sexta-feira, 6 de março de 2026

R.I.P. António Lobo Antunes

António Lobo Antunes morreu ontem em Lisboa com 83 anos de idade e de imediato surgiu um coro de elogios à sua obra literária, que um crítico sintetizou numa simples frase: “O Nobel perdeu Lobo Antunes, não foi ele quem perdeu o Nobel”.
Nascido em Lisboa e licenciado em Medicina, foi mobilizado como médico militar para a guerra colonial no Leste de Angola e, no regresso, especializou-se em Psiquiatria. Porém, depressa  o gosto pela Medicina cedeu à sua paixão pela Literatura e aos 37 anos de idade publicou Memória de Elefante, o seu primeiro romance. Depois sucederam-se cerca de três dezenas de romances que levaram a crítica a considerá-lo um revolucionário da literatura portuguesa, sendo também considerado um dos grandes nomes da literatura mundial e sendo traduzido em mais de trinta línguas. O reconhecimento interno e internacional da sua obra levou a que em 2007 fosse distinguido com o Prémio Camões, o mais importante prémio da literatura em língua portuguesa, bem como com mais de uma dezena de prémios literários de grande prestígio em diversos países.
A notoriedade de António Lobo Antunes como escritor era grande até no estrangeiro e um dia, nos anos 1990 em Paris, um amigo francês que estava a ler António Lobo Antunes estranhou que eu nunca o tivesse lido. Fui a correr comprar Os Cus de Judas para não voltar a ser humilhado pela minha ignorância literária. 
António Lobo Antunes foi uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa contemporânea e na sua obra, entre outras temáticas, retrata uma geração que viveu a experiência da guerra colonial e do fim do império, sempre com um olhar de grande sensibilidade e humanidade.
Na sua edição de hoje o jornal Público presta-lhe uma justa homenagem.
A cultura portuguesa está de luto.