terça-feira, 15 de maio de 2018

O Donald e a revolta dos palestinianos

A mudança da embaixada americana de Telavive para Jerusalém que ontem se concretizou, é uma provocação para quem quer a paz no mundo e veio romper com um consenso internacional sobre a cidade que tem um estatuto especial, porque tanto os israelitas como os palestinianos a querem para capital. A euforia tomou conta da cidade e há cartazes por todo o lado anunciando “Trump Make Israel Great”, significando que a aliança entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu ou entre Israel e os Estados Unidos é mais forte do que nunca e, provavelmente, faz parte de uma estratégia americana de combate às influências russa e iraniana na Síria. Por isso, não são de esperar boas notícias vindas daquela região e, pelo contrário, tudo se conjuga para que haja confrontos.
A polémica decisão do Donald apenas vai ser acompanhada pela Guatemala, Paraguai e Honduras. Por outro lado, a grande festa que assinalou a inauguração da nova embaixada teve um apoio internacional mínimo e, no caso da União Europeia, o boicote foi quase unânime pois o convite americano apenas foi aceite por quatro países (Áustria, Hungria, Roménia e República Checa), porque são governados por partidos de direita ou extrema-direita e, certamente, gostam do Donald. 
A decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel foi uma afronta à Palestina e a reacção popular a esta decisão provocatória, sobretudo na faixa de Gaza, foi imediata, com dezenas de milhares de palestinianos a aproximarem-se da fronteira em protesto, lançando pedras e pneus em chamas sobre as forças militares de Israel que reagiram e mataram pelo menos 55 manifestantes e feriram cerca de dois mil, segundo relatam as agências noticiosas.
Os tempos que aí vêm são realmente muito inquietantes, porque os israelitas estão eufóricos e estão entusiasmados com o Donald. Vamos a ver se a União Europeia e a Merkel, a May e o Macron estão à altura do momento que passa.
Entretanto, saúda-se a capa do Diário de Notícias que soube seleccionar o assunto mais importante do dia, o que nem sempre acontece.

sábado, 12 de maio de 2018

Cáceres é uma cidade em euforia e festa

A Comunidade Autónoma da Extremadura espanhola está repartida pelas províncias de Cáceres a norte e Badajoz a sul, mas a sua capital encontra-se em Mérida, a antiga capital da Lusitânia.
As cidades da Extremadura possuem um valioso património histórico e arquitectónico, pelo que uma visita a estas cidades de muralhas e de cegonhas é sempre recomendada, até porque a distância a que se encontram da fronteira portuguesa não excede uma centena de quilómetros por boas estradas.
A monumental cidade de Cáceres é, simultaneamente, a sede de um município e de uma província e o seu centro histórico foi incluido em 1986 na lista do Património da Humanidade pela Unesco.
É, pois, nesta cidade que desde 1992 se realiza o Womad ou World of Music, Arts and Dance, um festival internacional que dura três ou quatro dias e que acontece em três dezenas de países e que, segundo a organização, é uma festa da diversidade cultural, da tolerância, da solidariedade, do respeito, do entendimento e da explosão da criatividade. O Womad Cáceres 2018 decorre desde o dia 10 de Maio e nele participam 32 artistas de 11 países, embora as iniciativas do festival se estendam para além da música. A alargada e atraente Plaza Mayor da monumental cidade de Cáceres é o centro do festival e, como se vê na fotografia hoje publicada pela edição estremenha do jornal el Periódico, transforma-se e fica absolutamente ocupada pela multidão.
Naturalmente, quem já passeou por aquela praça e se sentou nas suas esplanadas a tomar uma cerveja fresca em dia de grande calor, fica assustado com tanta gente e tanta euforia. Por isso, atrevo-me a recomendar uma visita a Cáceres e outras cidades estremenhas como Mérida e Trujillo, mas numa altura em que não haja o Womad e as suas multidões...

A China e o seu apetite pela ex-lusa EDP

A EDP – Energias de Portugal é uma grande empresa do sector energético com actividade ao nível da produção, distribuição e comercialização de electricidade, e comercialização  de gás que nasceu em 1976 como resultado da fusão de 14 sociedades exploradoras do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica que tinham sido nacionalizadas no dia 15 de Abril de 1975.
A empresa cresceu, diversificou actividades e em 1996 iniciou um processo de internacionalização que teve como contrapartida a privatização de uma parte do seu capital, numa altura em que as privatizações estavam na moda. Foram então alienados 30% do capital da empresa numa operação em que a procura superou a oferta em mais de trinta vezes e que foi considerada como um sucesso do chamado capitalismo popular, pois cerca de 800 mil portugueses tornaram-se accionistas da EDP. Depois, sucedeu-se a privatização de outras fatias do capital social, embora se mantivesse o controlo do Estado até que, em 2011, os direitos especiais do Estado ou golden share  foram eliminados por imposição da troika que por aí andou.
Nessa altura, uma empresa estatal chinesa - China Three Gorges Corporation  - assegurou a maioria do capital da sociedade, na qual cerca de 40% são controlados por estados ou capitais estrangeiros, designadamente dos Estados Unidos, de Espanha, Holanda, Argélia, Qatar, Abu Dhabi e Noruega.
A EDP é um nó na garganta para muitos portugueses que não compreendem como é possível que a maior empresa portuguesa possa estar nas mãos e servir interesses do capital estrangeiro, gerando enormes lucros para os seus accionistas chineses, americanos, espanhóis e outros.
Agora apareceu um outro grupo chinês a querer comprar toda a EDP e fez uma (quase) irrecusável Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 7.700 milhões de euros, que não é mais do que uma verdadeira aposta estratégica da China na "conquista" da Europa e não no desenvolvimento do nosso pequeno Portugal do Mexia, do Catroga e dos amigos que estão com eles nos cadeirões da EDP.
O curioso é que esta OPA é mais noticiada em Espanha, sobretudo nos jornais das Astúrias onde a EDP tem interesses, do que no nosso Portugal.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ainda há quem possa confiar no Donald?

O Prémio Internacional Carlos Magno ou Internationaler Karlspreis é atribuido anualmente pela cidade de Aachen, na Alemanha, para distinguir personalidades que se tenham destacado pelo seu contributo para a unidade e coesão da Europa. Este ano o prémio foi atribuído ao presidente francês Emmanuel Macron e deu origem a importantes declarações, quer da chanceler alemã que esteve presente na cerimónia, quer do premiado.
Os jornais internacionais de referência, como o El País, destacaram as declarações produzidas que condenaram vivamente a retirada de Donald Trump do acordo nuclear com o Irão e que, dessa forma, faz aumentar a tensão no Médio Oriente e o risco de sérios confrontos entre Israel e o Irão, como já se começou a verificar.
Disse Angela Merkel que “há conflitos às portas da Europa e o tempo em que podíamos confiar nos Estados Unidos acabou”, enquanto Emmanuel Macron confirmou a mesma ideia e disse que “algumas potências decidiram quebrar a sua palavra” e “não podemos deixar que outros decidam por nós”.
Desde que Trump assumiu a presidência, os Estados Unidos têm dado fortes contributos para a destabilização mundial com a declaração de que a NATO era obsoleta, com a teimosia da construção de um muro na fronteira com o México, com a saída do acordo de Paris, com as suas ameaças comerciais proteccionistas e outras arrogâncias de semelhante gravidade. Os líderes europeus parece que só agora chegaram à conclusão de que o paradigma atlântico que prevaleceu desde a 2ª Guerra Mundial e que unia estrategicamente a Europa e os Estados Unidos, já não funciona na actualidade. Afinal, as sucessivas visitas de Macron, de Merkel e de outros líderes aos Estados Unidos, apenas serviram para verificar aquilo que já se sabia, isto é, que o Donald é um irresponsável em que não se pode confiar.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Adeus a Dhlakama e paz em Moçambique

As imagens das cerimónias fúnebres de Afonso Dhlakama realizadas na cidade da Beira são, ao mesmo tempo, um sinal de profunda consternação pela morte de um combatente, mas são também uma afirmação de sentimentos democráticos e, ainda, de respeito por um adversário político. Moçambique está de luto porque em democracia, governo e oposição são as duas faces da mesma moeda.
O desaparecimento de Dhlakama é uma grande perda para Moçambique, porque se tratava de um homem empenhado na paz e na democracia, que soube lutar com coerência pelos seus ideais e que por eles preferiu o desconforto da serra da Gorongosa, ao conforto dos salões ou das avenidas ajardinadas de Maputo.
O governo moçambicano homenageou o seu maior adversário político com merecidas honras de Estado e o discurso do presidente Filipe Nyusi soube enaltecer o homem com quem discutiu a paz e a reconciliação nacional, mas o que mais se salientou nas cerimónias fúnebres terá sido a grande manifestação popular que uniu milhares de moçambicanos neste triste acontecimento.
O jornal O País destacou na sua primeira página essa multidão que disse adeus a Afonso Dhlakama. Agora cumpre aos seus sucessores e aos dirigentes da Frelimo continuar o seu trabalho por uma paz duradoura, pela coesão nacional e pelo progresso económico e social, honrando a memória e os contributos do presidente da Renamo.
Viva Moçambique!

Donald continua a desafiar a estabilidade

No dia 14 de Julho de 2015, depois de longas negociações, foi assinado um acordo internacional sobre o programa nuclear do Irão que ficou conhecido como Plano de Acção Conjunto Global ou Joint Comprehensive Plan of Action ou, mais simplesmente, por JCPOA.
Esse acordo, que foi assinado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mais a Alemanha e a União Europeia, limitava o programa nuclear que a República Islâmica do Irão então desenvolvia e entregava à Agência Internacional de Energia Atómica a responsabilidade pela monitorização do acordo.
Depois de décadas de tensão e de ameaças de confronto, o JCPOA abriu caminho para uma nova era no relacionamento internacional e mostrou o valor da diplomacia e da cooperação, levando ao restabelecimento de um clima de confiança em relação ao Irão, o que fez com que muitos investimentos e muitos negócios para lá convergissem.
Até que veio o Donald e, contra a opinião de todos os signatários do acordo, decidiu denunciá-lo, à semelhança do que já fizera com os Acordos de Paris sobre as alterações climáticas de 2016. Como sempre acontece nas suas controversas decisões, mas neste caso pressionado por Israel, o Donald afirmou ter provas de que o Irão não está a cumprir os termos do acordo e que continua a ser o principal patrocinador do terror no mundo.  
Hassan Rouhani, o presidente do Irão, anunciou de imediato que a república islâmica permanecerá no acordo nuclear com os outros cinco países e mostrou satisfação pela saída dos Estados Unidos que considerou um intruso.
O jornal Libération utiliza uma montagem fotográfica para ilustrar a situação e coloca Emmanuel Macron, Angela Merkel e Theresa May a desafiar o Donald que, segundo Barack Obama, acabou de cometer um erro histórico.  O facto é que o mundo parece muito preocupado com mais esta decisão do Donald, até porque a ala radical do regime iraniano "quer acender o rastilho deixado pelo Ronald".

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O czar Putin e o renascimento da Rússia

Diversos jornais mundiais publicaram ontem a mesma fotografia de Vladimir Putin a desfilar numa passadeira vermelha após tomar posse como Presidente da Rússia, naquele que é, segundo a lei russa em vigor, o seu 4º mandato e último mandato presidencial. Um desses jornais foi o The Wall Street Journal, a revelar como a presidência russa é muito importante para os Estados Unidos.
Vladimir Putin foi reeleito nas eleições do passado dia 18 de Março em que obteve 76,69% dos votos e decidiu que a sua investidura tivesse pompa e circunstância, pelo que na respectiva cerimónia estiveram cerca de cinco mil convidados. O reeleito presidente deslocou-se numa limousine de fabrico russo para mostrar ao país a modernidade da sua indústria automóvel e no seu discurso comparou a Rússia à Fénix que renasce das cinzas, prometendo melhorar a qualidade de vida dos russos e, à maneira de Donald Trump, também afirmou a sua vontade de tornar a Rússia grande outra vez.
Vladimir Putin encarna o desejo russo de resgatar a humilhação que foi a implosão da União Soviética e a incapacidade russa para a evitar, mas também simboliza a perseverança russa para ultrapassar os ciclos de provação que a sua milenar história regista, de que são exemplos a resistência de Moscovo às tropas de Napoleão e de Estalinegrado aos tanques de Hitler.
É sabido que os valores democráticos de Putin são demasiado musculados e que a oposição sofre, mas o facto é que o “novo czar” elevou a respeitabilidade da Rússia, pela forma muito coerente como tem actuado nos diferentes tabuleiros internacionais, o que não tem acontecido com os seus rivais americanos e europeus.
No entanto, as legítimas vontades de Putin e de Trump de tornarem os seus países grandes outra vez, não podem conduzir a qualquer escalada de tensão mundial ou ao retorno da guerra fria e, nessa matéria, os europeus têm que pensar pela sua própria cabeça.

Um português de visita oficial a Cuba

Muitos portugueses viajam para Cuba e parece que os hotéis e as praias da estância balnear de Varadero são os locais por eles mais desejados. Porém, a edição do Granma, o órgão oficial do comité central do Partido Comunista de Cuba, deu ontem grande destaque à visita oficial de António Guterres, o português que ocupa o cargo de Secretário-geral das Nações Unidas. Não é costume que as visitas de Guterres sejam notícia de primeira página nos jornais e por isso aqui a destacamos.
Ao contrário dos habituais turistas portugueses, Guterres apenas esteve em Havana no âmbito das sessões da Comissão Económica para a América Latina e Caribe das Nações Unidas, tendo sido recebido por Miguel Díaz-Canel, o novo presidente do Conselho de Estado que, como foi muito repetido, não tem no seu nome o habitual apelido Castro. Segundo refere o Granma, os dois homens falaram sobre paz e segurança internacionais e sobre alterações climáticas, mas certamente que Guterres incentivou Díaz-Canel a abrir-se à democracia e ao mundo, encorajando-o no caminho das reformas que os novos tempos reclamam para Cuba.
Durante a sua estadia em Havana, Guterres visitou a Old Havana and its Fortification System, que desde 1982 está inscrita na Lista do Património Mundial da Unesco e mostrou-se impressionado com a sua boa conservação, tendo felicitado os homens e as mulheres que trabalharam no seu restauro com grande rigor histórico e declarado que tendo conhecido a cidade há vinte anos, não podia imaginar que perante as dificuldades económicas e o bloqueio, fosse possível fazer tão importante trabalho de recuperação.
Quem sabe se Guterres conseguiu ou não dar um contributo para a "desfossilização" do regime cubano que dura há sessenta anos? 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Os campeões que fazem o delírio do povo

Ontem foi um dia desportivamente delirante, com delírios para vários gostos.
No sábado a equipa do FC Porto tinha assegurado o título de campeã nacional de futebol, o que aqui se saúda. Desde então, as televisões dedicaram horas sem fim ao delírio dos adeptos, dos jogadores e dos dirigentes. É natural que se festeje até porque a vitória teve mérito, mas é um exagero o tempo que as televisões dedicaram a esta festa, com demasiados directos e inúmeras intervenções que se repetiam e que apenas serviram para que uns tantos estagiários aparecessem a dizer banalidades. A lógica da indústria televisiva está dominada pelas audiências e pela informação-espectáculo que é demasiado panfletária e sem seriedade nem rigor, pelo que o delírio futeboleiro e popular deste fim de semana serviu às mil maravilhas para servir esse desígnio.
Ontem também aconteceu a vitória de João de Sousa no Estoril Open, uma das 39 provas do ATP World Tour 250, isto é, as provas cujos prémios se situam entre abaixo do milhão de dólares. À escala portuguesa a vitória de João de Sousa foi um grande feito desportivo, porque nas 28 edições do Estoril Open nunca qualquer português chegara à final. Porém, neste caso o delírio apenas tomou conta dos três ou quatro milhares de pessoas que estiveram em Cascais e de mais uns tantos que assistiram à final transmitida por um canal televisivo.
As televisões é que definem como são as coisas e aqui está como as televisões geram delírios assimétricos, de resto na linha do que fazem com outros acontecimentos. Portanto, o FC Porto e o João de Sousa ganharam. Parabéns aos vencedores, glória aos vencidos. Para o ano há mais.
No meio de tanta assimetria no tratamento dos acontecimentos desportivos deste fim de semana, há que saudar o jornal A Bola, essa eterna referência do jornalismo desportivo português, pela forma proporcionada como informou e como ilustrou a sua capa com os entusiasmos que cada um dos acontecimentos provocou.

sábado, 5 de maio de 2018

Vamos conhecer os nossos belos azulejos

Amanhã, celebra-se o Dia Nacional do Azulejo. Hoje, o jornal Público dedicou o seu suplemento Fugas ao tema do azulejo, ilustrando a sua capa com uma fotografia do painel de Jorge Colaço, que representa o Infante D. Henrique em 1415 na tomada de Ceuta e que foi instalado em 1915 na Estação Ferroviária de S. Bento, no Porto.
Sob o título Portugal, o país dos azulejos, o suplemento Fugas inclui alguns artigos em que o azulejo é destacado como a mais original contribuição portuguesa para o património artístico europeu e informa que está em preparação uma candidatura do azulejo português a Património da Humanidade.
A história do azulejo decorativo português só começa a ter expressão significativa em Portugal no início do século XVIII, quando entra nos palácios, nos conventos e nas igrejas, sendo nessa altura largamente exportado para o Brasil, onde decora conventos e igrejas na Bahia e em outras cidades brasileiras.
Das aplicações decorativas para servir a Igreja e a Nobreza, a utilização do azulejo passou a ter outras aplicações na arquitectura e na construção. No início do século XX a azulejaria portuguesa renasceu através dos trabalhos de Jorge Colaço, considerado o maior artista português de azulejos, mas na actualidade o azulejo está a recorrer a novas técnicas e novas aplicações. O suplemento Fugas diz que “está na altura dos portugueses voltarem a olhar os seus azulejos”. Concordo.
Porém, num mapa-roteiro da azulejaria portuguesa que está incluído no já citado suplemento, é indicada uma dezena de locais a visitar por causa dos seus azulejos, mas não são indicados alguns dos mais importantes painéis do nosso património azulejar como são o acervo do Museu Nacional do Azulejo, ou a Sala da Esfera do Hospital de S. José, ou os claustros do Convento da Graça em Torres Vedras, ou o mural da Avenida Calouste Gulbenkian em Lisboa, ou o Hotel do Buçaco, ou os murais do Pavilhão Carlos Lopes em Lisboa, ou o antigo Colégio do Espírito Santo onde hoje está instalada a Universidade de Évora, ou a capela-mor da igreja de Santiago em Estombar-Lagos e, muitos, mas muito mais que há por todo o país. Vamos, portanto, conhecer os nossos belos azulejos.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A morte de Dhlakama e as incertezas

O desaparecimento de Afonso Dhlakama ontem anunciado e que hoje é destacado no diário moçambicano O País, é um acontecimento importante para a história de Moçambique, porque se trata de uma personalidade que levava 39 anos de liderança da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), o principal partido político da oposição moçambicana.
A Renamo foi criada em 1975 por dissidentes da Frelimo e em 1979, quando os dois partidos já combatiam na guerra civil, Afonso Dhlakama tornou-se o seu líder político e militar. A guerra de guerrilhas que comandou contra as forças governamentais da Frelimo durou 16 anos e, após prolongadas negociações conduzidas pela Igreja moçambicana e pela Comunidade de Santo Egídio, com o apoio do governo italiano, foi assinado em 1992 um Acordo Geral de Paz e foram anunciadas eleições para 1994, sob a supervisão das Nações Unidas. Afonso Dhlakama ganhou a batalha pela Democracia e participou depois em cinco eleições presidenciais, mas perdeu sempre para o candidato da Frelimo: perdeu para Joaquim Chissano em 1994 e 1999 com 33,7% e 47,7% dos votos; perdeu para Armando Gebuza em 2004 e 2009 com 31,7% e 16.4% dos votos e perdeu para Filipe Nyusi em 2014 com 36,61% dos votos. Porém, estes resultados revelam que tanto Dhjakama como a Renamo tinham espaço político e eleitoral em Moçambique mas que, apesar disso, nunca perderam a ideia de unidade nacional e nunca ameaçaram com quaisquer separatismos das províncias onde eram maioritários.
Os anos de 2013 e 2014 foram de grande tensão, tendo Afonso Dhjakama abandonado a capital e começado a reorganizar as suas forças por considerar que o Acordo Geral de Paz de 1992 não estava a ser cumprido, que o Estado estava descridibilizado pela excessiva partidarização dos seus orgãos, que a Renamo estava a ser afastada da esfera do poder e que muitos dos seus militantes eram perseguidos. Tudo parecia correr agora de feição para Filipe Nyusi e para Afonso Dhlakama, no caminho para um renovada parceria de paz e de progresso para Moçambique. O inesperado aconteceu. Dhlakama partiu. Todos lhe prestam homenagem. Agora é preciso que as incertezas do futuro sejam ultrapassadas.

O fim da ETA e o tempo novo no Euskadi

A Euskadi Ta Askatasuna, mais conhecida pela sigla ETA, que lutou durante cerca de seis dezenas de anos pela independência do País Basco, anunciou ontem a sua dissolução definitiva e muita gente respirou de alívio, embora a generalidade da imprensa e dos partidos políticos critique o comunicado de dissolução por esquecer as vítimas.
A ETA nasceu em 1959 como uma organização de defesa da cultura basca, mas alguns anos depois tinha evoluido para uma organização paramilitar separatista que pegou em armas para conquistar a independência de uma região histórica cujo território se distribui entre a Espanha e França.
Ontem em Genebra e perante “diferentes personalidades”, dois históricos militantes da ETA – Josu Urrutikoetxea ou ‘Josu Ternera’ e Soledad Iparraguirre ‘Anboto’ leram uma “Declaración final de ETA al Pueblo Vasco”, em castelhano, basco e francês, em que a organização socialista revolucionária basca de libertação nacional informou o fim da sua trajectória política e militar e o total desmantelamento de todas as suas estruturas. Para trás ficaram 853 mortos e mais 6.389 feridos pelas acções da ETA, além das vítimas associadas aos 79 sequestros praticados pela organização.
Porém, os “sobreviventes” da ETA prometem continuar a sua luta pelo ideal da independência do País Basco, em termos semelhantes ao que está a acontecer com “el procés” na Catalunha, mas existe a convicção de que depois de seis décadas de perturbação e de terrorismo, ninguém vai querer ouvir falar desta gente durante muitos anos. Aliás, os títulos dos jornais espanhóis são unânimes na condenação do triste final da ETA, que foi derrotada e que enegreceu ainda mais o seu historial, mostrando uma enorme frieza e falta de vergonha ao ignorar as suas vítimas, como denuncia El Diário Vasco de Bilbau.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Um bom exemplo de ligação a Portugal

O primeiro-ministro António Costa está no Canadá numa visita oficial de quatro dias que termina no dia 5 de Maio e que o levará às cidades de Otava, Toronto e Montreal. O primeiro-ministro viaja acompanhado do presidente do governo regional dos Açores e, para além da aproximação das relações com as autoridades canadianas, esta visita vai permitir um contacto directo com a grande comunidade portuguesa que vive no Canadá.
São 450 mil portugueses ou luso-descendentes, na sua maioria de origem açoriana, que habitam sobretudo nas províncias orientais do Ontário (Toronto e Otava) e do Quebeque (Montreal).
A natureza multicultural do Canadá tem permitido que as comunidades estrangeiras conservem muitas das suas matrizes culturais e daí resulta que é o país que, embora não pertença à CPLP é, provavelmente, o país do mundo onde se publicam mais jornais impressos em português. Na cidade de Toronto são regularmente publicados o Sol Português e o Correio da Manhã, mas também com menos regularidade o Voice, o ABC, o Nove Ilhas e o Portugal Ilustrado, enquanto na cidade de Montreal se publica A Voz de Portugal, o mais antigo semanário de língua portuguesa do Canadá que foi fundado no dia 25 de Abril de 1961, mas também O Açoriano.
Alguns destes jornais, caso de A Voz de Portugal, anunciaram a visita do primeiro-ministro português com grande destaque e publicaram a sua fotografia, numa prova da sua exemplar ligação afectiva a Portugal. De resto, um dos vereadores do Toronto City Council é Ana Bailão, nascida em Vila Franca de Xira e que emigrou para o Canadá com 15 anos de idade.
Há visitas e visitas, assim como há comitivas e comitivas, mas esta visita oficial ao Canadá e à comunidade portuguesa é amplamente justificável, como se pode observar na maneira como a imprensa portuguesa do Canadá saúda o primeiro-ministro de Portugal.

A imortalidade do genial Pablo Picasso

A edição portuguesa da National Geographic do mês de Maio que foi agora distribuida dedica uma parte do seu conteúdo a Pablo Picasso, o pintor malaguenho que se tornou numa das mais importantes figuras da arte do século XX.
A sua vida e a sua obra revelam um homem genial que desafiou o seu tempo com inovadoras concepções estéticas, atitude cultural e militância política.
A sua obra está hoje um pouco por todo o mundo mas, com a ajuda do amigo Google, fui saber quais eram os melhores museus para ver a obra de Picasso e verifiquei que os principais se encontram na Europa e, alguns deles aqui bem perto, em terras espanholas.
E, para que conste, aqui vai a lista dos melhores museus para ver a obra de Picasso, selecionada pelo amigo Google:

1. Museu Picasso em Barcelona, Espanha;
2. Museum Sammlung Rosengart em Lucerna, Suiça;
3. Musée Picasso em Antibes-Côte d’Azur, França:
4. Museo Picasso em Málaga, Espanha;
5. Musée National Picasso em Vallauris-Côte d’Azur, França;
6. Musée Picasso em Paris, França;
7. Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid, Espanha;
8. Museum Ludwig, em Colónia, Alemanha.

Não sou crítico de arte, mas tenho um sentido estético suficiente para apreciar a arte e para gostar ou não gostar do que vejo. No caso de Picasso já tive o privilégio de contemplar algumas das suas maiores obras, nomeadamente o Guernica que vi em Nova Iorque e em Madrid, mas também algumas outras obras da sua pintura que têm sido apresentadas em exposições temporárias realizadas em Lisboa. O meu apreço pela obra de Picasso é um quase deslumbramento, de resto como acontece quando vejo e me delicio a ver a obra de outros génios, como foram Amadeo, Almada ou Vieira da Silva.

terça-feira, 1 de maio de 2018

As feiras e a hipocrisia dos políticos

Termina hoje a 35ª edição da Ovibeja e, de acordo com o que nos mostram as televisões, aquilo foi a passagem de modelos do costume, embora sem os jovens modelos que costumam desfilar pelas passerelles, mas com aquelas figuras que deambulam pela vida política e que aparecem nestas coisas para serem vistos e talvez para arranjar mais uns votos, até porque qualquer dia vamos ter eleições e há que procurar manter o estatuto, até porque a vida política não é nada desconfortável. Naturalmente que nem a cidade de Beja, nem a organização desta iniciativa que tanto anima e prestigia o Alentejo, têm a culpa.
A realidade é que a Ovibeja criou raízes como feira e como festa, que atrai visitantes e que mobiliza uma cidade e uma região e o facto é que não há figura política que se esqueça de ir a Beja e, se possível, falar para a televisão. Porém, o que interessa a essa gente é apenas aparecer, ser vista e ter microfones por perto, para além de nunca dispensar uma corte de fiéis figurantes à sua volta. É sempre assim. Aborrece e cansa. A feira propriamente dita, enquanto motor impulsionador das actividades agrícolas e agro-pecuárias alentejanas e amostra  do desenvolvimento tecnológico e da investigação científica aplicada, não lhes interessa nada. Nem os colóquios temáticos, nem os espectáculos e outras manifestações culturais lhes interessam.
A cidade de Beja não pode proibir esta gente de visitar a Ovibeja mas, no mínimo, devia desaconselhar esses políticos a fazê-lo, sobretudo aqueles que continuam a seguir o exemplo do Paulinho das feiras que, afinal, só gostava das feiras enquanto foi político. As feiras são, em última instância, um terreno fértil para a hipocrisia dos políticos, como se viu na Ovibeja que hoje encerra.