domingo, 19 de novembro de 2017

Argentina busca submarino desaparecido

O submarino argentino ARA San Juan (S-42) saiu de Ushuaia, a mais austral cidade do mundo e capital da província da Patagónia, no extremo sul do território da Argentina e navegava para a sua base na cidade de Mar del Plata. Era uma longa viagem de quase duas mil milhas em que teria de navegar desde os 55 graus até aos 38 graus de latitude sul. Na quarta-feira, dia 15 de Outubro, o submarino navegava na latitude de 42 graus sul quando pela última vez comunicou com terra via rádio. Cerca de 48 horas depois, na sexta-feira dia 17 de Outubro, as autoridades navais argentinas comunicaram a falta de informações sobre o submarino e que já estavam a decorrer buscas no sentido de o encontrar. No dia seguinte, todos os jornais argentinos divulgaram a preocupante notícia e o diário Clarín, que é o maior jornal argentino, destacou na sua primeira página a “dramática búsqueda del submarino perdido en el Sur con 44 tripulantes”.
O ARA San Juan integra uma pequena frota de três submarinos que foram incorporados na Marinha argentina em 1985 e que tem a sua base na cidade de Mar del Plata. Foi construído na Alemanha e pertence à classe TR, tendo sido objecto de fabricos de modernização para lhe aumentar o tempo de vida útil, entre 2007 e 2014.
Não há qualquer indício sobre o que se terá passado e a área de busca é muito extensa, mas as autoridades apontam para uma avaria no sistema de comunicações ou no seu sistema de propulsão eléctrico, o que mantém acesa a hipótese de não ter acontecido qualquer tragédia.
Porém, estão decorridos quase quatro dias desde a última comunicação do submarino e o desespero começa a tomar conta das famílias dos 44 tripulantes do ARA San Juan.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Leonardo da Vinci é um valor eterno

Leonardo da Vinci, Salvator Mundi, ca. 1500
A leiloeira Christie’s vendeu na passada quarta-feira à noite em Nova Iorque um quadro de Leonardo da Vinci datado de cerca de 1500, intitulado Salvator Mundi, que mostra Jesus Cristo com a mão direita levantada em posição de benção e a mão esquerda a segurar uma bola de cristal.
O pequeno quadro de 45 por 66 centímetros é uma das 16 obras conhecidas de Leonardo da Vinci e é a única que faz parte de colecções privadas, tendo sido vendida por 450,3 milhões de dólares (380 milhões de euros). Tornou-se a mais cara transacção do mercado da arte de todos os tempos, pois nunca tinha sido pago um valor tão alto por uma peça de arte num leilão. Antes, a tabela das obras de arte mais caras de sempre era liderada por As mulheres de Argel (Versão 0) de Pablo Picasso que foi vendido por 152 milhões de euros em Maio de 2015, também na Christie's, em Nova Iorque.
Existiam algumas dúvidas quanto à autenticidade desta obra, mas os críticos de arte desfizeram qualquer polémica e certificaram-na.
O comprador não foi identificado, mas certamente não é português. Ao contrário do que sucede com as outras obras de Leonardo da Vinci, como por exemplo a famosa Mona Lisa del Giocondo que pode ser observada no Museu do Louvre, o Salvator Mundi vai continuar fora dos olhares do público.
Fui fazer contas e verifiquei que o valor pago por este quadro dava para comprar quatro aviões Airbus 320 e ainda sobravam alguns milhões.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A encomenda do século para a Airbus

Vai ser anunciado hoje no salão aeronáutico do Dubai a compra de 430 aviões de médio-curso da família A320 da Airbus pelo fundo de investimento americano Indigo Partners por um montante de 42 mil milhões de euros. É a maior encomenda da história da Airbus e o jornal La Dépêche du Midi, que se publica em Toulouse, classifica-a como a encomenda do século, porque mais do que duplica a actual carteira de encomendas que estava nas 288 unidades. Agora, com 718 encomendas, a Airbus vai ultrapassar o seu rival americano Boeing que, no corrente ano, tem 605 encomendas.
Há poucos dias, a Boeing recebera uma encomenda de 300 aviões durante a visita de Donald Trump à China e agora foi a companhia Emirates a anunciar a encomenda de 40 aviões Boeing 787 Dreamliner por mais de 12 mil milhões de euros.
Porém, esta encomenda do século projecta a Airbus para a liderança do mercado da aeronáutica comercial, sobretudo nos aviões de médio-curso, tendo entusiasmado as indústrias fornecedoras de componentes, designadamente em Espanha, cuja imprensa destacou esta encomenda pelo trabalho que vai proporcionar na região de Cádis.
Esta competição entre os dois gigantes aeronáuticos que são a Airbus e a Boeing mostra que a economia mundial está a passar por um período de dinamismo e de crescimento, mas também mostra que Portugal é um país demasiado pequeno.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Alterações climáticas: um aviso ao mundo

A edição anual da revista BioScience que ontem foi publicada pelo American Institute of Biological Sciences, inclui um texto intitulado World Scientists’ Warning to Humanity: A Second Notice, que é subscrito por 15.364 cientistas de 184 países e que é um alerta quanto às alterações climáticas que ameaçam o futuro da Humanidade.
O texto surge em linha com um outro texto intitulado World Scientists’ Warning to Humanity, publicado em 1992 e que então foi subscrito por cerca de 1700 cientistas, no qual era afirmado que os seres humanos e o mundo actual estavam em colisão e que as actividades humanas causavam danos severos e, por vezes, irreversíveis no ambiente e nos recursos. É, por isso, um segundo aviso e os cientistas de todo o mundo voltam a chamar a atenção para a continuada destruição do nosso planeta com as emissões de dióxido de carbono ou a desflorestação, a redução dos recursos hídricos, a deterioração das zonas costeiras ou a extinção de algumas espécies. “A Humanidade não está a fazer o que deve ser feito urgentemente para salvaguardar a biosfera ameaçada”, diz o referido texto que se baseia num estudo internacional coordenado pela Universidade do Oregon e inclui nove gráficos que mostram como evoluíram algumas variáveis do ambiente nos últimos 25 anos.
Na sua edição de hoje o jornal Público destaca este texto-aviso na sua primeira página e trata de alguns aspectos críticos das alterações climáticas, desde o aquecimento global à sustentabilidade dos rios e destacando, ainda, a falta de coesão territorial associada à desertificação da paisagem e ao despovoamento do mundo rural.
Ao ler-se este texto, facilmente se conclui que há muito para fazer no mundo e também em Portugal para salvar o planeta, mas que a generalidade dos políticos portugueses ainda não percebeu isso.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Um novo desafio para Carlos Tavares

Carlos Tavares é um gestor português que, depois de ter sido o número dois do grupo Renault Nissan, se tornou em finais de 2013 o número um do grupo Peugeot Citroën (PSA), o seu principal concorrente no mercado francês.
Em poucos anos o grupo PSA, que produz as marcas Peugeot e Citroën, inverteu os seus resultados devido à estratégia adoptada por Carlos Tavares e, hoje, é salientado que o grupo “está bem e recomenda-se”.
Nos primeiros dias do passado mês de Março o grupo PSA anunciou a compra da Opel ao grupo americano General Motors por 2.200 milhões de euros, incluindo não só a actividade produtiva da Opel e da Vauxhall no Reino Unido, mas também as operações da sucursal financeira da GM na Europa, neste caso em joint-venture com o banco BNP Paribas.
Esta operação faz do grupo PSA o segundo maior grupo automóvel da Europa com uma quota de mercado de 17%, sendo de notar que as marcas de ambos os grupos fizeram em conjunto vendas de 17.700 milhões de euros em 2016.
Carlos Tavares e a sua equipa têm trabalhado no grande desafio que é salvar a Opel e fazer do grupo PSA um grande grupo automóvel mundial, capaz de concorrer com a indústria automóvel americana e asiática. Porém, o desafio é enorme e implica a integração de culturas de gestão e engenharias bem diferentes, a concretização de economias de escala e de sinergias, a concepção de novos produtos e a abordagem a novos mercados.
Carlos Tavares deu ao jornal francês La Tribune uma grande entrevista na qual apresenta a sua visão sobre o futuro do grupo PSA e da nova ligação à Opel. Um português a brilhar.

domingo, 12 de novembro de 2017

Catalunha: a luta soberanista continua

Realizou-se ontem em Barcelona uma gigantesca manifestação a exigir a libertação dos chamados “presos políticos”, isto é, a dezena de pessoas ligadas ao governo regional da Catalunha que a Justiça espanhola constituiu como arguidos e mandou para a prisão com a acusação de sedição, rebelião e desvio de fundos, na sequência das trapalhadas que foram o acto referendário de 1 de Outubro e a declaração unilateral de independência (DUI).
A realização desta grande manifestação onde foi cantada a “Grândola vila morena”, mostra que o independentismo não está derrotado e que já se está a mobilizar para as eleições de 21 de Dezembro e para as lutas que virão no futuro, provavelmente sem Puigdemonts, Junqueras, Forcadells e outros líderes que terão traído a causa catalã. É curioso que enquanto os jornais da Catalunha, caso do ara mas não só, publicaram com grande destaque as fotografias dessa manifestação, a generalidade da imprensa espanhola ignorou-a. Significa, portanto, que a imprensa está alinhada com os unionistas ou com os independentistas e que, para sabermos a verdade, teremos que ler os jornais afectos às duas partes. É enorme a quantidade de mensagens que estão a ser passadas para o público, umas verdadeiras e outras não verdadeiras, com o objectivo evidente de manipular o eleitorado. Hoje, por exemplo, o prestigiado El País invoca uma sondagem para dizer que “a maioria dos catalães apoia a realização de eleições” e que “dois de cada três habitantes da Catalunha consideram agora impossível a secessão”.
Por tudo isto, o imbróglio catalão tem que continuar a ser acompanhado por quem deseje que seja encontrada a melhor solução que, naturalmente, não passa por aventureirismos.

A nascente do rio Douro secou

O Jornal de Notícias apresenta hoje uma reportagem de grande qualidade jornalística assinada por Eduardo Pinto, intitulada “A nascente do rio Douro secou”.
Essa reportagem é ilustrada com excelentes fotografias e como por vezes uma imagem vale mais do que mil palavras, neste caso o resultado é esclarecedor quanto ao que se está a passar.
Eduardo Pinto foi aos picos de Urbión onde o rio Douro nasce a 2.160 metros de altitude, falou com algumas pessoas de Duruelo de la Sierra e viu que o rio já é pouco mais do que um fio de água, devido à falta de chuva e à seca extrema que afecta toda a Península Ibérica. Ouviu os mais velhos dizer que nunca tinham visto uma seca tão grave, que os pastos faltam e que os rebanhos estão ameaçados. Depois, o jornalista seguiu o curso dos 897 quilómetros do rio até ao Porto.
A primeira represa do rio é o Embalse de la Cuerda del Pozo, que fica a 20 quilómetros da nascente e que apenas mostra um fio de água. A ponte romana que ficou submersa aquando da construção da barragem tem, literalmente, a água a passar-lhe outra vez por baixo. É uma imagem impressionante! A caminho de Aranda del Duero, na província de Burgos, vê-se que o rio Douro leva água, mas corre devagar e apresenta-se turvo. Depois a paisagem volta a mudar. Entra-se na zona de Valladolid e na Ribeira del Duero, onde se produzem alguns dos melhores vinhos de Espanha. Chega-se depois a Zamora e o panorama continua a ser desolador. Após passar Zamora e antes de chegar a Portugal há o Embalse de Ricobayo, um dos mais impressionantes da Europa e que nesta altura está com menos de 15% da sua capacidade de água.
A situação do rio Douro impressiona. Em Espanha, tal como em Portugal, a seca é a grande ameaça do momento e as previsões dos técnicos da meteorologia para os próximos tempos não são nada animadoras.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Um museu das arábias: Louvre Abu Dhabi

A cidade de Abu Dhabi é a capital do emirado de Abu Dhabi e é também a capital federal dos Emirados Árabes Unidos (EAU), uma federação de sete monarquias árabes soberanas que, entre outras, inclui os emirados de Abu Dhabi e do Qatar. A sua enorme riqueza em hidrocarbonetos fez desta federação uma das regiões mais ricas do mundo, com o Abu Dhabi a possuir 9% das reservas mundiais de petróleo e quase 5% das reservas mundiais de gás natural. 
Com uma superfície de 67 340 km2, representando cerca de 86,7% dos EAU, o dinheiro é coisa que não falta no Abu Dhabi. Assim, há dez anos a cidade negociou com o Museu do Louvre a utilização do seu nome por um período de 30 anos num projecto museológico que iria ser construído na ilha Saadiyat, a cerca de 500 metros da costa do Abu Dhabi. Esse projecto – Louvre Abu Dhabi - da autoria do famoso arquitecto francês Jean Nouvel, pretende ser um dos maiores e melhores do mundo e demorou cerca de dez anos a ser construído. É composto por mais de cinco dezenas de blocos brancos, a maioria dos quais rodeada de água o que faz do conjunto uma espécie de arquipélago. A sua peça central é uma gigantesca cúpula prateada que cobre todo o espaço museológico e que apesar da sua aparente leveza pesa 7500 toneladas, o mesmo que a Torre Eiffel.
Segundo refere o diário francês Le Télégramme, os responsáveis do novo museu pagarão mil milhões de euros pelo uso da marca Louvre durante 30 anos e por facilidades no empréstimo de obras de referência de museus e monumentos franceses, estando asseguradas na exposição inaugural obras de Leonardo da Vinci, Van Gogh e Edouard Manet. Vai mesmo ser um museu das arábias!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A anormalidade da meteorologia ibérica

A noção de bom tempo está sempre relacionada com a ocorrência de dias solarengos com altas temperaturas, mas muitas vezes são esquecidos os efeitos que este bom tempo produz quando acontece fora de tempo e fora de lugar. É o que está a acontecer em muitas regiões de Espanha onde, segundo revela hoje o diário ABC, se está a viver o quinquénio mais quente da história espanhola, originando que as barragens estejam a níveis de 20% da sua capacidade, que haja ondas de incêndios devastadores, que sejam feitos cortes no abastecimento de água e se verifiquem perdas milionárias nos campos e nas explorações agrícolas devido à seca. O mês de Outubro foi uma verdadeira anomalia meteorológica e em algumas cidades como Salamanca, Cáceres e Ourense, jamais se tinham verificado temperaturas tão altas com os termómetros a alcançarem valores da ordem dos 35º C. Estas altas temperaturas associadas à falta de chuvas, têm agravado a situação espanhola que é classificada como uma situação grave de seca.
Naturalmente, a situação descrita hoje na reportagem do ABC, também se está a verificar em Portugal.
O IPMA anunciou que o mês de Setembro foi “extremamente quente” e que, em finais do mês, cerca de 81% do território continental estava em seca severa, 7,4% em seca extrema, 10,7% em seca moderada e 0,8% em seca fraca. Significa que a conjugação de valores da precipitação inferiores ao normal com valores da temperatura do ar muito superiores ao normal, deu origem em Portugal aos mesmos problemas que se verificaram em Espanha, com seca severa, incêndios devastadores, escassez de água nas barragens, racionamento na utilização da água e pouca humidade no solo.
O problema é muito grave e só é lamentável que seja aproveitado por alguns para a luta política.

Donald Trump impôs o medo e a incerteza

No dia 8 de Novembro de 2016, com surpresa geral, os americanos elegeram Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos e, aos 70 anos de idade, tornou-se o homem mais velho de sempre a ser eleito para um primeiro mandato presidencial.
Apesar de só ter tomado posse no dia 20 de Janeiro de 2017, a passagem do primeiro aniversário da sua eleição está a dar origem ao aparecimento na imprensa internacional de balanços sobre o seu desempenho. Assim faz a revista alemã Der Spiegel na sua última edição, com uma sugestiva capa em que a onda de Trump parece arrasar ou inundar as instituições e a sociedade americana.
Os Estados Unidos estão mais divididos do que nunca quanto ao desempenho presidencial e numa recente sondagem da Gallup Poll, o presidente recebia apenas 35% das opiniões favoráveis, que é a mais baixa taxa de popularidade alguma vez tida por um presidente em exercício. Porém, o bom desempenho da economia americana e a ausência de uma oposição consequente que ainda não se refez da derrota de 2016, têm permitido que Donald Trump esqueça muitas das suas promessas eleitorais.
Porém, para muitos observadores, a política externa errática de Trump pode ter graves consequências para a Humanidade, devido às suas escolhas políticas, à sua fanfarronice e aos seus tweets incendiários e provocadores.
Na Europa, a popularidade de Trump também deixa muito a desejar e, segundo a Odoxa-Dentsu Consulting, quase 90% dos europeus têm uma má imagem do presidente americano. A grandeza e a respeitabilidade americanas que durante sete décadas foram a base da segurança global estão a ser corroídas por Donald Trump e os Estados Unidos já deixaram de ser uma referência para os europeus. O slogan “America first” tem dado muito maus resultados e os exemplos das más políticas de Trump sucedem-se por todo o lado, desde a Coreia do Norte à Síria, passando pelo muro do México, o Obamacare ou os acordos de Paris.
Trump trouxe o medo e a incerteza, quando todos precisávamos de confiança e de serenidade para enfrentar os enormes desafios do nosso planeta. Evidentemente que a América merecia melhor e o mundo também.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Web Summit 2017 e a Lisboa cosmopolita

A partir de hoje Lisboa vai ser a capital mundial da tecnologia durante quatro dias ao receber no Altice Arena e nas instalações da FIL a conferência global Web Summit 2017, na qual participarão 60 mil pessoas, 20 mil empresas, dois mil jornalistas e mil oradores, entre os quais se destacam o secretário-geral da ONU António Guterres, o antigo vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o antigo presidente francês François Holland, o ex-primeiro ministro grego George Papandreou e diversos primeiros-ministros em actividade.
Esta cimeira tecnológica que junta startups e grandes companhias em torno das tecnologias e do mundo digital, nasceu em 2010 na Irlanda, mas em 2016 mudou-se para Portugal por três anos, tendo registado nesse ano a participação de visitantes de 166 países e gerado uma injecção estimada de 200 milhões de euros na economia portuguesa, um quarto dos quais foi absorvido pela indústria hoteleira.
É comummente aceite que a Web Summit veio dar projecção e melhorar a imagem internacional de Portugal como um país moderno e aberto à inovação tecnológica, o que constitui um factor de atracção de investimento. Os elogios à capacidade organizativa portuguesa chegam de todo o lado e esta manhã já se viam muitos participantes na conferência na linha do metropolitano que serve o Parque das Nações, cujas estações estão adequadamente sinalizadas para ajudar os visitantes.
A cidade de Lisboa está, portanto, na agenda mediática internacional por boas razões: ontem assistiu à largada da 3ª etapa da Volvo Ocean Race e hoje vai assistir à abertura da Lisbon Web Summit 2017. Lisboa é mesmo uma cidade cosmopolita.

domingo, 5 de novembro de 2017

Moçambique e a febre dos Mercedes

Em meados do corrente ano, o governo de Moçambique adquiriu 18 viaturas Mercedes-Benz para atribuir a deputados da Assembleia da República, que custaram cerca de três milhões e quinhentos mil euros e essa decisão provocou polémica e muita indignação, porque o país atravessa uma grande crise financeira, tem grandes manchas de pobreza e tem adoptado medidas de austeridade muito severas. O semanário Savana que se publica em Maputo associou-se a essa indignação e, na sua última edição, destaca que “há Mercedes a mais na Pérola do Índico”.
A imprensa moçambicana tem criticado os excessos de despesa com a compra de viaturas e tem salientado as muitas as carências básicas do país, aludindo à falta de medicamentos nos hospitais, à necessidade de carteiras escolares, à falta de papel e de tinteiros nas repartições públicas e à precaridade dos transportes públicos que transporta os passageiros em condições desumanas. A crítica à actuação governamental também se tem centrado na execução do Programa Estratégico para a Redução da Pobreza Urbana que recebe uma verba semelhante à que foi afectada à aquisição de viaturas.
Agora, indiferente a uma generalizada indignação que nascera com a aquisição dos 18 Mercedes-Benz destinados a deputados, o governo moçambicano decidiu comprar mais 45 viaturas de luxo para dirigentes do Estado, em que abundam os Mercedes-Benz e os Toyota Land Cruisers, tendo a respectiva factura atingido um milhão e seiscentos mil euros.
É um escândalo nacional esta febre pelos bons carros. O Presidente da República, Filipe Nyusi, não tem deixado de criticar o despesismo da administração pública moçambicana, sobretudo em relação à aquisição de viaturas e à mentalidade de alguns dirigentes que não abdicam de viatura para a cidade e viatura para o campo. Onde terão aprendido estas vaidades os dirigentes moçambicanos?

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O independentismo catalão não cede

A Catalunha é uma das 17 comunidades autónomas de Espanha, tem língua, história e cultura próprias e, também, tem a aspiração de se tornar um estado independente. É uma história que tem alguns séculos e que terá começado quando, na segunda metade do século XVI, o rei Fernando de Aragão casou com a rainha Isabel de Castela, levando à unificação da Espanha, que passou a integrar a Catalunha. Mais tarde, com a guerra da Sucessão em que a Europa e a Espanha se dividiram, aconteceu o cerco de Barcelona e a sua rendição no dia 11 de Setembro de 1714. A soberania catalã foi então abolida e foram impostos a língua e os costumes castelhanos, fazendo da Catalunha uma “província espanhola” tutelada por Madrid. Quando em 1931 a Espanha se tornou uma república, a Catalunha voltou a conquistar a autonomia, mas perdeu-a com a ditadura franquista. A restauração da democracia trouxe a autonomia de novo à Catalunha em 1979.
A Catalunha tem, portanto, um arreigado e secular sentimento independentista e as aspirações catalãs não podem ser ignoradas. Porém, como não estamos no tempo de libertadores nem de caudilhos, tudo tem que cumprir certos preceitos, designadamente o da legalidade interna e a da aceitação internacional.
Acontece que o governo da Catalunha foi longe de mais e no dia 1 de Outubro avançou para um pseudo-referendo e inventou algumas centenas de feridos resultantes da violência policial castelhana. Só acreditou quem quis, mas a escalada da tensão entre Madrid e Barcelona acentuou-se. No dia 27 de Outubro, um grupo de 70 dos 135 deputados do Parlamento da Catalunha votou a Declaração Unilateral de Independência. Ninguém a reconheceu externamente. A resposta de Madrid foi dura ao anular aquela declaração, demitir o governo e suspender a autonomia catalã. Alguns responsáveis políticos foram presos, mas Carles Puigdemont está ausente em Bruxelas, numa atitude de grande cobardia e, eventualmente, de traição à causa catalã. Entretanto, a imprensa catalã colocou-se abertamente contra a repressão das autoridades de Madrid e tem-se mobilizado na defesa da autonomia e dos governantes catalães e, na sua edição de hoje, o diário catalão EL Punt Avui publica o cartaz que exige a libertação dos presos políticos.  
Como aqui escrevemos no dia 29 de Setembro a “aspiração independentista catalã vai provavelmente sair reforçada deste processo, mas vai exigir que no futuro seja conduzida por gente mais capaz que os Puigdemont e os Oriol Junqueras”.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Macau - Creative City of Gastronomy

A imprensa de Macau destacou hoje a recente atribuição do título de Creative City of Gastronomy que foi conferido à cidade pela Unesco Creative Cities Network (UCCN), durante o XI UCCN Annual Meeting que terminou no passado dia 31 de Outubro na cidade francesa de Enghien-les-Bains. O jornal Macau Post destaca aquela notícia na sua edição de hoje e apresenta uma entrevista com Maria Helena de Senna Fernandes, a directora do Gabinete de Turismo do Governo de Macau, em que salienta a importância que terá para o turismo macaense o facto da cidade passar a ser membro da UCCN.
A UCCN foi lançada em 2004 pela Unesco como um projecto destinado a promover a cooperação entre as cidades que apostam na criatividade, na inovação e nas indústrias culturais como factores estratégicos para a promoção do seu desenvolvimento sustentável e, actualmente, já agrega 180 cidades de 72 países, que se distribuem pelas sete categorias ou campos em que as cidades mais se distinguem na área da criatividade: Artesanato e folclore, Media arts, Cinema, Design, Gastronomia, Literatura e Música.
Embora se trate de atributos ou rótulos ainda sem significativo impacto, verificamos que há algumas cidades portuguesas que já são membros da UCCN, assim sucedendo com Óbidos (Literatura) e Idanha-a-Nova (Música) desde 2015, mas também com as cidades de Amarante (Música), Barcelos (Artesanato) e Braga (Media arts), que foram aceites na recente reunião de Enghien-les-Bains.
Com a adesão a esta interessante iniciativa da Unesco, as cidades lutam pela vida, pela sua notoriedade e pelo seu reconhecimento.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

A violência que tanto amedronta o Brasil

O Brasil ou República Federativa do Brasil é um grande país e, segundo revelam os rankings, é o 5º maior país do mundo e, com mais de 200 milhões de habitantes, é o 6º país mais populoso do planeta. É, provavelmente, o mais multicultural e multiétnico país do mundo, devido à imigração que recebeu de todas as partes do mundo.
As suas potencialidades económicas são enormes, bem como o dinamismo da sua população, mas esses factos não excluem o país das crises cíclicas que, um pouco por todo o mundo, afectam o progresso das populações e geram demasiada instabilidade social. Há razões exógenas e endógenas para o aparecimento dessas crises e dessa instabilidade, que têm contornos muito diversos, em que se cruzam a ineficácia dos poderes públicos, o desemprego, a pobreza e de uma forma geral uma cultura de violência. 
A edição de hoje da Folha de S. Paulo salienta que, com base nos números ontem divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública relativos ao ano de 2016, o número de mortes violentas intencionais registadas no Brasil atingiu 61.619 pessoas, o que representa um acréscimo de 4,7% em relação ao ano anterior e se traduz num impressionante indicador: uma média de sete mortes violentas por hora. Esse indicador revela níveis de insegurança e de violência extremas, com uma taxa média nacional de mortes violentas de 29,9 assassinatos por 100 mil habitantes, com maior incidência nos Estados nordestinos de Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas.
Outras informações divulgadas pelo mesmo jornal mostram que em 2016 foram mortos 437 polícias brasileiros em acções violentas e que se verificaram 557 mil roubos de veículos, o que representa o furto de um veículo por minuto.
Hoje a violência e a insegurança estão espalhadas por todo o país e já não são exclusivas dos grandes Estados. É um problema nacional que amedronta a população brasileira.