quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Ainda a China e as novas rotas da seda

Alguns jornais espanhóis noticiam hoje que a mais longa viagem ferroviária da História terminou ontem em Madrid, depois de um comboio de mercadorias ter percorrido em 21 dias a distância de 13.052 quilómetros desde Yiwu, no leste da China. Entre esses jornais, destaca-se o Ideal de Jáen que é o único diário que ilustra a notícia com uma fotografia de primeira página a 5 colunas com o título “China-Madrid en 21 dias”. O comboio transportou 40 contentores com 1400 toneladas de mercadorias, sobretudo enfeites para reforço das vendas de Natal, regressando à China com presunto, azeite, vinho e outros produtos espanhóis. Ana Botella, a presidente da Câmara Municipal de Madrid, disse que “é uma nova rota da seda, mas que agora é feita nos dois sentidos”.
Essa ideia da “nova rota da seda” já tinha sido referida ontem neste blogue a propósito da ligação ferroviária entre a China e a Europa que foi iniciada em 2011, quando um comboio com contentores saiu de Chongqing e chegou a Duisburg, na Alemanha, depois de ter percorrido 10.300 quilómetros em 16 dias de viagem. Essa linha ferroviária atravessa a Mongólia, o Cazaquistão, a Rússia, a Bielorússia e a Polónia e é explorada pela TEL – Trans Eurasia Logistics, uma empresa detida em partes iguais por capitais alemães e russos. Em 2012 essa linha passou a operar com regularidade e, actualmente, tem quatro partidas semanais para a China, Rússia e países da Comunidade de Estados Independentes. Esta opções parecem afirmar-se como uma boa alternativa ao transporte marítimo que demora o dobro do tempo e é mais caro, o que também pode significar uma maior invasão de produtos chineses no curto prazo.
Segundo informa hoje o EL Pais, há a intenção da ligação ferroviária entre a Espanha e a China se tornar regular. Nuestros hermanos não perdem tempo com dispendiosas comitivas governamentais que levam os empresários ao colo. Nuestros hermanos fazem-se ao caminho e quando recebem os regalos de Natal chineses, na volta do correio mandam-lhes presuntos, muitos presuntos.