terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Donald deve ter contagiado a US Navy

Nos últimos meses a Marinha americana tem enfrentado demasiadas ocorrências o que, naturalmente, enerva Donald Trump que tanto elogiara a sua US Navy durante a sua campanha eleitoral. A hipótese das asneiras do Donald terem contagiado a US Navy tem todo o sentido.
Ontem, no estreito de Malaca e nas proximidades de Singapura, o destroyer USS John S. McCain (DDG-56), que integra a 7ª Esquadra dos Estados Unidos e tem a sua base em Yokosura, esteve envolvido numa colisão com o petroleiro Alnic MC de bandeira liberiana, daí resultando 10 desaparecidos e 5 feridos no navio americano. O incidente vem hoje relatado com grande destaque no diário The Straits Times de Singapura, mas também em alguns jornais dos países do sueste da Ásia, exibindo a foto do navio nas primeiras páginas.
Donald Trump reagiu a este acidente visivelmente incomodado e limitou-se a dizer que “era muito mau”. De facto, a US Navy vem acumulando incidentes nas águas da Ásia Oriental e, desde Janeiro, já se verificaram quatro ocorrências graves com navios americanos.
Dois meses antes da colisão do USS John S. McCain, também o USS Fitzgerald (DDG-62) colidiu no dia 17 de Junho nas costas do Japão com o porta-contentores filipino ACX Crystal, daí resultando 7 mortes e 3 feridos entre os tripulantes do destroyer americano.
No dia 9 de Maio foi um pesqueiro sul-coreano que colidiu em águas internacionais com o cruzador USS Lake Champlain (CG-54), embora não se tivessem verificado quaisquer baixas. Finalmente, nesta preocupante sequência, quando estava fundeado na baía de Tóquio, no dia 31 de Janeiro, o cruzador USS Antietam (CG-54) não aguentou os ventos de 30 nós, garrou e foi embater em alguns rochedos submersos e quase encalhou, acabando por se safar, embora com graves danos nos seus hélices e com o derrame de grande quantidade de óleos lubrificantes.
Não era habitual que a US Navy tivesse tantas ocorrências destas. Será que a incompetência do Donald, que é o seu comandante-chefe, contagiou a US Navy?

As nossas televisões são irresponsáveis?

As nossas televisões estão no mercado e em acesa concorrência entre si, independentemente do seu estatuto empresarial ser público ou privado. Lutam por audiências para comerem uma fatia maior do bolo publicitário e usam o sensacionalismo noticioso de uma forma pouco jornalística. Não informam com serenidade e rigor. Usam linguagens e imagens panfletárias para despertar a atenção como se tratasse de um produto comercial. Não distinguem informação de entretenimento. E insistem “não mude de canal”, “fique por aí”, não perca”.
As nossas televisões estão ao nível do que pior se vê nas televisões que nos chegam por assinatura. São uma lástima e um atentado à inteligência das pessoas, com as manhãs cheias de conversas populistas e desinteressantes, com as tardes ocupadas com uma pimbalhada que assusta e com as noites preenchidas por intermináveis debates sobre futebol.
O serviço público de televisão não existe ou parece uma caricatura. Nas nossas televisões dominam os profissionais de segunda categoria, os entertainers e o serviço noticioso está entregue a estagiários, muitas vezes sem qualificação. O direito constitucional a ser informado é subalternizado pela lógica da repetição continuada de peças apresentada por correspondentes locais pouco preparados. Chegou-se ao paradoxo e ao ridículo do canal público anunciar e apresentar uma entrevista a um presumível assassino, em que a jornalista quis fazer espectáculo e branquear o entrevistado, sem que nada lhe acontecesse.
A obrigação de formar e de informar o público é ultrapassada sem escrúpulos e, no caso dos incêndios florestais, tal como nas operações contra o terrorismo, as televisões e os seus responsáveis editoriais parecem tomar o partido dos incendiários e dos terroristas, porque objectivamente promovem as suas acções através das imagens que divulgam e da repetição com que as transmitem. O que tem sido feito nas nossas televisões não é jornalismo. A irresponsabilidade desta gente é mesmo muito grande!  
Hoje o jornal i recuperou na sua primeira página uma declaração da antiga primeira-ministra britânica Margareth Thatcher sobre esse assunto, que mantém a sua actualidade e que bem poderia servir para iluminar a inteligência de quem faz notícias, de quem as edita e até de quem as apresenta como se fosse um espectáculo.

A América merecia um Presidente melhor

No dia 20 de Janeiro de 2017 Donald Trump tomou posse como o 45º Presidente dos Estados Unidos e, segundo informam diversos registos, é o primeiro cidadão americano que sem qualquer experiência política anterior atingiu a presidência, sendo também o mais velho e o mais rico a assumir tão importante cargo.
A sua inexperiência política, associada às suas peculiares características psicológicas, têm feito do Donald um problema para a política americana, mas também um perigo para o mundo. Nos sete meses de mandato que já cumpriu, o Donald tem acumulado tantos disparates que a sua acção se tornou, interna e internacionalmente, um motivo de chacota. De forma irresponsável meteu na Casa Branca os filhos e os amigos dos filhos, criando um círculo de assessores impreparados, que gera instabilidade e provoca demissões sobre demissões. As ameaças que fez a Kim Jong-un e a Nicolás Maduro cobriram-no de ridículo e colocaram-no ao nível mais baixo da política internacional. A Europa, apesar dos tempos de crise e de incerteza que atravessa, ri-se à gargalhada do Donald. A sua popularidade na sociedade americana desceu a níveis impensáveis e são cada vez menos aqueles que o apoiam até no seu próprio partido. A América merecia melhor. A América merecia alguém que gerasse o respeito do mundo. A América não merece alguém que é motivo de troça universal.
A tolerância dos mass media parece ter terminado e as críticas ao Donald sobem de tom. As grandes revistas internacionais escolheram o Donald como alvo e as suas caricaturas ocupam as primeiras páginas. Agora foi a nova-iorquina Newsweek, considerada a mais liberal das grandes revistas americanas e que está integrada no grupo do Washington Post, que vem ridicularizar o Donald ao perguntar ao leitor se está pronto para a guerra, ao mesmo tempo que também pergunta se os generais americanos podem salvar a América e o mundo deste Trump. A fotomontagem da capa é um bom exemplo da apreciada frase que diz que uma imagem vale mais do que mil palavras.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Las Ramblas reagem ao terror e ao medo

Os acontecimentos do passado dia 17 de Agosto em Barcelona traduziram-se na morte de 14 pessoas, entre as quais duas cidadãs portuguesas, para além de mais de uma centena de feridos. A cidade de Barcelona, toda a Espanha e o mundo civilizado sentiram mais uma vez como a insegurança está a tomar conta do nosso modo de vida e reagiram com rapidez, condenando a barbaridade deste acção terrorista e solidarizando-se com as vítimas. Em Barcelona, a população juntou-se em várias iniciativas públicas e religiosas, tendo reocupado as Ramblas, o simbólico local da cidade onde ocorrera o crime jihadista e por onde passam todos os turistas, como mostra a fotografia que ilustra a edição de hoje do diário ABC. Assim se quis mostrar a toda a gente que não há que ter medo do terrorismo, nem dos terroristas. Numa atitude de grande solidariedade ibérica, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estiveram pessoalmente em Barcelona, participaram em algumas cerimónias evocativas da tragédia e, simbolicamente, sentaram-se numa esplanada das Ramblas para tomar um café. Um grande exemplo de governantes e de homens de Estado que muito nos deve orgulhar.
Entretanto, já começam a ser conhecidos os contornos da acção desencadeada por uma célula catalã do Daesh, provavelmente a base logística da sua actividade na Europa, que a partir da localidade de Ripoll e do seu imã, estaria a preparar a utilização de carrinhas com explosivos para serem lançadas contra a Basílica da Sagrada Família, o imponente monumento da autoria do arquitecto catalão Antoni Gaudi.

domingo, 20 de agosto de 2017

Alunos de Cabo Verde procuram Portugal

O arquipélago de Cabo Verde é constituído por dez ilhas, tem uma área total um pouco superior a 4 mil quilómetros quadrados e tornou-se independente de Portugal no dia 5 de Julho de 1975 com o nome de República de Cabo Verde. Significa que, até 1975, os seus habitantes eram portugueses e que só a partir de então se tornaram cidadãos cabo-verdianos.
Apesar dessa circunstância política, as relações históricas e culturais e as afinidades afectivas entre Portugal e Cabo Verde mantiveram-se e intensificaram-se, até porque muitos dirigentes e quadros administrativos cabo-verdianos se formaram em Portugal.
O progresso económico e o desenvolvimento social cabo-verdianos exigem cada vez mais quadros devidamente preparados e daí que a procura de estabelecimentos de ensino superior em Portugal seja grande, o que se traduz num benefício cultural para ambos os países. Porém, para os estudantes cabo-verdianos que queiram estudar em Portugal o processo é um “calvário”, como se lhe refere o semanário A Nação, pois os estudantes não só têm que apresentar um processo de candidatura à instituição que desejam frequentar, como também precisam de um visto consular que, entre outras exigências, obriga à apresentação de um termo de responsabilidade assinado por alguém que resida em Portugal o que, no mínimo, é ridículo. Por isso, o jornal afirma que estudar em Portugal se está a transformar numa “miragem” e pergunta se “Portugal quer mesmo formar cabo-verdianos nas suas universidades”.
O problema não é novo, nem tão pouco é exclusivo nas relações entre Portugal e Cabo Verde. Por isso, esta situação dos estudantes que não são emigrantes nem turistas, não pode ficar nas mãos de uns funcionários consulares burocratas e incompetentes, mas tem que ser resolvido ao mais alto nível pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Para bem do futuro das relações entre os dois países.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Donald Trump não sabe ser Presidente

No passado sábado aconteceu uma manifestação da extrema-direita na cidade de Charlottesville, no estado americano da Virgínia, que originou violentos confrontos e despertou uma onda de ódio, intolerância e violência, nada habituais no país que, como poucos, simboliza a liberdade. Os manifestantes de extrema-direita que incluiam supremacistas brancos, elementos neo-nazis e membos do Ku Klus Klan, empunhavam bandeiras, tochas, capacetes e escudos e, de forma provocadora, cercaram os contra-manifestantes de vários grupos de esquerda, que contestavam a marcha da extrema-direita racista e anti-semita. Durante os confrontos um automóvel abalroou um grupo de pessoas provocando pelo menos um morto e 19 feridos.
As autoridades estaduais declararam o estado de emergência na cidade e a partir de New Jersey onde se encontrava, pudemos ver o Donald a condenar os incidentes e a criticar a violêrncia “dos dois lados”. Esta declaração de Donald Trump suscitou muita indignação nos Estados Unidos, incluindo a de alguns destacados políticos republicanos, pois o Donald não assumiu uma clara posição contra os grupos de extrema-direita assumidamente fascistas e neo-nazis que, segundo alguns observadores, lhe terão dado grande apoio eleitoral.
Na edição que hoje foi posta a circular, a conceituda revista inglesa The Economist ilustrou a sua capa com uma caricatura do Donald a gritar com um megafone que não é outra coisa que um gorro da Ku Klus Klan e destacou que “Donald Trump não compreende o que significa ser presidente”, perguntando se valerá a pena aos republicanos continuar a apoiar este outsider da política que se tem mostrado tão incapaz de exercer o seu cargo.
Realmente, com este Donald o mundo é mais inseguro e até os Estados Unidos tendem a tornar-se politicamente instáveis. Porque é que ele não vem a Portugal aprender a ser Presidente?

Barcelona e a globalização do terror

Ontem em Barcelona, no seu mais famoso local turístico e que é um passeio obrigatório para todos os que visitam a cidade, aconteceu uma tragédia que matou 13 pessoas e deixou mais de oito dezenas de feridos numa acção já reivindicada pelo Daesh.
Depois de passar a Praça da Catalunha, uma carrinha entrou na zona central das Ramblas, exclusiva para peões, lançando-se a alta velocidade por essa larga avenida pedonal que desce por algumas centenas de metros, atropelando muitas dezenas de pessoas. A cidade e toda a Espanha ficaram em estado de choque, como se verifica hoje na imprensa espanhola, mas também na imprensa internacional.
Este atentado vem mostrar uma vez mais a globalização das ameaças que pesam sobre as sociedades europeias, mas também vem unir a Espanha e, provavelmente, dissuadir os catalães de optarem por saltos no escuro no que respeita às suas ideias separatistas, num tempo de grande contestação à pressão turística e de muita tensão devido à possível realização de um referendo sobre a independência da Catalunha, considerado inconstitucional pela maioria das forças políticas. Esta tragédia vai, portanto, ter alguma influência no futuro da Catalunha e da Espanha.
Segundo refere a imprensa, em pouco mais de um ano aconteceram oito ataques em cidades europeias, nos quais foram utilizados camiões ou carros contra as pessoas que circulavam na via pública. O maior desses atentados aconteceu na cidade francesa de Nice onde em Junho de 2016 morreram 84 pessoas, mas também já ocorreu em Berlim, Londres, Estocolmo e Paris. Estamos, portanto, confrontados com uma ameaça global à segurança e à liberdade das pessoas.
Embora os últimos tempos tenham sido de grandes tragédias em Portugal por causa dos incêndios florestais e pela queda de uma árvore na ilha da Madeira, a barbaridade desta acção jhiadista em Barcelona impressiona e vem confirmar que a nossa liberdade e o nosso modo de vida estão cada vez mais condicionados.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Inês e o inesperado sucesso desportivo

Eu nunca ouvira falar da Inês Henriques que ontem se sagrou campeã do mundo e bateu o record mundial na prova dos 50 quilómetros de marcha atlética do Campeonato Mundial de Atletismo de 2017 realizado em Londres. Foi, portanto, um resultado inesperado para mim mas que muito aplaudi quando ontem assisti à prova através da transmissão directa por um canal televisivo internacional. Esse resultado, adicionado à medalha de bronze conquistada uns dias antes por Nélson Évora na prova do triplo-salto, colocaram Portugal no 18º lugar do quadro geral das medalhas deste campeonato, onde não figuram países como a Espanha e a Holanda e onde o nosso país aparece à frente da Itália, da Suécia e do Brasil, por exemplo. É um resultado desportivo notável com o qual todos ficamos agradados e que muito prestigia o nosso país desportivo.
Habitualmente, nem os jornais desportivos nem os jornais generalistas portugueses dão importância aos sucessos dos desportistas portugueses, preferindo promover o futebol e os futebolistas. Os exemplos são frequentes e, ainda recentemente, a imprensa portuguesa quase ignorou os títulos europeus de Fernando Pimenta na canoagem e de João Pereira no triatlo, ao mesmo tempo que dedicava páginas e espaços noticiosos a futebolistas de pouca qualidade desportiva, quase sempre vindos do Brasil. Desta vez, essa situação não se verificou e os jornais desportivos deram grande destaque à vitória de Inês Henriques e até o Diário de Notícias, que ainda é o jornal português de referência, trouxe o assunto para a sua primeira página, com uma expressiva fotografia da atleta de 37 anos de idade, nascida em Santarém e que treina no Clube de Natação de Rio Maior.
Por tudo isso, aqui deixo o meu aplauso à atleta e ao jornal.

domingo, 13 de agosto de 2017

Temos fanfarrões para todos os gostos

O diário ABC que se publica em Madrid é considerado um jornal conservador e que reflecte as posições da monarquia espanhola.
Hoje escolheu uma imagem muito oportuna para ilustrar a capa da sua edição e bem podia ter escolhido como título, por exemplo, os fanfarrões ou qualquer coisa parecida. De facto, no panorama internacional têm-se destacado as declarações fanfarronas de Kim Jong-un, de Nicolás Maduro e de Donald Trump, a lembrar os tempos de outros fanfarrões como Muammar Kaddafi ou Saddam Hussein, ou mesmo, de Benito Mussolini e Adolfo Hitler. Realmente, estamos a passar por um tempo em que os fanfarrões estão a tornar este mundo muito perigoso, como se não houvesse tantos problemas para resolver à escala global, não só em relação às desigualdades entre os homens, mas também em relação à preservação ambiental do nosso planeta.
Diz o ABC que Donald Trump “amplía su ofensiva belicista” e de facto, já não bastava a contínua retórica de ameaça em relação à Coreia do Norte, pelo que agora se decidiu ameaçar Nicolás Maduro e a Venezuela. Alguns países latino-americanos não gostaram de ouvir essas ameaças e até a oposição venezuelana parece ter rejeitado a intromissão de Trump nos assuntos internos do país.
Portanto, os fanfarrões da Coreia do Norte e da Venezuela parece terem encontrado em Donald Trump um fanfarrão à sua altura que, por ser ignorante e inculto, desconhece que o poder militar americano não é ilimitado, como várias vezes se tem visto desde a guerra do Vietnam. Esperemos que os seus conselheiros militares o esclareçam de que as guerras não se ganham apenas com bombas e que há muitos outros factores a determinar a sorte da guerra.

sábado, 12 de agosto de 2017

Pyongyang não atemoriza o povo de Guam

No princípio desta semana a Coreia do Norte informou o mundo que, a meio do mês de Agosto, completaria o seu plano de ataque à ilha de Guam, que é administrada pelos Estados Unidos desde 1898 e fica situada no Pacífico Ocidental, pelo que depois bastaria uma ordem de Kim Jong-un para que um ataque se desencadeasse. O regime de Pyongyang estaria então pronto para dar “uma lição” aos Estados Unidos.
Donald Trump não perdeu tempo e tratou de repetir que as soluções militares americanas estão posicionadas, prontas e carregadas, garantindo que podem acontecer coisas que os norte-coreanos nunca imaginaram ser possíveis.
A escalada verbal é de tal ordem que o jornal nova-iorquino Daily News escrevia ontem na sua primeira página: what said it, un or don?, apresentando um conjunto de frases ameaçadoras e muito semelhantes, para que os leitores identificassem se o seu autor era Kim Jong-un ou Donald Trump. Significa que, para aquele jornal e para muito mais gente, aqueles dois líderes são mesmo muito perigosos e muito parecidos na sua fanfarronice.
Entretanto, a população da ilha de Guam que é de cerca de 180 mil habitantes parece estar indiferente a estas ameaças e a esta retórica. Basta ler o Pacific Daily News, o maior jornal da ilha, que até exibe a fotografia dos mísseis norte-coreanos, mas que destaca depoimentos que revelam que a população está calma, não está intimidada e considera que este discurso ameaçador do regime de Pyongyang não é novo e não pode ser levado a sério. Só não se sabe se as importantes bases militares da ilha ou a sua própria capital estão protegidas por abrigos ou por sistemas de protecção anti-míssil eficazes.
O facto é que embora Kim Jong-un não esteja a atemorizar o povo de Guam, os seus 541 km2 estão ameaçados.

A política carece de gente de carácter

A devastadora onda de incêndios que percorre o país tem sido catastrófica e, para além daqueles que tragicamente perderam a vida, tem provocado milhares de hectares de floresta ardida e muito património destruído em diversas regiões do país. O problema é muito mais grave do que todos e cada um de nós pensou. É mesmo um caso de emergência nacional a obrigar todos e cada um de nós a contribuir com ideias e soluções para resolver esta calamidade que se repete todos os anos.
Ontem, num debate televisivo da RTP3 que ocorre semanalmente, o antigo ministro e dirigente centrista Luís Nobre Guedes afirmou que em matéria de incêndios “há uma responsabilidade colectiva alargada a todos os partidos, sem excepção. Uns com mais responsabilidade, outros com menos. Não há ninguém que saia ileso disto, incluindo eu que fiz parte de um governo e se calhar também não me apercebi na altura de que era urgente tomar algumas medidas que não foram tomadas”. Ora aqui está uma atitude sensata, equilibrada e inteligente, com a qual concordo e que já aqui exprimi há várias semanas.
Porém, os principais dirigentes do partido de Nobre Guedes, que dão pelo nome de Cristas e Magalhães, por acaso ambos naturais de Angola, têm protagonizado uma despudorada guerra contra a ministra da Administração Interna, exigindo a sua demissão, sem perceberem que os tempos de emergência por que passamos são para construir soluções e não são para exigir demissões. Além disso, como referiu Nobre Guedes, eles também não estão ilesos. Cristas tutelou as florestas durante quatro anos e, em vez de estar calada para apagar os remorsos que por certo lhe vão na alma pelo que não fez enquanto ministra, enveredou com o seu acólito Magalhães por esta cruzada irresponsável, que parece uma garotada. São politicamente irresponsáveis. Podiam esperar pelo relatório final da comissão independente que está a estudar o que se passou em Pedrógão, mas não resistem a uns minutos na televisão. Atacam sem pudor quando os fogos ardem, apenas para tirar proveitos políticos. Os eleitores não os vão desculpar. Se Amaro da Costa ou Lucas Pires, por exemplo, assistissem a isto, envergonhavam-se e abandonavam o partido que ajudaram a criar e a crescer.
É caso para perguntar se estes oportunistas que agora dirigem o partido de Adriano Moreira têm carácter suficiente para estar na vida política.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Bima Suci: o novo navio-escola indonésio

Na ria de Vigo, a pouco mais de trinta quilómetros da fronteira portuguesa, os estaleiros Construcciones Navales Paulino Freire, SA, preparam-se para entregar à Marinha da Indonésia o seu novo navio-escola Bima Suci.
Este novo veleiro de 110 metros de comprimento e 13,5 metros de boca tem três mastros, arma em barca e terá 3.350 metros quadrados de superfície vélica. Segundo as informações que foram divulgadas, o navio dispõe das mais modernas tecnologias e os seus alojamentos confortáveis, ou mesmo luxuosos, poderão receber 200 elementos, entre tripulantes e cadetes embarcados, mas o navio também vai servir de “embaixada flutuante” destinada a promover o país.
O imponente veleiro substituirá o Dewaruci, o pequeno navio-escola de 58 metros que serviu a Marinha indonésia nos últimos 64 anos para instruir os seus cadetes. O contrato de construção atingiu um valor de cerca de 70 milhões de euros e resultou de um concurso internacional em que participaram outros estaleiros espanhóis, mas também polacos e holandeses, tendo assegurado dois anos de trabalho a 300 pessoas.
Na sua edição de hoje o jornal Faro de Vigo destaca com uma fotografia de capa o escultor galego José Molares a dar os últimos retoques na escultura do deus Bima Suci, que deu o nome ao navio e que foi colocada como carranca na proa do navio onde, como sugere a tradição náutica, afastará os maus espíritos e acalmará as tempestades.
Entretanto, decorrem na ria de Vigo as provas de mar do navio que têm sido especialmente apreciadas (e fotografadas), porque não é habitual ver uma tão grande superfície vélica naquela ria, pois tem 200 metros quadrados a mais do que o navio-escola espanhol Juan Sebastian Elcano... e 1.415 metros quadrados mais que o navio-escola Sagres, cuja superfície vélica é de 1.935 metros quadrados.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Já chegou o fim da crise? Não sei…

A Comissão Europeia entusiasmou-se com as últimas notícias da economia e, perante um desemprego que está ao seu mais baixo nível desde 2008, um investimento que está a aumentar, umas finanças públicas mais equilibradas e um sistema bancário que se fortaleceu, decidiu anunciar o fim de uma crise que durou dez anos e que foi a pior por que passou a União Europeia na sua história de seis décadas.
Hoje, o diário ABC deu um enorme destaque a esta notícia, que pode ser verdadeira ou não, mas que é prematura. Embora pareçam já estar ultrapassados os tempos do subprime e as situações de grande dificuldade que levaram a intervenções e resgates, de diferente extensão e natureza, na Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Chipre, esta declaração é precipitada, mesmo considerando que o produto global da UE28 esteja a crescer a 2%. Esta euforia dos burocratas de Bruxelas também está a passar por Portugal, impulsionada por um clima de generalizada confiança e de estabilidade política, mas sobretudo pela excelência dos resultados das exportações e do turismo. Segundo as previsões do Banco de Portugal a economia portuguesa irá crescer 2,5% em 2017, que é superior àquele que se prevê para o conjunto da UE28, pelo efeito do enquadramento internacional de recuperação da procura interna, do investimento e do emprego. Dizem que é a retoma que aí está, mas ainda é cedo para se tirar essa conclusão.
Embora estejam anunciadas estas perspectivas favoráveis, será bom que as nossas autoridades não se esqueçam do enorme endividamento dos agentes económicos, do elevado desemprego de longa duração e do acentuado envelhecimento da população, para além de, ao contrário do que afirma a Comissão Europeia, não sabermos se os nossos bancos estão realmente mais fortes do que há dez anos atrás. Que as coisas estão a andar bem é uma evidência que deixa o Passos e a Cristas bem nervosos, mas será que se pode anunciar o fim da crise?

A escalada do confronto agudiza-se

A Coreia do Norte vem desenvolvendo desde há vários anos um programa nuclear e um programa de mísseis que muito tem preocupado a comunidade internacional e, em especial, os países daquela região asiática, mas também os Estados Unidos. As tentativas levadas a efeito para travar esses programas não têm resultado e apenas têm conduzido o regime de Pyongyang e o seu líder Kim Jong-un à intensificação do seu discurso ameaçador, sobretudo contra os Estados Unidos. Depois do lançamento do seu primeiro míssil balístico intercontinental com capacidade para atingir o território americano, o nível das suas ameaças aumentou e a tensão entre os dois países acentuou-se. Esse lançamento terá constituído “um sério aviso” aos Estados Unidos, mostrando que a Coreia do Norte estava em condições de lançar um míssil balístico intercontinental contra o território americano “a qualquer momento e a partir de qualquer lugar”.
Entretanto, aconteceu um segundo lançamento de um míssil balístico intercontinental e soube-se que a Coreia do Norte conseguiu produzir ogivas nucleares com as dimensões adequadas para serem transportadas pelos seus mísseis. O tom da sua ameaça subiu de tom, havendo notícias de que nos arsenais norte-coreanos haverá várias dezenas de ogivas nucleares.
Donald Trump reagiu às ameaças norte-coreanas e, de acordo com o Newsday e outros jornais, afirmou que “eles enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu”. Por outro lado, há repetidas mensagens a avisar Kim Jong-un que com as suas ameaças está a arriscar a destruição do seu povo e do seu próprio país.  
A situação é muito complexa e perigosa, até porque está nas mãos de dois obstinados. Ali ao lado, a China permanece atenta e, aparentemente, quer ser apenas espectadora. Porém, tudo parece convergir no sentido de uma tempestade perfeita.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A China a avisar Pyongyang e Washington

Menos de duas semanas depois da Coreia do Norte ter levado a efeito o seu segundo teste com um míssil de longo alcance, que parece ter sido bem sucedido, as forças navais chinesas realizaram um programa de exercícios ofensivos e defensivos em que participaram navios de superfície, submarinos, aviação naval e forças da guarda costeira chinesa. Esses exercícios realizaram-se no mar Amarelo, que separa a costa oriental da República Popular da China da costa ocidental da península da Coreia e, segundo foi anunciado, visaram testar o grau de treino táctico e operacional chinês, as suas armas e as suas tropas de desembarque, tendo incluído intercepção aérea e assaltos anfíbios. Os analistas têm defendido que estes exercícios foram uma advertência ao regime de Pyongyang e uma clara mensagem a informar que a República Popular da China não se alheará do que possa acontecer na região, sobretudo se a ameaça de guerra se vier a concretizar. Porém, certamente estes exercícios também foram um aviso para os Estados Unidos e para Donald Trump, a lembrar-lhes que naquela região ninguém poderá ignorar as forças navais chinesas.
Na primeira página da sua edição de hoje, o jornal South China Morning Post que se publica em Hong Kong, destacou uma fotografia dos exercícios realizados, na qual se observam duas unidades navais chinesas a disparar osseus mísseis. Quer dizer que a República Popular da China se continua a afirmar como uma grande potência militar e a avisar, tanto Pyongyang como Washington.