quinta-feira, 15 de setembro de 2016

A ganância do Durão envergonha Portugal

Quando no passado mês de Junho foi anunciado que José Barroso ia assumir as funções de chairman da Goldman Sachs International, levantou-se um coro internacional de protestos que, desde então, parece estar a subir de tom.
A Provedora de Justiça europeia e muitos eurodeputados pediram a intervenção da Comissão Europeia e Jean-Claude Juncker, o seu actual presidente que sucedeu exactamente a Barroso, decidiu não meter a cabeça na areia. Vai daí informou-o que passaria a ser recebido em Bruxelas, “não como antigo presidente, mas como um representante de um interesse sujeito às mesmas regras dos lobistas”. Na prática, isso significa que nas suas deslocações à capital do poder político europeu e até nos contactos que mantiver com responsáveis europeus, Barroso deixa de ser recebido como um ex-presidente e passa a ser recebido como qualquer lobista, devendo todos os seus contactos ficar registados para memória futura. Evidentemente que esta decisão ainda carece de avaliação da Comissão de Ética da UE e de confirmação, mas até pode acontecer um agravamento da sansão e Barroso poder vir a perder regalias, designadamente a sua robusta pensão de reforma. Numa petição que circula na blogosfera e que já tem 140 mil assinaturas, é afirmado que o comportamento de Barroso desonra os funcionários europeus e a própria União Europeia, pedindo-se a suspensão da sua reforma dourada e vitalícia.
Tem sido uma humilhação continuada. Cego pela sua ganância e pela sua ambição, Barroso escolheu um caminho desprestigiante para o seu futuro que nos está a envergonhar aos olhos do mundo. Já em Junho o Libération parecia adivinhar este folhetim.