segunda-feira, 18 de junho de 2018

Unesco vai classificar o Farol de Cordouan

O jornal Sud Ouest é publicado diariamente em Bordéus e é um dos maiores jornais regionais franceses, com uma circulação da ordem dos 300 mil exemplares diários. Na sua edição de hoje o jornal noticia a realização de uma grande festa nas imediações do farol de Cordouan para apoio da sua candidatura a património mundial da Unesco e associa-se a essa campanha com a divulgação da história do farol, com muitas imagens e com informações sobre o processo em vias de decisão.
O farol de Cordouan fica situado sobre uma pequena ilha rochosa à entrada do estuário do rio Gironda, a cerca de 3 milhas da costa, tendo servido desde tempos muito recuados para assinalar a entrada da barra às embarcações que iam carregar vinho na região de Bordéus. Porém, só em 1611 foi construida uma estrutura com as características de um farol. Essa estrutura foi melhorada ao longo dos anos e o alumiamento do farol foi modernizado, mas só entre 1786 e 1790, quando a torre foi acrescentada de 20 metros, é que o farol tomou a sua forma actual com 68 metros de altura.
É uma estrutura monumental de grande harmonia arquitectónica, com vários pisos onde se situam alojamentos, capela e, no topo, o sistema de alumiamento que só em 1950 passou a ser eléctrico. O farol recebeu o estatuto de monumento histórico em 1862 e agora quer ser reconhecido pela Unesco e ter o estatuto de Património da Humanidade. É de facto um farol único no mundo, que os franceses gostam de designar como o “farol dos reis, rei dos faróis” ou o “Versailles do mar”. É uma das atracções turísticas do sudoeste francês e recebe cerca de 20 mil visitantes por ano que pagam 11 euros pela visita, mas que não inclui o transporte por mar até ao farol. Porém, dizem os que já lá foram, que valeu a pena.

domingo, 17 de junho de 2018

Ronaldo vs. Messi ou a luta continua

Nos últimos dez anos o futebol mundial tem sido dominado por uma curiosa rivalidade entre o português Cristiano Ronaldo e o argentino Lionel Messi que conquistaram, por cinco vezes cada um, o prestigioso troféu destinado ao melhor jogador do mundo. Esse troféu é a Bola de Ouro ou Ballon d’Or e foi criado pela revista francesa France Football, tendo tido em determinada altura a parceria da FIFA.
Ronaldo e Messi têm sido os protagonistas da luta por esse prémio e a circunstância de ambos jogarem em Espanha e nos dois maiores clubes ibéricos, tem acentuado essa disputa. Agora, com as duas estrelas a pisar os relvados russos, essa rivalidade voltou a estar no centro da discussão futebolística.
Aconteceu que na sexta-feira Cristiano Ronaldo marcou três golos à Espanha e gastou os elogios que havia disponíveis no mercado, enquanto no sábado aconteceu que Lionel Messi falhou uma grande penalidade contra a Islândia e a equipa da Argentina não foi além de um empate contra a modesta selecção islandesa. Estas prestações não passaram despercebidas aos furiosos da bola e o jornal desportivo italiano La Gazzetta Sportiva pegou nesse tema, porque é interessante para os seus leitores e “vende bem”, tratando de destacar este duelo na primeira página da edição de hoje com o título CR7-Messi 3-0.   
É ainda muito cedo para saber quem irá ser escolhido como o melhor jogador do mundo em 2018 mas, aparentemente, a imprensa mundial continua a apostar nos artistas do costume.

Chegou o tempo dos incêndios florestais

Decorreu um ano sobre o dramático incêndio de Pedrógão Grande e alguns jornais evocaram esse fatídico dia em que algumas dezenas de pessoas perderam a vida e muitos hectares de floresta foram devorados pelo fogo. Foram dias trágicos que vieram a repetir-se em Outubro e, embora o que se passou tenha causas tão diversas como a falta de planos de protecção contra incêndios florestais, ou um ordenamento florestal inadequado, ou as alterações climáticas ou, ainda, o desleixo das populações, todas as críticas se dirigiram contra o governo e, de forma especial, contra a então Ministra da Administração Interna. Foi lamentável o aproveitamento político que alguns então quiseram fazer da tragédia.
Entretanto, os fogos florestais não são apenas um problema português e grandes áreas florestais em Espanha também têm sido consumidas pelo fogo. Por isso, a secção espanhola do Greenpeace publicou esta semana um documento intitulado “Protege el bosque, protege tu casa” em que analisa as causas da nova era de incêndios de alta intensidade dos últimos anos e denuncia a falta de planos de prevenção, emergência e auto-protecção contra incêndios florestais em Espanha, um problema que já está classificado como emergência social. O estudo cita os incêndios do camping e do parque de Doñana de Mazagón e do trágico incêndio de Pedrógão Grande.
O documento foi publicado pelo jornal el Correo de Andalucia e constitui uma chamada de atenção para todos os agentes públicos e privados envolvidos neste problema, desde a população que constrói casas no meio da floresta e não cuida da limpeza dos seus espaços florestais, até ao abandono rural e às alterações climáticas. O documento refere que “não é uma situação única de Espanha” e que “países como Portugal, Chile, Austrália, África do Sul e Estados Unidos têm sofrido grandes incêndios de altíssima gravidade”. Trata-se, portanto, de um problema ambiental que afecta a segurança nacional e que em Portugal se espera possa ser enfrentado este ano com mais eficiência do que aconteceu em 2017.

sábado, 16 de junho de 2018

Os golos de CR7 e o delírio português

O Campeonato do Mundo de Futebol teve ontem, no segundo dia da prova, o jogo entre as equipas de Portugal e da Espanha que foi disputado em Sochi. Tratava-se de um encontro entre os rivais ibéricos, mas também entre duas equipas que figuram nos primeiros lugares do ranking da FIFA, no qual Portugal aparece actualmente em 4º lugar e a Espanha em 10º lugar, entre 211 equipas. São duas equipas de primeiro plano a nível mundial e que contam com muitos dos melhores praticantes de futebol da actualidade.
O jogo foi muito bem disputado e, segundo os especialistas, o empate por 3-3 que se verificou no final da partida foi justo, apesar da imprensa espanhola muito elogiar a sua equipa e sugerir que merecia a vitória, que lhe terá fugido apenas por ter defrontado um Cristiano Ronaldo muito inspirado. De facto, nos momentos decisivos do jogo, Cristiano Ronaldo não falhou e marcou os três golos portugueses, o último dos quais aconteceu a dois minutos do fim e, porque inesperado, deixou os portugueses em delírio.
A imprensa mundial – mais de uma centena de jornais de todo o mundo – divulgou o resultado do duelo ibérico, elogiou a grande qualidade do espectáculo e publicou a fotografia de Cristiano Ronaldo na sua primeira página, muitas vezes a toda a largura da capa. Não me recordo de alguma vez ter visto uma tão grande promoção do nosso país, neste caso através da selecção de futebol e da figura de Cristiano Ronaldo. Os substantivos e os adjectivos utilizados para o classificar são, entre outros, fenómeno, diabo, genial, espectacular, de outro planeta, divinal, marciano, gigante, super-estrela, grandioso, bestial, impressionante, imponente, vibrante... Um jornal hondurenho até diz que Cristiano Ronaldo é uma maravilha do mundo e o Correio Braziliense escolheu para título “o gol fala português”, porque dois golos espanhóis foram marcados por um brasileiro naturalizado espanhol.
Os portugueses estão eufóricos com a festa do futebol e bem merecem estas alegrias e até Marcelo Rebelo de Sousa esteve a aplaudir no Terreiro do Paço, provavelmente tão entusiasmado e delirante como o seu povo!

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O futebol pode ajudar o desanuviamento

No conflito porventura mais longo e mais trágico por que passa o mundo e que se tem desenvolvido na Síria desde Março de 2011, o regime de Bashar al-Assad tem a Rússia como principal aliado, enquanto a oposição tem na Arábia Saudita um dos seus maiores apoios.
Porém, no jogo inaugural do Campeonato do Mundo em que se defrontaram as equipas da Rússia e da Arábia Saudita, na tribuna de honra estiveram sentados juntos e em amena cavaqueira, o Presidente Vladimir Putin e o príncipe Mohammad bin Salman Al Saud, o herdeiro do trono saudita e que também é vice-primeiro ministro e ministro da Defesa.
Seguramente, estes dois homens não falaram da Síria, nem do Irão, nem do Iémen, mas não deixa de ser muito curioso este encontro num estádio de futebol na presença do divertido presidente da FIFA , poucos dias depois da reunião havida entre o Donald e o Kim. Parece mesmo que estamos a caminhar para um desanuviamento à escala global e, nesse caso, teremos que dizer: ainda bem . O resultado do jogo pouco importa, mas Putin pôde sorrir porque a sua equipa ganhou por 5-0 e houve festa na Rússia.
O jornal inglês The Independent reparou neste encontro entre Mohammad bin Salman e Vladimir Putin que se registou ontem em Moscovo e trouxe-o hoje para a sua primeira página com uma sugestiva fotografia.
Para os que ainda não acreditam no poder político do futebol, aqui está a prova.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

A grande festa do futebol começa hoje

O Mundial de futebol começa hoje na Rússia e, é caso para dizer que, durante 31 dias não se vai falar de outra coisa. De facto, o entusiasmo por esta competição tem uma escala global e, todos os dias, muitos milhões de espectadores estarão em frente dos televisores para ver as transmissões dos jogos. Um serei um deles, embora me concentre apenas no espectáculo do futebol e me desligue completamente do que vai ser dito por inúmeros jornalistas e comentadores que vão entopir todas as televisões com repetitivos e desinteressantes comentários e opiniões. De resto, ainda o campeonato não começou e já estou farto de os ouvir.
Hoje temos o jogo inaugural entre a Rússia e a Arábia Saudita, mas o melhor vai ser a cerimónia da abertura do campeonato, porque os russos não brincam em serviço e não vão perder a oportunidade para impressionar o mundo e mostrar que os tempos decadentes do império soviético já foram ultrapassados.
Amanhã teremos o Portugal-Espanha e nesse jogo estarão concentradas todas as emoções ibéricas, numa prova que revive uma rivalidade centenária, mas que agora é pacífica e até muito fraterna. A equipa portuguesa está cheia de gente de talento e de muita experiência, mas esses atributos também existem nas outras equipas, o que torna muito imprevisível o que vai acontecer. Porém, há que pensar positivo e desejar que os milhões de portugueses residentes no território nacional ou na diáspora tenham a alegria da vitória muitas vezes, até porque a alegria do povo depende cada vez mais dos resultados dos futebóis e da forma como são servidos pelas televisões. Portanto, todos os portugueses pedem aos nossos futebolistas para estarem à altura desta oportunidade.
Nós confiamos neles, mas é preciso que tenham sorte e que não haja bolas na trave.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Afinal o Donald e o Kim são bons amigos

A diferença horária entre Singapura e os Estados Unidos é de 12 horas e, por isso, os matutinos americanos já aparecem com a notícia do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, que se está a realizar no Hotel Capella, na ilha de Sentosa. Tudo parece estar a correr bem e o encontro teve direito a aperto de mão muito afectuoso, largos sorrisos, elogios mútuos e à assinatura de um primeiro documento comum, no qual ambos os países se comprometem a estabelecer relações de acordo com a vontade dos seus povos no caminho da paz e da prosperidade e a trabalhar na direcção da completa desnuclearização da península coreana.
Para além deste documento, são por agora muito escassas as declarações produzidas, até porque é a primeira vez que os líderes dos Estados Unidos e da Coreia do Norte se encontram, além de que o tema é complexo e há que digerir as inúmeras e mútuas provocações e insultos que cada um fez ao outro nos últimos meses.
Porém, o primeiro passo está dado e o mundo até parece que passou a respirar melhor.
As conversações prosseguem, mas os primeiros relatos descrevem um ambiente descontraído e sugerem que o Donald não deixará de convidar o Kim para visitar a Casa Branca. Quem se lembrará do que há tempos disse o Donald ao afirmar que "o homem-foguete tem uma missão suicida para si próprio e para o regime", ou tenha presente a resposta do Kim que lhe chamou "trapaceiro e criminoso" e "senil americano mentalmente perturbado"? Ou quem recordará a história dos botões nucleares que cada um tem em cima da sua secretária pronto a ser accionado?
Essas coisas esquecem-se depressa e, aparentemente, vamos assistir a mais encontros amistosos entre o Donald e o Kim, dois fanfarrões encartados. Que seja para uma nova era de paz na península da Coreia e no mundo, embora o passado político recente destes indivíduos seja pouco confiável.

Os refugiados abalam a coesão europeia

No passado sábado foram resgatadas 629 migrantes que faziam a travessia do Mediterrâneo, em seis operações nas quais participaram unidades da ilha de Lampedusa, três navios mercantes e a ONG SOS Mediterrâneo. Essas pessoas foram recolhidas no Aquarius, um pequeno navio registado em França e que pertence àquela organização não governamental. Porém, as autoridades italianas proibiram o navio de atracar num porto italiano e pediram a Malta que recebesse esses migrantes porque o navio estava mais próximo de Malta do que da costa italiana, mas o governo de Malta recusou e atribuiu essa responsabilidade aos italianos. Estava criado um impasse, com dois estados-membros da União Europeia a recusarem o auxílio humanitário a que os obriga a lei internacional e a terem um comportamente absolutamente desumano e contrário à política da União Europeia, por deixarem à deriva um navio numa situação muito precária.
Porém, ontem o impasse foi desbloqueado quando Pedro Sánchez, o primeiro-ministro espanhol, se ofereceu ontem para que o navio fosse acolhido no porto de Valência. Os chefes de governo de Itália, Giuseppe Conte, e de Malta, Joseph Muscat, agradeceram o gesto espanhol, enquanto Matteo Salvini, que é o ministro do Interior de Itália e que também é o líder do partido nacionalista e xenófogo Liga Norte, gritou “vitória” e “objectivo alcançado”, declarando que “salvar vidas é um dever, mas transformar a Itália num enorme campo de refugiados, não”.
Os jornais espanhóis, como por exemplo o ABC, tratam hoje este assunto com fortes elogios ao seu novo primeiro-ministro. O facto é que, a somar a muitos outros problemas que atravessam a Europa e a sua coesão, o caso do Aquarius e as declarações xenófobas de Salvini vieram lembrar que o problema dos refugiados continua por resolver.

domingo, 10 de junho de 2018

O Donald até sonha ser o rei da América

Nos últimos dias o presidente dos Estados Unidos tem andado nas primeiras páginas dos jornais e nas aberturas dos telejornais, não só pelo seu previsto encontro com Kim Jong-un em Singapura mas, sobretudo, pela forma como se tem afirmado perante o mundo.
Na sua corrente edição, a revista Time analisa a sua faceta de extrema arrogância e ridiculariza-o, ao mostrá-lo perante um espelho a mostrar a sua postura de aspirante a rei do mundo que se quer ver coroado.
A reunião do G7, isto é, o encontro dos sete países mais industrializados do mundo que se realizou no Canadá e que visou melhorar as regras do comércio internacional, não correu bem. O assunto é complexo e os americanos e os europeus estão em acesa discussão. Alguns dos líderes presentes na reunião enfrentaram o Donald, ao mesmo tempo que denunciaram as suas constantes ameaças de guerra comercial. Angela Merkell e Emmanuel Macron “levantaram a voz” ao Donald, tal como Justin Trudeau, o jovem primeiro-ministro do Canadá. O Donald parece que não gostou e abandonou a reunião, sem ter assinado o seu comunicado final.
Um antigo director da CIA classificou as atitudes prepotentes e provocatórias do Donald como palhaçadas que estão a abalar o prestígio americano no mundo e pediu paciência aos aliados e amigos dos Estados Unidos, porque Donald Trump é "uma aberração temporária".
Chegou-se ao ponto de desejar que Kim Jong-un tenha a paciência própria dos orientais para travar este indivíduo que, cada vez mais, entende que pode impor a sua vontade a tudo e a todos.

A festa do Dia de Portugal e de Camões

Hoje, dia 10 de Junho, é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, um dia que assinala a morte do poeta Luís de Camões e que também é considerado como o Dia da Língua Portuguesa e como o Dia do Cidadão Nacional e das Forças Armadas. É uma data que se celebra com a presença dos mais altos dignitários nacionais e que inclui cerimónias oficiais, desfiles militares, concertos e entrega de condecorações aos portugueses que mais se distinguiram.
O palco das cerimónias oficiais que antigamente era em Lisboa no Terreiro do Paço, há muito que se tornou itinerante e, desde 1977 que, por escolha do Presidente da República, é designada uma cidade para acolher as comemorações oficiais. Em 2016 Marcelo Rebelo de Sousa teve a ideia de escolher duas cidades, uma no país e outra no estrangeiro, para que as comemorações se estendessem às comunidades portuguesas. Assim, as comemorações tiveram lugar em Lisboa e em Paris e, no ano seguinte, foram escolhidas as cidades do Porto e as cidades brasileiras do Rio de Janeiro e de S. Paulo. Este ano, o Presidente da República escolheu Ponta Delgada e as cidades americanas de Boston, Providence e New Bedford, no estado de Massachusetts, onde as comunidades portuguesas estão profundamente inseridas.
Embora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas não desperte grande interesse popular em Portugal e quase seja ignorado pelos mass media, nas comunidades portuguesas é um grande dia de festa, em que os portugueses afirmam a sua identidade e manifestam o orgulho na sua nacionalidade, na sua língua, na sua bandeira e na suas tradições culturais, através de inúmeras iniciativas. A capa do jornal A Voz de Portugal, que se publica desde 1961 em Montreal, no Quebeque, e que é o mais antigo semanário de língua portuguesa do Canadá, é expressiva do entusiasmo com que o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é festejado no estrangeiro. Mas para perceber isto é preciso viver ou ter vivido longe daqui.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Mulheres dominam no governo espanhol

No passado dia 1 de Junho, o governo de Espanha chefiado por Mariano Rajoy (PP) foi destituído na sequência da aprovação de uma moção de censura apresentada no Parlamento pelo Partido Socialista Obrero Español (PSOE). Nos termos constitucionais, o líder do partido que conseguiu a aprovação da moção de censura tornou-se automaticamente chefe do governo ou primeiro-ministro. Pedro Sanchez é, por isso, o novo primeiro-ministro de Espanha.
O resultado final da votação foi de 180 votos a favor, 169 contra e uma abstenção e, após a a votação, Mariano Rajoy saiu do seu lugar e dirigiu-se a Pedro Sanchez para o cumprimentar, como novo primeiro-ministro. A aprovação desta moção de censura é um momento histórico em Espanha, uma vez que o PSOE só tem 84 de um total de 350 deputados (24%), mas conseguiu os votos necessários para afastar Mariano Rajoy, com apoio do Unidos Podemos, dos nacionalistas bascos e dos independentistas catalães. É uma mistura muito complexa, de muito duvidosa coesão e, portanto, de durabilidade incerta.
Ontem Pedro Sanchez levou os nomes dos seus ministros ao Rei Filipe VI e depois anunciou-os em conferência de imprensa, com um discurso em que afirmou progressismo, europeismo, modernização e compromisso com a igualdade. O seu governo tem um presidente e 17 ministros, entre os quais 11 mulheres. Nunca houve na Europa um governo tão feminino e, hoje, o diário La Razón destaca esse facto e titula: consejo de "ministras". Os primeiros sinais de Pedro Sanchez foram muito apreciados, não só por apostar no feminino, mas também pelas suas escolhas mais técnicas que políticas, como sucede com Josep Borrell, o antigo presidente do Parlamento Europeu, com Nadia Calvino que era Directora-Geral da Comissão Europeia e responsável pelo orçamento comunitário e, até, com o astronauta Pedro Duque.
Consta que Pedro Sanchez se inspirou na solução portuguesa e o facto é que, à partida, tem um apoio parlamentar de apenas 24% dos deputados, pelo que vai precisar de muita habilidade. O mais certo é ter que preparar eleições.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Mais um caso de pouca vergonha

As manchetes dos jornais destinam-se a chamar a atenção das pessoas, a suscitar o seu interesse e a fazer com que comprem os jornais. Têm, quase sempre, uma certa dose de sensacionalismo e, por vezes, nem sequer correspondem a factos verdadeiros e não passam de meras especulações. Porém, como diria o poeta António Aleixo, “para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade”. Nesse sentido, mesmo as mais sensacionalistas manchetes têm sempre qualquer coisa de verdade e, por isso, a repetida frase que nos diz que uma imagem vale mais que mil palavras, bem pode dar origem a uma curiosa derivação e talvez possamos passar a dizer que uma manchete vale mais do que mil palavras. 
Isto vem a propósito da manchete da edição de hoje do jornal i que vem dizer-nos que as ajudas aos bancos custaram o equivalente a 23 Pontes Vasco da Gama. Ficamos absolutamente arrepiados com essa informação e com essa pouca vergonha, só possível pelas cumplicidades e pela promiscuidade que tem havido entre a Banca e a Política. Sabemos que a banca arranjou muitos empregos aos políticos e aos protegidos dos políticos, que distribuiu milhões em dividendos aos accionistas e outros tantos milhões em remunerações e prémios aos seus incompetentes ou desonestos gestores que continuam a andar por aí. Sabemos como os quadros superiores da banca continuam a disfrutar de benesses e mordomias como mais nenhum outro sector de actividade usufrui em Portugal. E, no entanto, nada muda e vivemos nesta angustiante realidade em que os contribuintes pagam os prejuízos da banca, enquanto ela absorve os lucros que tem e que não tem.
É ou não é uma pouca vergonha?

Um caso de pouca vergonha

O Expresso anunciou na sua última edição que o ex-banqueiro Jardim Gonçalves ganhou a acção que moveu contra o Millenium BCP no Tribunal de Sintra e vai continuar a receber a pensão de reforma de 167.000 euros mensais que vem recebendo desde 2005, mais as despesas em segurança, carro e motorista que o banco suspendera em 2010, mas que o tribunal agora obrigou a pagar retroactivamente e que já atingem 2.124.000 euros.
O banco tem procurado chegar a acordo com todos os antigos administradores para aceitarem a redução do valor das suas reformas e das suas regalias e todos terão aceite as propostas do banco, excepto Jardim Gonçalves que se reformou em 2005 quando tinha 69 anos de idade.
O senhor Gonçalves é um caso verdadeiramente inacreditável de ganância e de obscenidade social, que choca qualquer criatura, mas a que o tribunal foi indiferente. O juiz cedeu aos argumentos de um bom advogado e ter-se-à agarrado a uma qualquer lei para achar justa uma reforma mensal de 167 mil euros, num país onde o salário mínimo não chega aos 600 euros. O meretíssimo que produziu a sentença ofendeu o bom senso e a racionalidade, lesando os contribuintes portugueses que, directa ou indirectamente, pagam todos os devaneios do senhor Gonçalves. Não sei o que diz a lei, mas este caso parece mesmo um caso de uma terra fora da lei.
É mesmo um caso de pouca vergonha!

terça-feira, 29 de maio de 2018

O enorme imbróglio da política italiana

As eleições legislativas italianas que se realizaram no dia 4 de Março e que elegeram 630 deputados, não gerou nenhuma maioria clara até que, recentemente, o populista Movimento 5 Estrelas liderado pelo jovem Luigi Di Maio e a nacionalista Liga Norte dirigida por Matteo Salvini, chegaram a um acordo de governo e indigitaram Giuseppe Conte para primeiro-ministro. Este formou o seu governo e nele incluiu o economista Paolo Savona como ministro da Economia.
Só que o presidente da República, Sergio Mattarella, decidiu não aceitar Paolo Savona por ser declaradamente anti-europeu e, com o seu veto, o indigitado primeiro-ministro decidiu renunciar à indigitação. A crise política ficou aberta e há acusações de todos os lados, pelo que o mais provável caminho para a Itália será a marcação de novas eleições. Os dois partidos mais votados nas eleições de 4 de Março, com cerca de 50% dos votos, foram o Movimento 5 Estrelas e a Liga Norte. São movimentos que o L’Espresso classificou como “política sem rosto”, pois são ambos populistas, eurocépticos e mais ou menos regionalistas. É difícil perceber, fora da Itália, o que representa cada um destes movimentos e porque razão ganharam tanta força em tão pouco tempo. Neles não tem sentido a tradicional separação entre esquerda e direita e das suas inesperadas posições podem sair propostas muito destabilizadoras sobre a permanência na União Europeia e na Zona Euro, mas também sobre a própria unidade política da Itália.
Com ou sem eleições, ninguém sabe o que vai acontecer, mas a preocupação é grande. Os italianos estão mesmo perante um grande imbróglio.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

CR7 ocupa a agenda mesmo sem golos

A equipa de futebol do Real Madrid ganhou a Liga dos Campeões da UEFA pela 13ª vez, o que é um feito desportivo notável e, dessa maneira, consolidou a sua liderança no futebol europeu, onde o Milan (com 7 vitórias) e o Barcelona, Bayern e Liverpool (com 5 vitórias), são os seus maiores rivais.
A festa madrilena foi grande, mas a sorte também foi muito grande porque na final disputada em Kiev, o guarda-redes Loris Karius que defendia a baliza do Liverpool teve uma exibição demasiado infeliz e “ofereceu” dois golos ao Real Madrid. Foram essas duas “ofertas” de Karius e os dois golos obtidos pelo galês Gareth Bale, um dos quais com elevada nota artística, que deveriam ter marcado aquela final. Aconteceu, porém, que Cristiano Ronaldo, o maior goleador da história da Liga dos Campeões da UEFA e que acabava de ganhar a prova pela 5ª vez, teve uma exibição vulgar e não marcou golo nenhum. Acontece a todos. Quando o jogo terminou, Cristiano até parecia ausente da festa e esteve apagado. Provavelmente não se sentiu no centro das atenções. Provavelmente amuou. Interpelado por um jornalista, tratou de dizer que “foi muito bonito jogar no Real Madrid”, o que foi interpretado como um pré-aviso de saída para outra equipa. Com aquela frase, espontânea ou premeditada, “marcou um golo” já depois do fim do jogo e inverteu os acontecimentos. Os jornais esqueceram os golos de Bale, as defesas de Navas, a lesão de Mohamed Salah, os frangos de Karius, o golo de Benzema e concentraram-se na declaração de Cristiano Ronaldo. Hoje, o diário desportivo Marca pede-lhe que fique, exactamente como fazem outros jornais espanhóis e o momento desportivo espanhol já não é a vitória do Real Madrid, mas apenas o futuro de Cristiano Ronaldo.
CR7 é um verdadeiro mestre em agenda-setting!