António Lobo
Antunes morreu ontem em Lisboa com 83 anos de idade e de imediato surgiu um
coro de elogios à sua obra literária, que um crítico sintetizou numa simples
frase: “O Nobel perdeu Lobo Antunes, não foi ele quem perdeu o Nobel”.
Nascido em Lisboa
e licenciado em Medicina, foi mobilizado como médico militar para a guerra
colonial no Leste de Angola e, no regresso, especializou-se em Psiquiatria.
Porém, depressa o gosto pela Medicina cedeu à sua paixão pela Literatura e
aos 37 anos de idade publicou Memória de
Elefante, o seu primeiro romance. Depois sucederam-se cerca de três dezenas
de romances que levaram a crítica a considerá-lo um revolucionário da
literatura portuguesa, sendo também considerado um dos grandes nomes da literatura
mundial e sendo traduzido em mais de trinta línguas. O reconhecimento interno e
internacional da sua obra levou a que em 2007 fosse distinguido com o Prémio
Camões, o mais importante prémio da literatura em língua portuguesa, bem como com mais
de uma dezena de prémios literários de grande prestígio em diversos países.
A notoriedade de
António Lobo Antunes como escritor era grande até no estrangeiro e um dia, nos
anos 1990 em Paris, um amigo francês que estava a ler António Lobo Antunes
estranhou que eu nunca o tivesse lido. Fui a correr comprar Os Cus de Judas para não voltar a ser humilhado pela minha ignorância literária.
António Lobo
Antunes foi uma das mais importantes figuras da cultura portuguesa
contemporânea e na sua obra, entre outras temáticas, retrata uma geração que
viveu a experiência da guerra colonial e do fim do império, sempre com um olhar
de grande sensibilidade e humanidade.
Na sua edição de
hoje o jornal Público presta-lhe uma justa homenagem.
A cultura
portuguesa está de luto.
