quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Lionel Messi ou a despedida de um ídolo

O moderno futebol nasceu em meados do século XIX na Inglaterra e foram os ingleses que depois o levaram até aos países e regiões em que viviam, assim acontecendo em Portugal onde, na última década desse século, foi introduzido pela colónia britânica residente. Rapidamente o foot-ball tornou-se num sport, evoluindo depois para um espectáculo e a seguir para uma arte. Depois, com o aparecimento da televisão, o futebol tornou-se um importante negócio ou, se quisermos, evoluiu para tudo isto ao mesmo tempo. Provavelmente, nenhuma actividade humana atrai actualmente o interesse de tantos milhões de pessoas em todo o mundo como acontece com o futebol.
O futebol é quase uma ideologia que desperta fanatismos e os seus praticantes são hoje verdadeiros símbolos nacionais, deixando na penumbra os políticos, os cientistas, os artistas ou os escritores. Para milhões de brasileiros, o futebolista Pelé é a figura mais importante do país e para muitos argentinos, o futebolista Maradona é muito mais importante que Carlos Gardel, Jorge Luis Borges, Juan Manuel Fângio, Ernesto Che Guevara ou o Papa Francisco. Na Europa, embora com menos intensidade, também os nomes de Alfredo di Stefano, Ferenc Puskás, Michel Platini, Johan Cruiff e Zinédine Zidane, mas também Eusébio ou Figo, para citar alguns portugueses, se tornaram símbolos deste desta arte e deste espectáculo que é o futebol.
Porém, na sua versão mais recente de grande negócio, têm-se destacado Lionel Messi e Cristiano Ronaldo como talentos futebolísticos e até como símbolos dos respectivos países. São ambos bons futebolistas, mas ninguém sabe qual é o melhor. Lionel Messi disse adeus ao futebol aos 39 anos de idade, depois de ter ganho tudo e mais oito Bolas de Ouro, enquanto Cristiano Ronaldo com 41 anos de idade ainda não disse adeus ao futebol, ganhou muitas coisas e mais cinco Bolas de Ouro.
A imprensa portuguesa não se cansa de falar de Cristiano Ronaldo, por isto e por aquilo, enquanto toda a imprensa argentina elogiou a carreira do capitán e a festa de despedida de Lionel Messi, realizada anteontem em Buenos Aires perante 90.000 pessoas e que terá sido grandiosa. 
Gracias Capitán, foi a manchete da edição de ontem do jornal Rio Negro que se publica na cidade argentina de General Roca.

As escolhas eleitorais do Brasil

As eleições brasileiras que se realizaram no passado dia 4 de outubro prenunciaram, ou já concretizaram, uma mudança política no país, embora ainda haja alguma coisa por decidir na 2ª volta que se realizará no dia 25 de outubro. Mais de 158 milhões de eleitores brasileiros foram chamados às urnas para as eleições gerais, para escolher o Presidente da República, o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal) e, ainda, os 26 Governadores estaduais.
Aparentemente, o grande vencedor destas eleições foi o ex-presidente Jair Bolsonaro, embora esteja preso e seja inelegível, enquanto o grande derrotado foi o actual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O jornal Folha de S. Paulo chamou-lhe “avalanche da direita” e é caso para nos interrogarmos sobre as voltas que o mundo dá…
Na Eleição Presidencial nenhum dos candidatos conseguiu 50% dos votos, com o candidato Flávio Bolsonaro (Partido Liberal - PL) a conseguir 47,03% e o actual presidente Lula da Silva (Partidos dos Trabalhadores - PT) a obter 45,16%, pelo que irão disputar a 2ª volta que se vai realizar no dia 25 de outubro.
O Congresso Nacional é um órgão bicameral que é constituído pela Câmara dos Deputados com 513 deputados e pelo Senado Federal com 81 senadores, tendo ambos reforçado a maioria de centro-direita e direita, com destaque para o PL que elegeu 121 deputados (22,79%) e 28 senadores (28,11%), enquanto o PT elegeu 88 deputados (14,81%) e 9 senadores (13,16%). Significa que, tanto a Câmara dos Deputados como o Senado Federal já estão perfilados para apoiar a eventual e muito provável presidência de Flávio Bolsonaro, que será o regresso da boçalidade ao Palácio do Planalto.
No que respeita aos 26 estados brasileiros já foram eleitos 20 governadores estaduais, tendo ficado adiada para o dia 25 de outubro a decisão sobre 6 estados e sobre o Distrito Federal, mas também no plano estadual avançou o bolsonarismo.
Como curiosidade, regista-se que em Lisboa o resultado foi de 53,51% para Lula da Silva e de 37,76% para Bolsonaro, enquanto no Porto também Lula da Silva esteve à frente com 52,49% e Bolsonaro conseguiu 38,32% dos votos.
E agora? Há que esperar pelo dia 25 de outubro para saber o que escolhem os brasileiros, mas não se espera nada de bom. Em Palm Beach, no seu luxuoso resort de Mar-a-Lago, o padrinho político dos Bolsonaros sorri, face às escolhas eleitorais do Brasil.

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Ambição marroquina sobre Ceuta e Melilla

O Reino de Espanha inclui no seu território as cidades de Ceuta e de Melilla, que se situam na costa norte de África e que estão encravadas entre o mar Mediterrâneo e o Reino de Marrocos. Distam entre si cerca de 225 quilómetros, têm áreas semelhantes da ordem da dezena e meia de quilómetros quadrados, têm ambas cerca de 80 mil habitantes e, desde 1995, têm o estatuto de cidades autónomas de Espanha, sendo as únicas fronteiras terrestres da União Europeia no continente africano.
Ceuta foi conquistada em 1415 pelo rei D. João I de Portugal e em 1640, depois da dissolução da União Ibérica, a cidade optou por ficar ligada a Espanha. Melilla foi ocupada em 1497 pelos exércitos dos Reis Católicos, durante o período da reconquista cristã, depois de já terem  expulso os marroquinos de Granada e da Andaluzia.
Quando o Reino de Marrocos se tornou independente em 1956, as duas cidades continuaram sob soberania espanhola, mas não demorou muito tempo para que Marrocos começasse a reclamar a sua soberania sobre os dois enclaves espanhóis com base em direitos históricos, mas o governo da Espanha tem recusado qualquer negociação e tem reafirmado que os territórios são intocáveis, o que gera alguma tensão entre os dois reinos.
A “invasão” de Ceuta ocorrida entre os dias 30 e 31 de julho de 2026, veio colocar o problema na ordem do dia, com um ministro marroquino a defender a “libertação” dos enclaves espanhóis numa cerimónia presidida pelo rei Mohamed VI, ao mesmo tempo que o governo espanhol endurecia o seu discurso com a ministra da Defesa a afirmar que as cidades autónomas “são Espanha” e são “intocáveis”. O assunto despertou o nacionalismo espanhol e têm sido realizadas muitas manifestações populares a defender a soberania espanhola sobre as duas cidades.
Hoje, a edição do jornal Melilla Hoy, anuncia que a cidade “se prepara para vivir un dia para la Historia: los Reyes Don Felipe y Doña Letizia visitarán la ciudad el 14 de octubre”.
Aí está como a Monarquia espanhola não hesita em tomar posição e dá o seu contributo para o reforço da unidade e da coesão espanholas, em tempos que podem ser complexos.

O turismo chinês em corrida para Macau

Quando em 1999 ocorreu a transferência da soberania de Macau de Portugal para a China, passaram a escutar-se com frequência alguns políticos portugueses a anunciar que Macau seria uma plataforma para potenciar as relações económicas e outras, entre Portugal e a China. Recentemente, aqui lamentamos que a China tenha escolhido a Espanha para construir várias fábricas de automóveis, ou seja, a teoria da plataforma parece que não tem funcionado.
Porém, à margem dessa conversa da plataforma, o facto é que quatro séculos e meio de permanência portuguesa em Macau deixaram muitos traços culturais na vida quotidiana e no património arquitectónico de Macau, com destaque para a existência de três jornais diários em português, um dos quais é o hojemacau, que foi fundado em 1990.
Há dois dias o jornal destacou a aproximação da Semana Dourada, que decorre de 1 a 7 de outubro e que é uma espécie de semana de férias chinesas, correspondente aos festejos dos feriados do Dia Nacional da China. De acordo com as autoridades macaenses prevê-se a entrada diária de 770 mil pessoas no território, com picos acima de 800 mil no sábado e no domingo, em que haverá fogo-de-artifício, espectáculos de drone e entradas gratuitas nos museus. Serão cerca de 5,4 milhões de passagens fronteiriças e entradas em Macau, uma região administrativa especial da República Popular da China que tem uma população residente estimada em 686.000 pessoas. 
É uma maré cheia como escreveu em manchete o jornal hojemacau e é caso para perguntar onde vai caber tanta gente...

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Cristiano Ronaldo: um adeus muito triste

Cristiano Ronaldo é o português mais conhecido e mais admirado no mundo, mas é também um futebolista talentoso que por cinco vezes foi distinguido com a Bola de Ouro, o troféu que premeia o melhor jogador de futebol do planeta. Ele é um ídolo para os portugueses e para muitos milhões de estrangeiros e, ao longo da sua carreira, já marcou 979 golos em jogos oficiais. Estreou-se na seleção nacional de futebol em 2003 e, até agora, teve 233 internacionalizações e marcou 146 golos.
Cristiano Ronaldo está com 41 anos de idade e os seus desempenhos já não são o que foram, como se viu recentemente quando jogou contra o País de Gales. No jogo seguinte, que foi contra a Noruega, o selecionador Jorge Jesus deu oportunidades aos jovens e deixou-o de fora porque a equipa estava a jogar bem e a ganhar, mas Cristiano Ronaldo não gostou. Amuou e alheou-se dos festejos dos companheiros e dos agradecimentos aos adeptos.  A partir daí, devem ter emergido o ego e as vaidades do jogador e do selecionador, acentuados por uma comunicação social que vive do sensacionalismo.
Ontem, em véspera do jogo com a Dinamarca, a bomba rebentou quando Cristiano Ronaldo, o capitão e maior símbolo da equipa nacional, abandonou o estágio da seleção e apanhou o seu avião privado para regressar a casa. Foi um triste adeus, como titulou o jornal A Bola, na sua edição de hoje.
Os portugueses estão relativamente divididos quanto a este imbróglio, que era previsível. Cada vez mais era a marca Ronaldo que entrava em campo, mas as marcas não são eternas e os seus conselheiros bajuladores não o preveniram disso e continuaram a alimentar-lhe o ego. Poucos portugueses compreendem o amuo, o narcisismo e o egoísmo de Cristiano Ronaldo, que se acentuou nos anos mais recentes, havendo alguns que se interrogam sobre se será o fim da sua carreira futebolística, ou se será o princípio de uma carreira de negócios e de gestão direta da sua fortuna que, em 2025, a Bloomberg avaliou em 1,4 mil milhões de dólares.

domingo, 27 de setembro de 2026

Leão XIV em França a falar para o mundo

O Papa Leão XIV está em França numa viagem apostólica oficial de quatro dias, cujo itinerário inclui Paris e Lourdes, terminando no nordeste do país na cidade de Metz. Depois da visita do Papa Bento XVI realizada em 2008, não acontecera outra visita papal e, por isso, a República Francesa, a Igreja Católica e os franceses estão a viver dias de euforia, como mostra toda a imprensa francesa, incluindo o jornal La Dépêche du Midi, que se publica na cidade de Toulouse, a pouco mais de cem quilómetros do santuário de Lourdes.
Numa época em que todos os dias se fala de guerra, de mísseis e de drones, em que uma grave crise económica e social ameaça muitos países, em que parece não haver preocupações com as alterações climáticas nem com a IA e em que a Europa se mostra cega e surda perante o que o escândalo humanitário que acontece na Palestina, a visita papal é um alerta para os franceses, mas também para os europeus, avisando-os que não estão apenas em declínio, mas também a caminhar para o abismo.
Emmanuel Macron recebeu Leão XIV mas deve ter-se sentido pequenino perante a grandeza do Papa. O centro de Paris foi “uma igreja a céu aberto” e cerca de 800 mil pessoas, católicas e não católicas, vitoriaram o Papa que pediu a defesa da vida e criticou a eutanásia, alertou para o terrível “paraíso das máquinas” como já fizera na sua encíclica Magnifica Humanitas, condenou o armamentismo e exortou os políticos a usarem a diplomacia e o diálogo e, várias vezes, apelou à paz e condenou a guerra que disse ser “a mais terrível das obras humanas”. Curiosamente, talvez a pensar no seu país de origem, criticou os governantes que instrumentalizam a Justiça de acordo com os seus próprios interesses.
É caso para dizer: Viva o Papa!

sábado, 26 de setembro de 2026

Angola e Portugal reforçam cooperação

À margem da 81ª Assembleia Geral das Naçóes Unidas que se está a realizar em Nova Iorque, os chefes de governo de Angola e de Portugal encontraram-se e, segundo referiu o Jornal de Angola, discutiram o alargamento das relações de cooperação entre os dois países que estão ligados pela história, pela língua e pela cultura.
As relações entre Angola e Portugal, ou entre o antigo colonizado e o antigo colonizador que se combateram durante mais de uma dezena de anos, têm passado por algumas situações de tensão, sobretudo porque as relações entre governos são frias e interesseiras, enquanto as relações entre as pessoas - angolanos e portugueses - são quentes e emocionais. Há muitos angolanos que vivem em Portugal e há muitos portugueses que vivem em Angola e, todos eles, tiveram muita satisfação com o encontro cordial entre o presidente João Lourenço e o primeiro-ministro Luís Montenegro.
Assim, é de esperar o alargamento das relações de cooperação entre os dois países, a construção de parcerias estratégicas para impulsionar a economia e o investimento, a facilitação da mobilidade dos nacionais em ambos os sentidos, a intensificação do intercâmbio cultural, académico e desportivo. Angola e Portugal são países irmãos e Luanda e Lisboa só podem ser cidades irmãs.
Angola precisa tanto de Portugal, como Portugal precisa de Angola. O mundo está em mudança e a incerteza domina o cenário internacional, pelo que o alargamento das relações de cooperação entre os dois países é um contributo para o progresso dos seus povos e para a construção da paz mundial. É preciso que haja quem trabalhe neste projecto para que esta cooperação anunciada não fique apenas no papel e nas boas intenções.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O fanfarrão rico que ameaça o mundo

Ontem, em Nova Iorque, o presidente Donald Trump discursou durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas e as suas palavras eram esperadas com grande curiosidade, mas o homem esteve ao seu nível habitual como um exemplo raro de fanfarrão, de vaidoso, de gabarola e de mentiroso.
A generalidade da imprensa americana escolheu para título das suas edições a frase “Trump threatens to ‘annihilate’ Iran”, isto é, “Trump ameaça “aniquilar’ o Irão”, mas o jornal diário La Opinión, que se publica em espanhol desde 1926 na cidade de Los Angeles – fez um século de idade há uma semana – escolheu para a capa da sua edição de hoje a fotografia do Donald e como manchete escreveu a frase “amenaza tras amenaza”. 
Realmente, foi verdadeiramente insólito ver e ouvir o Donald, em plena Assembleia Geral, a “anunciar com orgulho que a América está de volta e que está mais forte hoje do que nunca”;  que “a nossa economia é o orgulho do mundo”; que “o nosso exército é o mais poderoso da Terra”; que “a nossa tecnologia é superior a qualquer outra”. Porém, sua arrogância não se ficou por aí e disse que “há dois anos, nosso país estava morto. Antes de eu assumir o cargo, tínhamos a pior e mais perigosa fronteira da Terra, e agora temos a fronteira mais segura da história americana”. 
O Donald também falou do Irão e disse que “não há melhor exemplo de um perigo do que o primeiro fundador do terror, a República Islâmica do Irão. Por 51 anos, o regime iraniano fanático tem governado com sangue e assassinatos em massa, espalhando morte e caos por todo o Médio Oriente” e, com grande deselegância política, ameaçou “aniquilá-lo”, acrescentando que "devo conduzi-los ao inferno, sem chance de sobrevivência e sem esperança de grandeza futura ou de descendência". Disse, também, que “estamos trabalhando muito com os líderes da Rússia e da Ucrânia” e disse acreditar na paz “mais rapidamente do que as pessoas entendem”, talvez uma das poucas coisas boas de ouvir.
Para além de muitos outros assuntos em que se foi elogiando, também quis “reconhecer o extraordinário trabalho da nossa primeira-dama”, que “este ano, também se tornou a única primeira-dama na história a presidir a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU”, o que parece mostrar que a presidência é um negócio da família. 
Donald Trump falou de muita coisa mas nada disse sobre a fortuna da sua família que aumentou pelo menos 2,2 mil milhões de dólares desde que regressou à Casa Branca em Janeiro de 2025. Este volume inédito de lucros, que num ano subiram 17 vezes e que são considerados estratosféricos, fez com que o património líquido de Donald Trump subisse cerca de 60%, atingindo em 2026 uma fortuna estimada entre 6,3 mil milhões e 6,7 mil milhões de dólares, consolidando-o como o presidente mais rico da história dos Estados Unidos.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O Quebec aspira pela separação do Canadá

O jornal catalão El Punt Avui, que se publica em Barcelona, anunciou na sua edição de hoje que “o referendo sobrevoa o Quebec”, porque o Parti Québécois dirigido por Paul St. Pierre Plamondon lidera as sondagens para as eleições provinciais de 5 de outubro e, caso triunfe, já confirmou que o seu partido fará um referendo sobre a independência.
A província do Quebec é uma grande província do Canadá, com mais de oito milhões de habitantes que na sua maioria falam francês e tem uma área territorial que é cerca de 15 vezes maior do que Portugal. É a segunda província mais populosa do país, onde se localizam as cidades de Montreal e Quebec, onde se destaca a herança colonial francesa e onde está viva a ideia separatista. Daí que no seu historial já conte com dois referendos sobre a independência, em que os separatistas foram derrotados: o primeiro realizou-se em 1980 e foi rejeitado por 59,56% dos eleitores, enquanto o segundo se realizou em 1995 e a rejeição da independência foi apenas de 50,58% dos eleitores.
Entretanto, a lei foi ligeiramente alterada e a iniciativa de realizar um referendo parte do Governo e da Assembleia Nacional do Quebec, mas os resultados carecem da validação do parlamento federal. Porém, de acordo com a lei, o Quebec não pode declarar a independência de forma unilateral e, mesmo que haja uma maioria clara numa pergunta clara, o governo federal é constitucionalmente obrigado a negociar os termos da secessão com a província.
O jornal catalão que referiu que “o referendo sobrevoa o Quebec”, esqueceu-se de dizer que, há cerca de um mês, Paul St. Pierre Plamondon anunciou que não realizará um referendo sobre a independência do Quebec enquanto Donald Trump permanecer presidente dos Estados Unidos, adiando qualquer votação para depois de 20 de janeiro de 2029 porque, como disse, “a imprevisibilidade do governo americano prejudicaria a qualidade do debate sobre o futuro do Quebec como nação”.
Os canadianos podem adiar a preocupação por essa disputa política.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

O conflito russo-ucraniano agrava-se

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia já dura há muito tempo – 1.670 dias desde o dia em que a Rússia invadiu o território ucraniano (24 de fevereiro de 2022), ou 4.596 dias desde o dia em que as forças russas reagiram à violência ucraniana contra a minoria russa do Donbass e ocuparam a Crimeia (20 de fevereiro de 2014). Considerando que a Grande Guerra durou 1.567 dias e que a 2ª Guerra Mundial durou 2.193 dias, é caso para dizer que a disputa entre Moscovo e Kiev já dura há muito tempo.
Como aqui temos escrito desde há mais de quatro anos, é preciso parar e negociar. É preciso pensar e abandonar a lógica da polarização que domina o discurso ocidental – ou se é por Zelenkky ou por Putin. Somos pela paz para ucranianos e para russos. 
É preciso seguir os princípios de Robert Schuman que defendeu que “a paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criativos proporcionais aos perigos que a ameaçam”, ou de Henry Kissinger, que escreveu que a questão ucraniana não é de saber se “a Ucrânia se junta ao Oriente ou ao Ocidente”, porque “deve funcionar como uma ponte entre eles”, pelo que “devemos buscar a reconciliação, não o domínio  de uma facção”.
Porém, Boris Johnson, Olaf Scholz, Emmanuel Macron, Ursula von der Leyen e mais alguns outros líderes europeus, por vezes contra a vontade dos seus eleitorados, abdicaram do seu dever de defender a paz e de moderar, apaziguar ou arbitrar o conflito, tornando-se parte muito activa dele, para lá canalizando muito dinheiro para mísseis, para drones, para mercenários e para muita corrupção. A indústria do armamento aplaude e o conflito parece agravar-se, porque a Europa está com líderes medíocres e sem coragem.
O recente ataque a Moscovo com mais de mil drones foi a maior campanha de drones da História e o maior ataque que a cidade sofreu desde 1942, conforme relata hoje o The Wall Street Journal, com uma expressiva fotografia de primeira página.
Esta operação mostra como o conflito está intenso e como os líderes europeus nele estão envolvidos, arrastando os seus países para uma guerra de consequências imprevisíveis e sem que os seus povos tenham sido ouvidos sobre essa matéria.

domingo, 20 de setembro de 2026

Robert Schuman, sempre o Pai da Europa

A edição de hoje do diário francês La Croix, um  jornal católico que se publica em Paris e que tem uma alargada difusão por todo o país, para além do seu habitual noticiário geral, inclui uma desenvolvida reportagem, que também é uma homenagem dedicada a Robert Schuman.
Robert Schuman (1886-1963) foi um verdadeiro europeu, pois nasceu no Luxemburgo, estudou na Alemanha e radicou-se em França, onde exerceu advocacia e teve actividade política como democrata-cristão. Durante a guerra integrou a Resistência Francesa e foi preso pela Gestapo. Com o fim da II Guerra Mundial tornou-se 1º Ministro da França (1947-1948) e seu Ministro dos Negócios Estrangeiros (1948-1953), tendo nessa condição feito um famoso discurso em Estrasburgo, no dia 9 de maio de 1950, que ficou conhecido como a Declaração Schuman.
Nessa histórica declaração lida quando a Europa ainda estava devastada pela guerra, Schuman disse que qualquer guerra entre a França e a Alemanha, rivais históricos, se tornaria "não apenas impensável, mas materialmente impossível" e declarou que "a paz mundial não pode ser salvaguardada sem esforços criativos proporcionais aos perigos que a ameaçam". Além disso, defendeu uma Europa unida, o estabelecimento de relações pacíficas entre todos e propôs que a produção franco-alemã de carvão e aço ficasse sob a alçada de uma autoridade internacional, aberta à participação de outros países europeus, daí nascendo a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que esteve na origem da actual União Europeia.
Entre 1958 e 1960, Robert Schuman foi o primeiro presidente do Parlamento Europeu que, no final do seu mandato o distinguiu com o título de Pai da Europa. Robert Schuman não esteve sozinho na construção da “ideia de Europa” e com ele estiveram Jean Monnet, Konrad Adenauer, Alcide De Gaspieri, Paul-Henri Spaak e outros grandes estadistas, mas se Schuman hoje ressuscitasse e visse o que está a acontecer nesta Europa de António Costa, de Ursula von der Leyen e daqueles que os escolheram, ficaria decepcionado ao verificar que eles não estão a fazer os “esforços criativos proporcionais aos perigos que ameaçam a Europa”, vindos de todas as direcções. 
Essa é a mensagem implícita do jornal La Croix, ao homenagear Robert Schuman.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Um novo rumo para as Nações Unidas

No próximo dia 1 de janeiro de 2027 iniciará o seu mandato o novo secretário-geral das Nações Unidas, que substituirá António Guterres que exerce o cargo desde 2017.
A corrida para a sucessão já começou há muito tempo e nela estão envolvidos os seguintes candidatos: Rebeca Grynspan (Costa Rica), Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana), Michelle Bachelet (Chile), María Fernanda Espinosa (Equador), Rafael Grossi (Argentina), Macky Sall (Senegal) e Olara Otunnu (Uganda). Existe a expectativa de, pela primeira vez, ser uma mulher a ocupar aquele cargo e que seja respeitada a rotação geográfica que, depois de Kofi Annan (Gana), Bab Ki-moon (Coreia do Sul) e António Guterres (Portugal), deverá favorecer a América Latina e Caraíbas.
As candidaturas foram apresentadas pelos governos dos estados membros e são apreciadas e votadas pelos 15 membros do Conselho de Segurança, onde prevalece a capacidade de veto dos seus cinco membros permanentes. Dessa forma, o consenso é difícil, mas é dele que resulta a escolha e a proposta, com um só nome, que depois é votada na Assembleia Geral.
Até agora houve nove secretários-gerais das Nações Unidas e António Guterres terá sido um dos que melhor preparados estava para desempenhar o cargo, mas não foi feliz no seu desempenho, tendo sido frequentemente hostilizado por Donald Trump e sem nunca ter tido o apoio claro da União Europeia. Daí que não tenha obtido resultados positivos na questão palestiniana, nem nos conflitos da Ucrânia e do Irão, nem no combate às alterações climáticas, nem no controlo das migrações. Na realidade, as Nações Unidas têm estado paralisadas política e até financeiramente, têm excesso de burocracia e têm perdido autoridade no mundo. Guterres não conseguiu libertar-se dessa complexa teia e embora seja injusto afirmá-lo, a decadência das Nações Unidas tem um rosto: António Guterres.
Por isso, o jornal catalão El Punt Avui, que se publica em Barcelona, não elogia o desempenho de António Guterres e escreve que “a ONU procura um novo rumo”, acentuando que o modelo criado em 1945 já está ultrapassado e que a organização carece de uma profunda reforma.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Westminster, a Celtic Alliance e o futuro

O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, ou simplesmente Reino Unido, está estabelecido desde 1801 e é formado por quatro nações, ou quatro territórios: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.
A História mostra que nestas nações sempre existiram movimentos independentistas com formas distintas e muita contestação, por não aceitarem a tutela “colonial” inglesa.
Recentemente, estes movimentos convergiram devido a dois factores: a memória do Brexit e o facto de, pela primeira vez na sua história, as três nações terem governantes de partidos nacionalistas, ou independentistas.
Em 2016 o Brexit foi rejeitado na Escócia (62%), na Irlanda do Norte (56%) e no País de Gales (48%) e, por isso, sempre foi grande o descontentamento pela decisão do governo britânico de abandonar a União Eueopeia e, inversamente, tornou-se um elemento de contestação ao centralismo de Londres. Agora os líderes dos três territórios assinaram em Cardiff um memorando de entendimento conjunto, alegando que o modelo centralizado de Londres faliu e exigem que o governo britânico facilite mecanismos constitucionais para que as nações decidam o seu próprio futuro, isto é, exigem referendos.
Mary Lou McDonald e Michelle O’Neill (Sinn Féin da Irlanda do Norte), Rhun ap Iorwerth (Plaid Cymru do País de Gales) e John Swinney (do SNP – Partido Nacional Escocês) fizeram-se fotografar e tornaram-se a imagem de um desafio, que o jornal The National, que se publica em Glasgow, bem como outros jornais, divulgaram. Este jornal anuncia mesmo que "end of Union is coming".
O facto é que, embora seja considerada pouco provável de ter pés para andar, a hipótese de uma dissolução do Reino Unido ganhou novos contornos ao serem reivindicados referendos visando a independência das três nações, a separação de Westminster e uma eventual reintegração na União Europeia.
Já lhe chamam a Celtic Alliance (SNP, Plaid Cymru e Sinn Féin) e está em marcha.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Os BRICS afirmam-se como o Global South

No passado fim-de-semana realizou-se em Nova Delhi a 18ª Cimeira dos BRICS, uma organização intergovernamental criada pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a que se juntaram posteriormente o Egipto, Etiópia, Irão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Indonésia. 
O anfitrião da cimeira foi o primeiro-ministro indiano Narendra Modi, que recebeu Vladimir Putin, Xi Jinping e Cyril Ramaphosa, mas também Masoud Pezeshkian, presidente do Irão, Prabowo Subianto, o presidente da Indonésia, enquanto Lula da Silva se fez substituir pelo seu ministro das Relações Exteriores. 
Os BRICS representam cerca de 49% da população mundial e cerca de 41% do PIB mundial, controlando cerca de 26% do comércio global. Segundo relatou a imprensa, a cimeira de Nova Delhi foi marcada pelas guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, pelas crescentes tensões entre os Estados e a China, pela questão do petróleo e pela defesa de uma ordem internacional mais multipolar, baseada em regras e no diálogo, com mais equilíbrio e maior participação dos países em desenvolvimento. Os países que constituem os BRICS procuram uma nova ordem internacional, designadamente mais assentos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas também pretendem aumentar a sua influência no mundo e construir caminhos conjuntos de cooperação para enfrentar os desafios globais. 
O documento final, ou Declaração de Nova Delhi, inclui 140 pontos e foi assinado por unanimidade, pedindo a “máxima contenção” no Médio Oriente, manifestando forte oposição ao deslocamento forçado de palestinianos e afirmando a unidade do Global South, como mostra a capa do jornal indonésio The Jakarta Post. Quando onze países com regimes políticos, interesses económicos e visões geopolíticas tão diferentes, mostram esta unidade em torno da ideia do Global South e esta vontade de cooperar, é porque encontram um elemento comum que os une. Será a Europa, ou os Estados Unidos, ou apenas Donald Trump e a sua ambição de dominar o mundo?

domingo, 13 de setembro de 2026

A escola, os alunos e os novos tempos

Foram divulgados os resultados do PISA 2025 e uma onda de preocupações alastrou pelos países da OCDE, sobretudo na Alemanha, França, Espanha e até Portugal, que registaram os seus piores resultados de sempre em Leitura, Matemática e Ciências, atingindo mínimos históricos desde que o programa foi criado no ano de 2000.
O jornal luxemburguês Le Quotidien reflectiu essa preocupação ao trazer o tema para a sua primeira página e ao escrever que “o nível dos alunos [está] em queda livre”.
O PISA (Programme for International Student Assessment) é um programa internacional de avaliação de alunos que funciona como uma rede mundial de desempenho escolar coordenada pela OCDE, com vista a melhorar as políticas e os resultados no sector da educação. A avaliação é realizada de três em três anos pelos países membros da OCDE e por alguns outros países não membros, com base numa amostra de alunos de 15 anos de idade das diversas redes de ensino, etnias, género e níveis socioeconómicos.
O relatório publicado na corrente semana - que não lemos - é preocupante, segundo revelou a imprensa, que informa que “as competências em Matemática e Leitura dos alunos têm vindo a diminuir em todo o mundo, sobretudo devido à digitalização e à diminuição da leitura por lazer, o que causou consternação e promessas de ação em toda a Europa”. 
Actualmente há uma enorme heterogeneidade cultural dos alunos, os efeitos da evolução tecnológica no processo educativo são intensos e, muitas vezes, a escola já não é o que era e não se adaptou aos novos tempos, nem à conflitualidade laboral no sector, que enfraqueceu a autoridade dos professores e diminuiu o reconhecimento social da sua profissão. 
A sociedade portuguesa tem sérios problemas na saúde, na habitação, na justiça, na demografia, na desertificação do interior, na emigração dos jovens, no combate à pobreza e, agora, está confrontada com uma dura realidade na educação. 
A comunicação social anda ocupada com o João Palhinha e com o Luís Neves.
Espera-se que os nossos políticos tenham tempo para pensar nisto tudo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

9/11 - O mundo mudou, mas ficou pior

Foi há 25 anos que um grupo de dezanove elementos fundamentalistas islâmicos da Al-Qaeda sequestrou quatro aviões comerciais – dois Boeing 757 e dois Boeing 767 – conseguindo levar dois deles a colidir com as Torres Gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, o terceiro avião a colidir com o Pentágono, nos arredores de Washington, enquanto o quarto avião se despenhou depois de alguns passageiros e tripulantes terem resistido à acção dos sequestradores.
As Torres Gémeas não resistiram ao impacto dos dois aviões, incendiaram-se e ruíram em pouco tempo, representando o episódio mais trágico dos acontecimentos desse dia, em que morreram quase três mil pessoas de cerca de setenta nacionalidades, incluindo os 227 passageiros e tripulantes que se encontravam a bordo dos quatro aviões e os 19 sequestradores.
Foi um acto terrorista de uma violência extrema e sem precedentes, com o mundo a assistir horrorizado a quase tudo em directo pela televisão. Hoje o jornal Público evocou a tragédia do 11 de Setembro de 2001, conhecido nos Estados Unidos pela expressão 9/11, com destaque de primeira página e, como manchete, escolheu a frase “o mundo mudou mas não ficou melhor”. De facto, existe uma ameaça permanente de acções terroristas e essa convicção é mais forte, quando se lê o que disse o responsável do MI5 britânico, Ken McCallum, numa entrevista hoje publicada pelo jornal The Independent.
Disse ele que a Grã-Bretanha está perante uma ameaça maior e mais complexa do que aconteceu em 2001, isto é, alertou para que um possível novo choque estratégico, semelhante aos ataques de 11 de Setembro, pode já estar a ser preparado em áreas que os serviços de informação não estão a monitorizar e sugeriu-lhes para olharem para além das ameaças do passado e para se adaptarem aos desafios emergentes e inesperados. Algumas acções realizadas no conflito do Médio Oriente, designadamente o assassinato selectivo de personalidades iranianas, sugere que hoje há formas mais sofisticadas e igualmente letais de terrorismo, sem necessidade de sequestrar aviões Boeing.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

A limpeza étnica em Gaza e na Cisjordânia

O genocídio conduzido pelos israelitas em Gaza prossegue como antes, embora a um ritmo mais silencioso, mas tão sistemático e letal como antes, perante o silêncio e a cobardia da União Europeia. Há dias, o diário espanhol El País noticiava que tinham sido assassinados 1.100 palestinianos desde o cessar-fogo de outubro de 2025 e que a situação na Cisjordânia (West Bank) estava a agravar-se, com a acção dos colonos, do exército e do governo israelitas que estão  preparar a anexação de jure do território.
Calcula-se que a quinta parte do território da Cisjordânia, que constitui a base territorial do estado da Palestina, reconhecido pelas Nações Unidas em 2025 e por cerca de 148 países, já está nas mãos dos colonos e das sua milícias, que proíbem as pessoas de se deslocarem entre a parte norte e a parte sul do território. Assim, a continuidade fisica entre o norte e o sul, ou entre Ramala e Belém está cortada pelo exército e pelos colonos, o que nunca acontecera desde os acordos de Oslo de 1993. Nenhum governo israelita procurou antes romper a continuidade geográfica da Cisjordânia, como agora acontece. Hoje é evidente que Israel quer inviabilizar a soberania palestiniana sobre o território da Cisjordânia e impedir a criação do estado da Palestina, em violação das resoluções das Nações Unidas que defendem a “solução de dois estados”, isto é, a existência de Israel e da Palestina como dois estados independentes, soberanos e contíguos, coexistindo lado a lado em paz e segurança.
A Europa tem estado cobardemente calada e demasiado cúmplice com o carrasco Netanyahu, com a honrosa excepção de Pedro Sánchez e, agora, de Andy Burnham, o primeiro-ministro britânico desde há menos de dois meses, que condenou explicitamente “a limpeza étnica executada por terroristas israelitas na Cisjordânia”, como hoje anunciou o diário The Guardian.
Então os líderes europeus não vêm isto? Talvez agora aprendam com Andy Burnham que condenou a besta com firmeza e que, desejavelmente, irá mais longe na denúncia dos crimes do regime de Netanyahu.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Ventania ameaça a Alemanha e a Europa

Depois de alguns dias com o computador inoperativo, ou em que a competência foi insuficiente para resolver a situação, parece que o problema estará ultrapassado.
Neste interregno em que a Terra rodou à volta do Sol durante vários dias, os acontecimentos dominantes terão sido os resultados das eleições estaduais no estado alemão da Saxónia-Anhalt, onde a extrema-direita da AfD (Alternativa para a Alemanha), obteve uma vitória esmagadora com cerca de 44% dos votos.
Depois da reunificação alemã em 1990, a República Federal Alemã juntou aos onze estados que formavam a Alemanha Ocidental, os cinco estados que constituíam a República Democrática Alemã, entre os quais a Saxónia-Anhalt, cuja capital é Magdeburgo.
Este resultado surpreendeu a Alemanha e a Europa, acelerando as preocupações sobre o avanço das forças da extrema-direita em países como a a Itália, a França, a Espanha e Portugal, entre outros, mas Donald Trump aplaudiu. No caso da Alemanha e com o apoio das classes trabalhadoras mais desfavorecidas, a AfD derrotou claramente a histórica CDU com um programa que promete uma ofensiva de deportação de estrangeiros, ou daquilo a que chamam “remigração”, mais detenções de estrangeiros e cortes nos apoios à integração. Relativamente às escolas, o AfD quer criar turmas separadas para crianças refugiadas, aumentar o controlo do governo sobre os manuais escolares, retirar financiamento aos programas de integração e proibir bandeiras LGBTQIA nas escolas. O partido de extrema-direita defende, ainda, o regresso à energia nuclear e ao gás russo, bem como o levantamento das sanções contra Moscovo e o fim do envio de armas para a Ucrânia.
E aí está como, 81 anos depois da Segunda Guerra Mundial, um partido político de extrema-direita pode chegar ao poder estadual. O jornal francês Libération destaca este importante assunto e diz que na Alemanha aconteceu “le choc fasciste”.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Espanha mostra-se solidária com Ceuta

O caso de Ceuta já tem mais de um mês e continua a suscitar muitas interrogações sobre o que aconteceu, ou como foi possível que 80.000 pessoas “invadissem a cidade numa noite”. São conhecidas diversas teses sobre este caso e, embora Pedro Sánchez tenha excluído as responsabilidades de Marrocos e acusasse Israel, a Rússia e a extrema-direita, o facto é que Marrocos, bem como alguns dos seus “amigos”, parecem estar envolvidos nesta operação.
É caso para perguntar: quem quer retirar Ceuta à soberania espanhola e quem será que quer desforrar-se da independência de Pedro Sánchez? Sánchez é uma persona non grata para muita gente, porque tem carácter e pensamento próprio, reconheceu o Estado da Palestina e não pactua com os crimes israelitas em Gaza e na Cisjordânia, recusou a utilização das suas bases pelos Estados Unidos para atacar o Irão e rejeitou os ultimatos de Trump e do seu lacaio Mark Rutte quanto aos 5% do PIB em despesa militar.
Porém, o caso tem sido usado politicamente por vários membros da União Europeia para atacar Pedro Sánchez, mostrando uma grave falta de solidariedade que fragiliza ainda mais o projeto europeu, mas também pela oposição espanhola que aproveita esta oportunidade para atacar Sánchez, porque “esteve distraído” e “não foi capaz de resolver este problema".
Na passada 4ª feira realizaram-se grandes manifestações por toda a Espanha de “apoio a Ceuta” como território espanhol mas que, em alguns casos, também foram manifestações “contra Sánchez”, isto é, o apoio a Ceuta serviu de pretexto para a oposição atacar o governo. Essas manifestações “encheram” as capas de toda a imprensa espanhola, assim acontecendo com a edição de ontem do jornal Sur, el periódico de Málaga, em cuja fotografia de capa de vê, bem destacada, a bandeira gironada de oito peças de negro e prata, igual à bandeira de Lisboa, a lembrar que Ceuta foi portuguesa durante 225 anos!

Missão de 286 dias no mar é muito longa

Um dos princípios básicos dos regimes democráticos é a subordinação do poder militar ao poder político civil legitimado pelo voto popular, daí resultando que os militares aconselham tecnicamente a esfera política e actuam operacionalmente no sentido de executar as suas decisões, dentro da lei. Portanto, a autoridade final sobre o emprego das Forças Armadas pertence ao poder político civil constitucionalmente competente, mas os políticos não devem interferir na condução das operações militares.
Nas actuais circunstâncias da guerra entre os Estados Unidos e o Irão, assiste-se quase diariamente a uma intervenção do “comandante supremo das Forças Armadas” dos Estados Unidos que, muitas vezes, parece querer comandar operacionalmente as suas forças. Porém, há indícios de que algumas coisas não correm bem, como mostrou a recente demissão de Dan Driscill, o seu Secretário do Exército, que não suportou mais as fanfarronices de Trump e de Hegseth, bem como a anunciada falta de mísseis e outras armas e, ainda, o verdadeiro desterro a que foi sujeito o porta-aviões USS Abraham Lincoln e os 5.000 homens e mulheres que tem a bordo.
Segundo o jornal The San Diego Union-Tribune esta unidade naval, esteve 286 dias em missão no Médio Oriente e chegou a Laem Chabang, na Tailândia, para “um merecido período de descanso e lazer”, sendo acompanhada pelo destroyer USS Frank E. Oetersen Jr mas, segundo a Reuters, “ambas as embarcações apresentavam manchas de ferrugem e pintura irregular ao longo da linha d'água”.
Também o jornal canadiano The Globe and Mail deu notícia da chegada do USS Lincoln à Tailândia, com uma fotografia que mostra muita ferrugem no costado e com o título “finalmente em terra”, referindo em subtítulo as “crescentes preocupações com a saúde mental da tripulação”.
Uma permanência de 286 dias no mar até compara com as epopeias marítimas de Vasco da Gama, de Fernão de Magalhães, de Francis Drake, de James Cook, ou de Jean-François de La Pérouse. 
Donald Trump e a sua dócil entourage devem-se ter esquecido do USS Abraham Lincoln e das pessoas que tinha a bordo, o que mostra que não basta mandar, pois é preciso saber mandar.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Fernando Pimenta só sabe ganhar

Fernando Pimenta concluiu no passado domingo a participação portuguesa nos Mundiais de canoagem, em Poznan, na Polónia, tendo-se tornado num duplo campeão do mundo pois triunfou na prova de K1 5000m, depois de ter vencido no sábado a prova de K1 1000m. 
Com 37 anos de idade, o atleta Fernando Pimenta elevou para 187 o número de medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos, nos Campeonatos Mundiais, nos Campeonatos Europeus e em outras provas internacionais de canoagem, merecendo especial destaque as suas duas medalhas olímpicas – em Londres 2012 e em Tóquio 2020 – bem como os seus 14 títulos mundiais. “Uma proeza tremenda”, como se referiu o jornal Público às vitórias deste homem que é o maior atleta português de todos os tempos, num país de que também fazem parte outras glórias desportivas como Carlos Lopes e Rosa Mota, ou Eusébio e Cristiano Ronaldo, entre outras.
Exceptuando o Público que o homenageou com destaque de primeira página na sua edição de ontem, nenhum outro jornal generalista destacou os feitos desportivos de Fernando Pimenta e até os jornais desportivos se limitaram a publicar pequenas notas noticiosas de primeira página, pois andavam muito ocupados com a promoção desse grande futebolista que é João Palhinha, cuja fotografia ocupou as páginas dos jornais desportivos durante uma semana, ou mais.
Os feitos desportivos de Fernando Pimenta não mereciam esta miopia jornalística ou esta visão distorcida da imprensa desportiva portuguesa.
Fernando Pimenta é um exemplo de trabalho, de perseverança, de sacrifício e de talento, pois só com esses atributos é possível ter sido campeão do mundo em 14 ocasiões, mas também é um exemplo de sucesso e de grande orgulho para os desportistas portugueses.
Daqui a dois anos, entre 14 e 30 de julho de 2028, vão realizar-se os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Todos contamos com Fernando Pimenta!

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Islândia: vince il no, la Ue non attrae più

A Islândia é um país situado numa ilha do Atlântico Norte nas proximidades do Círculo Polar Ártico, com cerca de 193 mil quilómetros quadrados e aproximadamente 396.500 habitantes, a maior parte dos quais vive na região da sua capital, a cidade de Reykjavik.
É uma ilha vulcânica, com mais de duas centenas de vulcões, dos quais há cerca de três dezenas activos e alguns deles com erupções recentes, mas também tem glaciares e fiordes, lagos, alguns rios e muito gelo. A economia islandesa assenta sobretudo no sector das pescas, especialmente a pesca do bacalhau, mas também na exploração de alguns recursos minerais como o alumínio.
No passado sábado os islandeses foram chamados a participar num referendo em que lhes era pedido para responder à pergunta: “A Islândia deve reabrir as negociações de adesão com a União Europeia?”
Segundo foi ontem divulgado, houve 225.031 votos contabilizados, tendo 52,8% dos eleitores rejeitado a proposta do governo e 47,2% votado a favor. O governo islandês que é chefiado pela primeira-ministra Kristrún Frostadóttir, uma economista de 38 anos de idade que também é líder do partido social-democrata, de centro-esquerda, sofreu uma derrota, mas a União Europeia e os seus principais dirigentes em Bruxelas. também foram derrotados.
Como anuncia hoje a primeira página da edição do jornal romano La Reppublica - um diário fundado em 1976 e que adoptou o seu nome em homenagem ao jornal República que então existia em Portugal – na “Islanda, vince il no, la Ue non attrae più”. De facto, a União Europeia parece cada vez mais um navio sem rumo, desgovernado, sem coesão, sem liderança e a meter água por várias brechas.
Os islandeses mostraram que a União Europeia já não atrai como antes.

R.I.P. Narana Coissoró

No passado sábado, faleceu com 94 anos de idade o cidadão Narana Sinai Coissoró, que foi advogado e professor universitário, mas que teve uma actividade política relevante como deputado na Assembleia da República em oito legislaturas, tendo sido seu vice-presidente durante seis anos e líder parlamentar do seu partido durante treze anos.
Era natural de Goa, mas com 18 anos de idade veio estudar para a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou, tendo mais tarde valorizado a sua carreira académica ao doutorar-se em Ciência Política na Universidade de Londres.
Em junho de 1976 foi eleito, pela primeira vez, deputado à Assembleia da República pelo Centro Democrático Social (CDS), quando esse partido existia e era representado por deputados democratas cristãos, antes da recente deriva intelectual e ética daqueles que usam o nome do partido, mas que vivem pendurados no PSD.
Narana Coissoró era um democrata cristão muito respeitado por todos os partidos parlamentares, coerente, inteligente e de bom humor e, seguramente, não apoiaria aqueles que hoje dirigem o seu antigo partido, “um incapaz de pensar e outro capaz de pensar o pior”, como alguém escreveu nas redes sociais.
Originário de uma família brâmane hindu de Goa, o professor Narana Coissoró visitava regularmente o território onde nascera e foi aí que, depois de ter sido meu professor no ISCSP, tive a oportunidade de o conhecer mais de perto e beneficiar da cordialidade com que ele me distinguia, apesar de saber que eu navegava em águas políticas diferentes das suas. Depois, enquanto presidente da Casa de Goa, a que presidiu e de que sou um interessado membro, nunca deixou de me distinguir com a sua atenção e a sua amizade. 
Aqui lhe presto a minha homenagem com gratidão e afirmo que homens como Narana Coissoró fazem muita falta à nossa democracia!

sábado, 29 de agosto de 2026

A insensatez e o despropósito do Donald

Na sua mais recente e controversa decisão relativa às toponímias ou às geografias de que não gosta, o presidente Donald Trump assinou um decreto que altera o nome do Lago Ontário que, segundo a sua vontade, passa a chamar-se “Lago América”. 
Esta decisão não tem qualquer valor e, tal como aconteceu com a decisão de mudar o nome do Golfo do México para “Golfo América”, não passa de uma bizarra bizantinice do Donald. O Lago Ontário tem cerca de 19 mil quilómetros quadrados de superfície, localiza-se entre o estado de Nova Iorque (americano) e a província do Ontário (canadiana) e nas suas margens situam-se, entre outras, as cidades de Rochester (americana) e de Toronto (canadiana), o que significa que o lago é pertença dos dois estados.
Mark Carney, o primeiro-ministro do Canadá que por várias vezes tem enfrentado Trump sem tibiezas, rejeitou imediatamente esta decisão e afirmou que os canadianos “agora e para sempre” chamarão Lago Ontário a este lago.
Essa também foi a ideia escolhida na sua edição de ontem pelo jornal Toronto Star, ao escolher com grande destaque a manchete Lake Ontario Forever, completada com um subtítulo em que o jornal escreveu: “A manobra de Trump para mudar o nome do lago é um disparate, mas ele está a falar muito a sério quanto ao seu desprezo pelo Canadá”.
Esta é mais uma iniciativa de Donald Trump, a juntar à guerra do Irão e à crise económica, que faz com que a sua popularidade esteja em queda nos Estados Unidos e ao nível mais baixo de sempre, com apenas 33% de apoiantes e 65% de desaprovações.
De facto, o movimento Make America Great Again, tão ligado à personalidade e ao narcisismo do Donald, parece que falhou para sossego da América e do mundo.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Marrocos e a cobiça sobre Ceuta e Melilla

Nos dias 30 e 31 de julho de 2026, cerca de 80.000 migrantes entraram em Ceuta a partir de Marrocos, a nado ou contornando as barreiras fronteiriças. Este número é equivalente à totalidade da população desta cidade autónoma espanhola, tendo o seu presidente Juan Jesús Vivas definido esta violação da fronteira como uma “invasão” e exigido o regresso imediato dos migrantes que eram, sobretudo, jovens marroquinos. O acontecimento tem contornos muito complexos, mas serviu para alimentar o discurso da oposição espanhola, o debate europeu sobre o combate ao tráfico de pessoas, a discussão sobre a proteção das fronteiras e, também, para algumas precipitadas críticas de alguns países europeus que não foram solidários com a Espanha nesta delicada questão.
Hoje o jornal El Pueblo de Ceuta traduz o sentimento da população da cidade ao destacar a frase “Ceuta dice hasta aquí”, que significa “Ceuta diz já chega”. No conjunto de imagens que ilustram a capa da edição pode observar-se um cartaz que diz "no quiero invasores, quiero mi libertad”, a mostrar que a "invasão" perturbou o quotidiano dos ceutences ou, como eles dizem, dos ceuties.
Na altura da referida “invasão” escrevemos que a ocorrência “não tem ar de ser espontânea e terá sido ‘organizada’ pelo governo marroquino”, mas alguns factos mais recentes evidenciam o inequívoco envolvimento do governo de Marrocos.
Há dois dias, o ministro dos Assuntos Islâmicos de Marrocos reivindicou a soberania marroquina sobre Ceuta e Melilla durante uma cerimónia religiosa realizada no Palácio Real de Rabat, perante o rei Mohamed VI e o príncipe herdeiro, tendo utilizado expressões como “territórios ocupados” e “libertação da ocupação ibérica”. Não foi a primeira vez, nem foi o único dignitário marroquino a fazer este tipo de declarações, a mostrar que Marrocos sobe de tom nas suas reivindicações sobre Ceuta e Melilla.
Afinal, mais do que um problema humanitário e de direitos humanos, a questão de Ceuta é um problema político.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ucrânia celebra 35 anos de independência

A Ucrânia celebra hoje o 35º aniversário da sua independência – o que aqui se saúda. 
A independência foi declarada pelo parlamento ucraniano no dia 24 de agosto de 1991 e aconteceu na sequência da perestroika, um plano de reforma estrutural da União Soviética conduzido por Mikhail Gorbachev que, quatro meses depois, renunciou ao seu cargo de presidente. Em 1990 Gorbachev tinha sido distinguido com o Prémio Nobel da Paz e, depois da "guerra fria", esperava-se que houvesse desanuviamento, cooperação e paz.
O que se passou depois, tanto na antiga União Soviética, como nas suas duas principais ex-repúblicas da Rússia e da Ucrânia, é complexo e não se enquadra na análise do evento que hoje se celebra em Kiev que, como a história nos ensina, é uma cidade que é o berço cultural comum para ucranianos, bielorrussos e russos.
Entretanto, durante alguns anos, a Rússia e a NATO aproximaram-se, estabeleceram estruturas de cooperação e chegou a ser equacionada a integração russa na NATO. Porém, os violentos acontecimentos de 2014 na Praça Maidan, em Kiev, embora tenham contornos ainda desconhecidos, marcaram o futuro político da Ucrânia e a crescente polarização entre as forças sociais e políticas ucranianas, tanto pró-Europa como pró-Rússia.
Hoje, sabemos que há uma guerra desde 2022, ou mesmo desde 2014, que é quase uma guerra civil; que essa guerra tem levado a morte e a destruição a muitas cidades ucranianas; que há muita gente na Rússia que se opõe a Putin e à guerra; que há muita gente na Ucrânia que se opõe a Zelensky e à guerra; que circula muita notícia falsa e muita desinformação; que há narrativas de suporte a todas as conveniências; que quase metade dos europeus (39%), segundo a última edição do Eurostat, discorda do apoio à Ucrânia para aquisição de equipamento militar; que estão a ser gastos biliões de euros em armamento que são pagos pelos contribuintes e pelos consumidores europeus e que estão a engordar os lucros das indústrias de guerra.
Como aqui sempre foi salientado, nunca haverá vencedores nesta guerra e todas as partes perderão, sobretudo o povo ucraniano, que merece toda a solidariedade.
Hoje, o jornal polaco Gazeta Wyborcza, que se publica em Varsóvia, assinala o 35º aniversário da independência da Ucrânia com a manchete Wolności i pokoju que, traduzido, significa Liberdade e paz.
Hoje, também os líderes europeus visitaram Kiev, mas pouco falaram de paz e continuaram a alimentar a guerra ao prometerem mais dinheiro e mais armamento.
António Costa afirmou mesmo que, no conflito entre Moscovo e Kiev, ou entre Putin e Zelensky, a Europa não é neutra. Porém, deveria ser neutra, mediadora, pacificadora e, naturalmente, um árbitro capaz e conciliador. 

domingo, 23 de agosto de 2026

As eleições presidenciais no Brasil (II)

As eleições brasileiras estão à porta e serão cerca de 158 milhões de eleitores que irão às urnas para escolher o presidente da República, os governadores estaduais, os senadores e os deputados, federais, estaduais e distritais.
A campanha eleitoral já começou há uma semana mas, para quem observa o processo desde a margem oriental do Atlântico, o interesse das eleições gerais brasileiras está centrado na escolha presidencial e daí que se dê muita atenção às sondagens, a primeira das quais foi divulgada pela Datafolha, a mais credível agência de pesquisa brasileira. Os resultados dessa sondagem foram ontem revelados pela imprensa, designadamente pelo jornal O Globo, que se publica no Rio de Janeiro e que mostra uma disputa intensa na chamada corrida ao Planalto, em que se destacam o actual presidente Lula da Silva, com 39% das intenções de voto, e o candidato Flávio Bolsonaro, que recolhe 33% das intenções de voto. Numa simulação para a 2ª volta, a realizar, se necessário, no dia 25 de outubro, as intenções de voto aparecem repartidas entre Lula da Silva (47%) e Bolsonaro (43%).
A vantagem de Lula da Silva é estatisticamente reduzida e a sondagem mostra que, consideradas as margens de erro, estamos perante um empate técnico.
Faltam 42 dias para o veridicto dos eleitores brasileiros, que vão ser sujeitos a verdadeiras “lavagens ao cérebro”, com propaganda, desinformação, campanhas difamatórias e interferências externas, além de mentiras, de calúnias e de ameaças.
O panorama internacional também se apresenta incerto e confuso, o que pode afetar a serenidade de que os brasileiros precisam para fazer as suas escolhas eleitorais.
Como aqui já foi escrito antes, os brasileiros que se cuidem…