estado na primeira fila da política mundial e tem sido considerado como um novo czar de todas as Rússias.
A votação de domingo demorou cerca de 20 horas devido à extensão do território russo que se estende por 11 fusos horários, tendo-se verificado algumas denúncias de irregularidades eleitorais, mas Putin conseguiu 56 milhões de votos, correspondentes a 76% dos votos expressos.
O número de votos agora conseguidos superou o número de votos que obtivera nas anteriores eleições, o que parece provar que Putin consolidou o seu prestígio interno, na mesma medida em que também se tornou mais temido ou menos confiável no plano internacional. A vitória era esperada mas havia alguma expectativa quanto aos resultados, pois os eleitores russos iriam avaliar os desempenhos de Putin em relação à Ucrânia, à Crimeia e à guerra na Síria e, de uma forma mais geral, às relações da Rússia com a Europa e com os Estados Unidos, aquilo a que os comentadores dependentes costumam chamar Ocidente, apesar do chamado Ocidente já não existir como entidade homogénea, desde os anos de ouro da NATO e da guerra fria.
A resposta dos russos foi expressiva. O jornal britânico The Times anunciou-a na sua primeira página e escolheu a frase “Putin’s landslide victory... thanks to Britain”, lembrando que foi a precipitada atitude anti-russa de Theresa May e de alguns dos seus “aliados” mais reacionários, que levou o orgulho russo às urnas e à inequívoca vitória de Vladimir Putin.
Theresa May e a sua política continuam a somar derrotas e a afundar a Grã-Bretanha, enquanto Vladimir Putin está a fazer ressurgir o orgulho russo e a superar a humilhação que foi o fim da União Soviética.

sexta-feira, 16 de março de 2018

A desanimadora tensão russo-britânica

A edição de hoje do jornal inglês The Daily Telegraph destaca na sua primeira página uma fotografia do HMS Trenchant, um submarino nuclear britânico armado com mísseis de cruzeiro Tomahawk e torpedos pesados Spearfish, que está envolvido em exercícios militares no Ártico, no qual também participam os submarinos americanos USS Hartford e USS Connecticut. Estes exercícios revelam o interesse que o Ártico está a despertar no contexto da rivalidade russo-americana pelo controlo estratégico de uma tão vasta área do planeta e dos seus recursos.
Acontece que há mais de uma dezena de anos que nenhum submarino britânico frequentava a zona ártica, pelo que esta missão despertou o interesse da imprensa, numa altura em que é muito elevada a tensão entre o Reino Unido e a Rússia, depois do governo de Theresa May ter decidido expulsar 23 diplomatas russos como retaliação ao bárbaro envenenamento do espião russo Sergei Skripal e da sua filha. Assim, surgiram críticas sobre a inoportuna presença do HMS Trenchant no Ártico, que pode ser entendida como uma provocação. Essa é também a opinião do líder da oposição trabalhista Jeremy Corbyn, que já veio criticar a medida tomada por Theresa May e lembrar que é preciso evitar uma “nova guerra fria” com a Rússia, até porque a morte de Skripal, que era um agente duplo, poderá ter sido obra da máfia russa e não ter sido provocada pelas autoridades de Moscovo.
A tensão russo-britânica é desanimadora no quadro de um clima de paz e de cooperação internacional, mas do que não restam dúvidas é que os britânicos e o governo de Theresa May parecem estar a passar por alguma desorientação com os seus problemas internos, com as negociações do Brexit, sem o apoio americano que pensavam poder ser mais expressivo e, agora, com a tensão com a Rússia.

quarta-feira, 14 de março de 2018

As coisas caricatas do nosso quotidiano

O nosso pequeno Portugal tem sido palco nos últimos tempos de incontáveis situações demasiado caricatas, que passam pela política, pelo futebol, pela justiça, mas também por outros sectores, que mostram como o ridículo parece não ter limites.
Comecemos pela política. Com eleições legislativas no horizonte e com o Presidente Marcelo a revelar-se menos beijoqueiro do que o habitual, com António Costa a navegar à bolina, com Rui Rio a procurar tomar o leme ao seu partido e com os partidos da esquerda a agitar os seus eleitorados com vista às futuras eleições, apareceu uma tal de Cristas numa caricata e insensata ambição populista, a falar com uma arrogância e uma ambição desmedidas e a posicionar-se para liderar "todas as direitas" e ser a alternativa a António Costa. Foi a mais caricata e atrevida postura política que se viu ultimamente em Portugal. O que ela disse para mobilizar as suas bases é um atentado à inteligência dos portugueses, pois ninguém percebe como é possível passar de 7% das intenções de voto (sondagens de Janeiro de 2018 da Eurosondagem e da Aximage) para, como ela disse, chefiar o governo.
Também o futebol continua com aspectos caricatos, pois deixou de ser um belo espectáculo para se tornar numa indústria em que prolifera muita gente pouco recomendável, incluindo dirigentes e comentadores que, aos gritos e ameaças, ocupam o espaço televisivo e invadem os nossos domicílios.
Depois temos outro aspecto caricato da nossa vida quotidiana porque, numa lógica absurda e sem qualquer respeito pelo direito ao bom nome das pessoas, assistimos ao anúncio de inquéritos que deveriam ser confidenciais e que arrasam os cidadãos na praça pública, numa promíscua relação entre os agentes do sistema de justiça e os mais reles membros da nobre corporação dos jornalistas.
No plano dos costumes sociais também temos sido assaltados pelo ressurgimento da linha Relvas de falsos doutores, isto é, do reaparecimento de casos de abusivo e desonesto uso de qualificações académicas, como sucede com o título de catedrático que foi aceite por Passos Coelho ou com a utilização da categoria de visiting scholar por Barreiras Duarte.
São apenas algumas das situações caricatas que estão a atravessar a nossa sociedade e que mostram o poder dos media, mas também a altíssima perversidade de alguns deles.

domingo, 11 de março de 2018

A caravela-portuguesa veio dos trópicos

O título da edição de hoje do diário Faro de Ceuta até pode assustar os ceitis porque lhes pode lembrar o dia 21 de Agosto de 1415, quando chegaram à baía de Ceuta cerca de 212 embarcações, incluindo naus, caravelas, galés e outras embarcações menores, onde iam embarcados 20 mil homens comandados pelo rei D. João I para conquistar a cidade. De facto, a notícia de que a caravela portuguesa [está] em Ceuta, bem poderia referir-se ao episódio da chegada das caravelas e de outros navios portugueses à baía de Ceuta, acontecido há 602 anos.
Porém, a caravela-portuguesa referida na notícia é a physalia physalis que, segundo o meu amigo Google, é um organismo pluricelular ou uma colónia de organismos geneticamente idênticos e altamente especializados que aparentam ser uma única criatura e cuja principal toxina é a physaliatoxina. Têm cores diversas, tentáculos com células urticantes que podem atingir 30 metros de comprimento e vivem na superfície do mar das regiões tropicais, flutuando graças a um flutuador cilíndrico cheio de gás.
Provavelmente, devido a condições oceanográficas desconhecidas, a Portuguese man o’war que é parecida com uma alforreca, foi deslocada pelo vento desde as regiões tropicais até ao sul da península Ibérica. Apareceu nas praias de Ceuta onde causou alarme e foi notícia de primeira página no Faro de Ceuta, mas também nas praias da Manta Rota e Monte Gordo, no sotavento algarvio, o que levou a autoridade marítima a difundir conselhos às populações marítimas devido ao seu elevado poder urticante e elevada perigosidade. Para quem ande no mar ou vá à praia, há que ter muito cuidado, mas não deixa de ser curioso o nome deste organismo inspirado na aventura marítima portuguesa dos séculos XV e XVI.

Amoco Cadiz: o naufágio de má memória

O jornal bretão Le Télégramme dedica a sua edição de hoje ao encalhe do Amoco Cadiz, porventura o mais simbólico dos grandes acidentes marítimos acontecidos com super-petroleiros ou VLCC (Very Large Crude Carrier).
O histórico naufrágio sucedeu no dia 16 de Março de 1978 na costa da Bretanha e o navio de 334 metros de comprimento e 51 metros de boca partiu-se em dois, tendo provocado o derramamento de muitas toneladas de petróleo numa mancha principal que media 16 quilómetros de largura por 72 quilómetros de comprimento, o que foi um dos maiores desastres ambientais até então ocorridos no planeta.
Infelizmente para o meio ambiente, as tragédias com petroleiros têm continuado e os desastres do Exxon Valdez em 1989 no Alasca, do Erika em 1999 na baía da Biscaia e do Prestige em 2002 nas costas da Galiza, são apenas alguns exemplos dos desastres ambientais provocados pelos super-petroleiros. Porém, o caso do Amoco Cadiz continua a ser o exemplo mais clássico e mais lembrado de entre todos. Na Bretanha e um pouco por toda a França, milhares de voluntários mobilizaram-se durante vários meses para limpar as praias, onde foi muito profundo o impacto ecológico dessa catástrofe sobre o litoral, a sua fauna e a sua flora. O naufrágio do Amoco Cadiz marcou uma enorme mudança em relação às preocupações quanto à segurança marítima e foi um alerta para a sensibilização das autoridades e das opiniões públicas.
“O dia mais negro”, pelo seu significado, foi oportunamente evocado pelo Le Télégramme quando se perfazem 40 anos sobre esse naufrágio de má memória.

sábado, 10 de março de 2018

Paris e a manutenção da Torre Eiffel

A Torre Eiffel é o monumento mais emblemático da cidade de Paris e também da França, tendo sido inaugurado em 1889, o que significa que vai celebrar 130 anos de idade em 2019.
Desde que Gustave Eiffel terminou a sua obra até à actualidade, a torre de 300 metros de altura já foi visitada por mais de 300 milhões de pessoas. O seu simbolismo civilizacional e a necessidade da sua preservação implicam que, de sete em sete anos, o monumento seja objecto de trabalhos de manutenção, incluindo a pintura para manter o seu bom aspecto e para prevenir a sua corrosão. Assim acontecerá a partir do próximo mês de Outubro, numa operação que demorará três anos, que custará 40 milhões de euros e que consumirá 60 toneladas de tinta. O jornal Le Parisien destaca essa "incroyable" operação que se  afigura mais complexa do que as 19 operações de pintura realizadas desde a sua inauguração, pois foram encontradas corrosões em muitas juntas, o que requer a sua eliminação. Além disso, a tinta de chumbo que foi usada nas anteriores pinturas terá que ser substituída por razões ambientais, o que vai implicar a decapagem de cerca de 25 mil metros quadrados da estrutura.
Nesta intervenção destaca-se uma novidade que é a colocação de um inovador muro de vidro com 3,24 metros de altura e com 65 milímetros de espessura, a envolver exteriormente a base do monumento, para o proteger e para minimizar o risco de atentados terroristas.
Esta operação de manutenção da Torre Eiffel sugere que sejam estudadas e intervencionadas as estruturas metálicas que foram construídas em Portugal desde finais do século XIX, sobretudo pontes, para assegurar a sua segurança.

sexta-feira, 9 de março de 2018

Donald e Kim ou o encontro não esperado

A notícia surgiu há poucas horas e foi veiculada por muitos jornais, incluindo o New York Post: os presidentes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte vão encontrar-se no próximo mês de Maio, em lugar ainda não divulgado, para discutir a desnuclearização da Coreia do Norte e o fim dos testes de mísseis nucleares. O convite partiu de Kim Jong-un e foi aceite por Donald Trump, que já confirmou a aceitação do convite para esse encontro que poderá ser histórico, embora tenha garantido que se mantêm as sanções contra o regime de Pyongyang enquanto não houver um acordo sobre desnuclearização. Segundo foi divulgado, esta iniciativa de Kim Jong-un surgiu na sequência dos encontros entre as duas Coreias que se seguiu aos Jogos Olímpicos de Inverno realizados na Coreia do Sul, tendo o convite sido entregue pessoalmente pelo líder norte-coreano à delegação sul-coreana para que fosse entregue na Casa Branca.
O anúncio do encontro entre os dois polémicos dirigentes tem sido comentado como uma iniciativa muito positiva, embora haja inúmeras divergências a separar os Estados Unidos e a Coreia do Norte. No entanto, este encontro bem poderá ser um ponto de partida para o desanuviamento de uma tensão que ameaça a paz mundial. É difícil conciliar posições tão extremadas e, além disso, houve demasiadas provocações entre os dois dirigentes, mas o encontro não pode deixar de suscitar muitas esperanças num novo caminho que, curiosamente, nasceu com base no desporto e não na diplomacia. 
Quem sabe se o Donald e o Kim, que parece terem tantos pontos de excentricidade em comum, não acabam por se tornar amigos e acabam por dar algum sossego ao mundo?

quinta-feira, 8 de março de 2018

O triste fim do navio "Mestre Simão"

O acidente aconteceu no passado dia 6 de Janeiro quando o navio Mestre Simão, de 40 metros de comprimento, fazia a sua entrada no porto da Madalena.
O Mestre Simão, tal como o seu irmão Gilberto Mariano, era o orgulho dos passageiros do canal, ainda a cheirar a novo, bem equipado, moderno e confortável, mas o mar pregou-lhe uma partida. Havia mau tempo no canal e o navio, que fazia a ligação entre a ilha do Faial e a ilha do Pico, terá sido apanhado por uma onda desencontrada que o atravessou e fez perder o governo, sendo atirado para as rochas que orlam a margem sul da bacia de manobra do porto da Madalena. Os setenta passageiros foram retirados sem quaisquer problemas e não houve feridos, mas o navio ficou preso às rochas, provavelmente muito aguçadas.
A autoridade marítima, a seguradora do navio e o armador Atlânticoline, desenvolveram esforços para esclarecer o que de facto se passou e para tentar o salvamento do navio. Os dias passaram e todos os esforços para o salvar foram infrutíferos, pelo que o governo dos Açores já anunciou que o Mestre Simão sofreu danos irreparáveis e foi considerado perdido, pelo que foi iniciado o processo de aquisição de um navio semelhante, ao mesmo tempo que foi aberto um concurso internacional para o seu desmantelamento e remoção.
Fui fotografar o navio e senti uma enorme mágoa ao ver aquele símbolo do progresso na ligação entre as ilhas do grupo central açoriano e que me transportou algumas vezes no canal do Faial, ali solitário e moribundo. É mesmo muito doloroso porque, como Fernando Pessoa escreveu na Ode Marítima, um navio tem personalidade e, por isso, não merecia um fim tão triste e tão inglório.

terça-feira, 6 de março de 2018

O enorme imbroglio político da Itália

As eleições legislativas italianas realizaram-se no passado domingo e os resultados foram considerados um cataclismo eleitoral, pois o cenário é muito incerto e poderá dar origem a uma situação de ingovernabilidade, para além de deixar a Europa em sobressalto. Le Télégramme, um jornal francês de Lorient, diz hoje que a Itália está em pleno imbroglio político.
Aconteceu que a coligação de centro-direita liderada por Matteo Salvini e que agrega a Liga do Norte, a Forza Italia de Silvio Berlusconi e outros partidos eurocépticos e populistas, obteve 37% dos votos, enquanto a coligação de centro-esquerda do ex-Primeiro Ministro Matteo Renzi, que é dominada pelo Partido Democrático e tem cariz social democrata, se ficou pelos 22,85% de votos. Entre estas duas coligações, mas com o melhor resultado em termos individuais, aparece o Movimento Cinco Estrelas, liderado pelo jovem Luigi di Maio de 31 anos de idade, eurocéptico, populista e adepto da democracia directa, que foi a força mais votada com 32,68% dos votos.
Ninguém conseguiu os 40% que garantem a maioria absoluta para governar e Matteo Renzi já se demitiu da chefia do seu partido. No meio de tantos partidos e tantas coligações, é mesmo muito difícil antever o que irá acontecer.
Certo é que a Itália está agora dominada por eurocépticos e populistas, uns da anti-política e da democracia directa que não são da direita nem da esquerda tradicionais, outros que estão muito próximos da extrema-direita. Um país fundador da União Europeia parece ter-se unido contra o poder de Bruxelas e estar a alinhar-se com as tendências direitistas e xenófobas da Hungria e da Polónia ou, como alguém escreveu, “é estranho imaginar o governo de Roma mais próximo de Budapeste ou Varsóvia, do que de Paris, Berlim ou Bruxelas”. Os italianos votaram contra as políticas internas de apoio aos emigrantes, mas também contra as medidas impostas por Bruxelas que têm empobrecido o país, havendo muita gente que, por toda a Europa, teme um Brexit italiano, que a acontecer seria certamente mais grave do que aquele que foi decidido em Londres.

segunda-feira, 5 de março de 2018

A nova pátria catalã chama-se Tabarnia

Muitos jornais espanhóis, sobretudo os mais conservadores como o ABC, noticiam hoje com grande destaque as manifestações havidas ontem em Barcelona a favor da independência da Tabarnia.
A Tabarnia é um neologismo criado a partir das palavras Tarragona e Barcelona, cujo território corresponde a uma parte do litoral da região autónoma da Catalunha e que agrega várias comarcas das províncias de Tarragona e de Barcelona, que maioritariamente não são independentistas e querem continuar a ser espanholas. Esse território seria constituído pela Alta Tabarnia ou área de influência de Barcelona e pela Baixa Tabarnia ou área de influência de Tarragona.
Para uns, este movimento que defende a independência da Tabarnia pretende “recuperar a soberania do antigo Condado de Barcelona” mas, para outros, apenas pretende opor-se aos movimentos soberanistas e ridicularizá-los. Os milhares de pessoas que ontem se manifestaram nas ruas de Barcelona contra o procés independentista, em boa verdade estavam a defender que a Catalunha continue a ser uma comunidade autónoma de Espanha e, repetidamente, afirmaram que os independentistas estavam a conduzir a Catalunha para um desastre e que as suas intenções são uma loucura.
Os partidos constitucionalistas espanhóis não apoiam este movimento a favor da Tabarnia, mas o facto é que ele até tem bandeira e que vem ganhando adeptos. A sua manifestação foi diferente das habituais manifestações e procurou ridicularizar os independentistas e a desconcertante conjuntura política que vive a Catalunha. Foi a favor de uma Espanha unida e parece ter sido apenas isso, mas muitos cidadãos tomaram-na a sério. O futuro dirá se a Tabarnia é, ou não é, uma coisa a considerar.

domingo, 4 de março de 2018

Navios naufragados = Património cultural

Realizaram-se recentemente nas águas do estreito de Sunda duas cerimónias de homenagem aos marinheiros - 353 australianos e 693 americanos - que pereceram no afundamento dos cruzadores HMAS Perth e USS Houston, que foram atacados por torpedos japoneses no dia 1 de Março de 1942.
Nessa cerimónia relatada pelo jornal The Jakarta Post, participaram as Marinhas americana, australiana e indónésia para evocar as vítimas desses afundamentos, mas a cerimónia também deu lugar a importantes declarações e compromissos no sentido de serem preservados todos os destroços de navios naufragados que estão assinalados nos mares indonésios. No caso do Perth e do Houston, tem havido incursões não autorizadas de mergulhadores que se têm dedicado ao furto de cobre, de equipamentos e de outros achados de valor histórico e arqueológico. Embora a lei indonésia estabeleça que os objectos, em terra ou no mar, com mais de cinquenta anos e com significado histórico, devam ser classificados de interesse cultural e devam ser protegidos do roubo, não tem havido a necessária acção das autoridades, não só na Indonésia, mas também um pouco por todo o mundo.
O estreito de Sunda separa as ilhas indonésias de Samatra e Java e liga o mar de Java ao oceano Índico, sendo reconhecido como um importante cemitério de navios, não só da 2ª Guerra Mundial mas também, provavelmente, do tempo em que os portugueses navegavam naqueles mares, sobretudo no século XVI, antes de serem afastados pelos holandeses da VOC. A preservação desses locais marinhos e a conservação dos destroços dos navios naufragados, não é apenas uma memória histórica e um património de interesse cultural, mas é também uma fonte essencial para os estudos de arqueologia naval.

sábado, 3 de março de 2018

Os “estranhos” navios que visitam Bilbau

A edição do jornal El Correo, que se publica em Bilbau, destaca na sua edição de hoje, uma notícia que informa que nos molhes de Santurtzi se encontram dois navios, cuja presença no porto de Bilbau classifica como “sorpreendentes estampas marineras”.
De acordo com a notícia o submarino Walrus pediu para fazer uma escala em Bilbau por razões técnicas e para descanso do pessoal. Trata-se de um dos quatro submarinos da classe Walrus da Royal Netherlands Navy, a única classe de submarinos holandeses actualmente ao serviço, cujas unidades prestaram durante muitos anos serviços à NATO em operações de vigilância das frotas russas no mar do Norte e no mar Mediterrâneo.
O outro navio que se encontra em Santurtzi é o M/Y Bob Barker, um antigo navio quebra-gelos de 52 metros de comprimento, que está registado em Roterdão. Este navio é propriedade da Sea Shepherd Conservation Society, tem a sua base no porto de Hobart, na Tasmânia, e dedica-se à luta contra os baleeiros, sobretudo japoneses, sendo conhecido em todo o mundo até pela sua camuflagem inspirada naquela que foi usada durante a 1ª Guerra Mundial.
O porto de Bilbau não figura entre os dez mais movimentados portos espanhóis e os molhes de Santurtzi não costumam ser visitados por outros navios que não sejam pesqueiros, pelo que a presença de um submarino e de um navio ecologista, ambos hasteando a bandeira holandesa, provocou muita curiosidade e gerou alguma especulação.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Putin responde a Trump e o mundo treme

Ontem, em Moscovo, o presidente Vladimir Putin fez o discurso do estado da nação perante deputados, senadores e outros dignitários russos, tendo anunciado o reforço da sua capacidade militar, a posse de novas armas sem paralelo no mundo e proclamado a actual superioridade militar da Rússia. A imprensa mundial de referência destacou hoje esse discurso e, diversos jornais internacionais, como por exemplo o espanhol El País, ilustraram a notícia com a mesma fotografia em que a imagem de Putin projectada no fundo da sala aparece sobreposta à assistência. A fotografia tem algum simbolismo a lembrar um poder semelhante ao antigo poder dos czares, porque Vladimir Putin tem dominado a política russa desde o ano de 2000 e tem conseguido reerguer o prestígio internacional da Rússia, depois da humilhação que se seguiu à queda da União Soviética. Com 65 anos de idade, Putin espera não só conseguir pela quarta vez mais um mandato de seis anos nas eleições de 18 de Março como espera, também, reforçar o seu poder pessoal ao prometer um futuro radioso para a Rússia. Durante o seu discurso, foram passados seis vídeos sobre as novas armas russas, incluindo uma nova geração de armas nucleares, um míssil de cruzeiro classificado como invencível e um torpedo nuclear que, segundo foi afirmado, pode vencer todas as defesas americanas. Para alguns observadores, o discurso de Putin teve por objectivo a agitação das paixões nacionalistas russas neste tempo pré-eleitoral, mas para outros significou um certo regresso ao passado e ao neo-keynesianismo militar do tempo da guerra fria, em que russos e americanos disputaram entre si a posse de mais e melhores aviões, fragatas, submarinos, tanques, mísseis, bombas, torpedos e ogivas nucleares.
Trump e Putin parece terem reentrado nessa antiga disputa, o que é bem preocupante.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Um português de sucesso na Florida

O diário el Nuevo Herald que se publica em Miami e que é o segundo jornal em espanhol mais lido nos Estados Unidos, destaca hoje na sua primeira página que “Carvalho se puede ir a Nueva York”.
Este homem que o jornal destaca é Alberto M. Carvalho, nascido em Lisboa e criado no Bairro Alto, que emigrou ilegalmente para a América. Chegou a Nova Iorque com 17 anos e sem saber inglês, trabalhou nas obras, lavou pratos em restaurantes e estudou. Hoje, com 53 anos de idade, é o português mais conhecido na Florida e um dos maiores especialistas em Educação nos Estados Unidos. Desde 2008 exerce a função de superintendente das Miami-Dade County Public Schools, o quarto maior distrito escolar dos Estados Unidos, ocupando um cargo que é uma espécie de Ministro da Educação de uma área onde vivem 5 milhões de pessoas, com a responsabilidade por cerca de 346 mil alunos e por 52 mil professores e funcionários.
A sua reputação é muito elevada, não só na Florida, mas também nos Estados Unidos. Já aconselhou inquilinos da Casa Branca republicanos e democratas, sobre a sua área de especialidade e, em 2014, a American Association of School Admimistrators elegeu-o, entre 15 mil superintendentes, como o National Superintendent of the Year.
Ontem foi anunciado que Alberto Carvalho foi escolhido por Bill de Blasio, o influente Mayor de Nova Iorque, para ocupar o cargo de chancellor of the New York City Department of Education, isto é, para dirigir as escolas da cidade. O jornal ainda não sabia se Carvalho tinha aceitado o convite, mas insinua que ele se prepara para partir para a Big Apple para, mais tarde, entrar na vida política e candidatar-se a um lugar no Congresso dos Estados Unidos. Com o percurso já percorrido, é bem possível.