quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Quem semeia ventos, colhe tempestades

Muitos jornais internacionais destacam hoje como principal notícia a visita que Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e terceira figura na hierarquia política americana, iniciou ontem a Taiwan, a ilha do mar da China a que os portugueses chamaram ilha Formosa.
Quando em 1949 os comunistas de Mao Tse-Tung triunfaram na guerra civil chinesa, o antigo governo chinês e o seu presidente general Chiang Kai-shek refugiaram-se na ilha, não aceitando a derrota militar. Porém, a nova República Popular da China também nunca aceitou a situação e sempre perseguiu o objectivo de fazer regressar a ilha rebelde à mãe-pátria. Depois de Hong Kong em 1997 e de Macau em 1999, as autoridades de Pequim têm reivindicado que Taiwan deve regressar à China, pela força se necessário, considerando-a uma província separatista. Todo o mundo sabe desse desígnio de Pequim, daí resultando uma tensão continuada entre os Estados Unidos e a China.
Acontece que no tempo de incerteza em que vivemos já há demasiados conflitos e tensões por todo o planeta, pelo que deverá ser evitado tudo o que possa aumentar a tensão. Apesar deste quadro, Nancy Pelosi decidiu visitar Taiwan e outros países asiáticos para reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com os seus amigos e aliados na Ásia Oriental. A China considerou esta visita uma provocação e, numa recente conversa telefónica entre Xi Jinping e Joe Biden, o chinês avisou o americano para não brincar com o fogo.
O jornal USA Today utilizou essa frase para anunciar, ou criticar, essa visita de Pelosi a Taiwan, mas há um ditado português que também ilustra essa visita: quem semeia ventos, colhe tempestades. Será que, com a sua visita, Pelosi foi semear ventos?
A China tinha afirmado que a visita de Pelosi era uma grande provocação e ameaçou os Estados Unidos de retaliação. Os Estados Unidos já disseram estar preparados para uma resposta chinesa. Assim vai o mundo.