quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ceuta conserva a boa memória lusitana

A cidade autónoma de Ceuta comemorou ontem o Dia de Ceuta com uma cerimónia institucional que foi o ponto alto de um programa que se estendeu por vários dias. Nessa cerimónia realizada no Teatro Auditório del Revellin, foram distribuidas as Medalhas da Autonomia que, em cada ano, distinguem as associações e as personalidades que mais se distinguiram na valorização ou na promoção da cidade.
A cscolha desta data é uma curiosidade da História. Quando no dia 21 de Agosto de 1415 o Rei D. João I de Portugal desembarcou na cidade e rapidamente a tomou pela força dos homens e das armas, alguns capitães pretenderam ser escolhidos para governar a cidade, mas o rei escolheu D. Pedro de Menezes, 1º conde de Vila Real, para seu primeiro governador e capitão-geral, apenas porque se apresentou com um pau e disse que “aquele pau lhe bastaria para defender a cidade de todos os seus inimigos”. A nomeação de D. Pedro de Menezes aconteceu no dia 2 de Setembro e esse pau ainda hoje se encontra no santuário de Nossa Senhora de África, tendo passado de mão em mão por todos os governadores que comandaram a praça de Ceuta e juraram defender a cidade.
Durante o período da União Ibérica (1580-1640), a cidade manteve a administração portuguesa, mas em 1640 não aclamou o novo Rei D. João IV, optando por ficar sob domínio espanhol. No entanto, a cidade decidiu manter a sua bandeira de gomos brancos e pretos como a bandeira da cidade de Lisboa e o escudo português, que é o seu verdadeiro ex-libris.
No próximo ano celebra-se o 6º centenário da tomada de Ceuta que, habitualmente, é considerada como o facto que marca o início da expansão portuguesa pelo mundo. Estamos cá para ver como será e por quem será evocada essa data.