segunda-feira, 11 de maio de 2026

A polémica instalação artística em Paris

Terão sido iniciados hoje em Paris os trabalhos de montagem de La Caverne du Pont Neuf, uma instalação temporária de arte urbana concebida pelo artista JR e que vai “transformar” a Pont Neuf, a mais antiga ponte que atravessa o rio Sena na cidade de Paris e que foi construída em finais do século XVI.
A arte urbana ou street art popularizou-se nos últimos anos nos espaços públicos em todo o mundo, desde os mais simples graffiti até às mais complexas instalações (krafts), que combinam arquitectura, escultura, multimedia e até pessoas, de forma a envolver emocionalmente o visitante.
La Caverne du Pont Neuf terá 120 metros de comprimento e presta homenagem aos artistas Christo e Jeanne-Claude, que em 1985 “embrulharam” aquela ponte e, mais tarde, revestiram o Arco do Triunfo. Agora o artista JR vai transformá-la numa gigantesca caverna que estará aberta ao público gratuitamente, de dia e de noite, de 6 a 28 de junho, mas onde não haverá circulação de automóveis e apenas poderão transitar peões e ciclistas.
A estrutura terá a aparência de uma massa rochosa, cuja estrutura será apoiada em módulos têxteis insufláveis, pesará cinco toneladas e não exigirá fundações invasivas. O ar será o principal material utilizado para minimizar o peso, o transporte e o impacto no local. Os 18.900 metros quadrados de tecido foram impressos com tintas à base de água e, em seguida, trabalhados artesanalmente por 25 artesãos numa empresa da Bretanha.
O diário Le Parisien dedica a primeira página da sua edição de hoje a esta iniciativa artística que é muito polémica e daí que a sua edição online tivesse sido “invadida” por comentários, de que transcrevemos apenas dois:

- Quanto custa tudo isso? Esta ponte é linda por si só. Por que estragá-la, mesmo que temporariamente? Esse dinheiro poderia ser usado de forma mais inteligente. Para salvar igrejas, castelos, monumentos em perigo... Chambord, por exemplo!

- Excelente iniciativa, original, extremamente criativa e ambiciosa, tudo em homenagem ao trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Mal posso esperar para estar lá.

É caso para dizer que “o mundo fala de tudo tenha ou não tenha razão”, como nos ensina a fábula de ”O Velho, o Rapaz e o Burro”.

sábado, 9 de maio de 2026

O separatismo também ameaça o Canadá

Alberta é uma das dez províncias do Canadá, tem 661.848 km² de extensão (sete vezes maior que Portugal) e, com quase cinco milhões de habitantes, é a quarta província mais populosa do país depois de Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica. É a região mais rica do Canadá, com abundantes recursos naturais, designadamente carvão, petróleo e gás, mas há quem queira torná-la independente, conforme revela a edição de hoje do jornal National Post, que se publica em Toronto.
Embora as reivindicações independentistas sejam correntes na Europa, por exemplo na Catalunha, na Escócia, na Flandres, na Córsega ou no País Basco, são uma verdadeira surpresa no Canadá, mas o facto é que o jornal alerta os seus leitores com a manchete “why Canadians need to take Alberta’s Separatist Movement seriously”.
Segundo o jornal, há razões históricas para alimentar o movimento separatista, pois os albertenses acusam as províncias ocidentais e os Liberais que têm governado o país, de “alienação ocidental”, isto é, de uma contínua sabotagem ao seu desenvolvimento e de aproveitamento dos seus recursos naturais, que serão mais dirigidos para a economia nacional do que para a economia local. Daí que o movimento separatista Stay Free Alberta, dirigido por Mitch Sylvestre, tenha apresentado uma petição formal para a realização de um plebiscito pela independência de Alberta, que deverá ser realizado ainda no corrente ano. Era necessário recolher 178 mil assinaturas para o efeito (10% dos eleitores de Alberta), mas os organizadores da petição terão recolhido mais de 300 mil. Porém, também há movimentos activos que resistem à ameaça de ser separados do Canadá, ou de se tornarem no 51º estado americano, que afirmam “chegou a hora de defender o Canadá e dizer 'não' ao separatismo”. Um desses movimentos é o Forever Canadian que já recolheu 404.293 assinaturas dos que querem manter-se no Canadá.
O tema está na ordem do dia e justifica-se a manchete do jornal, isto é, o separatismo no Canadá deve ser olhado seriously

A Roménia quer o regresso da Monarquia?

A Roménia é uma república situada no leste europeu que ocupa uma área de cerca de 238 mil quilómetros quadrados com cerca de 20 milhões de habitantes e que tem fronteira com a Hungria, Sérvia, Ucrânia, Moldávia e Bulgária. Faz parte da NATO desde 2004 e da União Europeia desde 2007. O seu território integrou o Império Otomano que “por cerca de 600 anos se expandiu por três continentes” e governou territórios que actualmente constituem a Roménia, mas também a Turquia, o Egipto, a Bulgária, a Grécia, a Hungria, a Jordânia, o Líbano, a Síria, Israel, Albânia, Chipre, Sérvia, Iraque e alguns outros.
Em meados do século XIX o Império Otomano estava em declínio e havia várias guerras no leste europeu. Nesse quadro de conflito, no dia 10 de maio de 1866 as tropas prussianas de Carlos de Hohenzollern-Sigmaringen entraram em Bucareste pela Ponte Mogoșoaiei e, no mesmo dia, na Colina Mitropoliean, ele prestou juramento, afirmando a sua "devoção ilimitada à minha nova pátria e o respeito inabalável pela lei, que absorvi no exemplo do meu povo. Cidadão hoje, amanhã, se necessário, soldado, compartilharei convosco a boa e a má sorte". 
O jovem príncipe, que era irmão da rainha D. Estefânia que casou com o rei D. Pedro V de Portugal, “era três quartos prussiano, da família Hohenzollern, e um quarto francês, por parte de sua avó materna”, tendo-se tornado governante dos Principados Unidos da Moldávia e Valáquia e, mais tarde, em 1881, rei da Roménia, sob o nome de Carlos ou Carol I. Desde então e até 1947, o dia 10 de maio foi comemorado como o Dia Nacional da Roménia, como nos informa a edição de ontem do diário romeno Adevarul que se publica em Bucareste e que o Google Tradutor nos ajuda a ler.
O jornal explica como Carlos I “conseguiu transformar a Roménia de ‘problema oriental’ em ‘potência regional’, elogia o seu longo reinado de 48 anos, defende o regresso do dia 10 de maio como Dia Nacional da Roménia e, até certo ponto, sugere o regresso da Monarquia que foi extinta em 1947, quando Miguel I (1921-2017), que reinou de 1940 a 1947, foi forçado a abdicar pelo regime comunista apoiado pela União Soviética e a Roménia se tornou uma república.
A edição de fim-de-semana do Adevarul não só “ressuscita” Carlos I e lembra “os tempos gloriosos da monarquia”, como mostra que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e que “todo o mundo é composto de mudança”, como escreveu o nosso Luís de Camões.   

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Gente que conta: “Le monde selon Vhils”

Alexandre Manuel Dias Farto é um artista português nascido em 1987 no Seixal, que se tem destacado nas áreas do graffiti e da street art, sobretudo através dos seus “rostos” que são esculpidos ou pintados em muros e paredes. Assina as suas obras como Vhils e é por esse nome que é conhecido, aqui e além-mar, pois os seus trabalhos encontram-se em inúmeros países e, naturalmente em Portugal, onde retratou Zeca Afonso e Amália, Sofia e Saramago, entre muitas outras figuras e factos. Recentemente, foi escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa para fazer o seu retrato que figura na Galeria dos Presidentes no Palácio de Belém, o que lhe aumentou a notoriedade nacional.
Agora, a prestigiada revista francesa Courrier International decidiu escolher como “invité spécial” da sua edição nº 1853 de 7 de maio, esta “figura maior da arte urbana” e escolheu como capa um dos rostos que desenhou e, como manchete, a frase “Le monde selon Vhils”. A reportagem que é abundantemente ilustrada com obras de Vhils espalhadas pelo mundo, salienta:
“É importante destacar que esta edição com Vhils é inédita em vários aspetos. Em primeiro lugar, é a primeira vez na história do Courrier International que           convidamos um artista para colaborar connosco. Mas é também a primeira vez que concebemos o nosso jornal em parceria entre dois países. Durante quase quatro meses, as nossas equipas e as equipas de Vhils, sediadas em Portugal, trabalharam em conjunto para criar esta edição”.
E aqui está como uma figura da arte e da cultura portuguesa atravessa fronteiras e tem “quelques œuvres majeures autour du monde”, em cidades como Lisboa e Porto, Londres e Los Angeles, Bruxelas e São Paulo, Macau e México City, Pequim e Shanghai, Praia e Cincinnati, Hong Kong e Paris, Rio de Janeiro e San Diego, Fremantle e Dubai. 
Bravo!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau é atracção para o turismo chinês

Através do jornal ponto final. que é um dos jornais em língua portuguesa que se publica na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, vamos conhecendo alguma coisa do que por lá se passa, quando já são decorridos 26 anos desde o fim da soberania portuguesa no território.
A mais recente edição do jornal destaca na capa uma fotografia das Ruinas de São Paulo, isto é, da antiga Igreja da Madre de Deus e do anexo Colégio de São Paulo, que em 1835 foram destruídos por um incêndio, dando notícia da Semana Dourada e do movimento turístico no território. A Semana Dourada abrange os cinco dias de feriado do Dia do Trabalhador que se festeja no território continental da China e, nesses dias, o território de Macau atrai ainda mais multidões de chineses. 
De acordo com as autoridades macaenses, nos primeiros três dias e meio da Semana Dourada o território recebeu 772 mil visitantes e, só no dia 2 de maio, entraram cerca de 248 mil visitantes, mais 20 mil que no mesmo dia do ano anterior, o que representava o número máximo de visitantes de Macau num só dia.
Nos nove postos fronteiriços de acesso ao território, as Portas do Cerco concentraram quase metade (49,3%) do total de entradas registadas nos três primeiros dias de feriado, em que foram contabilizadas 2.481.619 entradas e saídas de visitantes e não visitantes, perfazendo uma média diária de 827.206 movimentos transfronteiriços diários, o que significa que há milhares de chineses que todos os dias entram e saem de Macau, uns como turistas e outros para trabalhar, estudar ou fazer compras.
Macau, que muitos portugueses bem conhecem, tem atualmente cerca de 700 mil habitantes e em 2025 recebeu 40,1 milhões de turistas, enquanto Portugal recebe anualmente cerca de 30 milhões de turistas. Estes números mostram que Macau é uma atracção para o turismo chinês, mas que continua a ser uma bela memória da expansão marítima portuguesa.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Donald Trump, o aproveitador

A mais recente edição do jornal Libération é demolidora para Donald Trump, tanto pela sua acusadora manchete ao afirmar que “desde a sua reeleição, segundo a revista Forbes, o presidente dos Estados Unidos e sua família teriam embolsado 1,4 mil milhões de dólares”, mas também pela imagem da capa que mostra uma estátua de Donald Trump feita de metal maciço banhado a ouro, em que a personagem se apresenta de punho erguido – “une image qui fait presque mal aux yeux”. 
A jornalista Alexandra Schwartzbrod chama-lhe ”aproveitador” e desvenda a mistura de interesses e de negócios deste homem de excessos, de narcisismo doentio e de fanfarronice, que usa a desinformação e a ameaça para satisfazer os seus interesses. Convencido de que está protegido por uma capa de invencibilidade e de super-herói, ele confunde os limites e explora a sua posição presidencial para cobrar por tudo o que leva o seu nome, desde os seus caricatos bonés até aos hotéis e campos de golfe que lhe pertencem, ou que controla, nos quais as suas iniciais aparecem estampadas em letras douradas. O mesmo acontece com o seu famoso resort Mar-a-Lago, na Florida, onde são cobrados preços exorbitantes pela condição de membro, ou por quaisquer alugueres.
O trabalho jornalístico também trata das guerras de Trump e dos que delas beneficiam, referindo que “o Pentágono está a esvaziar os seus cofres ao despejar o equivalente a mais de mil milhões de dólares em bombardeamentos no Irão todos os dias, segundo estimativas da Forbes”. A indústria da guerra floresce e Donald Trump e os seus amigos aproveitam. 
Porém, o remate mais incisivo no demolidor texto do Libération está na seguinte frase: “Basicamente, seja você um chefe de Estado ou um empresário, se quiser um favor de Trump, basta pagar”.
Nos seus túmulos, os pais fundadores da nação que em 1766 assinaram em Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, devem dar voltas…

terça-feira, 5 de maio de 2026

A China consolida posições estratégicas

O jornal The New York Times destaca hoje na sua edição internacional que “a China está a transformar um recife num posto avançado”, publicando uma série de imagens satélite que mostram como têm evoluído os trabalhos de aterro e expansão no Antelope reef. Este recife faz parte das ilhas Paracel, que se situam no Mar do Sul da China, onde a China, Taiwan, Vietname e Filipinas disputam espaço e influência. Porém, os chineses não perdem tempo e estão a criar uma ilha artificial de considerável dimensão, para nela instalar um grande posto militar avançado com capacidade para receber infraestruturas de grande porte, incluindo pistas de aviação e portos.
A campanha de construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China pelos chineses, sobretudo nas ilhas Spratly e Paracel, tinha começado em meados da década de 2010, esteve suspensa durante alguns anos, mas agora arrancou com força, devido às novas circunstâncias internacionais, em que a China quer consolidar posições estratégicas.
A mesma edição do jornal The New York Times inclui dois importantes artigos de opinião, os chamados “guest essay” ou ensaio de convidado. Um deles é assinado por Scott Anderson e tem o curioso título “Operação Fúria Épica, conheça a Operação Erro Colossal”; o outro, que é assinado por Christopher Caldwell e que tem destaque de primeira página, tem por título “Os Estados Unidos são oficialmente um império em declínio”
Aqui está, como dois artigos de opinião publicados num importante jornal americano, contrariam tudo o que as nossas televisões diariamente nos impingem sobre Donald Trump e a sua governação, deixando tantos portugueses enganados.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Vem aí a época dos incêndios florestais

A edição de ontem do diário catalão el Periódico publica uma sugestiva ilustração em que o território espanhol da Península Ibérica aparece cercado pelo fogo e que, em manchete, escreve que “España olvida outra vez la prevención de incendios”.
Qualquer português que observe esta ilustração, ou que leia esta notícia, interroga-se sobre o que está, ou não está, a ser feito em Portugal para nos prevenirmos dessa calamidade que são os incêndios florestais que todos os anos nos ameaçam e que têm devastado vidas e bens. Porém, há que destacar que em Portugal o assunto não tem sido esquecido e que até está na ordem do dia.
Há cerca de um mês o ministro da Administração Interna (MAI) reconhecia que “o Verão vai ser muito duro” e elogiava o trabalho que estava a ser feito para prevenir os incêndios florestais, sobretudo nas zonas devastadas pelas recentes tempestades, porque “podem vir a ser seriamente afetadas”. Também estão a decorrer muitas acções de sensibilização e de esclarecimento da população para a defesa da floresta, lembrando sempre que o prazo legal para execução dos trabalhos de limpeza florestal termina a 30 de junho.
Entretanto, foi criado o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), com os Ministérios da Defesa, da Administração Interna e da Agricultura a juntar esforços na prevenção de fogos florestais e para assegurar a necessária eficácia e uma boa articulação de meios e esforços, tendo o MAI avisado que “tem de ser um combate de todos” e que “é possível trabalharmos em equipa” através de uma “mudança de mentalidade”.
Espera-se que estas medidas não sejam apenas de propaganda e que haja vontade de acabar com os excessos de protagonismos de políticos, bombeiros, proteção civil, autarcas e até alguns militares, mas cá estaremos para ver o que vai acontecer…

domingo, 3 de maio de 2026

Sagrada Família: uma obra com 144 anos!

O Temple Expiatori de la Sagrada Família, ou simplesmente Sagrada Família, é um grande templo católico em construção em Barcelona, que foi desenhado pelo arquitecto catalão Antoni Gaudi e que foi iniciado em 1882, isto é, está em construção há 144 anos. Com a recente instalação da parte mais alta da cruz que mede 17 metros de altura e 13,5 metros de largura, o templo passa a ter 172,5 metros, tornando-se a construção mais alta de Barcelona e a igreja mais alta do mundo.
A longa duração da construção resulta do seu financiamento resultar de doações e venda de ingressos, mas também da complexidade da obra com três fachadas principais e 18 torres, entre outras circunstâncias incluindo a guerra civil de Espanha,
No próximo dia 10 de junho – dia em que se evocam 100 anos da morte de Gaudi – o Papa Leão XIV irá abençoar a Torre de Jesús, a última a ficar concluída. A visita papal e o avanço da obra despertaram o interesse de todos os espanhóis, mas também dos mass media internacionais. O jornal La Vanguardia que se publica em Barcelona publicou uma extensa reportagem da jornalista Sara Sans sobre o entusiasmo que a visita do Papa está a suscitar e refere que a lotação da basílica “está esgotada” até essa data, o que supera todas as expectativas. Essa reportagem anuncia, também, que no ano passado “entraron en el interior de la basilica 4,87 millones de visitantes (un 89% extranjeros), lo que se tradujo en unos ingressos de 130 millones de euros”.
A Sagrada Família é, de facto, um caso único no mundo.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cuba e a sua fidelidade a Fidel Castro

O jornal Granma, o “organo oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba, dedicou a sua edição de hoje a Fidel Castro, que era filho de emigrantes galegos e liderou a guerrilha que tomou o poder em Cuba em 1959, quando tinha 33 anos de idade. Morreu em 2016, mas continua a ser o símbolo da Cuba socialista e anti-imperialista, numa altura em que já decorrem as celebrações do centenário do seu nascimento, cujo ponto alto acontecerá em agosto.
Nessa edição, a propósito do Dia Internacional de los Trabajadores, o presidente Miguel Diaz-Canel convocou o povo cubano para “un desfile por la paz” e, inspirando-se numa frase de Fidel Castro, disse que “la Patria se defiende en calles y plazas este viernes Primero de Mayo al amanecer” e exortou “trabajadores, campesinos, estudiantes, intelectuales, artistas, deportistas, cubanas y cubanos todos”, para desfilar hoje “contra el bloqueo genocida y en defensa de la paz”.
Este tipo de mobilização é habitual em regimes autoritários e personalistas, tanto de esquerda como de direita, assim tendo acontecido com as figuras de Lenine na União Soviética, de Adolfo Hitler na Alemanha, ou de Mao Tse-Tung na República Popular da China, mas também com o português António Salazar, cujas frases infectaram várias gerações de portugueses. Se Fidel Castro procurou a unidade cubana com a frase “La Patria se defiende”, o homem de Santa Comba Dão decretava a unidade nacional em torno da frase “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, procurando impor-se como “Salvador da Pátria” com a sua famosa declaração – “Sei muito bem o que quero e para onde vou”. 
Parafraseando uma conhecida figura política portuguesa, dir-se-ia que, em termos de culto da personalidade, as figuras históricas de Lenine, Mao, Salazar e Fidel foram “farinha do mesmo saco”.

Uma notável proeza de um atleta queniano

Foi no dia 26 de abril que Sabastian Kimaru Sawe, um maratonista queniano de 31 anos de idade, conseguiu a extraordinária proeza atlética de correr os 42,195 quilómetros da Maratona de Londres em 1.59:30. Tratou-se de um resultado histórico pois nunca ninguém completara esta prova em menos de duas horas e o jornal espanhol Marca deu-lhe honras de primeira página e, por um dia, esqueceu o futebol.
A maratona é uma prova que interessa os portugueses que tiveram em Carlos Lopes e Rosa Mota os seus grandes campeões, ambos com medalhas de ouro olímpicas.
No dia 12 de agosto de 1984 – já lã vão quase 42 anos – todos rejubilamos quando Carlos Lopes conseguiu a primeira medalha olímpica de ouro para Portugal ao vencer a Maratona de Los Angeles em 2.09:21, o que na altura constituiu um novo recorde olímpico.
Agora, este queniano gastou quase 10 minutos a menos para fazer o mesmo percurso, o que é verdadeiramente notável. Porém, há uma curiosidade em torno desta proeza. As grandes marcas desportivas vinham procurando criar umas sapatilhas especiais e a Adidas parece que se adiantou à Nike. Sabastian Sawe correu com sapatilhas Adizero Adios Pro Evo 3, o modelo da Adidas com menos de 100 gramas que foi desenvolvido para maximizar a eficiência energética e que cria um efeito de retorno de energia que reduz o custo fisiológico ao longo da prova. “O ténis é muito bom, muito leve, confortável e oferece bastante suporte, além de impulsionar para frente”, disse o Sabastian. Não se lhe tira o mérito, mas

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O 25 de Abril é o dia mais bonito do ano

As comemorações do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram o que o jornal Expresso escrevera dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o 25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril, não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro vestisse de preto...
As televisões estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25 de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de cor”. É pouco, para descrever o que se viu…

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Feira de Sevilha já anima a Andaluzia

A Feira de Sevilha é uma das festas mais internacionais e populares das famosas festividades espanholas e começa hoje à noite com o Alumbrado, ou iluminação de mais de 28 mil  lâmpadas coloridas do recinto de Los Remedios e da sua entrada principal, ou Portada, que tem cerca de 50 metros de altura e todos os anos é diferente. Hoje, a edição de Sevilha do diário ABC tem como legenda a frase “hoje e sempre” e publica em primeira página a fotografia da Portada, que este ano é “dedicada al Pabellón de Portugal”.
Até ao dia 26 de abril a cidade de Sevilha vai viver para a feira e receber muitos milhares de visitantes, com muita música, dança, gastronomia e animados convívios de familiares e amigos em tendas coloridas, enquanto as pessoas se passeiam em ricas carruagens pelas avenidas principais da cidade e usam trajes típicos da Andaluzia, isto é, os homens com roupas tradicionais do campo e as mulheres com trajes flamencos ou ciganos. Durante o dia, centenas de amazonas e cavaleiros passeiam a cavalo pelo recinto da feira e, o turista mais abonado ou mais interessado, também pode alugar um cavalo. Um outro elemento essencial da festa são as corridas de touros na Plaza de Toros de la Maestranza com um programa diário que atrai milhares de aficionados, embora este ano esteja prejudicado pela colhida do famoso matador Morante de la Puebla, acontecida ontem na corrida de abertura da feira e que o jornal ABC e outros jornais relatam com fotografia em primeira página.
A Feria de Sevilla é uma grande festa que atrai muitos portugueses e é uma das grandes celebrações do país vizinho.

domingo, 19 de abril de 2026

Pedro Sánchez, o novo superstar europeu

A cidade de Barcelona assistiu ontem a uma cimeira progressista “em defesa da Democracia” em que, para além de outros dirigentes internacionais, se destacou a presença de Lula da Silva, que disse que “nenhum país, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros”, e de Pedro Sánchez, que afirmou que “não basta resistir, temos de propor”. 
A cimeira visou a constituição de uma frente internacional das esquerdas e dos centro-esquerdas mundiais contra Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas também contra os outros líderes da extrema-direita que são seus aliados. Na sua edição de hoje o jornal El País destacou este acontecimento em primeira página e transcreve algumas das declarações produzidas durante a cimeira.
- “Gracias por haber salvado el alma de Europa”, disse Giacomo Filibeek, o secretário-geral do Partido Socialista Europeu;
- “Gracias Pedro por tu liderazgo, gracias por demostrar que la agenda progresista funciona, gracias por defender nuestra dignidad com cuatro palabras “no a la guerra”, disse a italiana Elly Schlein, a grande rival de Giorgia Meloni.
O presidente brasileiro Lula da Silva disse que “não se pode dormir e acordar todos os dias com um Presidente ameaçando o mundo” e elogiou Pedro Sánchez “porque tuvo la valentia de no permitir que los aviones de guerra de EE UU salieran de aquí para bombardear Irán”.
A cimeira teve a participação da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Dos Estados Unidos chegaram apoios à iniciativa de Pedro Sánchez e de Lula da Silva, designadamente de vários democratas como Tim Walz, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Hillary Clinton, afirmando que esta iniciativa é “o trabalho da nossa era”, mas Tim Walz, que foi candidato presidencial derrotado em 2024, destacou-se ao afirmar que Trump "é um ditador" e que "o fascismo está pelo mundo". 
Na linha do Papa Leão XIV que disse não ter medo de Trump, surgiu Pedro Sánchez como o mais destacado e corajoso opositor europeu dos desmandos e das ilegalidades de Donald Trump, cujo ataque ao Irão parece estar a ser um fiasco, sobretudo… nos Estados Unidos. 
Pedro Sánchez tornou-se de facto num superstar europeu.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leão XIV aos tiranos: chega de guerras!

O jornal The Washington Post é um dos mais influentes jornais dos Estados Unidos, sobretudo em questões de política internacional, sendo muito respeitado pelos seus rigorosos padrões jornalísticos.
Porém, nos tempos que correm, a leitura de jornais não é tarefa fácil. Neste respeitado jornal, como em todos os jornais, o leitor deverá ter atenção aos temas dominantes, mais ou menos sensacionalistas e mais ou menos verdadeiros, mas também deverá saber distinguir o que é opinião e o que é notícia e, neste caso, deve procurar saber se essa notícia relata um acontecimento verdadeiro, ou não verdadeiro.
Ao contrário das nossas televisões que a cada minuto nos impingem Trump, Netanyahu e a sua loucura destruidora, a edição de hoje do jornal The Washington Post tem o Papa Leão XIV e a sua viagem de dez dias a quatro países africanos como o principal tema de capa, com uma fotografia da sua chegada à República dos Camarões. A legenda da fotografia salienta que “dias depois dos insultos do presidente Donald Trump”, “o Papa nascido em Chicago”, fez “um veemente apelo à paz e condenou o que descreveu como um ‘punhado de tiranos’ que estão a devastar o mundo”.
No discurso então pronunciado, o Papa disse que “o mundo tem sede de paz” e que “chega de guerras, com os seus penosos amontoados de mortos, destruições, exilados.”
A palavra do Papa é uma lição de coragem e de lucidez perante a alucinação da aliança destruidora Trump-Netanyahu e é com alegria que vemos o influente e rigoroso jornal The Washington Post a alinhar do lado da paz e a ignorar o Donald. Porém, a palavra do Papa tem sido muito ignorada em Portugal, o que é uma vergonha num país que, no artigo 7º da sua Constituição, defende “a solução pacífica dos conflitos internacionais”.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

A verborreia do Donald foi longe demais

O Papa Leão XIV fez um apelo à paz no Médio Oriente face à ”violência absurda e desumana”, o que é natural num chefe da Igreja Católica, mas o fanfarrão que governa os Estados Unidos não gostou e tratou de o atacar duramente, afirmando que o Papa “era fraco no combate ao crime” e “péssimo para a política externa”. 
Donald Trump nunca tinha ido tão longe na sua verborreia mas ainda resolveu divulgar na sua rede social - a Truth Social - uma imagem gerada por inteligência artificial, que o mostrava vestido com uma túnica branca como Jesus Cristo. Nessa imagem, o presidente dos Estados Unidos aparece a confortar um doente num hospital, de forma semelhante ao que se vê em algumas pinturas religiosas que retratam Jesus a curar os enfermos, enquanto em segundo plano, se veem alguns símbolos americanos, como a Estátua da Liberdade, uma grande bandeira dos Estados Unidos, alguns aviões de combate, uma águia e uma enfermeira. Perante este narcisismo ridículo, as críticas surgiram imediatamente de todos os lados e a imagem foi retirada, mas a imprensa inglesa estava atenta e publicou-a, acompanhada de severas críticas, com destaque para o diário The Daily Telegraph que dedicou toda a sua primeira página da edição de ontem a este indescritível excesso de Trump, embora refira que ele se “arrepende desta farsa com Jesus”.
Segundo alguns relatos, o movimento MAGA que tem apoiado Donald Trump não gostou e veio acusá-lo de blasfémia e de possessão demoníaca, enquanto a sua amiga Giorgia Meloni, que é a primeira-ministra da Itália, declarou que as declarações do Donald eram “inaceitáveis”. 
Parece que nenhum outro líder europeu refutou as declarações de Donald Trump…

domingo, 12 de abril de 2026

Lula e o Brasil reconhecidos na Europa

A revista francesa Challenges que é especializada em assuntos económicos e negócios, na sua mais recente edição destacou em manchete de forma muito elogiosa o presidente do Brasil, a quem chamou Lula superstar.
Numa época em que as manchetes das grandes revistas internacionais são ocupadas pelos líderes da Ucrânia e da Rússia, de Israel e do Líbano e, também, do Irão e principalmente dos Estados Unidos, o aparecimento do Brasil e do seu presidente na capa de uma prestigiada revista europeia deve encher de orgulho metade do país e deve deixar os bolsonaristas muito irritados, porque significa que o Brasil e o seu presidente são ouvidos, procurados e respeitados no exterior. 
A revista dedicou a sua capa ao Brasil e ao presidente Lula numa reportagem que se estende por 15 páginas, evidenciando o êxito que foi a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas ou COP30, que se realizou em novembro de 2025 na cidade de Belém e que juntou cerca de duas centenas de países, mas também em relação ao Acordo Comercial EU-Mercosul, acelerado pelo Brasil e assinado no Paraguai no dia 9 de janeiro de 2026. Este acordo que abre boas perspectivas comerciais foi negociado durante cerca de 26 anos e espera-se que venha a dinamizar a integração das economias da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai que, com os seus 270 milhões de habitantes, constituem o 6º maior bloco económico do mundo.
O trabalho jornalístico da Challenges também destaca a Embraer, uma “joia da coroa” brasileira que, embora de forma limitada, começa a desafiar o duopólio Airbus-Boeing.
Aqui deixamos o nosso aplauso pelo justo reconhecimento internacional que vem sendo feito ao Brasil e de que os portugueses também muito se orgulham.

O estreito de Ormuz e Afonso Albuquerque

O mundo tem estado suspenso pelo que se passa no Irão e, sobretudo, pelo que se passa no estreito de Ormuz, que é dominado pela ilha de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, destinado principalmente à China, à Índia, ao Japão e à Coreia do Sul.
O estreito liga o golfo Pérsico ao mar Arábico e tem uma largura média inferior a 40 quilómetros mas, no seu ponto mais estreito, que é um corredor por onde os navios podem navegar, tem apenas 3,2 quilómetros de extensão em cada direção, o que o torna facilmente congestionável e perigoso para a segurança da navegação.
O tráfego marítimo no estreito de Ormuz é controlado pelo Irão e, como diz o jornal francês Libération na sua edição de ontem - que publica na capa uma expressiva fotografia do estreito captada por satélite - Ormuz é a “carte maîtresse de l’Iran”, ou o cartão de crédito do Irão. Perante a agressão israelo-americana, as autoridades iranianas tomaram a decisão de “fechar o estreito” para combater os países que acolhem bases militares americanas no golfo Pérsico, o que também introduziu uma grave perturbação na economia mundial.
Há 500 anos este estreito era controlado pelos portugueses, o que significa que “D. Manuel I chegou antes de Trump”, como escreveu a revista Sábado, com base nas crónicas coevas de João de Barros e de Fernão Lopes de Castanheda. O terribil Afonso de Albuquerque ocupou Ormuz em 1507 e iniciou a construção de uma fortaleza, mas teve que abandonar a ilha. Depois conquistou Goa e Malaca e, em 1515, regressou a Ormuz, que dominou e onde fez concluir o forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz que, embora em ruinas, ainda existe.
O estreito de Ormuz está hoje no centro das atenções mundiais, mas entre 1515 e 1622 foi dominado pelos portugueses. Agora é para dominar o estratégico jogo do petróleo, antes era para dominar o negócio das pérolas do Bahrein e dos cavalos persas.
O que a História nos ensina…

sábado, 11 de abril de 2026

O grande sucesso da missão Artemis II

Depois de uma viagem espacial que durou dez dias, a cápsula Orion mergulhou nas águas do oceano Pacífico, ao largo de San Diego, suspensa por três enormes paraquedas, assim terminando a missão da Artemis II. Pouco depois os quatro astronautas saíram da cápsula com evidente desembaraço e esse foi o sinal mais evidente do grande sucesso científico e operacional da sua missão, em que foram mais longe da Terra do que qualquer ser humano antes tinha estado e viram (e fotografaram) a face oculta da Lua).
Os tripulantes da Orion - Reid Wiseman, Christina Koch, Victor Glover e Jeremy Hansen – formaram uma equipa singular, diversificada e multinacional, que a NASA escolheu para mostrar as mudanças havidas na sociedade e na cooperação internacional. Nesta missão, pela primeira vez voaram até à Lua uma mulher, um astronauta negro e um não americano, o que mostra uma visão do mundo bem diferente daquela que a actual administração americana pretende impor.  Os quatro astronautas regressaram sãos, salvos e com a missão cumprida, o que representou um enorme sucesso para a NASA, “após dezenas de milhares de milhões de dólares, anos de atraso e muitas dúvidas sobre o interesse em relançar a conquista lunar”.
O regresso da missão Artemis II processou-se com toda a perfeição a velocidades que são inimagináveis e foi transmitido em directo pela televisão. Numa altura de grande tensão no mundo e em que se desenha uma possível crise económica no horizonte, o mundo assistiu com alegria a este grande momento da história do homem.
Hoje, a imprensa imprensa mundial destacou a amaragem bem-sucedida da Orion, assim acontecendo com o diário texano Houston Chronicle, que se publica na cidade onde a NASA desenvolve o seu trabalho principal.

O ‘duo infernale’ e o regresso à barbárie

A expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” é muito utilizada nos modernos processos de comunicação, porque é sabido que as imagens facilitam a compreensão e são processadas no cérebro humano muito mais rapidamente do que qualquer texto ou explicação verbal.
Por isso, a capa da última edição da revista alemã Stern recorreu a esse princípio da comunicação para definir as figuras de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu, que classifica como o duo infernale, mostrando as suas expressões furiosas e agressivas, que dizem mais do que tudo o que se possa escrever a respeito da forma violenta, brutal, cruel e desumana como conduzem as suas injustas e destruidoras guerras.
Na história recente da Humanidade não há quaisquer outros exemplos de agressividade, brutalidade e crueldade como as que são exibidas diariamente por aquele duo infernale, tanto nas suas atitudes ameaçadoras e boçais, como nos bombardeamentos que ordenam sem piedade e sem compaixão, que tudo arrasam e que levam a morte a milhares de pessoas indefesas, o que representa uma enorme falta de respeito pela lei internacional e uma contínua violação dos direitos humanos. Há cada vez mais gente a denunciar este duo infernale pela prática de crimes de guerra, pois assim se define o sistemático e cruel ataque que autorizam contra populações e instalações não militares, incluindo escolas e hospitais. Assim, é muito preocupante assistirmos à indiferença, ou ao apoio explícito que estes tiranos têm nas agências noticiosas internacionais, mas também nas televisões portuguesas onde têm demasiado tempo de antena, considerando-se natural que Trump declare que “uma civilização inteira vai morrer esta noite”, ou que Netanyahu afirme que vai destruir o Líbano, como fez em Gaza. 
O que aconteceu em Gaza, tal como o que está a acontecer no Líbano e no Irão, envergonha a Humanidade, é um regresso à barbárie e à lei da selva, enquanto a Europa e os seus líderes assistem a esta regressão civilizacional com uma chocante cumplicidade, com a excepção honrosa da Espanha, que aqui se saúda.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

O sonho vivo de uma grande Catalunha

A Catalunha é uma das 17 comunidades autónomas da Espanha e, tal como acontece com o País Basco, com a Galiza e com outras regiões peninsulares, nela existe um acentuado sentimento independentista, resultante da sua história, da sua língua e da sua cultura e, naturalmente, do seu distanciamento geográfico em relação ao centralismo de Madrid. Dizem os roteiros que a sua capital é Barcelona e que a região tem 7,5 milhões de habitantes, distribuídos pelas províncias de Barcelona, Girona, Lérida e Tarragona.
Porém, a grande Catalunha, ou a pàtria catalana, é uma entidade cultural e linguística que se estende para além dos limites geográficos da comunidade autónoma que tem a capital em Barcelona, prolongando-se para sul até à Comunidade Valenciana e para norte até à Catalunha Francesa, ou Catalunya del Nord, e ainda para as ilhas Baleares e para a parte oriental da ilha italiana da Sardenha.
Numa das suas edições mais recentes, o jornal El Punt Avuidiari independent, català, comarcal i democratic – publicou uma extensa reportagem sobre a população catalã destas regiões e que neste primeiro quarto de século XXI, embora de forma assimétrica, se aproxima dos 16 milhões de cidadãos espanhóis, franceses e italianos que, sob o ponto de vista linguístico e cultural, são catalães.
Naturalmente, por razões de sensibilidade política, a ilustração da capa do jornal ignora a Catalunha Francesa e a parte oriental da ilha Sardenha, designadamente a região de Alghero, que aqui designamos como a Catalunha Italiana, mas esta reportagem jornalística mostra que o sonho de uma Catalunha independente e com pleno assento na União Europeia não morreu com a desastrada tentativa de independência que Carles Puigdemont encabeçou em 2017.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Canhões ou manteiga? O povo que escolha.

Embora já se soubesse, até porque é uma evidência e para ver isso nem é preciso ter estudado Economia, a edição de hoje do quase bicentenário Diário de Notícias vem anunciar na sua primeira página o que o FMI se prepara para dizer, “que a despesa militar vai obrigar a cortes brutais na Saúde, Educação e apoios sociais”.
Esta reação do FMI resulta de um “estudo muito amplo”, em que foram analisados dados históricos desde 1946 a 2024, referentes a várias dezenas de países.
A anunciada corrida à despesa com a defesa nos países da NATO acontece devido à pressão de Donald Trump que “exige” que seja aumentada substancialmente, acrescentada com o apoio irresponsável do sabujo holandês que é o Mark Rutte, o secretário-geral da NATO, que até teve a ousadia de “exigir” que seja comprado armamento americano.
O facto preocupante é que, em junho de 2025, os estados-membros da NATO se comprometeram a elevar até 2036, a despesa anual com a defesa e áreas relacionadas com a segurança para 5% do PIB, que é mais do dobro da anterior meta de 2%. Com esta decisão, em que a maioria dos líderes dos países “assobiaram para o lado”, talvez à espera que passe o tempo do Donald, terá de haver “cortes brutais na Saúde, Educação e apoios sociais”, como diz o FMI. Nos outros países não sei o que aconteceu, mas aqui em Portugal os governantes também “assobiaram para o lado”.
Estamos perante opções importantes pelo que deve ser o povo soberano a decidir. É preciso saber se o povo português quer canhões ou quer manteiga, utilizando o famoso dilema de Paul Samuelson, que foi prémio Nobel da Economia, porque os portugueses são soberanos e não têm de não seguir os diktats de Trump e de Rutte.  

Missão Artemis II viu a outra face da Lua

A missão Artemis II da NASA está em curso desde o dia 1 de abril com grande sucesso e já ultrapassou o momento mais importante de toda a sua viagem em direcção à Lua, tendo sido a primeira vez que um ser humano viu o Sol eclipsar-se atrás do satélite natural da Terra. 
Nunca o ser humano tinha estado tão longe do nosso planeta e os astronautas da Artemis II já bateram o recorde da maior distância à Terra e já viram o lado oculto da Lua.
A missão Artemis II é o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis que planeia levar astronautas à Lua em 2028, representado um novo incremento no avanço da Ciência e na descoberta espacial.
Recorda-se, aqui, que foram as missões Apollo da NASA que em 1969 levaram Neil Armstrong e Buzz Aldrin a pisar pela primeira vez o solo lunar e que, depois, houve mais dez astronautas que também estiveram na Lua, mas que há mais de cinquenta anos que o programa espacial americano estava desactivado.
As impressionantes fotografias captadas pelos astronautas em que se podem ver a Lua e a Terra, foram publicadas pela imprensa mundial de todas as latitudes, aparecendo na edição de ontem do diário Hoy que se publica na vizinha cidade espanhola de Badajoz.
Se Júlio Verne tivesse assistido a tudo isto, não tinha precisado de ter tanta imaginação na sua criação literária.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

O recuo de Trump e o fanatismo do Donald

O presidente dos Estados Unidos anunciou um cessar-fogo por duas semanas no conflito que o opõe ao Irão, na sequência dos esforços diplomáticos do Paquistão. Ambos os países reclamam vitória, mas o importante é que a guerra está parada e fica atenuada a hipótese de uma crise económica global. 
O diário The Wall Street Journal, mas também outros jornais americanos, destaca o recuo de Donald Trump e exibe uma fotografia em que se destaca a bandeira do Irão e não a bandeira dos Estados Unidos, mostrando assim que estão do lado do agredido e não apoiam o agressor. O fanfarrão Donald Trump recuou, mas deve ter ficado aliviado porque tinha afirmado e repetido que iria “destruir o Irão esta noite se o estreito de Ormuz não for reaberto” e ter acrescentado, também, que “uma civilização inteira morrerá esta noite”. A sua ameaça é uma declaração criminosa que viola todas as regras da guerra que protegem civis, feridos e prisioneiros, tendo sido tão grave que Paul Krugman, um prémio Nobel da Economia, veio dizer que “a civilização que pode ser destruída esta noite é a nossa”. 
Agora que a agressão está suspensa, começaram a ouvir-se mais vozes denunciando a credibilidade e a moralidade de Donald Trump e da sua equipa, particularmente dessa figura igualmente sinistra que é Pete Hegseth, o secretário da Defesa, ou da Guerra, que foi denunciado pelo ex-presidente Bill Clinton por defender neste conflito “no quarter, no mercy”, isto é, não prisioneiros, não piedade, não misericórdia”. Ora isto é crime de guerra, como disse Bill Clinton que criticou sabiamente os desvarios de Trump.
Donald Trump nunca teve o apoio da maioria dos americanos para fazer esta guerra como mostram as sondagens e basta ver a imprensa americana para constatar essa verdade. Inexplicavelmente, as nossas televisões estão cheias de comentadores que apreciam e elogiam Trump e Hegseth, para além do criminoso Netanyahu, numa postura de evidente subdesenvolvimento cultural.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

A voz do Papa também chega à América

Alguns jornais de referência americanos, nomeadamente The Philadelphia Inquirer, mas também o The Washington Post, o The Boston Globe e o Los Angeles Times, destacaram nas suas edições de hoje a imagem do Papa Leão XIV, que até há bem pouco tempo era o cardeal americano Robert Francis Prévost Martinez, repetindo e ampliando o apelo à paz que fez nas cerimónias pascais, ontem realizadas em Roma – choose Peace!
Como notícia secundária, esses jornais referem o resgate do piloto americano que foi abatido no Irão e as continuadas ameaças de Donald Trump que, aparentemente, está fora de si por não ter tido o resultado militar com que sonhou, por ter a opinião pública americana cada vez mais contrária à sua política e porque começa a sofrer internamente o efeito de recessão económica que resultou da crise que provocou com o seu ataque ilegal ao Irão.
O presidente dos Estados Unidos está a ficar encurralado e a tornar-se muito perigoso, não só para o mundo, mas também para os próprios americanos. Exige que os iranianos "abram" o estreito de Ormuz e ameaça destruir o Irão numa só noite, vangloriando-se pessoalmente de tudo o que os militares americanos têm feito. Hoje é evidente que ele não tem agenda, nem propósitos, nem maneiras. É grosseiro e boçal. Envergonha a América. Exibe o seu instinto de narcisismo doentio e de fanfarronice serôdia, seguindo os diktats do criminoso e fanático tirano que é Benjamin Netanyahu.  
A Europa e os seus líderes estão escandalosamente calados – à excepção de Pedro Sánchez – porque, eventualmente têm medo de Trump, mas já não se entende o silêncio cúmplice destes líderes em relação ao criminoso de guerra que é Netanyahu.
E como é triste ver o papel do presidente do Conselho Europeu e, naturalmente, também dessa pequena espécie de estadista que é um tal Rangel…

sábado, 4 de abril de 2026

O erro do Donald e o sorriso de Xi Jinping

A capa da mais recente edição da revista The Economist é ilustrada com uma fotomontagem que mostra o presidente chinês Xi Jinping a sorrir atrás de Donald Trump, enquanto a manchete ajuda a esclarecer ainda mais aquele sorriso: "Nunca interrompa o seu inimigo quando ele está a cometer um erro".
O texto principal da edição explica que foram consultados diplomatas, académicos e especialistas e que quase todos consideram a guerra no Irão como “um grave erro americano”, acrescentando que “muitos chineses dizem que a guerra acelerará o declínio dos Estados Unidos”, o que reforça a ideia dominante na China de que caminham para a perda da sua hegemonia no cenário mundial. Apesar de ser aliada do Irão, a China mantém o seu princípio da não intervenção e defende o fim imediato das hostilidades, esperando vir a tirar proveito do desgaste americano que já se começa a notar.
De facto, já passou mais de um mês desde o início da ilegal agressão americano-israelita ao Irão e são muito contraditórias as notícias que nos chegam da guerra, com ambas as partes a afirmar que vão destruir o adversário. O fanfarrão Donald anda desorientado e diz tudo e o seu contrário, enquanto o fanático Netanyahu continua a matar e destruir barbaramente os seus vizinhos, sem que a Europa o condene com clareza pelo seu comportamento criminoso e atentatório dos direitos humanos.
A iniciativa de Trump foi criticada por alguns líderes como António Guterres, Pedro Sánchez, Emmanuel Macron e poucos mais, mas nos Estados Unidos são cada vez mais as vozes que condenam a guerra e a loucura do Donald, com destaque para Robert de Niro e Bruce Springsteen.
Como mostra The Economist o sorriso de Xi Jinping vale mais do que mil palavras.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Ciência e tecnologia em direcção à Lua

Ontem pelas 18h 36m locais descolou do Centro Espacial Kennedy da NASA em Cape Canaveral, na Florida, o foguetão SLS levando acoplada a nave espacial Orion. É a primeira nave espacial tripulada a sair da órbita da Terra desde 1972, quando a Apollo 17 permaneceu 75 horas na superfície lunar. No seu interior seguiram quatro astronautas – os americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch e o canadiano Jeremy Hansen – que cumprem o primeiro voo espacial tripulado do Programa Artemis, com a duração de dez dias e que os levará a dar a volta à Lua. O grupo inclui pela primeira vez uma mulher, um astronauta afrodescendente e um não americano.
Esta é a missão Artemis II, um voo preliminar da missão Artemis IV que está planeada para 2028 e em que se prevê um desembarque lunar.
Numa altura em que muitos americanos e grande parte do mundo contestam as políticas de Donald Trump e a forma como vem desprestigiando os Estados Unidos, através do uso da força e da insensatez com que trata a comunidade internacional, o lançamento da missão Artemis II é um acontecimento que demonstra a capacidade científica e tecnológica americana e a sua capacidade de desenvolver projectos virados para o futuro da humanidade.
O acontecimento foi transmitido em directo por muitas estações televisivas e a generalidade dos jornais de todo o mundo deram notícia fotográfica do lançamento da nave espacial Orion. Por ser uma das mais expressivas, escolhemos a edição de hoje do jornal La Provincia, o diário da cidade canária de Las Palmas, que publica uma fotografia do lançamento e escreve que “La Luna, objetivo en tiempos convulsos”.

Celebrando 50 anos da nossa Constituição

Há 50 anos, no dia 2 de abril de 1976, os 250 deputados que integravam a Assembleia Constituinte votaram e aprovaram por 234 votos, correspondentes a 93,6% do plenário constituinte, a nova Constituição da República Portuguesa, verificando-se que apenas os 16 deputados do CDS votaram contra aquele documento, que consagra a liberdade e os direitos fundamentais dos portugueses.
A Constituição da República Portuguesa entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, exactamente dois anos depois do “dia inicial, inteiro e limpo” e foi preparada num contexto complexo de transição de uma ditadura repressiva para uma democracia, com um processo revolucionário também muito complexo, mas resultou num documento fundador da nossa democracia que concretiza os “valores de Abril” e um regime político democrático, assente na soberania popular, no pluralismo e no Estado de direito. Meio século depois e apesar de já ter passado por sete processos de revisão constitucional – 1982, 1989, 1992, 1997, 2001, 2004 e 2005 – a Constituição da República Portuguesa continua a ser a matriz do nosso sistema político, a protetora dos direitos fundamentais dos cidadãos e a “expressão mais duradoura do pacto cívico e social que emergiu da Revolução de Abril”.
Hoje é dia de festa e o jornal Público associou-se à efeméride reproduzindo na primeira página da sua edição de hoje uma parte do preâmbulo do texto constitucional que foi preparado por uma comissão presidida pela deputada Sophia de Mello Breyner Andresen e de que foi relator o deputado Manuel Alegre, que começa da forma seguinte:

A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa 
resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos,
derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma 
transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

Evocar a Constituição da República Portuguesa é evocar o 25 de Abril e os seus valores de Liberdade, Democracia, Paz, Progresso e Solidariedade.
Viva a Constituição da República Portuguesa!