terça-feira, 15 de agosto de 2023

As “mulheres invisíveis” do Afeganistão

O jornal austríaco Kleine Zeitung, que se publica na cidade de Graz, evocou na sua edição de hoje o segundo aniversário da retirada americana de Cabul e da tomada do poder pelos talibã, com uma reportagem sobre as “mulheres invisíveis” do Afeganistão e as condições de opressão a que são sujeitas pelo regime que governa o país. 
A fotografia da capa desta edição mostra várias mulheres afegãs, naturalmente vestindo a burka, uma vestimenta azul que cobre todo o corpo, incluindo o rosto, com uma pequena rede a cobrir os olhos para que a portadora possa usar a visão.
Essa situação conduz-nos a Outubro de 2001, quando à revelia das Nações Unidas, os Estados Unidos sob a liderança de George W. Bush e com o apoio do Reino Unido invadiram o Afeganistão com o objectivo de derrubar o governo dos talibã, capturar Osama bin Laden como responsável pelos atentados de 11 de Setembro de 1999 e desmantelar a Al-Qaeda. As forças americanas rapidamente tomaram Cabul, a capital do país, mas a resistência talibã continuou a sua guerra contra os ocupantes. Por isso, a partir de Agosto de 2003, também a NATO se envolveu militarmente no conflito, sem que se soubesse porquê.
O custo da guerra levou os americanos a equacionar a sua retirada desde 2011, mas só em 2020, após quase vinte anos do conflito, os Estados Unidos negociaram com os talibã um acordo de paz que previa a retirada americana do Afeganistão a partir de 2021. Os talibã iniciaram então uma ofensiva militar em larga escala, ocuparam grande parte do território e cercaram Cabul, tendo Hamid Karzai, o presidente da República Islâmica do Afeganistão, abandonado o país. No dia 15 de Agosto de 2021, os combatentes talibã tomaram a capital, enquanto as tropas americanas quase ficaram bloqueadas no aeroporto de Cabul, a lembrar a retirada de Saigão em 1975. Os talibã regressaram ao poder, declararam o Emirado Islâmico do Afeganistão e impuseram a lei islâmica – a sharia – que é interpretada pelos líderes religiosos e é implacável, sobretudo para as mulheres.
Porém, entre tanta gente que esteve envolvida na guerra do Afeganistão, alguém se lembra disto?