terça-feira, 2 de junho de 2026

A China vai fabricar automóveis na Galiza

A partir de 2028 a conhecida marca MG vai voltar a produzir automóveis na Europa e escolheu a Galiza para localizar a sua fábrica, segundo informou a edição de hoje do centenário jornal La Voz de Galicia, que se publica na cidade de La Coruña. Trata-se de um investimento de 200 milhões de euros, que criará 2.300 postos de trabalho e terá uma produção de 120.000 automóveis por ano.
A MG foi fundada em 1924 no Reino Unido, mas em 2005 foi adquirida por uma sociedade chinesa e passou a ter a sua sede na China, mas em 2007 foi comprada pelo grupo SAIC Motor (Shanghai Automobile Industry Corporation), o gigante chinês da indústria automóvel. Em 2016 deixou de produzir automóveis no Reino Unido, apesar de ter mantido a matriz britânica nos seus automóveis e de estar muito presente no mercado europeu, embora passasse a utilizar a engenharia de ponta chinesa.
A decisão da localização deste importante investimento chinês na Galiza, certamente ponderou todas as variáveis que determinam este tipo de escolhas, que vão desde o preço do terreno e das acessibilidades, até à existência de um bom porto (Ferrol), passando pela qualidade da mão-de-obra disponível, fiscalidade e ambiente político, entre muitos outros, incluindo a persuasão/pressão das autoridades locais e as contrapartidas que estas oferecem ao investidor. 
Portugal parece que ficou a ver navios. Porém, sempre ouvimos dizer que Macau era uma porta giratória para o investimento chinês em Portugal e até temos a AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, responsável pelo acolhimento de projectos de investimento estrangeiro, para o que dispõe de cerca de 500 funcionários e um orçamento de 547 milhões de euros em 2025.
Palavras para quê?

domingo, 31 de maio de 2026

Leão XIV e a Magnifica Humanitas

O L'Osservatore Romano que é propriedade da Santa Sé mas que não é o seu jornal oficial, anunciou na sua edição de 26 de maio que o Papa Leáo XIV apresentara a sua primeira Carta Encíclica, a que deu o título Magnifica Humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial”.
O texto oficial da encíclica foi divulgado pela Santa Sé, ocupa 48 páginas, distribui-se por 245 pontos e merece uma leitura atenta e reflexiva, sobretudo por quem se preocupe com o que se vai passando no mundo.
Logo no início o Papa Leão XIV diz que há 135 anos o Papa Leão XIII publicou a Encíclica Rerum Novarum que constituiu uma “reflexão sobre a sociedade, a economia e política a que hoje chamamos Doutrina social da Igreja”. Depois, acrescenta que hoje a Doutrina Social da Igreja é um património de sabedoria que nos ajuda “a ler os desafios do presente com lucidez, identificando caminhos adequados para viver, com alegria”. Tal como acontecia em finais do século XIX, também agora a tecnologia disponibiliza um poder sem precedentes, sobre a natureza, sobre a informação e até mesmo sobre a vida humana, numa lógica que se manifesta também na persistência da guerra como instrumento de afirmação política e de humilhação dos mais fracos. Nunca a Humanidade dispôs de tantos meios para controlar, vigiar, influenciar, dominar ou destruir.
O Papa Leão XIII enfrentou os desafios sociais e humanos da Revolução Industrial através da Encíclica Rerum Novarum. Agora, o Papa Leão XIV parece ter visto um paralelismo histórico entre o passado e o presente, pois à Revolução Industrial do século XIX está a suceder a Revolução Digital do século XXI e o Papa parte dessa realidade para “interpretar as grandes tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica, a digitalização, a inteligência artificial (IA) e a robótica que estão a transformar o mundo” e a criar uma nova cultura do poder.
O Papa Leão XIV defende a civilização do amor, não como utopia sentimental mas como alternativa antropológica, política e cultural à cultura do poder.

sábado, 30 de maio de 2026

A soberania de Cuba está sob ameaça

A República de Cuba é uma antiga colónia espanhola que depois da guerra hispano-americana de 1898 se tornou um protetorado americano e que em 1902 se tornou independente. Desde então, Cuba é um estado soberano com autoridade completa sobre um território, com uma população permanente, tem um governo com jurisdição em todo o território, tem a capacidade de se relacionar com outros estados e, no dia 24 de outubro de 1945, foi um dos cinquenta membros fundadores das Nações Unidas.
O país era governado pelo ditador Fulgencio Batista e contra ele se revoltaram Fidel Castro e os seus guerrilheiros, em que se destacavam Che Guevara, Raul Castro, Camilo Cienfuegos e Juan Almeida. No dia 1 de janeiro de 1959 o ditador fugiu de Cuba e Fidel Castro e os homens tomaram o poder, que nunca mais largaram e já passaram 67 anos.
Os princípios da revolução cubana eram o idealismo revolucionário, o nacionalismo, a luta contra uma ditadura, o anti-imperialismo, a procura da justiça social e a solidariedade internacional, pelo que despertou muitas simpatias pelo mundo. 
Os americanos também começaram por apoiar Fidel, mas depressa viram os seus interesses económicos na ilha serem afrontados e passaram a hostilizar Cuba. Então, o regime virou-se para a URSS, a sua revolução radicalizou-se e o país tornou-se “exportador da revolução” para a América Latina e para a África. Com a queda da URSS o futuro de Cuba ficou ameaçado porque os Estados Unidos condenaram Cuba ao isolamento. Com Donald Trump a situação agravou-se porque “ele não gosta de Cuba” e tratou de ameaçar o país militarmente, naquilo que poderá ser mais uma intervenção ilegal a que Trump já nos habituou.
Com esse quadro é surpreendente a última edição da revista Newweek que, um pouco contra a sua linha editorial centrista e não alinhada e contra a sua credibilidade editorial, ou porque cedeu ao trumpismo, parece apoiar as intenções de Donald Trump e faz o “funeral” do regime cubano, num evidente desrespeito pela sua soberania e pelo direito internacional.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Joana Vasconcelos: exposição em Málaga

A cidade espanhola de Málaga é a capital da província do mesmo nome, sendo uma das oito províncias da comunidade autónoma da Andaluzia, que é a maior das 17 comunidades autónomas espanholas e é do tamanho de Portugal. A cidade situa-se na orla do mar Mediterrâneo, é a capital da Costa del Sol e tem 600 mil habitantes, a que se juntam milhões de turistas. 
Nesta cidade nasceu Pablo Picasso, um dos mais influentes artistas mundiais do século XX, sobretudo na pintura, na escultura e na cerâmica e, em sua homenagem, a cidade criou o Museo Picasso Málaga. Este museu foi inaugurado em 2003 e recebeu 285 obras doadas por membros da família de Picasso, o que o torna uma referência no panorama museológico espanhol.
Neste museu é hoje inaugurada uma exposição de Joana Vasconcelos intitulada Transfiguración, em que estarão expostas 13 obras produzidas entre a década de 1990 e a actualidade, que poderão ser vistas até 27 de setembro em salas de dois andares do museu. Segundo a informação já divulgada pelo museu, a exposição integra obras cedidas por instituições como a Fundação Louis Vuitton, o Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão (MUSAC), o Museu Extremenho e Iberoamericano de Arte Contemporânea (MEIAC), a Fundação EDP, a Coleção Luis Adelantado e o próprio estúdio de Joana Vasconcelos. 
É uma grande exposição e em declarações que fez, a artista disse que “este diálogo no espaço com Picasso” é um marco importante na sua carreira. A edição de hoje do diário malaguenho La Opinión destaca na sua primeira página el art de Joana Vasconcelos com uma fotografia em que a artista aparece junto do sapato de salto alto que criou em 2009 com panelas Silampos e respectivas tampas, a que deu o título Marilyn
Afinal não são apenas os nossos artistas-futebolistas que são apreciados no estrangeiro…

quinta-feira, 28 de maio de 2026

R.I.P. Jorge Barros

O Jorge Barros deixou-nos ontem aos 81 anos de idade, depois de uma longa e corajosa luta contra o infortúnio. Conterrâneo e colega de escola e de turma, mantive com o António Jorge Pinto da Costa Barros – tínhamos o hábito de muitas vezes nos tratarmos pelos nossos extensos nomes – uma amizade que perdurou durante mais de setenta anos e, entre outras causas comuns como a ligação à terra alcobacense e o culto pela liberdade e pela justiça social, tinhamos a atracção pelos Açores, pela sua paisagem natural e pela sua riqueza cultural. 
Às ilhas dos Açores dedicou boa parte da sua obra, percorrendo as ilhas demoradamente e muitas vezes, observando a beleza natural, conversando com as pessoas, fotografando festas e fajãs, picos e enseadas, faróis e embarcações, baleeiros, romeiros e espantalhos. Nada escapou à sua atenta objectiva.
O jornal Público chamou-lhe “o fotógrafo de Portugal e do Atlântico”, porque durante muitos anos fotografou tudo com atenção e talento – as nossas raízes e as nossas gentes, as nossas paisagens e os nossos monumentos, além das mais peculiares práticas culturais e religiosas do nosso Portugal – com arte, com sensibilidade e com inteligência, como mostram as três dezenas de livros que publicou e a sua participação em mais de três centenas de exposições. Muitas das suas obras estão associadas a autores como Orlando Ribeiro, Fernando Pessoa e Raul Brandão, mas também a outros nomes consagrados da escrita, como Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, João de Melo, José Cardoso Pires, Lídia Jorge, Manuel Alegre, Mário Cláudio e Sofia de Melo Breyner.
Homem discreto, quase a roçar a humildade, escondia uma enorme sabedoria que resultava de muita leitura e de muita observação, mas era também um conversador inteligente, um contador de estórias, um inspirado poeta e um amigo atento.
Caro Jorge: não nos voltaremos a encontrar nem por aqui, nem nas Lajes do Pico de que tanto gostavas. 
R. I. P.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

No centenário da ditadura do Estado Novo

Há um século, quando em Portugal se viviam tempos de insatisfação social, de debilidade económica, de grande instabilidade política, se sucediam golpes de estado e se destituíam governos, eclodiu um movimento militar no dia 28 de maio de 1926 que logrou o apoio da generalidade dos militares e de largos sectores sociais. O movimento prometia “um governo forte que tenha permissão de salvar a pátria, que concentre em si todos os poderes para na hora própria o restituir a uma verdadeira representação nacional”. Anunciava-se uma ditadura para acabar com a corrupção, a demagogia e a ditadura dos “democráticos”, para regressar depois ao parlamentarismo republicano.
A cabeça visível deste movimento iniciado em Braga foi o general Gomes da Costa, que marchou sobre Lisboa, onde o presidente Bernardino Machado reagiu à insurreição nomeando o almirante Mendes Cabeçadas para chefiar o governo. A solução não foi aceite pelos revoltosos, vindo a ser constituído um triunvirato com Gomes da Costa, Mendes Cabeçadas e o general Óscar Carmona, mas depressa os dois primeiros foram afastados. Para resolver o grave problema das Finanças Públicas foi chamado de Coimbra um tal professor Salazar, que “não aguentou” e regressou a Coimbra. Voltou a Lisboa em 1928, impôs uma ditadura financeira e um regime corporativo de partido único, apoiado numa forte repressão policial e na ausência das mais elementares liberdades cívicas. Não mais largou o poder até à morte e foi idolatrado por muita gente, mas também condenou muitos portugueses ao obscurantismo, ao analfabetismo, à pobreza, à servidão e ao subdesenvolvimento.
Porém História é História e o jornal Público, na sua edição de 24 de maio, evocou a histórica data de 28 de maio de 1926, em que nasceu o regime do Estado Novo e o salazarismo, ao publicar uma extensa reportagem sobre os “cem anos da marcha que abriu caminho à ditadura de Salazar”, ou sobre “o golpe que abriu a porta à longa noite do salazarismo”.
Tal como disse Winston Churchill em 1947, “a democracia é o pior dos regimes, à excepção de todos os outros”. Assim, a evocação histórica do centenário do 28 de maio de 1926 não pode ser uma operação de branqueamento de uma ditadura, mas antes uma boa oportunidade para saudar a democracia e liberdade do 25 de Abril de 1974, “o dia inicial, inteiro e limpo / onde emergimos da noite e do silêncio”.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

A maturidade democrática de Cabo Verde

A República de Cabo Verde, ou simplesmente Cabo Verde, é um país constituído por dez ilhas, divididas entre o grupo de Barlavento e o grupo de Sotavento e com a sua capital na cidade da Praia, na ilha de Santiago. 
Cabo Verde tem um pouco mais de 500 mil habitantes, mas haverá mais caboverdianos em Portugal, em França e nos Estados Unidos, do que no próprio país. Independente desde 1975, é uma democracia estável em que existe paz social e uma verdadeira alternância do poder.
No passado dia 17 de maio realizaram-se eleições legislativas para escolher os seus 72 deputados. Havia 414.088 eleitores inscritos e entraram nas urnas 192.746 votos, isto é, o país também sofre da "abstencionite", embora o fenómeno da emigração caboverdiana justifique uma boa parte dessa elevada abstenção.
Apresentaram-se ao sufrágio cinco partidos, com destaque para o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) de Francisco Carvalho que conseguiu eleger 36 deputados e para o Movimento para a Democracia (MpD) de Ulisses Correia e Silva, que conseguiu 32 deputados. Estes partidos inverteram posições: o PAICV ganhou 6 lugares e ficou com a maioria absoluta, enquanto o MpD perdeu 6 deputados e vai perder o atual 1º ministro Ulisses Correia e Silva, que vai ceder o cargo a Francisco Carvalho. Tudo com exemplar normalidade democrática e, assim, Cabo Verde avança.
Também concorreram às eleições a União Caboverdiana Independente e Democrática (UCID) que elegeu 2 deputados, o Partido de Trabalho e Solidariedade (PTS) e o Partido Social Democrata (PSD) que não elegeram quaisquer deputados.
O que aqui se regista com agrado é a exemplar maturidade democrática de Cabo Verde, que a edição do semanário Expresso das Ilhas acentua e, porque aí vem o Mundial de Futebol, aqui se deseja que a equipa de Cabo Verde tenha muito sucesso para alegria de caboverdianos e de portugueses.

Os líderes fracos e o declínio da Europa

Como tem sido evidente desde há alguns anos e como neste espaço tem sido salientado algumas vezes, a Europa está em acentuado declínio e tem desperdiçado o seu histórico capital de credibilidade perante o mundo, sobretudo porque tem sido dirigida por gente incompetente, vaidosa e medíocre. Gente que, simplesmente não presta. 
A edição de fim-de-semana do jornal The Guardian inclui uma excelente reportagem sobre a impopularidade dos líderes europeus, salientando the sinking feeling, ou o sentido de afundamento. A capa desta edição é esclarecedora, com uma embarcação a afundar-se com Keir Starmer, Emmanuel Macron e Friedrich Merz, enquanto Pedro Sánchez e Giorgia Meloni usam bóias que ainda os poderão salvar. Segundo a ilustração, apenas a dinamarquesa Mette Frederiksen consegue salvar-se numa pequeno bote a remos, porque enfrentou com coragem o fanfarrão americano.
O jornal revela os índices de popularidade, ou de apoio-rejeição, dos líderes europeus: Starmer (27-63), Merz (19-76) e Macron (18-75), isto é, são ainda mais impopulares que Donald Trump (38-57). Quando os líderes alemão e francês, que também são os líderes da União Europeia, têm apenas o apoio de 19% e de 18% dos seus cidadãos, é caso para nos preocuparmos, tal como nos sentimos enganados quando vemos as tristes figuras que fazem os submissos Mark Rutte e Ursula van der Leyen.
Evidentemente que os europeus não aceitam a timidez, ou até a cobardia, destes líderes perante Donald Trump, nem a sua passividade, ou mesmo cumplicidade, face ao comportamento criminoso de Netanyahu. Nem reconhecem que a solução do problema ucraniano esteja na entrega de rios de dinheiro a Zelensky e na aplicação de sanções a Putin. 
Significa, portanto, que os líderes europeus têm estado do lado errado, do lado de quem não privilegia a paz, do lado do extremismo e a favor dos interesses das indústrias do armamento e que são cúmplices com a desinformação que tem enganado os europeus.

domingo, 24 de maio de 2026

Mark Rutte, o lacaio favorito do Donald

Nas teorias da comunicação surgidas no século XX para conhecer os efeitos sociais dos novos meios de comunicação - rádio e da televisão – é sempre destacada a célebre emissão radiofónica da CBS conduzida em 1938 por Orson Welles, baseada em “A Guerra dos Mundos”. 
Esse programa “transmitiu em directo” uma invasão devastadora de marcianos que atacaram Nova Iorque e outras cidades americanas. O pânico foi generalizado, os nova-iorquinos ficaram aterrorizados e essa histórica emissão passou a ser um paradigma dos efeitos sociais dos mass media. Quase cem anos depois, um palerma chamado Mark Rutte, que é o secretário-geral da NATO, veio usar a mesma ideia para criar o pânico e para nos dizer que o perigo são os russos e não são os marcianos.
Conforme noticia o jornal The Independent, o palerma disse que “a Rússia poderar atacar a NATO dentro de cinco anos” e voltou a adirmar que “as despesas militares devem aumentar rapidamente para que as nossas forças armadas disponham dos meios de que necessitam para nos manter seguros”. Há poucos meses, em directo pela televisão, o palerma sabujou-se de uma forma ridícula e indigna ao presidente do Estados Unidos, ao atribuir-lhe “todo o mérito” por levar os membros da NATO a aumentar as despesas militares para 5% do PIB e dizer-lhe que a Europa iria comprar e pagar material americano.
Donald Trump é um homem de negócios e, segundo afirmam os jornais, já acrescentou a sua fortuna em milhares de milhões desde que chegou à presidência dos Estados Unidos. Tudo lhe serve para ganhar dinheiro – bonés e perfumes, jantares e hotéis e, naturalmente, mísseis, drones e aviões.
O palerma do Mark Rutte é o seu lacaio favorito e o seu agente de negócios junto dos países da NATO. Por isso, para ser eficaz no marketing dos interesses do seu patrão, recorre à imaginação de Orson Welles e ameaça com o perigo russo, tal como acontecia nos anos mais tensos da Guerra Fria.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Macau cuida da bela Ponte da Amizade

Toda a imprensa macaense de hoje destaca que a Ponte da Amizade, que liga a península de Macau à ilha da Taipa, vai ser objecto de “obras em larga escala” que demorarão cerca de dois meses e meio. Segundo foi anunciado, será feita a repavimentação asfáltica das faixas de rodagem e a substituição das juntas de dilatação, para além de outros trabalhos de manutenção.
Actualmente a península de Macau tem cinco pontes que a ligam às ilhas da Taipa e de Coloane e à zona de Hengqin, tendo as duas mais antigas sido construídas pela administração portuguesa do terrritório. A primeira dessas pontes, ligando a península à ilha da Taipa, é a Ponte Governador Nobre de Carvalho – a ponte velha – que foi projectada pelo engenheiro Edgar Cardoso e foi inaugurada em 1974. A segunda ponte mais antiga a ligar aqueles dois espaços territoriais é a Ponte da Amizade – a ponte nova – que foi projectada pelo engenheiro José Câncio Martins, com uma peculiar e artística forma ondulada e quatro faixas de rodagem, que começou a ser construída em 1990 e foi inaugurada em 1994.
Em 2005 o Centro Histórico de Macau entrou na Lista do Património Mundial da Unesco, em reconhecimento pela sua arquitectura e pela sua história, enquanto pioneiro entreposto comercial europeu com a China. Nessa longa história de cerca de 450 anos de permanência portuguesa em Macau, as duas pontes construídas pelos portugueses constituem dois importantes legados arquitectónicos, como destaca a edição de hoje do jtm – Tribuna de Macau.
Este texto é, também, uma homenagem aos meus amigos cujas vidas passaram por Macau e, de forma especial, ao meu amigo FDC.

domingo, 17 de maio de 2026

Reino Unido parece arrependido do Brexit

O jornal The Independent, mas também outros jornais londrinos, anunciam hoje que os rivais do primeiro-ministro Keir Starmer e, em especial, o deputado Wesley Paul William Streeting que se vem apresentando como candidato a ocupar o gabinete do nº 6 de Downing Street, declararam que o Brexit foi um erro e que o Reino Unido deve voltar a olhar para a União Europeia como um destino e não apenas como uma vizinhança. Significa que, antes de serem anunciadas eleições antecipadas no Partido Trabalhista, já Wes Streeting veio dizer que quer ser primeiro-ministro e levar o Reino Unido de volta à União Europeia.
Isto acontece num tempo em que a situação britânica é muito complexa, sobretudo depois do país ter escolhido o Brexit em 2016 e ter abandonado a União Europeia em 2020. Desde então, ao primeiro-ministro David Cameron sucederam Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e Keir Starmer. Quando há muitos primeiros-ministros significa que há muitas mais clientelas a servir. Depois, à crise política junta-se a crise económica, mais a inflação, mais a imigração e, ainda, os graves problemas do National Health Service (NHS). O Reino Unido já não é o que era e ameaça afundar-se. Alguém escreveu que “os adversários de Starmer estão apenas a rearrumar as suas cadeiras no convés do Titanic” e, na sua mais recente edição, a prestigiada revista The Economist escolheu como manchete a pergunta: Is Britain ungovernable?
Infelizmente, muitos dos problemas britânicos também são comuns à generalidade dos países europeus, parecendo confirmar o declínio que muita gente anuncia no nosso velho continente. Porém, o Reino Unido faz falta à União Europeia e à ideia de Europa e, juntos, talvez possam remar melhor contra a maré.

R.I.P. João Abel Manta

Com 98 anos de idade faleceu João Abel Manta, um nome maior do panorama cultural português, com atividades artísticas tão diversificadas como a arquitetura e a pintura, o desenho e a cerâmica, a ilustração e o azulejo, além do cartoon, que foi a área que o tornou mais conhecido do público.
Ao longo da sua vida foi um cidadão que lutou pela Liberdade e pela Democracia, antes e depois do 25 de Abril de 1974, tendo participado no MUD Juvenil e sido preso pela PIDE em 1948, mas também nas campanhas contra a Ditadura do Estado Novo.
Começou a sua atividade profissional na arquitetura, mas depressa passou para as artes plásticas, em que entre outros trabalhos se destacou o seu painel de azulejos da Avenida Calouste Gulbenkian, em Lisboa, concebido em 1970 e aplicado em 1982. Depois, ainda antes e depois do 25 de Abril, publicou regularmente durante alguns anos os seus cartoons em jornais de grande tiragem como o Diário de Lisboa, o Diário de Notícias, O Jornal e o Jornal de Letras, sempre com uma abordagem crítica, inteligente e irónica sobre a situação política e social portuguesa e sobre o regime de Salazar. Do cartoon passou para a pintura onde também realizou uma obra notável, vindo a receber diversos prémios nacionais e internacionais de reconhecimento pela sua obra. 
Foi, inquestionavelmente, um homem do 25 de Abril, o “ilustrador da liberdade” ou o “artista da revolução”, com uma importância simbólica nas Artes Plásticas semelhante à que tiveram Zeca Afonso na Música, Manuel Alegre na Poesia, ou Salgueiro Maia na coragem com que ocupou o Largo do Carmo.
Aqui lhe prestamos a nossa homenagem, com a reprodução de Um problema difícil, o cartoon em que retratou a admiração do mundo sobre o que se passava em Portugal em 1975.

Um problema difícil

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Donald Trump não convence Xi Jinping

Os presidentes dos Estados Unidos e da China decidiram encontrar-se pessoalmente e Donald Trump viajou para Pequim, onde foi recebido por Xi Jinping. O encontro dos líderes das duas maiores potências mundiais, numa altura em que há duas guerras a perturbar a paz e uma crise económica a ameaçar o mundo, é um sinal muito positivo para atenuar tensões, para aproximar posições e dar alguma estabilidade à ordem mundial. Mesmo que não se venham a conhecer as exatas conclusões do encontro de Trump e Xi, certamente que dele sairão melhores perspectivas para a paz mundial.
Diz a generalidade dos especialistas que Donald Trump está em Pequim numa posição de fraqueza, com demasiadas derrotas no seu ativo, embora continue a apregoar a sua superioridade sobre tudo e sobre todos. Porém, não é necessário saber muito de política internacional para ver que a China está a ganhar posições e prestígio no mundo, enquanto os Estados Unidos estão em declínio económico e em rumo muito incerto, mesmo quando usam o seu singular poderio militar. Os chineses fazem pontes, aeroportos, estradas, hospitais e desenvolvem muitos outros negócios em África e na América do Sul, enquanto os americanos optam por gastar milhares de milhões de dólares em guerras no Médio Oriente. 
Conhecedora do narcisismo e da vaidade de Trump, a China estendeu-lhe a passadeira vermelha como anuncia o jornal Californian Post na sua edição de hoje, mas isso é apenas a sabedoria chinesa a funcionar. Donald Trump não consegue convencer Xi Jinping, que não hesitou em afirmar que vai continuar a apoiar o Irão e de, sem papas na língua, alertar Trump sobre um possível confronto por causa de Taiwan.
É de prever que Donald Trump regresse a Washington de orelhas caídas e sem a sua habitual exuberância...

A tristeza de George Washington

A revista semanal The New Yorker tem 101 anos de idade e tem sido uma publicação de referência nos Estados Unidos pela sua diversidade temática, pois inclui jornalismo, comentário, crítica, ensaio, ficção, poesia e sátira, mas também pelo seu posicionamento político, tendo apoiado os candidatos presidenciais do Partido Democrata, incluindo John Kerry, Barack Obama, Hillary Clinton, Joe Biden e Kamala Harris. Segundo os estudos de opinião conhecidos, é a revista da classe média e média alta, do centro-esquerda e dos liberais americanos, daí resultando que assuma posições muito críticas em relação à administração de Donald Trump.
Na sua mais recente edição a revista escolheu George Washington para ilustrar a sua capa e, se “uma imagem vale mais que mil palavras”, a capa do The New Yorker é bem elucidativa e o editor não precisou de quaisquer palavras para a completar. A imagem fala por si mesma.
George Washington é “um dos pais fundadores dos Estados Unidos”, pois comandou as tropas americanas na guerra da independência contra a Grã-Bretanha, presidiu à convenção que elaborou a Constituição e foi o primeiro presidente dos Estados Unidos. Agora, ao olhar para o que vai fazendo Donald Trump e os seus seguidores, George Washington evidencia a sua mágoa e a sua tristeza expressas no seu olhar melancólico, refugia-se em copos e cigarros como se vê na ilustração e pensa nas voltas que o mundo dá, designadamente nos Estados Unidos, onde os eleitores escolheram um homem que tem sido caracterizado com adjectivos como controverso, arrogante, populista, narcisista, impulsivo, autoritário, provocador, incompetente, imprevisível e fanfarrão.
Com uma taxa de desaprovação de 62%, a impopularidade do presidente Donald Trump atinge actualmente o valor mais alto de sempre, porque tem semeado ventos por todo o lado e muitos americanos temem que possam vir a colher tempestades.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

A polémica instalação artística em Paris

Terão sido iniciados hoje em Paris os trabalhos de montagem de La Caverne du Pont Neuf, uma instalação temporária de arte urbana concebida pelo artista JR e que vai “transformar” a Pont Neuf, a mais antiga ponte que atravessa o rio Sena na cidade de Paris e que foi construída em finais do século XVI.
A arte urbana ou street art popularizou-se nos últimos anos nos espaços públicos em todo o mundo, desde os mais simples graffiti até às mais complexas instalações (krafts), que combinam arquitectura, escultura, multimedia e até pessoas, de forma a envolver emocionalmente o visitante.
La Caverne du Pont Neuf terá 120 metros de comprimento e presta homenagem aos artistas Christo e Jeanne-Claude, que em 1985 “embrulharam” aquela ponte e, mais tarde, revestiram o Arco do Triunfo. Agora o artista JR vai transformá-la numa gigantesca caverna que estará aberta ao público gratuitamente, de dia e de noite, de 6 a 28 de junho, mas onde não haverá circulação de automóveis e apenas poderão transitar peões e ciclistas.
A estrutura terá a aparência de uma massa rochosa, cuja estrutura será apoiada em módulos têxteis insufláveis, pesará cinco toneladas e não exigirá fundações invasivas. O ar será o principal material utilizado para minimizar o peso, o transporte e o impacto no local. Os 18.900 metros quadrados de tecido foram impressos com tintas à base de água e, em seguida, trabalhados artesanalmente por 25 artesãos numa empresa da Bretanha.
O diário Le Parisien dedica a primeira página da sua edição de hoje a esta iniciativa artística que é muito polémica e daí que a sua edição online tivesse sido “invadida” por comentários, de que transcrevemos apenas dois:

- Quanto custa tudo isso? Esta ponte é linda por si só. Por que estragá-la, mesmo que temporariamente? Esse dinheiro poderia ser usado de forma mais inteligente. Para salvar igrejas, castelos, monumentos em perigo... Chambord, por exemplo!

- Excelente iniciativa, original, extremamente criativa e ambiciosa, tudo em homenagem ao trabalho de Christo e Jeanne-Claude. Mal posso esperar para estar lá.

É caso para dizer que “o mundo fala de tudo tenha ou não tenha razão”, como nos ensina a fábula de ”O Velho, o Rapaz e o Burro”.

sábado, 9 de maio de 2026

O separatismo também ameaça o Canadá

Alberta é uma das dez províncias do Canadá, tem 661.848 km² de extensão (sete vezes maior que Portugal) e, com quase cinco milhões de habitantes, é a quarta província mais populosa do país depois de Ontário, Quebec e Colúmbia Britânica. É a região mais rica do Canadá, com abundantes recursos naturais, designadamente carvão, petróleo e gás, mas há quem queira torná-la independente, conforme revela a edição de hoje do jornal National Post, que se publica em Toronto.
Embora as reivindicações independentistas sejam correntes na Europa, por exemplo na Catalunha, na Escócia, na Flandres, na Córsega ou no País Basco, são uma verdadeira surpresa no Canadá, mas o facto é que o jornal alerta os seus leitores com a manchete “why Canadians need to take Alberta’s Separatist Movement seriously”.
Segundo o jornal, há razões históricas para alimentar o movimento separatista, pois os albertenses acusam as províncias ocidentais e os Liberais que têm governado o país, de “alienação ocidental”, isto é, de uma contínua sabotagem ao seu desenvolvimento e de aproveitamento dos seus recursos naturais, que serão mais dirigidos para a economia nacional do que para a economia local. Daí que o movimento separatista Stay Free Alberta, dirigido por Mitch Sylvestre, tenha apresentado uma petição formal para a realização de um plebiscito pela independência de Alberta, que deverá ser realizado ainda no corrente ano. Era necessário recolher 178 mil assinaturas para o efeito (10% dos eleitores de Alberta), mas os organizadores da petição terão recolhido mais de 300 mil. Porém, também há movimentos activos que resistem à ameaça de ser separados do Canadá, ou de se tornarem no 51º estado americano, que afirmam “chegou a hora de defender o Canadá e dizer 'não' ao separatismo”. Um desses movimentos é o Forever Canadian que já recolheu 404.293 assinaturas dos que querem manter-se no Canadá.
O tema está na ordem do dia e justifica-se a manchete do jornal, isto é, o separatismo no Canadá deve ser olhado seriously

A Roménia quer o regresso da Monarquia?

A Roménia é uma república situada no leste europeu que ocupa uma área de cerca de 238 mil quilómetros quadrados com cerca de 20 milhões de habitantes e que tem fronteira com a Hungria, Sérvia, Ucrânia, Moldávia e Bulgária. Faz parte da NATO desde 2004 e da União Europeia desde 2007. O seu território integrou o Império Otomano que “por cerca de 600 anos se expandiu por três continentes” e governou territórios que actualmente constituem a Roménia, mas também a Turquia, o Egipto, a Bulgária, a Grécia, a Hungria, a Jordânia, o Líbano, a Síria, Israel, Albânia, Chipre, Sérvia, Iraque e alguns outros.
Em meados do século XIX o Império Otomano estava em declínio e havia várias guerras no leste europeu. Nesse quadro de conflito, no dia 10 de maio de 1866 as tropas prussianas de Carlos de Hohenzollern-Sigmaringen entraram em Bucareste pela Ponte Mogoșoaiei e, no mesmo dia, na Colina Mitropoliean, ele prestou juramento, afirmando a sua "devoção ilimitada à minha nova pátria e o respeito inabalável pela lei, que absorvi no exemplo do meu povo. Cidadão hoje, amanhã, se necessário, soldado, compartilharei convosco a boa e a má sorte". 
O jovem príncipe, que era irmão da rainha D. Estefânia que casou com o rei D. Pedro V de Portugal, “era três quartos prussiano, da família Hohenzollern, e um quarto francês, por parte de sua avó materna”, tendo-se tornado governante dos Principados Unidos da Moldávia e Valáquia e, mais tarde, em 1881, rei da Roménia, sob o nome de Carlos ou Carol I. Desde então e até 1947, o dia 10 de maio foi comemorado como o Dia Nacional da Roménia, como nos informa a edição de ontem do diário romeno Adevarul que se publica em Bucareste e que o Google Tradutor nos ajuda a ler.
O jornal explica como Carlos I “conseguiu transformar a Roménia de ‘problema oriental’ em ‘potência regional’, elogia o seu longo reinado de 48 anos, defende o regresso do dia 10 de maio como Dia Nacional da Roménia e, até certo ponto, sugere o regresso da Monarquia que foi extinta em 1947, quando Miguel I (1921-2017), que reinou de 1940 a 1947, foi forçado a abdicar pelo regime comunista apoiado pela União Soviética e a Roménia se tornou uma república.
A edição de fim-de-semana do Adevarul não só “ressuscita” Carlos I e lembra “os tempos gloriosos da monarquia”, como mostra que “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e que “todo o mundo é composto de mudança”, como escreveu o nosso Luís de Camões.   

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Gente que conta: “Le monde selon Vhils”

Alexandre Manuel Dias Farto é um artista português nascido em 1987 no Seixal, que se tem destacado nas áreas do graffiti e da street art, sobretudo através dos seus “rostos” que são esculpidos ou pintados em muros e paredes. Assina as suas obras como Vhils e é por esse nome que é conhecido, aqui e além-mar, pois os seus trabalhos encontram-se em inúmeros países e, naturalmente em Portugal, onde retratou Zeca Afonso e Amália, Sofia e Saramago, entre muitas outras figuras e factos. Recentemente, foi escolhido por Marcelo Rebelo de Sousa para fazer o seu retrato que figura na Galeria dos Presidentes no Palácio de Belém, o que lhe aumentou a notoriedade nacional.
Agora, a prestigiada revista francesa Courrier International decidiu escolher como “invité spécial” da sua edição nº 1853 de 7 de maio, esta “figura maior da arte urbana” e escolheu como capa um dos rostos que desenhou e, como manchete, a frase “Le monde selon Vhils”. A reportagem que é abundantemente ilustrada com obras de Vhils espalhadas pelo mundo, salienta:
“É importante destacar que esta edição com Vhils é inédita em vários aspetos. Em primeiro lugar, é a primeira vez na história do Courrier International que           convidamos um artista para colaborar connosco. Mas é também a primeira vez que concebemos o nosso jornal em parceria entre dois países. Durante quase quatro meses, as nossas equipas e as equipas de Vhils, sediadas em Portugal, trabalharam em conjunto para criar esta edição”.
E aqui está como uma figura da arte e da cultura portuguesa atravessa fronteiras e tem “quelques œuvres majeures autour du monde”, em cidades como Lisboa e Porto, Londres e Los Angeles, Bruxelas e São Paulo, Macau e México City, Pequim e Shanghai, Praia e Cincinnati, Hong Kong e Paris, Rio de Janeiro e San Diego, Fremantle e Dubai. 
Bravo!

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Macau é atracção para o turismo chinês

Através do jornal ponto final. que é um dos jornais em língua portuguesa que se publica na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, vamos conhecendo alguma coisa do que por lá se passa, quando já são decorridos 26 anos desde o fim da soberania portuguesa no território.
A mais recente edição do jornal destaca na capa uma fotografia das Ruinas de São Paulo, isto é, da antiga Igreja da Madre de Deus e do anexo Colégio de São Paulo, que em 1835 foram destruídos por um incêndio, dando notícia da Semana Dourada e do movimento turístico no território. A Semana Dourada abrange os cinco dias de feriado do Dia do Trabalhador que se festeja no território continental da China e, nesses dias, o território de Macau atrai ainda mais multidões de chineses. 
De acordo com as autoridades macaenses, nos primeiros três dias e meio da Semana Dourada o território recebeu 772 mil visitantes e, só no dia 2 de maio, entraram cerca de 248 mil visitantes, mais 20 mil que no mesmo dia do ano anterior, o que representava o número máximo de visitantes de Macau num só dia.
Nos nove postos fronteiriços de acesso ao território, as Portas do Cerco concentraram quase metade (49,3%) do total de entradas registadas nos três primeiros dias de feriado, em que foram contabilizadas 2.481.619 entradas e saídas de visitantes e não visitantes, perfazendo uma média diária de 827.206 movimentos transfronteiriços diários, o que significa que há milhares de chineses que todos os dias entram e saem de Macau, uns como turistas e outros para trabalhar, estudar ou fazer compras.
Macau, que muitos portugueses bem conhecem, tem atualmente cerca de 700 mil habitantes e em 2025 recebeu 40,1 milhões de turistas, enquanto Portugal recebe anualmente cerca de 30 milhões de turistas. Estes números mostram que Macau é uma atracção para o turismo chinês, mas que continua a ser uma bela memória da expansão marítima portuguesa.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Donald Trump, o aproveitador

A mais recente edição do jornal Libération é demolidora para Donald Trump, tanto pela sua acusadora manchete ao afirmar que “desde a sua reeleição, segundo a revista Forbes, o presidente dos Estados Unidos e sua família teriam embolsado 1,4 mil milhões de dólares”, mas também pela imagem da capa que mostra uma estátua de Donald Trump feita de metal maciço banhado a ouro, em que a personagem se apresenta de punho erguido – “une image qui fait presque mal aux yeux”. 
A jornalista Alexandra Schwartzbrod chama-lhe ”aproveitador” e desvenda a mistura de interesses e de negócios deste homem de excessos, de narcisismo doentio e de fanfarronice, que usa a desinformação e a ameaça para satisfazer os seus interesses. Convencido de que está protegido por uma capa de invencibilidade e de super-herói, ele confunde os limites e explora a sua posição presidencial para cobrar por tudo o que leva o seu nome, desde os seus caricatos bonés até aos hotéis e campos de golfe que lhe pertencem, ou que controla, nos quais as suas iniciais aparecem estampadas em letras douradas. O mesmo acontece com o seu famoso resort Mar-a-Lago, na Florida, onde são cobrados preços exorbitantes pela condição de membro, ou por quaisquer alugueres.
O trabalho jornalístico também trata das guerras de Trump e dos que delas beneficiam, referindo que “o Pentágono está a esvaziar os seus cofres ao despejar o equivalente a mais de mil milhões de dólares em bombardeamentos no Irão todos os dias, segundo estimativas da Forbes”. A indústria da guerra floresce e Donald Trump e os seus amigos aproveitam. 
Porém, o remate mais incisivo no demolidor texto do Libération está na seguinte frase: “Basicamente, seja você um chefe de Estado ou um empresário, se quiser um favor de Trump, basta pagar”.
Nos seus túmulos, os pais fundadores da nação que em 1766 assinaram em Filadélfia a Declaração de Independência dos Estados Unidos, devem dar voltas…

terça-feira, 5 de maio de 2026

A China consolida posições estratégicas

O jornal The New York Times destaca hoje na sua edição internacional que “a China está a transformar um recife num posto avançado”, publicando uma série de imagens satélite que mostram como têm evoluído os trabalhos de aterro e expansão no Antelope reef. Este recife faz parte das ilhas Paracel, que se situam no Mar do Sul da China, onde a China, Taiwan, Vietname e Filipinas disputam espaço e influência. Porém, os chineses não perdem tempo e estão a criar uma ilha artificial de considerável dimensão, para nela instalar um grande posto militar avançado com capacidade para receber infraestruturas de grande porte, incluindo pistas de aviação e portos.
A campanha de construção de ilhas artificiais no Mar do Sul da China pelos chineses, sobretudo nas ilhas Spratly e Paracel, tinha começado em meados da década de 2010, esteve suspensa durante alguns anos, mas agora arrancou com força, devido às novas circunstâncias internacionais, em que a China quer consolidar posições estratégicas.
A mesma edição do jornal The New York Times inclui dois importantes artigos de opinião, os chamados “guest essay” ou ensaio de convidado. Um deles é assinado por Scott Anderson e tem o curioso título “Operação Fúria Épica, conheça a Operação Erro Colossal”; o outro, que é assinado por Christopher Caldwell e que tem destaque de primeira página, tem por título “Os Estados Unidos são oficialmente um império em declínio”
Aqui está, como dois artigos de opinião publicados num importante jornal americano, contrariam tudo o que as nossas televisões diariamente nos impingem sobre Donald Trump e a sua governação, deixando tantos portugueses enganados.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Vem aí a época dos incêndios florestais

A edição de ontem do diário catalão el Periódico publica uma sugestiva ilustração em que o território espanhol da Península Ibérica aparece cercado pelo fogo e que, em manchete, escreve que “España olvida outra vez la prevención de incendios”.
Qualquer português que observe esta ilustração, ou que leia esta notícia, interroga-se sobre o que está, ou não está, a ser feito em Portugal para nos prevenirmos dessa calamidade que são os incêndios florestais que todos os anos nos ameaçam e que têm devastado vidas e bens. Porém, há que destacar que em Portugal o assunto não tem sido esquecido e que até está na ordem do dia.
Há cerca de um mês o ministro da Administração Interna (MAI) reconhecia que “o Verão vai ser muito duro” e elogiava o trabalho que estava a ser feito para prevenir os incêndios florestais, sobretudo nas zonas devastadas pelas recentes tempestades, porque “podem vir a ser seriamente afetadas”. Também estão a decorrer muitas acções de sensibilização e de esclarecimento da população para a defesa da floresta, lembrando sempre que o prazo legal para execução dos trabalhos de limpeza florestal termina a 30 de junho.
Entretanto, foi criado o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), com os Ministérios da Defesa, da Administração Interna e da Agricultura a juntar esforços na prevenção de fogos florestais e para assegurar a necessária eficácia e uma boa articulação de meios e esforços, tendo o MAI avisado que “tem de ser um combate de todos” e que “é possível trabalharmos em equipa” através de uma “mudança de mentalidade”.
Espera-se que estas medidas não sejam apenas de propaganda e que haja vontade de acabar com os excessos de protagonismos de políticos, bombeiros, proteção civil, autarcas e até alguns militares, mas cá estaremos para ver o que vai acontecer…

domingo, 3 de maio de 2026

Sagrada Família: uma obra com 144 anos!

O Temple Expiatori de la Sagrada Família, ou simplesmente Sagrada Família, é um grande templo católico em construção em Barcelona, que foi desenhado pelo arquitecto catalão Antoni Gaudi e que foi iniciado em 1882, isto é, está em construção há 144 anos. Com a recente instalação da parte mais alta da cruz que mede 17 metros de altura e 13,5 metros de largura, o templo passa a ter 172,5 metros, tornando-se a construção mais alta de Barcelona e a igreja mais alta do mundo.
A longa duração da construção resulta do seu financiamento resultar de doações e venda de ingressos, mas também da complexidade da obra com três fachadas principais e 18 torres, entre outras circunstâncias incluindo a guerra civil de Espanha,
No próximo dia 10 de junho – dia em que se evocam 100 anos da morte de Gaudi – o Papa Leão XIV irá abençoar a Torre de Jesús, a última a ficar concluída. A visita papal e o avanço da obra despertaram o interesse de todos os espanhóis, mas também dos mass media internacionais. O jornal La Vanguardia que se publica em Barcelona publicou uma extensa reportagem da jornalista Sara Sans sobre o entusiasmo que a visita do Papa está a suscitar e refere que a lotação da basílica “está esgotada” até essa data, o que supera todas as expectativas. Essa reportagem anuncia, também, que no ano passado “entraron en el interior de la basilica 4,87 millones de visitantes (un 89% extranjeros), lo que se tradujo en unos ingressos de 130 millones de euros”.
A Sagrada Família é, de facto, um caso único no mundo.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Cuba e a sua fidelidade a Fidel Castro

O jornal Granma, o “organo oficial del Comité Central del Partido Comunista de Cuba, dedicou a sua edição de hoje a Fidel Castro, que era filho de emigrantes galegos e liderou a guerrilha que tomou o poder em Cuba em 1959, quando tinha 33 anos de idade. Morreu em 2016, mas continua a ser o símbolo da Cuba socialista e anti-imperialista, numa altura em que já decorrem as celebrações do centenário do seu nascimento, cujo ponto alto acontecerá em agosto.
Nessa edição, a propósito do Dia Internacional de los Trabajadores, o presidente Miguel Diaz-Canel convocou o povo cubano para “un desfile por la paz” e, inspirando-se numa frase de Fidel Castro, disse que “la Patria se defiende en calles y plazas este viernes Primero de Mayo al amanecer” e exortou “trabajadores, campesinos, estudiantes, intelectuales, artistas, deportistas, cubanas y cubanos todos”, para desfilar hoje “contra el bloqueo genocida y en defensa de la paz”.
Este tipo de mobilização é habitual em regimes autoritários e personalistas, tanto de esquerda como de direita, assim tendo acontecido com as figuras de Lenine na União Soviética, de Adolfo Hitler na Alemanha, ou de Mao Tse-Tung na República Popular da China, mas também com o português António Salazar, cujas frases infectaram várias gerações de portugueses. Se Fidel Castro procurou a unidade cubana com a frase “La Patria se defiende”, o homem de Santa Comba Dão decretava a unidade nacional em torno da frase “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, procurando impor-se como “Salvador da Pátria” com a sua famosa declaração – “Sei muito bem o que quero e para onde vou”. 
Parafraseando uma conhecida figura política portuguesa, dir-se-ia que, em termos de culto da personalidade, as figuras históricas de Lenine, Mao, Salazar e Fidel foram “farinha do mesmo saco”.

Uma notável proeza de um atleta queniano

Foi no dia 26 de abril que Sabastian Kimaru Sawe, um maratonista queniano de 31 anos de idade, conseguiu a extraordinária proeza atlética de correr os 42,195 quilómetros da Maratona de Londres em 1.59:30. Tratou-se de um resultado histórico pois nunca ninguém completara esta prova em menos de duas horas e o jornal espanhol Marca deu-lhe honras de primeira página e, por um dia, esqueceu o futebol.
A maratona é uma prova que interessa os portugueses que tiveram em Carlos Lopes e Rosa Mota os seus grandes campeões, ambos com medalhas de ouro olímpicas.
No dia 12 de agosto de 1984 – já lã vão quase 42 anos – todos rejubilamos quando Carlos Lopes conseguiu a primeira medalha olímpica de ouro para Portugal ao vencer a Maratona de Los Angeles em 2.09:21, o que na altura constituiu um novo recorde olímpico.
Agora, este queniano gastou quase 10 minutos a menos para fazer o mesmo percurso, o que é verdadeiramente notável. Porém, há uma curiosidade em torno desta proeza. As grandes marcas desportivas vinham procurando criar umas sapatilhas especiais e a Adidas parece que se adiantou à Nike. Sabastian Sawe correu com sapatilhas Adizero Adios Pro Evo 3, o modelo da Adidas com menos de 100 gramas que foi desenvolvido para maximizar a eficiência energética e que cria um efeito de retorno de energia que reduz o custo fisiológico ao longo da prova. “O ténis é muito bom, muito leve, confortável e oferece bastante suporte, além de impulsionar para frente”, disse o Sabastian. Não se lhe tira o mérito, mas

segunda-feira, 27 de abril de 2026

O 25 de Abril é o dia mais bonito do ano

As comemorações do 52º aniversário do 25 de Abril foram uma grande festa popular e confirmaram o que o jornal Expresso escrevera dois dias antes ao referir-se à ”tarde mais bonita do ano na avenida da Liberdade - e noutros pontos do país”.
Embora tenham acontecido as mais diversas cerimónias comemorativas por todo o país – sessões solenes e manifestações, jantares e almoços, exposições e concertos, colóquios e conferências, arraiais e concursos, corridas e outros eventos desportivos, para não referir essa parolice bizantina de ligar o teatro e um só actor ao 25 de Abril – o ponto alto das comemorações do 25 de Abril continua a ser o grandioso desfile popular que sempre se realiza na avenida da Liberdade em Lisboa, com milhares de pessoas, em grande unidade e de cravo na mão, a celebrar a Liberdade e a Democracia, sendo evidente o envolvimento das novas gerações, de que é exemplo aquele jovem que empunhava um simples cartaz em que afirmava ”eu não estava lá, mas agora estou aqui!”.
Por tudo isto, o 25 de Abril está vivo e povo gritou bem alto: “25 de Abril sempre!”.
Porém, os festejos deste 52º aniversário também tiveram um novo aliciante, que foi ver o Presidente da República de cravo ao peito e de se afirmar, sem quaisquer equívocos, um homem do 25 de Abril e de assumir a defesa dos valores de Abril, não deixando de ser curioso e eloquente que, na sessão solene da Assembleia da República, a sua mulher vestisse de vermelho e a mulher do primeiro-ministro vestisse de preto...
As televisões estiveram bem ao divulgar as imagens essenciais da grande festa, mas a imprensa esteve distraída e até o jornal Público, que destacou a festa do 25 de Abril com uma fotografia na sua primeira página a cinco colunas, se limitou a escrever em tímida manchete que “o Presidente falou para os jovens e as ruas encheram-se de cor”. É pouco, para descrever o que se viu…

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Feira de Sevilha já anima a Andaluzia

A Feira de Sevilha é uma das festas mais internacionais e populares das famosas festividades espanholas e começa hoje à noite com o Alumbrado, ou iluminação de mais de 28 mil  lâmpadas coloridas do recinto de Los Remedios e da sua entrada principal, ou Portada, que tem cerca de 50 metros de altura e todos os anos é diferente. Hoje, a edição de Sevilha do diário ABC tem como legenda a frase “hoje e sempre” e publica em primeira página a fotografia da Portada, que este ano é “dedicada al Pabellón de Portugal”.
Até ao dia 26 de abril a cidade de Sevilha vai viver para a feira e receber muitos milhares de visitantes, com muita música, dança, gastronomia e animados convívios de familiares e amigos em tendas coloridas, enquanto as pessoas se passeiam em ricas carruagens pelas avenidas principais da cidade e usam trajes típicos da Andaluzia, isto é, os homens com roupas tradicionais do campo e as mulheres com trajes flamencos ou ciganos. Durante o dia, centenas de amazonas e cavaleiros passeiam a cavalo pelo recinto da feira e, o turista mais abonado ou mais interessado, também pode alugar um cavalo. Um outro elemento essencial da festa são as corridas de touros na Plaza de Toros de la Maestranza com um programa diário que atrai milhares de aficionados, embora este ano esteja prejudicado pela colhida do famoso matador Morante de la Puebla, acontecida ontem na corrida de abertura da feira e que o jornal ABC e outros jornais relatam com fotografia em primeira página.
A Feria de Sevilla é uma grande festa que atrai muitos portugueses e é uma das grandes celebrações do país vizinho.

domingo, 19 de abril de 2026

Pedro Sánchez, o novo superstar europeu

A cidade de Barcelona assistiu ontem a uma cimeira progressista “em defesa da Democracia” em que, para além de outros dirigentes internacionais, se destacou a presença de Lula da Silva, que disse que “nenhum país, por maior que seja, tem o direito de impor regras aos outros”, e de Pedro Sánchez, que afirmou que “não basta resistir, temos de propor”. 
A cimeira visou a constituição de uma frente internacional das esquerdas e dos centro-esquerdas mundiais contra Donald Trump e Benjamin Netanyahu, mas também contra os outros líderes da extrema-direita que são seus aliados. Na sua edição de hoje o jornal El País destacou este acontecimento em primeira página e transcreve algumas das declarações produzidas durante a cimeira.
- “Gracias por haber salvado el alma de Europa”, disse Giacomo Filibeek, o secretário-geral do Partido Socialista Europeu;
- “Gracias Pedro por tu liderazgo, gracias por demostrar que la agenda progresista funciona, gracias por defender nuestra dignidad com cuatro palabras “no a la guerra”, disse a italiana Elly Schlein, a grande rival de Giorgia Meloni.
O presidente brasileiro Lula da Silva disse que “não se pode dormir e acordar todos os dias com um Presidente ameaçando o mundo” e elogiou Pedro Sánchez “porque tuvo la valentia de no permitir que los aviones de guerra de EE UU salieran de aquí para bombardear Irán”.
A cimeira teve a participação da presidente mexicana Claudia Sheinbaum e do presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Dos Estados Unidos chegaram apoios à iniciativa de Pedro Sánchez e de Lula da Silva, designadamente de vários democratas como Tim Walz, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e Hillary Clinton, afirmando que esta iniciativa é “o trabalho da nossa era”, mas Tim Walz, que foi candidato presidencial derrotado em 2024, destacou-se ao afirmar que Trump "é um ditador" e que "o fascismo está pelo mundo". 
Na linha do Papa Leão XIV que disse não ter medo de Trump, surgiu Pedro Sánchez como o mais destacado e corajoso opositor europeu dos desmandos e das ilegalidades de Donald Trump, cujo ataque ao Irão parece estar a ser um fiasco, sobretudo… nos Estados Unidos. 
Pedro Sánchez tornou-se de facto num superstar europeu.