Mostrar mensagens com a etiqueta GENTE VULGAR. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta GENTE VULGAR. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Trump, o negócio e o declínio da América

O diário espanhol El País destaca na sua edição de hoje que Donald Trump “ganó 1.200 millones com las criptomonedas em 2025”, mas os grandes jornais de referência americanos, como por exemplo o The New York Times e o Los Angelers Times referem que foram 2 mil milhões de dólares os lucros obtidos pelo seu presidente com o negócio das criptomoedas.
Donald Trump está a ser acusado de comportamento eticamente reprovável e de estar a enriquecer através do uso indevido da sua posição política, mas tem-se mostrado indiferente a essas acusações porque, afirma, já era rico antes de ser presidente. Segundo foi divulgado pela revista Forbes o património pessoal de Donald Trump quase triplicou entre 2024 e 2026, ao passar de 2,3 para 6,5 mil milhões de dólares, pelo que está a ser acusado de conflito de interesses, por ter investido nas criptomoedas, ao mesmo tempo que tomava várias medidas para desregulamentar o sector, fazendo disparar o preço dos seus activos. Aos lucros com as criptomoedas acrescentou os lucros com os produtos da marca Trump, que vão desde o vestuário e os seus bonés, até aos autocolantes para para-choques, mas também as bíblias vendidas em parceria com um cantor célebre.
Os rendimentos de Melania Trump também cresceram muito e incluem 10 milhões de dólares por um documentário que lhe é dedicado e que foi transmitido online pela Amazon, além de mais 500 mil dólares pelo livro “Melania”.
Isto não é apenas corrupção, mas é também um sinal de uma Democracia e de um Estado de Direito que não funcionam e, em última análise, é o declínio da América.
Perante este quadro, em que Donald Trump junta uma corrupção absoluta a um estilo pessoal narcisista, ganancioso, grosseiro e fanfarrão, é caso para dizer que a melhor maneira que os americanos teriam para celebrar os 250 anos da sua independência era demiti-lo. Ganhavam os Estados Unidos e ganhava o mundo.

domingo, 24 de maio de 2026

Mark Rutte, o lacaio favorito do Donald

Nas teorias da comunicação surgidas no século XX para conhecer os efeitos sociais dos novos meios de comunicação - rádio e da televisão – é sempre destacada a célebre emissão radiofónica da CBS conduzida em 1938 por Orson Welles, baseada em “A Guerra dos Mundos”. 
Esse programa “transmitiu em directo” uma invasão devastadora de marcianos que atacaram Nova Iorque e outras cidades americanas. O pânico foi generalizado, os nova-iorquinos ficaram aterrorizados e essa histórica emissão passou a ser um paradigma dos efeitos sociais dos mass media. Quase cem anos depois, um palerma chamado Mark Rutte, que é o secretário-geral da NATO, veio usar a mesma ideia para criar o pânico e para nos dizer que o perigo são os russos e não são os marcianos.
Conforme noticia o jornal The Independent, o palerma disse que “a Rússia poderar atacar a NATO dentro de cinco anos” e voltou a adirmar que “as despesas militares devem aumentar rapidamente para que as nossas forças armadas disponham dos meios de que necessitam para nos manter seguros”. Há poucos meses, em directo pela televisão, o palerma sabujou-se de uma forma ridícula e indigna ao presidente do Estados Unidos, ao atribuir-lhe “todo o mérito” por levar os membros da NATO a aumentar as despesas militares para 5% do PIB e dizer-lhe que a Europa iria comprar e pagar material americano.
Donald Trump é um homem de negócios e, segundo afirmam os jornais, já acrescentou a sua fortuna em milhares de milhões desde que chegou à presidência dos Estados Unidos. Tudo lhe serve para ganhar dinheiro – bonés e perfumes, jantares e hotéis e, naturalmente, mísseis, drones e aviões.
O palerma do Mark Rutte é o seu lacaio favorito e o seu agente de negócios junto dos países da NATO. Por isso, para ser eficaz no marketing dos interesses do seu patrão, recorre à imaginação de Orson Welles e ameaça com o perigo russo, tal como acontecia nos anos mais tensos da Guerra Fria.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Donald Trump, o aproveitador

A mais recente edição do jornal Libération é demolidora para Donald Trump, tanto pela sua acusadora manchete ao afirmar que “desde a sua reeleição, segundo a revista Forbes, o presidente dos Estados Unidos e sua família teriam embolsado 1,4 mil milhões de dólares”, mas também pela imagem da capa que mostra uma estátua de Donald Trump feita de metal maciço banhado a ouro, em que a personagem se apresenta de punho erguido – “une image qui fait presque mal aux yeux”. 
A jornalista Alexandra Schwartzbrod chama-lhe ”aproveitador” e desvenda a mistura de interesses e de negócios deste homem de excessos, de narcisismo doentio e de fanfarronice, que usa a desinformação e a ameaça para satisfazer os seus interesses. Convencido de que está protegido por uma capa de invencibilidade e de super-herói, ele confunde os limites e explora a sua posição presidencial para cobrar por tudo o que leva o seu nome, desde os seus caricatos bonés até aos hotéis e campos de golfe que lhe pertencem, ou que controla, nos quais as suas iniciais aparecem estampadas em letras douradas. O mesmo acontece com o seu famoso resort Mar-a-Lago, na Florida, onde são cobrados preços exorbitantes pela condição de membro, ou por quaisquer alugueres.
O trabalho jornalístico também trata das guerras de Trump e dos que delas beneficiam, referindo que “o Pentágono está a esvaziar os seus cofres ao despejar o equivalente a mais de mil milhões de dólares em bombardeamentos no Irão todos os dias, segundo estimativas da Forbes”. A indústria da guerra floresce e Donald Trump e os seus amigos aproveitam. 
Porém, o remate mais incisivo no demolidor texto do Libération está na seguinte frase: “Basicamente, seja você um chefe de Estado ou um empresário, se quiser um favor de Trump, basta pagar”.
Nos seus túmulos, os pais fundadores da nação que em 1766 assinaram em Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, devem dar voltas…

domingo, 18 de janeiro de 2026

O Nobel e os apetites de Donald Trump

A vida internacional está a tornar-se demasiado desregulada, devido à mediocridade de muitos dos seus protagonistas e ao corrupio de casos que vão sucedendo. Porém, Donald Trump destaca-se ao concentrar a maioria dos casos que estão a abalar o mundo, com as suas ameaças, as suas tarifas, os seus bombardeamentos e os seus assaltos. Apesar de anunciar repetidamente que já acabou com oito guerras, o facto é que tem dado ordens para bombardear vários países, sempre para impor a sua ambição, a sua vaidade e os seus interesses.
Nessa sua postura, de que faz parte o seu enriquecimento pessoal, nunca omitiu alguns apetites maiores ou menores, designadamente pelo Prémio Nobel da Paz, embora o Comité Nobel lhe tivesse negado essa vontade. Porém, a venezuelana Maria Corina Machado que foi a laureada de 2025, numa decisão irresponsável decidiu oferecer-lhe o prémio e foi a Washington onde foi recebida por Donald Trump que, sem vergonha nem pudor, o aceitou.
O Comité Nobel tratou imediatamente de anunciar que “independentemente do que aconteça com os símbolos físicos, o laureado original mantém para sempre a honra e o reconhecimento, não podendo o galardão ser revogado ou repartido com terceiros”, acrescentando que a medalha, o diploma e a dotação financeira correspondente continuam a pertencer ao laureado, sendo ele que passa à história como recebedor do prémio. O caso é tão triste que o jornal La Vanguardia, que se publica em Barcelona, o destacou na sua edição de ontem, referindo em primeira página a ”indignação” com que a Noruega assistiu a esta farsa que poucos podiam imaginar.
Trump quis o Nobel e quer a Riviera em Gaza, as terras raras da Ucrânia, o petróleo venezuelano, a Gronelândia...

sábado, 28 de junho de 2025

O fanfarrão Donald é o polícia do mundo

Donald John Trump, é um fanfarrão extravagante e, à medida que o vamos conhecendo, verificamos que também é um rufia encartado, embora se queira fazer passar por um homem de negócios de sucesso. Conseguiu ser eleito como o 47º presidente dos Estados Unidos e tudo isto até poderia ser irrelevante, ou ser apenas um problema interno dos Estados Unidos, mas na realidade não é.
Ele é a cabeça do mais poderoso país do mundo, mas parece ignorar que há outros poderes no nosso planeta. Começou por não resolver em 24 horas o problema da Ucrânia como tinha prometido, deu luz verde a Benjamin Netanyahu para destruir Gaza e acabar cruelmente com os palestinianos para ali construir uma Côte d’Azur do Médio Oriente e, sem que houvesse provas da construção de uma bomba nuclear, decidiu bombardear o Irão, o que até poderia ter tido outras consequências bem piores.
Na sua edição de hoje, a revista alemã Der Spiegel chama-lhe o “polícia do mundo” e apresenta-o como um duro xerife de um dos mais problemáticos bairros da sua cidade de Nova Iorque...
Um homem destes é muito perigoso, sobretudo quando tem entre os seus amigos alguns indivíduos nada recomendáveis como Benjamin Netanyahu, Vladimir Putin e Mark Rutte, mas também porque deixa aterrados os líderes europeus, seus irrelevantes vassalos - vaidosos, acomodados e sem coragem - com a devida excepção de Pedro Sánchez, que não compreende como esta União Europeia de António Costa e de Ursula von der Leyen já aplicou 18 pacotes de sanções à Rússia de Putin e não é capaz de sancionar os extremistas de Israel.

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Mark Rutte é a vergonha maior da Europa

Realizou-se na cidade holandesa da Haia mais uma Cimeira da NATO, uma aliança militar intergovernamental de que Portugal é membro fundador e em que os seus membros concordam com a defesa mútua em resposta a um ataque desencadeado por uma qualquer entidade externa. Criada em 1949 por 12 países na sequência da 2ª Guerra Mundial e da ameaça soviética de expansão para oeste, a organização tem actualmente 32 países, mas a presença de António Costa, Ursula van der Leyen e Volodomyr Zelensky, que nada têm a ver com a NATO, mostra que a organização já não serve os seus fins estatuários defensivos, mas que se afirma cada vez mais como um vector da política externa americana e do nervosismo Leste-Oeste.
Donald Trump veio dos Estados Unidos qual imperador de regresso vitorioso a Roma e, a bordo do Air Force One, recebeu uma mensagem enviada por Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, que o felicitava “pela sua acção decisiva no Irão, que foi verdadeiramente extraordinária e algo que mais ninguém se atreveu a fazer”. Depois referiu-lhe que “está a viajar para mais um grande sucesso em Haia esta noite”, em que os estados membros se iriam comprometer a gastar 5% do PIB em investimentos em defesa, escrevendo “não foi fácil, mas conseguimos convencê-los todos a comprometer-se com os 5%”. A mensagem deste sabujo continua: “Donald, levou-nos para um momento muito, muito importante para a América, a Europa e o mundo. Vai alcançar algo que mais nenhum Presidente americano conseguiu fazer em décadas. A Europa vai pagar em grande, como deve, e vai ser uma vitória sua”. Por coisas como estas, começa a ser evidente que as guerras interessam à indústria da defesa e que os americanos querem vender armamento “para a Europa pagar”, ou que a NATO é uma associação de aquisição de bens de defesa no grande supermercado americano. 
Mark Rutte revelou-se um servo de Donald Trump e dos Estados Unidos, um indivíduo sem pudor, um lambe-botas de baixo nível e um indigno representante da NATO mas, que se saiba, nenhum dos seus 32 países o criticou por se ter bajulado e humilhado face à vaidade de Trump, por elogiar o bombardeamento do Irão e por não se ter referido nem criticado a brutalidade israelita sobre Gaza, nem o genocida Benjamin Netanyahu.
Mark Rutte é a vergonha maior da Europa!

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

As nossas televisões são demasiado tóxicas

A edição de hoje do diário australiano Daily Telegraph, que se publica em Sydney desde 1879, destacou alguns segredos das estações australianas de televisão e escolheu como título a frase Toxic TV.
Este título despertou-me a atenção, pois desde há algum tempo que sinto que os canais televisivos portugueses, embora em grau diferenciado, nos intoxicam diariamente, sobretudo através de pivots e de comentadores, a maioria dos quais sem escrúpulos e sem outras preocupações que não sejam a propaganda das suas ideias e das suas teses. Os diferentes  canais televisivos dão cobertura a comentários e a comentadores nada honestos e sem amor à verdade, quase como se fossem espaços publicitários. Não são espaços informativos ou de comentário livre, pois são meros espaços de propaganda. 
O caso da guerra no Médio Oriente é apenas um exemplo entre muitos, pois existe um discurso expresso ou subjectivo, que tende a justificar toda a violência e a brutalidade israelita, assim como o efectivo genocídio do povo palestiniano, como se todo ele pertencesse ao Hamas. Recordo, por exemplo, que enquanto o mundo vem condenando a brutalidade israelita, a destruição do património, os massacres e o genocídio sobre os povos palestiniano e libanês, assistimos nas nossas televisões à presença de comentadores/as que continuam a considerar justificada a violência do regime de Netanyahu e a chamar terroristas a todos os vizinhos de Israel. Alguma dessa gente, que pomposamente usa o título de “especialista em Relações Internacionais”, não sabe o que são direitos humanos, nem o que é o sofrimento da guerra. E quando meio mundo elogia e apoia o nosso compatriota António Guterres  na sua procura de um cessar-fogo e da paz, vemos alguns desses comentadores a alinharem com o extremismo israelita e a criticarem  o secretário-geral das Nações Unidas. Essa gente é uma vergonha e a sua presença nas televisões é um escândalo e um atentado à inteligência dos portugueses.
Dando abrigo a essa gente, as televisões portuguesas, tal como as televisões australianas, estão a ficar demasiado tóxicas.

domingo, 29 de outubro de 2023

Aníbal, Maria e os seus 60 anos de amores

Quando o mundo se mostra muito apreensivo pelo que vai acontecendo na Faixa de Gaza; quando constatamos a pequenez dos líderes que governam a Europa; quando gente de todos os continentes chega à Europa em busca de uma vida melhor; quando quase nada se sabe sobre o que se passa na Ucrânia; quando a corrida presidencial americana já está na estrada; quando se anunciam greves em Portugal e a privatização da TAP não é consensual; quando a África do Sul conquista a Rugby World Cup e o Benfica não ganha ao Casa Pia; e quando muitos mais assuntos de interesse vão acontecendo, verificamos que dois jornais portugueses de referência, respectivamente o Diário de Notícias e o Jornal de Notícias, destacam em manchete nas suas edições de hoje um não-assunto, que é a história dos amores de Aníbal e Maria que, sessenta anos depois do seu casamento, ainda não sabem “qual de nós se apaixonou primeiro”. Chama-se a isto um “furo jornalístico” e é notável, pois nem a Caras nem a Maria, nem a Lux nem a Nova Gente, conseguiram dar essa notícia em primeira mão. Teve honras de muitas páginas no Notícias Magazine.
Tanto Boliqueime como São Bartolomeu de Messines, mas certamente todo o Algarve e, talvez mesmo todo o país, receberam com emoção a notícia do 60º aniversário deste casamento e puderam ver a fotografia do casal enquanto jovem, quem sabe se a antever o ano de 1985, o passeio à Figueira da Foz, a rodagem do seu carro novo e a sua ascensão ao poder.
É caso para felicitarmos editorialmente estes dois jornais por este "jornalismo de primeira qualidade", bem como o seu proprietário que é a holding Global Media Group, presidida pelo empresário Marco Galinha!

quinta-feira, 27 de abril de 2023

Lula em Portugal: foi bonita a festa pá!

Durante alguns dias fui passear, mudar de ares e melhorar os meus conhecimentos históricos e geográficos no nordeste espanhol, sobretudo na Comunidade Autónoma do País Basco (Euskadi) e nas suas províncias de Álava (Vitoria-Gasteiz), Biscaia (Bilbao) e Guipúscoa (San Sebastián-Donostia). Por esse motivo, não acompanhei a visita a Portugal do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nem a entrega do Prémio Camões a Chico Buarque, nem as festividades alusivas aos 49 anos do 25 de Abril.
Não se pode ter tudo, mas julgo ter perdido algumas dos mais emocionantes episódios da nossa vida pública do corrente ano.
A visita de um presidente da República Federativa do Brasil é sempre um acontecimento que atesta e reforça os laços históricos, culturais e afectivos entre os dois países irmãos, embora alguns deputados não percebam isso. Assim aconteceu com o deputado Rangel que veio de Bruxelas de propósito para insultar Lula da Silva, só porque não pensa como ele. Depois foram os deputados do partido de André Ventura que, miseravelmente, não souberam respeitar o símbolo maior do Brasil e esqueceram que milhões de portugueses foram acolhidos no Brasil ao longo do processo histórico, tal como muitos brasileiros sempre foram recebidos em Portugal. Tiveram a resposta que mereceram - “Chega de envergonhar Portugal” - foi o que bem lhes disse Augusto Santos Silva, o Presidente da Assembleia da República.
O Presidente Lula da Silva partiu depois para Espanha sem confundir as árvores podres que aqui viu com a enorme floresta portuguesa. Partiu contente e mais prestigiado. Em Madrid foi recebido por Filipe VI e por Pedro Sánchez, enquanto o prestigiado jornal El País não perdeu a oportunidade para lhe fazer uma extensa entrevista em que, sobre a guerra da Ucrânia, disse que “solo los que están fuera de la guerra pueden pararla” e que “cada bando quiere ganar y muchas veces una guerra no necesita un ganador”. Dessa forma, o Presidente Lula repetiu que o caminho para a paz na Ucrânia é uma terceira via com países neutrais, que estejam dispostos para negociar uma saída para a guerra que foi iniciada pela Rússia, acrescentando “no quiero agradar a nadie, quiero construir un camino para la paz en Ucrania”.
As suas posições já colocaram Lula no patamar mais alto da política mundial. Desejamos-lhe sucesso.

segunda-feira, 20 de março de 2023

O "cherne" e o início da guerra do Iraque

Há 20 anos, no dia 20 de março de 2003, os Estados Unidos iniciaram uma operação no Iraque para derrubar o regime de Saddam Hussein, com o apoio activo do Reino Unido, da Austrália e da Polónia e com a solidariedade de muitos outros países. A acção foi denominada “Operação Liberdade do Iraque” e foi rápida, pois cerca de 21 dias depois as forças americanas entraram em Bagdad. O objectivo da operação era desarmar o regime iraquiano e o seu arsenal nuclear, químico e biológico, mas também impedir que apoiasse organizações terroristas como a al Qaeda, mas foi uma iniciativa muito controversa, até porque a França, a Alemanha e outros países da NATO a criticaram e se recusaram a nela participar. De facto, a operação assentou numa mentira, pois ao contrário do que foi intensamente propalado, o Iraque não tinha nenhum programa activo para a construção de armas de destruição em massa, nem se provou que alguma vez tivesse apoiado organizações terroristas. Quatro dias antes do início da operação, no dia 16 de março, o presidente americano George W. Bush, o primeiro-ministro britânico Tony Blair e o primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar encontraram-se na ilha Terceira, onde foram recebidos pelo primeiro-ministro português Durão Barroso, conhecido familiarmente por cherne e que, com esse apoio, conseguiu vir a ser presidente da Comissão Europeia. Nessa cimeira das Lajes foi decidida a operação militar no Iraque e Durão Barroso nunca se penitenciou pelo seu alinhamento com essa intervenção, que foi ilegal e não teve o apoio das Nações Unidas.
Ontem, o jornal catalão La Vanguardia evocou essa decisiva cimeira com a fotografia dos principais responsáveis pela intervenção militar, bem como pela instabilidade e a guerra que se seguiram no Iraque e que causaram mais de cem mil mortos. Alguns já lamentaram ter alinhado na mentira, mas não se conhece nenhuma posição do cherne sobre essa matéria.
Entretanto, Saddam Hussein foi capturado no dia 13 de dezembro de 2003 e depois de um julgamento que durou um ano, foi enforcado no dia 30 de dezembro de 2006, por ter sido considerado culpado por crimes contra a humanidade por um tribunal iraquiano. O líder iraquiano foi eliminado, mas a guerra e a instabilidade continuam no Iraque, enquanto o cherne continua a passear-se como se nada tivesse sido com ele.

domingo, 19 de março de 2023

Cavaco Silva e a sua enorme vulgaridade

Cavaco Silva em caricatura, por Bruno Sousa
Aníbal Cavaco Silva é um cidadão português natural de Boliqueime, que foi ministro das Finanças (1980-1981), primeiro-ministro (1985-1995) e Presidente da República (2006-2016). Talvez só Salazar e o Marquês de Pombal tenham tido uma tão longa actividade governativa em Portugal e esse facto confere-lhe um estatuto singular que os portugueses, quer tenham ou não sido seus apoiantes, devem respeitar.
Acontece que Aníbal Cavaco Silva foi convidado pela Câmara Municipal de Lisboa para intervir numa conferência que assinalou os trinta anos do Programa Especial de Realojamento (PER), que tinha sido lançado em 1993, quando era primeiro-ministro. Não sei se o convite fazia sentido, mas o Aníbal aceitou-o. Vingativo como sempre foi, aproveitou a oportunidade para se vingar de António Costa que, em Novembro de 2015, lhe fez engolir um enorme sapo, quando não ganhou as eleições e o Aníbal se viu obrigado a nomeá-lo primeiro-ministro. O Aníbal andou sete anos com este sapo atravessado e agora, com enorme arrogância, desancou em António Costa e no seu governo, como se fosse líder de um qualquer partido da oposição. Como referiu o jornal Público, no novo pacote de habitação o Aníbal só deu nota positiva ao fim dos controversos vistos gold e, quanto ao resto, “não deixou pedra sobre pedra”. 
O Aníbal não esteve à altura das suas responsabilidades, comportou-se como um político rancoroso e mostrou a sua enorme vulgaridade. Ofendeu o seu estatuto de ex-presidente e, neste jogo de xadrez, fez o papel de um simples peão. Então o homem não veio dizer que a crise habitacional que se vive no país "é o resultado do falhanço da política do governo no domínio da habitação nos últimos sete anos, com custos sociais elevados para muitos milhares de famílias"? Que governante ou que académico pode fazer uma afirmação destas? Onde está a sua seriedade intelectual?
O Partido Socialista que governa com maioria absoluta reagiu e disse que “seria expectável por parte de um antigo chefe de Estado um espírito mais construtivo e menos destrutivo”. E tem toda a razão.

quinta-feira, 16 de março de 2023

Bolsonaro e o seu comportamento indigno

O jornal brasileiro O Globo, que se publica no Rio de Janeiro, noticia hoje que o Tribunal de Contas da União (TCU) “manda Bolsonaro devolver as joias em cinco dias”, referindo-se às joias que lhe foram oferecidas pelo governo saudita em 2021. O TCU já obrigara o ex-presidente a devolver uma espingarda e uma pistola que em 2019 recebera das autoridades das Emirados Árabes Unidos, tendo agora decidido realizar uma auditoria a todos os presentes recebidos pelo Jair durante os quatro anos em que foi presidente do Brasil, porque ele se apropriara indevidamente deles. O chamado “escândalo da joalharia saudita” já corria na imprensa brasileira há vários dias, mas como as notícias podem ser verdadeiras ou falsas, não lhe demos credibilidade porque podiam enquadrar-se nos habituais esquemas de propaganda contra figuras políticas, que tão bem conhecemos em Portugal.
Agora a notícia confirma-se. Jair Bolsonaro tentou introduzir ilegalmente no Brasil um pacote de joias da marca Chopard no valor de três milhões de euros que as autoridades sauditas lhe tinham oferecido e que foram encontradas na mochila de um assessor, tendo sido apreendidas no aeroporto de São Paulo. A imprensa brasileira também relatou que um segundo pacote de joias, composto por um relógio, uma caneta e botões de punho, também da marca Chopard, conseguiu passar os controlos alfandegários e chegar a Bolsonaro, sendo esse o pacote que o tribunal exige agora que seja devolvido.
A troca de presentes é uma tradição na diplomacia e nas relações internacionais, acontecendo com objectos respeitantes à cultura de cada país, mas os países árabes costumam oferecer presentes de ouro, diamantes, rubis e outras pedras preciosas, quando são fortes as relações com os países. Não é o caso do Brasil e, por isso, há fortes suspeitas de corrupção e que haja interesses obscuros nas ofertas feitas aos Bolsonaros.
Em Portugal, o presidente Eanes foi exemplar nessas e em outras questões. Tratou de juntar os presentes que recebeu durante os seus mandatos (1976-1986) e expô-los publicamente porque eram pertença do Estado Português, daí vindo a nascer o Museu da Presidência da República, que foi inaugurado em 2004. No Brasil o comportamento de Jair Bolsonaro foi impróprio, indigno e desonesto, em contraste com o exemplo de seriedade de António Ramalho Eanes em Portugal.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O escândalo que afunda o sonho europeu

O jornal francês La Croix destaca na sua edição de hoje o “escândalo europeu”, com a corrupção a chegar em força ao Parlamento Europeu (PE). Já se sabia que a União Europeia tinha criado um novo-riquismo que envolve a generalidade dos que se alimentam das suas burocracias e dos dinheiros que por lá circulam, mas pensava-se que os eurodeputados – que os cidadãos escolheram com o seu voto – estavam fora dessas suspeitas.
O PE é o órgão legislativo da União Europeia, sendo composto por 705 deputados que representam os 446 milhões de cidadãos dos seus 27 estados-membros, entre os quais 21 eurodeputados portugueses, a maioria dos quais não conhecemos, nem sabemos o que faziam antes, nem o que fazem agora. A sua sede oficial localiza-se em Estrasburgo, mas os deputados circulam entre Estrasburgo, Bruxelas e o Luxemburgo, onde reúnem as comissões parlamentares e o secretariado. É um exemplo de despesismo injustificável que custa muitos milhões de euros e que permite inúmeros truques e falcatruas aos deputados e aos funcionários menos escrupulosos. Esta estrutura gigante tem um orçamento anual de cerca de dois mil milhões de euros, um montante que dá para tudo, costumando dizer-se que ser eurodeputado europeu é o melhor emprego que existe.
Nesta instituição há uma eurodeputada grega que é vice-presidente e se chama Eva Kaili. Certamente muito ambiciosa, deslumbrada e sem escrúpulos. Porém, foi detida em Bruxelas na sequência de uma investigação da justiça belga relativa a alegados subornos do Qatar para influenciar decisões políticas. Nas buscas realizadas no seu apartamento pelas autoridades foram encontrados sacos com 150 mil euros em dinheiro, enquanto o seu pai foi detido nesse mesmo dia em flagrante num hotel de Bruxelas, carregando uma mala com 600 mil euros em dinheiro, com o qual pretendia fugir. É mesmo um escândalo! Até que ponto podemos confiar nesta gente que afunda o sonho europeu de liberdade, igualdade, fraternidade e solidariedade?

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Os mísseis e o irresponsável Cravinho

Ontem, durante a Conferência do G20 em Bali, quando algumas vozes se uniam a pedir o fim da guerra e intercediam junto de Xi Jinping para que pressionasse a Rússia a favor da paz na Ucrânia, apareceu a notícia de que um míssil explodira em território polaco, próximo da fronteira ucraniana, provocando dois mortos e a destruição de um tractor agrícola. De imediato, as nossas televisões trataram de chamar os comentadores do costume para falar do “ataque russo à Polónia” e dos artigos 4º e 5º do Tratado do Atlântico Norte (NATO), quase todos a alinhar numa anormal histeria belicista, até que o bom senso do general Pinto Ramalho veio considerar ridículo que a destruição de um tractor agrícola pudesse ser tomada por um ataque deliberado à soberania polaca. Apesar das declarações de muitos dirigentes mundiais a sugerir moderação na análise da situação, parecia evidente que se tratava de um simples incidente, ou então, de uma tentativa de provocar uma confrontação da NATO com a Rússia. Joe Biden disse logo que não acreditava que o míssil tivesse partido da Rússia, Recep Erdogan disse que o caso nada tinha a ver com a Rússia e o presidente polaco afirmou que se tratou de um incidente isolado.
Esta manhã Joe Biden informou o G7 e a NATO que a explosão foi causada por um míssil da defesa antiaérea ucraniana e a Rússia veio elogiar a “acção contida” dos Estados Unidos. Só Zelensky continua a dizer que foi a Rússia a lançar o míssil, a fazer lembrar muitas inventonas da nossa história recente, como as armas de destruição maciça do Iraque de Sadam Hussein ou a destruição dos oleadutos Nord Stream, entre outras. O ministro Cravinho que durante meses nunca falou de paz e se tem arvorado em falcão, foi um dos primeiros a declarar que a queda de mísseis na Polónia é uma “irresponsabilidade” de Putin. Eu julgava-o um incompetente e um indivíduo demasiado vulgar. Agora posso concluir que além de incompetente é um irresponsável e afirmar que não é o ministro dos Negócios Estrangeiros de que o nosso país precisa. 

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

A “cunha” é uma instituição nacional

A revista Sábado inclui na sua última edição uma interessante e bem documentada reportagem assinada por Marco Alves sobre a rede de cunhas e favores de Salazar que, como é sabido, foi o “dono disto tudo” durante a vigência do regime do Estado Novo (1926-1974). Os mais desatentos poderão pensar que a cunha foi um pecado criado pelo salazarismo, mas há que lembrar que a cunha é uma instituição nacional que, embora tenha florescido com Salazar e o seu regime, sempre foi uma marca poderosa da nossa sociedade e da nossa história. Porém, a reportagem da revista é sobre as cunhas no tempo de Salazar e o seu autor escreveu: 

Os pobres pediam-lhe dinheiro, mas as elites (médicos, engenheiros, deputados, juízes, militares, empresários, padres e condes) queriam colocações em bancos, aumentos, cargos e comendas. 

Durante 36 anos o ditador acedeu a centenas de cunhas. Os mais velhos recordam-se bem dessa realidade e das voltas que era preciso dar para ser servidor do Estado pois, como refere o historiador Fernando Rosas, o Estado Novo vivia assente numa pirâmide de cunhas de que Salazar era o topo. 
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” escreveu Camões no século XVI, mas depois de Salazar mudaram-se os tempos, mudaram-se muitas vontades, mas a cunha continuou, embora “tomando sempre novas qualidades”. Hoje já não se mandam cartões ou se escrevem cartas a Salazar, nem aos dignitários do Estado Novo. Hoje usa-se o cartão partidário e outras redes de relações muito diversas, com as quais se alimentam teias de interesses, se arranjam empregos, se obtém diplomas, se assinam contratos, se forjam carreiras e se progride na vida. O mérito parece ser, cada vez mais, um aspecto secundário. Como se costuma dizer, o que é preciso é ter um bom padrinho.
Portanto, o meu desejo é que o autor Marco Alves possa agora estudar a rede de cunhas e favores dos tempos pós-Salazar, para que os seus leitores possam ver quão importante têm sido para construir carreiras de esferovite e ajudar carreiristas, preguiçosos, atrevidos e outros oportunistas. Será um grande serviço à comunidade e ao esclarecimento público, mas também a possibilidade de vermos como funciona uma boa parte da nossa sociedade.

terça-feira, 29 de setembro de 2020

O elogio ao modelo de combate à crise

Ursula Von der Leyen, a alemã que preside à Comissão Europeia, chegou ontem a Lisboa para a sua primeira visita oficial a Portugal e, durante essa visita de dois dias, já visitou diversas instituições e, hoje, participará na reunião do Conselho de Estado, a convite do venerando Chefe do Estado. A presidente da Comissão Europeia parece gostar de Portugal e nos seus discursos, sobretudo no Parlamento Europeu, tem-se referido várias vezes a Portugal como um exemplo em vários domínios. Ontem, elogiou Portugal por ter mudado eficazmente o seu mix de energia para um modelo mais sustentável e por se ter tornado uma referência no mundo digital, sobretudo a cidade de Lisboa. Porém, o que mais impressionou nas suas declarações foi o elogio feito por Ursula Von der Leyen ao “modelo português de combate à crise”, como salienta hoje o Diário de Notícias. Certamente que essas palavras foram estimulantes para o governo e, sobretudo, para a Direcção-Geral da Saúde (DGS), que tanto tem sido criticada por alguns dos especialistas que a SIC alimenta, dos quais distingo o pequeno Marques Mendes e o ideólogo interesseiro José Júdice. O comentador Marques Mendes tem criticado o governo e a DGS por “facilitismo” e afirmou que a DGS “anda a correr atrás do prejuízo”, enquanto o comentador JJ tem recorrido a uma narrativa fantasiosa para criticar toda a acção, para ele errada da DGS, reclamando mesmo a demissão de Marta Temido e de Graça Freitas. Com os elogios de Ursula Von der Leyen à estratégia portuguesa de combate à pandemia, estes dois comentadores foram desmascarados. Não passam de uns vulgares panfletários. Não merecem aparecer nos nossos televisores. Será que Júdice vai agora exigir a demissão da presidente da Comissão Europeia? E será que Marques Mendes baixa a voz e abandona os seus ridículos tiques de comentador televisivo?

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

O que dizem os comentadores da treta

Todas as estações televisivas portuguesas têm comentadores que, em princípio, são especialistas numa coisa qualquer, como a política, o futebol, o ambiente e outras matérias. Uns são mais apreciados e outros são menos apreciados pelo público, mas cada um deles esforça-se por agradar de forma a ter as audiências que lhe garanta o seu lugar de comentador que, segundo consta, é muito bem remunerado. Entre os comentadores contratados pela SIC, está o advogado José Júdice ou JJ que, sabe-se lá sabe por que razão, preenche um espaço de comentário na edição da noite da SIC Notícias a que dá o nome de “As Causas”. Podia ser interessante, mas não é. Com o seu auto-convencimento e a sua vaidade, o comentador JJ cansa quem o escuta porque recorre demasiadas vezes ao eu - eu disse, eu tinha dito, eu avisei. Além disso, fala sobre muitas coisas que não sabe, mas fá-lo sempre com um ar panfletário e de entendido, que muito o ridiculariza. A SIC merecia melhor. O comentador JJ é um demagogo e um manipulador. Não é independente nos seus comentários. Nos graves tempos de pandemia que atravessamos, tem criticado com severidade a Direcção-Geral da Saúde e os seus responsáveis, escondendo-se atrás de uma pseudo-barreira de anónimos epidemiologistas, médicos, estatistas, economistas, matemáticos, psicólogos e outros especialistas que, segundo diz, o contactam e o ajudam. Vai daí, passa a mostrar gráficos que nem sabe interpretar, mas que comenta como se soubesse, apenas para impressionar os mais distraídos. Este JJ é mesmo um verdadeiro comentador da treta. O antigo membro do MDLP e, por acaso, advogado ou ex-advogado de Isabel dos Santos, ainda tinha algum prestígio, mas com esta sua ânsia de protagonismo mediático resvalou para a valeta do ridículo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Já vamos com seis meses de covid-1


Vários jornais portugueses lembraram hoje que passaram seis meses desde que, no dia 2 de Março, foram detectados os dois primeiros casos de covid-19 em Portugal. 
Desde então foram identificados 58.663 casos positivos de infecção por covid-19, dos quais cerca de 72% já recuperaram, mas a pandemia já provocou 1827 óbitos. A situação sanitária tem sido prolongada e catastrófica, tendo alterado o modo de vida dos grupos e das pessoas por todo o mundo, onde o número de óbitos se aproxima de um milhão, sobretudo nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia e no México.
Em Portugal, os efeitos do covid-19 têm sido demolidores no aspecto sanitário, mas também na vida económica e cultural. Tudo mudou. O quotidiano e o trabalho. As viagens e as férias. Os restaurantes e as escolas. Vieram os confinamentos, as máscaras, o distanciamento social. A actividade económica e, especialmente o turismo, tiveram quebras brutais e, no segundo trimestre do corrente ano, o produto nacional teve uma contração de 14,1% relativamente ao trimestre anterior e de 16,5% em relação ao segundo trimestre de 2019. Nunca acontecera. Foi uma verdadeira catástrofe. As consequências sobre o emprego foi a destruição de cerca de 180 mil empregos em apenas quatro meses, o que significa que haverá actualmente mais de 350 mil pessoas desempregadas em Portugal.
O Governo tem procurado tomar medidas para atenuar os efeitos desta crise económica provocada pela pandemia e, de uma forma geral, tem tido o apoio ou a neutralidade dos partidos políticos. Porém, o desafio é muito difícil, até porque está a ser perturbado por uma campanha presidencial prematura e, além disso, como quase sempre acontece na nossa terra, as corporações de interesses e os seus agentes aproveitam a oportunidade para apresentar exigências ao Governo que, mesmo que sejam justas, são inoportunas e incomportáveis. As necessidades são muitas, mas os nossos recursos são escassos. O que as corporações de interesses querem, implica sempre mais impostos ou mais dívida, o que nas actuais circunstâncias seria tão catastrófico como a própria pandemia.  

terça-feira, 23 de junho de 2020

Estaremos já na segunda vaga do covid-19?


Na sua edição de hoje, o jornal La Voz de Galicia escolheu para manchete os retrocessos que se estão a verificar na situação epidemiológica, na região de Huesca da comunidade autónoma de Aragão e… na região de Lisboa, o que fez com que algumas medidas de desconfinamento que já tinham sido adoptadas, tivessem sido revertidas. Esta situação parece corresponder a casos pontuais de contágios muito localizados, mas também pode significar que os sinais de uma segunda vaga da epidemia estão a chegar, pelo que as autoridades sanitárias pedem que a população tenha todos os cuidados. No caso da área metropolitana de Lisboa foi decidido intensificar o controlo e a vigilância policial, proibir as festas ilegais, as reuniões com mais de dez pessoas e passar a aplicar multas. ”Não podemos permitir que, por irresponsabilidade de alguns, deitemos pela borda fora o trabalho e o sacrifício que os portugueses fizeram nos últimos três meses”, disse o primeiro-ministro.
O facto é que a situação está para durar e nada, ou muito poucas coisas, vão ser como dantes. O covid-19 já deixou marcas profundas na sociedade portuguesa, não só com os 1.534 óbitos e quase quarenta mil infectados que provocou, mas também com a grave recessão económica, o crescente desemprego, o aumento da pobreza e a corrida à ajuda alimentar.
Alguns indivíduos que gostam de aparecer na televisão e que se julgam comentadores, parece que ainda não perceberam as dificuldades e as incertezas dos tempos que correm e desatam a criticar tudo o que é feito, em vez de terem um discurso pedagógico dirigido à população e de apoio a quem está na primeira linha deste duro combate. Irresponsavelmente! Porém, o que impressiona é o tempo e o espaço que as televisões dão a estes "treinadores de bancada". Já não posso ouvir esses marques-mendes que por aí andam.

sexta-feira, 24 de abril de 2020

A falta de sensatez de um líder sindical

O Orçamento do Estado para 2020 foi aprovado pela Assembleia da República no dia 6 de Fevereiro e foi promulgado pelo Presidente da República no dia 23 de Março, devendo entrar em vigor no dia 1 de Abril.
O Orçamento do Estado é o principal instrumento de política económica e a sua apresentação, discussão e votação são alguns dos mais relevantes momentos da vida política. Neste orçamento, para além da passagem de déficite para superávite das contas públicas, de se continuar pelo quinto ano consecutivo o processo de convergência europeia e de se reduzir o peso da dívida pública no PIB até aos 116%, havia o compromisso de melhorar o rendimento real, pelo terceiro ano consecutivo, da grande maioria dos pensionistas e retomar a normalidade dos aumentos salariais anuais na Administração Pública, coisa que não acontecia há uma dezena de anos. Ainda o Orçamento não estava promulgado e já as circunstâncias se tinham alterado completamente, o que vai obrigar a que seja feito um orçamento rectificativo porque, como se tem dito, esta é uma crise que não se sabe até onde vai durar e que não tem precedentes na história económica deste século. É um caso muito sério!
O Orçamento para 2020 prevê um aumento de 0,3% para todos os trabalhadores da Administração Pública, em linha com a inflação de 2019, embora com um aumento maior para os salários mais baixos. Porém, aconteceu que no dia 21 de Abril se soube que os profissionais da saúde não iriam receber os seus aumentos no corrente mês, tendo o Ministério da Saúde comunicado que isso acontecera por dificuldades informáticas, mas que em Maio tudo seria regularizado com retroactivos. Então não é que o líder da UGT veio dizer que isto é uma estupidez? O homem estará no seu pleno juízo? Onde é que está a estupidez? Em vez de se preocupar com a crise geral da economia e do emprego que se avizinha, ou com os trabalhadores que estão em lay-off e com redução dos seus salários, ou até de aceitar que esses aumentos fiquem congelados, este homem de Neandertal saíu das cavernas e veio classificar de estupidez uma inoperância dos serviços de um ministério que tem sobre a cabeça uma responsabilidade inimaginável. Se isto é ser líder sindical…