quarta-feira, 1 de maio de 2019

A incerteza e o caos na Venezuela

Ontem em Caracas, às primeiras horas da madrugada, um grupo de oposicionistas ao governo de Nicolas Maduro, sob a liderança do autoproclamado presidente Juan Guaidó, fez uma proclamação anunciando o início da Operação Liberdade, destinada a acabar com o regime chavista. Antes, Juan Guaidó e os seus apoiantes mais próximos tinham libertado Leopoldo López, considerado o verdadeiro líder da oposição venezuelana, que cumpria uma pena de prisão domiciliária.
Quem viu a mensagem transmitida por Juan Guaidó deve ter ficado perplexo, pois a cena tinha todo o aspecto de uma encenação mal preparada, com alguns elementos disfarçados de soldados e sem o anúncio de qualquer novidade mobilizadora do povo que, nestas coisas, gosta de ver soldados e marinheiros, autometralhoras, aviões no ar e helicópteros em movimento e, sobretudo, uma mão cheia de decididos salgueirosmaias.
 Contrariamente ao que acontece nas revoluções triunfantes, não houve uma tomada da Bastilha, nem uma revolta da guarnição de um qualquer couraçado Potemkin, nem tão pouco a ocupação de um qualquer Radio Clube Português ou o cerco a um qualquer Quartel do Carmo. Juan Guaidó confiou nessa arma que é o feicebuque, perdeu mais uma vez e limitou-se a chamar os seus apoiantes à rua, confiando na sua popularidade e convencendo-se, uma vez mais, que a queda de Maduro eram favas contadas.
A sua iniciativa foi chamada de golpe de estado, mas mais parece ter sido um golpe de comunicação impulsionado pelas redes sociais, pelos tweets e pelas fake news, que criaram muitas notícias fantasiosas e mentirosas, como a fuga de Maduro para a Rússia, a ocupação da base de La Carlota ou o apoio do general José Ferreira, que algumas declarações de responsáveis americanos mais desacreditaram. Foi um tiro de pólvora seca. Tudo parece ter-se resumido a um carro blindado, cujo condutor não resistiu à pressão e avançou sobre um grupo de manifestantes. É muito pouco para atirar abaixo o regime do Maduro, apesar da Venezuela continuar muito dividida.
Como hoje escreve o jornal colombiano Vanguardia, há incerteza e caos na Venezuela, mas Juan Guaidó parece já ter perdido mais uma batalha e ter tido apenas o mérito de acordar o país e o mundo do adormecimento em que a Venezuela tinha caído. Por isso, deixem-se destas brincadeiras, conversem e preparem eleições.

A nova febre (perigosa) das trotinetes

No Brasil chamam-lhe patinetes e tornaram-se uma verdadeira febre no Rio de Janeiro, conforme noticia o jornal O Globo, que acrescenta que estão a ser alimentadas novas estatísticas de acidentes, sobretudo nos fins de semana e nos feriados. Tem aumentado o número de acidentados que recorrem aos hospitais para o tratamento de fracturas e também já há muitos detidos por utilizarem as patinetes para roubar os transeuntes.
Aqui chamam-se trotinetes e essa febre também já assentou arraiais em Lisboa onde, nesta altura, há exactamente nove empresas - Lime, Bungo, Hive, Iomo, Voi, Tier, Flash, Wind e Bird – que exploram este negócio que, certamente, é muito lucrativo.
Todos os dias, entre as 7 e as 21 horas, os residentes e os visitantes de Lisboa com mais de 18 anos de idade podem encontrar e usar uma trotinete através de uma aplicação do seu telemóvel e é evidente que as trotinetes ajudam a cidade a reduzir o congestionamento de tráfego e as emissões de carbono, além de facilitarem a vida das pessoas.
Porém, parece não haver regras na utilização das trotinetes, porque embora ela se enquadre no Código da Estrada, a autoridades policiais não parecem estar a actuar na sua fiscalização de forma consistente. As trotinetes circulam por toda a parte e em todas as direcções, tendo-se tornado um perigo para os peões e para os automóveis e, tal como no Rio de Janeiro, também estarão a alimentar as estatísticas dos acidentes no espaço público urbano. São abandonadas pelos cantos da cidade e, lamentavelmente, não tardará que apareçam notícias de corridas de trotinetes pelas ruas e ruelas da cidade, nem de acidentes graves. A observação dos comportamentes dos trotineteiros não me permite outra previsão.